docs/img/og/mg_082026_infografico.png, em 3000 por 6324 pixels.Minas Gerais decide a eleição e quase ninguém entende Minas.
São 16,3 milhões de eleitores, o segundo maior colégio do Brasil. Em 2022 o estado foi decidido por 0,40 ponto. Agora o Datafolha de agosto mostra Lula com 46 e Flávio Bolsonaro com 42 dentro do estado.
Pegamos os 853 municípios mineiros, um por um, com os votos oficiais do TSE de 2018 e de 2022. E achamos uma coisa que ninguém tinha medido.
Todo mundo repete que Cleitinho é o grande puxador de voto da direita mineira. Ele fez 4,2 milhões de votos para o Senado em 2022, o maior número do estado inteiro. Só que, no mesmo dia e na mesma urna, ele fez 41,3% e Bolsonaro fez 43,4%.
Ou seja: Cleitinho não puxa mais voto que Bolsonaro. Ele puxa em outro lugar. E isso muda tudo.
Montamos uma régua simples. Em cada cidade, medimos quanto cada nome rendeu ali comparado com a média dele mesmo no estado, e comparamos com Bolsonaro. Deu este mapa:
Cleitinho vai mais longe que Bolsonaro em 431 cidades, quase todas no Oeste e nos vales pobres do Norte.
Bruno Engler vai mais longe em 75 cidades, mas elas valem 30% do eleitorado, porque são a Grande BH.
Nikolas Ferreira vai mais longe em 45 cidades, quase todas no cinturão metropolitano.
E em 302 cidades, que são 24% do eleitorado, nenhum dos três supera Bolsonaro.
Na prática: o aliado que ajuda numa praça atrapalha na outra. No Sul e no Triângulo, que juntos são 13,85% do eleitorado mineiro, nenhum dos três ajuda. Ali o candidato se vira sozinho.
Mas existe um lugar onde os três ajudam ao mesmo tempo: o cinturão do minério, o Quadrilátero Ferrífero. Bolsonaro fez só 36,9% ali, contra 43,4% no estado. Dez das vinte cidades trocaram de lado em 2022. E tem pauta concreta esperando na mesa: a Vale está sendo cobrada em R$ 17,7 bilhões de royalties atrasados, e R$ 3,2 bilhões disso iriam para municípios mineiros. Só Itabira teria R$ 822,6 milhões a receber.
Isso não é discussão ideológica. É dinheiro que a cidade tem a receber, com valor, devedor e destinatário.
Minas não é um bloco. São sete conversas diferentes, e cada uma tem um assunto que funciona:
No minério: o minério sai daqui e a conta fica aqui.
Na periferia de BH: não falta discurso, falta ônibus, posto e polícia.
No Sul e no Triângulo: o café perdeu 34% do que exportava aos Estados Unidos neste ano.
Nos vales do Norte: ali não se pede o voto, se pede para ser ouvido.
Quem tratar Minas como um bloco vai perder Minas por pouco. De novo.
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