Arvor Intelligence / auditoria eleitoral

Quaest 100626

A Quaest/Genial fez a melhor pesquisa de campo do trio recente — e isso torna o resto mais grave, não menos. Domiciliar, setores censitários, cotas claras: o esqueleto é sério. Mas sobre esse esqueleto vestiram um omnibus de 106 perguntas, divulgaram margem de erro calculada para um desenho que a pesquisa não tem, esconderam do PDF público as perguntas sobre trocar Flávio e sobre Trump, e mandaram a conta de R$ 433.255,92 para um banco. Quando o trabalho braçal é bom, a edição vira a única suspeita. E aqui a edição tem digitais.

Registro TSE: BR-07661/2026 Coleta: 05/06/2026 a 08/06/2026 Divulgação: 10/06/2026 n = 2.004 Domiciliar presencial Contratante: Banco Genial Custo: R$ 433.255,92 (NFS-e 353) 106 perguntas em domicílio Margem divulgada: AAS, sem deff

Sumário sem anestesia

Não há sinal grosseiro de fraude amostral, e este relatório não vai inventar um. O desenho de campo é o melhor entre Datafolha, Atlas e Quaest, a demografia bate com o TSE quase ao decimal e a escolaridade está colada na PNADC. Dito isso, três pecados sobram, e nenhum é venial. Primeiro: a margem de erro divulgada, ±2 pontos, pressupõe amostra aleatória simples, mas a pesquisa sorteia municípios, depois setores, depois aplica cotas e pós-estratificação — cada etapa infla a variância. Com efeito de desenho honesto, a margem real fica plausivelmente entre ±3 e ±3,5 pontos, o que transforma "Lula 44 x 38" de manchete em hipótese. Segundo: a Quaest perguntou se Bolsonaro deveria trocar Flávio, quem o substituiria e o que o eleitor acha de Trump apoiá-lo — e não publicou nada disso. Perguntar e esconder é pior do que não perguntar. Terceiro: 106 perguntas dentro da casa do eleitor, misturando voto, governo, IRPF, Banco Master, facções, tarifas, Pix e bets, é menos uma pesquisa e mais uma sabatina. E quem pagou a sabatina foi um banco.

Amostragem

Melhor desenho do trio

Domiciliar presencial, 120 municípios, sorteio PPT de municípios e setores censitários, cotas e checagem por georreferenciamento e áudio.

Renda

Boa pergunta, alvo um pouco rico

A pergunta inclui todos os rendimentos do domicílio. Com PNADC anual 2025 visita 1, o alvo 31/42/27 ainda é mais rico que adultos 16+, mas o desvio cai bastante.

Margem

A margem que não existe

±2 pontos vale para sorteio aleatório simples de 2.004 brasileiros, coisa que ninguém faz desde que o telefone fixo morreu. Conglomerado por município e setor, mais cotas, mais pós-estratificação, produz efeito de desenho. Sem o deff publicado, a aposta conservadora é ±3 a ±3,5. Divulgar ±2 é marketing, não estatística.

Transparência

Publicação seletiva

Q61 e Q62 perguntam se Bolsonaro deveria trocar Flávio e quem entraria no lugar. Q63 a Q65 medem a imagem dos EUA e de Trump. Q67 mede o efeito de Trump apoiar Flávio. Tudo foi aplicado a 2.004 eleitores. Nada foi publicado. Em jornalismo isso se chama matar a pauta; em pesquisa eleitoral deveria se chamar pelo nome: curadoria política do que o público pode saber.

Tese central: a Quaest é forte demais no campo para ser desculpada na edição. Quem domina amostragem por setor censitário sabe exatamente o que é um efeito de desenho e sabe exatamente o que significa omitir as perguntas sobre trocar Flávio. O topline Lula 39 x 29 merece respeito metodológico; o pacote em volta merece auditoria.

Contra Datafolha e Atlas

Os três institutos mediram a mesma disputa com instrumentos que não são intercambiáveis: ponto de fluxo presencial, painel online por recrutamento digital e domicílio sorteado por setor censitário. É a diferença entre fotografar a rua, fotografar a internet e bater na porta. A Quaest bateu na porta, e isso conta. O que os três têm em comum é menos lisonjeiro: todos divulgam margem de erro de amostra aleatória simples para desenhos que não são aleatórios simples. É o segredo de polichinelo da indústria brasileira de pesquisas, e ninguém quebra o cartel da margem mágica.

InstitutoCampo e modon1º turno Lula x Flávio2º turno Lula x FlávioAmostra / transparência
Datafolha 09/05Presencial em pontos de fluxo; datas públicas inconsistentes no dossiê anterior.2.00438 x 35, vantagem Lula de 3 p.p.45 x 45, empate.Demografia boa; renda mais pobre que PNAD por pessoas; sem microdados/pesos.
AtlasIntel 18/05RDR online, questionário longo e módulo audiovisual no fim.5.03247,0 x 34,3, vantagem Lula de 12,7 p.p.48,9 x 41,8, vantagem Lula de 7,1 p.p.Sexo/idade/região bons; escolaridade superior inflada; rejeição vem depois do bloco Master.
Quaest 10/06Domiciliar presencial, 120 municípios, setores censitários, cotas e rake/MrP.2.00439 x 29, vantagem Lula de 10 p.p.44 x 38, vantagem Lula de 6 p.p.Melhor desenho; escolaridade cravada na PNADC 2026T1; renda levemente mais rica; omissões pontuais relevantes.

O que melhorou

A Quaest declara sorteio probabilístico de municípios e setores, coleta domiciliar, checagem de áudio de 30% e georreferenciamento. Isso é materialmente superior ao ponto de fluxo do Datafolha e ao online da Atlas para cobertura territorial.

O que ficou parecido

Como Datafolha e Atlas, a Quaest divulga ±2 pontos sob aproximação de amostra aleatória simples. Mas o desenho real tem dois estágios de conglomeração, cotas e pós-estratificação, cada um com seu pedágio de variância. Sem efeito de desenho publicado, ±2 é ficção de consenso: todos sabem que está errado e todos repetem, porque a margem honesta, ±3 a ±3,5, venderia menos manchete.

O que piorou

A Quaest perguntou se Bolsonaro deveria substituir Flávio e mediu a imagem de Trump, em plena semana do caso Master e do encontro Flávio-Trump, e não publicou nenhum desses resultados. No módulo mais sensível da pesquisa, o público recebeu o recorte, não o retrato. Quando o resultado omitido é justamente o que poderia favorecer ou desfavorecer um lado, a omissão deixa de ser editorial e vira tese.

O +6 de Lula sob três hipóteses de desenho amostral Intervalo da diferença Lula − Flávio no 2º turno (p.p.) · margem da diferença ≈ 2× a margem individual (conservador) 0+3+6 +9+12 EMPATE Divulgada (AAS) ±2,2 por candidato +1,6 +10,4 Com deff 1,5 ±2,7 por candidato +0,6 +11,4 Com deff 2,0 ±3,1 por candidato −0,2 +12,2 vantagem central: +6 o limite inferior cruza o empate deff = efeito de desenho. Amostras por conglomerados (120 municípios, setores censitários) com cotas e calibração tipicamente operam com deff entre 1,3 e 2,0; a margem "±2,2" pressupõe sorteio aleatório simples, que não é o desenho usado.
A margem divulgada (±2,2 p.p.) vale para amostra aleatória simples — não para o desenho real por conglomerados da Quaest. Com deff 1,5 a margem efetiva sobe a ±2,7; com deff 2,0, a ±3,1. No cenário mais conservador, o intervalo da vantagem de Lula no 2º turno (+6) toca o empate técnico: a liderança é provável, mas não é o fato consumado que o número seco sugere.

O retrato eleitoral

Lula 39, Flávio 29 no estimulado; 44 a 38 no segundo turno. A foto parece confortável para o Planalto até alguém olhar o fundo: 47% aprovam o governo, 48% desaprovam, e a avaliação negativa, 38%, supera a positiva, 34%. Na espontânea, onde o entrevistador cala a boca e o eleitor fala primeiro, Lula tem 23, Flávio 17 e 56% não sabem em quem votar. Mais da metade do país ainda não decidiu a eleição que a manchete já decidiu. O retrato real é um presidente eleitoralmente forte sentado sobre um governo socialmente reprovado — e essa combinação, historicamente, não envelhece bem.

Governo Lula

Aprova
47%
Desaprova
48%
Positivo
34%
Regular
26%
Negativo
38%

Aprovação: 47 aprova, 48 desaprova, 5 NS/NR. Avaliação: 34 positiva, 26 regular, 38 negativa, 2 NS/NR.

Voto presidencial

Espontânea Lula
23%
Espontânea Flávio
17%
1º turno Lula
39%
1º turno Flávio
29%
2º turno Lula
44%
2º turno Flávio
38%

Espontânea ainda tem 56% de indecisos. No estimulado, indecisos são 10% e branco/nulo/não vai votar são 9%.

CenárioLulaAdversárioDif.Leitura
2º turno contra Flávio Bolsonaro44%38%+6Vantagem relevante, menor que a vantagem de 1º turno porque parte do antipetismo volta para Flávio.
2º turno contra Romeu Zema45%35%+10Zema continua menos competitivo nacionalmente que Flávio.
2º turno contra Ronaldo Caiado45%35%+10Caiado fica estável, mas distante.
2º turno contra Renan Santos45%31%+14Renan cresce, mas ainda depende de conhecimento e transferência.

Repare no detalhe que a manchete esconde: contra qualquer adversário, Lula está estacionado em 44/45. Quem mexe o ponteiro é a direita. Flávio faz 38, Zema e Caiado fazem 35, Renan faz 31. A eleição de 2026, segundo a própria Quaest, não é sobre quanto Lula sobe; é sobre quanto a direita consolida. E lembrando: com margem honesta de ±3/±3,5, o 44 x 38 é uma vantagem de 6 pontos com incerteza de até 7 na diferença. Estatisticamente, isso se chama jogo aberto.

Os dois líderes vivem no quadrante polarizado Potencial de voto (x) × rejeição (y), em % · área das bolhas proporcional ao voto de 2º turno contra o adversário-padrão 253035 4045 40455055 Potencial de voto (%) → Rejeição (%) → MUITO POTENCIAL, MUITA REJEIÇÃO POUCO POTENCIAL, MUITA REJEIÇÃO TERCEIRA VIA: MENOS REJEITADOS… ZONA IDEAL (VAZIA) Renan 25 · 40 Caiado 28 · 44 Zema 30 · 45 Flávio 39 · 56 Lula 45 · 53 Flávio: mais rejeitado (56) do que votável (39) — teto estrutural baixo. Lula é o único acima de 40 de potencial — mas carrega 53 de rejeição. …mas nenhum chega a 31 de potencial.
Lula (potencial 45, rejeição 53) e Flávio (39, 56) ocupam o quadrante de alta exposição: ambos são mais rejeitados do que votáveis em termos absolutos. A terceira via (Zema, Caiado, Renan) tem rejeição menor, mas potencial preso abaixo de um terço do eleitorado. Bolhas dimensionadas pelo voto de 2º turno (44, 38, 35, 35, 31). Valores de Zema, Caiado e Renan são aproximações do dossiê.
Segundo turno Quaest entre Lula e Flavio Bolsonaro
Segundo turno contra Flávio: Lula 44, Flávio 38, branco/nulo 14, indecisos 4.
Potencial de voto e rejeicao de liderancas na Quaest
Potencial/rejeição: Lula 45/53; Flávio 39/56. Flávio tem rejeição maior e potencial menor.

Transferência 1º → 2º turno

A pergunta errada é "Flávio chega ao segundo turno?". A pergunta certa é aritmética: do primeiro para o segundo turno, quem captura o quê? A Quaest não publica matriz individual de transição, então fazemos o que a contabilidade chama de balanço de massa: nada se cria, nada se perde, tudo se transfere ou anula. E o balanço diz três coisas que a manchete não disse.

Conta dura: no primeiro turno, Lula e Flávio somam 68%. No confronto direto, somam 82%. Dos 32 pontos que estavam fora do binário, Flávio captura 9, Lula captura 5, e 18 pontos terminam em branco, nulo ou indecisão. Leia de novo: o maior partido do segundo turno brasileiro não é o PT nem o bolsonarismo. É o partido de quem olha para os dois e devolve a cédula. Entre os que se declaram independentes, 39% ficam fora da escolha. Quem conquistar metade desse limbo conquista o Planalto.
Para onde vai o voto entre o 1º e o 2º turno Modelo de transferência sobre os números públicos da Quaest 10/06 — em pontos percentuais do eleitorado 1º TURNO 2º TURNO 39 29 Lula 39 Flávio Bolsonaro 29 Demais candidatos 13 Indecisos 10 Branco/nulo 9 Lula 44 Flávio Bolsonaro 38 18 p.p. fora da escolha 14 branco/nulo + 4 indecisos Dos 13 p.p. dos nanicos, 7 migram para Flávio, 3 para Lula e 3 abandonam a disputa. Origem dos 18 fora da escolha: 9 branco/nulo · 6 indecisos · 3 nanicos
Fluxo modelado de transferência entre cenários: Lula retém os 39 pontos e soma 5 (3 dos demais candidatos, 2 de indecisos); Flávio retém 29 e soma 9 (7 dos demais, 2 de indecisos). O bloco que não escolhe ninguém no 2º turno — 18 p.p. — é três vezes a vantagem de Lula. Larguras proporcionais aos pontos percentuais; fluxos são modelo de consistência, não microdados.
Bloco1º turno2º Lula x FlávioVariaçãoLeitura
Lula39%44%+5Ganha pouco, mas ganha. Parte do eleitorado que não vota Lula no 1º turno aceita Lula contra Flávio.
Flávio Bolsonaro29%38%+9Maior captura líquida. É o principal imã anti-Lula, mas não captura nem perto de 100% do pool externo.
Demais candidatos13%0%-13Fonte natural de transferência, mas não necessariamente toda para Flávio.
Indecisos10%4%-6A polarização força decisão, mas parte pode migrar para branco/nulo.
Branco/nulo/não vai votar9%14%+5O 2º turno também produz rejeição ao binário. Esse é o vazamento central para Flávio.
Fora de Lula/Flávio32%18%-14Do pool externo, 44% vira voto de candidato e 56% continua fora da escolha.
Grafico proprio da Arvor com transferencia agregada do primeiro para o segundo turno Lula x Flavio
Balanço de massa: Flávio precisa de +9 p.p.; Lula precisa de +5 p.p.; 18 p.p. continuam em branco/nulo/indecisão.
Grafico proprio da Arvor comparando todos os cenarios de segundo turno da Quaest
Todos os 2º turnos ajudam a inferir o vazamento: Lula fica em 44/45; quem muda é o destino do bloco não-Lula.
Cenário de 2º turnoLulaAdversárioBranco/nuloIndecisosFora da escolhaInferência
Lula x Flávio44%38%14%4%18%Flávio é o candidato que mais consolida o anti-Lula e minimiza a fuga para fora da escolha.
Lula x Zema45%35%17%3%20%Zema recebe muita transferência de direita, mas retém menos que Flávio no agregado.
Lula x Caiado45%35%16%4%20%Caiado se parece com Zema: forte entre direita, mas sem o mesmo bônus bolsonarista nacional.
Lula x Renan45%31%20%4%24%Renan perde mais voto para branco/nulo. O voto de protesto não vira automaticamente voto governável.
Subcampo no 1º turnoQuem tende a representarPor que não transfere 100% para FlávioComo Flávio tenta puxar voto útil
Caiado / centrão raizCentro anti-Bolsonaro, governismo local, agronegócio, segurança pública, eleitor de ordem e gestão estadual.Quer previsibilidade, pacto federativo, máquina política e menor custo institucional. Pode ver Flávio como risco de conflagração.Endosso de governadores, prefeitos e segurança pública; mensagem de governabilidade e coalizão, não só guerra cultural.
Zema / NovoAnti-PT liberal, lavajatista, antibolsonarista, renda mais alta, mercado, gestão e antipatrimonialismo.Parte desse eleitor é anti-Lula, mas também anti-Bolsonaro. Sem âncora econômica e institucional, prefere nulo ou adversário menos tóxico.Equipe econômica crível, regra fiscal, privatização, compromisso institucional e sinal de que não é só continuidade familiar.
Renan / MBLAnti-PT ideológico com identidade própria, neocentro, liberalismo de guerra cultural e comunidade de alta adesão.O ativo eleitoral dele é justamente não ser bolsonarista tradicional. Transferir 100% para Flávio destruiria a marca de independência.Voto útil anti-Lula sem humilhar a tribo: pauta anticorrupção, STF, segurança, liberdade econômica e espaço simbólico para o MBL.
Aécio / centro velhoAnti-PT histórico, PSDB residual, liberal-conservador moderado, eleitor de normalidade institucional.Carrega memória anti-PT, mas não necessariamente tolera bolsonarismo. Pode ir para Flávio, nulo ou Lula por rejeição ao caos.Normalização por elites políticas, empresariais e jurídicas; menos ataque pessoal e mais alternância responsável.

O que está identificado

Flávio cresce 9 pontos do primeiro para o segundo turno, o maior ganho líquido de qualquer candidato em qualquer cenário. Esse número tem nome: voto útil reprimido. É gente que hoje marca Zema, Caiado, Renan ou indeciso, mas que diante de Lula aperta o botão Flávio. Se a direita antecipasse esse movimento para o primeiro turno, Flávio sairia de 29 para a vizinhança de 38, e a eleição mudaria de natureza antes de outubro.

O que não está identificado

Sem cross-tab 1º turno x 2º turno, não dá para cravar se esses 9 p.p. vêm de Zema, Caiado, Renan, Aécio, indecisos ou branco/nulo. Qualquer matriz individual é modelo, não observação.

O que os cenários sugerem

O bloco não-Lula é grande e estável, 55/56%, mas nem todo ele vira adversário. Flávio é o melhor consolidador, porém ainda deixa 18% fora da escolha contra Lula.

Fonte no 1º turnoTamanhoPara LulaPara FlávioPara branco/nulo/NSHipótese política
Demais candidatos13%3%7%3%Caiado puxa centro/centrão raiz; Zema e Renan puxam anti-PT liberal/lavajatista anti-Bolsonaro. A maior parte tende a Flávio, mas a identidade anti-Bolsonaro gera vazamento.
Indecisos10%2%2%6%Indeciso tardio é menos ideológico; parte decide contra Flávio, parte rejeita a escolha binária.
Branco/nulo/não vai votar9%0%0%9%Conservadoramente, tratamos esse grupo como quase estrutural no 2º turno.
Total do modelo32%5%9%18%Fecha exatamente o 44 x 38 x 14 x 4 publicado. É plausível, não é microdado.

Este quadro é um cenário de trabalho consistente com os marginais da Quaest e com os demais 2º turnos. A transferência real pode trocar alguns pontos entre “demais candidatos” e “indecisos”, mas não escapa da restrição agregada: Flávio precisa ganhar 9 p.p. e o bloco fora da escolha termina em 18 p.p.

Grafico proprio da Arvor com segundo turno Lula x Flavio por posicionamento politico
O vazamento para branco/nulo/indecisão está concentrado no independente: 39% ficam fora da escolha em Lula x Flávio.

Perguntas estratégicas para a direita

O eleitor de Caiado quer centrão raiz, ordem e máquina? O de Zema/Novo quer liberalismo anti-PT sem Bolsonaro? O de Renan/MBL quer identidade neocentro e anticorrupção sem se render ao clã? O independente que anula rejeita ambos ou só não acredita que Flávio governe? Cada resposta pede uma estratégia diferente.

Voto útil direto

O argumento mais forte para Flávio é simples: ele faz 38 contra Lula, acima de Zema/Caiado em 35 e Renan em 31. A direita teria que antecipar esse voto útil no 1º turno, sem tratar Zema, Caiado e Renan como se fossem o mesmo eleitor.

Pacotes por tribo

Para Caiado: governabilidade e segurança. Para Zema/Novo: economia, gestão e regra fiscal. Para Renan/MBL: anticorrupção, liberdade econômica e anti-PT sem submissão simbólica. Um discurso único desperdiça voto.

Atacar o nulo

Branco/nulo sobe de 9 para 14 no Lula x Flávio. A direita precisa tratar esse eleitor como alvo principal, não como resíduo: sem ele, a transferência fica capenga e Lula preserva vantagem.

Amostra contra TSE e PNAD

Aqui a Quaest merece o elogio que vamos cobrar caro depois. Sexo, idade e região batem com o cadastro do TSE quase ao decimal: mulheres 53,0 contra 52,8, jovens 31,0 contra 31,4, idosos 23,0 contra 23,3. Escolaridade bate com a PNADC trimestral: 41/40/19 contra 41,1/39,6/19,3. Isso não acontece por sorte; acontece quando alguém faz o trabalho. Os dois senões: o Sudeste entra com 41,0% quando o TSE manda 42,1%, e o alvo de renda, 31/42/27, é mais rico do que o Brasil adulto da PNADC anual 2025, que dá 35,4/39,2/25,3. Quatro pontos a menos de eleitor de até 2 salários mínimos, justamente a faixa onde Lula faz 50 a 23. Curioso: o único desvio sistemático do alvo joga contra o líder da pesquisa, não a favor. Quem quiser acusar a Quaest de inflar Lula vai ter que explicar por que ela montou um alvo que o desinfla.

DimensãoCorteQuaestReferênciaDeltaFonte
SexoMulher53,0%52,8%+0,2TSE 05/2026, Brasil sem exterior.
SexoHomem47,0%47,2%-0,2TSE 05/2026, binário.
Idade16-3431,0%31,4%-0,4TSE 05/2026.
Idade35-5946,0%45,3%+0,7TSE 05/2026.
Idade60+23,0%23,3%-0,3TSE 05/2026.
RegiãoSudeste41,0%42,1%-1,1TSE 05/2026.
RegiãoNordeste27,0%27,6%-0,6TSE 05/2026.
RegiãoSul15,0%14,5%+0,5TSE 05/2026.
RegiãoNorte9,0%8,3%+0,7TSE 05/2026.
RegiãoCentro-Oeste8,0%7,6%+0,4TSE 05/2026.
EscolaridadeFundamental / médio incompleto41,0%41,1%-0,1PNADC trimestral 2026T1, 16+, V1028.
EscolaridadeMédio / superior incompleto40,0%39,6%+0,4PNADC trimestral 2026T1, 16+, V1028.
EscolaridadeSuperior completo+19,0%19,3%-0,3PNADC trimestral 2026T1, 16+, V1028.
RendaAté 2 SM31,0%35,4%-4,4PNADC anual 2025 visita 1, adultos 16+, renda domiciliar total efetiva, V1032.
RendaMais de 2 a 5 SM42,0%39,2%+2,8PNADC anual 2025 visita 1, adultos 16+.
RendaMais de 5 SM27,0%25,3%+1,7PNADC anual 2025 visita 1, adultos 16+.

Atualização feita: a régua PNAD local agora usa exatamente as duas vintages citadas pela Quaest, PNADC trimestral 2026T1 para instrução e PNADC anual 2025, 1ª visita, para renda. Ainda assim, a comparação é marginal: sem microdados e pesos finais da Quaest, não substitui auditoria de rake/MrP.

O que alinhou melhor

Escolaridade agora fica quase cravada: 41/40/19 na Quaest contra 41,1/39,6/19,3 na PNADC 2026T1. A crítica anterior a superior completo praticamente desaparece.

O que ainda sobra

O alvo de renda da Quaest tem menos pobre do que o Brasil real. Até 2 SM: 31% no alvo, 35,4% na PNADC. É ressalva moderada, não escândalo, mas tem direção conhecida: a baixa renda vota Lula 50 a 23, a faixa de 5+ SM vota Flávio 37 a 28. Um alvo mais rico que o universo deprime Lula em algumas frações de ponto. A ironia é deliciosa: corrigido o viés, o candidato do contratante banqueiro melhora.

Teste de robustez

Usando renda habitual domiciliar em vez de efetiva, adultos 16+ ficam em 35,1/40,4/24,5. A conclusão não depende da variável de renda escolhida.

O alvo de renda da Quaest é 4,4 p.p. mais rico que o Brasil real Distribuição por faixa de renda familiar em salários mínimos (%): alvo declarado ao TSE × PNADC anual 2025 v1, população 16+ ← ALVO QUAEST (TSE) PNADC 2025 v1, 16+ → Δ alvo−real Até 2 SM 31,0 35,4 −4,4 2 a 5 SM 42,0 39,2 +2,8 Mais de 5 SM 27,0 25,3 +1,7 faltam 4,4 p.p. de eleitores até 2 SM no alvo a linha tracejada marca onde a barra deveria chegar para espelhar a PNADC Faixa até 2 SM concentra o eleitorado mais favorável a Lula. Um alvo 4,4 p.p. mais magro nessa faixa tende, se algo, a subestimar — não inflar — a vantagem petista. Fonte PNADC: base_anual_visita1_labeled_npv, renda domiciliar total, peso V1032 · Alvo: registro TSE BR-07661/2026
Pirâmide espelhada das faixas de renda: o alvo de cotas da Quaest (31/42/27) contra a distribuição real da população de 16 anos ou mais na PNADC anual 2025 visita 1 (35,4/39,2/25,3). O desvio é pequeno, mas sistemático — o alvo subamostra a base da pirâmide em 4,4 p.p. e superamostra as faixas médias e altas. Direção do viés: contra Lula, não a favor.
Perfil de renda publicado pela Quaest
Perfil de renda publicado: 31% até 2 SM, 42% de 2 a 5 SM, 27% acima de 5 SM.
Pergunta de renda no questionario Quaest
Questionário: renda total do domicílio, incluindo bicos, benefícios, pensões, aposentadorias e aluguel.

Reponderações possíveis

Aqui dá para ir além de xingar planilha. Como a Quaest publica 1º turno por renda e por região, podemos refazer sensibilidades simples com a régua correta: TSE para região, PNAD para renda. Não é microdado, não ajusta cruzamentos, não calcula efeito de desenho. Mas é matemática auditável.

Alvo de renda usadoAté 2 SM2-5 SM5+ SMLulaFlávioLeitura
Quaest/TSE declarado31,0%42,0%27,0%39,4%28,9%Reproduz praticamente o 39 x 29 publicado.
PNAD 2025 visita 1, adultos 16+35,4%39,2%25,3%40,1%28,5%Lula sobe 0,7 p.p.; Flávio cai 0,4 p.p.
PNAD 2025 visita 1, responsáveis42,9%35,7%21,4%41,4%27,8%Teste por chefes de domicílio segue mais pobre e amplia Lula.
Alvo regional usadoNESESulCO+NLulaFlávioDif.Leitura
Quaest publicado27,0%41,0%15,0%17,0%39,2%29,0%+10,2Reproduz o 39 x 29 publicado.
TSE 05/202627,6%42,1%14,5%15,9%39,5%29,0%+10,5Lula sobe 0,2/0,3 p.p.; Flávio fica praticamente igual.

Região usa TSE, não PNAD: Eleitorado Atual gerado em 01/05/2026, Brasil sem exterior. A página regional da Quaest agrega Centro-Oeste e Norte; por isso o alvo TSE usado aqui soma Norte (8,3%) e Centro-Oeste (7,6%). O Sudeste isoladamente está 1,1 p.p. abaixo do TSE, mas o Nordeste também está subponderado e é muito pró-Lula; Sul e CO+N estão sobreponderados e são relativamente melhores para Flávio.

Renda

Com a PNADC correta, o desvio de renda fica pequeno/moderado, mas a direção permanece: se o benchmark local estiver mais perto do universo real que o alvo declarado pela Quaest, a renda favorece Flávio no 1º turno, não Lula. Baixa renda dá Lula 50 x 23; renda acima de 5 SM dá Flávio 37 x 28.

Região

O 1,1 p.p. a menos no Sudeste merece pergunta sobre pesos finais, mas não derruba o topline. Na própria Quaest, Sudeste dá Lula 37 e Flávio 28; o Sul, não o Sudeste, é a região mais pró-Flávio.

Limite do cálculo

Sem microdados, não dá para reponderar sexo x idade x região x renda x escolaridade ao mesmo tempo. Estas contas só trocam distribuições marginais, mantendo constantes os votos dentro de cada faixa publicada.

Primeiro turno por renda familiar na pesquisa Quaest
Renda explica direção do efeito: Lula 50 x 23 até 2 SM; Flávio 37 x 28 acima de 5 SM.
Primeiro turno por regiao na pesquisa Quaest
Região: Lula 54 x 25 no Nordeste; Flávio lidera só no Sul, 38 x 27.

Fluxo do questionário

Cento e seis perguntas. Leia devagar: um entrevistador entra na casa do eleitor e aplica 106 itens sobre voto, governo, programas sociais, imposto de renda, Desenrola, Banco Master, Trump, tarifas, facções, Pix, bets e ideologia. Isso não é um questionário eleitoral, é um censo de opinião com voto de entrada. A literatura chama de fadiga do respondente; o entrevistado chama de "moço, eu tenho que fazer o almoço". A boa notícia, e ela é genuína: o voto vem cedo. Espontânea na Q8, estimulado e segundo turno até a Q30, antes de Master, Trump e tarifas. O top-line está protegido do priming. O que vem depois da Q30, porém, é respondido por alguém na pergunta 70 de uma conversa que não acaba, e merece o desconto correspondente. E há o problema que nenhum cansaço explica: o que foi perguntado e sumiu.

Q1-Q7Crivo, perfil, renda, aceite de gravação.
Q8Voto espontâneo.
Q9-Q23Conhecimento, rejeição, 1º turno e firmeza.
Q24-Q302ª opção, 2º turno e motivação anti/adversário.
Q31-Q39Medo, moderação, aprovação, avaliação e notícias do governo.
Q40-Q53Programas, IRPF, dívidas e Desenrola 2.0.
Q54-Q62Banco Master, Dark Horse e substituição de Flávio.
Q63-Q106EUA/Trump, facções, tarifas, economia, bets, ideologia e dados finais.
Protegido

Voto principal

Espontânea, conhecimento/rejeição inicial, 1º turno e 2º turno aparecem antes de Master, Trump, tarifas e economia final. Acusação de contaminação direta do top-line não se sustenta.

Com contexto

Avaliação e programas

Antes do Master, o respondente passa por direção do país, notícias do governo, programas de Lula, IRPF e Desenrola. Isso pode ativar julgamento governista antes dos módulos sensíveis.

Problemático

As perguntas fantasma

Q61: Bolsonaro deveria trocar Flávio? Q62: por quem? Q63 a Q65: o que o senhor acha dos EUA e de Trump? Q67: e se Trump apoiar Flávio? Cinco perguntas aplicadas a 2.004 brasileiros, pagas pelo Banco Genial, registradas no TSE, e ausentes do PDF público. Não sabemos se a resposta era boa ou ruim para Flávio, e é exatamente esse o ponto: alguém sabe, e decidiu que nós não saberíamos. Publicação seletiva em ano eleitoral é o pecado capital da transparência, porque transforma o instituto de medidor em editor.

Bloco perguntadoStatus no relatório públicoPor que importa
Q54-Q60: Master/Dark Horse e efeito em votoPublicado com vários recortes.Mostra dano reputacional de Flávio, mas depois de blocos governistas e de dívida/programas.
Q61-Q62: Bolsonaro deveria trocar Flávio? Quem substituiria?Não localizado no PDF público.É a consequência política direta do escândalo. Omitir isso deixa a narrativa pela metade.
Q63-Q65: alinhamento EUA, opinião sobre EUA e imagem de TrumpNão localizado no PDF público.Sem baseline de opinião sobre Trump/EUA, o módulo de encontro Flávio-Trump perde contexto.
Q66-Q83: encontro, facções, sanções, tarifas e patriotismoPublicado em parte ampla.Bloco muito carregado em disputa Lula x Flávio; bom que foi publicado, ruim se usado sem lembrar a ordem.
Questionario Quaest com introducao do bloco Banco Master
Questionário, página 16: introdução do bloco Master/Dark Horse antes das perguntas sobre Flávio.
Questionario Quaest com perguntas sobre substituicao de Flavio e imagem EUA
Questionário, página 18: perguntas sobre troca de Flávio e relação com EUA; não aparecem no PDF público extraído.

Master, Dark Horse e Trump

O bloco Master é onde a manchete e o dado se divorciam. Sim, 65% dizem que Flávio errou ao buscar o financiamento. Número feio. Mas a pergunta seguinte, sobre efeito no voto, desmonta o drama: 50% respondem que o caso não muda nada porque já não votariam nele, 26% seguem votando, 6% dizem que aumenta o voto e apenas 12% dizem que diminui. Traduzindo do estatístico para o português: dois terços do "dano" do Banco Master é rejeição pré-existente reembalada como notícia. O dano marginal real, eleitores que Flávio tinha e o caso tirou, é de 12% — e parte disso ainda é resposta de momento, dada a um entrevistador, depois de um bloco inteiro descrevendo o escândalo. O Master machuca a imagem de Flávio; o voto, bem menos do que o noticiário precisa que machuque.

Banco Master / Dark Horse

Sabia das conversas
55%
Flávio errou
65%
Levantou suspeitas
60%
Pode esconder envolvimento
58%
Flávio sabia
62%
Diminui voto nele
12%

A pergunta de efeito em voto tem 50% dizendo que continua igual porque já não votaria nele; isso não é perda marginal, é rejeição já existente.

Trump, facções e tarifas

Depois de Master, o questionário entra em encontro de Flávio com Trump, classificação de PCC/CV como terroristas, punições financeiras, tarifas americanas, Pix, patriotismo e efeito do tarifaço sobre voto. É um módulo de confronto Lula x Flávio, não um bloco neutro de política externa.

Item publicadoResultado
Sabia do encontro Flávio-Trump50% sim / 50% não
Sabia que EUA classificou PCC/CV como terroristas63% sim
Brasil deve classificar facções como terroristas60% sim
Flávio influenciou Trump sobre PCC/CV47% sim
Punições dos EUA prejudicarão bancos/empresas brasileiras53% sim
Resultado Quaest sobre Flavio ter errado ao pedir financiamento para Vorcaro
65% dizem que Flávio errou ao pedir financiamento para Vorcaro.
Resultado Quaest sobre noticias Flavio e Vorcaro afetarem voto em Flavio
Efeito declarado no voto: 6 aumenta, 12 diminui, 26 segue votando, 50 já não votaria.
E aqui as omissões fecham o circuito. A Quaest mediu o efeito Master, mediu o encontro com Trump, mediu facções e tarifas, e publicou tudo isso. O que não publicou foi o contrafactual que daria contexto: a imagem basal de Trump no Brasil e o efeito de um apoio dele a Flávio. Sem a régua, o módulo vira tribunal com sentença e sem autos. O contratante, lembremos, é um banco com mesa de operações e clientes que precificam risco político — o mesmo Banco Genial cujos fundos foram citados em operação da Polícia Federal que rastreou dinheiro do PCC. A ironia é de roteirista: o questionário que o banco pagou pergunta ao eleitor se o PCC deve ser classificado como terrorista (60% dizem sim), enquanto a PF pergunta ao banco por que dinheiro da facção passeava pelos seus fundos. O eleitor respondeu; o banco ainda deve resposta. E esse banco pagou R$ 433.255,92 — como quem compra corote — e recebeu 106 perguntas de resposta; o público recebeu as que sobraram da peneira. Em mercado financeiro, informação que uns têm e outros não tem nome técnico. Em pesquisa eleitoral, deveria ter também.

Estratégia Flávio 2026: o jogo dos 9 e dos 18

Toda a auditoria acima converge para dois números, e quem fizer a campanha de Flávio Bolsonaro deveria tatuá-los no quadro branco: 9 e 18.

Nove pontos é o que Flávio ganha automaticamente quando a eleição vira binária. É o voto útil que hoje dorme em Zema, Caiado, Renan e na indecisão, e que acorda sozinho diante de Lula. Nenhum outro nome da direita arranca tanto: Flávio faz 38 no confronto direto contra os 35 de Zema e Caiado e os 31 de Renan. O dado é inconveniente para os concorrentes internos e por isso mesmo precioso: pela régua da própria Quaest, paga por um banco sem nenhuma simpatia evidente pelo sobrenome, Flávio é o melhor segundo-turnista da direita brasileira. A primeira metade da estratégia, portanto, não é conquistar eleitor novo; é antecipar eleitor que já é dele no segundo turno e ainda não sabe disso no primeiro.

Dezoito pontos é o tamanho do limbo: eleitores que, postos diante de Lula e Flávio, escolhem ninguém. E aqui mora a assimetria que define 2026: Lula está no teto, estacionado em 44/45 contra qualquer adversário, com 53% de rejeição e um governo desaprovado por 48%. Ele não tem para onde crescer. Flávio tem 56% de rejeição, é verdade, mas tem 18 pontos de limbo para disputar e 9 de voto útil para antecipar. Um candidato administra estoque; o outro disputa fluxo. Campanhas se ganham no fluxo.

A física da vitória: do pool externo de 32% do 1º turno, Flávio captura hoje na razão de 1,8:1 contra Lula. Mantida essa razão sobre os 18 p.p. restantes, ele perde por um fio (50,4 x 49,6). Elevada para 2,5:1, vence 49 x 43. Toda a campanha se resume a melhorar essa razão de captura — e o multiplicador da razão é um só: rejeição. Com 56%, o órfão prefere anular a votar nele. Rejeição 56 → 49 é a métrica-mãe.
1 em cada 5 eleitores não escolhe ninguém Cada quadrado = 1% do eleitorado no 2º turno Lula × Flávio, Quaest 10/06 18 órfãos por 100 eleitores, nem Lula nem Flávio: 14 votariam branco/nulo e 4 não sabem. Lula 44 Flávio Bolsonaro 38 Branco / nulo 14 Indecisos (NS/NR) 4 A vantagem de Lula é 6 pontos; o bloco que não escolhe ninguém é 3× maior. Quem convencer os órfãos decide a eleição.
Grade de 100 eleitores no 2º turno simulado (Lula 44, Flávio 38, branco/nulo 14, indecisos 4). Os 18 quadrados contornados em vermelho — quase um quinto do eleitorado — não escolhem nenhum dos dois, um contingente três vezes maior que a diferença entre os candidatos.

Frente regional: onde cada ponto nasce

A eleição se decide no Nordeste — e o Sul é a ilha de Flávio Intenção de voto no 1º turno por região (%), Quaest 10/06 · peso de cada região no eleitorado TSE 2026 Flávio Bolsonaro Lula 253035 40455055 25 54 Lula +29 Nordeste peso 27,6% 28 37 Lula +9 Sudeste peso 42,1% 27 38 Flávio +11 Sul peso 14,5% 31 37 Lula +6 CO + Norte peso 15,9% O colchão de Lula: +29 p.p. em 27,6% do eleitorado rende ~8 p.p. da vantagem nacional. O gap exploitável de Flávio: lidera só onde o eleitorado pesa 14,5% — precisa sangrar o NE e virar o Sudeste. Intenção de voto (%) no 1º turno estimulado · CO+N agregado pelo dossiê · pesos: perfil do eleitorado TSE (gerado 01/05/2026), excluído exterior.
Lula vence em três dos quatro blocos regionais, mas a estrutura da vantagem é assimétrica: quase toda a dianteira nacional nasce do Nordeste (+29 p.p. sobre 27,6% do eleitorado). Flávio só lidera no Sul, a região de menor peso entre as comparadas — aritmética que define onde cada campanha precisa crescer.
RegiãoPeso TSEMargem hojeMetaΔ nacionalComo chegar lá
Nordeste — sangrar, não vencer27,6%-29-16+3,6Evangélicos via Michelle em circuito mensal; 250 prefeitos do centrão neutros/aliados (o prefeito não precisa subir no palanque, precisa não trabalhar para Lula); agro do MATOPIBA (Barreiras, LEM, Balsas); segurança/facções como tema nº 1 nas periferias de Fortaleza, Salvador, Recife e São Luís — 60% do país apoia classificar PCC/CV como terroristas e 47% já creditam isso a Flávio; juventude masculina 16-34 via MEI, motoboy e anti-taxação. Porta-vozes locais, zero ataque pessoal a Lula, zero nostalgia do pai.
Minas Gerais — a fronteira anti-Zemula10,4%~-5+5+1,0O risco número 1 é o voto Zemula (Zema no 1º turno, Lula no 2º) e suas variantes Zemulo/Zemanco (Zema + nulo/branco) — válido a menos contra Lula do mesmo jeito. Nikolas Ferreira de cabeça na campanha estadual, com Cleitinho e a bancada mineira, para tornar o Zemula socialmente impossível sem atacar o próprio Zema. Zema no palanque vale mais que Zema na chapa: fiador econômico sem o ônus dinástico, com Economia/Infraestrutura a quadro chancelado por ele. Triângulo, Sul de Minas e Zona da Mata viram o estado; na RMBH, periferia evangélica e segurança; no Norte de Minas, playbook NE. Em Goiás, mesma vigilância contra o Caiadula — com Kassab de garçom da transferência.
São Paulo — o cofre21,6%~-4+5+1,2Tarcísio é a peça central: palanque total, fiador nacional ("coordenador do programa de governo") ou vice — em qualquer cenário, nenhuma fricção pública é tolerável. Agro do interior com GOTV máximo; periferia evangélica da Grande SP (Guarulhos, Osasco, Itaquera) com segurança + igreja + empreendedorismo popular; PCC como terrorista é cunha perfeita em SP.
Norte — margem barata8,3%~+4+10+0,5Pará é o prêmio (4,0% do eleitorado): regularização fundiária — título de terra é voto — no interior (Marabá, Parauapebas, Altamira, Santarém). Amazonas: defesa explícita da Zona Franca + Manaus evangélica. RO/AC/RR: operação de comparecimento pura, meta 65%+ nos redutos. Mineração artesanal via marco regulatório com formalização, mensageiro local — nunca o candidato.
Sul + CO — consolidar22,1%+11/+8+18/+14+1,5Ratinho Jr. no PR ("2026 é nosso, 2030 é seu"); SC com GOTV meta 60%+; RS via reconstrução pós-enchentes e agro da fronteira. O Sul é também caixa e militância digital nacional. CO: Caiado e agro fecham sozinhos.
Total100%-6 (2ºT)+8,5 → ~51x49O placar regional consolidado fecha a conta: metade do gap se paga no Nordeste sem ganhar lá uma única capital.

Frente partidária: coalizão, vice e blindagem

Opção de vicePrósContrasVeredito
TarcísioResolve SP (21,6%), economia, moderação e rejeição de uma vez; o único que muda o jogo estrutural.Tem que abrir mão de SP; risco de ofuscar o titular; o pai pode vetar quem brilha demais.1ª escolha. Vale pagar qualquer preço político.
ZemaEntrega MG (10,4%) + o eleitor Novo/liberal — exatamente o órfão que anula.Antibolsonarismo cria atrito com a base; carisma limitado no NE.2ª escolha. Ticket "dinastia + planilha" cobre os dois flancos.
CaiadoCentrão, agro, segurança, CO consolidado.Não soma onde falta (NE urbano, jovens, mulheres); sobreposição de perfil.3ª — melhor como ministro-âncora da Justiça/Segurança.
MichelleMulheres (maior déficit de Flávio), evangélicos, mobilização.Chapa 100% família confirma a narrativa dinástica que afasta o órfão liberal; desperdiça-a como emissária de campo.Não. Usá-la como vice é queimar o melhor ativo de campo.
Militar 4 estrelasBase raiz, ordem.Zero voto novo; reativa trauma institucional; assusta exatamente os 18% órfãos.Veto absoluto.

Gestão do pai

Bolsonaro pai fala para dentro (lives, base, NE evangélico) e nunca para fora (sem imprensa nacional em momento quente, sem golpe/STF/anistia em palanque). A campanha tem um candidato. Frase-mestra ensaiada: "Tenho orgulho do meu pai. Mas quem está pedindo seu voto sou eu, com meu nome, minha equipe e meu programa." Anistia: não prometer — custa mais no centro do que rende numa base já garantida.

Blindagem Master em 3 camadas

1) Admissão controlada, uma vez e nunca mais: entrevista única, formato longo, "errei na forma, não houve crime, há lição" — o eleitor perdoa erro admitido, não perdoa deboche. 2) Contenção jurídica terceirizada: war room fora da campanha responde fato novo em 4 horas, com documento, nunca com indignação. 3) Pivô comparativo: "enquanto querem falar do meu passado, eu falo do seu presente: comida cara, facção na esquina, imposto subindo." Os dados autorizam: o dano marginal de voto é 12%, não 65%.

Economia: o fiador que falta

O governo tem economia avaliada negativamente e mesmo assim o liberal anula em vez de votar Flávio. Diagnóstico: falta fiador. Resposta: anunciar em agosto a equipe econômica completa antes da eleição — nome de mercado na Fazenda chancelado por Zema/Tarcísio, compromisso fiscal por escrito com metas numéricas, privatizações e "alvará em 48h" para o pequeno. O eleitor 5+ SM já prefere Flávio 37x28; o alvo é o liberal de 2-5 SM e o anulador de alta escolaridade.

Frente do voto útil: "só existe um nome que chega"

Flávio faz 38 contra Lula; Zema e Caiado fazem 35; Renan, 31. O argumento é matemático e deve ser martelado como tal: contra Lula, só um nome chega perto — dividir é eleger. Meta: antecipar 6 dos 9 p.p. de transferência para o 1º turno (29 → 35+), matando a tese da terceira via de direita antes de setembro.

FaseQuandoO que fazer
ÍmãJunho-julhoZero ataque aos candidatos de direita. Elogios seletivos ("Zema é um grande gestor", "Caiado entende de segurança"). Atacar agora só os consolida; o objetivo é manter pontes para adesão ou neutralidade.
PinçaAgostoNegociação dura de bastidor: vice, ministérios, palanques estaduais. Quem aderir entra com honras. Agregadores de pesquisa divulgados semanalmente — a narrativa "só Flávio chega" se prova sozinha.
Voto útil explícitoSetembroPara quem não aderiu, o ataque nunca é ao candidato, é à inutilidade do voto: "voto em Zema é voto que não chega ao 2º turno." Pressão de baixo para cima: empresários, pastores e prefeitos cobrando publicamente a união da direita.
Pânico controladoÚltima semana"Faltam X pontos. Cada voto fora é um voto a menos contra Lula no 2º turno. Decida agora o que vai decidir em novembro."
TriboMedo centralMensagemMensageiro
Caiado / centrãoCaos institucional, perda de máquinaGovernabilidade e ordem: coalizão com o Congresso, federalismo respeitado, segurança como prioridade nacional.Governadores, presidentes de partido, prefeitos.
Zema / NovoDescontrole fiscal, populismo econômicoRegra fiscal por escrito, equipe de mercado anunciada antes do voto, privatização, Estado menor.Ministro da Fazenda anunciado, Zema, empresariado.
Renan / MBLSubmissão ao clã, corrupção dos dois ladosAnticorrupção estrutural sem fisiologismo; apoio a pautas do MBL no Congresso sem exigir genuflexão. Voto útil não é casamento.Vozes lavajatistas e influenciadores liberais — nunca a família.
Aécio / centro velhoRuptura, instabilidadeAlternância responsável: respeito às instituições, transição civilizada, nada de revanche.Elites empresariais e jurídicas de SP-MG.
Os 14% que anulamNão acreditam que Flávio governe / rejeitam o cardápio"Entendo sua decepção. Mas em novembro alguém vai governar sua vida. A abstenção não." Anular é votar em quem está na frente — verdade aritmética, sem culpar o eleitor.Vozes não-bolsonaristas: jornalistas independentes, pastores moderados. Antes: 12 grupos focais só com anuladores (SP, BH, Recife, POA) para saber se o veto é moral ou de capacidade — a resposta calibra tudo.
O inimigo interno tem nome: os intergalácticos — a direita limpinha que quer os votos de Bolsonaro sem o Bolsonaro e que, no 2º turno, pedirá nulo "por princípio". A aritmética que eles fingem não entender: nulo de eleitor antipetista sai dos válidos e aumenta o peso relativo do voto Lula — nulo de direita é meio voto no L. O delta de branco/nulo (9 → 14 entre os turnos) tem as digitais deles, e parte do centrão nem vai disfarçar: irá direto ao palanque governista. O antídoto não é sermão ao eleitor, é ponte: separar o eleitor do dono da tribo, tornar Zemula, Zemanco, Caiadula e Cassabaiadula socialmente impossíveis — e repetir até cansar que quem pede nulo contra Lula está pedindo voto para Lula com vergonha de dizer.
KPI — painel de guerraHojeSet/26Véspera 2ºTPor que importa
Rejeição Flávio56<50<47Métrica-mãe: destrava o pool órfão. Rejeição não cai com propaganda, cai com dissonância — debates em tom técnico, agenda social com Michelle, zero resposta a provocação.
1º turno Flávio293537+Antecipação do voto útil.
Branco/nulo no 2ºT1412<10Cada ponto convertido vale ~0,6 líquido pró-Flávio.
Razão de captura do pool externo1,8:12,2:12,5:1A física da vitória: 1,8:1 perde por um fio; 2,5:1 vence 49x43.
Nordeste — voto Flávio252932+Sangria: margem de -29 para -16 paga metade do gap nacional.
Independentes fora da escolha39%32%<25%O campo de batalha real.
Master no top-3 de menções espontâneassimnãonãoBlindagem funcionando.
Prefeitos NE neutros/aliados150250+Máquina desarmada.

Síntese executiva em uma frase: Lula está no teto (44 de um potencial de 45); Flávio está no piso (38 de um teto expansível). A eleição se vence baixando a rejeição de 56 para menos de 47 para destravar os 18 pontos órfãos, sangrando 13 pontos de margem no Nordeste via evangélicos-prefeitos-segurança, entregando SP e MG com Tarcísio e Zema como fiadores, e antecipando o voto útil para transformar o 2º turno num plebiscito sobre um governo que 48% do país já desaprova.

Estratégia legítima de campanha derivada de dados públicos registrados no TSE. Hipóteses de margem estadual (MG, SP) são inferidas dos recortes regionais publicados; valores de potencial/rejeição da terceira via são aproximações do dossiê.

Veredito

A Quaest não é gambiarra estatística, e fingir que é destruiria a credibilidade desta auditoria. É uma pesquisa operacionalmente forte, provavelmente a melhor do ciclo, embrulhada em três vícios que a indústria normalizou: margem de erro de fantasia, questionário-ônibus e publicação seletiva. Distinga-se com cuidado: o 39 x 29 e o 44 x 38 são números defensáveis dentro de uma margem que não é a divulgada. O que não é defensável é o público pagar o preço da opacidade de uma pesquisa que um banco pagou para fazer.

O que dá para afirmar

O desenho amostral declarado é o mais sério dos três relatórios analisados. Sexo, idade, região e escolaridade são defensáveis, com escolaridade praticamente colada na PNADC 2026T1. A diferença de Sudeste merece nota de rodapé, mas a reponderação regional quase não mexe no resultado. Em transferência, Flávio é o melhor consolidador do bloco anti-Lula, mas ainda deixa 18% fora da escolha.

O que não dá para afirmar

Não dá para provar manipulação, calcular efeito de desenho, auditar rake/MrP, reponderar cruzamentos ou medir house effect sem microdados, pesos, targets finais e matriz completa por subgrupo.

DimensãoNotaLeitura final
Aderência sexo/idade/região9/10Muito boa contra TSE. Sudeste fica 1,1 p.p. abaixo, mas reponderar região muda quase nada no 1º turno.
Escolaridade9/10Muito boa contra PNADC 2026T1; melhor que Atlas.
Renda8/10Pergunta boa e alinhamento razoável contra PNADC anual 2025 visita 1; o alvo ainda pende um pouco para renda alta. A direção favorece Flávio.
Desenho amostral8/10Domiciliar por setores é forte; falta efeito de desenho e pesos.
Margem de erro divulgada3/10±2 sob AAS para desenho em dois estágios com cotas e pós-estratificação. Sem deff publicado, a margem honesta é ±3 a ±3,5. É o vício mais antigo do setor, e a Quaest tem competência de sobra para não precisar dele.
Transferência de votos7/10Os marginais permitem balanço robusto: Flávio ganha 9 p.p., Lula 5 p.p. e 18 p.p. ficam fora da escolha. Falta matriz individual 1º→2º turno.
Questionário para voto principal8/10Vem cedo e protegido dos módulos mais carregados.
Questionário para narrativa pós-voto5/10Longo, reordenado no relatório e com omissões materiais.
Transparência pública6/10Relatório amplo, mas não integral. Sem microdados, sem pesos, sem targets finais, sem efeito de desenho.

Resumo brutal: entre Datafolha, Atlas e Quaest, a Quaest vence em desenho de campo e em aderência TSE/PNAD, e por isso mesmo carrega o ônus maior. Quem sabe sortear setor censitário sabe calcular efeito de desenho; escolheu não publicar. Quem registra 106 perguntas no TSE sabe quais aplicou; escolheu esconder as sobre trocar Flávio e sobre Trump. Quem cobra R$ 433 mil de um banco sabe quem é o cliente da fotografia completa. No mérito eleitoral, a pesquisa entrega à direita o seu mapa: Lula no teto, Flávio como melhor consolidador anti-Lula, 9 pontos de voto útil a antecipar e 18 pontos de órfãos a conquistar. A cobrança permanece, agora com endereço: publiquem o questionário inteiro com todos os resultados, os pesos finais, os targets, o efeito de desenho e a matriz 1º→2º turno. Pesquisa eleitoral registrada não é produto de prateleira de banco. É bem público com nota fiscal privada.

Fontes e cálculo

Relatório preparado em 10/06/2026 com PDFs locais fornecidos pelo usuário, bases TSE/PNAD atualizadas no repositório e comparação com os dossiês Datafolha e AtlasIntel existentes em docs/.

  • Relatório local: PESQUISA_GENIAL_QUAEST_JUN26.pdf, Pesquisa Genial/Quaest Nacional, junho/2026.
  • Questionário local: questionarioquaest.pdf, OP093/25, Pesquisa Genial Nacional - Junho/2026.
  • Registro TSE local: quaest_tse_metadata.pdf, pesquisa BR-07661/2026, registrada em 04/06/2026.
  • Recibo local: recibo.pdf, PesqEle/TSE, estatística Margarida Maria de Mendonça, CONRE 6731.
  • Nota fiscal local: notaquaest.pdf, NFS-e nº 353, Banco Genial, R$ 433.255,92.
  • Dossiê local comparativo: docs/datafolha_090526.html.
  • Dossiê local comparativo: docs/atlas_intel_180526.html.
  • TSE Eleitorado Atual consolidado no repo: data/outputs/tse_eleitorado_perfil.sqlite, geração 01/05/2026 às 06:48:31, Brasil sem exterior.
  • PNADC trimestral local: data/outputs/brasil.sqlite, tabela base_labeled_npv, base PNADC_012026.txt, peso V1028.
  • PNADC anual local: data/outputs/brasil.sqlite, tabela base_anual_visita1_labeled_npv, base PNADC_2025_visita1.txt, peso V1032.
  • Reponderação de renda: votos por faixa lidos da página 27 do relatório Quaest; alvos alternativos calculados com renda domiciliar total mensal em salários mínimos.
  • Reponderação regional: votos por região lidos da página 23 do relatório Quaest; alvo regional calculado com TSE Eleitorado Atual (data/outputs/tse_eleitorado_perfil.sqlite), Brasil sem exterior; Centro-Oeste/Norte tratado como bloco agregado porque é assim que o cruzamento foi publicado.
  • Transferência 1º→2º turno: marginais de 1º turno, cenários de 2º turno e recortes por posicionamento lidos das páginas 22, 34, 35, 36, 38 e 40 do relatório Quaest; a matriz por origem é hipótese política consistente com os marginais, não microdado observado.

Os PDFs foram resumidos e auditados; o texto integral não foi reproduzido. Imagens são recortes locais de páginas necessárias para comprovação visual da análise.