Arvor Intelligence / Pesquisa eleitoral

Datafolha 090526

Auditoria da pesquisa BR-00290/2026 sob três lentes: aderência aos recortes da PNAD, consistência metodológica do registro e risco de framing anti-Bolsonaro no questionário e na reportagem.

Registro TSE: 09/05/2026 Divulgação TSE: 15/05/2026 Folha: 16/05/2026 n = 2.004 139 municípios

Sumário brutalmente honesto

O dado de voto é competitivo e plausível. A amostra, nos cortes clássicos, não parece uma gambiarra. Mas há uma divergência relevante em renda, uma inconsistência de datas no material público e um enquadramento jornalístico claramente desfavorável a Flávio Bolsonaro.

Amostra

Demografia quase cravada

Sexo, escolaridade e região estão colados à PNAD/TSE. Idade também faz sentido quando lembramos que o universo é eleitorado, não toda a população 16+.

Renda

O ponto mais fraco

A explicação oficial fala em “nível econômico do entrevistado”, medido por renda familiar declarada. Por entrevistas/pessoas, até 2 SM fica em 50,3% no Datafolha contra 38,7% na PNAD; por domicílios, fica mais defensável.

Datas

Campo mal explicado

Registro informado: 12 a 14/05. Texto da Folha: 12 e 13/05. PDF de bairros: 13 e 14/05. Para uma notícia ancorada em “antes do Dark Horse”, isso importa pra caralho.

Questionário

Top-line protegido

As perguntas de voto vêm antes da bateria pesada sobre atributos, governo, STF, emprego e ideologia. Isso reduz o risco de viés direto nos números principais.

Subgrupos

Recortes finos são frágeis

Empresários, renda acima de 10 SM e grupos religiosos específicos têm n pequeno. Sem microdados, pesos e tamanho de célula, porcentagens chamativas devem ser lidas como sinal, não como fato sólido.

Reportagem

House effect editorial plausível

A Folha escolhe uma manchete que junta empate com caso negativo de Flávio. Isso não altera a pesquisa, mas altera a percepção pública da pesquisa.

Transparência

Não há relatório completo

O material público abre perfil da amostra e alguns recortes jornalísticos, mas não entrega tabela completa por renda, sexo, idade, região, religião, escolaridade e voto. Isso impede auditoria real.

O que a pesquisa diz

A leitura estatística correta é simples: Lula e Flávio estão empatados no confronto direto; Lula abre vantagem contra Zema e Caiado; no primeiro turno, Lula fica numericamente à frente de Flávio, mas a diferença de 3 pontos ainda é pequena para virar certeza.

Segundo turno

Lula x Flávio / Lula
45%
Lula x Flávio / Flávio
45%
Lula x Zema / Lula
46%
Lula x Zema / Zema
40%
Lula x Caiado / Lula
46%
Lula x Caiado / Caiado
39%

Sob aproximação AAS, a diferença Lula-Flávio é 0 p.p.; Lula-Zema é +6 p.p.; Lula-Caiado é +7 p.p. O desenho real é mais complexo que AAS.

Primeiro turno e rejeição

Lula, 1º turno
38%
Flávio, 1º turno
35%
Lula espontânea
27%
Flávio espontânea
18%
Rejeição Lula
47%
Rejeição Flávio
43%

A espontânea mostra Lula mais consolidado; a estimulada mostra polarização dura e transferência bolsonarista já muito avançada para Flávio.

CenárioLulaAdversárioDif.Leitura
2º turno contra Flávio Bolsonaro45%45%0 p.p.Empate real, sem vantagem numérica.
2º turno contra Romeu Zema46%40%+6 p.p.Vantagem relevante sob AAS; depende do efeito de desenho.
2º turno contra Ronaldo Caiado46%39%+7 p.p.Vantagem mais clara que contra Zema.
1º turno sem Ciro Gomes38%35%+3 p.p.Lula à frente numericamente; disputa ainda embolada.
1º turno com Ciro Gomes37%34%+3 p.p.Ciro retira pouco do eixo Lula-Flávio.

Amostra x PNAD

Usei a PNADC trimestral 2025Q3 para sexo, idade, escolaridade e região, ponderada por V1028. Para renda, usei a PNADC anual visita 5 de 2024, porque ela permite somar renda domiciliar total: trabalho, aposentadorias, pensões, benefícios, programas sociais e demais rendimentos.

Sexo, idade e escolaridade: sem cheiro ruim

CorteDatafolhaPNAD 16+Delta
Homens47,5%48,1%-0,7
Mulheres52,5%51,9%+0,7
25-3419,7%19,3%+0,5
35-4420,2%19,5%+0,7
45-5925,0%24,1%+0,9
Superior25,1%24,4%+0,7

A faixa 16-24 aparece menor no Datafolha (13,5%) que na PNAD 16+ (16,1%), mas o registro TSE também usa 13%. Isso faz sentido para eleitorado: 16 e 17 anos não têm alistamento universal.

Região: desenho coerente

Sudeste
41,9%
PNAD Sudeste
42,6%
Nordeste
27,5%
PNAD Nordeste
26,4%
Sul
14,4%
PNAD Sul
14,9%

A distribuição regional bruta do anexo fecha com o perfil: 840 entrevistas no Sudeste, 552 no Nordeste, 288 no Sul, 168 no Norte e 156 no Centro-Oeste.

Renda: a divergência que merece auditoria

Datafolha até 2 SM
50,3%
PNAD pessoas até 2 SM
38,7%
PNAD domicílios até 2 SM
54,2%
Datafolha >2 SM
45,3%
PNAD pessoas >2 SM
61,3%
PNAD domicílios >2 SM
45,8%

A última página do anexo de bairros abre o perfil da amostra: 1.008 entrevistas até 2 SM, 646 entre mais de 2 e 5 SM, 261 acima de 5 SM e 89 não sabe/recusa. Isso fecha 50,3%, 32,2%, 13,0% e 4,4%.

A explicação oficial diz que, para “nível econômico do entrevistado”, a referência foi 48% até 2 SM, 48% acima de 2 SM e 4% não sabe/recusa. Como a unidade é o entrevistado/respondente, a comparação principal com PNAD deve ser pessoas 16+ classificadas pela renda domiciliar da casa.

Também mostro a leitura por domicílios porque a pergunta é sobre renda da casa. Essa leitura é uma defesa possível do Datafolha, mas ela exigiria explicitar que o alvo 48%/48%/4% foi construído por domicílios, não por entrevistados.

Interpretação justa: Datafolha mede renda familiar declarada em pesquisa de rua, que sofre subdeclaração e não resposta; PNAD mede renda domiciliar total com questionário longo e decomposição por fontes. Aqui não estamos usando renda do trabalho trimestral; estamos usando a anual visita 5, justamente para somar benefícios e demais rendimentos.

Questionário

Como o Datafolha pergunta renda

No questionário, a variável aparece como RENDAF_RENDA_FAMILIAR_ESTIMULADA. O entrevistador mostra um cartão no tablet e pergunta, em essência: somando a renda do entrevistado com a renda das pessoas que moram com ele, qual é aproximadamente a renda familiar mensal da casa.

As faixas são monetárias, mas equivalem a salários mínimos de R$ 1.621: até 1 SM, de 1 a 2 SM, de 2 a 3 SM, de 3 a 5 SM, de 5 a 10 SM, de 10 a 20 SM, de 20 a 50 SM e acima de 50 SM. Também há “não tem renda”, “não sabe” e “recusa”.

Isso confirma que a comparação correta não é com renda individual nem só renda do trabalho. O melhor espelho disponível na PNAD é renda domiciliar total da anual visita 5. A ressalva é que o Datafolha não pergunta fonte por fonte; a PNAD sim. Portanto, a pergunta do Datafolha tende a ser mais aproximada e vulnerável a subdeclaração.

FaixaDatafolha entrevistasPNAD pessoas 16+PNAD domicíliosLeitura
Até 2 SM50,3%38,7%54,2%Acima da PNAD por pessoas, abaixo/colado na PNAD por domicílios.
Mais de 2 a 5 SM32,2%39,2%30,5%Abaixo da PNAD por pessoas, perto da PNAD por domicílios.
Mais de 5 SM13,0%22,1%15,3%Bem abaixo da PNAD por pessoas, levemente abaixo da PNAD por domicílios.
NS/Recusa4,4%n.a.n.a.Não é comparável diretamente; na PNAD a renda é apurada por instrumento próprio.
Transparência insuficiente

Dá para reponderar oficialmente?

Não. Temos o perfil de renda da amostra: 1.008 entrevistas até 2 SM, 646 entre mais de 2 e 5 SM, 261 acima de 5 SM e 89 não sabe/recusa. Temos também recortes soltos publicados pela Folha: Lula faz 52% até 2 SM; Flávio faz 58% acima de 10 SM.

Mas falta a tabela completa voto x renda: Lula, Flávio, branco/nulo e não sabe em cada faixa; falta n ponderado por célula; falta peso individual; falta microdado; falta efeito de desenho. Então qualquer “reponderação” pública é simulação, não recálculo oficial.

Sinal direcional

O viés provável é pró-Lula

Pela própria formulação oficial, a referência econômica é do entrevistado/respondente. Nesse denominador, o Datafolha parece pró-Lula: baixa renda fica acima da PNAD por pessoas e renda alta fica abaixo.

A leitura por domicílios é um contra-argumento útil, porque a renda perguntada é da casa. Mas ela não combina tão bem com a frase “nível econômico do entrevistado”. A cobrança correta é a fonte e o cálculo do alvo 48%/48%/4%.

Conceito importa

Por pessoa ou por domicílio?

A pergunta do Datafolha é feita ao entrevistado, mas o conteúdo perguntado é renda da casa. O perfil publicado é “número de entrevistas”, não número de domicílios, e a descrição do TSE/Folha fala em nível econômico do entrevistado.

Portanto, pessoas 16+ por renda domiciliar é o benchmark principal. Domicílios por renda domiciliar deve aparecer como teste de robustez, porque mostra como a defesa do Datafolha poderia ser construída, mas não substitui a comparação por respondentes.

Simulação de sensibilidadeHipótese usadaResultado aproximadoLeitura
Corrigir só o peso até 2 SMCenário por pessoas 16+: Lula mantém 52% nesse grupo; o restante é inferido para preservar o total 45%Lula iria de 45,0% para 43,4%Queda de 1,6 p.p. só com a correção mais conservadora.
Baixa renda pró-Lula e restante pró-FlávioCenário por pessoas 16+: Flávio entre 38% e 40% até 2 SM; restante inferido pelo totalFlávio iria para algo como 46,2% a 46,6%O empate poderia virar vantagem Flávio na casa de 2,8 a 3,3 p.p.
Renda alta subponderadaMais de 5 SM tratado como proxy imperfeito do sinal publicado de mais de 10 SM, onde Flávio tem 58%Flávio ganharia cerca de 1,2 p.p.Não é estimativa oficial; mostra que renda alta importa e está subcontada.

Conclusão técnica: não existe reponderação auditável sem microdados. Conclusão política: como a própria explicação fala em nível econômico do entrevistado, a comparação por pessoas é a principal; nela há sinal pró-Lula. A comparação por domicílios atenua o problema, mas não explica de onde saiu a referência 48%/48%/4%.

Bairros e pontos de entrevista

O anexo de bairros é útil para enxergar risco de cobertura, não para inferir voto por bairro. Cada ponto tem só 6 entrevistas. A pergunta correta é: os pontos de fluxo passam por Brasil real ou puxam demais para algum tipo de eleitor?

Principais capitais no anexo

CapitalPontosEntrevistasLeitura socioespacial
São Paulo22132Bem espalhada: Pinheiros/Perdizes/Santana convivem com Grajaú, Cidade Ademar, Jardim Helena, Brasilândia, Curuçá e Jardim São Luís.
Rio de Janeiro1272Combina Barra, Botafogo, Tijuca e Méier com Bangu, Irajá, Madureira, Pavuna, Realengo, Campo Grande e Jacarepaguá.
Brasília636Asa Sul/Park Way entram, mas Ceilândia, Recanto das Emas, Taguatinga e Guará pesam mais no conjunto.
Belo Horizonte636Norte, Nordeste, Pampulha, Centro-Sul e Leste aparecem; mistura razoável de renda e urbanidade.
Salvador636Cabula, Centro, Itapuã, Liberdade, Mussurunga e Pernambués: capital bem popular no desenho.
Fortaleza636Aldeota é ponto de renda alta, mas Álvaro Weyne, Bonsucesso, Centro, Monte Castelo e Parangaba equilibram.
Curitiba424Água Verde/Portão, Cajuru, Centro/Matriz e Hauer: amostra urbana mista, sem periferia extrema forte.
Porto Alegre424Bom Jesus, Centro, Partenon e São Sebastião/Noroeste: menos elitizada do que uma amostra só de Moinhos/Petrópolis seria.

Diagnóstico dos pontos

Nas capitais grandes, não há evidência visual de uma seleção só de bairros nobres. Pelo contrário: São Paulo, Salvador, Rio e Brasília têm bastante ponto popular ou periférico. Isso enfraquece uma crítica simplista de “só ouviram elite urbana”.

Mas há outro viés mais sutil: ponto de fluxo não é domicílio. Ele tende a capturar gente circulando em áreas comerciais, e não necessariamente pessoas em casa, trabalhadores em horários incompatíveis, idosos com menor mobilidade, moradores de condomínios fechados ou eleitores de periferias sem centralidade comercial equivalente.

A renda baixa acima da PNAD pode vir de três fontes combinadas: declaração conservadora de renda, escolha de pontos populares e ponderação por referência econômica que já nasce mais pobre. O efeito líquido, pelo próprio recorte publicado, tende a favorecer Lula e reduzir a força de Flávio nas camadas de maior renda.

Sem viés óbvio

São Paulo e Rio são plurais

As duas maiores capitais têm centro, bairros de classe média, zonas populares e periferia. Se há viés, ele não é simplesmente “bairro rico”.

Viés possível

Fluxo urbano popular

O desenho pode supercapturar eleitor de rua/ponto comercial e subcapturar domicílios menos acessíveis, tanto ricos isolados quanto pobres com baixa circulação.

Ponto crítico

Sem voto por ponto

Sem microdados por setor, não dá para saber se a mistura interna dos pontos foi corrigida pelos pesos ou se reforçou a distorção de renda.

Metodologia: o bom, o frágil e o mal explicado

O desenho declarado é estratificado por região e natureza do município, com municípios sorteados por probabilidade proporcional ao tamanho, pontos de abordagem e cotas de gênero e idade. É um desenho usual em pesquisa eleitoral presencial, mas não é uma amostra aleatória simples.

Bom

Estratificação nacional

As cinco grandes regiões entram, capitais/RMs/interior entram e o anexo de bairros mostra espalhamento geográfico real.

Frágil

Ponto de fluxo

O próprio anexo declara que o Datafolha não usa abordagem domiciliar. Ponto de fluxo é operacionalmente forte, mas depende de cotas e pode subcapturar perfis de menor circulação.

Frágil

Margem AAS

A margem de 2 p.p. é baseada em amostra aleatória simples. Com estratos, conglomerados, pontos e cotas, faltou divulgar efeito de desenho.

Bom

Controle de campo

O registro declara checagem mínima de 20% dos questionários por pesquisador, tablet, consistência interna e tratamento LGPD.

Ruim

Datas inconsistentes

TSE informado pelo usuário: 12-14/05. Folha: 12-13/05. PDF de bairros: 13-14/05. Para medir exposição ao Dark Horse, isso é uma falha de documentação.

Limitado

Sem microdados

Sem base individual, não dá para recalcular pesos, testar ordem de entrevista, separar antes/depois da notícia ou estimar house effect com precisão.

Insuficiente

Sem crosstabs completos

O instituto e a reportagem não abrem a matriz completa voto x renda x região x sexo x idade. Isso é o ponto central: há divulgação, mas não há transparência estatística suficiente para reponderação independente.

Questionário: onde pode haver viés

A acusação forte de “questionário anti-Bolsonaro” não se sustenta para os números principais de voto: eles aparecem antes das baterias mais carregadas. O risco maior está no uso editorial dos blocos posteriores.

Entrada e cotasConsentimento, cidade onde vota, gênero e idade.
VotoEspontânea, estimulada, conhecimento, rejeição e 2º turno.
Governo LulaAvaliação, aprovação, expectativas, vitórias/derrotas.
Identidade políticaVoto 2022, arrependimento, escala bolsonarista-petista, esquerda-direita.
AtributosDemocrático, corrupto, radical, autoritário, preparado etc.
Contexto e perfilCongresso, STF, Messias, dívidas, trabalho, religião, escolaridade, renda, raça.
BlocoRiscoAnálise
Voto espontâneo/estimulado/2º turnobaixoVem cedo. Não é contaminado por avaliação de Lula, STF, atributos negativos ou escândalo no próprio instrumento.
RejeiçãonormalPergunta padrão em pesquisa eleitoral. A lista é ampla e inclui Lula, Flávio, Ciro, Zema, Caiado e candidatos menores.
Avaliação do governo LulamédioNão afeta top-line, mas antes da bateria de atributos pode ativar julgamento pró/anti-governo.
Escala bolsonarista-petistamédioÚtil analiticamente, mas força autoclassificação polarizada antes de atributos pessoais.
Atributos dos candidatosaltoTermos como “corrupto”, “autoritário” e “radical” são carregados. Há rodízio, mas a bateria em si produz material perfeito para manchetes enviesadas.
STF, Messias, Desenrola e empregobaixo para votoComo vêm depois das intenções de voto, servem mais a diagnóstico político do que a indução do voto medido.

Veredito do questionário: não vejo uma máquina direta anti-Bolsonaro no bloco de voto. Vejo um instrumento que, depois de medir voto, coleta munição narrativa suficiente para qualquer redação escolher o enquadramento que quiser.

Reportagem: o framing está na cara

A Folha reporta os números principais corretamente, mas empacota a leitura em torno do caso Dark Horse. Isso é editorialmente relevante: o leitor encontra o escândalo antes de processar a estrutura completa dos dados.

Enquadramento

Empate apresentado como pré-escândalo

O título combina “Lula empata com Flávio” e “antes do caso Dark Horse”. Essa escolha sugere que o empate pode ser teto de Flávio antes de uma pancada reputacional.

Assimetria

Contexto negativo mais vívido para Flávio

O texto também menciona reveses de Lula, mas o caso Dark Horse vira o eixo de interpretação. A memória do leitor fica mais presa no evento contra Flávio.

Dado preservado

Top-line não é escondido

Os números de empate, primeiro turno, espontânea e rejeição aparecem. A reportagem não falsifica o dado; ela escolhe o ângulo.

Problema

“Maioria antes” sem distribuição

Se parte do campo ocorreu depois da revelação, precisamos saber quanto, onde e em que horário. Sem isso, a frase é mais narrativa que evidência.

Mapa de disputa pública

Esta parte é análise estratégica agregada, não plano de persuasão segmentada. A utilidade está em entender quais flancos a pesquisa abriu, quais narrativas cada lado tende a explorar e onde a leitura dos dados deve ser defendida ou contestada.

Onde o campo anti-Lula tem munição

FrentePor que importaForça
RendaA própria explicação fala em nível econômico do entrevistado. Portanto, a linha forte é exigir a fonte e o cálculo do alvo 48% até 2 SM, 48% acima de 2 SM e 4% NS/recusa.alta
Datas do campoHá divergência entre registro informado, Folha e anexo de bairros. Para uma matéria centrada no “antes do Dark Horse”, a distribuição horária/data das entrevistas é decisiva.alta
Margem AASA margem divulgada é baseada em amostra aleatória simples, mas o desenho tem estratos, municípios, pontos de fluxo e cotas. Falta efeito de desenho.média
Framing da FolhaO dado bruto é empate; o pacote editorial gruda o empate a um evento negativo de Flávio.alta
Espontânea x estimuladaLula lidera na espontânea, mas Flávio já chega a 45% no confronto direto. Isso mostra transferência bolsonarista forte apesar de menor lembrança espontânea.média

Onde o campo pró-Lula tem munição

FrentePor que importaForça
RejeiçãoLula rejeitado por 47% e Flávio por 43%; ambos são altos, mas Flávio ainda carrega o sobrenome Bolsonaro e pode subir sob escândalo.média
Baixa rendaLula marca 52% entre quem ganha até 2 SM no confronto com Flávio. É a âncora social mais clara do petista.alta
NordesteA reportagem cita Lula com 60% no Nordeste. Isso é uma muralha regional relevante, se confirmada por outras pesquisas.alta
Mulheres e 60+Lula aparece melhor entre mulheres (48%) e 60+ (52%). São grupos grandes e eleitoralmente estáveis.média
Elite econômica pró-FlávioFlávio vai a 58% acima de 10 SM e 71% entre empresários. Isso permite à esquerda enquadrá-lo como candidato de renda alta/empresariado.média

Prioridade analítica da direita

A linha mais sólida não é reclamar do resultado; é exigir fonte/cálculo da referência econômica 48%/48%/4%, efeito de desenho, datas/horários do campo e distribuição antes/depois do caso Dark Horse. O argumento forte é técnico: sem crosstabs e pesos, não há auditoria real.

Prioridade analítica da esquerda

A linha mais sólida é mostrar que, mesmo com Flávio forte em renda alta, homens, Sul, evangélicos e empresários, Lula ainda empata ou vence em cenários contra Zema/Caiado. A narrativa é resiliência social e regional.

Zona cinzenta decisiva

O eleitor “3” na escala bolsonarista-petista aparece dividido: 38% Flávio, 32% Lula e 27% branco/nulo. Esse grupo não deve ser lido por estereótipo demográfico; ele é uma mistura de fadiga, rejeição cruzada e pragmatismo.

Segmento publicadoQuem aparece melhorComo ler sem exagerar
HomensFlávio, 50%Sinal de força masculina, mas não basta sem mulheres. O gap de gênero é um dos eixos centrais do empate.
MulheresLula, 48%Base importante para Lula; qualquer deterioração aqui muda a eleição.
25 a 34 anosFlávio, 50%Mostra competitividade em adulto jovem, mas precisa ser cruzado com renda, religião e região.
60 anos ou maisLula, 52%Segmento grande, mais estável e menos dependente de campanha digital.
Até 2 SMLula, 52%É também a faixa super-representada contra a PNAD; por isso é o coração da auditoria.
Mais de 10 SMFlávio, 58%Alta renda favorece Flávio; se renda alta está subponderada, o empate pode estar comprimido contra ele.
NordesteLula, 60%Vantagem regional robusta, coerente com histórico petista.
SulFlávio, 59%Vantagem regional robusta, coerente com histórico bolsonarista.
EvangélicosFlávio, 61%Força relevante, mas sem composição amostral e tamanho de célula precisa ser lida com cautela.
CatólicosLula, 54%Contrapeso religioso amplo; também precisa de n e cruzamentos para leitura fina.

Veredito

O relatório não encontra uma fraude amostral óbvia. Encontra uma pesquisa competitiva, metodologicamente convencional, com boa aderência demográfica, renda discutível, datas públicas confusas e uma camada editorial com viés de enquadramento contra Flávio/Bolsonaro.

O que dá para afirmar

Lula e Flávio estão empatados no principal confronto. Lula tem vantagem contra Zema e Caiado. O recorte demográfico principal do Datafolha faz sentido diante da PNAD/TSE. A renda, porém, parece mais pobre que a PNAD domiciliar indicaria.

O que não dá para afirmar

Não dá para provar manipulação sem microdados. Não dá para medir house effect com uma pesquisa isolada. Não dá para separar impacto pré e pós-Dark Horse sem timestamps e distribuição das entrevistas por data.

DimensãoNotaLeitura final
Aderência sexo/idade/escolaridade/região9/10Muito boa. Aqui não tem fumaça.
Aderência de renda à PNAD4/10Divergência material; precisa ponte metodológica melhor.
Transparência de desenho amostral6/10Desenho descrito, mas sem efeito de desenho e sem microdados.
Questionário para top-line eleitoral8/10Ordem protege o voto principal.
Questionário para narrativas posteriores5/10Atributos carregados podem virar munição editorial.
Framing da reportagem3/10O ângulo Dark Horse pesa contra Flávio mesmo com empate técnico.

Fontes e cálculo

Relatório produzido em 16/05/2026 com arquivos locais fornecidos pelo usuário, bases PNAD já presentes no repositório e conferência de notícia pública.

  • Registro informado: Pesquisa Eleitoral BR-00290/2026, Datafolha, Presidente, Brasil, registro em 09/05/2026.
  • PDF local: questionariodatafolha.pdf.
  • PDF local: entrevistasbairrosdatafolha.pdf.
  • PDF local: reportagem Folha “Lula empata com Flávio antes de caso Dark Horse”.
  • Folha, 16/05/2026: matéria AMP consultada.
  • CNN Brasil, 16/05/2026: conferência de top-line e metodologia.
  • PNADC trimestral 2025Q3: data/outputs/pnad.sqlite, tabela base_labeled_npv, peso V1028.
  • PNADC anual visita 5 2024: data/outputs/brasil.sqlite, tabela base_anual_labeled_npv, peso V1032.

A reportagem e o questionário foram resumidos e auditados; o texto integral dos PDFs não foi reproduzido por respeito a direitos autorais e para manter o relatório legível.