que não dá
para auditar
O placar é plausível. O que não se pode ver é o problema: 12 respostas coletadas do eleitor e nunca devolvidas, e a planilha de pesos que decide tudo, invisível.
palavra do próprio instituto
O placar é plausível. O que não se pode ver é o problema: 12 respostas coletadas do eleitor e nunca devolvidas, e a planilha de pesos que decide tudo, invisível.
Três pontos. A própria Nexus chama de empate técnico. Contra Lula, Flávio é hoje o oposicionista mais competitivo.
O nome que a manchete trata como fim de linha é o mais forte da lista.
Não é um país contra um bolsão. É metade contra metade.
A vantagem de Lula no 2º turno chegou a 6 pontos em 15/06 e recuou para 3. Isso sobe e desce, não aponta sempre para o mesmo lado.
O ±2 serve para uma porcentagem sozinha. Mas a pergunta é a diferença entre dois candidatos, e diferença tem margem própria.
Sem o efeito de desenho publicado, a margem real só o instituto conhece.
No texto de 29/06, a Nexus descreve a rodada anterior de forma que não bate com o próprio relatório de 15/06.
Errar o próprio histórico não inspira confiança.
Cinco anexos chamados “Bairros”. Dentro: só município, código do IBGE e nº de entrevistas. O questionário nunca pergunta o bairro.
533 das 2.003 entrevistas são de SP: 26,6% da amostra contra 21,6% do eleitorado. Cem a mais que o proporcional.
E a ponderação corrige só 5 macrorregiões, nunca os 27 estados. O peso de SP fica inflado sem correção.
Sortear o telefone dá chance conhecida ao número. Mas o questionário manda encerrar assim que “a cota daquele perfil” enche.
E o sexo? PF1 manda “anote sem perguntar”, pela voz — variável de cota e peso.
Jovem demais, idoso de menos. E jovem e idoso votam diferente.
Muda-se o corte o suficiente para ninguém cruzar a meta declarada com o resultado publicado.
A faixa 2–5 SM aparece em 40% nas cinco ondas. Sempre. Mas o questionário mediu duas divisórias por dentro, somadas antes de publicar.
O dado que “nunca mexe” está fechado por fora.
Pegamos as células que a própria Nexus publicou e trocamos a régua dela pela oficial — TSE e IBGE/PNAD. A vantagem de Lula muda conforme a régua.
Quem escolhe a régua escolhe a manchete. E a Nexus não publica a régua.
Os cruzamentos que a Nexus divulgou (p.49–50), já ponderados por ela.
Troca-se o peso pelo tamanho oficial: TSE (sexo, idade, região), PNAD (renda, escolaridade).
Re-somam-se as mesmas células com o peso oficial. Sai o placar reponderado.
“Questionário completo no registro” não basta se o resultado de cada pergunta pode sumir. Somem por inteiro:
O eleitor respondeu. O contratante recebe inteligência. O público, uma seleção editorial.
A Q22 equipara dois polos que não medem a mesma coisa:
Uma pessoa contra um sobrenome inteiro: a diferença de médias não fecha.
Antes de pedir a opinião, o enunciado narra quatro fatos: a crítica pública, o “tratamento ríspido”, a saída do PL Mulher e — como fato consumado — o afastamento da campanha.
Isso não mede opinião. Fabrica reação.
O “64%” da chave é do próprio instituto: soma “conhece bem” (20%) com “sabe pouco” (27%).
Ruído que uma pesquisa “auditável” não deveria acumular.
No registro, “Pagante do trabalho” fica em branco, contra o art. 2º, VII.
O próprio relatório avisa: pesquisa eleitoral pode influenciar preços e dar vantagem a quem recebe a informação antes da divulgação ampla.
Quem viu o número primeiro, e a que horas, vira dado de interesse público.
A tese de que o BTG “precisa” derrotar Lula não bate com o balanço do próprio banco.
Recorde atrás de recorde. Quem lucra assim não pede socorro na urna.
O BTG preferia publicamente outro candidato, viu-o sair da corrida e, mesmo assim, paga a pesquisa que devolve Flávio como o único competitivo.
Nada disso prova ordem editorial. Prova que o pagante tem preferências — e a pesquisa não as confirma.
A pesquisa vem embalada como oposição ao establishment. O balanço de quem a paga conta outra história: juro alto, imposto novo e lucro recorde no mesmo ciclo.
A pesquisa que o banco paga entrega Flávio empatado e a “terceira via” do MBL em 35%. O incentivo do pagante é visível; a confirmação editorial, não. É por isso que os pesos invisíveis importam.
O problema é de método e transparência, não de fraude aritmética.
O placar é plausível. A documentação não deixa ninguém refazer os pesos, o desenho e a probabilidade final por eleitor.