Logotipo ArvorARVOR INTELLIGENCE · THREAD X · 24/06/2026

Datafolha 06/2026o “47 x 43” é empate técnico

28 posts, cada um com card 16:9 pronto para screenshot e texto longo (formato X) pronto para colar. Arco: o achado da margem (1–3) → o desenho e a renda (4–8) → transferência e cenários (9–10) → bairros e pesos (11–13) → as perguntas escondidas, inclusive sobre o próprio Flávio (14–17) → estratégia de campanha (18–22) → como a imprensa construiu a narrativa em cima do número (23–26) → cobrança e veredito (27–28). Sem hashtags: o X premia conteúdo, não tag.

Como publicar: dê screenshot em cada card (proporção exata 16:9), clique em “Copiar texto” para o corpo do post e publique na ordem. Dossiê-mãe: brasil.arvor.co/datafolha_062026.html · Registro TSE BR-09956/2026.
Fontes públicas: Relatório, questionário e anexo de bairros Datafolha 06/2026 (PesqEle/TSE BR-09956/2026, contratante Folha de S.Paulo); PesqEle/TSE; TSE Eleitorado Atual; TSE Resultados 2024; IBGE PNAD Contínua. Cruzamentos abertos em github.com/ArvorCo/PNAD.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Datafolha · junho 2026

“Lula 47 x 43” não é liderança. É empate técnico.

A pesquisa não mostrou virada contra Flávio — repetiu maio. Mas a manchete superou o que o número aguenta. Auditei tudo.

2.004 entrevistas · 139 municípioscampo 17–18/06TSE BR-09956/2026
47
43

4 pontos de gap · margem da diferença ±4,1
cabe um empate inteiro aí dentro

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório Datafolha · TSE BR-09956/2026
~980 charsToda semana, uma pesquisa na mesa de operação. Hoje, o Datafolha de junho. A manchete que circulou foi “Lula 47 x 43 sobre Flávio no 2º turno”. Lido como liderança. Mas tem um problema técnico que muda tudo: a margem de erro de ±2 que o Datafolha divulga vale para CADA número isolado — não para a distância entre os dois. A conta certa, o erro da DIFERENÇA entre dois candidatos, é quase o dobro: ±4,1 pontos. O gap observado é 4. Ou seja: ao nível de 95%, não dá para afirmar que Lula está na frente. É empate técnico. E isso é só o começo. Quando a renda da amostra é recalibrada à PNAD, a vantagem de Lula some por completo. Auditei o relatório, o questionário e o anexo de bairros. Refiz a margem com o efeito de desenho real, reconstruí a transferência de votos e achei perguntas aplicadas que nunca foram publicadas — inclusive sobre o próprio Flávio. Thread. 🧵
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Antes de bater, o elogio

O Datafolha fez o que muito instituto não faz: perguntou o voto no começo, antes do roteiro pesado de Trump, facções e ideologia. E publicou o anexo de bairros.

  • Voto medido antes do priming dos módulos.
  • Sexo, região e escolaridade batem com TSE/PNAD.
  • Anexo de bairros publicado — raro no mercado.
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório e questionário Datafolha 06/2026
~900 charsAuditoria séria começa pelo que está certo. E o Datafolha acertou coisas importantes. Primeiro: a ordem do questionário. O voto presidencial (espontâneo, estimulado, rejeição e 2º turno) é perguntado LOGO NO INÍCIO, antes da bateria sobre Trump, facções, economia e ideologia. Isso protege o top-line de voto do priming direto desses temas. A Quaest, por exemplo, não fez isso tão bem. Segundo: a calibragem demográfica. Sexo, região e escolaridade da amostra batem com o TSE (eleitorado) e a PNAD (IBGE). Não é amostra torta de qualquer jeito. Terceiro: o anexo de bairros. O Datafolha publicou onde as entrevistas aconteceram, setor a setor. A maioria dos institutos não abre isso. Então não é o caso de gritar “fraude”. O problema é outro: excesso de certeza na manchete e falta de transparência no método. Vamos ao bisturi.
Arvor
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Achado nº 1 · estatística

A margem que ninguém noticia: a da diferença

±2 vale para o 47 e para o 43 isolados. A distância entre os dois tem margem de ±4,1. O gap é 4. Cruza o zero.

EP(L−F)=√[(pL+pF−(pL−pF)²)/n] ≈ 2,12 → IC95% ±4,15

±4,1

margem sobre a diferença Lula−Flávio
> 4,0 do gap → empate técnico

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026cálculo: erro da diferença de proporções, n=2.004
~1010 charsAqui está o erro de leitura que vira manchete enganosa. A margem de erro de ±2 pontos que o Datafolha divulga vale para cada estimativa SOZINHA: o 47 de Lula, o 43 de Flávio. Ela NÃO mede a distância entre os dois. Quando você quer saber se um candidato está REALMENTE à frente do outro, a conta certa é o erro da diferença. E para dois candidatos da mesma amostra ele é quase o dobro: EP(L−F) = raiz de [(0,47+0,43−(0,04)²)/2004] ≈ 2,12 pontos. Margem de 95% sobre a diferença ≈ ±4,15 pontos. O gap observado é 4,0. Menor que a margem da diferença. Ou seja: o intervalo de confiança de Lula e o de Flávio se SOBREPÕEM. Estatisticamente, não dá para afirmar que um está na frente do outro. “Lula 47 x 43” deveria ser noticiado como “Lula e Flávio empatados tecnicamente, com leve vantagem nominal de Lula”. E isso é antes de corrigir o desenho da amostra — o que só piora para o lado da incerteza. Próximo post.
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Achado nº 2 · desenho amostral

±2 é a margem de uma amostra que o Datafolha não usa

±2 é a conta de amostra aleatória simples. O desenho real é por pontos de fluxo, conglomerado (~6 por setor) e ponderado. Com o efeito de desenho, a margem da diferença vai a ~±5.

margem da diferençalinha = gap 4,0
AAS (±2)
4,1
otimista
4,5
realista
5,0
conservador
5,6

o gap (4,0) é menor que a margem em TODOS os cenários

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026deff=1+(b̄−1)ρ · b̄≈6 · simulação declarada
~1040 charsA própria declaração técnica do Datafolha diz, com todas as letras: “não usa abordagem domiciliar e, sim, abordagem em pontos de fluxo populacional”. Isso tem duas consequências que o ±2 esconde: 1) Ponto de fluxo é seleção por interceptação, não probabilística. A rigor, margem clássica nem se aplica. 2) Há conglomeração: ~6 entrevistas por setor censitário, em 331 setores. Isso infla a variância pelo efeito de desenho (deff). Simulei o deff = 1 + (b̄−1)·ρ, com b̄≈6 e ρ (correlação do voto dentro do setor) variando. Some a isso a ponderação. O resultado: • Cenário realista: deff ≈ 1,46 → n efetivo cai de 2.004 para ~1.376 → margem por estimativa ~±2,6 (não ±2) e margem da diferença ~±5,0. Conclusão: em NENHUM cenário plausível o gap de 4 pontos supera a margem. O “Lula à frente” não passa no teste. Para acabar com a dúvida, bastava o Datafolha publicar o deff e o n efetivo. Não publica.
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a frase que está no documento

“O Datafolha não usa abordagem domiciliar e, sim, abordagem em pontos de fluxo populacional.”

Declaração de responsabilidade profissional de estatística, anexo de bairros, 19/06/2026. É exatamente por isso que a margem de amostra aleatória simples não descreve esta pesquisa.

interceptação, não domicíliochecagem cobre “no mínimo 20%”CNEFE/IBGE para bairros
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: declaração técnica, anexo de bairros p.6
~940 charsEstá escrito no próprio documento, na declaração de responsabilidade profissional da estatística que assina a pesquisa: “O Datafolha não usa, em sua metodologia, abordagem domiciliar e, sim, abordagem em pontos de fluxo populacional.” Ponto de fluxo é abordar quem passa: rua, comércio, terminal. É legítimo e barato, mas tem duas implicações que a manchete ignora: → Não é amostra probabilística. Quem passa num ponto às 14h de uma terça não é um sorteio da população. Por isso, a “margem de erro” clássica é uma aproximação ilustrativa, não uma garantia. → As entrevistas se concentram em poucos setores (~6 cada), o que infla a incerteza real. E tem mais: a própria metodologia diz que a checagem cobriu “no mínimo 20% do material”. Ou seja, 80% das entrevistas não têm verificação declarada. Nada disso é fraude. É o tamanho real da incerteza — que a manchete de “liderança” apaga.
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Achado nº 3 · renda

A amostra é mais pobre que o país

Metade da amostra (50,4%) declara renda familiar de até 2 salários. Na PNAD do IBGE, isso é 42,9% (domicílios) ou 35,4% (pessoas). E baixa renda dá Lula 53 x 38.

% na faixa até 2 salários mínimos
Datafolha jun
50,4
PNAD domicílios
42,9
PNAD pessoas
35,4

quanto mais pobre a amostra, maior a vantagem de Lula

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: perfil ponderado p.17 × PNADC anual 2025 v1
~990 charsAqui está a engrenagem que produz a vantagem de Lula. No perfil ponderado do Datafolha, 50,4% dos entrevistados declaram renda familiar de até 2 salários mínimos. Metade da amostra. Quanto diz a PNAD Contínua do IBGE? Depende da unidade: • Por domicílios: 42,9% na faixa até 2 SM. • Por pessoas de 16+ anos: 35,4%. Nos dois casos, a amostra do Datafolha é MAIS POBRE que a população. E isso não é detalhe, porque a renda é o corte que mais separa os candidatos no 2º turno: • Até 2 SM: Lula 53 x Flávio 38. • Acima de 2 SM: Flávio vence em todas as faixas (49, 51, 54). Ou seja: a chave vira exatamente em 2 salários. Uma amostra com pobres demais empurra o resultado para Lula por construção. Não é manipulação — pode ser só viés natural de abordagem de rua. Mas tem direção conhecida. E dá para medir o efeito. É o próximo post.
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Achado nº 3 · a peça-chave

Corrija a renda e a vantagem evapora

Mantendo o voto dentro de cada faixa e trocando só o peso da renda pela PNAD, Lula cai e Flávio sobe. As linhas se cruzam.

47,4 45,6 43,6 45,9 DatafolhaPNAD domic.PNAD pessoas

Lula 47,4→45,6 · Flávio 43,6→45,9 · empate

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026reponderação marginal declarada (sem microdado)
~1020 charsSem microdados, não dá para fazer a reponderação oficial. Mas dá para fazer uma sensibilidade auditável: manter o voto publicado DENTRO de cada faixa de renda e trocar só o PESO de cada faixa pelo benchmark da PNAD. É conservador (ignora correlações), mas mostra para onde o resultado escorrega. Resultado no 2º turno Lula x Flávio: • Datafolha como está: Lula 47,4 x 43,6 → Lula +3,8 (reproduz o oficial). • Reponderando renda pela PNAD por domicílios: 46,4 x 44,9 → Lula +1,5. • Reponderando pela PNAD por pessoas 16+: 45,6 x 45,9 → Flávio +0,3. As duas linhas se cruzam. Na unidade “por pessoa”, que é a mais defensável quando o respondente é o eleitor, a vantagem de Lula não só some — inverte de leve. Isso NÃO prova que Flávio está na frente. Prova que o “Lula +4” depende de uma amostra mais pobre que o país. Junte com o empate técnico do post 3 e a leitura honesta do 2º turno é uma só: disputa aberta, dentro da margem. Não liderança consolidada.
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A chave vira em 2 salários

Abaixo de 2 SM, Lula domina. Acima, Flávio vence em todas as faixas. Por isso o peso da renda decide o placar.

LulaFlávio
Até 2 SM
53/38
2–5 SM
41/49
5–10 SM
42/51
+10 SM
43/54
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório 2º turno por renda, p.25
~880 charsPara entender por que a renda da amostra decide o resultado, olhe o gradiente do 2º turno: • Até 2 SM: Lula 53 x Flávio 38 (Lula +15) • 2 a 5 SM: Lula 41 x Flávio 49 (Flávio +8) • 5 a 10 SM: Lula 42 x Flávio 51 (Flávio +9) • Mais de 10 SM: Lula 43 x Flávio 54 (Flávio +11) A virada de chave é cirúrgica: acontece exatamente na fronteira de 2 salários mínimos. Abaixo, território de Lula. Acima, território de Flávio, em TODAS as faixas. Agora junte com o post anterior: a amostra do Datafolha tem 50,4% na faixa até 2 SM, contra 35–43% na PNAD. Ela carrega justamente o lado do gradiente onde Lula é forte. Não é preciso supor má-fé. Basta a física da amostragem de rua, que costuma capturar mais gente de baixa renda circulando. Mas o efeito no placar é real e mensurável — e empurra para Lula.
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Achado nº 4 · transferência

O voto disponível corre 2:1 para Flávio

No 1º turno sobram 28 pontos que não são de nenhum dos dois. No 2º, Flávio capta +12, Lula só +6. O anti-Lula é real e tem para onde ir.

consolidação do 1º → 2º turno (saldo líquido)
→ Flávio
+12
→ Lula
+6
ficam fora
≈10

28 pts disponíveis = terceiros 17 + branco/nulo 7 + indecisos 4

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fluxo agregado · relatório pp.23 e 25
~950 charsTem uma boa notícia para a direita escondida nesta pesquisa. E é grande. No 1º turno: Lula 41, Flávio 31. Sobram 28 pontos que não são de nenhum dos dois — 17 de candidatos do “terceiro caminho” (Caiado, Renan, Zema e cia.), 7 de branco/nulo e 4 de indecisos. No 2º turno, esse bloco se redistribui. E o saldo é claro: • Lula sobe de 41 para 47 → ganha +6. • Flávio sobe de 31 para 43 → ganha +12. Ou seja: na hora de consolidar, o voto disponível corre para Flávio na proporção de DOIS PARA UM sobre Lula. O eleitor anti-Lula existe, é numeroso e migra para o adversário. Isso é leitura de fluxo agregado (não painel individual), mas o sinal é inequívoco: Flávio é mais eficiente na transferência do que o número do 1º turno sugere. O gargalo dele não é atrair indeciso — é o teto de rejeição. Guardem isso para os posts de estratégia.
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O teto de Lula está travado em 47–48

O Datafolha testou Lula contra três nomes. Em todos, ele fica em 47–48. Quem muda é o adversário — e o mais competitivo é Flávio.

Lulaoposição
vs Flávio
47/43
vs Caiado
47/41
vs Zema
48/39

trocar o nome da direita não melhora — piora

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório p.25, Situações A/B/C
~930 charsUm detalhe que quase ninguém comentou: o Datafolha testou Lula em TRÊS cenários de 2º turno. • Lula 47 x Flávio 43 • Lula 47 x Caiado 41 • Lula 48 x Zema 39 Repare no número de Lula: 47, 47, 48. Não se move. O teto dele está travado, independentemente do adversário. Isso sugere que Lula está perto do seu máximo — a eleição não é sobre ele crescer. E o adversário mais competitivo? Flávio (43), à frente de Caiado (41) e Zema (39). O paradoxo da candidatura Bolsonaro: ele tem a MAIOR rejeição e, ao mesmo tempo, a MELHOR transferência de voto. Polariza melhor. Tradução estratégica: trocar Flávio por um nome “mais palatável” da direita não melhora o 2º turno — piora. O ativo competitivo aqui é a polarização, não a moderação do nome. O jogo real é a oposição consolidar os 28 pontos disponíveis e baixar o teto de rejeição. Voltaremos a isso.
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Achado nº 5 · bairros

77% dos setores se repetem de maio

Se o desenho “sorteia” pontos de fluxo, por que 255 dos 331 setores são os mesmos de maio? E 20 de 22 em São Paulo?

77%

255 de 331 setores repetidos · SP: 20 de 22
mais painel de locais do que sorteio novo

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: anexo de bairros mai × jun (compare.csv)
~900 charsO anexo de bairros é a parte mais útil da pesquisa — e a que levanta a pergunta mais incômoda. Cruzei os setores censitários de maio com os de junho. Resultado: 255 dos 331 setores de junho (77%) JÁ estavam em maio. Em São Paulo capital, 20 dos 22 pontos são exatamente os mesmos. Aqui está a tensão: a metodologia fala em abordagem por pontos de fluxo, o que sugere seleção a cada onda. Mas, na prática, os locais se repetem de um mês para o outro. Isso é mais um PAINEL de locais do que um sorteio novo. Por que isso importa? Porque painel de locais com ~6 entrevistas cada é, tecnicamente, amostragem conglomerada — exatamente o que infla o efeito de desenho e a margem real (post 4). Não é fraude. Mas é uma escolha que precisa estar explicada: os pontos são sorteados de novo, rotacionados ou mantidos? Qual o protocolo? O Datafolha não diz.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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SP desmente a tese fácil

Cruzei os 22 pontos de SP com o 2º turno de 2024. A média deles dá Nunes 58,35% — colada no resultado oficial da cidade (59,34%). Não é desenho “de esquerda”.

pontos Datafolha
58,4
SP oficial 2024
59,3

% Nunes (2º turno prefeito) · 18 de 22 pontos em área Nunes
5,7 milhões de votos válidos processados

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026TSE votação por seção SP 2024 · proxy por bairro
~960 charsSempre que aparece anexo de bairros, vem a acusação fácil: “escolheram bairro de esquerda para favorecer o Lula”. Fui testar isso em São Paulo, com dado oficial. Cruzei os 22 pontos paulistanos do Datafolha com o resultado do 2º turno de prefeito de 2024, bairro a bairro (Nunes x Boulos), processando 5,7 milhões de votos válidos. Resultado: • 18 dos 22 pontos caem em áreas onde NUNES (direita) venceu. • A média simples dos pontos dá Nunes 58,35%. • O resultado oficial da cidade foi Nunes 59,34%. Praticamente idêntico. Em SP, a distribuição geográfica dos pontos NÃO é enviesada para a esquerda — se algo, está colada no eleitorado real da capital. Então, sendo honesto: em São Paulo a crítica não é “escolheram bairro de esquerda”. A crítica é a do post anterior — por que quase tudo se repetiu de maio, e qual é o protocolo de sorteio? Auditoria séria credita o que está certo e cobra o que falta.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Achado nº 6 · a digital do peso

Onde a ponderação mexeu

Cruzando a contagem bruta (bairros) com o perfil ponderado (relatório), o maior ajuste foi escolaridade: fundamental ×1,23, superior ×0,86.

bruto → ponderado
Fundamental
↑1,23×
Médio
0,96×
Superior
↓0,86×

25,9→32,0 · 45,7→43,7 · 28,4→24,4

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026contagem bruta (bairros p.6) × perfil ponderado (p.17)
~940 charsFiz um cruzamento raro: a contagem BRUTA da amostra (que está no anexo de bairros) contra o perfil PONDERADO (que está no relatório). Isso mostra exatamente onde o peso atuou. A boa notícia: em sexo, região e renda, o peso quase não mexeu. Está honesto. O alerta: escolaridade. Na coleta de rua havia gente com ensino superior demais (28,4%) e fundamental de menos (25,9%). A ponderação corrigiu isso com fatores fortes: • Fundamental: ×1,23 (subiu para 32,0%) • Superior: ×0,86 (caiu para 24,4%) É um ajuste grande para um marginal que se correlaciona com voto. E tem um detalhe contraintuitivo: a ponderação deixou a amostra AINDA mais pobre (até 2 SM subiu de 49,3 para 50,4%). O viés de renda não é corrigido pelo peso — é levemente reforçado. Nada disso é ilegal. Mas é exatamente por isso que o Datafolha deveria publicar a distribuição dos pesos finais. Não publica.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Achado nº 7 · transparência

As perguntas que foram feitas e não publicadas

O relatório publica uma fração do questionário. O resto foi aplicado a todos e ficou na gaveta.

  • Percepção econômica (país e pessoal)
  • Facções = organização terrorista; EUA atacarem facções no Brasil
  • Bateria ideológica: armas, drogas, pena de morte, Deus, sindicatos
  • Maioridade penal · Inteligência Artificial
  • Distribuição do voto lembrado em 2022
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: questionário 06/2026, P.10–P.20
~900 charsO relatório do Datafolha publica o voto, a rejeição, o efeito Trump e o arrependimento de 2022. Parece bastante. Mas é uma fração do que foi perguntado. Li o questionário inteiro. Foram aplicadas a TODOS os entrevistados, e não publicadas: • P.10 — percepção da economia (país e pessoal). • P.11 a P.13 — facções como organização terrorista; se os EUA têm “direito” de atacar facções dentro do Brasil sem avisar o governo. • P.16 a P.18 — uma bateria ideológica enorme: armas, drogas, pena de morte, homossexualidade, Deus, sindicatos, impostos, maioridade penal. • P.19 e P.20 — Inteligência Artificial. • E a distribuição do voto lembrado de 2022 — a auditoria política básica da amostra. Isso é um instrumento de message-testing inteiro, coletado e guardado. Reter resultado de pergunta registrada é o oposto de transparência. E tem uma pergunta na lista que é ainda mais sensível. Próximo post.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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a pergunta retida sobre o próprio candidato

Perguntaram se Flávio influenciou os EUA — e se isso foi positivo ou negativo. Não publicaram.

P.14 e P.15 do questionário: a influência de Flávio na decisão dos EUA de classificar PCC/CV como terroristas, e se ela ajudou ou atrapalhou o Brasil. Aplicadas a todos. Ausentes do relatório.

P.14 · teve influência?P.15 · positiva ou negativa?resultado não divulgado
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: questionário 06/2026, P.14 e P.15
~980 charsEsta é a omissão mais sensível da pesquisa. Entre as perguntas aplicadas e não publicadas, duas são sobre o PRÓPRIO Flávio Bolsonaro: P.14 — “O senador Flávio Bolsonaro teve ou não teve influência na decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas?” P.15 — “Essa influência foi positiva ou negativa para o Brasil?” Pare e pense. O instituto coletou de 2.004 eleitores uma avaliação direta sobre uma ação de um dos dois finalistas — se ele atuou junto a Washington e se isso ajudou ou prejudicou o país. É um dado de altíssimo valor reputacional, no meio de uma campanha presidencial. E não está no relatório. Reter perguntas sobre economia é discutível. Reter uma pergunta que avalia se a ação internacional de um candidato foi boa ou ruim para o Brasil é editorialmente grave. Transparência exige publicar o resultado de TODAS as perguntas registradas — ou justificar, uma a uma, cada omissão.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Publicaram o efeito, esconderam a causa

8% dizem se arrepender do voto de 2022. Mas sobre uma base de 1.546, e sem revelar em quem essas pessoas votaram. Sem isso, não dá para auditar o viés político da amostra.

8%

arrependimento · base 1.546 (não 2.004)
voto lembrado de 2022 = não publicado

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório p.27 · 2º turno 2022: Lula 50,9 x 49,1
~930 charsO relatório publica que 8% dos eleitores se arrependeram do voto para presidente em 2022. Parece transparente. Mas falta o essencial. Primeiro: essa pergunta foi feita sobre uma base de 1.546 pessoas, não 2.004. Os outros 458 (não votaram, não lembram ou recusaram) ficam de fora — e isso não é explicado. Segundo, e mais importante: o questionário PERGUNTA em quem o eleitor votou no 2º turno de 2022. Mas o relatório NÃO publica essa distribuição. Por que isso importa? Porque o 2º turno de 2022 foi Lula 50,9 x Bolsonaro 49,1. A lembrança ponderada da amostra deveria orbitar esse número, com descontos esperados por memória e desejabilidade. É a auditoria política básica: serve para testar se a amostra está enviesada para um lado. Publicar o arrependimento (8%) sem publicar a base lembrada é divulgar o efeito escondendo a causa. 8% de qual composição? Sem essa tabela, não dá para saber.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Trump: saldo nacional é só +2

17% dizem que o apoio de Trump aumentaria a vontade de votar, 15% diminuiria, 65% indiferente. No agregado, quase nulo. A munição é segmentada, não nacional.

aumentaria
17
diminuiria
15
indiferente
65

saldo líquido +2 · efeito real é local, não geral

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório p.27, efeito do apoio de Trump
~880 charsO apoio de Trump a um candidato brasileiro virou tema. O que o Datafolha mediu? • 17% dizem que aumentaria a vontade de votar no candidato apoiado. • 15% dizem que diminuiria. • 65% dizem que não faria diferença. Saldo líquido nacional: +2 pontos. Praticamente nulo. A leitura estratégica é importante. No agregado, Trump não é trunfo nem veneno — é quase ruído. Mas a média esconde polarização: provavelmente soma muito na base bolsonarista e subtrai entre desalinhados e antiamericanos. Tradução para campanha: Trump é munição SEGMENTADA, não bandeira nacional. Faz sentido ativar entre apoiadores já convictos; faz pouco sentido como mensagem de massa, porque o ganho na base é anulado pela perda no centro. No palco nacional, o enquadramento que funciona não é “subordinação a Washington”, e sim soberania e segurança. Detalhe que separa estrategista de torcedor.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Inteligência de campanha

O mapa de Flávio: 3 buracos decisivos

Flávio ganha homens e renda alta. Perde feio em mulheres, baixa renda e baixa escolaridade — onde Lula abre 15 a 17 pontos.

LulaFlávio
Mulheres
52/37
Até 2 SM
53/38
Fundamental
54/37
Homens
41/50
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: relatório 2º turno por segmento, p.25
~900 charsSaindo da auditoria, entrando na estratégia. O mapa do 2º turno de Flávio é cirúrgico. Onde ele já vence: • Homens: 50 x 41. • Renda acima de 2 SM: 49 a 54. Onde ele apanha — e é aqui que a eleição se decide: • Mulheres: Lula 52 x 37 (déficit de 15). • Até 2 SM: Lula 53 x 38 (déficit de 15). • Escolaridade fundamental: Lula 54 x 37 (déficit de 17). São três células: mulheres, baixa renda e baixa escolaridade. Note que elas se sobrepõem muito — é largamente o mesmo eleitorado. A leitura: a campanha não precisa gritar mais para a base masculina e de renda média-alta, que já está consolidada. Precisa REDUZIR MEDO e custo de votar nesses três grupos. Não é virar de lado ideológico; é mudar o tom e a pauta — segurança, custo de vida, saúde e proteção social, sem pose agressiva. Os próximos posts detalham como.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O problema de cada um tem sexo

Os dois são muito rejeitados (Flávio 48, Lula 46). A diferença é onde: a rejeição de Flávio explode entre mulheres; a de Lula, entre homens.

% que “não votaria de jeito nenhum”
Flávio · ♀
53
Flávio · ♂
43
Lula · ♂
52
Lula · ♀
40
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: rejeição por gênero, relatório p.26
~860 charsA rejeição é o teto de cada candidato. E ela desenha a tesoura da campanha. • Flávio: rejeição de 48% no total, mas 53% entre MULHERES e 43% entre homens. • Lula: rejeição de 46% no total, mas 52% entre HOMENS e 40% entre mulheres. Leia de novo. O ponto mais alto de rejeição de Flávio são as mulheres. O ponto mais alto de Lula são os homens. É espelhado. Para Flávio, isso define a prioridade número 1: baixar a rejeição feminina de 53%. Cada ponto derrubado aí vale mais do que qualquer ganho marginal na base masculina, que já está com ele. E o risco não é só ideológico — é reputacional. O caso Master pesa como narrativa de privilégio e família, e isso machuca especialmente entre o eleitorado feminino e moderado. Sem anticorpo ético, esse eleitor anula ou fica com Lula. Reduzir teto de rejeição é a maior alavanca da candidatura. De longe.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O playbook em 5 movimentos

A eleição está na margem. Lula travado em 47–48; o jogo é consolidar oposição e desarmar medo.

  • 1Mulheres (−15): segurança, saúde, custo de vida, sem pose agressiva.
  • 2Classe média 2–10 SM: fiador econômico, imposto menor, crédito.
  • 3Rejeição de Lula (46%): virar permissão de voto útil.
  • 4Anticorpo pós-Master: blindagem ética e integridade.
  • 5Trump cirúrgico: base PL sim, nacional não.
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026síntese estratégica sobre dados do relatório
~960 charsJuntando tudo, o playbook da direita em 5 movimentos: 1. MULHERES (déficit de 15). A célula que decide o 2º turno. Pauta: segurança, saúde, inflação de comida e energia, escola, proteção social — sem pose agressiva. Tom importa mais que ideologia aqui. 2. CLASSE MÉDIA 2–10 SM (já lidera, expansível). Virar fiador econômico: estabilidade, imposto menor, crédito para o pequeno negócio. O medo de retrocesso joga a favor. 3. REJEIÇÃO DE LULA (46%) COMO PERMISSÃO. “Você não precisa amar Flávio para trocar o rumo.” Converter anti-Lula em voto útil. 4. ANTICORPO REPUTACIONAL. A rejeição de 48% é tanto ética quanto ideológica. Sem blindagem de integridade pós-Master, o moderado escapa. 5. TRUMP COM CIRURGIA. Saldo nacional é só +2. Ativar na base PL; no nacional, enquadrar soberania, não subordinação. Resumo: não radicalizar a base. Desarmar o medo e baixar o teto de rejeição. Cada ponto de rejeição derrubado vale dez de marketing.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O voto de Flávio é elástico

Ele tira 31 no 1º turno com só 10% de identificação partidária com o PL. Vive de não-partidários — recrutáveis, mas instáveis. Lula tem chão mais firme (22% PT).

identificação partidária × voto 1º turno
PT → Lula
22→41
PL → Flávio
10→31
“nenhum partido”
52
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fonte: partido de preferência, perfil ponderado p.17
~900 charsUm dado pouco notado do perfil ponderado, com leitura estratégica forte. Identificação partidária da amostra: • PT: 22% • PL: 10% • “Nenhum/não tem partido”: 52% Agora compare com o voto de 1º turno: Lula 41, Flávio 31. Lula tira 41 a partir de uma base de 22% petistas — converte o dobro do seu chão. Flávio tira 31 a partir de só 10% de pelistas — TRIPLICA a base partidária dele. Isso quer dizer duas coisas ao mesmo tempo: → Força: o voto de Flávio tem alcance muito além do PL. Ele recruta no oceano dos 52% sem partido. → Fragilidade: esse voto é elástico, pouco ancorado em lealdade. Sobe e desce com conjuntura e humor — é menos fiel que o voto petista. Para a campanha, é mandato e alerta: há teto para crescer entre não-partidários, mas o piso é menos garantido. Trabalhar consistência de mensagem para fixar o que hoje é volátil.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Como ficaria incontestável

Nada disso exige “provar inocência”. Exige abrir o suficiente para qualquer um refazer a conta.

  • Microdados anonimizados e pesos finais
  • Efeito de desenho (deff) e n efetivo
  • Taxa de recusa, substituição e checagem por UF
  • Protocolo de ponto, horário e rotação
  • Resultado de todas as perguntas registradas
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026pesquisa registrada é produto privado de efeito público
~880 charsO Datafolha tem marca, campo nacional e documentação acima da média do mercado. Justamente por isso, a régua dele tem que ser mais alta. Pesquisa eleitoral registrada é produto privado com efeito público. Para virar incontestável, bastava abrir: • Microdados anonimizados após a divulgação. • Pesos finais por entrevistado (ou ao menos a distribuição). • Efeito de desenho (deff) e n efetivo — em vez do ±2 de amostra aleatória simples. • Taxa de recusa, substituição e checagem por UF. • Protocolo dos pontos: sorteio, rotação ou painel; horário e fluxo. • Resultado de TODAS as perguntas registradas, inclusive o voto lembrado de 2022 e as perguntas sobre a atuação de Flávio. Nada aqui é exigência de “provar inocência”. É só permitir que qualquer um refaça a conta. Enquanto isso não vier, a pesquisa continua boa para manchete e insuficiente para auditoria. Dá para fazer melhor.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Achado nº 8 · a narrativa

Mesmo dado, manchetes opostas

A pesquisa é um insumo. A manchete é um produto editorial construído por cima. E a Folha não é só veículo — é a contratante do Datafolha.

Montagem de quatro manchetes reais sobre o mesmo Datafolha, enquadradas de forma oposta

4 prints reais · mesmo dado, frames opostos

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026manchetes públicas 17–24/06/2026
~1010 charsAgora a parte que quase ninguém audita: a narrativa construída em cima da pesquisa. Coletei como a imprensa noticiou ESTE Datafolha entre 17 e 24 de junho. Mesmo número (Lula 47 x 43), manchetes em direções opostas: • “Lula MANTÉM 47% e Flávio tem 43%” (Exame) — frame de liderança durável. • “Lula tem 10 PONTOS à frente no 1º turno” (SRZD) — usa o gap maior, de outro cenário. • “Flávio ESTANCA PERDAS” (InfoMoney) — candidato em queda que freou. • “Flávio ESTABILIZA após Dark Horse” (Correio) — escândalo no título. • “…EMPATE TÉCNICO no limite da margem” (InfoSAJ) — o frame estatisticamente correto. Minoria. Repare: o dado era estabilidade e empate técnico. A manchete dominante foi “Lula lidera” e “Flávio ferido”. Verbo de liderança (“mantém”, “à frente”) não é dado — é escolha editorial. E tem um detalhe que fecha o raciocínio: quem encomendou a pesquisa foi a própria Folha. Ou seja, o mesmo grupo define as perguntas, recebe os dados, escolhe o que publicar e redige a manchete. Quatro alavancas. Próximos posts.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O duplo padrão do “empate técnico”

O mesmo veículo chama a rejeição (48×46) de “empate técnico” — mas o voto (47×43) de “Lula lidera”. A diferença não é estatística. É editorial.

Rejeição 48×46
✓ tie
Voto 47×43
✗ lidera

gap de 2 pts = “empate” · gap de 4 pts = “liderança”?
os dois cabem na margem da diferença (~±4–5)

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026margem da diferença > gap nos dois casos
~960 charsEsta é a incoerência mais reveladora da cobertura. Quando o assunto é REJEIÇÃO, os veículos escrevem que Flávio (48%) e Lula (46%) estão em “empate técnico dentro da margem de erro”. Está certíssimo: 2 pontos não distinguem ninguém. Mas quando o assunto é o VOTO de 2º turno — Lula 47 x Flávio 43 — os mesmos veículos abandonam a régua e escrevem “Lula lidera”, “Lula mantém vantagem”. Por que um gap de 2 pontos é empate e um gap de 4 pontos é liderança? Não é, e a estatística prova: a margem de erro sobre a DIFERENÇA entre dois candidatos é ~±4 pontos (e ~±5 com o efeito de desenho real). Ou seja, o 47x43 é tão empate técnico quanto a rejeição — ou mais. A escolha de chamar um de “empate” e o outro de “liderança” não vem dos dados. Vem da redação. É a mesma pesquisa, a mesma margem, e dois rótulos diferentes conforme convém à narrativa. Quando a régua muda no meio do texto, não é estatística: é enquadramento.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O contratante controla os dois lados

A Folha não recebe a pesquisa pronta. Ela encomenda. Isso é poder sobre o instrumento E sobre a narrativa — um ciclo fechado.

  • 1DEFINE as perguntas (Trump, facções, influência de Flávio nos EUA)
  • 2RECEBE os dados (topline + recortes)
  • 3ESCOLHE a manchete — e o que NÃO publicar
  • 4DEFINE a pauta do dia seguinte
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026Datafolha é encomenda da Folha de S.Paulo
~990 charsTem uma palavra que muda tudo e some no rodapé dos releases: CONTRATANTE. O Datafolha não é um oráculo neutro que entrega números do céu. A pesquisa é ENCOMENDADA pela Folha de S.Paulo. E quem encomenda controla o ciclo inteiro: 1. DEFINE as perguntas. Foi a Folha que escolheu testar o “efeito Trump”, as facções como terrorismo e a influência de Flávio na decisão dos EUA. A pauta nasce na escolha das perguntas. 2. RECEBE os dados antes de todo mundo, com todos os recortes. 3. ESCOLHE o que publicar — e o que reter. Publicou o efeito Trump (“não resolve os problemas dele”) e o arrependimento de 2022. Reteve a pergunta sobre a influência de Flávio nos EUA (post 15). 4. ESCREVE a manchete e define a pauta do dia seguinte. São quatro alavancas sobre a percepção pública, a partir do mesmo conjunto de números. Nada disso é ilegal. Mas devia estar no holofote, não na nota de rodapé. Quando o dono da pesquisa é o dono da manchete, o leitor precisa saber.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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O pré-enquadramento “Dark Horse”

Quase toda matéria reancora a pesquisa ao escândalo do filme “Dark Horse”. A foto do voto vira capítulo semanal da crise.

Print do Intercept: áudio de Flávio negociando R$ 134 mi com Vorcaro

Intercept, 13/05 · o gancho “Dark Horse”

arvor intelligence · auditoria datafolha 062026fontes: Intercept, Agência Pública, Brasil de Fato
~1010 charsPor que a pesquisa de junho, que repetiu maio, virou notícia de escândalo? Por causa do pré-enquadramento. O caso “Dark Horse”: em maio, o Intercept revelou áudios em que Flávio Bolsonaro teria negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou (“de onde você tirou isso? é mentira”). Desde então, quase toda matéria de pesquisa reancora o número ao escândalo. A linha do tempo é clara: • 13/05 — Intercept divulga o áudio. • 22/05 — Datafolha “o 1º após o vazamento”; gap vai a 9 pontos. • 17–18/06 — campo de junho; números IDÊNTICOS a maio. • 20/06 — manchete: “Flávio estabiliza após Dark Horse”. Mesmo quando o número não se move, o título mantém a moldura da crise. Isso é agenda-setting de manual: a imprensa não diz só o que pensar — diz SOBRE O QUE pensar. A pesquisa deixa de ser foto do voto e vira o capítulo semanal de um escândalo que envolve, de novo, o Banco Master e Vorcaro — os mesmos nomes dos dossiês anteriores.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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veredito

Não é fraude. É excesso de certeza na manchete e falta de transparência no método.

O 2º turno é empate técnico, a vantagem de Lula depende de uma amostra mais pobre que o país, e o anti-Lula transfere 2:1 para Flávio. A disputa está aberta — na margem.

empate técnico ±4renda infla Lulatransferência 2:1perguntas retidas
arvor intelligence · auditoria datafolha 062026brasil.arvor.co/datafolha_062026.html
~980 charsFecho como abri. Não dá para gritar fraude. O Datafolha mediu o voto antes do roteiro pesado, acertou a demografia e publicou os bairros. Crédito dado. Mas também não dá para engolir a manchete como ciência fechada. Três coisas ficaram demonstradas: 1. EMPATE TÉCNICO. O gap de 4 pontos é menor que a margem da diferença (±4 no melhor caso, ~±5 com o desenho real). “Lula à frente” não passa no teste de 95%. 2. A RENDA INFLA LULA. A amostra tem 50,4% de pobres (até 2 SM), contra 35–43% na PNAD. Corrigindo isso, Lula 47→45,6 e Flávio 43→45,9. Empata. 3. O ANTI-LULA EXISTE E MIGRA. No 2º turno, o voto disponível corre 2:1 para Flávio, que é o adversário mais competitivo. O teto de Lula está travado em 47–48. E ficou a pergunta retida sobre a atuação do próprio Flávio nos EUA, aplicada e não publicada. O nome disso não é fraude. É incerteza estatística + transparência insuficiente. A cura é uma só: abrir os dados.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
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Auditem os auditores. Eu comecei.

O dossiê completo — margem refeita, deff simulado, reponderação, transferência de voto e todas as fontes para você conferir ou derrubar — está aberto.

brasil.arvor.co/datafolha_062026.htmlgithub.com/ArvorCo/PNAD
Arvor

toda semana, uma pesquisa
na mesa de operação

arvor intelligence · dados abertosTSE BR-09956/2026 · github.com/ArvorCo/PNAD
~980 charsSe você leu até aqui, o resumo é este: a pesquisa Datafolha de junho não mostrou virada contra Flávio, mas também não mostrou a liderança que a manchete vendeu. O 2º turno é empate técnico, a vantagem de Lula mora na renda da amostra, e o voto disponível corre para Flávio. Tudo o que afirmei aqui está aberto para conferência, contestação ou refutação. O dossiê completo tem: • A margem refeita com o erro da diferença e o efeito de desenho simulado. • A reponderação por renda contra a PNAD, número a número. • A transferência de voto reconstruída do 1º para o 2º turno. • O cruzamento dos bairros com a eleição de SP 2024. • A lista das perguntas aplicadas e não publicadas. • A análise das manchetes: como o dado “empate” virou “Lula lidera”. Dossiê: brasil.arvor.co/datafolha_062026.html Dados e scripts: github.com/ArvorCo/PNAD E se quiser ver o mesmo bisturi na Quaest e na BTG/Nexus, os dossiês anteriores estão no mesmo lugar. Toda semana, uma pesquisa na mesa de operação. Auditem os auditores. Eu comecei. 🌳