Mudança de local de votação entre os turnos. A thread, card a card.
Três posts: o problema dos números, a ferramenta para conferir a própria seção e o que a abstenção a mais faria com os votos. Pela nossa conta, 1.211 seções e 348.568 eleitores trocam de prédio de verdade entre os turnos, e 6.036 seções seguem fora do prédio original em 25/10. O efeito nacional é pequeno; o que falta é transparência.
Como usar. Cada card é a imagem do post, um quadrado de 1080 por 1080 pixels; os PNGs estão listados no fim da página. Embaixo de cada card está o texto do post, com o botão de copiar. Nenhum número foi digitado à mão: todos saem de mudancas.json, e o gerador recusa texto com algarismo solto, travessão, hashtag ou emoji. O efeito medido é diferença com controles, não efeito causal; os cenários são conta de tamanho, não previsão.
Post 01/03 · O problema
Arvor · Locais de votação01 / 03
O problema
Quatro números oficiais, nenhum igual ao outro
1.211seções com mudança real de prédio, pelos dois arquivos do TSE
1624 caracteresA manchete que circulou: mais de 4 mil seções mudaram de endereço entre os turnos. Depois dela vieram quatro números oficiais, e nenhum bate com outro.
4.352 seções, segundo o TSE em 16/10. 4.864 seções e 1.795.241 eleitores, no relatório anexo à petição da coligação de Lula em 17/10. 2.033 seções e 592.870 eleitores, numa consulta ao sistema do TSE em 18/10. 1.106 seções e 321.382 eleitores, no painel oficial do TSE em 18/10, às 20h27: cerca de um quarto do número de 16/10.
Fizemos a conta pelos dois arquivos do TSE, o de locais do 1º turno e o do 2º, seção por seção. 1.211 seções e 348.568 eleitores trocam de prédio de verdade, em 212 municípios. Dessas, 781 voltam ao prédio original depois de um 1º turno em local temporário. Voltar para casa não é ser mandado para um endereço novo.
Se a pergunta é quantas seções seguem fora do prédio original no 2º turno, a resposta é 6.036, com 1,77 milhão de eleitores. O total de eleitores fica a 1,6% do da coligação. O de seções difere: 4.864 contra 6.036.
A distância típica é pequena: mediana de 382 m, perto dos 407 m que separam um prédio de votação do mais próximo. Mas 12,7% das novas realocações passam de 1 km. É a padaria que mudou de esquina sem aviso: quase todo freguês anda uns passos a mais, e alguns atravessam o bairro.
O clima explica pouco. De 5 a 18/10, 23,8% dos locais que mudaram tiveram dia com mais de 20 mm de chuva, contra 31,7% do grupo de controle. E só 28 dos 334 pares de locais têm motivo em nota de TRE que lemos.
A pergunta certa não é quantas seções mudaram. É por que cada uma mudou e para onde. Isso o TSE não publica por seção.
Post 02/03 · A ferramenta
Arvor · Locais de votação02 / 03
A ferramenta
A sua seção mudou? Confira em 10 segundos
382 mmediana entre o endereço antigo e o novo, em linha reta
1271 caracteresSua seção mudou de endereço para o 2º turno? Em 25/10, em alguns casos, você vota em outro prédio. Conferir leva 10 segundos.
O Politize sua vizinhança agora avisa. Digite UF, zona e seção. Se a seção mudou, o alerta mostra onde você votou no 1º turno, onde vota em 25/10, a distância em linha reta e um botão que abre o novo endereço no Google Maps. Tem também o link para conferir no e-Título.
A lista do aplicativo é a união de duas fontes do TSE: o arquivo de locais de votação e o painel de seções alteradas. Juntas, somam 1.362 seções e 387.185 eleitores. As fontes não batem em toda seção: 966 aparecem nas duas, 256 só no arquivo e 140 só no painel. Por isso o alerta manda conferir no e-Título. Se nada aparecer, isso não prova que a seção não mudou.
A distância típica é de 382 m, quase o prédio ao lado. Mas 12,7% das novas realocações passam de 1 km, e para quem anda a pé isso pesa. O aviso é o recado na porta da padaria que mudou de esquina: só ajuda quem lê antes de sair de casa.
Confira a sua seção: https://brasil.arvor.co/politizesuavizinhanca.html
Depois avise vizinhos, família e colegas, antes do dia 25/10. Conversar antes é livre. No dia, boca de urna é crime (Lei 9.504/1997, art. 39, § 5º). A seção que você digita não sai do seu aparelho.
Post 03/03 · O que está em jogo
Arvor · Locais de votação03 / 03
O que está em jogo
Quem perde se a abstenção subir nessas seções
568votos de diferença a favor de Flávio, no cenário medido
1535 caracteresSeção que muda faz o eleitorado faltar mais? No 1º turno, um pouco. As urnas em local temporário tiveram 0,53 ponto a mais de abstenção que as estáveis do mesmo município, em diferença em diferenças contra 2022 (IC de 95%: 0,40 a 0,65). Acima de 5 km, +2,43 pontos. No Rio, onde o TRE transferiu locais por segurança (72 alterados no estado, segundo a Agência Pública), +1,65 pontos, e a Maré fechou o 1º turno com 28,46% de abstenção.
Aplicamos o efeito de 0,53 ponto às 6.035 urnas que seguem fora do prédio original em 25/10. Flávio perde 3.996 votos; Lula, 4.564. A diferença entre os dois muda 568 votos a favor de Flávio, porque essas urnas deram 49,69% a Lula e 43,32% a Flávio no 1º turno. É a padaria que mudou de esquina: o prejuízo cai sobre quem comprava mais ali.
Nos cenários de +2 a +20 pontos de abstenção, nas 1.146 urnas com mudança real (Lula com 52,10%, Flávio com 41,42%), a diferença varia de 711 a 7.110 votos. O saldo entre os turnos fica perto de zero: 102 votos a favor de Lula, porque 781 seções voltam ao prédio original e recuperam comparecimento.
Conclusão: centenas de votos no cenário medido, poucos milhares no teto do Rio (1.768), nunca dezenas de milhares. Medimos uma diferença, não um efeito causal, e é conta de tamanho, não previsão.
O dano real é local e recai sobre quem anda mais. O problema demonstrável é outro: quatro números públicos que não batem, painel e arquivo com 82,2% de concordância e motivo ausente. Cenários e tabelas: https://brasil.arvor.co/mudancas_secoes_abstencoes.html