A apuração do 1º turno de 2026. A super thread, card a card.
Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno com 47,03% dos válidos contra 45,16% de Lula, 2,22 milhões de votos à frente. Esta é a thread do dossiê da apuração: a noite minuto a minuto, as paradas do arquivo nacional do TSE, a arquitetura, 2022 contra 2026, Câmara, Senado, assembleias e governadores, pesquisas contra urna, a auditoria por zona e por seção e, no fim, o 2º turno com as estratégias e as frases para conversar com o eleitor de terceira via.
Como usar. Cada card é a imagem do post, um quadrado que sai em 1080 por 1080 pixels; os PNGs prontos para anexar estão listados no fim da página. Embaixo de cada card está o texto do post, para X premium, com o botão de copiar. Nenhum número foi digitado à mão: todos saem dos arquivos de dados do dossiê, e o gerador recusa texto com algarismo solto, travessão, hashtag ou emoji. Onde há opinião da casa, o próprio texto diz juízo editorial.
Post 01/24 · O resultado
Arvor · Apuração 202601 / 24
O resultado
Flávio na frente em toda a noite. E uma noite que o TSE ainda não explicou.
47,03 × 45,16Flávio × Lula, % dos válidos, 499.248 seções
2092 caracteresO 1º turno de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro à frente: 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 de Lula, 45,16%. São 2.224.965 votos de diferença, 1,87 ponto. Flávio liderou em todas as 331 versões do arquivo nacional que traziam seções apuradas, da primeira à última. Não houve virada em nenhum minuto da noite.
A terceira via somou 9,32 milhões de votos, 7,81% dos válidos: Augusto Cury 2,89%, Renan Santos 2,24%, Ronaldo Caiado 2,18%. O comparecimento foi de 78,92%; 33,47 milhões de eleitores ficaram em casa. Flávio venceu em 15 UFs e Lula em 12.
Esta thread resume o dossiê da apuração da casa. Ele foi feito só com arquivos públicos do TSE, lidos e guardados versão a versão durante a noite, cada um com a hora em que o tribunal o gerou, a hora em que foi lido e a impressão digital SHA-256. Nada foi digitado à mão: cada número sai de um arquivo de dados que qualquer pessoa pode refazer.
As regras valem para a thread inteira. Verificado é número da urna ou de documento arquivado. Inferência é conta sobre medição publicada. Hipótese é suposição declarada, que pode estar errada. Quando a casa opina, o texto diz juízo editorial. E o achado que contraria a própria tese sai com o mesmo destaque, num post só para ele.
O que o dossiê prova, em poucas linhas. A vantagem de Flávio caiu de 10,6 para 1,9 pontos ao longo da noite pela ordem de chegada dos votos, não por virada. O arquivo nacional de presidente parou 3 vezes no pico, e por 29,1 minutos o TSE não gerou arquivo de resultado de cargo nenhum. As pesquisas erraram a diferença em +3,55 pontos a favor de Lula, como em 2022. Nenhuma das 50 zonas mais atípicas do país aponta para fraude. E o 2º turno começa com uma conta que favorece Flávio, desde que ele não perca a própria base.
Os quatro últimos posts tratam do 2º turno: a aritmética, as duas réguas que dizem onde trabalhar, o mapa da militância e as frases para conversar com quem votou em Cury, Renan, Caiado e Zema. Onde há opinião da casa, o texto diz juízo editorial. O dossiê completo, com fonte de cada número, está em brasil.arvor.co.
Post 02/24 · A noite
Arvor · Apuração 202602 / 24
A noite
A vantagem caiu. A liderança, nunca.
10,6 → 1,9pontos de vantagem, do pico às 18:10 até o fim
2214 caracteresOs primeiros votos apareceram às 17:21. Às 18:10, com 14,7% das seções somadas nos arquivos das UFs, Flávio tinha 10,6 pontos de vantagem. No fim, 1,9. Quem acompanhou a noite viu a vantagem derreter e pensou em virada. Ela não veio: Lula esteve à frente em 0 minutos.
Em votos, a vantagem máxima de Flávio foi de 5,62 milhões, às 19:14, justamente quando o arquivo nacional estava parado e o painel oficial não mostrava. Às 19:27, o Nordeste era 45,9% de tudo o que ainda faltava apurar no país. A conta do resto da noite estava escrita ali.
Por que a vantagem caiu? Porque as regiões não chegam juntas. Às 18:10, o Sul representava 27,5% dos votos apurados e terminou com 14,7% do total. O Nordeste representava 18,6% e terminou com 28,2%. O voto mais lulista do país chegou depois. A partir das 19:15, o Nordeste passou a pesar mais no que entrava do que pesa no país.
Medimos isso. A linha tracejada do gráfico recoloca cada região no peso final dos válidos, minuto a minuto: é a vantagem que Flávio teria se o país inteiro chegasse ao mesmo tempo. No pico, ela seria de 5,1 pontos, não 10,6. Da queda total de 8,8 pontos, 5,5 vêm da ordem de chegada das regiões, 62,5% do total. Os outros 3,3 vêm de dentro de cada região, porque ali também o voto de Lula chegou mais tarde.
O fim da noite confirma o desenho. Depois que o país passou de 99% das seções, às 21:14, entraram 5.157 seções, com Lula a 66,5% dos votos dos dois. Depois da meia-noite chegaram 15 seções e 3.562 votos válidos, Lula a 87,1%: aldeias, áreas ribeirinhas e municípios remotos, onde a mídia da urna viaja horas até o ponto de transmissão.
A leitura é simples. A curva que cai é a assinatura de um país que vota em lugares diferentes e transmite em velocidades diferentes. Não é sinal de fraude, e não é sinal de virada. É geografia com relógio. Quem usar a queda da noite como argumento, para um lado ou para o outro, está lendo a ordem de chegada como se fosse resultado.
Para o 2º turno vale o mesmo aviso. A apuração vai começar com o líder mais forte do que termina, porque Sul e Centro-Oeste chegam primeiro e o Nordeste chega por último. Quem comemorar cedo vai se assustar tarde, e quem se assustar cedo vai comemorar tarde.
Post 03/24 · A falha do TSE
Arvor · Apuração 202603 / 24
A falha do TSE
O arquivo nacional parou no pico. Por 29,1 minutos, nada foi gerado.
29,1 minsem nenhum arquivo de resultado, de 19:32:47 a 20:01:55
2083 caracteresVerificado nos arquivos públicos. O arquivo nacional de presidente, que alimenta o painel do TSE e os sites de notícia, parou 3 vezes no pico. De 18:00:33 a 18:10:48, 10,2 minutos. De 18:48:59 a 19:14:08, 25,1 minutos, enquanto as seções iam de 47,3% a 64,8%. E de 19:14:08 a 20:04:39, 50,5 minutos, de 64,8% a 85,0%.
Na parada mais longa, o coletor da casa leu o arquivo 101 vezes e recebeu 100 vezes a resposta de que nada tinha mudado. Às 19:14, a soma dos arquivos das UFs tinha 110.011 seções a mais que o arquivo nacional, 22,0% do país. O lote que destravou o painel trouxe 100.614 seções e 24,73 milhões de votos de uma vez.
Mais grave: de 19:32:47 a 20:01:55, o TSE não gerou arquivo de resultado de nenhum cargo, em nenhum nível. Nem presidente, nem governador, nem Senado, nem deputados; nem país, nem UF, nem município. O coletor fez 82.573 leituras nesse intervalo, 57.337 delas com a resposta de não modificado. Só os arquivos de andamento tiveram versão nova, 52 deles, numa única rodada.
O carimbo de recebimento que o TSE publica em cada seção some em 3 janelas que coincidem com as paradas: 18:01 a 18:08, 18:49 a 18:53 e 19:31 a 19:59. Antes da pausa geral, entre 19:22 e 19:31, os carimbos caíram para 35% do ritmo dos vinte minutos anteriores. É o desenho de uma fila perto da saturação: desacelera, para, volta em rajada.
Durante a parada longa, o painel nacional ficou congelado em 64,8% das seções enquanto os arquivos das UFs e o próprio andamento do TSE já avançavam. A resposta da casa, ao vivo, foi somar os arquivos das UFs e avisar na tela que o nacional estava atrasado. Quem olhava só o painel oficial via um país parado que não estava parado.
O presidente do TSE atribuiu o atraso a um congestionamento no sistema de divulgação e disse que a totalização não foi afetada. Os arquivos públicos não separam as duas coisas: ou a recepção parou de carimbar, ou o carimbo é aplicado por uma peça posterior que parou junto. Em qualquer caso, a parada não foi só de vitrine. A causa só o relatório técnico do TSE pode dar, e ele ainda não foi publicado.
Post 04/24 · A arquitetura
Arvor · Apuração 202604 / 24
A arquitetura
O volume era pequeno. Se houve gargalo, foi de desenho.
86 por segundoseções no pico do arquivo nacional
2124 caracteresEm 2020 o TSE centralizou a totalização num banco Oracle sobre equipamento Exadata, e uma nota técnica do próprio tribunal explicou a lentidão daquele ano: o plano de execução do banco tinha sido gerado com as tabelas vazias. A nota falava em mais de 1,0 milhão de linhas por minuto. Não há documento que diga qual banco rodou a totalização ou a divulgação em 2026. A explicação pelo banco, portanto, é hipótese do autor, e o dossiê a rotula assim.
O que sabemos é o volume. No pico, o arquivo nacional andou 5.163 seções por minuto, cerca de 86 por segundo. Isso dá 701.861 linhas de voto por minuto no auge, 70% do que a nota de 2020 citava, e 65 MB de boletins por minuto. Todos os boletins do país somam 6,1 GB. A parada mais longa represou 100.614 seções: 13,7 milhões de linhas e 1,2 GB.
Em 2022, o país inteiro chegou a 5.022 boletins por minuto às 19:30, sem parar, e a mediana entre receber e totalizar foi de 45 segundos. A publicação pesa mais do que a recepção: em 2026 o TSE gerou até 6.052 versões de arquivo por minuto, 262 MB por minuto. O banco do coletor da casa guarda 550.743 versões desses arquivos num computador de mesa.
Uma ressalva honesta: o portal do TSE limitou o acesso das ferramentas da casa durante a pesquisa, e o anexo da expansão do contrato com a Oracle, listado no portal de contratações, não foi lido. O que está acima é o que os documentos acessíveis provam, e nada além disso.
Juízo editorial. Volume assim cabe em qualquer banco atual. O desenho proporcional é conhecido: cada boletim entra uma vez num registro de eventos que só aceita acréscimo, separado por UF e encadeado por hash; leitores idempotentes processam esse registro; os totais crescem por soma, sem recálculo; e a publicação sai à parte, como fotografia assinada com o número do último evento. Banco distribuído não se justifica pelo volume, só por disponibilidade entre centros de dados.
Para encerrar o assunto, bastam três documentos do TSE: o desenho da totalização e da divulgação de 2026, o registro de eventos da noite com carimbo de recebimento, inclusão e geração de arquivo, e o relatório do incidente.
Post 05/24 · 2022 contra 2026
Arvor · Apuração 202605 / 24
2022 contra 2026
Flávio cresceu em quase todo lugar, e mais no interior.
7,10pontos que a margem andou para a direita desde 2022
2170 caracteresContra o 1º turno de 2022, Flávio fez +3,83 pontos e 5,03 milhões de votos a mais que Bolsonaro. Lula ficou −3,27 pontos e −3,38 milhões de votos abaixo de si mesmo. A margem andou 7,10 pontos para a direita. Flávio cresceu em 26 das 27 UFs e em 5.479 de 5.570 municípios. Lula aumentou a própria fatia em só 102 municípios.
A perda de Lula é do Centro-Sul: −3,14 milhões de votos, 92,8% da perda nacional. No Nordeste, −259 mil. O ganho de Flávio, ao contrário, é nacional: 32,0% dele veio do Nordeste, 1,61 milhão de votos. Na região, Flávio fez 30,85% dos válidos, acima até de Bolsonaro no 2º turno de 2022, que teve 30,66%.
O gráfico separa capitais e interior, e o padrão é o mesmo nas cinco regiões: Flávio cresceu mais no interior. No Nordeste, +4,36 pontos no interior contra +2,46 nas capitais, e Lula caiu −3,77 no interior contra −0,56 nas capitais. No Sudeste, +4,04 contra +2,84. No Sul, +5,89 contra +2,68, com Lula a −6,08 no interior. A eleição andou para a direita fora das metrópoles.
Esse é o dado que mais contraria a leitura comum da noite. A queda da vantagem durante a apuração fez parecer que o Nordeste tinha virado o jogo. Não virou. O Nordeste continua lulista, mas menos lulista do que em 2022, e no interior nordestino Flávio já passou a marca de Bolsonaro no 2º turno daquele ano.
A base de Flávio também ficou menos dependente de uma região. O Nordeste tem 28,3% dos válidos do país; ali estão 18,5% dos votos de Flávio e 39,9% dos de Lula. O voto de Lula é mais concentrado, e o de Flávio, mais espalhado.
O comparecimento ajudou a esconder o movimento. Contra o 1º turno de 2022, ele subiu +1,14 ponto no Nordeste e +1,51 no Norte, e caiu −0,78 no Centro-Sul. Nos municípios em que Lula teve de 70 a 100% em 2022, o comparecimento subiu +2,11 pontos, e mesmo assim Lula perdeu fatia ali. Mais gente votou onde ele era forte, e ele ainda caiu.
Limite: comparar Flávio com Bolsonaro e Lula com Lula mede saldo entre duas eleições, com candidatos e eleitores diferentes. Não diz quem trocou de voto. Contra o 2º turno de 2022, Flávio ainda está −2,07 pontos abaixo de Bolsonaro no país. É nessa distância que mora o 2º turno de 2026.
Post 06/24 · O exterior
Arvor · Apuração 202606 / 24
O exterior
No exterior, Lula vence e menos gente vai votar.
37,29%de comparecimento no exterior; em 2022, 43,72%
2059 caracteresO voto no exterior foi de Lula: 47,57% contra 43,49% de Flávio, uma margem de 13.487 votos. Não muda a conta nacional, mas mostra duas coisas que valem para o 2º turno. A primeira é o comparecimento. O eleitorado no exterior foi de 695.355 para 916.534, e a taxa de quem votou caiu de 43,72% para 37,29%. Mais gente inscrita, proporcionalmente menos gente na urna.
A segunda é que o exterior não é um bloco. Lula vence com folga na Europa, com 60,27% dos válidos. Flávio vence na América do Norte, com 54,60%; nos Estados Unidos, com 61,10%; e no Japão, com 71,76%. Ásia e Américas votam com Flávio; a Europa, com Lula.
No 2º turno de 2022, Bolsonaro teve 48,72% dos válidos no exterior. Flávio fez 43,49% agora, e a Ásia inteira deu a ele 62,35%. A distância para a marca de Bolsonaro existe, mas é menor do que o placar sugere: boa parte dela está na Europa, onde Lula é mais forte.
Portugal foi o país que mais andou para Flávio entre os que têm ao menos cinco mil votos válidos: ele fez 38,57%, +7,55 pontos sobre Bolsonaro nas mesmas cidades em 2022, enquanto Lula variou −7,94. É a maior comunidade brasileira votante fora do país e a que mais mudou.
Um detalhe técnico que confundiu a noite: o TSE grava a hora de totalização do exterior na hora local de cada cidade. Wellington e Tóquio apareceram como totalizadas no dia seguinte em arquivos gerados no próprio domingo, e o painel nacional exibiu essa data durante horas. Não é fraude nem erro de contagem; é fuso horário impresso sem conversão. Em Moscou, a votação foi em papel porque a urna não chegou a tempo, segundo o TRE do Distrito Federal.
Para o 2º turno, a lição é a mesma do Brasil: quem tem eleitor inscrito e não votou tem margem a buscar. No exterior, esse eleitor está espalhado em 186 cidades e depende de transporte e de agenda para votar.
Há mais eleitor parado no exterior do que margem a disputar: 574.768 inscritos não votaram, contra uma diferença de 13.487 votos para Lula. Votar fora exige ir até um consulado, às vezes em outra cidade, e quem organiza isso ganha voto.
Post 07/24 · A Câmara
Arvor · Apuração 202607 / 24
A Câmara
A direita ganhou 29 cadeiras. O bloco ainda não chega a três quintos.
292de 513 deputados são de direita ou centro-direita
2095 caracteresA Câmara eleita tem 292 deputados de direita e centro-direita, 137 de esquerda e centro-esquerda e 84 de centro, pela classificação de campo da casa. Em 2022 o bloco da direita tinha 272: andou +20. A esquerda e a centro-esquerda andaram −13. Só a direita, sem a centro-direita, ganhou 29 cadeiras e chegou a 173.
O número tem dois marcos. A maioria absoluta é de 257 deputados, e o bloco passa dela com folga. Os três quintos de uma emenda constitucional são 308, e o bloco fica abaixo. O PL terá 121 deputados, a maior bancada; o PT, 70.
Depois de PL e PT vêm União com 46, PSD com 43, Republicanos e PP com 41 cada, e MDB com 36. É nesse meio que se decide votação apertada. O centro, com 84 cadeiras pela classificação da casa, fica menor do que em 2022 e perde o poder de veto que tinha sobre qualquer maioria.
Votos e cadeiras andaram juntos. A direita teve 33,4% dos votos para a Câmara e ficou com 33,7% das cadeiras; a esquerda teve 26,3% dos votos. O deputado mais votado do país foi Nikolas Ferreira, com 3,12 milhões de votos, 27,2% dos válidos de Minas Gerais.
Na conversa, a tradução é simples. Quem votou num deputado de direita no domingo e ainda não decidiu o presidente já sabe com quem esse deputado vai querer governar. Não é argumento de propaganda; é argumento de mesa de cozinha, e funciona melhor do que qualquer vídeo.
Juízo editorial, a favor de Flávio. Um presidente Flávio começa com maioria nas duas Casas sem depender do centro; a fidelidade de partidos como PP, União e Podemos a essa maioria é hipótese, não número. Um presidente Lula governaria contra 292 deputados da direita e da centro-direita. Para o eleitor de centro que quer estabilidade, a composição já eleita é um argumento concreto.
Juízo editorial, achado contrário. O mesmo número serve a Lula: o eleitor que teme concentração de poder pode votar nele como contrapeso. A campanha de Flávio não deve vender a maioria como cheque em branco; deve vendê-la como fim do impasse. Limite: em a alocação ainda é provisória, feita pelo quociente, que reproduziu nome a nome as UFs que o TSE já fechou.
Post 08/24 · O Senado
Arvor · Apuração 202608 / 24
O Senado
O Senado de 2027 passa dos três quintos. E 10 nomes passaram Flávio.
52 de 81senadores de direita e centro-direita em 2027
2064 caracteresO Senado de 2027 soma os 27 eleitos em 2022 e os 54 eleitos agora. Direita e centro-direita terão 52 cadeiras, acima dos três quintos de 49. Esquerda e centro-esquerda, 17; o centro, 12. O PL terá 27 senadores, 19 eleitos neste domingo; o PT, 10.
O PL fez as duas vagas em 5 UFs: DF, MS, RJ, RO, SC. Algumas disputas foram decididas no detalhe: a segunda vaga do RN saiu por 0,16 ponto, 5.765 votos, e a do PA por 0,19. Um Senado com essa composição muda o que um presidente consegue aprovar, e também o que consegue barrar.
O Senado também mede quem puxa voto. Cada eleitor vota em dois nomes, então a comparação justa é com a parcela dos eleitores que escolheu cada candidatura. Nessa régua, em 10 UFs uma candidatura do bloco aliado alcançou mais eleitores do que Flávio na mesma urna: Ciro Nogueira (PI, +17,3), Styvenson Valentim (RN, +15,5), Rayssa Furlan (AP, +11,1), Arthur Lira (AL, +11,1), Lahesio Bonfim (MA, +5,6).
No agregado, as candidaturas do bloco aliado tiveram 53,25% da base de votos do Senado, contra 47,04% de Flávio nos válidos de presidente; são 1,97 votos de Senado do bloco para cada voto de Flávio. O PL sozinho ficou abaixo de Flávio em 23 UFs: o partido do candidato não é o palanque mais forte dele em quase lugar nenhum.
Leitura para o 2º turno. Os nomes que passaram Flávio estão concentrados no Nordeste e no Norte, onde ele perdeu. São senadores eleitos que conversam com um eleitor que vota na direita local e ainda não vota no presidenciável da direita. É o tipo de voto que nenhuma propaganda nacional alcança e que um palanque local pode alcançar.
A pergunta prática é se esses senadores vão subir no palanque. Alguns já estão com Flávio; outros ainda não declararam. Cada um que subir leva junto um eleitorado que a urna já mostrou existir, e que nenhuma pesquisa nacional enxerga.
Limite: mesma urna e cargos diferentes não dizem quem votou em quem. O vão é teto endereçável, nunca transferência certa. Parte de quem votou num senador aliado vota Lula por escolha, e alguns desses senadores ainda não declararam apoio.
Post 09/24 · As assembleias
Arvor · Apuração 202609 / 24
As assembleias
Nas assembleias grandes, a direita tem maioria em 7 de 11.
296de 613 deputados estaduais nas 11 maiores casas
2020 caracteresSomadas as 11 assembleias dos maiores colégios, direita e centro-direita elegeram 296 dos 613 deputados estaduais. Em 2022 eram 279. O bloco tem maioria sozinho em 7 casas: SP, MG, RJ, PR, GO, SC, DF.
São Paulo é o retrato mais nítido. A Assembleia tem 94 cadeiras: direita 35, esquerda 28, e o bloco da direita com a centro-direita soma 51. A direita sozinha ganhou +7 cadeiras. A deputada estadual mais votada do país foi Eduarda Campopiano, do PL paulista, com 1,96 milhão de votos.
Minas Gerais tem 77 cadeiras, com 28 da direita e 41 no bloco. A esquerda manda onde manda no voto presidencial: na Bahia tem 26 das 63 cadeiras; no Ceará, 27 das 46. O mapa das assembleias é quase o mapa de 2026 em escala menor.
Nas outras casas grandes, o bloco da direita fez 37 de 70 no Rio, 29 de 54 no Paraná, 26 de 40 em Santa Catarina, 23 de 41 em Goiás e 13 de 24 no Distrito Federal. No Rio Grande do Sul fica sem maioria própria, 27 de 55, e o centro, com 10, decide. Em Pernambuco, 19 de 49. Em Minas, o deputado estadual mais votado foi Bruno Engler, do PL, com 675.940 votos.
Por que isso importa para o 2º turno? Deputado estadual é o político mais próximo do eleitor depois do vereador. Tem base em poucas cidades, conhece liderança de bairro, de igreja e de associação, e foi eleito há poucos dias com voto dessas pessoas. Quem venceu agora pela direita tem motivo e meio para pedir voto em Flávio nas próprias bases.
Há também o argumento contrário, e ele vai aparecer. Assembleia de direita em estado grande muda a pauta local por quatro anos, e o eleitor de centro pode preferir equilíbrio em Brasília. É o mesmo raciocínio do contrapeso que vale para a Câmara. Deve ser respondido com proposta concreta, não com ataque.
Juízo editorial. A campanha que quiser o voto de interior precisa desses deputados no chão, não só no palanque. Limite: a classificação de campo é editorial da casa, e a de São Paulo ainda é provisória, feita pelo quociente; a fidelidade de cada deputado a Flávio é hipótese, não número.
Post 10/24 · Os governadores
Arvor · Apuração 202610 / 24
Os governadores
O vão estadual: onde o governador do lado de Flávio teve mais voto que ele.
+10,7pontos de Tarcísio sobre Flávio em São Paulo
2145 caracteresForam 20 governadores eleitos no 1º turno: 8 de direita, 4 de centro-direita, 5 de centro e 3 do PT. Há 2º turno em 7 UFs: AC, AM, DF, ES, RJ, RN, TO.
O vão estadual compara, na mesma urna, o governador com o presidenciável do mesmo lado. Em São Paulo, Tarcísio fez 62,65% e Flávio 51,93%: +10,7 pontos. Em Alagoas, JHC ficou +11,8 pontos acima. Em Mato Grosso do Sul, +8,5; em Minas, Cleitinho, +7,2; no Pará, +6,9. Do lado de Flávio, o governador teve parcela maior em 12 UFs e menor em 9.
Há vãos grandes que não são aliança. Na Paraíba, Lucas Ribeiro teve +31,2 pontos sobre Flávio, mas é de um governo aliado de Lula. No Maranhão e em Pernambuco, Eduardo Braide e Raquel Lyra ficaram +23,1 e +22,2 pontos acima de Flávio e não declararam apoio a ele. Ali o vão é teto, não palanque.
E há o sinal contrário, que precisa sair com o mesmo destaque. Moro, no Paraná, ficou −9,8 pontos abaixo de Flávio; Marcos Rogério, em Rondônia, −10,6; Mailza, no Acre, −14,8. Do lado de Lula, os governadores do PT também ficaram abaixo do presidenciável: Elmano no Ceará, −10,1; Jerônimo na Bahia, −10,4; Cadu de Lula no Rio Grande do Norte, −23,6. Onde o governador tem menos voto que o presidenciável, ele é palanque, não reserva.
Juízo editorial: os 2º turnos estaduais são palanque pronto. No Rio, Douglas Ruas teve 49,27% contra 42,76% de Eduardo Paes, aliado de Lula. No Distrito Federal, Celina Leão ficou com 49,93%; no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini com 49,65%; no Tocantins, Professora Dorinha com 45,52%. Moro venceu no Paraná com 50,10%, no limite. Casar a campanha do governador com a do presidente nessas UFs é a forma mais barata de levar o eleitor de volta à urna.
Onde não há 2º turno estadual, o governador eleito tem menos motivo para fazer campanha agora. Pedir a ele um dia de rua com Flávio custa pouco e rende justamente onde o vão é positivo.
Rótulo obrigatório: o vão é teto endereçável, nunca transferência certa. Mesma urna, cargos diferentes. Parte do eleitor de Tarcísio vota Lula por escolha, e isso foi medido em pesquisa antes do 1º turno. O que o vão diz é onde vale a pena levar o governador para a rua com Flávio.
Post 11/24 · Pesquisas contra urna
Arvor · Apuração 202611 / 24
Pesquisas contra urna
As pesquisas erraram para o mesmo lado de 2022.
+3,55pontos de erro comum na diferença, a favor de Lula
2166 caracteresA média das últimas ondas de 13 institutos dava Lula +1,68 pontos à frente nos válidos. A urna deu Flávio 1,87 à frente. O erro comum na diferença foi de +3,55 pontos a favor de Lula, com mediana de +4,04. Em 2022, a mesma conta tinha dado +3,92. Duas eleições, o mesmo lado. 10 das 13 casas superestimaram Lula, e 7 erraram além da própria margem.
Os mais próximos da urna foram Futura e Gerp, com erro de −0,24. Proximidade numa eleição não é acerto: com a dispersão observada, a chance de ao menos uma casa cair a meio ponto da urna só por acaso era de 60%. É uma observação, não uma prova de método.
O modo de coleta pesa. As 4 casas presenciais erraram em média +4,18 pontos; as 7 por telefone, +3,76; as 2 online, +1,54. E o efeito de casa medido antes da eleição, que ordena os institutos entre si, tem correlação de 0,88 com o erro final: quem já puxava para Lula antes da urna foi quem mais errou.
A estrela da casa, a reponderação por renda pela régua da PNAD, passou no teste. No agregador, o erro foi de +4,25 pontos para +2,43 depois de trocar a renda declarada pela do IBGE. Das 10 últimas ondas que permitiam a conta, 7 andaram para perto da urna.
O que esperar das pesquisas de 2º turno: se o padrão se repetir, elas vão subestimar Flávio de novo. A casa não corrige pesquisa pelo erro passado; publica a medição e o erro histórico lado a lado, como cenário nas duas direções.
A central da casa, publicada na véspera, dava Flávio 45,26% e Lula 45,12% nos válidos: erro de +1,72 na diferença, menor que o de 9 dos 13 institutos. Ela dava 52% de chance de Flávio na frente: empate técnico, nunca aposta. A urna caiu no percentil 77 da simulação. No Senado, a nota de Brier foi 0,057, contra 0,146 de quem chutasse ao acaso, e os dois mais prováveis levaram 42 das 54 vagas. Nos governos, a casa acertou o líder em 24 UFs e esperava 17,6 decisões no 1º turno; vieram 20.
Limite: nada disso prova intenção de instituto. Prova que o erro tem lado e se repete, e que a régua de renda corrige parte dele. Para o 2º turno, a regra da casa continua: manchete que diz que alguém lidera precisa passar na margem da diferença e na troca da renda pela PNAD.
Post 12/24 · O voto útil
Arvor · Apuração 202612 / 24
O voto útil
O voto útil explica quatro décimos do erro. O resto foi movimento.
41%do erro das pesquisas explicado pela consolidação
2048 caracteresAs pesquisas finais davam 12,14% dos válidos à terceira via. A urna deu 7,81%. Renan Santos perdeu −1,38 pontos entre a média das pesquisas e a urna; Caiado, −1,20; Cury, −0,69; Zema, −0,63. Flávio ganhou +3,94 pontos sobre a média das pesquisas, e Lula, +0,39.
Em proporção, Zema perdeu 70% do que tinha nas pesquisas; Renan, 38%; Caiado, 35%; Cury, só 19%. Renan e Caiado, juntos, respondem por 32% e 28% de toda a queda da terceira via. O eleitor de Cury foi o que mais ficou onde estava, e é por isso que ele é o maior bloco a disputar no 2º turno.
Medimos o que os próprios institutos tinham publicado: quanto cada finalista subia do 1º para o 2º turno na mesma amostra. É a reserva de 2º turno. A urna revelou, já no 1º turno, 61% da reserva de Flávio, na mediana das casas, e 12% da de Lula. O voto útil foi quase todo para um lado.
Quanto disso explica o erro das pesquisas? Aplicando a matriz de transferência da Nexus ao que a terceira via perdeu, a consolidação responde por 1,46 dos +3,55 pontos de erro na diferença: 41%. Com outras hipóteses para a matriz, a fatia vai de 27% a 52%. O resto é deslocamento entre os finalistas que os dados agregados não separam: efeito de casa, movimento tardio, comparecimento diferente do previsto.
A lição para o 2º turno é direta. O eleitor de terceira via já mostrou que se move, e se move para Flávio quando entende que o voto dele decide. Renan perdeu mais da metade do que tinha nas pesquisas para a urna sem que ninguém precisasse convencer esse eleitor de nada. A conversa do 2º turno começa com quem já está a meio caminho.
Há o achado contrário. A reserva de Lula, o quanto ele subia do 1º para o 2º turno nas pesquisas, ficou quase toda guardada: a urna revelou só 12% dela. Esse voto ainda existe e vai aparecer no 2º turno. A campanha de Flávio não pode fazer a conta como se a reserva de Lula tivesse evaporado.
Limite: a decomposição usa médias de pesquisas, não eleitores identificados. A matriz da Nexus é de setembro e nacional. O número certo é uma faixa, e a faixa é larga.
Post 13/24 · Anomalias por zona
Arvor · Apuração 202613 / 24
Anomalias por zona
As 50 zonas mais estranhas do país. Nenhuma aponta para fraude.
34 de 50têm explicação comum; 16 pedem checagem local
2140 caracteresProcuramos o estranho de propósito. Cada uma das 6.106 zonas eleitorais recebeu um escore de atipicidade feito por quatro métodos independentes: escore robusto dentro da UF, distância de Mahalanobis robusta, Isolation Forest e LOF. As variáveis: quanto Flávio e Lula andaram contra 2022, o resíduo da zona depois de tirar a UF e a vizinhança, comparecimento, brancos e nulos, terceira via, crescimento do eleitorado e a hora em que a zona fechou.
Das 50 mais atípicas, 34 têm explicação comum. Zona pequena, onde poucos votos mexem muito. Eleitorado que cresceu 39,9% desde 2022, como em Tibau, no Rio Grande do Norte, por transferência de título. Caiado com 32,3% em Guarani de Goiás. Cury com 17,3% em Colina, a cidade natal dele. E padrão regional, quando as zonas vizinhas também estão no topo.
Um cuidado de método evitou alarme falso: 39 zonas redesenhadas desde 2022 receberam a base de comparação pelo local de votação, e a hora de fechamento foi corrigida para o fuso de cada lugar. Sem isso, o Acre e o oeste do Amazonas pareceriam atrasados em até duas horas, e zonas novas pareceriam ter mudado de voto do nada.
As outras 16 ficam como hipótese de política local, a checar seção a seção: prefeito forte, candidatura estadual da região, liderança. Em Queimada Nova, no Piauí, brancos e nulos chegaram a 10,1% dos votos. Nenhuma das 50 tem o desenho que a fraude deixaria: urna isolada fora do padrão do próprio lugar sem nenhuma outra explicação. A lista é estável: com outra semente do Isolation Forest, 49 das 50 continuam no topo.
Testamos também as zonas que fecharam muito depois da própria UF. São 102. Nelas a margem andou +10,65 pontos para Flávio, contra +7,33 nas demais, mas a UF explica quase tudo: o andamento médio das UFs dessas zonas foi de +9,70. Depois de descontar UF e vizinhança, o resíduo médio é +0,11 nas tardias e +0,16 nas demais. Atraso não move voto.
O que fecharia cada caso é documento: ata da mesa, registro da urna e boletim de ocorrência, se houver. A lista completa, com o motivo de cada zona, está no dossiê. Quem tiver informação local sobre alguma delas pode conferir com o próprio olho.
Post 14/24 · Seções de 90%
Arvor · Apuração 202614 / 24
Seções de 90%
As seções de 90% de Lula são enclaves que já votavam assim em 2022.
2.021 de 2.441seções de 90% de Lula que já davam 90% a ele em 2022
2096 caracteresAbrimos os 497.890 boletins de urna, seção por seção. Em 3.686 seções Lula teve 90% ou mais dos válidos, 0,74% do total, com 873.711 eleitores aptos. Flávio passou de 90% em 186. Com 100% dos válidos para um só nome, são 38 seções de Lula e 2 de Flávio. O número chama atenção nas redes. O dado explica.
Primeiro, o lugar. Essas seções estão em zonas que já votam muito em Lula: a mediana do resto da zona é de 76,3% para ele. A seção de 90% fica, tipicamente, 17,1 pontos acima da própria zona. Em locais com nome de aldeia ou escola indígena, 565 das 1.428 seções deram 90% ou mais a Lula, 39,6% do tipo. Em zona rural, 2.659.
Por UF, o MA é onde essas seções mais pesam: 865 seções de 90% de Lula, 4,78% das seções do estado. São comunidades indígenas e ribeirinhas que votam em bloco há muitas eleições.
Segundo, a história. Casamos com 2022 as seções que mantiveram número e local. Das 2.441 seções de 90% de Lula que existem nos dois anos, 2.021 já davam 90% ou mais a ele no 1º turno de 2022, e 2.425 davam 80% ou mais. A mediana de 2022 nessas seções foi de 93,3%. Não surgiu nada novo: são enclaves que votam assim há pelo menos duas eleições.
Do lado de Flávio, o desenho é outro e merece o mesmo destaque. Das 124 seções de 90% dele que existem nos dois anos, só 27 já davam 90% a Bolsonaro no 1º turno de 2022; a mediana era 85,6%, e subiu +6,2 pontos. Os enclaves de Flávio são mais novos e menores. Acima de 95%, são 851 seções de Lula e 22 de Flávio.
Terceiro, os sinais clássicos de manipulação não aparecem. Seções com comparecimento acima de 100% dos aptos: 0. Com exatamente 100%: 15, quase todas minúsculas. Seções com 200 votantes ou mais e nenhum voto em Lula: 0. Nenhum voto em Flávio: 17, das quais 14 no Amazonas, em comunidades remotas.
O que não sabemos: por que cada enclave vota assim. Lealdade histórica, liderança comunitária, pressão local ou compra de voto são hipóteses diferentes, e o boletim não separa uma da outra. O que os separaria é documento: ata da mesa, fiscais presentes e registro da urna. Nas seções de maior peso, vale ter fiscal no 2º turno.
Post 15/24 · Os grupos de seções
Arvor · Apuração 202615 / 24
Os grupos de seções
Pedimos grupos ao algoritmo três vezes. Na terceira, ele mediu o eleitorado.
0,41V de Cramér entre grupo e região; antes, 0,21 e 0,24
2181 caracteresUma técnica comum de auditoria é pedir a um algoritmo que agrupe as seções pelo perfil de voto e procurar o grupo que foge do esperado. Usamos uma mistura gaussiana de cinco grupos e precisamos de três tentativas até ela medir o que interessa. Contamos as três, porque as duas primeiras ensinam a ler esse tipo de gráfico.
A primeira usou 15 partes de cada seção em logaritmo: as doze candidaturas, brancos, nulos e abstenção. 42,7% das células eram zero, porque a maioria das seções não dá voto às nanicas, e o algoritmo agrupou as seções por ter ou não ter voto nelas. A associação entre grupo e região ficou em 0,21, perto de nenhuma.
A segunda usou só Lula, Flávio, brancos, nulos e abstenção, ainda em logaritmo. Com mediana de 4 brancos e 7 nulos por seção, o logaritmo deu a esses poucos votos o mesmo peso de Lula e Flávio. Três dos cinco grupos foram seções sem branco, sem nulo ou com o mesmo número dos dois. Associação com a região: 0,24.
A terceira, a publicada, usa as mesmas cinco variáveis como fatias do eleitorado, sem logaritmo, como o pedido original. Aí quatro brancos contra oito são um ponto do eleitorado e não mandam em nada. A associação com a região sobe para 0,41, e com a UF, 0,45. Os grupos: Lula muito alto, com 122.721 seções e 72% delas no Nordeste; nulos muito altos, com 81.015 seções e 45% delas no Nordeste; abstenção muito alta, com 7.355 seções e 41% delas no Sudeste; terceiros altos, com 94.896 seções e 38% delas no Sudeste; Lula baixo, Flávio alto, com 191.903 seções e 57% delas no Sudeste.
O grupo mais atípico é o 3, com 7.355 seções e abstenção média de 35% do eleitorado; 18% das seções dele ficam no exterior. É o grupo da abstenção, não de um candidato.
O achado que contraria quem procura novidade: na disputa entre Lula e Flávio, os grupos não acrescentam ao mapa por zona. A zona sozinha explica 83% da variação de Lula entre seções; sabendo a zona, o grupo soma 2 pontos a isso. O que ele acrescenta está em brancos (16 pontos) e nulos (11), que variam dentro da própria zona.
Das 32 partidas do algoritmo, rodadas numa amostra de 150 mil seções, 20 chegaram ao mesmo melhor resultado. Nenhum grupo aponta irregularidade.
Post 16/24 · O modelo de urna
Arvor · Apuração 202616 / 24
O modelo de urna
Urna nova contra urna velha: menos de um ponto, e o sinal muda.
0,73pontos, o maior efeito em módulo entre as quatro réguas
2212 caracteresA pergunta circulou na noite: a urna mais nova vota diferente da mais velha? O boletim de cada seção diz qual modelo foi usado, e isso permite medir. Mas a comparação ingênua engana, porque os modelos não são distribuídos ao acaso: o TRE escolhe onde vai cada um. Por isso usamos quatro réguas, cada uma controlando uma coisa diferente.
Dentro da mesma zona, a urna mais nova dá a Flávio −0,73 ponto em relação à mais velha, com intervalo de −1,03 a −0,44, em 531 zonas. No mesmo prédio, +0,11, de +0,02 a +0,20, em 7.899 locais. Com a linha de base da própria seção em 2022, +0,22, de +0,14 a +0,31, em 443 zonas. E nas mesmas seções que trocaram de urna velha para nova entre 2022 e 2026, −0,14, de −0,26 a −0,03, em 379 zonas.
As quatro ficam abaixo de um ponto, e o sinal muda conforme o controle: duas a favor de Flávio, duas contra. Um efeito da máquina apareceria com o mesmo sinal nas réguas que controlam o lugar, porque a máquina é a mesma onde quer que esteja. O que muda de sinal com o controle é a alocação: quem recebeu urna nova dentro de cada zona.
Leitura: não há efeito do equipamento detectável. Há diferença de lugar, e o documento que a resolve é o plano de alocação de urnas de cada TRE, que diz por que uma seção recebeu um modelo e não outro. É um documento público e deveria vir junto com o resultado.
Em 2022 a mesma régua, dentro da zona, deu ao modelo mais novo daquela eleição +1,41 ponto a Bolsonaro, intervalo de +0,84 a +2,00, em 264 zonas. Se a máquina favorecesse alguém, seria o candidato da direita em 2022 e da esquerda em 2026 dentro da zona. Não faz sentido; alocação faz.
A régua bruta, sem controle nenhum, é a que engana. Ela dá −1,42 ponto dentro de cada par de modelos, quase o dobro da régua dentro da zona, porque urna nova vai mais para cidade grande e cidade grande vota diferente do interior. Quem publicar a diferença bruta como efeito da máquina está medindo geografia.
Limite: intervalo de confiança mede incerteza de amostra, não viés de alocação. As réguas de 2022 dependem do casamento de seções pelo número e pelo local, que perde parte delas. Nada aqui substitui a auditoria do código e dos equipamentos que o TSE já faz com partidos e instituições.
Post 17/24 · Fechamento tardio
Arvor · Apuração 202617 / 24
Fechamento tardio
A seção que fecha tarde vota mais em Lula. Já votava em 2022.
+2,55pontos de Lula por hora de atraso, dentro da zona e com controles
2169 caracteresCada boletim de urna grava a hora do último voto. Na hora de encerrar, quem está na fila recebe senha e vota depois, e algumas seções votam até a noite. Sem controle nenhum, Lula teve 42,3% dos válidos nas seções que fecharam de 17:00 a 17:30, 53,2% de 17:30 a 18:00, 58,6% de 18:00 a 19:00 e 67,3% depois de 19:00. A correlação é forte e fácil de usar mal.
Com controles, ela encolhe. Sem controle, cada hora de atraso vem com +12,56 pontos de Lula. Dentro da mesma zona, +2,24. Dentro da zona, com tamanho da seção e tipo de local, +2,55, intervalo de +2,40 a +2,69. Sobra 20,3% da correlação bruta. E o padrão não nasceu agora: a seção que chega tarde ao TSE vota mais em Lula do que a própria zona em +2,6 pontos em 2022 e +3,0 em 2026.
O atraso é, antes de tudo, tamanho e distância. Com quatrocentos eleitores ou mais, 31,0% das seções fecharam às 18h ou depois; com menos de duzentos, 0,2%. Há 198 municípios no décimo mais tardio do país nos dois anos, 3,5 vezes o esperado por acaso, e 2.418 locais de votação que atrasam sempre, 68,4% deles em zona rural, assentamento ou quilombo, contra 27,7% no conjunto.
Por UF, as que mais fecharam às 18h ou depois foram AL, com 33,0% das seções, PE, com 29,0%, e BA, com 24,7%. Na outra ponta, RO, com 0,3%. O mapa do atraso é o mapa da distância e da seção grande, e coincide com o mapa do voto em Lula. Daí a correlação bruta.
O que sobra dentro da zona existe e é positivo para Lula. O boletim não diz por quê. Fila, identificação lenta, mesário que vota no lugar de ausente e boca de urna são hipóteses diferentes, e só a ata da mesa e o registro da urna, com cada habilitação e sua hora, separam uma da outra. Hipótese não é achado.
Para o 2º turno, a mesma ordem vale: essas seções vão chegar por último ao TSE, com voto mais lulista, e vão encurtar a vantagem de quem lidera cedo. É esperado e não é sinal de nada.
Juízo editorial. A providência barata é pôr fiscal de partido nas seções que historicamente fecham tarde, onde a fila depois do horário e a mesa ficam sem testemunha. A lei permite que um mesmo fiscal cubra mais de uma seção do mesmo local, e os 2.418 locais persistentes somam 7.133 seções.
Post 18/24 · A lentidão
Arvor · Apuração 202618 / 24
A lentidão
Com as paradas e tudo, 2026 foi mais rápido que 2022 em todas as UFs.
27 de 27UFs que passaram de 99% das seções mais cedo que em 2022
2065 caracteresUma pergunta justa depois das paradas: a apuração de 2026 foi lenta? Comparamos com 2022, UF por UF, pela hora em que cada uma passou de 50%, 90% e 99% das seções totalizadas. No marco de 99%, 27 das 27 UFs chegaram mais cedo em 2026. O país passou de 50% às 18:48, contra 19:35 em 2022; de 90% às 20:17, contra 20:30; de 99% às 21:14, contra 22:14.
O recebimento dos boletins também andou mais rápido. A mediana de chegada ao TSE foi às 18:45, contra 19:34 em 2022, e depois das 19h chegaram 39,6% das seções, contra 74,5% quatro anos antes. A contagem chegou mais cedo. O que travou foi a publicação.
A cauda também encurtou. Em 2022, a última seção do país só entrou no arquivo às 10:27 (+2), contando os dias depois da eleição. Em 2026, às 02:59 (+1). As últimas seções são sempre as mesmas: aldeias, comunidades ribeirinhas e municípios onde a mídia da urna viaja de barco ou de avião até o ponto de transmissão.
O Distrito Federal, primeiro a fechar nos dois anos, chegou a todas as seções às 20:12 em 2026, contra 20:36 em 2022. A melhora é geral, das UFs mais rápidas às mais lentas.
A ordem das UFs quase não muda de um ano para o outro: a correlação de postos entre 2022 e 2026 é de 0,90. As lentas são lentas sempre. Há 12 UFs no grupo das mais lentas nos dois anos: AL, AM, BA, CE, MA, MG, PA, PE, PI, RJ, RN, SP. São estados grandes, de interior extenso, com seções em lugares onde a mídia da urna viaja horas até o ponto de transmissão.
Por isso a frase certa sobre a noite é mais precisa que as duas versões que circularam. Não é verdade que a apuração de 2026 foi lenta; ela foi mais rápida que a de 2022. Também não é verdade que tudo correu normalmente: o painel nacional parou no pico e houve meia hora sem arquivo de resultado de cargo nenhum. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.
Para o 2º turno, a previsão razoável é a mesma ordem de chegada: Sul e Centro-Oeste primeiro, Nordeste e Norte no fim. A vantagem de quem lidera nas primeiras horas vai cair outra vez. Quem souber disso antes não vai se assustar nem comemorar cedo.
Post 19/24 · Os limites
Arvor · Apuração 202619 / 24
Os limites
O que os dados provam, o que inferem e o que não provam.
−2,07pontos que Flávio ainda está abaixo de Bolsonaro no 2º turno de 2022
2033 caracteresUma auditoria séria publica o que contraria a própria tese com o mesmo destaque. Aqui vai a lista. Primeiro, o achado contrário mais importante: Flávio ainda está −2,07 pontos abaixo de Bolsonaro no 2º turno de 2022, e o estoque de eleitores de 2022 que Lula pode recuperar é 2,84 vezes o de Flávio: 7,05 milhões contra 2,48 milhões. Quem tem mais voto antigo para buscar é Lula.
Segundo, a seção que fecha tarde vota mais em Lula mesmo com controles, +2,55 pontos por hora dentro da zona. Isso não prova irregularidade, mas também não some. Terceiro, 16 zonas atípicas continuam sem explicação estrutural e pedem checagem local. Quarto, a causa da pausa geral do TSE não está nos dados públicos; o carimbo de recebimento pode ser aplicado por uma peça posterior à recepção.
O que os dados não provam: fraude, em nenhum nível. Nenhum teste que fizemos, por zona, por seção, por modelo de urna ou por hora, mostrou o desenho que a fraude deixaria. Também não provam quem trocou de voto entre 2022 e 2026, porque saldo agregado não identifica eleitor. E não provam o resultado do 2º turno.
O que é hipótese declarada: o gargalo no banco da totalização; a política local nas zonas atípicas; fila e mesário nas seções tardias; e, no 2º turno, a matriz nacional de transferência aplicada a cada cidade, como se o eleitor de Cury em Salvador votasse igual ao de Cury em Joinville. As matrizes são de setembro, de institutos que erraram a diferença em +3,55 pontos.
A classificação de campo também é escolha declarada da casa, não fato da natureza. Tucano conta como centro-esquerda; PP, União e Podemos como centro-direita; PSD e MDB como centro, com exceções por candidatura escritas no código. Quem classificar diferente vai chegar a blocos um pouco diferentes, e o dossiê mostra os números por partido para isso.
Na Câmara, a alocação em ainda é provisória. A régua de 2022 é uma eleição só, com outra terceira via. Tudo isso está no dossiê com o rótulo certo. Quem quiser derrubar uma conclusão encontra lá o caminho para tentar.
Post 20/24 · Confira você mesmo
Arvor · Apuração 202620 / 24
Confira você mesmo
Cinco passos para conferir qualquer número desta thread.
550.743versões de arquivos do TSE guardadas durante a noite
2061 caracteresNada nesta thread pede confiança. Pede conferência. O coletor da casa leu os arquivos públicos do TSE a noite inteira e guardou 550.743 versões, cada uma com a hora em que o tribunal a gerou, a hora em que foi lida e a impressão digital SHA-256. O arquivo nacional de presidente teve 332 versões; a final começa com a impressão 07c3cc03e99e317e.
Primeiro passo: baixe do TSE o arquivo nacional final e confira a impressão digital. Segundo: some os arquivos das UFs e compare com o nacional ao longo da noite; no pior minuto, às 19:14, a diferença foi de 110.011 seções. Terceiro: abra os boletins de urna seção a seção. São 499.187 boletins entre 517.179 seções do cadastro, porque seções agregadas votam no boletim da principal.
Quarto: compare com 2022 nos arquivos do próprio TSE, município a município. São 5.570 municípios com os dois anos completos. Quinto: rode os scripts do dossiê. Cada capítulo tem um script que lê o banco e grava um arquivo de dados; a página e esta thread só leem esses arquivos. Se um número estiver errado, o erro está num lugar que você pode apontar.
Também publicamos o que ficou de fora e por quê. 1.297 seções em três zonas foram excluídas da análise seção a seção porque o TSE não publicou o boletim de algumas seções que o arquivo da zona conta como totalizadas; 61 seções principais não têm boletim. O contexto da noite tem 76 itens, entre documento oficial, imprensa e relato, cada um com o degrau de evidência.
O que não fazer com esta thread: não recorte um card sem o rótulo, não troque inferência por verificado e não use a queda da vantagem durante a noite como prova de nada. Print de painel sem hora de geração não serve para auditoria; o arquivo do TSE tem a hora impressa e a impressão digital, e é ele que vale.
Checklist do leitor para qualquer auditoria, nossa ou dos outros: de onde veio o número; quem gerou o arquivo e quando; se dá para refazer a conta; o que ficou de fora; o que contraria a tese; e se o texto diz quando é opinião. Se uma auditoria não passa nessas seis perguntas, não compartilhe.
Post 21/24 · 2º turno: a conta
Arvor · Apuração 202621 / 24
2º turno: a conta
A conta favorece Flávio. O perigo está em casa.
61,94%de toda a terceira via que Lula precisaria para virar
2139 caracteresFlávio sai do 1º turno com 2,22 milhões de votos de vantagem. A terceira via teve 9,32 milhões. Para virar só com esses votos, Lula precisaria de 61,94% de todos eles, se todos votassem. Entre os que escolhem um dos dois, precisaria de 67,35%. A matriz de transferência da Nexus, a única com uma linha para cada candidatura, mede 36,98%.
Aplicada a matriz, só com o que foi medido, Flávio vai a 51,67% dos válidos contra 48,33%, margem de 3,90 milhões de votos. Nas seis combinações de matriz e hipótese que testamos, a margem vai de 3,90 milhões a 5,42 milhões. Mesmo que toda a não escolha da terceira via, 2,90 milhões de votos, fosse para Lula, Flávio ainda teria 992 mil de vantagem. Se cada voto de terceira via rendesse o que rendeu entre os turnos de 2022, Flávio teria 52,52%.
Onde está o risco, então? Na base e no comparecimento. A margem central some se 3,47% dos eleitores de Flávio no 1º turno votarem em Lula, ou se 6,94% deles ficarem em casa. E Lula tem mais eleitor antigo para buscar: o estoque de 2022 que ele pode recuperar soma 7,05 milhões, contra 2,48 milhões de Flávio. O caminho de Lula é trazer quem faltou; foram 33,47 milhões de ausentes.
Juízo editorial: a campanha de Flávio é de defesa. Primeiro movimento, não deixe nenhum voto em casa. Comece pela própria rede: pais, avós, tios, vizinhos, igreja, trabalho. Pergunte se votaram no dia do 1º turno. Se não votaram, pergunte por quê. Quem acha que já está ganho é o eleitor mais perigoso do Flávio.
Onde está esse voto em casa? Contra o 1º turno de 2022, o comparecimento caiu −0,78 ponto no Centro-Sul, onde Flávio é mais forte, e subiu +1,14 no Nordeste. É a direção errada para ele. Trazer o eleitor do Centro-Sul de volta vale mais do que convencer um indeciso.
Depois, resolva o que for prático: consultar o local de votação no aplicativo e-Título, separar um documento oficial com foto, combinar a carona da família, acompanhar quem tem setenta anos ou mais e não é obrigado a votar. Carona de parente ou vizinho pode. Transporte organizado de eleitores, ou qualquer vantagem em troca de voto, é crime eleitoral. Não dê munição para o outro lado.
Post 22/24 · 2º turno: onde trabalhar
Arvor · Apuração 202622 / 24
2º turno: onde trabalhar
Duas réguas, um mapa: onde a conversa rende e onde não rende.
60 de 100municípios prioritários que as duas réguas confirmam
2020 caracteresPara saber onde o voto de terceira via rende, usamos duas réguas independentes. A régua das pesquisas aplica a matriz de transferência a cada município: dá a Flávio um saldo de 1,66 milhão de votos pela Nexus, ou 2,14 milhões com as linhas do Datafolha para Cury e Caiado. A régua da urna olha para 2022: quanto cada voto de terceira via do 1º turno rendeu a Bolsonaro entre os turnos, com efeito fixo de UF. Ela dá 448 mil, com intervalo de −167 mil a 1,15 milhão.
As duas discordam no tamanho e concordam no lugar. Onde Flávio venceu com folga no 1º turno, cada voto de terceira via rendeu a Bolsonaro +0,15 em 2022, intervalo de +0,08 a +0,23. Onde Flávio perdeu com folga, rendeu −0,12, intervalo de −0,24 a −0,03: negativo. A matriz nacional não sabe onde o eleitor mora. A urna sabe.
Cruzando as duas réguas, 60 dos cem municípios prioritários pela pesquisa também estão entre os cem da urna. Esses robustos guardam 2,26 milhões de votos de terceira via. No topo da lista combinada estão Brasília, Curitiba, Manaus, Rio de Janeiro, Campinas, Campo Grande, São José dos Campos, Sorocaba, Uberlândia, Contagem. Em Brasília, o saldo esperado vai de 24.262 a 28.154 votos, conforme a régua.
A lista completa, com os cem municípios, o piso e o teto de cada um e os dez primeiros de cada UF, está no dossiê.
Juízo editorial. Concentre a conversa olho no olho onde as duas réguas concordam: capitais e cidades grandes do Centro-Sul, onde Flávio venceu e a terceira via é grande. Onde Lula venceu com folga, a militância de rua rende pouco por voto; ali o trabalho é de rede social, de palanque local e de mídia regional. E não gaste energia em Goiás antes de medir o eleitor de Caiado, porque as duas medições nacionais discordam de lado.
Limite: a régua da urna é inferência ecológica, de agregado para agregado, numa eleição com outra terceira via. A régua das pesquisas usa uma matriz nacional de setembro. Quando as duas concordam, a decisão é mais segura; quando discordam, a resposta honesta é que não sabemos.
Post 23/24 · 2º turno: militância e nulo
Arvor · Apuração 202623 / 24
2º turno: militância e nulo
O mapa da militância e o risco do voto nulo.
16,35 milhõesteto endereçável local: terceira via mais o vão da direita local
2001 caracteresSomando, município a município, os 9,29 milhões de votos de terceira via e os 7,06 milhões de votos que um nome do lado de Flávio, governador ou senador, teve acima dele na mesma urna, chega-se a um teto endereçável de 16,35 milhões. É teto, não previsão: as duas parcelas podem contar o mesmo eleitor. Mas mostra o tamanho do território que a militância tem para trabalhar.
O Nordeste pede outro método. Ali está 54,8% do vão local, 3,87 milhões de votos, mas Flávio venceu em municípios que guardam só 4,7% da terceira via nordestina. Sem os governadores que não declararam apoio a ele, o vão nacional cai para 5,31 milhões. Juízo editorial: no Nordeste, palanque local antes de militância de rua, com os senadores eleitos do bloco que passaram Flávio na própria urna.
Terceiro movimento: o eleitor de esquerda desiludido. Você não vai convencer um petista convicto a votar em Flávio, e nem deve tentar. Mas existe gente decepcionada com o governo, e para ela o nulo é uma saída honesta. Não peça voto. Peça para ela não assinar cheque em branco. Um eleitor de Lula que anula tira um voto dele; um eleitor que vira vale dois. Priorize virar. O nulo é plano B.
E vigie o nulo do seu lado. Em 2022, entre os turnos, branco e nulo de presidente subiram +0,67 ponto nas UFs com 2º turno de governador e caíram −0,38 nas outras: quem volta à urna pelo governador às vezes não escolhe presidente. Em 2026 há 2º turno estadual em AC, AM, DF, ES, RJ, RN, TO, com 19,90 milhões de votantes. Pela taxa de 2022, 132 mil votos em risco; 49,5% dos votantes dessas UFs estão no Rio de Janeiro. Case o 2º turno do governador com o de presidente.
Não espalhe o mito de que muitos votos nulos anulam a eleição. Não anulam. Branco e nulo simplesmente não entram na conta. Quem mente sobre regra de eleição perde credibilidade, e credibilidade é tudo o que você tem nessa conversa.
Limite: o risco do nulo é uma taxa de 2022 aplicada a 2026, numa eleição com outra terceira via. É ordem de grandeza, não previsão.
Post 24/24 · 2º turno: as frases
Arvor · Apuração 202624 / 24
2º turno: as frases
Em vez de acusar, pergunte. Frases por eleitorado.
56 × 8Flávio × Lula entre os eleitores de Renan, pela Nexus
2240 caracteresJuízo editorial: este post é a recomendação da casa, com os números ao lado. Quem votou em Cury, Renan, Caiado ou Zema escolheu não votar em Flávio no 1º turno. Tinha motivo. Respeite isso. Essa pessoa foge de militante que grita, lacra e chama todo mundo de isentão. O objetivo não é fazê-la amar Flávio. É fazê-la perceber que mais quatro anos do mesmo governo é o resultado concreto de ficar em cima do muro. Faça perguntas e deixe que ela chegue sozinha à conclusão.
Renan: 56 preferem Flávio e 8 Lula, pela Nexus; é o voto que mais rende, 1,27 milhão de saldo. Não defenda Flávio como santo; concorde que o sistema é podre e mude a pergunta: quem você quer indicando os próximos ministros do Supremo? O próprio Renan disse na noite da eleição: “A eleição já é do Flávio Bolsonaro”, segundo Gazeta do Povo, 04/10, embora não apoie ninguém. Zema: 59 a 13, falta fechar. Ele prometeu em maio, à Crusoé, 27/05, que os outros nomes “terão meu total apoio contra o PT”, e disse na noite do 1º turno: “eu estarei contra o PT”.
Cury: 44 a 30 pela Nexus, 44 a 32 pelo Datafolha; o maior bloco, decidido na conversa. Comece pelos filhos, não pela política: a escola do seu filho melhorou nesses anos? Alternância de poder é saúde de um país. Tom de conversa, nunca de comício. E o próprio Cury disse que “ninguém está autorizado em meu nome”, segundo Gazeta do Povo, 04/10: o voto é livre, e é do seu amigo.
Caiado: as medições discordam, 30 a 36 contra Flávio pela Nexus, 42 a 27 a favor dele pelo Datafolha. Não trate como voto garantido. Lembre que, em 2022, Caiado estava com Bolsonaro contra Lula; fale de segurança e de resultado em Goiás, não de Brasília. O PSD liberou: diretórios e militantes “terão liberdade para definir seu apoio”, segundo Metrópoles, 04/10. Neutralidade do partido não é neutralidade do eleitor.
Em vez de acusar, pergunte. O que te faria votar contra o PT? Você confia em quem cuida do INSS hoje? Seu nulo atrapalha quem? Sua vida está mais barata hoje do que em 2022? Nos lugares, leve junto quem tem voto ali: Tarcísio em São Paulo, Cleitinho em Minas, Douglas Ruas no Rio. A conta do 2º turno favorece Flávio. Quem perde essa eleição é quem acha que ela já acabou. O dossiê completo está em brasil.arvor.co.