Arvor Intelligence · thread
Abrir o dossiê

A apuração do 2º turno de 2026. A thread, card a card.

Lula terminou o 2º turno com 51,79% dos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, 4,43 milhões de votos à frente. Esta é a thread do dossiê da apuração: a parada de 114,6 minutos sem arquivo do TSE, a prorrogação do STF e o atraso na transmissão, a projeção da noite, cedo contra tarde, 1º contra 2º turno, a abstenção, a análise seção por seção, as pesquisas contra a urna, o que mudou entre sábado e domingo, a hipótese do autor, a paralela e os limites.

Como usar. Cada card é a imagem do post, um quadrado que sai em 1080 por 1080 pixels; os PNGs prontos para anexar estão listados no fim da página. Embaixo de cada card está o texto do post, com o botão de copiar. Nenhum número foi digitado à mão: todos saem dos arquivos de dados do dossiê, e o gerador recusa texto com algarismo solto, travessão, hashtag ou emoji. Onde há opinião da casa, o próprio texto diz juízo editorial.
Arvor · Apuração 2º turno01 / 22
A tese

As pesquisas mediram o sábado. A urna contou o domingo.

+5,53 ppentre o que as pesquisas mediam no último campo e a urna
Projeção da noite, pesquisas, centrais e repetição do 1º turno contra a urna46%48%50%52%54%empateParte de Flávio nos votos válidosProjeção da casana noite, 40 pontos20 pesquisasúltima onda de cada casaCentrais da casavéspera da eleição1º turno repetidosem pesquisa nenhuma19:15: 47,19%18 de 20 com Flávio à frenteProjeção 52,07%Média 52,88%51,28%urna 48,21%
Fonte: projecao_noite.json, pesquisas_vs_urna.json, projecao_pre_urna.jsonbrasil.arvor.co
2163 caracteresLula venceu o 2º turno de 25/10 com 51,79% dos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro: 4,43 milhões de votos de diferença, 3,58 pontos, com 100,00% das seções totalizadas. Esta thread resume o dossiê da apuração da casa, feito com arquivos públicos do TSE lidos versão a versão durante a noite, cada um com hora de geração, hora de leitura e SHA-256. O dossiê completo está em https://brasil.arvor.co/apuracao_2T_2026.html. Juízo editorial declarado do autor. As pesquisas da última semana e a régua de renda da casa mediram corretamente o eleitorado até o último campo, encerrado em 24/10. Entre a última medição e a urna houve uma mudança importante, e é essa mudança que o dossiê investiga. A distância de +5,53 pontos na diferença Flávio menos Lula, com o mesmo sinal nas 20 casas, é a medida de quanto o resultado se afastou do que o eleitorado declarava dois dias antes. Por que a leitura é essa. As 20 casas mediram o mesmo alvo: a dispersão entre elas foi de 1,69 pontos, menor que os 2,06 que o acaso produziria. Métodos diferentes, presencial, telefone e painel online, chegaram ao mesmo lugar. Quando todos os instrumentos concordam entre si e a urna fica longe de todos ao mesmo tempo, a pergunta deixa de ser qual instrumento falhou e passa a ser o que mudou. Na noite, o instrumento que lê voto já depositado acertou desde o primeiro ponto. A projeção da casa, que compara cada município com ele mesmo no 1º turno, começou às 19:15, com 1,58% das seções, já com Flávio em 47,19% entre os dois, e ficou com Lula à frente em 40 dos 40 pontos, com erro médio de 0,39 ponto. Os candidatos a explicar a mudança, sem ordem de preferência, têm card próprio: o comparecimento recorde, a prorrogação decidida no STF e o que ela produziu, o transporte, o destino dos indecisos, o voto útil da terceira via e o que só os logs e os boletins completos vão mostrar. O que ainda não se explica fica publicado no card dos limites. As regras. Verificado é número da urna ou de documento arquivado. Inferência é conta sobre medição publicada. Hipótese é suposição declarada. Juízo editorial vem rotulado. Atipicidade pede explicação, não prova irregularidade.
Arvor · Apuração 2º turno02 / 22
O placar

Lula por 4,43 milhões de votos. E um Norte que terminou em 50,01 a 49,99.

51,79 × 48,21Lula × Flávio, % dos válidos, 100,00% das seções
Placar nacional e por região, com o Norte empatadoLula 51,79%Flávio 48,21%Brasil499.248 seções50%69,37%30,63%NordesteLula +13.653.69650,01%49,99%NorteLula +1.07947,24%52,76%SudesteFlávio +2.806.77039,99%60,01%Centro-OesteFlávio +1.869.94837,42%62,58%SulFlávio +4.576.52353,86%46,14%ExteriorLula +28.657
Fonte: TSE, arquivo nacional de presidente gerado às 23:27; presidente.jsonbrasil.arvor.co
2054 caracteresVerificado. Lula teve 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro teve 59.826.041, 48,21%. A diferença é de 4.430.191 votos, 3,58 pontos, na versão do arquivo nacional gerada pelo TSE às 23:27, com 499.248 das 499.248 seções. O comparecimento foi de 80,78%, 128,24 milhões de eleitores; a abstenção, 19,22%, 30,51 milhões. Brancos somaram 1,12% do comparecimento e nulos, 2,12%. O mapa regional explica o resultado em uma linha. O Nordeste deu a Lula 69,37% dos válidos e 13,65 milhões de votos de vantagem. Flávio abriu 4,58 milhões no Sul, onde teve 62,58%, 2,81 milhões no Sudeste, com 52,76%, e 1,87 milhão no Centro-Oeste, com 60,01%. Somadas, as vantagens de Flávio no Centro-Sul chegam a 9,25 milhões: não cobrem a do Nordeste. Lula venceu em 13 UFs e Flávio em 14. O achado da noite é o Norte. Com 100,00% das seções das 7 UFs da região, Lula terminou com 50,01% e Flávio com 49,99%. A diferença é de 1.079 votos em 10.048.173 válidos, o placar regional mais apertado da eleição. Dentro da região os lados se compensam: Rondônia deu a Flávio 379.936 votos de vantagem, e o Pará deu a Lula 490.509. A diferença final da região inteira é menor que o eleitorado de muitas seções eleitorais do país. O Norte também é a região em que a abstenção subiu contra o 1º turno, e voltaremos a isso no card da abstenção. A abstenção da região ficou em 21,25%. Quem procurar no Norte a explicação do resultado nacional vai encontrar o contrário: ali o eleitorado se dividiu praticamente ao meio, e o resultado do país foi decidido pela distância entre Nordeste e Centro-Sul. No exterior Lula teve 53,86% dos válidos, com abstenção de 58,37%, como é habitual fora do país. O exterior pesa pouco no total, mas entra no placar nacional e por isso aparece no gráfico, ao lado das cinco regiões. Uma ressalva de leitura. O placar acima é o do arquivo nacional na versão final, com todas as seções totalizadas. Os arquivos de UF, de município e o nacional dessa versão somam exatamente o mesmo total, voto a voto, e o dossiê publica essa conferência.
Arvor · Apuração 2º turno03 / 22
A noite

114,6 minutos sem um único arquivo gerado pelo TSE.

114,6 minsem nenhum arquivo, de 17:07 a 19:01
A noite no arquivo nacional, com a parada de geração114,6 minsem nenhum arquivo42%46%50%54%final 48,21%máximo 50,51%Parte de Flávio nos válidos, cada versão do arquivo nacional17:03 decisão do STF17:49 TSE avisa as seçõesSeções acrescentadas por versão (cor: quem levou mais votos no lote)17:0017:3018:0018:3019:0019:3020:0020:3021:0021:3022:0022:3023:0023:30
Fonte: Banco do coletor da casa; linha_do_tempo.json; cronologia de notícias da noitebrasil.arvor.co
2186 caracteresVerificado. Entre 17:07:09 e 19:01:44, nenhum arquivo de nenhum tipo teve hora de geração no TSE: nem resultado, nem andamento, nem configuração, de nenhum dos dois pleitos. Foram 0 versões em 114,6 minutos. O coletor da casa não parou: fez 65.792 leituras no intervalo, 65.147 delas com a resposta de que nada tinha mudado e 420 com arquivo inexistente. É por isso que o dossiê afirma que nada foi gerado, e não apenas que nada foi lido. O arquivo nacional de presidente ficou parado com 1.456 seções e voltou com 1.870. Segundo a Agência Brasil, o TSE suspendeu a totalização às 17h06, com 1.225 seções apuradas, por causa da decisão do STF que prorrogou a votação. O banco mostra o silêncio, não a causa; a causa está no noticiário, com veículo e hora, e é assim que o dossiê a cita. Desde o início da noite o coletor guardou 326 versões do arquivo nacional. Depois da volta, a contagem andou rápido. Entre 19:45 e 20:23, Flávio teve mais da metade dos válidos já contados, com máximo de 50,51%. Quem olhava só o placar bruto viu uma virada. Não era: o que entra primeiro depende de onde as seções transmitem antes, e o card sobre cedo e tarde mostra isso município a município. O maior lote da noite chegou às 20:48, com 9.612 seções de uma vez, e deu a Flávio 46,58% dos válidos. A cor de cada barra no pé do gráfico diz quem levou mais votos dentro do lote, o que reflete a geografia de quem chegou naquela hora, não uma tendência. Depois da parada geral, o coletor registrou 8 intervalos sem versão nova em arquivos de UF, todos no Amazonas e em Roraima. O mais longo foi no Amazonas, de 43,7 minutos. Pausa é intervalo sem versão nova publicada, não acusação. E nenhuma contagem andou para trás. O coletor marcou 61 versões como regressivas, porque o contador do arquivo caiu. Pela hora de geração, as 61 eram cópias antigas servidas de novo pela rede de distribuição, e 0 versões genuínas tiveram menos seções ou menos comparecimento que a anterior. A pergunta que fica é de transparência: o TSE deve publicar o registro de eventos da noite, com carimbo de recebimento, de inclusão e de geração de arquivo, para que a parada tenha explicação técnica e não só jornalística.
Arvor · Apuração 2º turno04 / 22
A prorrogação

O STF prorrogou a votação até as 19h. As urnas já estavam fechadas.

17:01último voto, mediana das seções; depois das 19h: 0,90%
A decisão do STF e a hora do último voto nas seções17:03 decisão do STF (STF (Notícias))17:06 TSE suspende a totalização (Agência Brasil)17:49 TSE avisa as seções (Poder360)18:08 decisão vale só para seção aberta (Agência Brasil)18:17 aviso oficial chega ao TRE-SP (Agência Brasil)último voto: mediana 17:01, 99º percentil 19:00depois de 19:00: 0,90% das seções16:3017:0017:3018:0018:3019:0019:30Último voto de cada seção do país (497.897 seções; altura em raiz quadrada)
Fonte: secoes.json (boletins de todas as seções); cronologia de notícias da noite com veículo e horabrasil.arvor.co
2135 caracteresFato documentado pelas fontes. Às 17:03, segundo o STF, o ministro Cristiano Zanin estendeu a votação até as 19h onde as urnas não tivessem fechado às 17h. Segundo o Poder360, o TSE só avisou as seções às 17h49, 46 minutos depois da decisão, e urnas já fechadas não foram reabertas. Às 18:08, segundo a Agência Brasil, a decisão foi ajustada para valer só para as seções ainda abertas. Agora o que os boletins de urna dizem. O dossiê leu o BU de todas as 499.207 seções do país. O último voto tem mediana às 17:01 e 90º percentil às 17:05; 98,22% das seções encerraram até quinze minutos depois do horário oficial. O BU sai, na mediana, 2 minutos depois do último voto, e 98,29% deles estavam emitidos até meia hora depois do horário oficial. Emitir o BU encerra a votação naquela urna. Contagem direta, sem estimativa: votaram depois das 19h 4.468 seções, 0,90% do país, em 114 municípios. Depois das dezoito horas, 1,42%. No 1º turno, com seis cargos na cédula, a parcela depois das 19h foi de 1,63%. A fila do 2º turno, com um ou dois cargos, andou mais depressa. Pela regra do dossiê, 7.257 seções encerraram tarde, contra o próprio horário do 1º turno ou depois das 19h. Elas existem, estão listadas com número e local, e são onde a fila foi mais longa ou onde a prorrogação encontrou urna aberta. Mas são exceção: a premissa de que o país votou até as 19h não passa no BU. Segundo a Agência Brasil, o TRE de São Paulo informou que mais de 80% das seções do estado já estavam fechadas quando chegou o aviso oficial do STF, às 18h17. O documento que fecha o assunto é público e está nas mãos de qualquer fiscal: o próprio BU, com hora de encerramento impressa. O que isso não prova. Não prova que nenhum eleitor deixou de votar por causa do transporte, que era o objeto do pedido que motivou a decisão. Não diz se a decisão foi correta ou não; essa é discussão jurídica, e a casa a trata separada do dado. Diz que, no efeito prático, a prorrogação quase não teve urna aberta para prorrogar. E por isso ela não explica a alta de comparecimento: quem atribuir a alta à prorrogação precisa mostrar seção que votou depois das 17h.
Arvor · Apuração 2º turno05 / 22
O atraso

O atraso foi na transmissão: a urna fechou, o BU esperou.

0,3%dos BUs recebidos pelo TSE antes das 19h
Emissão do BU e recebimento pelo TSE, por UFprorrogação: urnas já fechadas, BU à esperaDFTOPBAMPRACMSESPAMTMAROALAPRNRSSCGORRCEPEMGPIBASPSERJ17:0017:3018:0018:3019:0019:3020:0020:3021:00BU emitido (mediana)recebido pelo TSE: 10º percentil à mediana
Fonte: secoes.json (prorrogacao.por_uf, estimativa_nacional); paralela.jsonbrasil.arvor.co
2113 caracteresVerificado no BU de todas as seções. Se a urna fechou perto das 17h, por que a contagem só deslanchou perto das 19h? Porque o boletim de urna ficou parado entre a seção e o TSE. Só 0,3% dos BUs do país foram recebidos antes das 19h. O banco completo confirma, seção por seção, o que a amostra lida durante a noite já indicava: a emissão do BU tem mediana às 17:03, e o recebimento, às 20:27. Os 2260 BUs que chegaram antes das 19h chegaram todos até 17:08, nos primeiros minutos depois do fechamento, em 25 UFs. Depois disso, nenhum até a retomada, quase duas horas depois. O recebimento tem 10º percentil às 19:38 e mediana às 20:27. Entre o BU impresso e o BU recebido passaram 201 minutos na mediana; no 90º percentil, 238 minutos desde o último voto. O gráfico mostra cada UF numa linha: o ponto preto é a emissão do BU, colada nas 17h; a barra azul vai do 10º percentil à mediana do recebimento. O primeiro recebimento do Sergipe só aparece às 19:34. As maiores esperas medianas foram no Sergipe, 234 minutos, e em Rio de Janeiro, 231. A totalização paralela confirma por outra porta. Dos 177 BUs que cidadãos leram pelo QR e enviaram, 157 chegaram à paralela antes de o TSE registrar o recebimento da mesma seção, com vantagem mediana de 78 minutos; 77 chegaram antes das 19h. O BU estava impresso e na mão do cidadão enquanto o arquivo oficial esperava a transmissão. Às 21:55, segundo o G1, o presidente do TSE, Nunes Marques, relatou bloqueio no recebimento de boletins de urna. É declaração, não documento técnico. O que os BUs mostram é compatível com uma retenção deliberada da transmissão durante a prorrogação, com um bloqueio técnico ou com uma combinação dos dois. Os boletins não separam essas causas. Juízo editorial. Uma decisão judicial que muda o horário de uma eleição nacional às 17:03 precisa de um protocolo publicado antes, que diga o que acontece com a transmissão, com a totalização e com a divulgação. A pergunta à Justiça Eleitoral é objetiva: qual regra segurou os BUs entre a emissão e o recebimento, quem a acionou e a que horas. A resposta está nos registros do próprio TSE.
Arvor · Apuração 2º turno06 / 22
A projeção

A projeção da casa: Lula à frente em 40 de 40 pontos.

0,39 pperro médio contra o resultado final
Projeção da casa a cada cinco minutos contra a contagem e o final46%47%48%49%50%51%acima de 50%: Flávio à frenteresultado final 48,21%19:15: projeção 47,19%contagem 50,70%19:3020:0020:3021:0021:3022:0022:30projeção da casafaixa de 90%já contado
Fonte: projecao_noite.json (rota relida a cada cinco minutos sobre o banco)brasil.arvor.co
2078 caracteresVerificado. Às 19:15, com 7.903 seções de 720 municípios, 1,58% do país, a projeção da casa dava Flávio com 47,19% entre os dois e faixa de 90% de 45,72 a 48,84. A contagem bruta naquele instante tinha Flávio com 48,28%. O resultado final ficou em 48,21%. A projeção apontou o vencedor desde o primeiro ponto e não mudou de lado em nenhum dos 40 pontos da noite. Entre 19:50 e 20:25, a contagem observada teve Flávio à frente em 8 pontos de cinco minutos, com máximo de 50,70% entre os dois. Foi a meia hora em que muita gente leu virada. A projeção seguiu com Lula, porque sabia o que faltava contar: o que ainda não tinha chegado era, no 1º turno, mais favorável a ele. Como funciona, em poucas linhas. Para cada município, a projeção compara o que já foi contado no 2º turno com o 1º turno no mesmo estágio da contagem e calcula a oscilação da parte de Flávio entre os dois. Município com poucas seções empresta força da UF, e a UF empresta do país, com pesos de 2.000 e 20.000 seções. A parte não totalizada recebe os votos dos dois que faltavam no 1º turno nesse estágio. Abaixo de 1% das seções do país ela não projeta. Erro absoluto médio contra o final: 0,39 ponto, com máximo de 1,21. No último ponto, às 22:30, a projeção era 48,21% contra 48,21%. É estatística a partir do que já foi totalizado, não resultado nem previsão de vitória. O defeito que o próprio dossiê aponta. A faixa encolhe a centésimos quando quase tudo está contado: às 22:30 ela ia de 48,21 a 48,21. Nesta versão do arquivo, o resultado final ficou dentro da faixa em 40 dos 40 pontos, mas com folga de centésimos. Uma faixa tão estreita não cobre o que ainda pode mudar nas seções finais, como as do Amazonas que ficaram para o fim, e precisa de um piso. Erro pequeno em pontos não absolve faixa estreita demais. Uma ressalva de método. A série do gráfico foi relida sobre o banco, chamando a rota com o relógio de cada instante. Não é necessariamente o que a tela mostrou: a série exibida ao vivo, com 146 leituras do telão, está guardada separada no dossiê. As duas contam a mesma história.
Arvor · Apuração 2º turno07 / 22
Cedo e tarde

Cedo ou tarde, a mesma mudança: composição, não voto.

−2,31 a −3,08pontos de Flávio contra o 1º turno, nos dez grupos
Cedo e tarde: nível muda, mudança contra o 1º turno quase igual44%48%52%56%60%Parte de Flávio entre os dois, municípios em dez grupos pela hora em que fecharam2º turno1º turno, mesmos municípios−2,311º−2,472º−2,433º−2,474º−2,365º−2,626º−2,637º−2,508º−2,829º−3,0810ºmudançacontra o 1ºGrupo, do que fechou cedo ao que fechou tarde
Fonte: cedo_tarde.json (decis_2t e zonas); linha_do_tempo.json (conclusao_ufs)brasil.arvor.co
2329 caracteresVerificado. Os 5.571 municípios foram ordenados pelo minuto em que o arquivo de presidente chegou com todas as seções e divididos em dez grupos do mesmo tamanho. A parte de Flávio entre os dois vai de 44,63% no grupo que fechou primeiro, até 19:59, a 47,26% no último, que fechou entre 21:09 e 23:27, passando por 52,04% no grupo mais favorável a ele. Quem lê só esse nível conclui que a contagem mudou de direção ao longo da noite. A segunda linha do gráfico desmente a conclusão. Nos mesmos municípios, o 1º turno desenha a mesma serra, e a distância entre as duas linhas mal se mexe: a mudança contra o 1º turno fica entre −2,31 e −3,08 pontos em todos os grupos. Nas 6.106 zonas eleitorais, também em dez grupos, fica entre −2,49 e −2,99. Se o voto tardio fosse diferente, o último grupo se afastaria dos outros na mudança, não só no nível. Inferência. A hora de chegada classifica tamanho e geografia, não o eleitor. O último grupo reúne 65,34 milhões de eleitores e 20 capitais; o primeiro, 3,35 milhões e 0 capitais. Município grande tem mais urnas para transmitir e mais lotes para totalizar; município remoto depende de satélite ou de deslocamento da mídia. Os dois entram tarde. A correlação de postos entre tamanho e minuto de fechamento é 0,42; entre a ordem de fechamento do 1º e do 2º turno, 0,52. O desvio que existe sai com o mesmo destaque. A mudança não é perfeitamente plana: o primeiro grupo mudou −2,31 e o último, −3,08. As capitais e os grandes municípios andaram um pouco mais para Lula. É o mesmo padrão do card seguinte, não um lote tardio de outra natureza: a diferença entre o primeiro e o último grupo é menor que um ponto. Sobre lentidão. No relógio, 11 das 27 UFs completas na rodada fecharam mais tarde que no 1º turno, e isso foi lido como lentidão. A comparação justa desconta as duas horas da prorrogação. Descontadas, 27 das 27 fecharam antes do que no 1º turno. A primeira foi Santa Catarina, às 21:08. Um caso pede explicação. Ponte Alta do Norte (SC), com 8 seções, teve todas totalizadas às 17:07, antes do fim da votação prorrogada; foi o único município completo antes das 19h. A prorrogação valia só para urnas abertas e as seções podem ter fechado no horário. Atipicidade pede explicação, não prova irregularidade: a pergunta é qual regra permitiu totalizar antes do novo horário.
Arvor · Apuração 2º turno08 / 22
1º × 2º turno

Flávio caiu em todas as 27 UFs.

−2,80 ppparte de Flávio entre os dois, 51,02% para 48,22%
Queda da parte de Flávio em todas as UFsMudança da parte de Flávio entre os dois, 1º para 2º turno, por UF (pontos)−1−2−3−44,2RJ3,8SP3,6GO3,3AL3,3SC3,2MS3,2RR3,2PR3,1MG3,1DF3,1RS3,0MT2,9AP2,8ES2,6RO2,6AC2,5RN2,5PB2,4TO2,3SE2,3AM2,1PA2,1MA2,0PE2,0CE1,4BA1,2PI27 de 27 UFs: Flávio caiu em todas
Fonte: comparacao_1t.json; comparacao_2022.json; pesquisas_vs_urna.json (contabilidade)brasil.arvor.co
2234 caracteresVerificado, nos 5.571 municípios do país, todos completos. A parte de Flávio entre os dois finalistas foi de 51,02% no 1º turno para 48,22% no 2º, −2,80 pontos. Caiu em 27 das 27 UFs, da menor queda na Piauí, −1,22, à maior no Rio de Janeiro, −4,25. Entre os municípios, a mudança favoreceu Lula em 5.411 e Flávio em 159. A mediana municipal é −2,37, com desvio de 1,25: um degrau quase uniforme. Achado contrário ao que a casa esperava. A leitura da casa era que a consolidação da direita levaria Flávio para cima no 2º turno. A urna não sustenta. A geografia do voto se manteve, e o nível de Flávio desceu inteiro. De onde vieram os votos novos. Flávio somou 3,69 milhões de votos entre os turnos; Lula, 10,33 milhões. Os terceiros do 1º turno tinham 9,29 milhões nesses municípios. O ganho de Flávio equivale a 39,8% desse estoque; o de Lula, a 111,3%. Lula ganhou mais votos do que havia em terceiros porque o comparecimento cresceu e brancos e nulos caíram. A conta completa no país. Ficaram disponíveis 14,10 milhões de votos: 9,32 milhões da terceira via, 1,82 milhão da queda de brancos e nulos e 2,96 milhões do aumento de comparecimento. Flávio levou 26,4% do ganho líquido. Mesmo que todo o ganho dele viesse da terceira via, seria no máximo 39,9% dela. Votos ganhos não dizem de quem vieram: a conta mistura eleitor novo, eleitor que faltou e troca de lado. Um esclarecimento de régua, para não confundir. Sobre todos os válidos do 1º turno, que incluíam os terceiros, a parte de Flávio subiu, porque os terceiros saíram da cédula. A régua que compara o confronto é a parte entre os dois finalistas, e por ela Flávio caiu. E em votos absolutos. Flávio perdeu votos em 938 municípios e ganhou em 4.624; Lula perdeu em só 79. As maiores perdas absolutas de Flávio foram em Macapá (AP), menos 3.785 votos, e Sena Madureira (AC), menos 2.292, justamente no Norte onde a abstenção subiu. Contra 2022. Nos mesmos municípios, Lula foi de 50,90% para 51,78% dos válidos, +0,88 ponto. Mas caiu em 4.358 municípios: o avanço dele sobre 2022 ficou concentrado nos grandes. Trocaram de lado 288 municípios de Lula para Flávio e 43 de Bolsonaro para Lula. O país de 2026 é quase o de 2022 no agregado e diferente na distribuição.
Arvor · Apuração 2º turno09 / 22
Transferência 1º → 2º turno

Quem faltou no 1º turno e votou no 2º foi mais para Lula. Explica pouco.

60%dos 3,62 milhões que voltaram a votar foram para Lula (faixa 54% a 66%)
Transferência estimada de votos do 1º para o 2º turnoLula53,88 miFlávio56,10 miTerceira via · 9,32 miBranco e nulo · 5,98 miAbstenção33,47 miLula64,26 miFlávio59,83 miBranco e nulo · 4,15 miAbstenção30,51 miDa abstenção do 1º turno, 3,62 mi voltaram a votar (2,18 mi para Lula, 1,34 mi para Flávio).prior em cruzamento publicadoelo estimado (hachurado)Estimativa, não medição.
Fonte: transferencia.json e transferencia.md (regressão ecológica e matriz por UF)brasil.arvor.co
2208 caracteresEstimativa, não medição. As duas urnas só dizem quanto cada lado tinha em cada turno; o caminho entre elas é estimado. O dossiê combina uma regressão ecológica nos 5.570 municípios com uma matriz ajustada UF a UF. No gráfico, fita sólida é linha que parte de cruzamento publicado por instituto, 75% dos votos; fita hachurada é elo estimado. Nada aqui identifica o voto de um eleitor. A resposta direta. Cerca de 3,62 milhões de eleitores faltaram no 1º turno e votaram no 2º; outros 660 mil fizeram o caminho inverso. Entre os que voltaram, a estimativa central é de 60% para Lula e 37% para Flávio, com faixa de 54% a 66% para Lula. Na regressão, de cada cem eleitores a mais num município, 62,5 foram para Lula, intervalo de 55,1 a 70,0, e 34,8 para Flávio. Quanto isso explica. Se os votos de quem voltou saíssem do 2º turno, a parte de Flávio entre os dois subiria 0,30 ponto, numa faixa de 0,11 a 0,48. É uma fração pequena dos 2,80 pontos que Flávio perdeu entre os turnos. O comparecimento ajudou Lula, mas não decide sozinho a mudança. A terceira via. Pela matriz central, Flávio ficou com 32,5% do estoque de Cury, Renan, Caiado, Zema e outros, e Lula com 57,7%; nas sensibilidades, Flávio vai de 31,2% a 33,8%. As pesquisas mediam outra coisa: nas 6 linhas publicadas, Flávio tinha de 43,0% a 50,5% desse eleitorado, de 53,8% a 64,4% entre os que escolhiam um finalista. A síntese da casa antes do 1º turno previa 62,2% da migração para Flávio. Consolidação fora da própria base: Lula ganhou 10,85 milhões de votos que não eram dele no 1º turno, Flávio 5,36 milhões. A razão é de 0,49 de Flávio para cada um de Lula, faixa de 0,49 a 0,55. Essa razão é imposta pelas margens das duas urnas e sobrevive à troca da prior; o corte candidato a candidato depende dela. O achado contrário. A regressão muda com a escala. Entre seções do mesmo município, nas 499.066 seções comparáveis, de cada cem eleitores a mais só 56,2 foram para Lula, intervalo de 51,7 a 60,6, e não os 62,5 da conta municipal. Nessa escala, quem voltou divide 55% para Lula, e o efeito sobre a parte de Flávio cai para 0,15 ponto. A conta ecológica é sensível ao recorte, e por isso o número sai como faixa, nunca como medição.
Arvor · Apuração 2º turno10 / 22
A abstenção

Abstenção de 19,22%, a mais baixa de 2º turno desde 2006. E 9 UFs no sentido contrário.

−1,85 ppcontra o 1º turno, mesmos municípios
Variação da abstenção entre os turnos por UFAbstenção no 2º turno menos abstenção no 1º turno, por UF (pontos)−3−2−1+1+2+4+6+8BAPESPMSPRMGRNRSSCESPBRJCEDFSEGOMTAL0,0PI0,2RO0,6MA0,9TO1,2PA1,5AM5,7AC6,0RR8,1APcorrelação com o quanto Flávio ficou abaixo do 1º turno: +0,02caiusubiu
Fonte: abstencao.json (arquivo de UF); pesquisas_vs_urna.json; cronologia de notíciasbrasil.arvor.co
2086 caracteresVerificado. A abstenção do 2º turno foi de 19,22%, contra 21,08% no 1º: 2,96 milhões de eleitores a mais compareceram. Nos 5.571 municípios do país, todos completos, foi de 20,84% para 18,99%, −1,85 ponto, e ficou 1,44 ponto abaixo do 2º turno de 2022, que teve 20,43%. Capitais e interior caíram juntos: 18,61% nas capitais, −2,26, e 19,10% no interior, −1,73. Relato da imprensa. Às 21:47, a CNN Brasil registrou com o número do TSE, 19,21%, que é a menor abstenção de 2º turno desde 2006, quando foi de 18,99%. A diferença entre o número oficial anunciado na noite e o desta thread é a versão do arquivo lida. Achado contrário. A queda não foi geral. A abstenção subiu contra o 1º turno em 9 UFs: Amapá, +8,06 ponto; Roraima, +6,03; Acre, +5,65; e mais 6, Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Rondônia e Piauí. O Norte inteiro inverte o sinal, de 19,43% para 21,25%. Nas três primeiras, ela subiu mais do que caiu em qualquer outro estado: a maior queda foi de 3,26 pontos, na Bahia. Entre os municípios, caiu em 4.437 e subiu em 1.127. A menor abstenção do país foi a do Ceará, 13,89%, e o Nordeste concentra os municípios com comparecimento mais alto. Explicações legítimas para a queda existem e não se excluem: mobilização de segundo turno, transporte e campanha de rua das duas candidaturas. O banco não separa essas causas, e nenhuma delas é suspeita por si. O que a abstenção não explica. Entre as UFs, a variação da abstenção não acompanha o quanto Flávio ficou abaixo da repetição do 1º turno: a correlação é de +0,02, praticamente zero. Já a força da terceira via no 1º turno acompanha, com correlação de −0,57. E há um teto: mesmo dando a Lula todo o aumento líquido de comparecimento, ele explicaria no máximo 2,36 pontos da diferença final. A leitura que o dado sustenta. Menos ausentes ajudou Lula onde o novo votante votou nele, mas a queda da abstenção, sozinha, não decide a eleição. São correlações ecológicas entre UFs: não dizem quem votou nem quem deixou de votar. A pergunta sobre quem compareceu só se responde com o caderno de votação, que não é público.
Arvor · Apuração 2º turno11 / 22
Seções: comparecimento

O comparecimento subiu em quase toda seção. Pouco.

+1,71 ppvariação média do comparecimento por seção contra o 1º turno
Comparecimento por seção contra o 1º turnoComparecimento da seção no 2º turno menos no 1º, todas as 497.877 seções comparáveis−15−10−50+5+10+15média +1,71 pp+5 pp contra a própria seção9,29% (46.241 seções)+5 pp acima do município1,29% (6.441 seções)−5 pp contra a própria seção2,31% (11.501 seções)Parcela das seções do país, contagem direta no banco completo
Fonte: secoes.json (agregados); boletins de urna de 499.207 seçõesbrasil.arvor.co
2109 caracteresOs três cards seguintes descem ao boletim de urna, e agora sem amostra: a coleta fechou com o BU de 499.207 seções, e 497.877 delas foram casadas com a mesma seção no 1º turno. Cada seção é comparada com ela mesma. Os números abaixo são contagem direta, não estimativa. Verificado. O comparecimento foi de 79,16% para 81,01% nas mesmas seções. Por seção, subiu 1,71 ponto em média, com mediana de 1,91; o 10º percentil ficou em −1,50 e o 90º em +4,89. Subiram cinco pontos ou mais 46.241 seções, 9,29% do país. É o número que aparece em qualquer manchete sobre comparecimento atípico. Mas o número que importa é outro. Só 6.441 seções, 1,29%, ficaram cinco pontos acima da alta mediana do próprio município ou UF. A diferença entre as duas medidas separa uma alta geral de uma alta pontual. A alta foi geral e pequena: o país inteiro andou um pouco para cima, e pouquíssimas seções andaram muito mais que as vizinhas. Subiram dez pontos ou mais 0,20% das seções. Do lado da urna, 5.743 seções usaram urna de contingência ou mais de uma carga, e 29 tiveram o BU emitido pelo sistema de apuração, a votação em cédula. São números que o fiscal confere na ata da seção, e que o dossiê lista um a um. E houve queda. Caíram cinco pontos ou mais 2,31% das seções. Na média por seção, o comparecimento caiu contra o 1º turno em 9 UFs, com destaque para Amapá, −8,32 pontos, Roraima, −6,26, e Acre, −5,95. É o mesmo Norte do card da abstenção, visto agora de dentro da seção. Nas 992 seções em que o comparecimento subiu dez pontos ou mais, Lula ganhou mais votos que Flávio em 925, 93,25%, contra 85,21% nas demais. Quem voltou a votar nessas seções votou mais em Lula, o mesmo sentido da estimativa do card da transferência. Sinal pede explicação, não prova irregularidade. Seção com comparecimento alto pode ter recebido eleitor transferido, fila mais curta ou campanha de rua mais forte. Somando seis sinais, 9.276 seções têm escore dois ou mais. O dossiê lista as 100 mais atípicas com uma explicação provável por regra declarada; 6 não têm explicação pela regra e pedem conferência da ata e do log da urna.
Arvor · Apuração 2º turno12 / 22
Como o eleitor foi habilitado

Biometria, ano de nascimento, sem cadastro. E o exterior, sem leitor.

6,75%dos eleitores habilitados pelo ano de nascimento no 2º turno; no 1º, 6,68%
Habilitação por modelo de urna e composição do 2º turnoEleitor habilitado pelo ano de nascimento, % do comparecimento, por modelo de urna3%6%9%12%10,9510,84UE20139,489,60UE20155,956,02UE20205,935,99UE20221º turno2º turno2º turno, Brasil: biometria 87,6% · ano de nascimento 6,8% · sem cadastro 5,7%Leitor antigo falha mais: hipótese a confirmar no log.
Fonte: biometria.json e biometria.md (BU de todas as seções; exterior pelo log da urna)brasil.arvor.co
2064 caracteresVerificado no BU de todas as seções. São quatro situações, e misturá-las produz manchete errada. No Brasil, 127.854.631 eleitores votaram com a categoria registrada no BU: 111.970.333, 87,58%, pela biometria reconhecida; 8.632.488, 6,75%, pelo ano de nascimento; e 7.251.810, 5,67%, sem biometria cadastrada. A quarta situação é o exterior. Ano de nascimento não é voto sem identificação. É o eleitor que tem biometria cadastrada e que o leitor não reconheceu; a mesa o identifica pelo documento e libera a urna. Sem cadastro é o eleitor que nunca coletou biometria. No exterior não há conferência biométrica: os logs das 1.281 urnas registram as 380.612 habilitações como sem biometria e 0 biométricas. A fonte, ali, é o log, porque o BU do exterior não traz as categorias. O modelo da urna pesa. Pelo ano de nascimento passaram 10,84% nas UE2013, 9,60% nas UE2015, 6,02% nas UE2020 e 5,99% nas UE2022: quanto mais antiga a urna, mais eleitor liberado por documento. As urnas antigas ficam em municípios diferentes das novas, e por isso a comparação justa é dentro do mesmo município. Dentro do mesmo município, em 271 municípios com os dois tipos, a urna antiga fica +3,39 pontos acima, erro-padrão 0,17. Leitor antigo falha mais: hipótese a confirmar no log. Os extremos. Por UF, de 9,00% no Piauí a 4,10% em Roraima. Entre os municípios com vinte mil eleitores ou mais, os maiores são Rosário do Sul (RS), 18,24%, Paratinga (BA), 17,20%, e Campo Maior (PI), 16,05%. Sem cadastro chega a 57,84% em Santa Maria de Jetibá (ES): é cadastro que nunca foi feito, não falha de leitor no dia. E o voto. Nas 18.393 seções com ano de nascimento alto, a fatia de Flávio mudou +0,34 ponto a mais que nas vizinhas, descontado o 1º turno. Nas 12.593 seções com sem cadastro alto, −0,47. As duas vão em direções opostas e ficam em décimos: nenhuma das categorias carrega o resultado para um lado. Parcela alta pede explicação, não prova irregularidade. A pergunta, seção por seção, vai ao log e à ata: o leitor registrou falha, e a mesa anotou a liberação por documento?
Arvor · Apuração 2º turno13 / 22
Seções: biometria

A biometria baixa é do cadastro, não do dia.

90%das 13.228 seções com sinal de sem biometria já o tinham no 1º turno
Biometria: sinal estrutural e o caso de JaguaribeSem biometria cadastrada: 13228 seções com sinal11883 já no 1º turno1345 novasLiberados pelo ano de nascimento: 19308 seções com sinal9356 já no 1º turno9952 novasA biometria baixa é do cadastro, não do dia: a maioria já tinha o sinal no 1º turno.Candeias (BA), zona 127, seção 336liberados pelo ano de nascimento6,67%86,48%1º turno2º turnoFlávio × Lula: 48 × 200 no 1ºe 49 × 217 no 2º turno.Hipótese: leitor que falhou. Conferir o log.
Fonte: secoes.json (agregados.brasil.persistencia); secoes_ranking.jsonbrasil.arvor.co
2040 caracteresVerificado em todas as seções. Votantes sem biometria cadastrada eram 5,67% no 2º turno contra 5,56% nas mesmas seções no 1º. Das 13.228 seções com esse sinal, 11.883 já o tinham no 1º turno, com variação mediana de +0,14 ponto. Isso é estrutural: vem do cadastro do eleitorado daquela seção, não de algo que aconteceu no domingo. O sinal dos liberados pelo ano de nascimento, que é quem tem biometria cadastrada e não foi reconhecido pelo leitor, se move mais. Eram 6,75% contra 6,68%; das 19.308 seções com o sinal, 9.356 já o tinham, e a variação mediana foi de +2,08 pontos. O salto dessa parcela contra a própria seção aparece em 8.952 seções. Hipótese. O maior salto do país é Candeias (BA), zona 127, seção 336. A parcela de liberados pelo ano de nascimento foi de 6,67% para 86,48%, um salto de +81,54 pontos, com comparecimento +2,99 e último voto às 17:01. O voto quase não mudou: Flávio e Lula tinham 48 e 200 votos no 1º turno, e 49 e 217 no 2º. É o desenho de um leitor biométrico que deixou de reconhecer a seção inteira. Hipótese a conferir no log da urna e na ata. Inferência. A combinação de comparecimento cinco pontos acima e salto de biometria na mesma seção aparece em 1.324 seções. É o padrão mais próximo da hipótese do mesário que libera eleitor ausente, o chamado pianista. A mesma combinação aparece quando o leitor falha num dia de fila maior. Só a ata, o caderno de votação e o log separam as duas coisas. Por que isso importa para quem fiscaliza. A lista do dossiê aponta seção, local e o que conferir, e a regra é pública. Em Candeias, a pergunta ao cartório é simples: o leitor biométrico registrou falha naquela urna, e a mesa anotou na ata a liberação por ano de nascimento? Se registrou, o caso se explica. Se não, a seção vira pedido formal de esclarecimento, com número e prédio. O BU não diz quem votou: diz quantos votaram e como foram habilitados. Salto em várias seções do mesmo local aponta para leitor ou rede, não para mesário, e essa vizinhança é o próximo cruzamento, com os logs das urnas.
Arvor · Apuração 2º turno14 / 22
Os logs das urnas

O que os logs das 499.176 urnas dizem.

0,027%dos votos computados depois das 17h no 2º turno; no 1º, 2,9%
Cadência horária dos votos no log, 1º e 2º turnoVotos computados em cada hora, % do dia (hora de Brasília, mesmas seções)5%10%15%8h9h10h11h12h13h14h15h16h17h2,40,0318h0,50,0019h0,10,0017h: fim do horário oficial1º turno2º turnoRótulo: pede explicação, não prova irregularidade.
Fonte: logs.json e logs.md (log de cada urna, comparado com o BU e com o 1º turno)brasil.arvor.co
2121 caracteresVerificado. O dossiê leu o log de 499.176 das 499.248 seções catalogadas. O log registra cada evento da urna com hora: habilitação, voto computado, reinício, bateria, erro. A contagem de votos do log é igual à do BU em 499.170 seções; nas 6 restantes o log tem menos cômputos que o BU, todas com reinício ou urna de contingência. Todas as urnas rodaram a mesma versão do software, 10.23.0.0. A hora do voto, de dentro da urna. Depois das 17h, as urnas computaram 34.323 votos em 127,82 milhões, 0,027% do dia. Depois das 19h, 11. Na amostra de 99.327 seções lidas nos dois turnos, a parcela entre 17h e 19h foi de 2,9% no 1º turno e de 0,027% no 2º. E a manhã pesou mais: 16,8% dos votos entre 8h e 9h, contra 9,5% no 1º turno. O eleitor do 2º turno votou cedo, e a fila acabou antes do horário. O log fecha a questão dos BUs encerrados tarde. Dos 4.468 BUs encerrados depois das 19h, 2.705 tiveram o último voto até 17h15; a mediana do último voto nesse grupo é 16:59. A urna esperou aberta, sem eleitor, até o novo horário. A prorrogação estendeu o relógio; o voto já tinha acabado. Reinícios e bateria, medidos contra o voto. Em 12.271 seções o sistema foi religado durante a votação. A diferença em diferenças da fatia de Flávio contra as vizinhas e contra o 1º turno é −0,03 ponto, intervalo de −0,06 a +0,01: sem efeito no voto. Nas 38.391 seções que passaram para bateria junto com outras do município, −0,07 ponto. São efeitos de centésimos. O cruzamento que pede conferência. 822 seções têm ao mesmo tempo escore dois ou mais nos sinais do BU e atenção dois ou mais nos logs; se os dois fossem independentes, seriam cerca de 175. A sobreposição é real e é a lista de prioridade do dossiê para pedido de ata e de log completo, seção por seção. E um achado técnico que pede explicação ao TSE: o número de série da memória de resultado aparece repetido em 8 grupos no Brasil, cada um dentro de uma única zona, somando 306 seções, e em 1 grupo do exterior, analisado à parte, com 1.212. Atipicidade pede explicação, não prova irregularidade. A pergunta é como o mesmo número de série chegou a seções diferentes.
Arvor · Apuração 2º turno15 / 22
Seções: o voto

As seções com sinal votam diferente porque já votavam assim.

até 0,46 ppmaior deslocamento da fatia de Flávio descontado o 1º turno
Diferença em diferenças da fatia de Flávio por sinalFatia de Flávio entre os dois, seções com sinal contra as vizinhas do município (pontos)−6−4−20+2+4+6comparecimento +5 ppn 46.200−0,17sem biometrian 13.213−0,46biometria baixa, qualquern 32.161−0,02salto de biometrian 8.941+0,14acima do municípion 6.437+0,05encerrou tarden 7.229+0,03← mais Lulamais Flávio →diferença crua no 2º turnodescontada a do 1º turno, com 2 erros-padrão
Fonte: secoes_voto.json; comparação dentro do município e contra a própria seção no 1º turnobrasil.arvor.co
2165 caracteresA pergunta que todo mundo faz: as seções com sinal estranho votaram diferente? A resposta crua é sim, e ela engana. Nas seções com comparecimento cinco pontos acima, a fatia de Flávio entre os dois ficou −3,05 pontos contra as vizinhas do mesmo município. Nas de sem biometria, −1,67. Nas que encerraram tarde, +1,89, a favor de Flávio. Quem para aqui escreve a manchete errada nos dois sentidos. A conta que separa as coisas é a diferença em diferenças: quanto a fatia de Flávio mudou entre os turnos na seção com sinal, menos quanto mudou nas vizinhas. Comparecimento cinco pontos acima: −0,17 ponto, erro-padrão 0,02, n 46.200. Sem biometria: −0,46, erro-padrão 0,03, n 13.213. Ano de nascimento: +0,31, n 19.297. Salto de biometria: +0,14, n 8.941. Acima da alta do município: +0,05, n 6.437. Encerrou tarde: +0,03, n 7.229. Inferência. Com todas as seções, o erro-padrão fica pequeno e 4 sinais passam de dois erros-padrão: 2 na direção de Lula e 2 na de Flávio. O maior deslocamento é de 0,46 ponto. São efeitos de décimos, nos dois sentidos, sem mecanismo identificado: quem decidiu votar só no 2º turno, mudança de voto concentrada em certos bairros. Não medem intenção de ninguém. O teste mais direto da hipótese de liberação indevida em benefício de um lado é a célula em que comparecimento alto e biometria baixa aparecem juntos. Se fosse isso, a fatia desse lado subiria mais ali. Nas 4.078 seções com os dois sinais, a fatia de Flávio subiu em 508, 12,46%, e mudou −2,89 pontos; nas 423.490 sem nenhum sinal, subiu em 9,98% e mudou −2,96. A célula combinada acompanha o país. Em votos absolutos, seção a seção, Flávio ganhou votos em 79,73% das seções e Lula em 97,59%. O ganho médio por seção foi de 7,42 votos para Flávio e 20,76 para Lula. A mudança entre os turnos aparece em quase toda parte, não em bolsões. O que a ata e o log respondem, e o BU não. Quem foi liberado por ano de nascimento e por quê; se o leitor registrou falha; se a urna foi trocada e quando; se houve fila no fechamento. Esses documentos existem para cada seção. A casa publica a lista com seção, local e o que perguntar. Sinal pede explicação, não prova irregularidade.
Arvor · Apuração 2º turno16 / 22
Pesquisas × urna

As 20 casas leram o mesmo eleitorado. A urna ficou 5,53 pontos adiante.

+5,53distância comum entre pesquisa e urna na diferença Flávio menos Lula
Distância de cada pesquisa até a urna na diferença−4−20+2+4+6+8+10+12+14urnadistância comum +5,53Vox BrasilColecttaFuturaPalverDatafolhaIpespeNexusQuaestIndexa/BroadcastMDAAtlasIntelPoderDataMeio/IdeiaInstituto FrançaVeritáGerpAlfa Inteligência/TMCDataTrendsReal Time Big DataVetor/ArrowDistância até a urna na diferença Flávio menos Lula (pontos); traço: margem de 95% da diferençafora da margem
Fonte: pesquisas_vs_urna.json; projecao_pre_urna.json; última onda de cada casabrasil.arvor.co
2233 caracteresVerificado. A urna deu 51,79% a Lula e 48,21% a Flávio, uma diferença Flávio menos Lula de −3,57 pontos. As 20 casas com campo encerrado na última semana, o último em 24/10, ficaram todas do mesmo lado da urna: 20 com Flávio acima e 0 com Lula acima. A distância média foi de +5,53 pontos na diferença, mediana +5,05, de +2,34 a +8,94. Pelos válidos que as próprias casas divulgaram, em 19 delas, +5,67. 18 das 20 punham Flávio à frente nos válidos; Colectta e Vox Brasil indicavam Lula. A mais próxima da urna foi Vox Brasil, a +2,34; a mais distante, Vetor/Arrow, a +8,94. Presenciais ficaram em média a +4,55, em 6 casas, e telefônicas a +6,11, em 11. É descrição, não teste. A concordância entre as casas é o dado central. A dispersão entre elas foi de 1,69 pontos, menor que os 2,06 que só a amostragem simples produziria se cada uma medisse o mesmo alvo. Métodos, amostras e ponderações diferentes chegaram ao mesmo eleitorado. 16 das 20 distâncias passam da margem de 95% da diferença: o afastamento da urna não é ruído amostral. É uma distância comum, do tamanho da mudança entre o último campo e o domingo. O que as pesquisas mostravam até sábado. Dentro de cada casa, Flávio perdia terreno a −0,150 ponto por dia nas 58 ondas depois do 1º turno: média de +4,20 nas ondas até meados do mês e +2,17 na última semana. Levado à urna pelo mesmo ritmo, o número iria a +1,48. A tendência medida apontava na direção da urna, mas não chegava lá: o que aconteceu entre o campo e o voto foi além do ritmo da campanha. A geografia não mudou; o nível, sim. Repetir o 1º turno seção a seção, sem pesquisa, ficava a +6,11 pontos da urna. Flávio ficou abaixo dessa repetição em 27 das 27 UFs, com desvio comum de +3,02 pontos na parcela dele e, descontado esse desvio, apenas 0,75 por UF. Um deslocamento quase uniforme no país inteiro é a assinatura de um fator comum, não de erros locais. Contexto histórico. No 1º turno de 2022 a distância comum foi de +3,92 pontos em Lula menos Bolsonaro; no 1º turno de 2026, +3,55 em Lula menos Flávio, ambas a favor de Lula. Neste 2º turno o sinal inverteu. Das 13 casas presentes nos dois turnos, 10 inverteram o sinal, com correlação de −0,22. Um viés fixo de instituto não explica a série.
Arvor · Apuração 2º turno17 / 22
Sábado × domingo

O que mudou entre sábado e domingo.

+9,33tamanho da mudança pela Média Arvor; pela Projeção Arvor, +7,70
O tamanho da mudança medido por cada réguaDistância até a urna na diferença F−L (pontos)246810+5,53média das casas+4,98âncora+1,01+ PNAD+1,71+ presença+7,70Projeção+9,33MédiaReponderação por renda, casa a casa+4+6+8+10+12PalverDatafolhaIpespeNexusMDAAtlasIntelPoderDataVeritáGerpAlfa InteligênciReal Time Big Daafastou da urnaaproximou ou neutra
Fonte: pesquisas_vs_urna.json (centrais, efeito_reponderacao); cronologia de notíciasbrasil.arvor.co
2093 caracteresJuízo editorial. Se a régua e as pesquisas estavam certas até sábado, o deslocamento até a urna é o tamanho do que mudou no domingo. As centrais da casa medem esse tamanho por três caminhos. A Média Arvor da véspera dava Flávio 52,88% contra 47,12%: distância de +9,33 pontos. A Projeção Arvor, com 52,07%, +7,70. Por partes: as pesquisas com recência e tendência, +4,98; a régua de renda da PNAD, mais +1,01; a presença relativa de +3,8% do 1º turno, mais +1,71. A reponderação por renda afastou da urna 9 das 11 casas, aproximou 1 e deixou 1 no lugar, de +5,74 para +7,47. É o que se espera quando a mudança de última hora vem de quem comparece, não de quem foi entrevistado: a régua corrige a amostra, não o domingo. No 1º turno ela aproximou 7 de 10 casas. Os candidatos, sem ordem de preferência, cada um com o que sustenta e o que contraria. Comparecimento recorde: abstenção de 19,22%, a menor de 2º turno desde 2006, com 2,96 milhões de eleitores a mais que no 1º turno; contra, a variação por UF não acompanha o resíduo de Flávio, e o teto do efeito é 2,36 pontos. A prorrogação de duas horas, decidida no STF na Reclamação 101673, a pedido da coligação de Lula: só 0,90% das seções votaram depois das 19h, e o que ela produziu foi a transmissão só depois das 19h. Transporte: às 17:09, segundo a Agência Brasil, o Procon-BA contava 544 ônibus parados em Salvador, e o TRE-BA mandou prender o secretário de Mobilidade, segundo o O Globo; o efeito no voto não é medido. Indecisos: eram 2,0% nas últimas ondas, pouco para mover tudo. Voto útil da terceira via acima do medido: Flávio levou 26,4% do ganho líquido entre os turnos. E o que só os logs de todas as urnas e os boletins completos vão mostrar. Nenhum candidato foi escolhido pela casa como a explicação. Cada um tem a prova que falta: o comparecimento por candidato não é medido, o efeito do transporte na seção ainda não foi cruzado com os boletins, e a migração da terceira via só aparece agregada. Os números de cada casa e de cada central continuam publicados no dossiê, agora lidos como régua do tamanho da mudança.
Arvor · Apuração 2º turno18 / 22
A hipótese do autor

Abstenção real, presença relativa pró-Lula, indecisos para Lula. Se foi isso mesmo, não saberemos.

+0,22 ppdistância da combinação do autor até a urna, no motor da casa
Hipótese do autor: presença relativa necessáriaPresença relativa de Flávio contra a de Lula (%): quanto cada conta exige para bater a urna−20−16−12−8−40+4+3,8% o que a central da casa supunha−6,4% empate, no cenário do autor−12,5% cenário do autor no tweet−13,7% necessária no motor, com a urna real−10,5% por fora: média simples das casas−17,0% por fora: Média ArvorPresença por candidato não é medida: a urna não separa esta conta de um erro comum de medição.Rótulo: juízo editorial do autor, refeito no motor da casa.
Fonte: hipotese_autor.md e hipotese_autor.json (motor da casa, snapshot 9399acb33c51065d)brasil.arvor.co
2281 caracteresJuízo editorial declarado, e eixo do capítulo de pesquisas do dossiê. Às 21:41 da noite da eleição, Leonardo Dias, fundador da Arvor, publicou no X: “Para chegar num resultado próximo ao final, tivemos de diminuir as abstenções para o volume real de 19,2%, aumentar a presença relativa pró-Lula para 12,5% e direcionar mais indecisos para o Lula. Essa seria a hipótese, se foi isso mesmo, não saberemos.” Verificado. O cenário da imagem foi refeito no motor da casa, no snapshot da véspera: presença relativa de Flávio de −12,5%, comparecimento de 81,5%, indecisos divididos 34,8% para Flávio. O motor devolve Flávio com 48,33%, o número da imagem. Depois a conta foi refeita com a abstenção real da urna, 19,22%, e os brancos e nulos reais, 4.153.801 votos, 3,24% de quem compareceu. O resultado. A combinação do autor, com abstenção e brancos e nulos reais, dá Flávio 48,33%: fica a +0,22 ponto da urna na diferença, cerca de 138.771 votos. Com os indecisos na proporção automática da central, reproduzir a urna exige presença relativa de Flávio de −13,7%, contra +3,8% que a central supunha. Empate seria −6,4%. Três peças simples, publicadas na noite, chegam perto da urna. Peça por peça. A abstenção é fato medido: 19,22%, contra 21,08% no 1º turno. A presença diferencial é o centro da hipótese e não é medida em lugar nenhum: a urna diz quantos votaram, nunca em quem votaria quem ficou em casa. Por fora do motor, a razão entre Flávio e Lula da Média Arvor precisava cair 17,0%; a da média simples das casas, 10,5%. E os indecisos, 2,0% em média, empurram a conta na mesma direção: com a divisão do autor, a distância média das casas cai de +5,53 para +4,87. Por que a frase final importa. A mesma aritmética que reproduz a urna com presença diferencial também a reproduz com qualquer outra mudança que mova a razão entre os candidatos em proporção parecida. O dado público não separa as duas. O que separa é o caderno de votação, os logs de todas as urnas e os boletins completos, e por isso a publicação do dossiê espera por eles. O que a hipótese ainda não explica está no card dos limites. Juízo editorial. A hipótese é a leitura mais econômica do que aconteceu entre sábado e domingo, e o autor a apresentou com a ressalva certa: se foi isso mesmo, não saberemos.
Arvor · Apuração 2º turno19 / 22
O que poderia ter acontecido

6 hipóteses para o domingo. Os dados descartam 3.

3 · 2 · 1descartada pelos dados, pendente de documento, compatível, mas não identificada
Quadro-resumo das seis hipótesesAs hipóteses e o que os dados dizem de cada umaH1 · Votos tardioscomo explicação do deslocamento: o que entrou depois das 17h é uma fração mínima da margemdescartada pelos dadosH2 · Totalização no silênciocomo lugar do deslocamento: a soma fecha e cada BU é o que a urna assinoudescartada pelos dadosH3 · Transporte e comparecimentocomo explicação do deslocamento inteiro; uma parte pequena (estimada em décimos de ponto) (…)descartada pelos dadosH4 · Narrativao propósito não se lê nos arquivos de urnapendente de documentoH5 · Software e metadadosdescartada nos sinais com marca; a alteração uniforme sem marca depende da assinatura de (…)pendente de documentoH6 · Mudança real (tese do autor)tese do autor; nenhum dado público a confirma ou excluicompatível, mas não identificadaRótulo: atipicidade pede explicação, não prova irregularidade.
Fonte: hipoteses.json (matriz hipótese × teste, cronologia da tarde, precedentes)brasil.arvor.co
2179 caracteresO dossiê testou 6 hipóteses para o que aconteceu entre o último campo das pesquisas e a urna, cada uma contra os mesmos arquivos: votos tardios, totalização no silêncio, transporte e comparecimento, narrativa, software e metadados, e a mudança real, que é a tese do autor. O estado de cada uma está no quadro: descartada pelos dados, pendente de documento ou compatível, mas não identificada. O que os dados descartam. As urnas fecharam: só 0,027% dos votos entraram entre 17h e 19h, contra 2,9% no 1º turno, e 2.705 dos 4.468 BUs encerrados depois das 19h tiveram o último voto até 17h15. A totalização fecha: 499.207 BUs assinados pela urna iguais ao publicado, registro digital do voto igual ao BU em 499.205 seções, soma conferida nas 6.252 zonas. E a abstenção caiu quase o mesmo nos três terços de municípios, −1,65, −2,11 e −1,79 pontos, inclusive onde Flávio é mais forte, que foi onde ele mais perdeu: −3,66, contra −1,98 onde é mais fraco. Transporte não explica o deslocamento inteiro. O que fica pendente de documento. A justificativa do TSE para os 114,6 minutos sem arquivo algum. A hora de produção do vídeo de artistas publicado às 15:34:58, 48 minutos antes de o pedido chegar ao STF: o propósito não se lê nos arquivos de urna, só na íntegra da Reclamação, no original do vídeo e na resposta do TSE. E, para software e metadados, a assinatura do software conferida contra o TSE e a série repetida da memória de resultado, em 306 seções do Brasil, que pede explicação ao TSE. O que fica compatível, sem identificação: a mudança real de opinião e de comparecimento entre sábado e domingo. Nenhum teste a exclui, e nenhum a identifica, porque não há medição entre o último campo e a urna. Os precedentes ajudam a ler a decisão, não a julgá-la. Na Venezuela, em 2015, a autoridade eleitoral estendeu o horário com urnas abertas e fila, e um dos próprios reitores chamou a medida de ilegal. No condado de Harris, no Texas, em 2022, os votos depositados na hora extra foram separados e testados antes de contar. No Brasil, em 2020 e 2022, os presidentes do TSE negaram prorrogar. Juízo editorial do autor, como no card anterior: se foi isso mesmo, não saberemos.
Arvor · Apuração 2º turno20 / 22
Paralela e boletins

177 boletins de urna conferidos pelo cidadão. 0 divergências.

177 / 177BUs iguais ao publicado pelo TSE, voto a voto
Paralela conferida e boletins da noiteOs 177 BUs da paralela, um quadrado cada, na ordem de chegadaigual ao BU publicado pelo TSEdivergenteOs 16 boletins falados da noite110 min sem boletim: sem versão nova17:0017:3018:0018:3019:0019:3020:0020:3021:0021:30boletim no ar (largura: duração)gerado e não foi ao ar
Fonte: paralela.json; boletins publicados em docs/assets/apuracao_2t/boletinsbrasil.arvor.co
2110 caracteresVerificado. A totalização paralela recebeu 177 boletins de urna de 15 UFs, lidos pelo QR do BU impresso por quem estava na seção. Cada um teve a assinatura da urna e a cadeia de certificados conferidas antes de contar, e foi comparado voto a voto com o BU que o TSE publicou para a mesma seção. Resultado: 177 iguais, 0 divergentes. O que isso prova. BU igual ao oficial prova que o que a urna imprimiu na seção é o que o TSE recebeu e somou. Não prova o interior da urna, nem quem votou, nem o que aconteceu antes da impressão. A paralela confere transmissão e totalização, e só das seções que alguém enviou. Nas seções recebidas houve 61.358 eleitores aptos e comparecimento de 81,76%. Achado contrário, para não ser mal lido. A soma dos BUs da paralela dá Flávio com 56,88%. Esse número não diz nada sobre a urna: a amostra é de quem enviou, concentrada em São Paulo, com 81 BUs, e em quem baixou o aplicativo. É soma dos BUs recebidos, não projeção. O relógio da paralela, por outra porta, confirmou o card do atraso: 157 dos 177 BUs chegaram à paralela antes de o TSE registrar o recebimento da mesma seção, com vantagem mediana de 78 minutos. O papel estava pronto; o arquivo oficial esperava. Os boletins falados. Entre 17:10 e 21:20, a casa levou ao ar 16 boletins, cerca de 72 minutos de voz, um a cada dez minutos sempre que havia versão nova. Entre 17:20 e 19:10 houve 110 minutos sem boletim, porque o boletim só sai com versão nova e o TSE não gerou arquivo durante a parada. O boletim das 21:20 foi gerado e não foi ao ar por falha ao publicar; fica no dossiê como registro. Transparência sobre a ferramenta. Os boletins foram gerados por inteligência artificial: o roteiro foi escrito por um modelo de linguagem a partir do banco do coletor e das notícias da hora, e a voz é a do autor, clonada no ElevenLabs. Nenhum boletim foi editado depois de ir ao ar, e todos os roteiros estão publicados no dossiê ao lado do áudio. Boletim falado por máquina é registro do que o banco dizia naquele minuto, não análise revisada: onde o roteiro errou uma hora ou um nome, o erro fica visível e datado.
Arvor · Apuração 2º turno21 / 22
Os limites

O que este dossiê já alcança, e o que ainda falta.

499.207boletins de urna lidos, todas as seções do país
Cobertura de cada camada do dossiêQue parte das seções cada camada do dossiê enxerga (escala logarítmica)0,01%0,1%1%10%100%arquivos de resultado do TSE499.248 de 499.248100,00%boletins de urna lidos499.207 de 499.24899,99%registro digital do voto conferido499.205 de 499.205100,00%totalização paralela177 de 497.8770,04%Falta a camada dos logs de todas as urnas e dos metadados das seções.A paralela é soma dos BUs recebidos, não projeção.
Fonte: secoes.json; urnas.json; rdv.json; presidente.json; linha_do_tempo.jsonbrasil.arvor.co
2413 caracteresOs limites vêm antes da conclusão. A coleta dos boletins fechou: o dossiê leu o BU de 499.207 seções, com o último recebimento às 23:21, e refez sobre o banco completo tudo o que antes vinha de amostra. Na conferência das urnas, apareceram 2 números de urna repetidos no 2º turno, ambos no exterior, em 29 seções, os dois do sistema de apuração; nenhuma urna votou em duas seções ao mesmo tempo. O registro digital do voto, que guarda cada voto separado do eleitor, foi lido e somado de novo em 499.205 seções: 0 divergências contra o BU. Ficaram 17.931 seções sem o arquivo auxiliar publicado e 43 sem RDV. O RDV também mostra o nulo por engano: nas seis UFs com governador, 51,0% dos 452.800 nulos de governador são o número de um finalista presidencial digitado no campo errado, e 41,6% dos nulos de presidente são número de governador. Os logs chegaram: 499.176 lidos, contagem igual ao BU em 499.170. Falta o .vsc completo e a chuva medida no dia; hoje o cruzamento usa a previsão da véspera. O banco mostra silêncio, não causa. A hora da decisão do STF, o aviso do TSE às seções e a fala do presidente do TSE vêm do noticiário, com veículo e hora, e entram como fato relatado ou declaração. A latência entre a geração do arquivo e a leitura é teto, não medida. O BU não diz quem votou. Só a ata, o caderno de votação e o log separam falha de leitor, eleitor sem biometria e liberação indevida. Votos ganhos sobre o estoque de terceiros não identificam transferência individual, e correlações entre UFs são ecológicas. A paralela é a soma dos BUs recebidos, não projeção. Comparações com o 1º turno usam a mesma régua de fechamento por município e descontam as duas horas da prorrogação. A projeção da noite foi relida sobre o banco; o que foi ao ar está guardado em separado. E os válidos de cada pesquisa são a renormalização dos inteiros publicados: o arredondamento sozinho move a diferença em até cerca de um ponto nas casas sem decimal. O que ainda falta explicar, publicado ao lado da tese, como manda a regra da casa. A variação da abstenção por UF não acompanha o quanto Flávio ficou abaixo do 1º turno: correlação de +0,02. Dar a Lula todo o aumento de comparecimento explica no máximo 2,36 pontos. A tendência publicada já era de Flávio perdendo terreno, −0,150 ponto por dia. E a presença declarada apontava para Flávio: Ipespe desloca a diferença +2,17; PoderData desloca a diferença +1,05.
Arvor · Apuração 2º turno22 / 22
Fecho

Refaça a conta.

86.098versões dos arquivos do TSE lidas, guardadas e datadas
Os números da noite51,79 × 48,21Lula × Flávio nos válidos114,6 minsem nenhum arquivo do TSE40 de 40pontos da projeção com Lula à frente+5,53distância comum entre pesquisa e urna177 / 0BUs iguais / divergentes na paralela27 de 27UFs em que Flávio caiu contra o 1º turno
Fonte: Arvor Intelligence; todos os arquivos em analysis/apuracao_2t_2026/dadosbrasil.arvor.co
2216 caracteresEm uma frase: Lula venceu por 4,43 milhões de votos, 51,79% contra 48,21%; o TSE ficou 114,6 minutos sem gerar arquivo algum durante a prorrogação; a prorrogação quase não encontrou urna aberta, e o atraso foi na transmissão; a projeção da noite apontou Lula em 40 de 40 pontos; e a urna ficou 5,53 pontos distante do que as pesquisas e a régua de renda mediam no último campo. O que a casa afirma como verificado: o placar, a parada de geração, a hora do último voto e do recebimento dos BUs, a queda de Flávio entre os turnos em todas as UFs, a abstenção mais baixa e as UFs onde ela subiu, os 177 BUs iguais na paralela e a distância comum entre pesquisas e urna. O que a casa afirma como inferência: composição, não voto, entre cedo e tarde; alta de comparecimento geral e pequena; deslocamentos de menos de um ponto nas seções com sinal, sem mecanismo. O que fica como pergunta à Justiça Eleitoral: qual regra segurou os BUs entre a emissão e o recebimento; por que nenhum arquivo foi gerado por 114,6 minutos; como Ponte Alta do Norte foi totalizado antes do novo horário; e o que dizem a ata e o log de Candeias, zona 127, seção 336. Atipicidade pede explicação, não prova irregularidade. Juízo editorial. As pesquisas mediram o sábado e a urna contou o domingo. Entre os dois houve uma mudança do tamanho de 5,53 pontos na diferença, e explicá-la exige o que ainda não é público por inteiro: os logs de todas as urnas, os boletins completos e o caderno de votação. A projeção da noite mostra que dá para ler uma apuração com rigor em tempo real; a mudança de domingo mostra o que ainda falta para ler uma eleição inteira. Refaça a conta. Os números desta thread saem de arquivos de dados públicos, gerados por scripts publicados, a partir dos arquivos do TSE que o coletor leu: 86.098 versões, cada uma com hora de geração, hora de leitura e SHA-256. A thread inteira é gerada por apuracao-2t-2026-thread.py, que recusa algarismo digitado à mão. Se um número estiver errado, ele está errado num arquivo que você pode abrir. Arvor Intelligence. O dossiê completo, com fonte de cada número, mapas, tabelas, boletins e a lista de seções para conferir, está em https://brasil.arvor.co/apuracao_2T_2026.html.