Onde colocar fiscal no 2º turno. A thread, card a card.
13.045 seções atípicas em 10.174 locais de votação, em três níveis de prioridade, com endereço. Esta thread explica como a lista foi feita, o que ela não diz, os cenários clássicos que o fiscal existe para impedir, o que já aconteceu no Brasil com data e tribunal, e o que levar e conferir no dia. Atipicidade estatística não é irregularidade. A lista é de prioridade de fiscalização, não de acusação.
Como usar. Cada card é a imagem do post, um quadrado de 1080 por 1080 pixels; os PNGs estão listados no fim da página. Embaixo de cada card está o texto do post, para X premium, com o botão de copiar. Nenhum número foi digitado à mão: todos saem de fiscais.json e de fontes_fiscais.json, e o gerador recusa texto com algarismo solto, travessão, hashtag ou emoji. Cenário é hipótese de risco; caso é passado documentado; nada disso é atribuído à eleição de 2026.
Post 01/06 · A lista
Arvor · Apuração 202601 / 06
A lista
13.045 seções para conferir no 2º turno. Prioridade, não acusação.
13.045seções atípicas em 10.174 locais de votação
2289 caracteresO dossiê da apuração tem um capítulo com uma pergunta prática: se o PL tiver gente para pôr fiscal de partido numa parte das seções do 2º turno, onde essa gente rende mais? A resposta é uma lista de 13.045 seções, 2,6% das 499.207 seções com boletim publicado, em 10.174 locais de votação, com endereço, coordenada e o motivo de cada uma estar ali.
A lista sai de 12 critérios lidos nos boletins de urna do 1º turno: voto muito diferente do resto da zona, encerramento tardio, urna de reserva, boletim recebido de madrugada, brancos e nulos fora do padrão, variação fora da faixa desde 2022, entre outros. Cada critério tem peso declarado. A soma separa três níveis: alta, com pontuação 5 ou mais e nenhuma explicação comum no cadastro; média, com 3 ou mais; baixa, o resto.
O nível alta tem 82 seções em 59 locais de 50 municípios. O nível média, 1.230 seções em 778 locais. O nível baixa, 11.733 seções. Juntas, as seções sinalizadas reúnem 3,79 milhões de eleitores aptos, 2,39% do país.
Quantas pessoas isso pede: um fiscal por local cobre o nível alta com 59 pessoas, alta e média com 817, e a lista inteira com 10.174. A lei permite um fiscal cobrindo várias seções do mesmo local, e até dois fiscais de cada partido por seção, o que daria 26.090 pessoas para a lista inteira.
Três frases valem para cada linha da lista. Atipicidade estatística não é irregularidade. A lista é de prioridade de fiscalização, não de acusação. O que resolve cada item é a ata da mesa, o log da urna e a presença do fiscal. Uma seção atípica tem quase sempre explicação comum: aldeia, presídio, zona rural, urna trocada por defeito, comunidade que vota em bloco há anos. A lista diz onde conferir primeiro, não o que aconteceu.
O que o fiscal faz na seção é simples e está na lei: assiste à zerésima, confere a ata, anota o horário de encerramento, pede a via do boletim de urna impresso e fotografa o QR code para comparar com o publicado. Nesta thread: como a lista foi feita e o achado que a contraria, os cenários clássicos que o fiscal existe para impedir, o que já aconteceu no Brasil com data e tribunal, e o kit do dia. A lista inteira está no capítulo dos fiscais do dossiê, em brasil.arvor.co, com mapa navegável, e numa planilha Excel de 9,1 MB com abas por seção, local, município e UF.
Post 02/06 · Como a lista foi feita
Arvor · Apuração 202602 / 06
Como a lista foi feita
Os critérios, os níveis e o achado que contraria a própria lista.
3.825seções sinalizadas ficam em zona rural: explicação comum
2363 caracteresOs critérios que mais disparam são brancos ou nulos muito acima da zona, em 5.730 seções, variação 2022-2026 fora da faixa da UF, em 2.397, e encerramento tardio com Lula acima da zona, em 1.634. Nenhum deles prova nada sozinho. Brancos e nulos acima da zona aparecem onde há campanha local pelo voto nulo ou eleitorado mais velho; a variação desde 2022 aparece onde o município mudou; o encerramento tardio aparece onde houve fila.
Os critérios mais raros pesam mais: comparecimento total, em 10 seções; zero voto num dos dois, em 26; sem arquivo publicado ou em zona congelada, em 89; urna ou arquivo fora do padrão com voto diferente da zona, em 449; boletim recebido de madrugada, em 340. Uma seção só chega ao nível alta somando vários sinais sem explicação no cadastro. Por isso o nível alta é pequeno.
Onde fica o nível alta: Maranhão tem 10 locais, Pará tem 9 e Bahia tem 8. Em proporção das seções da própria UF, a maior taxa de seções sinalizadas fica em Pará: 4,5%.
Agora o achado que contraria a lista, e que precisa andar junto com ela. Das 13.045 seções, 3.825 ficam em zona rural, 496 tiveram urna trocada ou arquivo de recuperação, 539 estão em aldeia indígena, 138 são de voto em trânsito, 135 ficam em quilombo ou assentamento e 34 em unidade prisional. Aldeia e presídio sozinhos levam 487 seções para o nível baixa. E 644 seções já votavam do mesmo jeito em 2022: são enclaves antigos, não novidade de 2026.
Uma lista que cresce com aldeia, presídio e zona rural mede a geografia do país, não o comportamento da mesa. Aldeia vota em bloco porque a comunidade decide junta; presídio tem eleitorado pequeno e diferente; seção rural é pequena, e poucos votos mudam muito a porcentagem. Isso não é defeito escondido do método: está declarado no capítulo, e é por isso que a lista tem níveis.
Testamos a escolha dos pesos. Com todos os critérios valendo o mesmo, 432 seções mudam de nível, 3,31% da lista: o desenho geral não depende do peso que escolhemos. Há 73 locais sem coordenada conferida, que ficam na planilha com o endereço e sem ponto no mapa.
O mapa do capítulo mostra cada local como um ponto, com cor pelo nível, e abre o endereço e o link de rota com um clique. A camada de território, com terra indígena, quilombo, favela, presídio, homicídios e acesso, serve para o fiscal planejar a ida e não aumenta a pontuação de ninguém.
Post 03/06 · Os cenários, na mesa
Arvor · Apuração 202603 / 06
Os cenários, na mesa
O que acontece dentro da seção, e o que deixa rastro no boletim.
4 de 14cenários clássicos deixam sinal claro nos dados
2255 caracteresHipótese de risco, nunca descrição desta eleição. A lista lê números, e boa parte das manipulações clássicas do voto acontece dentro da sala sem deixar número nenhum. O dossiê descreve 14 cenários: 4 deixam sinal claro nos dados, 7 deixam sinal fraco ou indireto e 3 não deixam sinal algum. Este post trata dos que acontecem na mesa e no cadastro.
O mesário pianista vota no lugar de quem não veio. O sinal possível é o comparecimento perto de cem por cento ou muito acima da zona, que o critério de comparecimento total pegou em 10 seções. A biometria dificulta, mas a mesa pode liberar a urna sem digital, e o log registra cada liberação. O fiscal confere votantes da ata contra o caderno e o boletim e anota a hora dos últimos votos. É crime: Código Eleitoral, art. 309.
O mesário que orienta o voto, constrange o eleitor ou entra na cabine para ajudar não deixa rastro no boletim. Só quem está na sala vê. O fiscal registra na ata cada ocorrência, com hora e nome, e impugna na hora, como garante o Código Eleitoral, art. 132.
Urna de contingência é o caso oposto: deixa rastro. Quando a urna falha e é trocada, o tipo de urna e o arquivo mudam no boletim, e o critério de urna fora do padrão disparou em 449 seções com voto diferente da zona. Trocar urna é procedimento normal. O risco é a troca sem ata: o fiscal exige hora, motivo, número da urna nova e estado dos lacres.
A zerésima prova que a urna começou vazia. O fiscal chega antes da abertura, assiste à impressão e assina. No fim, pede a via do boletim impresso, que a lei manda entregar (Lei nº 9.504/1997, art. 68, § 1º), fotografa o QR code e compara com o boletim publicado. Seção sem arquivo ou em zona congelada, 89 no 1º turno, se resolve pedindo o arquivo.
Fila e horário deixam rastro: encerramento tardio com Lula acima da zona disparou em 1.634 seções, boletim recebido de madrugada em 340. Quase sempre é fila longa ou transmissão difícil. O fiscal anota a hora em que a fila fechou e confere que votaram os que estavam nela, e só eles.
No cadastro, eleitor fantasma e transferência em massa se combatem antes da eleição, com revisão do eleitorado (Código Eleitoral, art. 289). Presídio, aldeia, hospital e trânsito aparecem nos dados como explicação comum, não como sinal.
Post 04/06 · Os cenários, fora da seção
Arvor · Apuração 202604 / 06
Os cenários, fora da seção
Na porta e no território, quase nada aparece na urna. Só o fiscal vê.
3cenários sem sinal nenhum nos dados
2234 caracteresHipótese de risco, nunca descrição desta eleição. Fora da sala de votação, os cenários clássicos quase não deixam número. É onde o fiscal faz mais diferença, e onde corre mais risco.
Boca de urna é propaganda e aliciamento no dia: material distribuído na porta, santinho derramado na calçada, carro de som, abordagem do eleitor na fila. É crime (Lei nº 9.504/1997, art. 39, § 5º, I a III, detenção de seis meses a um ano e multa); a lei só admite a manifestação individual e silenciosa (Lei nº 9.504/1997, art. 39-A). Não deixa sinal no boletim. O fiscal não confronta: fotografa e filma de fora da seção, anota hora, local, placa e quem distribui, aciona o juiz eleitoral, o MPE e a polícia de plantão e pede a apreensão do material.
Compra de voto é crime (Código Eleitoral, art. 299) e leva à cassação (Lei nº 9.504/1997, art. 41-A). O voto comprado é igual a qualquer outro na urna. A prova é testemunha, vídeo, dinheiro apreendido: quem oferece, o quê, onde e a que horas.
Transporte irregular é ônibus, van ou carro pago por candidato, partido ou cabo eleitoral para levar eleitor no dia, quase sempre com comida e com o voto como condição. Só a Justiça Eleitoral pode organizar transporte gratuito em zona rural (Lei nº 6.091/1974, art. 11, III), e a pena chega a reclusão de quatro a seis anos e multa. Pode aparecer como comparecimento acima do padrão numa seção rural, mas quase sempre não aparece. O fiscal anota placa, horário, motorista e quem paga, filma de fora e comunica o juiz e o MPE no mesmo dia.
Voto de cabresto e voto sob ameaça de facção ou milícia podem deixar sinal fraco: concentração extrema num candidato e zona entre as mais atípicas, critérios que disparam em 1.180 e 1.566 seções. Mas comunidade que vota em bloco por convicção produz o mesmo número. Em área dominada, o fiscal não entra sem validar com a PM e o TRE local; a Justiça Eleitoral pode requisitar Força Federal (Código Eleitoral, art. 23, XIV).
Abstenção induzida é o contrário do transporte irregular: impedir o eleitor de chegar, com ônibus que não sai, barreira na estrada ou ameaça. É crime (Código Eleitoral, art. 297). O fiscal registra lugar e hora do bloqueio e avisa o juiz eleitoral na hora, porque o remédio é no mesmo dia.
Post 05/06 · O que já aconteceu
Arvor · Apuração 202605 / 06
O que já aconteceu
Nada disso é teoria. Os casos, com data e tribunal.
26casos documentados, de 1982 a 2025
2630 caracteresVerificado, com fonte. Os cenários dos dois posts anteriores não são teoria. O dossiê reúne 26 casos brasileiros documentados, de 1982 a 2025, cada um com data, instância, resultado e uma fonte lida pela casa. Nenhum caso documentado é desta eleição.
Na mesa, no cadastro e na apuração. TRE-RJ anula a eleição proporcional de 1994 por fraude na apuração manual; TSE reverte em 1996 (RJ, 1994). O TRE-RJ anulou a votação para deputados e convocou nova eleição; o TSE reverteu a anulação em 1996. Fonte: Aos Fatos, 14/01/2021. Mesário vota por cinco ausentes, um morto (SC / Pescaria Brava, 2016). Presidente de mesa condenado pelo art. 309 do Código Eleitoral; votou por cinco ausentes, um deles morto. Fonte: Consultor Jurídico, 23/05/2026.
No entorno da seção. Pena mínima de 4 anos por transporte (PR / Reserva, 2004). Condenação pelo transporte irregular de eleitoras com pena mínima de quatro anos restabelecida no TSE. Fonte: SEDEP / Conjur, 06/10/2026. TSE cassa governador do Maranhão (MA, 2009). Governador cassado pelo TSE; a maioria viu compra de votos em Imperatriz. Fonte: Consultor Jurídico, 04/03/2009. TSE cassa governador da Paraíba (PB, 2008). Governador cassado por abuso de poder com distribuição de cheques a eleitores. Fonte: Congresso em Foco, 20/11/2008.
No território. Blitze da PRF no 2º turno de 2022, concentradas no Nordeste (Brasil, 2022). Operações mantidas depois da ordem do TSE que as proibia; o ex-diretor-geral da PRF foi condenado pela 1ª Turma do STF em 16/12/2025, no processo da trama golpista, com o uso da PRF para dificultar o deslocamento de eleitores entre os fatos provados. Fonte: Migalhas, 16/12/2025.
Em apuração nesta eleição, e por isso fora da contagem acima: Op. Eleitor de Papel (operação policial, investigação, fato oficial); RJ troca 66 locais (decisão administrativa, medida preventiva, relato de imprensa); Mesária em Salvador (prisão em flagrante, investigação, relato de imprensa; ela diz que finalizava um voto deixado em aberto); MJ: 311 bocas de urna (balanço oficial, investigação, fato oficial); Ônibus em RR e AM (encaminhamento à PF, investigação, relato de imprensa); PM-BA: 17 flagrantes (balanço oficial, investigação, relato de imprensa); 1.861 urnas trocadas (balanço oficial, balanço, sem procedimento aberto, fato oficial). É alegação ou fato em apuração, sem conclusão. Nada disso é fraude provada, e nenhum registro atribui intenção ou lado a ninguém.
Investigação, denúncia e condenação são coisas diferentes, e cada item diz em que ponto parou. A lista completa, com o link de cada fonte, está no capítulo dos fiscais do dossiê em brasil.arvor.co.
Post 06/06 · O kit do fiscal
Arvor · Apuração 202606 / 06
O kit do fiscal
O que levar, o que conferir e a quem reportar.
817fiscais, um por local, cobrem os níveis alta e média
2319 caracteresO que levar: credencial do partido, documento com foto, celular carregado e bateria extra, o print do seu local com as seções e os critérios que dispararam, caneta e papel, e o contato do delegado do partido e do cartório eleitoral da zona.
O que conferir, na ordem do dia. Chegar antes da abertura e assistir à impressão da zerésima, assinando. Conferir os lacres e o número da urna, e exigir na ata qualquer troca, com hora e motivo. Ficar na sala e anotar liberação sem digital, ajuda na cabine e constrangimento. Olhar o entorno sem confrontar: boca de urna, transporte, compra. No fechamento, anotar a hora em que a fila fechou e quem estava nela. Pedir a via do boletim impresso, fotografar o QR code e comparar com o publicado. Em seção com voto em trânsito, conferir que só vota quem consta do caderno daquela seção.
A quem reportar. Dentro da seção, ao presidente da mesa e na ata, com a impugnação na hora. Fora dela, ao juiz eleitoral da zona, ao Ministério Público Eleitoral e à polícia de plantão. A Justiça Eleitoral recebe denúncia de propaganda irregular e de crime eleitoral pelos canais do TSE. Registro sem hora, lugar e prova vale pouco: foto, vídeo de fora da seção, placa, nome.
O risco do território. Para cada local, o capítulo traz o contexto: terra indígena, quilombo, favela, unidade prisional, homicídios no município, fronteira, garimpo e distância até a sede. Isso não aumenta a pontuação de nenhuma seção; serve para planejar transporte, horário e companhia. Em área de facção, rural isolada ou indígena: validar com a PM e o TRE local antes de mandar alguém. Ninguém vai sozinho, e nenhum registro vale o risco de um confronto.
Quantos: um fiscal por local cobre o nível alta com 59 pessoas, alta e média com 817, a lista inteira com 10.174. Comece pelo alta, depois o média, e no baixa basta conferir o boletim impresso.
Atipicidade estatística não é irregularidade. A lista é de prioridade de fiscalização, não de acusação. O que resolve cada item é a ata da mesa, o log da urna e a presença do fiscal. A lista completa está no capítulo dos fiscais do dossiê da apuração em brasil.arvor.co, com mapa navegável, e para baixar: a planilha Excel de 9,1 MB, o CSV por seção e o CSV por local. Filtre pela sua UF e pelo seu município, ordene pelo nível e distribua um fiscal por local.