Demografia quase cravada
Sexo, escolaridade e região estão colados à PNAD/TSE. Idade também faz sentido quando lembramos que o universo é eleitorado, não toda a população 16+.
Auditoria da pesquisa BR-00290/2026 sob três lentes: aderência aos recortes da PNAD, consistência metodológica do registro e risco de framing anti-Bolsonaro no questionário e na reportagem.
O dado de voto é competitivo e plausível. A amostra, nos cortes clássicos, não parece uma gambiarra. Mas há uma divergência relevante em renda, uma inconsistência de datas no material público e um enquadramento jornalístico claramente desfavorável a Flávio Bolsonaro.
Sexo, escolaridade e região estão colados à PNAD/TSE. Idade também faz sentido quando lembramos que o universo é eleitorado, não toda a população 16+.
A explicação oficial fala em “nível econômico do entrevistado”, medido por renda familiar declarada. Por entrevistas/pessoas, até 2 SM fica em 50,3% no Datafolha contra 38,7% na PNAD; por domicílios, fica mais defensável.
Registro informado: 12 a 14/05. Texto da Folha: 12 e 13/05. PDF de bairros: 13 e 14/05. Para uma notícia ancorada em “antes do Dark Horse”, isso importa pra caralho.
As perguntas de voto vêm antes da bateria pesada sobre atributos, governo, STF, emprego e ideologia. Isso reduz o risco de viés direto nos números principais.
Empresários, renda acima de 10 SM e grupos religiosos específicos têm n pequeno. Sem microdados, pesos e tamanho de célula, porcentagens chamativas devem ser lidas como sinal, não como fato sólido.
A Folha escolhe uma manchete que junta empate com caso negativo de Flávio. Isso não altera a pesquisa, mas altera a percepção pública da pesquisa.
O material público abre perfil da amostra e alguns recortes jornalísticos, mas não entrega tabela completa por renda, sexo, idade, região, religião, escolaridade e voto. Isso impede auditoria real.
A leitura estatística correta é simples: Lula e Flávio estão empatados no confronto direto; Lula abre vantagem contra Zema e Caiado; no primeiro turno, Lula fica numericamente à frente de Flávio, mas a diferença de 3 pontos ainda é pequena para virar certeza.
Sob aproximação AAS, a diferença Lula-Flávio é 0 p.p.; Lula-Zema é +6 p.p.; Lula-Caiado é +7 p.p. O desenho real é mais complexo que AAS.
A espontânea mostra Lula mais consolidado; a estimulada mostra polarização dura e transferência bolsonarista já muito avançada para Flávio.
| Cenário | Lula | Adversário | Dif. | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| 2º turno contra Flávio Bolsonaro | 45% | 45% | 0 p.p. | Empate real, sem vantagem numérica. |
| 2º turno contra Romeu Zema | 46% | 40% | +6 p.p. | Vantagem relevante sob AAS; depende do efeito de desenho. |
| 2º turno contra Ronaldo Caiado | 46% | 39% | +7 p.p. | Vantagem mais clara que contra Zema. |
| 1º turno sem Ciro Gomes | 38% | 35% | +3 p.p. | Lula à frente numericamente; disputa ainda embolada. |
| 1º turno com Ciro Gomes | 37% | 34% | +3 p.p. | Ciro retira pouco do eixo Lula-Flávio. |
Usei a PNADC trimestral 2025Q3 para sexo, idade, escolaridade e região, ponderada por V1028. Para renda, usei a PNADC anual visita 5 de 2024, porque ela permite somar renda domiciliar total: trabalho, aposentadorias, pensões, benefícios, programas sociais e demais rendimentos.
A faixa 16-24 aparece menor no Datafolha (13,5%) que na PNAD 16+ (16,1%), mas o registro TSE também usa 13%. Isso faz sentido para eleitorado: 16 e 17 anos não têm alistamento universal.
A distribuição regional bruta do anexo fecha com o perfil: 840 entrevistas no Sudeste, 552 no Nordeste, 288 no Sul, 168 no Norte e 156 no Centro-Oeste.
A última página do anexo de bairros abre o perfil da amostra: 1.008 entrevistas até 2 SM, 646 entre mais de 2 e 5 SM, 261 acima de 5 SM e 89 não sabe/recusa. Isso fecha 50,3%, 32,2%, 13,0% e 4,4%.
A explicação oficial diz que, para “nível econômico do entrevistado”, a referência foi 48% até 2 SM, 48% acima de 2 SM e 4% não sabe/recusa. Como a unidade é o entrevistado/respondente, a comparação principal com PNAD deve ser pessoas 16+ classificadas pela renda domiciliar da casa.
Também mostro a leitura por domicílios porque a pergunta é sobre renda da casa. Essa leitura é uma defesa possível do Datafolha, mas ela exigiria explicitar que o alvo 48%/48%/4% foi construído por domicílios, não por entrevistados.
Interpretação justa: Datafolha mede renda familiar declarada em pesquisa de rua, que sofre subdeclaração e não resposta; PNAD mede renda domiciliar total com questionário longo e decomposição por fontes. Aqui não estamos usando renda do trabalho trimestral; estamos usando a anual visita 5, justamente para somar benefícios e demais rendimentos.
No questionário, a variável aparece como RENDAF_RENDA_FAMILIAR_ESTIMULADA. O entrevistador mostra um cartão no tablet e pergunta, em essência: somando a renda do entrevistado com a renda das pessoas que moram com ele, qual é aproximadamente a renda familiar mensal da casa.
As faixas são monetárias, mas equivalem a salários mínimos de R$ 1.621: até 1 SM, de 1 a 2 SM, de 2 a 3 SM, de 3 a 5 SM, de 5 a 10 SM, de 10 a 20 SM, de 20 a 50 SM e acima de 50 SM. Também há “não tem renda”, “não sabe” e “recusa”.
Isso confirma que a comparação correta não é com renda individual nem só renda do trabalho. O melhor espelho disponível na PNAD é renda domiciliar total da anual visita 5. A ressalva é que o Datafolha não pergunta fonte por fonte; a PNAD sim. Portanto, a pergunta do Datafolha tende a ser mais aproximada e vulnerável a subdeclaração.
| Faixa | Datafolha entrevistas | PNAD pessoas 16+ | PNAD domicílios | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| Até 2 SM | 50,3% | 38,7% | 54,2% | Acima da PNAD por pessoas, abaixo/colado na PNAD por domicílios. |
| Mais de 2 a 5 SM | 32,2% | 39,2% | 30,5% | Abaixo da PNAD por pessoas, perto da PNAD por domicílios. |
| Mais de 5 SM | 13,0% | 22,1% | 15,3% | Bem abaixo da PNAD por pessoas, levemente abaixo da PNAD por domicílios. |
| NS/Recusa | 4,4% | n.a. | n.a. | Não é comparável diretamente; na PNAD a renda é apurada por instrumento próprio. |
Não. Temos o perfil de renda da amostra: 1.008 entrevistas até 2 SM, 646 entre mais de 2 e 5 SM, 261 acima de 5 SM e 89 não sabe/recusa. Temos também recortes soltos publicados pela Folha: Lula faz 52% até 2 SM; Flávio faz 58% acima de 10 SM.
Mas falta a tabela completa voto x renda: Lula, Flávio, branco/nulo e não sabe em cada faixa; falta n ponderado por célula; falta peso individual; falta microdado; falta efeito de desenho. Então qualquer “reponderação” pública é simulação, não recálculo oficial.
Pela própria formulação oficial, a referência econômica é do entrevistado/respondente. Nesse denominador, o Datafolha parece pró-Lula: baixa renda fica acima da PNAD por pessoas e renda alta fica abaixo.
A leitura por domicílios é um contra-argumento útil, porque a renda perguntada é da casa. Mas ela não combina tão bem com a frase “nível econômico do entrevistado”. A cobrança correta é a fonte e o cálculo do alvo 48%/48%/4%.
A pergunta do Datafolha é feita ao entrevistado, mas o conteúdo perguntado é renda da casa. O perfil publicado é “número de entrevistas”, não número de domicílios, e a descrição do TSE/Folha fala em nível econômico do entrevistado.
Portanto, pessoas 16+ por renda domiciliar é o benchmark principal. Domicílios por renda domiciliar deve aparecer como teste de robustez, porque mostra como a defesa do Datafolha poderia ser construída, mas não substitui a comparação por respondentes.
| Simulação de sensibilidade | Hipótese usada | Resultado aproximado | Leitura |
|---|---|---|---|
| Corrigir só o peso até 2 SM | Cenário por pessoas 16+: Lula mantém 52% nesse grupo; o restante é inferido para preservar o total 45% | Lula iria de 45,0% para 43,4% | Queda de 1,6 p.p. só com a correção mais conservadora. |
| Baixa renda pró-Lula e restante pró-Flávio | Cenário por pessoas 16+: Flávio entre 38% e 40% até 2 SM; restante inferido pelo total | Flávio iria para algo como 46,2% a 46,6% | O empate poderia virar vantagem Flávio na casa de 2,8 a 3,3 p.p. |
| Renda alta subponderada | Mais de 5 SM tratado como proxy imperfeito do sinal publicado de mais de 10 SM, onde Flávio tem 58% | Flávio ganharia cerca de 1,2 p.p. | Não é estimativa oficial; mostra que renda alta importa e está subcontada. |
Conclusão técnica: não existe reponderação auditável sem microdados. Conclusão política: como a própria explicação fala em nível econômico do entrevistado, a comparação por pessoas é a principal; nela há sinal pró-Lula. A comparação por domicílios atenua o problema, mas não explica de onde saiu a referência 48%/48%/4%.
O anexo de bairros é útil para enxergar risco de cobertura, não para inferir voto por bairro. Cada ponto tem só 6 entrevistas. A pergunta correta é: os pontos de fluxo passam por Brasil real ou puxam demais para algum tipo de eleitor?
| Capital | Pontos | Entrevistas | Leitura socioespacial |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 22 | 132 | Bem espalhada: Pinheiros/Perdizes/Santana convivem com Grajaú, Cidade Ademar, Jardim Helena, Brasilândia, Curuçá e Jardim São Luís. |
| Rio de Janeiro | 12 | 72 | Combina Barra, Botafogo, Tijuca e Méier com Bangu, Irajá, Madureira, Pavuna, Realengo, Campo Grande e Jacarepaguá. |
| Brasília | 6 | 36 | Asa Sul/Park Way entram, mas Ceilândia, Recanto das Emas, Taguatinga e Guará pesam mais no conjunto. |
| Belo Horizonte | 6 | 36 | Norte, Nordeste, Pampulha, Centro-Sul e Leste aparecem; mistura razoável de renda e urbanidade. |
| Salvador | 6 | 36 | Cabula, Centro, Itapuã, Liberdade, Mussurunga e Pernambués: capital bem popular no desenho. |
| Fortaleza | 6 | 36 | Aldeota é ponto de renda alta, mas Álvaro Weyne, Bonsucesso, Centro, Monte Castelo e Parangaba equilibram. |
| Curitiba | 4 | 24 | Água Verde/Portão, Cajuru, Centro/Matriz e Hauer: amostra urbana mista, sem periferia extrema forte. |
| Porto Alegre | 4 | 24 | Bom Jesus, Centro, Partenon e São Sebastião/Noroeste: menos elitizada do que uma amostra só de Moinhos/Petrópolis seria. |
Nas capitais grandes, não há evidência visual de uma seleção só de bairros nobres. Pelo contrário: São Paulo, Salvador, Rio e Brasília têm bastante ponto popular ou periférico. Isso enfraquece uma crítica simplista de “só ouviram elite urbana”.
Mas há outro viés mais sutil: ponto de fluxo não é domicílio. Ele tende a capturar gente circulando em áreas comerciais, e não necessariamente pessoas em casa, trabalhadores em horários incompatíveis, idosos com menor mobilidade, moradores de condomínios fechados ou eleitores de periferias sem centralidade comercial equivalente.
A renda baixa acima da PNAD pode vir de três fontes combinadas: declaração conservadora de renda, escolha de pontos populares e ponderação por referência econômica que já nasce mais pobre. O efeito líquido, pelo próprio recorte publicado, tende a favorecer Lula e reduzir a força de Flávio nas camadas de maior renda.
As duas maiores capitais têm centro, bairros de classe média, zonas populares e periferia. Se há viés, ele não é simplesmente “bairro rico”.
O desenho pode supercapturar eleitor de rua/ponto comercial e subcapturar domicílios menos acessíveis, tanto ricos isolados quanto pobres com baixa circulação.
Sem microdados por setor, não dá para saber se a mistura interna dos pontos foi corrigida pelos pesos ou se reforçou a distorção de renda.
O desenho declarado é estratificado por região e natureza do município, com municípios sorteados por probabilidade proporcional ao tamanho, pontos de abordagem e cotas de gênero e idade. É um desenho usual em pesquisa eleitoral presencial, mas não é uma amostra aleatória simples.
As cinco grandes regiões entram, capitais/RMs/interior entram e o anexo de bairros mostra espalhamento geográfico real.
O próprio anexo declara que o Datafolha não usa abordagem domiciliar. Ponto de fluxo é operacionalmente forte, mas depende de cotas e pode subcapturar perfis de menor circulação.
A margem de 2 p.p. é baseada em amostra aleatória simples. Com estratos, conglomerados, pontos e cotas, faltou divulgar efeito de desenho.
O registro declara checagem mínima de 20% dos questionários por pesquisador, tablet, consistência interna e tratamento LGPD.
TSE informado pelo usuário: 12-14/05. Folha: 12-13/05. PDF de bairros: 13-14/05. Para medir exposição ao Dark Horse, isso é uma falha de documentação.
Sem base individual, não dá para recalcular pesos, testar ordem de entrevista, separar antes/depois da notícia ou estimar house effect com precisão.
O instituto e a reportagem não abrem a matriz completa voto x renda x região x sexo x idade. Isso é o ponto central: há divulgação, mas não há transparência estatística suficiente para reponderação independente.
A acusação forte de “questionário anti-Bolsonaro” não se sustenta para os números principais de voto: eles aparecem antes das baterias mais carregadas. O risco maior está no uso editorial dos blocos posteriores.
| Bloco | Risco | Análise |
|---|---|---|
| Voto espontâneo/estimulado/2º turno | baixo | Vem cedo. Não é contaminado por avaliação de Lula, STF, atributos negativos ou escândalo no próprio instrumento. |
| Rejeição | normal | Pergunta padrão em pesquisa eleitoral. A lista é ampla e inclui Lula, Flávio, Ciro, Zema, Caiado e candidatos menores. |
| Avaliação do governo Lula | médio | Não afeta top-line, mas antes da bateria de atributos pode ativar julgamento pró/anti-governo. |
| Escala bolsonarista-petista | médio | Útil analiticamente, mas força autoclassificação polarizada antes de atributos pessoais. |
| Atributos dos candidatos | alto | Termos como “corrupto”, “autoritário” e “radical” são carregados. Há rodízio, mas a bateria em si produz material perfeito para manchetes enviesadas. |
| STF, Messias, Desenrola e emprego | baixo para voto | Como vêm depois das intenções de voto, servem mais a diagnóstico político do que a indução do voto medido. |
Veredito do questionário: não vejo uma máquina direta anti-Bolsonaro no bloco de voto. Vejo um instrumento que, depois de medir voto, coleta munição narrativa suficiente para qualquer redação escolher o enquadramento que quiser.
A Folha reporta os números principais corretamente, mas empacota a leitura em torno do caso Dark Horse. Isso é editorialmente relevante: o leitor encontra o escândalo antes de processar a estrutura completa dos dados.
O título combina “Lula empata com Flávio” e “antes do caso Dark Horse”. Essa escolha sugere que o empate pode ser teto de Flávio antes de uma pancada reputacional.
O texto também menciona reveses de Lula, mas o caso Dark Horse vira o eixo de interpretação. A memória do leitor fica mais presa no evento contra Flávio.
Os números de empate, primeiro turno, espontânea e rejeição aparecem. A reportagem não falsifica o dado; ela escolhe o ângulo.
Se parte do campo ocorreu depois da revelação, precisamos saber quanto, onde e em que horário. Sem isso, a frase é mais narrativa que evidência.
Esta parte é análise estratégica agregada, não plano de persuasão segmentada. A utilidade está em entender quais flancos a pesquisa abriu, quais narrativas cada lado tende a explorar e onde a leitura dos dados deve ser defendida ou contestada.
| Frente | Por que importa | Força |
|---|---|---|
| Renda | A própria explicação fala em nível econômico do entrevistado. Portanto, a linha forte é exigir a fonte e o cálculo do alvo 48% até 2 SM, 48% acima de 2 SM e 4% NS/recusa. | alta |
| Datas do campo | Há divergência entre registro informado, Folha e anexo de bairros. Para uma matéria centrada no “antes do Dark Horse”, a distribuição horária/data das entrevistas é decisiva. | alta |
| Margem AAS | A margem divulgada é baseada em amostra aleatória simples, mas o desenho tem estratos, municípios, pontos de fluxo e cotas. Falta efeito de desenho. | média |
| Framing da Folha | O dado bruto é empate; o pacote editorial gruda o empate a um evento negativo de Flávio. | alta |
| Espontânea x estimulada | Lula lidera na espontânea, mas Flávio já chega a 45% no confronto direto. Isso mostra transferência bolsonarista forte apesar de menor lembrança espontânea. | média |
| Frente | Por que importa | Força |
|---|---|---|
| Rejeição | Lula rejeitado por 47% e Flávio por 43%; ambos são altos, mas Flávio ainda carrega o sobrenome Bolsonaro e pode subir sob escândalo. | média |
| Baixa renda | Lula marca 52% entre quem ganha até 2 SM no confronto com Flávio. É a âncora social mais clara do petista. | alta |
| Nordeste | A reportagem cita Lula com 60% no Nordeste. Isso é uma muralha regional relevante, se confirmada por outras pesquisas. | alta |
| Mulheres e 60+ | Lula aparece melhor entre mulheres (48%) e 60+ (52%). São grupos grandes e eleitoralmente estáveis. | média |
| Elite econômica pró-Flávio | Flávio vai a 58% acima de 10 SM e 71% entre empresários. Isso permite à esquerda enquadrá-lo como candidato de renda alta/empresariado. | média |
A linha mais sólida não é reclamar do resultado; é exigir fonte/cálculo da referência econômica 48%/48%/4%, efeito de desenho, datas/horários do campo e distribuição antes/depois do caso Dark Horse. O argumento forte é técnico: sem crosstabs e pesos, não há auditoria real.
A linha mais sólida é mostrar que, mesmo com Flávio forte em renda alta, homens, Sul, evangélicos e empresários, Lula ainda empata ou vence em cenários contra Zema/Caiado. A narrativa é resiliência social e regional.
O eleitor “3” na escala bolsonarista-petista aparece dividido: 38% Flávio, 32% Lula e 27% branco/nulo. Esse grupo não deve ser lido por estereótipo demográfico; ele é uma mistura de fadiga, rejeição cruzada e pragmatismo.
| Segmento publicado | Quem aparece melhor | Como ler sem exagerar |
|---|---|---|
| Homens | Flávio, 50% | Sinal de força masculina, mas não basta sem mulheres. O gap de gênero é um dos eixos centrais do empate. |
| Mulheres | Lula, 48% | Base importante para Lula; qualquer deterioração aqui muda a eleição. |
| 25 a 34 anos | Flávio, 50% | Mostra competitividade em adulto jovem, mas precisa ser cruzado com renda, religião e região. |
| 60 anos ou mais | Lula, 52% | Segmento grande, mais estável e menos dependente de campanha digital. |
| Até 2 SM | Lula, 52% | É também a faixa super-representada contra a PNAD; por isso é o coração da auditoria. |
| Mais de 10 SM | Flávio, 58% | Alta renda favorece Flávio; se renda alta está subponderada, o empate pode estar comprimido contra ele. |
| Nordeste | Lula, 60% | Vantagem regional robusta, coerente com histórico petista. |
| Sul | Flávio, 59% | Vantagem regional robusta, coerente com histórico bolsonarista. |
| Evangélicos | Flávio, 61% | Força relevante, mas sem composição amostral e tamanho de célula precisa ser lida com cautela. |
| Católicos | Lula, 54% | Contrapeso religioso amplo; também precisa de n e cruzamentos para leitura fina. |
O relatório não encontra uma fraude amostral óbvia. Encontra uma pesquisa competitiva, metodologicamente convencional, com boa aderência demográfica, renda discutível, datas públicas confusas e uma camada editorial com viés de enquadramento contra Flávio/Bolsonaro.
Lula e Flávio estão empatados no principal confronto. Lula tem vantagem contra Zema e Caiado. O recorte demográfico principal do Datafolha faz sentido diante da PNAD/TSE. A renda, porém, parece mais pobre que a PNAD domiciliar indicaria.
Não dá para provar manipulação sem microdados. Não dá para medir house effect com uma pesquisa isolada. Não dá para separar impacto pré e pós-Dark Horse sem timestamps e distribuição das entrevistas por data.
| Dimensão | Nota | Leitura final |
|---|---|---|
| Aderência sexo/idade/escolaridade/região | 9/10 | Muito boa. Aqui não tem fumaça. |
| Aderência de renda à PNAD | 4/10 | Divergência material; precisa ponte metodológica melhor. |
| Transparência de desenho amostral | 6/10 | Desenho descrito, mas sem efeito de desenho e sem microdados. |
| Questionário para top-line eleitoral | 8/10 | Ordem protege o voto principal. |
| Questionário para narrativas posteriores | 5/10 | Atributos carregados podem virar munição editorial. |
| Framing da reportagem | 3/10 | O ângulo Dark Horse pesa contra Flávio mesmo com empate técnico. |
Relatório produzido em 16/05/2026 com arquivos locais fornecidos pelo usuário, bases PNAD já presentes no repositório e conferência de notícia pública.
A reportagem e o questionário foram resumidos e auditados; o texto integral dos PDFs não foi reproduzido por respeito a direitos autorais e para manter o relatório legível.