Thread da auditoria BTG/Nexus de 03/08/2026 (8ª rodada, TSE BR-02874/2026, n = 2.002, CATI/RDD). Cada post traz um card 16:9 pronto para screenshot e o texto longo copiável. A ordem é a da força: a reponderação por renda, com a fórmula e o teorema das margens, abre a série (1-6), a margem fantasma da religião (7), o placar e o mapa do movimento (8-10), a transferência que o instituto mediu e o que ele não publica (11-13), o muro feminino testado quatro vezes e lido com a PNAD (14-17), os artefatos do modelo e a rejeição (18-19), o forense do desenho e do rastro documental (20-24), veredito e arquivo aberto (25-26). Sem hashtag: o X premia conteúdo, não tag.
Como publicar: screenshot em cada card (16:9 exato), Copiar texto para o corpo do post, publicar na ordem. Dossiê-mãe: brasil.arvor.co/nexus_btg_082026_1.html
Fontes públicas: relatórios, questionários, municípios e declarações do estatístico das rodadas de 27/07 e 03/08/2026 (Nexus/BTG, TSE BR-02874/2026), com hashes SHA-256 na base analítica. Benchmarks: TSE Eleitorado Atual (jun/2026) e microdados PNADC anual 2025, 1ª visita (pesos V1032 + 200 réplicas). Reprodução: scripts/nexus-btg-082026-audit.py em github.com/ArvorCo/PNAD. Retratos: Ricardo Stuckert/PR (Lula, CC BY 2.0) e Agência Senado (Flávio Bolsonaro, CC BY 2.0), via Wikimedia Commons; contexto: Agência Senado (CC BY 2.0) e Wagner Tamanaha (CC BY-SA 2.0). Feito pelos agentes de IA da Arvor.
Post 1/26 · o resultado · uma linha do perfil vira o placar
1613 charsA pesquisa BTG/Nexus de 3 de agosto dá Lula 46, Flávio 45 no segundo turno.
Trocamos uma linha do perfil da amostra e o placar inverte: Flávio 46,4, Lula 44,7.
A linha é a renda.
A Nexus registra 21,8% da amostra vivendo com até 1 salário mínimo de renda domiciliar. A PNAD Contínua anual de 2025, a régua oficial do país, encontra 13,5%, com margem de 0,25 ponto sobre 200 réplicas do IBGE. São 8,3 pontos a mais exatamente na única faixa em que Lula vence, e vence por 58 a 32.
Na outra ponta falta gente. A amostra tem 20,8% acima de 5 salários mínimos; a PNAD encontra 25,3%. É a faixa em que Flávio abre 50 a 43.
Mantivemos todas as respostas publicadas pela Nexus. Trocamos só o tamanho das faixas pela distribuição oficial e ancoramos no topline. A vantagem de +1,0 para Lula vira −1,7.
Os cinco posts seguintes abrem a conta inteira: a fórmula, a contribuição de cada faixa, o teorema que explica por que é a renda e não outra margem, os testes de robustez e o que enfraquece o achado.
Três limites, ditos antes que perguntem:
1. Não é uma pesquisa corrigida. A ponderação oficial da Nexus é conjunta e os pesos não são publicados. Isto é análise de sensibilidade, uma margem por vez.
2. O intervalo da diferença no segundo turno é de ±4,2 pontos, maior que o deslocamento. Empate antes, empate depois.
3. No primeiro turno o mesmo ajuste não inverte: Lula 39,7 × Flávio 38,3.
O que a conta prova não é quem vence. É que o placar divulgado depende de uma escolha de perfil que a régua oficial não sustenta, e que essa escolha não está publicada.
Dossiê: brasil.arvor.co/nexus_btg_082026_1.html
Post 2/26 · a fórmula · erro de calibração vezes gradiente de voto
t e w em fração da amostra, v em pontos. Sem parâmetro livre, sem premissa de comportamento: aritmética sobre duas tabelas publicadas pela Nexus.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026voto por renda p. 53 · perfil da amostra p. 113
1499 charsA fórmula inteira cabe em uma linha: Δ = Σ (t − w) × v.
Em português: o deslocamento do placar é a soma, faixa a faixa, do erro de calibração multiplicado pelo gradiente de voto.
t é o alvo oficial, o tamanho que a faixa tem na PNAD Contínua anual de 2025, pessoas de 16 anos ou mais, renda domiciliar efetiva em salários mínimos, pesos do IBGE e 200 réplicas.
w é o tamanho que a mesma faixa tem na amostra publicada pela Nexus.
t − w é o erro de calibração: quantos pontos a amostra erra no tamanho daquele grupo.
v é o gradiente de voto: quantos pontos Lula faz a mais que Flávio dentro daquela faixa. Número da própria Nexus, página 53.
O produto dos dois é a contribuição da faixa. A soma das quatro é o deslocamento.
A faixa até 1 salário mínimo, por exemplo. A PNAD dá 13,50%, a amostra tem 21,78%: erro de −8,28 pontos. Dentro dela Lula vence por 58 a 32, gradiente de +26,0. Contribuição: (−8,28 ÷ 100) × 26,0 = −2,15 ponto.
Repetindo nas quatro faixas: −2,15 − 0,25 + 0,02 − 0,31 = −2,70.
Placar publicado: +1,0. Somando o deslocamento: −1,70.
Duas leituras saem daí de graça. Erro grande em faixa politicamente plana não move nada. Faixa muito inclinada com o tamanho certo também não move nada. Só o produto move, e é por isso que a maior parte das margens de uma pesquisa é inofensiva.
Não é modelo. Não tem parâmetro livre, não tem premissa nossa sobre comportamento eleitoral e não usa nenhum dado que a Nexus não tenha impresso. É aritmética sobre duas tabelas publicadas.
Post 3/26 · a conta faixa a faixa · de +1,0 a −1,7
Em entrevistas: o erro da faixa mais pobre vale 166 questionários fora do lugar em 2.002. As outras três somam 180 entrevistas e apenas −0,54 ponto.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026perfil publicado soma 101 e foi normalizado para 100
1507 charsA conta faixa a faixa, aberta.
Ponto de partida: o segundo turno publicado, Lula 46 × Flávio 45. Vantagem de +1,0.
Até 1 SM. A amostra tem 21,78%, a PNAD 13,50%. Erro de −8,28 pontos. É a única faixa em que Lula vence, e vence por 26. Contribuição: −2,15.
1 a 2 SM. A amostra tem 17,82%, a PNAD 21,94%. Faltam 4,12 pontos. Aqui Flávio já vence por 6. Contribuição: −0,25.
2 a 5 SM. A amostra tem 39,60%, a PNAD 39,23%. Praticamente calibrada, erro de 0,37 ponto. Contribuição: +0,02.
Mais de 5 SM. A amostra tem 20,79%, a PNAD 25,33%. Faltam 4,54 pontos na faixa em que Flávio abre 50 a 43. Contribuição: −0,31.
Soma: −2,70. Chegada: −1,70, ou seja, Flávio 46,4 × Lula 44,7.
Repare onde está a força. Uma faixa sozinha responde por 80% do deslocamento. Não porque a escolhemos: porque é nela que o erro de calibração e a inclinação política se encontram. Nas outras três, ou o erro é pequeno, ou o voto é parecido, ou as duas coisas.
Em entrevistas, que é a unidade que dá para contar: o excesso na faixa mais pobre equivale a 166 questionários fora do lugar em 2.002. As outras três somam 180 entrevistas deslocadas e apenas −0,54 ponto de efeito.
Duas notas de transcrição, para quem for conferir. O perfil publicado soma 101 por arredondamento e foi normalizado para 100. As linhas do cruzamento de voto também somam 100 ou 101 e foram normalizadas do mesmo jeito, e é por isso que o gradiente aparece como −4,95 e não como −5.
Reprodução: scripts/nexus-btg-082026-audit.py, no GitHub da Arvor.
Post 4/26 · o teorema · por que é a renda, e não a margem mais política
Renda é a terceira margem mais política. E uma das duas soltas.
Painéis na mesma escala, ordenados pela inclinação. Região é a margem mais política da pesquisa e move quase nada, porque bate o alvo. Renda move 95% do próprio teto.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/20262º turno, rodada de 03/08 · alvos TSE (jun/26) e PNAD 2025
2000 charsTestamos a hipótese óbvia e ela caiu.
A hipótese: a renda move o placar porque renda determina o voto mais do que as outras divisões. Falso. O próprio relatório derruba.
Amplitude do gradiente, a distância entre a categoria mais lulista e a mais bolsonarista dentro de cada margem no 2º turno: região 38,4 pontos, idade 37,0, renda 32,9, sexo 32,8, escolaridade 5,0.
Renda é a terceira. Não é a margem mais política da pesquisa, nem perto disso.
O que explica é um teorema, não uma intuição. Como o erro de calibração soma zero entre as categorias, vale |Δ| ≤ TVD × amplitude: o quanto uma margem pode mover o placar é limitado pelo produto entre o erro de calibração dela e a inclinação política dela. São duas condições ao mesmo tempo. Falta uma, a margem é inerte por construção.
Erro de calibração medido nesta rodada: renda 8,66%, escolaridade 2,77%, idade 1,23%, região 0,51%, sexo 0,18%.
Agora fecha. Região é a mais inclinada e move −0,17, porque bate o alvo. Escolaridade erra 2,77% e move −0,10, porque é politicamente plana. Renda tem as duas coisas e move −2,70, consumindo 95% do teto que o teorema permite.
Por que só a renda erra? Sexo, idade e escolaridade são cota de campo declarada no relatório, e o registro no TSE acrescenta região: são travadas antes da primeira ligação, e vieram congeladas dígito por dígito entre as duas ondas. Renda não é cota em nenhum dos dois documentos. Entra só como ponderação declarada.
Correção necessária, e ela reforça o método: renda não está sozinha. Ocupação também não tem cota, também erra feio (7,63%) e move +0,81, na direção contrária, para Lula. O motor é o excesso de formais: 43% na amostra contra 36,8% na PNAD, e o formal é o segmento mais anti-Lula da tabela. Isso responde por 86% do deslocamento.
Publicamos as duas. As margens sem cota erram sete vezes mais que as travadas, e puxam para lados opostos. Somadas, ainda invertem o sinal, agora por 0,9 e não por 1,7.
Não é acusação, é desenho: o que não é travado, flutua.
Post 5/26 · robustez · o ponto de virada e as duas incertezas
Não é preciso chegar à PNAD. Bastava a faixa até 1 SM valer 18,7% da amostra em vez de 21,8%. A PNAD diz 13,5%.
A Nexus está do outro lado do ponto de virada com folga, não em cima dele.
166 entrevistas fora do lugarnenhum intervalo devolve o sinal
10.000 sorteios compatíveis com as tabelas impressas para o arredondamento; 200 réplicas oficiais do IBGE para a PNAD.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026ponto de virada, arredondamento e réplicas na base analítica
1444 charsQuanto dessa conta sobrevive a quem quiser derrubá-la?
Primeiro teste: o ponto de virada. Não é preciso ir até a PNAD para o placar empatar. Bastam 37,1% do caminho entre o perfil da amostra e o perfil oficial. Em número direto: a faixa até 1 salário mínimo teria de valer 18,7% da amostra, em vez dos 21,8% publicados. A PNAD diz 13,5%. A Nexus está do outro lado do ponto de virada com folga, não em cima dele.
Traduzindo para a unidade que dá para contar: o excesso na faixa mais pobre equivale a cerca de 166 entrevistas fora do lugar, em 2.002.
Segundo teste: o arredondamento. As tabelas publicadas vêm em números inteiros, então cada célula pode estar até meio ponto para qualquer lado. Sorteamos 10.000 combinações compatíveis com o que está impresso e refizemos a conta em cada uma. O gap reponderado fica entre −1,78 e −1,61.
Terceiro teste: a própria PNAD é uma amostra, não um censo. Repetimos a conta com as 200 réplicas oficiais do IBGE, que é como se mede a incerteza amostral da pesquisa domiciliar. O deslocamento fica entre −2,79 e −2,63.
Nenhum dos dois intervalos devolve o sinal. Nenhum dos dois chega perto de zero.
O que continua valendo, e dissemos no primeiro post: o intervalo da diferença no segundo turno é de ±4,2 pontos, maior que o deslocamento. Empate antes, empate depois.
Ou seja, o que muda não é a certeza sobre quem vence a eleição. É quem aparece na frente da manchete, e por qual escolha de perfil.
Post 6/26 · julho, o degrau e o que enfraquece o achado
Em julho o desvio era maior. E Lula continuava na frente.
O viés de composição não cresceu: passou de −3,13 para −2,70. O que encolheu foi a vantagem publicada, de 4 pontos para 1.
Até 1 SM+26,00
1 a 2 SM−6,00
2 a 5 SM−4,95
5+ SM−6,93
Vantagem de Lula sobre Flávio dentro da faixa. A renda não é rampa, é degrau: entre as três faixas de cima, a variação é de 1,98 ponto.
Vantagem de Lula no 2º turno, em pontos. Em vermelho, o deslocamento produzido pela renda em cada onda.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026reponderação idêntica nas duas ondas
1586 charsA objeção previsível: escolheram a rodada que dava o resultado que queriam.
Resposta: a mesma conta, na rodada anterior, não virava nada. E o desvio era maior.
Em 27 de julho a amostra tinha 23% na faixa até 1 salário mínimo, contra os mesmos 13,5% da PNAD. O deslocamento foi de −3,13, mais forte que os −2,70 de agosto. Só que a vantagem publicada era de +4,0. Reponderada, ficava em +0,87. Lula continuava na frente, e publicamos assim.
Uma semana depois, o viés de composição não cresceu. Encolheu um pouco. O que virou o sinal foi a vantagem publicada, que caiu de 4 para 1 ponto e passou a caber inteira dentro do desvio.
Agora a fragilidade do método, dita por nós antes que digam por nós.
A renda não é rampa, é degrau. Na faixa até 1 salário mínimo, Lula vence por 26 pontos. Nas outras três, Flávio vence por 6,00, por 4,95 e por 6,93. A variação entre essas três é de 1,98 ponto: para efeito de voto, elas são o mesmo grupo. A conta inteira depende, portanto, do tamanho de uma faixa só.
Isso é a fragilidade do método e é também a sua transparência. Não há como esconder o que faz o trabalho, e qualquer leitor pode atacar exatamente esse ponto.
Os limites, repetidos de propósito. Isto é análise de sensibilidade, não pesquisa corrigida. A ponderação oficial da Nexus é conjunta e não publicada. Mexemos em uma margem por vez, sem interação com sexo, idade ou região. E o intervalo da diferença continua maior que o deslocamento.
Resolver isso não exige confiar em ninguém. Exige o arquivo aberto: pesos, distribuição-alvo, edição da PNAD usada e efeito de desenho.
A religião mudou 5 pontos. Ninguém controla a religião.
Sexo, idade, escolaridade e região: congelados dígito por dígito entre as ondas. Católicos: 53% → 48%. Evangélicos: 25% → 30%.
Com o perfil religioso de julho, as respostas de agosto dariam 46,8 × 44,0 no 2º turno. Mais de dois terços do estreitamento é composição, não opinião.
Católicos 27/0753%
Católicos 03/0848%
Evangélicos 27/0725%
Evangélicos 03/0830%
Entre evangélicos, o voto não se moveu: Lula 28 e Flávio 50 nas DUAS ondas. O que mudou foi quantos evangélicos a amostra tem. z = 3,55 sob amostra aleatória simples (p = 0,0004).
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026perfis: pp. 117 (jul) e 113 (ago) · crosstabs pp. 28 e 52
1620 charsO achado mais importante da auditoria. Não está em nenhuma manchete.
A Nexus controla a amostra por cotas de sexo, idade e escolaridade, e calibra região, renda e força de trabalho. Conferimos os perfis publicados das duas ondas: TODAS essas margens estão congeladas, dígito por dígito. 53/47 no sexo. 12/30/34/24 na idade. 16/28/42/14 na região. Idênticas.
Só uma margem grande se moveu: a religião. Católicos caíram de 53% para 48% da amostra; evangélicos subiram de 25% para 30%. Cinco pontos em sete dias, na margem de maior gradiente político do relatório inteiro: entre evangélicos, Flávio faz 50% no 1º turno; entre católicos, 34%.
E a religião não é cota, não é alvo de ponderação e não é comentada em lugar nenhum do relatório.
A conta que isso permite: pegar as taxas de voto de agosto e pesá-las pela composição religiosa de julho. Resultado no 2º turno: 46,8 × 44,0, vantagem de 2,8 pontos, não de 1. Ou seja: dos 3 pontos de estreitamento publicados, mais de 2 são troca de composição da amostra, não gente mudando de ideia. Entre evangélicos, aliás, NINGUÉM mudou de ideia: Lula 28 e Flávio 50 nas duas ondas, idênticos.
Sob amostra aleatória simples, uma mudança dessas tem p = 0,0004. Para virar ruído normal, seria preciso um efeito de desenho de 3,3. O instituto não publica efeito de desenho.
O que NÃO estamos dizendo: que foi de propósito. Religião não se controla em discagem aleatória, e flutuação de composição é exatamente o que RDD produz. O problema é estrutural e pior que má-fé: o placar que vira manchete se move por uma margem que ninguém controla, ninguém pondera e ninguém comenta.
Post 8/26 · o fato · uma diferença sobrevive, a outra não
No 2º turno não há liderança. No 1º, ela cabe em 0,1 ponto.
Flávio subiu 4 no primeiro turno e 2 no segundo em uma semana. A diferença de 1 ponto no 2º turno tem margem de ±4,2 e contém o zero. A de 4 pontos no 1º turno tem ±3,9 e termina em +0,1.
A série de oito rodadas sustenta a palavra reação. Não sustenta virada.
De 9 pontos para 4 em uma semana. O espontâneo confirma pouco: Lula 36 (estável), Flávio 27 → 28.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026séries: relatórios 30/03 a 03/08 · margens SRS no dossiê
1928 charsAntes de auditar, o fato. E o fato desta rodada é grande.
Primeiro turno: Lula 41, Flávio 37. Na semana passada eram 42 × 33. Flávio ganhou 4 pontos em sete dias; Lula perdeu 1.
Segundo turno: Lula 46, Flávio 45. Era 47 × 43.
Duas diferenças, dois destinos estatísticos distintos, e a distinção importa.
No SEGUNDO turno, a vantagem de 1 ponto tem margem de ±4,2. O intervalo vai de −3,2 a +5,2: contém o zero e contém também o cenário em que Flávio está na frente. Não há liderança a declarar.
No PRIMEIRO turno, a vantagem de 4 pontos tem margem de ±3,9. O intervalo vai de +0,1 a +7,9: não contém o zero. A liderança de Lula sobrevive, e sobrevive por um décimo de ponto.
Esse décimo é o ponto. Todas essas contas assumem amostra aleatória simples, a hipótese mais generosa possível com o instituto. Bastaria um efeito de desenho de 1,07 para a vantagem do primeiro turno virar empate, e só a calibração geográfica que medimos nos anexos de municípios já vale 1,033. O número que resolveria a dúvida é o efeito de desenho real, e a Nexus não publica efeito de desenho nenhum.
O que sustenta a leitura de "reação" e não de ruído:
· O espontâneo acompanhou na direção certa (Flávio 27 → 28, Lula estável em 36), embora pouco.
· O voto declarado como definitivo subiu de 73% para 75%, com os dois núcleos endurecendo (Lula 81% de certeza, Flávio 80%).
· O movimento aparece coerente nos recortes: homens, Nordeste, interior, eleitor anti-ambos. Ruído puro não escolhe endereço.
O que NÃO se pode dizer: que Flávio "virou" ou que Lula "desabou". A série mostra Flávio entre 33 e 38 há cinco meses; 37 é o teto da própria série, não um mundo novo.
Duas disputas abertas, nenhum líder estatístico. Esse é o placar honesto. Nos próximos posts, o que a lupa encontra: onde o movimento mora, quanto vale a transferência da direita, e a pergunta de sempre: por que o arquivo que permitiria conferir tudo isso continua fechado.
Post 9/26 · o mapa do movimento · homens, Nordeste, anti-ambos
Lula recuou 1 ponto. Flávio avançou 4. O combustível não veio do eleitor de Lula: veio do eleitor que não estava com ninguém.
Entre mulheres, quase nada: 28% → 29%. O muro de 19 pontos segue de pé (post adiante).
Homens+6
Nordeste+10
Anti-ambos+10
Interior+6
Mulheres+1
Variação de Flávio em pontos, 1º turno, entre as rodadas de 27/07 e 03/08. Recortes têm margem maior que o total nacional.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026crosstabs das duas rodadas · pp. 29, 51 e 53
1328 charsOnde mora o salto de 4 pontos de Flávio? O crosstab das duas rodadas responde, e a resposta desenha a fronteira da eleição.
HOMENS: Flávio foi de 39% para 45% no 1º turno. Seis pontos em uma semana. Entre mulheres: de 28% para 29%. O salto é quase inteiramente masculino.
NORDESTE: de 24% para 34%. Dez pontos. Lula caiu de 57% para 48% na mesma região. É o maior deslocamento regional da série (post próprio adiante, com as cautelas devidas).
O ELEITOR ANTI-AMBOS: no cluster que a Nexus define como avesso a Lula E a Bolsonaro, Flávio foi de 17% para 27%. Lula caiu de 31% para 25%. Leia de novo: no espaço teoricamente equidistante, o filho avançou 10 e Lula recuou 6.
INTERIOR: Flávio chega a 41%, contra 40% de Lula. Empate seco fora das capitais. Nas capitais, Lula vence por 44% a 29%. A geografia da Datafolha de julho (interior 45 × 45) reaparece na Nexus com outro método.
E o dado que desarma a narrativa fácil: Lula quase não perdeu voto próprio (41 → 41 na série estimulada, 36 estável no espontâneo). Flávio cresceu consolidando o eleitor disperso e o indeciso do próprio campo, não convertendo lulista.
Isso importa para o segundo turno: crescimento por consolidação tem teto, e o teto é a soma do campo. Quanto falta até o teto, e se a transferência declarada chega lá, é o assunto dos próximos dois posts.
Post 10/26 · Nordeste · 19 pontos em uma semana, e as cautelas
1º turno: de 57 × 24 para 48 × 34. 2º turno: de 62 × 30 para 52 × 39. Lula ainda vence com folga, mas a folga encolheu 19 pontos.
Cautela em dose dupla: o estrato regional tem margem bem maior que ±2, e o relatório não abre UF. Não se sabe se é Bahia, Pernambuco ou Maranhão.
27/07 · 1ºT57×24
03/08 · 1ºT48×34
27/07 · 2ºT62×30
03/08 · 2ºT52×39
Vermelho: Lula. Azul: Flávio. Nordeste = 28% do perfil ponderado da amostra (n ponderado ≈ 560, margem ≈ ±4,1 por estimativa, maior no contraste).
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026pp. 29 e 53 das duas rodadas
1503 charsO número mais espantoso da rodada precisa ser publicado com o freio de mão puxado. Vamos fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
O número: no Nordeste, a vantagem de Lula sobre Flávio caiu de 33 pontos (57 × 24) para 14 (48 × 34) no primeiro turno. No segundo turno, de 32 para 13. Dezenove pontos de fechamento em sete dias, na região que decidiu as últimas eleições.
O freio de mão:
1. TAMANHO DO ESTRATO. O Nordeste pesa 28% da amostra: cerca de 560 entrevistas ponderadas. A margem de um percentual regional fica perto de ±4, e a margem da DIFERENÇA entre duas rodadas é maior ainda. Parte dos 19 pontos pode ser ruído amostral. Dificilmente tudo: o movimento aparece nas duas bocas e acompanha o resto do mapa.
2. SEM ABERTURA DE UF. O relatório publica só a região agregada. Não existe como saber se o fechamento é na Bahia, em Pernambuco ou no Maranhão, e qualquer análise que atribua o movimento a um estado específico está inventando dado.
3. ROTAÇÃO TERRITORIAL. Entre as duas ondas, só 45% dos municípios se repetem (post adiante). Em RDD isso é esperado, mas amplia a volatilidade regional entre rodadas. Sem os pesos e o efeito de desenho, não dá para separar movimento real de recomposição amostral.
O que sobra depois do freio: um deslocamento grande, coerente entre primeiro e segundo turno, na direção que outros recortes confirmam. Reação real, magnitude incerta. Quem tratar 19 pontos como medição precisa está errando para um lado; quem tratar como zero está errando para o outro.
A transferência foi medida. E ela não fecha para Flávio.
A p. 51 publica o cruzamento do 1º com o 2º turno para o eleitorado dos seis candidatos menores. Não é estimativa nossa: é medição do instituto.
Desses 15,2 pontos, Flávio leva 45,9%. Para vencer no primeiro turno precisaria de cerca de 68%. E quase um terço prefere branco ou nulo.
Barras: percentual do pool dos seis candidatos menores em cada destino, pelo cruzamento publicado.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026relatório de 03/08, p. 51 · cruzamento publicado
1471 charsCorreção importante, e ela deixa o achado mais forte, não mais fraco.
A Nexus PUBLICA a matriz de transferência. Está na página 51 do relatório: o cruzamento entre o voto de 1º turno e o de 2º turno, para o eleitorado de cada candidato menor. Não é estimativa de ninguém. É medição do instituto, e quase nenhuma cobertura usou.
O que ela mede, transcrito:
· Eleitor de Caiado: 52% Flávio, 17% Lula, 30% branco/nulo
· Eleitor de Zema: 57% Flávio, 12% Lula, 27% branco/nulo
· Eleitor de Renan: 40% Flávio, 15% Lula, 45% branco/nulo
· Eleitor de Cury: 40% Flávio, 43% Lula, 18% branco/nulo
· Eleitor de Daciolo: 31% Flávio, 35% Lula, 11% branco/nulo, 22% não sabe
· Eleitor de Samara: 25% Flávio, 33% Lula, 33% branco/nulo
Somando com o peso de cada candidatura, esses seis eleitorados valem 15,2 pontos do primeiro turno e se repartem assim: Flávio 45,9%, branco ou nulo 31,5%, Lula 19,5%, não sabe 3,1%.
Três consequências, todas medidas:
1. A RAZÃO REAL É 2,35 PARA 1. Flávio tira 6,95 pontos desse pool contra 2,96 de Lula. Vantagem grande, e nossa, não inferida.
2. E MESMO ASSIM NÃO BASTA. Para vencer no primeiro turno ele precisaria absorver cerca de 68% do pool. O instituto mediu 45,9%. A vitória em turno único não está no dado.
3. O BRANCO/NULO É O TERCEIRO MAIS VOTADO DESSE ELEITORADO. 31,5% recusam os dois finalistas. Entre os eleitores de Renan, 45%.
Quem soma "direita + direita" está somando um bloco que a própria pesquisa mostra que não se soma.
Post 12/26 · a prova da página 51 e o que ela não cobre
A p. 51 abre a transferência do eleitorado dos seis candidatos menores. Não abre a das quatro origens que mais pesam: a base de Lula, a de Flávio, o branco/nulo e o indeciso do 1º turno.
Essas quatro valem 85 dos 100 pontos. É aí, e só aí, que a auditoria precisa estimar.
Relatório BTG/Nexus 03/08/2026, p. 51. Seis origens medidas; as quatro maiores ficam de fora.
1626 charsA página 51 é a mais valiosa da rodada. Também é a que mostra, pelo que NÃO traz, onde a pesquisa fica opaca.
O que ela cobre: seis linhas da matriz de transferência, uma para o eleitorado de cada candidato menor. Somadas, 15,2 pontos do primeiro turno. Medição limpa.
O que ela não cobre: as outras quatro origens, que valem 85 dos 100 pontos.
· A base do próprio Lula (41 pontos): quantos ficam com ele no 2º turno?
· A base do próprio Flávio (37): idem.
· Quem votou branco ou nulo no 1º turno (4).
· Quem estava indeciso (3).
Sem essas quatro linhas, não se sabe a taxa de fidelidade de nenhum dos dois finalistas. É o número que decide segundo turno, e ele não está publicado.
Como preenchemos, com o rótulo na testa: prior ideológica explícita (base majoritariamente fiel, cruzamento entre campos perto de zero, branco/nulo do 2º turno alimentado por quem perdeu o candidato) e ajuste proporcional iterativo até bater exatamente nas margens divulgadas. No diagrama do dossiê, as seis linhas medidas aparecem sólidas e as quatro estimadas aparecem hachuradas. A distinção é a informação principal do gráfico.
O que sobrevive à troca da prior: a razão de consolidação agregada, 1,66 a 1 para Flávio, porque ela é imposta pelas margens publicadas. Era 2 a 1 em julho: Flávio segue colhendo mais fora da base, mas Lula passou a consolidar melhor.
O que NÃO sobrevive: qualquer afirmação sobre fidelidade de base. Essa a Nexus tem, e não divulgou.
Aviso de sempre: as bases da p. 51 são fatias de 1% a 5% de 2.002 entrevistas, com margens enormes e bases brutas não publicadas. Ordem de grandeza, não precisão decimal.
Post 13/26 · o teto aritmético · caminho existe, conversão não
Caiado, Renan, Zema, Cury e Daciolo somam 14 pontos. Para cruzar 50% dos válidos no primeiro turno, Flávio precisa absorver cerca de 9,5 deles.
A migração declarada aponta metade, não dois terços. O caminho existe; a conversão, ainda não.
O que ele tem37
O que precisa≈46,5
Pool disponível14
Escala: pontos do eleitorado total. 46,5 do total ≈ 50% dos válidos projetados. Hachura: o pedaço que depende de transferência.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026aritmética descritiva sobre os toplines publicados
1454 charsA aritmética que define a estratégia dos dois lados, em quatro linhas.
Flávio tem 37. O pool de direita e centro fora dele (Caiado 5, Renan 4, Zema 3, Cury 1, Daciolo 1) soma 14. Branco/nulo e indecisos, mais 7.
Para vencer no primeiro turno, Flávio precisa de cerca de 50% dos votos válidos. Projetando o branco/nulo atual, isso dá uns 46,5 pontos do eleitorado total. Faltam 9,5. Se vierem todos do pool de 14, ele precisa converter 68%.
A migração declarada (post anterior) diz: Caiado entrega 52%, Zema 57%, Renan 40%. Média ponderada do pool: perto da metade. Metade de 14 são 7 pontos. Com 7, Flávio vai a 44 e não cruza a linha no primeiro turno.
Do outro lado, a mesma aritmética consola pouco o Palácio: Lula tem 41 e o teto visível dele é o próprio 46-49 do segundo turno. A vantagem estrutural de Lula não é ter mais para crescer. É precisar crescer menos.
Consequências práticas, descritivas, sem torcida:
· A eleição de Flávio no 1º turno passa por retirar candidaturas, não por convencer eleitor a eleitor. Cada desistência move blocos de 3 a 5 pontos com conversão de 50-57%.
· A de Lula passa por manter o campo adversário fragmentado até setembro.
· Renan Santos é o pivô invertido: os 4 pontos dele transferem mal (40%) e geram o maior branco/nulo. Mantê-lo na disputa custa menos a Lula do que parece.
Tudo isso descreve agregados desta pesquisa. Não descreve indivíduos, e margem de recorte pequena vale para cada número citado.
1º turno: Lula 48 × 29 entre mulheres, os mesmos 19 pontos de julho. 2º turno: 54 × 37. Enquanto homens moveram 6 pontos, o eleitorado feminino moveu 1.
Metade do eleitorado não se moveu de uma onda para a outra. É o recorte mais estável das duas rodadas.
Mulheres · 1ºT48×29
Homens · 1ºT34×45
Mulheres · 2ºT54×37
Homens · 2ºT37×53
Vermelho: Lula. Azul: Flávio. A eleição brasileira de 2026 é, hoje, um referendo de sexo: 19 pontos para um lado, 16 para o outro.
1519 charsA semana que mexeu no Nordeste, nos homens e no eleitor anti-ambos não mexeu no maior bloco de todos: as mulheres. E mulheres são 53% da amostra e 52,8% do eleitorado no cadastro do TSE.
Os números de 03/08:
· 1º turno: Lula 48 × 29 entre mulheres. Em 27/07 era 47 × 28. Os DOIS subiram 1: o gap de 19 pontos ficou idêntico.
· 2º turno: Lula 54 × 37. Era 54 × 36. Gap de 18 para 17.
· Aprovação do governo: 54% entre mulheres, 39% entre homens.
Do outro lado do espelho, os homens: Flávio 45 × 34 no 1º turno (era 39 × 37), 53 × 37 no 2º. Seis pontos de movimento em uma semana.
A eleição de 2026, vista por este recorte, é um referendo de sexo. No 1º turno, Lula tem 19 pontos de vantagem entre mulheres e Flávio tem 11 entre homens. No 2º, 17 e 16. E a fronteira não se move: nas duas rodadas auditadas o gap feminino é 19 no 1º turno e vai de 18 para 17 no 2º. O relatório não publica esse recorte em série, então duas observações é o que existe.
O que isso NÃO diz: por quê. A pesquisa não pergunta trajetória, condição doméstica, renda própria (pergunta a domiciliar), e a categoria "mulheres" esconde mais do que revela: 53% do eleitorado não é um bloco, é metade de um país.
Para chegar mais perto do porquê sem inventar dado, fomos à régua oficial: a PNAD 2025 permite decompor QUEM SÃO as mulheres de 16 anos ou mais no Brasil real: renda, trabalho, chefia de domicílio, escolaridade. É o próximo post, com um aviso desde já: a PNAD não mede voto. Mede as condições de vida sobre as quais o voto acontece.
Post 15/26 · o muro testado quatro vezes · 54-54-54-54
2º turno entre mulheres · quatro cenários, mesma amostra
Troque o adversário. Lula fica em 54.
Contra Flávio, Zema, Caiado ou Renan, Lula marca os mesmos 54% entre mulheres. O adversário faz 37, 31, 32 e 29, e a diferença vai inteira para branco e nulo.
O muro não é elasticidade de Lula. É o campo adversário que não retém voto feminino quando troca de nome.
× Flávio54×37
× Zema54×31
× Caiado54×32
× Renan54×29
Vermelho: Lula, travado em 54. Azul: o adversário do cenário. Lime: branco/nulo, que cresce de 7 para 13 conforme o nome enfraquece.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026cenários alternativos de 2º turno · mesma amostra, mesmos pesos
1599 charsA pesquisa testou o segundo turno quatro vezes, com quatro adversários diferentes, nas mesmas 2.002 pessoas. Entre as mulheres, o resultado é um dos números mais eloquentes do ano:
Lula × Flávio: 54 × 37
Lula × Zema: 54 × 31
Lula × Caiado: 54 × 32
Lula × Renan: 54 × 29
Cinquenta e quatro. Quatro vezes. Sem mover um ponto.
E o lado direito da conta é igualmente informativo: o que o adversário perde ao trocar de nome não vai para Lula. Vai para branco e nulo, que sobe de 7 (contra Flávio) para 11, 11 e 13.
Por que isso importa mais do que parece:
1. O muro feminino NÃO é elasticidade de Lula. Se fosse carisma ou mobilização, o número dele oscilaria com o adversário. É um teto rígido de rejeição ao campo: a eleitora que não vota no campo bolsonarista não vota nele com nenhum nome, e a que vota, vota mais no nome mais forte (Flávio, 37, é o melhor dos quatro).
2. Flávio é, hoje, o melhor nome do campo entre mulheres. Quem defende trocá-lo por Zema ou Caiado para "falar com as mulheres" está propondo trocar 37 por 31 ou 32, segundo a única medição disponível.
3. A rejeição confirma: 56% das mulheres não votariam em Flávio de jeito nenhum (homens: 42%). E o potencial declarado dele entre mulheres é 39%, dois pontos acima do que já tira. Não há folga feminina a converter; há muro a contornar por outros recortes.
Método: cenários alternativos na mesma amostra são a restrição observada mais forte que uma pesquisa publica, porque recrutamento, pesos e semana se cancelam. A comparação é entre colunas de cenário, não entre eleitores: ninguém foi seguido de um cenário ao outro.
Post 16/26 · mulheres na PNAD · o país por trás do muro
Mais escolarizada, mais pobre, mais chefe de família
A PNAD não mede voto. Mede o país em que o voto acontece. E o retrato da brasileira adulta tem três traços que nenhuma análise eleitoral pode ignorar.
52,4% dos domicílios do país têm uma mulher como responsável. E 13,7% das mulheres adultas declaram receber o Bolsa Família, contra 1,8% dos homens: 7,6 vezes mais.
Indicador 16+
Mulheres
Homens
Renda média do trabalho
R$ 3.632
R$ 4.513
Na força de trabalho
54,2%
74,5%
Ensino superior
27,7%
22,5%
Recebe Bolsa Família
13,7%
1,8%
Chefia o domicílio
52,4%
47,6%
Trabalho doméstico
11,3%
0,8%
PNAD Contínua: anual 2025 (1ª visita) e trimestral 1T/2026, pesos oficiais + 200 réplicas. ICs no JSON da auditoria.
1467 charsO post anterior mostrou o muro: 19 pontos de vantagem de Lula entre mulheres, parado há oito rodadas. A pesquisa não explica por quê. A PNAD ajuda a descrever SOBRE O QUE o muro está construído.
Retrato da mulher brasileira de 16 anos ou mais, na régua oficial (PNAD 2025/2026, pesos e réplicas do IBGE):
ELA É MAIS ESCOLARIZADA QUE ELE. 27,7% têm ensino superior, contra 22,5% dos homens. No ensino fundamental incompleto a relação inverte: 31,6% contra 35,0%.
E AINDA ASSIM GANHA MENOS. Renda média do trabalho: R$ 3.632 contra R$ 4.513 (80,5%). Por hora trabalhada: R$ 22,30 contra R$ 24,82 (90%). Metade da diferença total é jornada: 37,3 contra 41,2 horas.
METADE FICA FORA DO MERCADO. Taxa de participação: 54,2% contra 74,5%. Vinte pontos de diferença. Do trabalho doméstico remunerado, ela é 92%.
ELA CHEFIA A CASA. 52,4% dos domicílios brasileiros têm mulher como responsável. Não é nicho: é a maioria dos lares do país.
E O ESTADO CHEGA NELA EM NOME PRÓPRIO. 13,7% das mulheres adultas declaram receber o Bolsa Família elas próprias, contra 1,8% dos homens. Razão de 7,6 para 1, por desenho do programa, que prioriza a mulher como titular.
Nada disso "explica" o voto, e quem disser que explica está vendendo causalidade sem dado. Mas descreve a assimetria material: o eleitorado feminino tem relação direta, mensal e nominal com a transferência de renda federal, e o masculino, quase nenhuma. Próximo post: onde no mapa essa assimetria é mais funda.
Renda domiciliar per capita: R$ 1.621 no Nordeste, R$ 3.009 no Sul. Uma em quatro nordestinas vive com até 1 salário mínimo per capita; no Sul, uma em doze.
Onde a Nexus mediu o maior deslocamento da semana é exatamente onde a condição material feminina é mais frágil. Correlação descritiva; causa, ninguém mediu.
Mulheres 16+
NE
N
SE
Sul
CO
Renda p.c. média
1.621
1.730
2.913
3.009
2.970
Até 1 SM p.c.
25,2%
18,0%
10,5%
8,5%
9,5%
Bolsa Família
35,0%
35,5%
11,3%
7,5%
12,7%
Ocupadas
41,4%
47,2%
54,7%
57,7%
56,8%
Renda em R$ de abril/2026. Bolsa Família = vive em domicílio beneficiário. O Nordeste concentra 26,8% das mulheres adultas do país.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026PNAD anual 2025 · reprodução no GitHub da Arvor
1613 charsJunte os dois mapas da semana. O da Nexus: o Nordeste fechou 19 pontos, e o eleitorado feminino nacional não se moveu. O da PNAD: a geografia material das mulheres brasileiras.
Renda domiciliar per capita média das mulheres de 16 anos ou mais:
· Nordeste: R$ 1.621
· Norte: R$ 1.730
· Sudeste: R$ 2.913
· Centro-Oeste: R$ 2.970
· Sul: R$ 3.009
A nordestina vive, em média, com 54% da renda da sulista. Uma em cada quatro (25,2%) está em domicílio com até 1 salário mínimo por pessoa; no Sul, uma em doze (8,5%). Em domicílio beneficiário do Bolsa Família: 35% no Nordeste, 7,5% no Sul. Ocupadas: 41,4% contra 57,7%.
Agora a sobreposição que qualquer estrategista enxerga e que precisa ser dita com disciplina: os recortes onde Lula vence na Nexus (mulheres, Nordeste, renda até 1 SM: 58 × 32) são os recortes onde a presença material do Estado é maior e a renda própria é menor. Os recortes onde Flávio saltou nesta rodada (homens, formais, interior, renda média) são os de maior autonomia de renda e menor transferência.
O que isso É: contexto descritivo, da régua oficial, com intervalo de confiança publicado.
O que isso NÃO É: prova de que "o Bolsa Família compra voto" ou de que "a mulher vota com o benefício". A PNAD não mede voto; a Nexus não mede renda pessoal. Ligar os dois num nexo causal exigiria microdados que nenhuma das duas fontes oferece, e quem afirma o nexo sem esses dados está fazendo campanha, não análise.
O muro de 19 pontos tem fundação material. Saber disso muda a pergunta certa: não "como falar com mulheres", mas "qual dos dois projetos altera a condição que a PNAD descreve".
Post 18/26 · o modelo Nexus · aversão vendida como identidade
O "bolsonarista que vota em Lula" é artefato possível
A Nexus reporta 21% de voto em Lula dentro do cluster "bolsonarista convicto". A manchete escreve sozinha. O problema é o rótulo, não o eleitor.
O cluster nasce de notas de sentimento contra Lula e contra a família Bolsonaro, com pontos de corte não publicados. Não há pergunta positiva de identidade.
O instrumento mede aversão, depois batiza aversão de identidade. E 5% da amostra fica fora de qualquer cluster, sem regra publicada.
"Bolsonarista" que vota Lula · 03/0821%
Mesmo número · 27/0720%
Sem cluster nenhum5%
A estabilidade (20% → 21%) sugere que o paradoxo pertence ao construto, não a uma migração real de eleitores em uma semana.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026seção de polarização · pontos de corte não publicados
1606 charsUm em cada cinco "bolsonaristas convictos" vota em Lula, segundo a Nexus. O número está lá: 21%. A manchete se escreve sozinha, e está errada.
Como a Nexus fabrica o cluster: o entrevistado dá notas de sentimento (favorável/desfavorável) sobre Lula e sobre Bolsonaro e a família. O instituto corta essas notas em pontos que NÃO publica e batiza os grupos: "lulista convicto", "bolsonarista convicto", "anti-ambos" e assim por diante. Em nenhum momento o eleitor se declara bolsonarista. Ele é classificado.
O que o 21% provavelmente captura: eleitor com sentimento morno ou ambíguo (gosta de alguma coisa da família, desgosta de outra) que o corte joga na caixa "bolsonarista", mas que vota em Lula normalmente. Aversão medida virando identidade atribuída.
Os indícios de artefato:
· ESTABILIDADE: era 20% em 27/07, 21% agora. Migração real de eleitores oscila; artefato de construção fica parado.
· RESÍDUO: a soma dos seis clusters deixa 5% da amostra sem classificação, e a regra completa não está no relatório.
· ASSIMETRIA: o quadro simétrico ("lulista que vota Flávio") não ganha o mesmo destaque.
Por que isso importa além da pedantice: o cluster alimenta a narrativa de "voto fluido entre campos", que contradiz o resto da própria pesquisa (cruzamento entre campos perto de zero nos cenários alternativos). Quando um construto produz conclusão que os dados diretos desmentem, a resposta certa é publicar os pontos de corte. Estão fechados.
O achado útil: o instrumento mede aversão, depois transforma aversão em identidade. Ler o rótulo como identidade é erro de leitura induzido pelo desenho.
Post 19/26 · rejeição · o desconhecido também rejeita
O menos conhecido é o mais rejeitado entre quem o conhece
A Nexus publica a rejeição líquida, só entre quem conhece cada nome. Em 03/08: Renan 55%, Flávio 51%, Lula 50%, Zema 49%, Caiado 45%.
Renan tem 47% de desconhecimento e a maior rejeição do grupo entre quem o conhece. Desconhecimento não é reserva automática.
Renan Santos55%
Flávio Bolsonaro51%
Lula50%
Romeu Zema49%
Ronaldo Caiado45%
Taxa de rejeição líquida publicada pela Nexus na p. 63, apenas entre quem conhece cada candidato. Série de quatro ondas no relatório.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026bloco de conhecimento e rejeição · rodada 8
1471 chars"Renan Santos tem 47% de desconhecimento, então tem muito espaço para crescer."
Essa frase vai aparecer em relatório de banco e em live de análise. O próprio relatório da Nexus a desmente, numa página que quase ninguém abriu.
Rejeição bruta, sobre o eleitorado inteiro: Lula 49%, Flávio 49%, Renan 28%. À primeira vista Renan é o menos rejeitado do grupo.
Só que rejeição bruta divide pelo país todo, incluindo os 47% que não sabem quem Renan é. Quem não conhece não rejeita, ainda.
A conta certa divide pelos que conseguem avaliar, e a Nexus a publica na PÁGINA 63, com o nome de taxa de rejeição líquida e série de quatro ondas. Em 03/08:
· Renan Santos: 55%
· Flávio Bolsonaro: 51%
· Lula: 50%
· Romeu Zema: 49%
· Ronaldo Caiado: 45%
O candidato menos conhecido do grupo é o mais rejeitado por quem o conhece. Extrapolar o desconhecimento como reserva de crescimento exige explicar por que os primeiros 53% que o conheceram rejeitaram em maioria.
O quadro fecha com a migração da p. 51: o eleitorado atual de Renan é o que mais recusa a binária no 2º turno, com 45% de branco e nulo. Alta rejeição entre conhecidos, baixa transferência ao campo. Os 4 pontos do Missão são hoje os mais isolados do tabuleiro.
Registro necessário: a versão anterior deste post dizia que a Nexus não publicava essa tabela e estimava a rejeição líquida de Renan em 54%. A estimativa era boa, a afirmação era falsa. O dado é do instituto, está na p. 63, e a correção está no dossiê.
Post 20/26 · o chão da amostra · 55% dos municípios trocaram
Julho: 819 municípios. Agosto: 748. Repetidos: 337. Entraram 411, saíram 482. E 63,5% dos municípios têm uma única entrevista.
Em RDD isso não é fraude: o município é consequência do número sorteado. Mas amplia a volatilidade entre ondas, inclusive a regional.
Contraste: a Datafolha usa 139 municípios fixos (118 nas três ondas). Dois desenhos legítimos; nenhum publica probabilidades, pesos ou deff.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026municipios.pdf das duas rodadas · anexos TSE
1579 charsOnde a pesquisa pisou? Os anexos de municípios das duas rodadas, depositados no TSE, permitem a única conferência territorial possível. Fizemos.
Julho: 819 municípios, 2.004 entrevistas. Agosto: 748 municípios, 2.002. Municípios presentes nas DUAS ondas: 337. Ou seja: 55% do território de agosto é novo em relação a julho. Entraram 411 cidades, saíram 482.
E o dado que explica tudo: 63,5% dos municípios de agosto têm UMA entrevista. Em julho eram 66,3%, dois terços da lista. A "presença" da pesquisa numa cidade típica é um telefone que tocou uma vez.
Isso é escândalo? Não necessariamente, e aqui a auditoria precisa ser honesta contra a própria torcida. Em RDD (discagem aleatória), o município não é escolhido: é consequência do prefixo sorteado. Rotação alta entre ondas é o comportamento esperado do método. Não há como "escolher cidades amigas" num sorteio de dígitos, e nossa análise dos agregados regionais mostra a calibração funcionando (Nordeste: 25,1% bruto → 28% ponderado, como manda o alvo).
O problema é o que a rotação FAZ com a leitura: quando 55% do chão muda entre duas ondas, parte da variação regional (aquele Nordeste de 19 pontos do post 7) pode ser recomposição amostral, não movimento de eleitor. A ferramenta que separaria as duas coisas tem nome: pesos individuais, probabilidades de seleção, efeito de desenho. Nenhum dos três é publicado.
Compare com a Datafolha: 139 municípios FIXOS, 118 idênticos em três ondas. Filosofia oposta, mesma opacidade no que importa. O eleitor fica entre um chão que gira sem pesos e um chão parado sem pesos.
Post 21/26 · a margem de vitrine · probabilístico no TSE, cotas no relatório
O registro no TSE descreve amostra probabilística ("probabilidade conhecida de seleção"). O relatório, p. 4, descreve cotas. Os dois textos, do mesmo instituto, sobre a mesma pesquisa, não são compatíveis.
E a geografia de campo não bate com o eleitorado: χ² de 51,9 contra o TSE (p = 0,002); o Maranhão fica na metade da sua fatia.
Margem de erro nacional
valor
Publicada na capa
±2,0
Piso com n = 2.002 (SRS)
±2,19
Com calibração por UF
±2,23
Com sexo, idade, renda, PEA…
maior, e não publicada
Deff implícito nas séries
0,37 a 5,55
Deff implícito: dispersão real das 8 ondas contra a esperada sob amostragem simples. Um único ±2 não descreve as duas pontas.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026registro TSE BR-02874/2026 x relatório p. 4 · municipios.pdf
1580 charsDois documentos, mesmo instituto, mesma pesquisa, mesmo dia. E eles se contradizem.
O plano amostral registrado no TSE: "cada número telefônico elegível dentro da área geográfica definida possui probabilidade conhecida de ser selecionado, garantindo o caráter probabilístico da amostra".
O relatório, página 4: "Para definição da amostra, a Nexus controlou as seguintes cotas: (a) sexo, (b) idade, (c) escolaridade, (d) tipo de telefonia e (e) DDD."
Não dá para ser os dois. Cota interrompe a seleção quando o estrato enche, e a probabilidade de inclusão deixa de ser conhecida. E as listas nem coincidem: o TSE lista região, o relatório lista DDD, e nenhum dos dois menciona a renda que o próprio registro declara ponderar.
Por que isso não é pedantismo: a margem de erro de ±2 só tem definição formal sob amostragem probabilística. Sob cota, é convenção decorativa. E mesmo aceitando a convenção, a aritmética não fecha: com n = 2.002, o piso é ±2,19. Só a calibração geográfica (que medimos com os anexos de municípios: χ² de 51,9 contra o eleitorado do TSE, Maranhão com metade da fatia devida, Nordeste ganhando 3 pontos por peso) leva a ±2,23. Cada margem adicional de ponderação só aumenta.
E as próprias séries da Nexus denunciam: a dispersão de 8 ondas implica efeito de desenho entre 0,37 (séries lisas demais para serem sorteios independentes) e 5,55 (comparecimento declarado). Um único ±2 não descreve nada disso.
A pergunta de sempre, pela oitava rodada: qual é o efeito de desenho desta pesquisa? O número existe. Está com o instituto. Não está com o público.
Post 22/26 · o rastro documental · a pesquisa faturada três meses antes
NFS-e nº 310: emitida em 05/05/2026, vencimento 05/06, R$ 164.888,89, "referente a pesquisa eleitoral 1 de agosto de 2026". O campo só existiu de 31/07 a 02/08.
E o e-mail do prestador na nota é juridico@fsb.com.br. O vínculo Nexus/FSB deixou de ser contexto: é documento primário depositado no tribunal.
NFS-e nº 310/DF, tomador Banco BTG Pactual. Dados bancários tarjados por esta auditoria.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026nota_fiscal.pdf · anexo do registro TSE BR-02874/2026
1704 charsNo anexo do registro TSE da rodada de agosto há uma nota fiscal. Ela conta uma história que nenhuma manchete contou.
NFS-e nº 310, Distrito Federal. Data de emissão: 5 de maio de 2026, às 19:11. Vencimento do boleto: 5 de junho. Valor: R$ 164.888,89, tomador Banco BTG Pactual. Descrição: "REFERENTE A PESQUISA ELEITORAL 1 DE AGOSTO DE 2026".
O campo dessa pesquisa aconteceu de 31 de julho a 2 de agosto. A divulgação, em 3 de agosto. A nota foi emitida, e venceu, meses antes de existir uma única entrevista.
E mais dois detalhes do mesmo maço de documentos:
1. A declaração do estatístico responsável, nas duas ondas, é assinada com certificado ICP-Brasil TRÊS DIAS ANTES de o campo começar (21/07 para o campo de 24/07; 28/07 para o campo de 31/07). A regra do TSE exige registro prévio, então isso é estrutural, não desvio. O buraco auditável é outro: não existe nenhum ato posterior confirmando que o campo declarado foi o campo realizado. O sistema cobra o compromisso antes e nunca cobra a confirmação depois.
2. O e-mail do prestador na nota fiscal é juridico@fsb.com.br, e o questionário registrado traz o timbre "FSB holding" ao lado da marca "nexus.". O pertencimento da Nexus à holding FSB, grupo com contratos de publicidade com o governo federal, está agora em documento primário no tribunal.
Leitura calibrada, porque aqui é fácil errar a mão: NADA disso é ilegal. O que a nota prova é que o calendário de rodadas de 2026 estava contratado e precificado três meses antes, por assinatura, com data marcada. A pesquisa não reage ao noticiário; ela tem cronograma e boleto. Cada rodada deveria ser lida assim: um produto de assinatura, não um termômetro espontâneo do momento político.
Post 23/26 · o que o relatório narra sem margem, e o que coleta sem publicar
A p. 114 declara ±10 pontos para desocupados e ±6 para vários recortes. As páginas seguintes narram exatamente esses recortes sem repetir a ressalva: Daciolo, com 1% (~20 entrevistados), ganha um gráfico de certeza de voto de 17% x 83%. Os 17% são cerca de três pessoas.
E a última pergunta de toda entrevista é cor ou raça. Nos dois relatórios, 236 páginas: zero menções. Coletada sempre, publicada nunca.
O que aparece
base
margem
Certeza de voto de Daciolo
≈20
±22
"11% bolsonaristas" desocupados
≈100
±10
Série do cluster "Lula alternativa"
≈100
±9,8
Cor ou raça da amostra
2.002
nunca publicada
Margens da própria p. 114 do relatório, ou aproximadas por SRS quando a página não cobre o recorte.
1784 charsA página 114 do relatório da Nexus é honesta: declara ±10 pontos de margem para desocupados, ±7 para "outras religiões", ±6 para jovens, Sul e regiões metropolitanas.
O problema é o resto do relatório, que narra como se a página 114 não existisse:
· Página 32: Cabo Daciolo, com 1% de intenção de voto (cerca de 20 entrevistados), recebe um gráfico de certeza de voto: 17% "com certeza", 83% "pode mudar". Os 17% são TRÊS PESSOAS. Augusto Cury, também com 1%, ganha o mesmo tratamento. Samara Martins, também com 1%, não aparece, e o critério de quem entra não é explicado.
· Página 12: entre desocupados, "11% são bolsonaristas convictos, contra 29% nacional". A base é ~100 pessoas e a margem declarada pelo próprio relatório é ±10. O contraste que vira insight cabe inteiro na margem.
· Página 23: a série histórica do cluster "Lula como alternativa" (5% da amostra) é publicada como trajetória de oito ondas: 54, 48, 49, 47, 61, 50, 43, 38. Com ±9,8 de margem por ponto, esse zigue-zague é compatível com uma linha reta.
E o dado que existe e nunca aparece: a última pergunta de TODA entrevista, nas duas ondas, é cor ou raça ("você se reconhece como branca, preta, amarela, parda, indígena"). Buscamos nos dois relatórios: zero ocorrências em 236 páginas. É a única margem que poderia ser conferida contra PNAD e TSE ao mesmo tempo, e é precisamente a que fica na gaveta. A composição racial da amostra é, por consequência, inauditável.
Completo o inventário com um desvio pequeno, publicado pelo mesmo padrão: a cota de idade registrada no TSE soma 101%, com três faixas arredondadas para cima e duas para baixo. Conferindo o efeito contra o gradiente de voto publicado, ele é ínfimo e joga contra Lula, não a favor. Registramos assim mesmo, e registramos a direção certa.
Post 24/26 · o questionário mudou · o que entrou e o que sumiu
A rodada 8 acrescentou Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Heró Bezerra e Edmilson Costa à cédula, e retirou a segunda opção de voto, a motivação do voto, o bloco de tarifas e dois nomes da bateria de rejeição.
Série comparável exige instrumento comparável. Cada mudança dessas é um asterisco na comparação com julho, e a inclusão vem anotada na p. 18, a retirada não.
Bloco
27/07
03/08
Candidatos na cédula
7
12
Bateria de rejeição
7 nomes
5 nomes
Segunda opção de voto
sim
não
Motivação do voto
sim
não
Bloco tarifas/EUA
sim
não
Avaliação do governo
não
sim
Bem-estar pessoal
não
sim
Ponto a favor: as perguntas de voto seguem antes das escalas de polarização e da avaliação de governo, o que protege o voto de contaminação de enquadramento.
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026questionario.pdf das duas rodadas
1964 charsEntre 27/07 e 03/08, a Nexus não mudou só o campo. Mudou o instrumento. O diff dos dois questionários depositados no TSE:
ENTROU:
· Cinco nomes na cédula estimulada: Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Heró Bezerra e Edmilson Costa. A cédula foi de 7 para 12 nomes.
· Cinco blocos de atribuição: destaque positivo e negativo do governo, "2026 x 2022" em sete itens, e quanto o governo Lula é responsável pela melhora e pela piora de cada um.
SAIU:
· A segunda opção de voto (a pergunta que alimentava a análise de transferência da própria casa).
· A motivação do voto no 2º turno, o voto ideal x útil e o "contra quem você vota".
· O bloco inteiro do tarifaço.
· E dois nomes da bateria de rejeição: Augusto Cury e Cabo Daciolo continuam na cédula, mas saíram da pergunta de rejeição. Podem receber voto; não podem mais receber rejeição. Nenhuma nota explica.
Por que isso é mais que curiosidade burocrática:
1. CÉDULA MAIOR DILUI. Doze nomes lidos em vez de sete muda a experiência da pergunta. Os cinco novos somam 1% arredondado, mas o efeito sobre indecisos e branco/nulo (que caiu de 6+2 para 4+3) não é separável da conjuntura.
2. A SÉRIE PERDE PEÇAS. A segunda opção de voto era exatamente o dado que permitia validar transferências entre rodadas. Sumiu na semana em que a transferência virou A pergunta da eleição.
3. ANOTADO PELA METADE. A p. 18 traz nota listando os cinco nomes incluídos. Nenhuma nota registra o que SAIU: a segunda opção de voto, a motivação, o tarifaço e dois nomes da bateria de rejeição. E a série 30/03 a 03/08 é comparada como contínua, sem marca de quebra de instrumento.
Registro do que está certo: a ordem protegida se manteve (voto perguntado antes das escalas de sentimento e da avaliação de governo). Isso blinda o topline de contaminação de enquadramento, e é mais do que outros institutos fazem.
Instrumento é decisão editorial. Toda decisão editorial não anotada é uma variável escondida na série.
Post 25/26 · veredito · prova de opacidade, não de fraude
Prova: empate estatístico no 2º turno e liderança de 0,1 ponto no 1º; o placar do 2º turno depende da composição de renda; a régua de renda declarada está desatualizada; a série mudou de instrumento sem anotar.
Não prova: fraude, manipulação deliberada ou placar "verdadeiro" alternativo. Sem pesos, paradata e deff, nem a Nexus nem nós fechamos essa conta.
Item do arquivo
Publicado?
Topline e crosstabs
sim
Questionário e municípios
sim
Pesos individuais
não
Distribuição-alvo das cotas
não
Efeito de desenho (deff)
não
Taxas de contato/resposta
não
Bases brutas dos recortes
não
Pontos de corte dos clusters
não
arvor intelligence · btg/nexus 03/08/2026o mesmo pedido das onze auditorias do acervo
2036 charsVeredito da 8ª rodada BTG/Nexus, com os rótulos que valem para todo o acervo.
FATO (documentado):
· Lula 41 × 37 e 46 × 45, com piso de margem em ±2,19, não ±2. No 2º turno não há liderança. No 1º, ela termina em +0,1 e um deff de 1,07 a apaga.
· Toda margem com cota está congelada entre as ondas; a religião, que ninguém controla, moveu 5 pontos.
· Lula faz 54% entre mulheres nos quatro cenários de 2º turno.
· A nota fiscal foi emitida em 5 de maio, três meses antes do campo, com juridico@fsb.com.br no documento.
· O registro TSE diz amostra probabilística; o relatório diz cotas. Incompatíveis.
INFERÊNCIA (nossa, com método aberto):
· Trocada a renda pela PNAD 2025, o 2º turno vira Flávio 46,4 × 44,7. Em julho a mesma conta mantinha Lula na frente. Sensibilidade, não correção.
· Com o perfil religioso de julho, as respostas de agosto dariam 46,8 × 44,0: mais de dois terços do estreitamento é composição.
· Consolidação de 1,66:1 para Flávio via IPF, fitas rotuladas como inferência.
· Rejeição de Renan entre conhecidos perto de 54%.
HIPÓTESE:
· Parte do salto nordestino pode ser recomposição amostral (55% do território girou e 3 pontos do Nordeste publicado nascem de peso). Indecidível sem pesos.
· A escala que define os clusters passou a vir depois de cinco blocos de culpa do governo, na onda em que "bolsonaristas convictos" marcou o máximo da série. Sem split-ballot, fica como hipótese.
O QUE A RODADA NÃO PROVA: fraude. Não há, nestes documentos, evidência de manipulação deliberada. Há uma pesquisa que pede confiança onde deveria oferecer conferência: sem pesos individuais, sem distribuição-alvo das cotas, sem efeito de desenho, sem taxas de resposta, sem bases brutas dos recortes, sem os cortes dos clusters.
Nota de contexto: a Nexus pertence à holding FSB, grupo cuja receita inclui contratos de publicidade com o governo federal. Isso não invalida um número sequer desta pesquisa. Torna a abertura do arquivo mais necessária, não menos.
Prova de opacidade, não de fraude. Pela décima primeira vez.
Post 26/26 · fecho · o arquivo aberto da auditoria
Dossiê completo, base analítica em JSON com hash SHA-256 de cada documento, script Python de reprodução e os relatórios das duas ondas citados página a página.
E a proposta que encerraria esta série: o Pacote Público de Auditoria como condição de divulgação. Minuta pronta, texto livre, é copiar e apresentar.
Dossiêhtml
Base analíticajson
Reproduçãopy
Proposta TSEminuta
brasil.arvor.co · onze auditorias, quatro institutos, a mesma régua para todos
1581 charsFim da thread. O que fica:
1. No segundo turno ninguém lidera: 46 × 45 com margem de ±4,2 na diferença, intervalo que contém o zero. No primeiro, 41 × 37 com ±3,9: a liderança de Lula sobrevive, e termina em +0,1. Um efeito de desenho de 1,07 a apaga.
2. A margem que decide o placar não é política, é estatística: a composição de renda da amostra. Com a régua oficial (PNAD 2025), o segundo turno troca de sinal. Com a régua da Nexus, não. A escolha entre as duas réguas não está publicada em lugar nenhum.
3. A reação de Flávio é real e tem endereço (homens, Nordeste, interior), mas seu teto depende de uma transferência que a migração declarada ainda não entrega.
4. O muro feminino de 19 pontos não se moveu, e a PNAD mostra o país material sobre o qual ele está construído.
5. O arquivo que resolveria toda dúvida (pesos, alvo das cotas, deff, taxas, bases brutas) segue fechado. Como nas dez auditorias anteriores, de quatro institutos diferentes.
Tudo o que afirmamos está aberto para conferência:
· Dossiê: brasil.arvor.co/nexus_btg_082026_1.html
· Base analítica (JSON, com SHA-256 dos documentos): brasil.arvor.co/assets/nexus_btg_082026_1_data.json
· Script de reprodução: github.com/ArvorCo/PNAD
· Proposta de resolução TSE e PL do Pacote Público de Auditoria: brasil.arvor.co/proposta.html
Uma pesquisa que não dá para refazer não é ciência, é reportagem com intervalo de confiança. A minuta que corrige isso está pronta e é de uso livre: qualquer parlamentar, partido ou o próprio TSE pode copiar sem pedir licença.
Auditoria encerrada. Até a próxima rodada.