Thread da auditoria Genial/Quaest de agosto de 2026 (TSE BR-06591/2026, campo de 31/07 a 03/08, n = 2.004, presencial domiciliar, R$ 433.255,92 pagos pelo Banco Genial). Cada post traz um card 16:9 pronto para screenshot e o texto longo copiável. A ordem é a da relevância política: o vão de 7,43 pontos abre a série (1-2), o voto útil medido pelo próprio instituto vem em seguida (3-5), depois o mapa por bloco e a pauta que une a direita (6-7), o bloqueio econômico (8-10), agenda e canal (11-12), as ameaças sem filtro (13-15), a perícia técnica (16-17), o balanço semântico do questionário e a cobertura da imprensa (18-20) e o fechamento (21-22). Sem hashtag: o X premia conteúdo, não tag.
Como publicar: screenshot em cada card (16:9 exato), Copiar texto para o corpo do post, publicar na ordem. Dossiê-mãe: brasil.arvor.co/quaest_082026.html
Fontes públicas: relatório, questionário, anexo territorial, declaração do estatístico e nota fiscal da rodada de agosto de 2026 (Genial/Quaest, TSE BR-06591/2026), com hashes SHA-256 na base analítica. Os gráficos do relatório são imagens sem camada de texto: todos os números foram lidos página a página e gravados em scripts/quaest-august-audit.py, com a página de origem ao lado de cada bloco. Benchmarks: TSE Eleitorado Atual (jun/2026) e microdados PNADC anual 2025, 1ª visita (pesos V1032 + 200 réplicas). Reprodução em github.com/ArvorCo/PNAD. Fotografias, todas de licença livre via Wikimedia Commons: Ricardo Stuckert/PR (Lula, CC BY 2.0), Agência Senado (Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, CC BY 2.0), Isac Nobrega/PR (Michelle Bolsonaro, CC BY 2.0), Bianca Kida (Ronaldo Caiado, CC BY 2.0), Wilfredor (supermercado no Recife, CC BY-SA 4.0), Miltextos (antena, CC BY-SA 4.0), Guilherme Queiroz (banca de jornal em São Paulo, CC BY 2.0), Wagner Tamanaha (CC BY-SA 2.0) e Agência Senado (contexto, CC BY 2.0). Cobertura de imprensa levantada por busca aberta em 07/08/2026; a lista completa com títulos e links está no dossiê. Feito pelos agentes de IA da Arvor.
55% dizem que Lula não merece. 39% votam em Flávio.
O Banco Genial pagou R$ 433.255,92 por uma pesquisa que mede o menor Flávio do fim de semana. Dentro dela está o mapa de tudo que falta à oposição.
A maioria que recusa mais quatro anos já existe. Ela só não é dele.
não merece 552º turno 39vão de 16 pontos
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026TSE BR-06591/2026 · pp. 20 e 39
1224 charsO Banco Genial pagou R$ 433.255,92 por esta pesquisa. A Quaest foi a campo de 31/07 a 03/08, com 2.004 entrevistas presenciais em 120 municípios, registro TSE BR-06591/2026. Deu Lula 39 e Flávio 30 no primeiro turno, Lula 44 e Flávio 39 no segundo. É o pior resultado para Flávio entre os institutos que mediram no mesmo fim de semana.
A direita vai passar a semana xingando o instituto. E vai jogar fora o mapa que está dentro dele.
Porque no mesmo relatório está isto: 55% dizem que Lula não merece mais quatro anos (p. 39). 47% desaprovam o governo (p. 43). E 39% votam em Flávio no segundo turno.
Entre a rejeição declarada e o voto no adversário existe um vão. Ele não é pequeno, não está com Lula e não está perdido. Está fora da urna, em branco, nulo e indecisão.
A pesquisa que a Faria Lima pagou é o melhor manual de campanha que a direita recebeu de graça este mês. Ela mede onde o voto está guardado, quanto custa trocar de candidato, qual pauta une a direita inteira e qual delas fecha a porta dos independentes.
Nos próximos posts abrimos a conta, número por número, com a página do relatório ao lado de cada um. Inclusive os números que contrariam Flávio, e há vários. A régua é a mesma nos dois sentidos.
Desaprovação do governo menos voto em Flávio, dentro do mesmo recorte. Ponderado pelas três faixas de renda, que somam 100% da amostra.
7,43 pontos nacionaisdistância a vencer: 5teto endereçável, não previsão
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026aprovação pp. 43 a 51 · 2º turno p. 21 · renda p. 107
1323 charsO vão tem tamanho. Cruzando desaprovação do governo com voto em Flávio no segundo turno, dentro de cada recorte da própria Quaest:
Acima de 5 salários mínimos: 58 desaprovam, 44 votam em Flávio. Vão de 14.
Ensino superior: 58 contra 45. Vão de 13.
Sudeste: 52 contra 40. Vão de 12.
Ensino médio: 53 contra 42. Vão de 11.
De 16 a 34 anos: 48 contra 38. Vão de 10.
Evangélicos: 57 contra 48. Vão de 9.
As três faixas de renda cobrem 100% da amostra: até 2 SM são 31%, de 2 a 5 SM são 42%, acima de 5 SM são 27%. Ponderando o vão de cada faixa pelo seu peso, chega-se a 7,43 pontos nacionais de desaprovação que não viraram voto em Flávio. A distância a vencer no segundo turno é 5.
O limite obrigatório vem junto: desaprovar não é estar disponível. Parte dessa gente não vota em Lula e também nunca votará em Flávio. Os 7,43 são teto endereçável, não previsão. Quem tratar isso como vitória contratada está lendo errado.
Mas há uma segunda medida que muda a natureza do problema. Nas três faixas de renda, branco, nulo e indeciso no segundo turno somam 16, 16 e 20 pontos. O voto que falta a Flávio não está estacionado com Lula. Está estacionado fora da urna.
Recuperar voto que já é do adversário é conversão. Recuperar voto que ainda não é de ninguém é mobilização. São duas campanhas diferentes, com custo diferente.
A Quaest testou quatro adversários. Três perderam mais.
Lula não se mexe: 44, 45, 45, 46. O desafiante varia cinco pontos. E a não escolha sobe de 17 para 20.
O voto que Flávio carrega não migra para outro nome da direita. Sai da urna.
Flávio: 5Caiado: 8Renan: 10Zema: 12
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 20, 23, 26 e 29
1268 charsA Quaest fez um experimento e provavelmente nem quis fazer. Testou quatro segundos turnos na mesma amostra: mesmos entrevistados, mesmos pesos, mesmo dia de campo.
Lula 44 x Flávio 39. Diferença de 5. (p. 20)
Lula 45 x Caiado 37. Diferença de 8. (p. 23)
Lula 45 x Renan Santos 35. Diferença de 10. (p. 29)
Lula 46 x Zema 34. Diferença de 12. (p. 26)
Olhe a coluna de Lula: 44, 45, 45, 46. Ele praticamente não se move. Trocar o adversário não tira nem entrega voto a Lula.
Agora a outra coluna: 39, 37, 35, 34. O desafiante varia 5 pontos. E branco, nulo e indeciso sobem de 17 no cenário com Flávio para 20 nos cenários com Renan e com Zema.
Essa é a medida limpa do voto útil, e ela é rara. Normalmente se discute voto útil no achismo. Aqui está medido: o voto que Flávio carrega não migra para outro nome da direita. Ele sai da urna.
O que a conta não diz: cenário hipotético mede disposição declarada hoje, não o resultado de uma campanha de dois meses com tempo de televisão e palanque estadual. Um candidato desconhecido testado em agosto não é o mesmo candidato em outubro.
Feita a ressalva, o sinal é forte e aponta na mesma direção nos quatro testes. Quem defende troca de nome na direita precisa explicar para onde vão os 5 pontos que somem no caminho.
Post 4/22 · o custo da troca · e o contraponto honesto
flávio contra o melhor substituto, recorte a recorte
Caiado não é um Flávio mais palatável. É outra coalizão.
Flávio é o melhor adversário em 12 dos 19 recortes, empata em 1 e perde em 6. Onde Caiado ganha é onde o vão do post 2 é maior: renda alta e diploma.
Esse voto está disponível contra Lula, mas não é herdado. Terá de ser conquistado.
Sul: +10mulheres: +65+ SM: −4homens: −2
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 21, 24, 27 e 30
1371 charsFlávio é o melhor adversário de Lula em 12 dos 19 recortes publicados pela Quaest, empata em 1 e perde em 6. Onde a troca sairia mais cara:
Sul: Flávio 56, Caiado 46. Dez pontos de diferença.
Mulheres: 35 contra 29. Seis pontos.
Brancos: 46 contra 40. Seis pontos.
Evangélicos: Flávio 48, Renan 47. Um ponto, e aqui o nome quase não importa.
Agora o contraponto, com a mesma régua. Caiado bate Flávio em cinco recortes, e não são recortes quaisquer:
Acima de 5 salários mínimos: Caiado 48, Flávio 44.
Homens: 46 contra 44.
Centro-Oeste e Norte: 46 contra 44.
Ensino superior: 46 contra 45.
Sessenta anos ou mais: 35 contra 34.
Repare onde isso acontece. É exatamente onde o vão do post anterior é maior: renda alta com vão de 14, ensino superior com vão de 13. O mesmo eleitor que desaprova o governo em massa e não vota em Flávio é o eleitor que aceita melhor um governador de direita sem o sobrenome Bolsonaro.
A leitura estratégica é direta e não é confortável: esse voto está disponível contra Lula, mas não é naturalmente de Flávio. Terá de ser conquistado, não herdado. Campanha que trata renda alta e diploma como base garantida descobre em outubro que não era.
A leitura contrária também é direta: trocar de candidato para ganhar 4 pontos entre quem ganha acima de 5 SM, que é 27% do eleitorado, custa 10 pontos no Sul e 6 entre mulheres. A conta não fecha.
A terceira via existe no gráfico e não existe na urna.
Percentual construído sobre desconhecimento tem a consistência do desconhecimento: 65% não conhecem Renan, 49% não conhecem Zema, 44% não conhecem Caiado.
5,3 pontos mutáveisFlávio: 68 definitivoLula: 77 definitivo
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 34 e 36
1235 charsA terceira via existe no gráfico e não existe na urna. A Quaest perguntou a cada eleitor se o voto dele é definitivo ou pode mudar (pp. 34 e 36):
Zema: 79% dizem que podem mudar. Só 20% chamam o próprio voto de definitivo.
Caiado: 47% podem mudar.
Renan Santos: 45% podem mudar.
Flávio: 32% podem mudar, e o voto definitivo dele subiu de 62% em julho para 68% em agosto.
Lula: 77% definitivo.
Some o que é declaradamente mutável nos três nomes da terceira via e dá 5,3 pontos nacionais, de cerca de 10 que eles têm somados. Mais da metade do bloco é voto que o próprio eleitor avisa que vai embora.
O segundo dado explica o primeiro: 65% não conhecem Renan Santos, 49% não conhecem Zema, 44% não conhecem Caiado. Percentual construído sobre desconhecimento tem a consistência do desconhecimento.
O que isso não significa: que esses votos irão automaticamente para Flávio. Voto frouxo pode migrar, pode ficar em casa, pode virar branco. O post anterior mostrou que, quando o nome sai da urna, parte do voto sai junto.
O que significa: quem faz cálculo de aliança com base no número de agosto está negociando com uma moeda que o próprio detentor declarou instável. Em política se compra o que está firme. Esses 5,3 pontos não estão.
Post 6/22 · o mapa · onde cada ponto está guardado
voto de 1º turno dentro de cada bloco · largura = tamanho do bloco
Um terço do eleitorado não é de ninguém.
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026voto por posicionamento p. 18 · tamanho dos blocos p. 112
1284 charsA Quaest divide o eleitorado em blocos e mostra o voto dentro de cada um. É o mapa mais útil do relatório (pp. 18 e 112).
Os blocos: lulista 19%, esquerda não lulista 14%, independente 32%, direita não bolsonarista 21%, bolsonarista 12%, não sabe 2%.
O voto de primeiro turno dentro deles: lulistas dão 95 a Lula. Bolsonaristas dão 82 a Flávio, 6 a Caiado, 3 a Lula, 3 em branco e 4 indecisos. A direita não bolsonarista dá 66 a Flávio, 10 a Renan, 6 a Caiado, 4 a Zema, 4 a Lula, 6 em branco e 2 indecisos. Independentes dão 24 a Lula, 18 a Flávio, 19 somados à terceira via e 38 em branco ou indecisão.
Convertendo para pontos nacionais: a terceira via tem 12,36 pontos, dos quais 5,58 estão dentro dos dois blocos de direita. E 17,59 pontos estão parados em branco ou indecisão, sendo 12,16 só entre independentes.
Há ainda a folga (pp. 18 e 37): 82% da direita não bolsonarista diz que conhece Flávio e votaria nele, mas apenas 66% votam nele hoje. Entre bolsonaristas, 91% contra 82%. São 4,44 pontos nacionais de gente que já declara disposição e ainda não converteu.
Controle de qualidade da nossa transcrição: recompondo o placar a partir dos blocos dá Lula 38,3 (publicado 39) e Flávio 29,6 (publicado 30). O resíduo é o bloco de 2% sem posição declarada. A conta fecha.
Proibir a visita ao pai é errado para metade do país.
E para 50% dos independentes, contra 39%. É o bloco de 32% do eleitorado onde estão 12,16 pontos parados.
A reunião com embaixadores faz o contrário: 26% dizem que diminui a chance de votar nele, 15% que aumenta.
une: visita proibidafecha: observador estrangeiro
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 84, 86 e 87 · embaixadores pp. 93 e 95
1305 charsUm único estímulo do relatório inteiro produz maioria fora da base de Flávio: a proibição de visitar Jair Bolsonaro.
53% já sabiam da proibição. 52% acham a decisão errada e 41% acham certa (pp. 84 e 86). Por bloco, o percentual que considera a decisão errada: bolsonaristas 92%, direita não bolsonarista 83%, independentes 50% contra 39% que acham certa, esquerda não lulista 21%, lulistas 25%.
Leia a linha dos independentes de novo. É o bloco de 32% do eleitorado onde estão 12,16 dos pontos parados em branco e indecisão. Nele, um tema de direita ganha por 11.
O contraste está na mesma pesquisa. A reunião de Flávio com embaixadores para pedir observadores internacionais: 68% nem ficaram sabendo (pp. 93 e 95). Entre os que souberam, 26% dizem que diminui a chance de votar nele e 15% que aumenta. Na esquerda não lulista, 57% dizem que diminui. O saldo só é positivo entre bolsonaristas, onde 45% dizem que aumenta.
Um tema abre, o outro fecha. O primeiro fala de pai e filho, de doente e de proporcionalidade. O segundo soa, para quem ainda não está convencido, a pedido de tutela estrangeira.
Isso não é conselho de marketing. É o que os números mostram sobre onde a mensagem atravessa o muro e onde ela bate nele. Campanha que gasta agosto no segundo tema está comprando o bloco que já tem.
O país se sente mais pobre. E a aprovação não cai.
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 56 a 66 · aprovação p. 43
1231 charsO Brasil da Quaest se sente mais pobre em todos os indicadores, e o governo continua com 48% de aprovação. Os dois fatos estão no mesmo relatório (pp. 56 a 75).
68% dizem que o preço dos alimentos subiu no último mês; 9% dizem que caiu.
69% compram menos hoje do que há um ano; 10% compram mais. É a pior marca da série.
43% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses; 19% dizem que melhorou, o menor "melhorou" da série.
48% acham mais difícil conseguir emprego.
55% dizem que a direção do país está errada.
55% têm renda que não subiu ou subiu menos que o custo de vida; só 10% subiram mais.
Seis indicadores, seis vezes o mesmo diagnóstico. E a aprovação não cai.
O dado que desfaz o paradoxo está algumas páginas adiante: 46% esperam que a economia melhore nos próximos 12 meses, a melhor expectativa desde janeiro.
O eleitor separa o passado que sentiu do futuro que espera. Ele reconhece a dor e ainda assim aposta na melhora. Enquanto essa aposta durar, dor não vira voto.
Consequência prática para quem faz oposição: repetir o preço do arroz é falar de um passado que o eleitor já sabe de cor. O que move é disputar a expectativa. Nessa disputa, o governo tem 46% e a oposição ainda não apresentou número nenhum.
Post 9/22 · economia II · o tamanho real dos programas
1246 charsOs dois programas que o governo levou para a campanha rendem menos do que a manchete sugere, e a conta é simples.
Isenção do IRPF até R$ 5 mil (pp. 68 e 69): 68% dizem que não beneficiou a família. Dos 30% que se dizem alcançados, 46% não sentiram diferença nenhuma e 21% sentiram aumento significativo na renda. Multiplique: 21% de 30% dá 6,3% do eleitorado com efeito sentido de verdade.
Desenrola 2.0 (pp. 72, 74 e 75): 67% ouviram falar e 88% dizem que não beneficiou. Dos 10% alcançados, 26% sentiram aumento significativo. Dá 2,6% do eleitorado. E a avaliação do programa como "boa ideia" caiu de 55% em julho para 47% em agosto.
Seis vírgula três por cento e dois vírgula seis por cento. Esse é o tamanho do efeito sentido, não o tamanho do anúncio.
O alerta contra a leitura preguiçosa: alcance baixo não quer dizer efeito eleitoral nulo. Política pública produz símbolo além de dinheiro, e o eleitor que não recebeu pode aprovar quem tentou. A aprovação de 48% com toda a dor econômica do post anterior sugere exatamente isso.
Mas quem monta ataque de campanha precisa saber a diferença. Atacar a isenção do IRPF é discutir com 6,3% do eleitorado sobre um dinheiro que eles de fato sentiram. Os outros 93,7% estão em outra conversa.
A eleição é decidida entre 2 e 5 salários mínimos.
R$ 5 mil é pouco mais de três salários de 2026: o miolo exato dessa faixa. O governo não escolheu o número por acaso.
Na faixa de baixo, a transferência compra aprovação mesmo com o supermercado subindo. Atacar por inflação ali não move nada.
2 a 5 SM: 41 × 43até 2 SM: 54 × 30
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026aprovação pp. 49 e 51 · 2º turno p. 21 · perfil p. 107
1198 charsA eleição está sendo decidida em uma faixa de renda específica, e não é a que a militância imagina.
De 2 a 5 salários mínimos é 42% do eleitorado da amostra, a maior das três faixas. Ali a aprovação do governo é 46% contra 48% de desaprovação, e o segundo turno está Lula 41, Flávio 43. É a única faixa em equilíbrio.
E é exatamente ali que mora o R$ 5 mil da isenção do IRPF. Cinco mil reais é pouco mais de três salários mínimos de 2026, o miolo exato dessa faixa. O governo não escolheu o número por acaso.
Agora a faixa de baixo, que é onde a oposição costuma gritar mais alto. Até 2 SM, a aprovação de Lula é 59% e está subindo. Entre beneficiários do Bolsa Família é 66%, contra 59% em abril.
Leia isso com honestidade: ali a transferência direta compra aprovação mesmo com o supermercado subindo. Quem recebe todo mês sente o depósito antes de sentir o preço. Atacar por inflação nessa faixa não move nada, e é para lá que vai a maior parte do material de ataque da direita.
A conclusão incomoda os dois lados. A direita perde tempo onde não converte e fala pouco demais onde a disputa está a 2 pontos. Ganhar a faixa do meio vale mais do que qualquer ganho marginal na base do governo.
maior preocupação com o brasil · líder de toda a série
O eleitor disse onde dói. Está na página 98.
Violência tem mais que o dobro de economia. A cobertura eleitoral, os debates e o material de campanha dos dois lados falam de economia.
Ressalva: preocupação declarada mede saliência, não voto. E a Quaest não cruzou preocupação com candidato nesta rodada.
violência + corrupção = 44%economia = 13%
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026p. 98
1188 charsA maior preocupação do brasileiro com o país é violência: 29%, líder em toda a série da Quaest (p. 98).
Depois vêm problemas sociais 18%, corrupção 15%, saúde 15%, economia 13% e educação 6%.
Violência tem mais que o dobro de economia. E a cobertura eleitoral, a agenda dos debates e a maior parte do material de campanha dos dois lados falam de economia.
Existe uma distância entre o que o eleitor declara temer e o que o sistema político oferece discutir. Ela não se resolve com mais um gráfico de inflação.
A ressalva metodológica é obrigatória: pergunta de preocupação declarada mede saliência, não intenção de voto. Ninguém vota apenas no tema que cita. E a Quaest não publicou nesta rodada o cruzamento entre preocupação e escolha de candidato, que é o que fecharia o argumento.
Mesmo assim, 29% contra 13% é diferença grande demais para ser ruído. Quando um tema lidera uma série inteira e some do debate, alguém está lendo o país pelo próprio umbigo.
Vale também para a direita. Segurança pública é o terreno em que ela historicamente mede melhor, e ela passou agosto discutindo tarifa, embaixador e placar de pesquisa. O eleitor disse onde dói. Está publicado na página 98.
Post 12/22 · o canal · a assimetria que custa caro
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026canal pp. 100 a 102 · margem p. 21
1182 charsPela primeira vez na série da Quaest, redes sociais e televisão empatam como principal fonte de informação política: 35% cada (pp. 100 a 102).
A direita comemorou o empate. Deveria ler o cruzamento por idade e por renda.
Entre 60 anos ou mais: TV 57%, redes 17%. E nesse grupo Flávio perde por 14, com 34 contra 48.
Até 2 salários mínimos: TV 41%, redes 31%. Ali Flávio perde por 24.
Acima de 5 SM: redes 40%, TV 30%. Ali Flávio ganha por 8.
De 16 a 34 anos: redes 50%, TV 20%.
Junte as linhas. O canal em que a direita é forte alcança melhor exatamente quem já vota nela. O canal em que ela é fraca alcança melhor exatamente quem ela precisa convencer.
Esse é o problema de distribuição mais sério do relatório, e nenhuma criatividade de conteúdo resolve. Não adianta produzir a peça perfeita para o eleitor de 65 anos que ganha um salário mínimo e publicá-la onde ele não está.
O empate nacional de 35 a 35 é uma média que esconde duas populações. Média nacional é confortável e enganosa. A média não vota; os recortes votam.
Quem for a campo em setembro precisa decidir isto antes de decidir qualquer mensagem: em que tela ela vai aparecer, e quem está diante daquela tela.
1255 charsAgora os números que contrariam a leitura dos posts anteriores. Entram na mesma thread e com a mesma régua.
A aprovação de Lula entre evangélicos subiu de 28% em abril para 38% em agosto, e a desaprovação caiu de 68% para 57%. No Nordeste subiu de 63% para 66%. Entre beneficiários do Bolsa Família, de 59% para 66%.
A rejeição a Flávio ainda é maioria: 54% dizem que o conhecem e não votariam nele, contra 52% de Lula. Entre independentes, 60% não votariam em Flávio, e 62% não votariam em Lula.
O muro feminino continua de pé: 35 contra 47 entre mulheres, e 44 contra 40 entre homens. São 16 pontos de diferença entre os dois sexos dentro do mesmo cenário.
Lula lidera "quem melhor representa o patriotismo e a defesa dos interesses do Brasil" por 46 a 38. E 43% acham que ele respondeu mal ao tarifaço, contra 38% que acham que respondeu bem, saldo menos ruim para o governo do que a direita supõe.
A série longa desmonta o discurso de crescimento contínuo: Flávio fez 23 em dezembro de 2025, subiu a 33 em março de 2026, caiu para 29 em junho, 28 em julho e voltou a 30 em agosto. O pico foi março. Os indecisos saíram de 5 em março para 10 em agosto.
Quem só publica o que ajuda o próprio lado não está auditando pesquisa. Está fazendo boletim.
Dobrou em trinta dias com um terço do país prestando atenção.
Ele não precisa ser competitivo contra Lula para alterar o resultado. Basta reter no primeiro turno voto que depois não se transfere.
Ressalva: potencial não é intenção. Número que dobra em trinta dias pode desinflar na mesma velocidade.
10% da direita não bolsonarista10% entre 16 e 34 anos
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 36, 18, 14 e 29
1223 charsRenan Santos é a ameaça que não aparece no placar. O potencial de voto dele saltou de 6% para 15% em um mês.
Ele já tem 10% dentro da direita não bolsonarista e 10% entre eleitores de 16 a 34 anos. E 65% do eleitorado ainda não o conhece, o que significa que o número atual foi construído com um terço do país prestando atenção.
Por que isso importa mais do que os 4% de primeiro turno sugerem. Volte ao cenário Lula 45 x Renan 35: o desafiante perde por 10, e branco, nulo e indeciso sobem para 20. Renan não é competitivo contra Lula hoje, e não precisa ser para alterar o resultado. Basta reter no primeiro turno o suficiente para mudar quem chega ao segundo, ou para chegar em outubro carregando voto que não se transfere.
A leitura fria: o crescimento dele vem do mesmo poço de onde Flávio precisa tirar os 7,43 pontos, e vem justamente entre jovens e na direita não bolsonarista, os dois recortes onde o vão é maior.
A ressalva honesta: potencial de voto não é intenção de voto. Mede quem admite votar, não quem vota. Um número que dobra em trinta dias com dois terços do país desconhecendo o nome pode desinflar na mesma velocidade.
Mas ninguém que dobra em trinta dias merece ser ignorado nos trinta seguintes.
Post 15/22 · o movimento real · quatro medidas por baixo do placar
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026pp. 8, 34, 41 e 10
1199 charsO placar diz 39 a 30 e sugere estabilidade. Os indicadores por baixo dizem outra coisa.
Espontâneo, antes de qualquer lista de nomes (p. 8): Lula 25, Flávio 18, indecisos 51. Em julho era Lula 26 e Flávio 14. A distância no espontâneo caiu de 12 para 7. É a medida mais dura que existe, porque o entrevistado precisa lembrar do nome sozinho, e é nela que Flávio mais cresceu.
Definitividade (p. 34): o voto definitivo em Flávio subiu de 62% em julho para 68% em agosto. Ele não ganhou muito voto novo no mês; endureceu o que já tinha.
Medo (p. 41): 44% têm mais medo da volta dos Bolsonaro e 41% têm mais medo de mais um governo Lula. Há um ano era 47 contra 39. A vantagem emocional de Lula caiu de 8 pontos para 3.
Estimulado (p. 10): 28 em julho, 30 em agosto. No segundo turno, 37 para 39.
Quatro medidas, quatro movimentos na mesma direção, todos pequenos. Nenhum deles isolado é significativo diante da margem. Juntos, formam um padrão que merece ser observado na próxima onda em vez de ser decretado tendência agora.
E o contrapeso fica na mesma frase: a série longa mostra que o pico de Flávio foi março, com 33. Ele está recuperando terreno que já teve, não conquistando terreno novo.
Post 16/22 · a margem · 1º turno robusto, 2º turno frágil
Bastam 1,58 de efeito de desenho para o 2º turno virar empate.
Os 2 pontos divulgados valem para cada percentual isolado sob amostragem aleatória simples. A Quaest sorteia conglomerados, pondera e usa MRP.
O 1º turno exigiria 6,18 para chegar a zero. Ele é robusto, e quem for contestá-lo perde tempo.
1º turno: sólido2º turno: indeterminadodeff observado: não publicado
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026conta nossa sobre n = 2.004 e o desenho declarado
1264 charsA margem divulgada é de 2 pontos, e quase todo mundo vai usá-la errado.
Dois pontos valem para cada percentual isolado, sob amostragem aleatória simples. A Quaest não faz amostragem aleatória simples: sorteia conglomerados, aplica pesos e usa MRP. E a manchete não é sobre um percentual isolado, é sobre a diferença entre dois candidatos.
Para a diferença, com efeito de desenho igual a 1, a margem é de 3,62 pontos no primeiro turno e 3,98 no segundo.
Aplique. No primeiro turno, Lula 39 a 30 sobrevive com folga: seria preciso efeito de desenho de 6,18 para o intervalo alcançar o empate. Esse resultado é robusto, e quem for contestá-lo vai perder tempo.
No segundo turno, Lula 44 a 39 é outra história. Basta efeito de desenho de 1,58 para o intervalo incluir o empate. Isso equivale a correlação intraclasse de 0,116 nos grupos de cerca de seis entrevistas por setor censitário, algo perfeitamente concebível em atitudes políticas, que se agrupam por vizinhança.
A Quaest não publica o efeito de desenho observado. Sem esse número, ninguém, nem a favor nem contra, pode afirmar que a vantagem de 5 pontos no segundo turno é estatisticamente sólida.
Primeiro turno robusto, segundo turno frágil. As duas coisas ao mesmo tempo, e nenhuma delas é acusação.
Post 17/22 · a amostra · a correção piora para Flávio
Encaixe com o eleitorado do TSE: 0,18 ponto em sexo, no máximo 1,02 por macrorregião. Isso é boa execução de campo, e dizer o contrário seria mentira.
Publicamos assim mesmo. A régua vale nos dois sentidos ou não vale nada.
TSE: encaixe excelenterenda: amostra mais ricaLula +1,17
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026perfil p. 107 · PNADC anual 2025, 1ª visita
1207 charsAgora a parte em que a auditoria contraria quem gostaria de usá-la. A amostra da Quaest é boa.
O encaixe com o eleitorado registrado no TSE é excelente: 0,18 ponto de diferença em sexo e no máximo 1,02 ponto por macrorregião. Isso é bom nível de execução de campo, e dizer o contrário seria mentira.
Há um desvio, e é em renda. A amostra é um pouco mais rica que o país: 31% até 2 salários mínimos, contra 35,44% na PNAD Contínua anual 2025 para pessoas de 16 anos ou mais, com peso V1032 e 200 réplicas.
Testamos o efeito. Reponderando apenas essa margem, a vantagem de Lula não diminui: cresce 1,17 ponto.
O único desvio amostral que encontramos empurra o resultado contra Flávio, não a favor. Corrigido o desvio, a pesquisa fica pior para ele do que está publicada.
Publicamos assim mesmo. A régua da casa vale nos dois sentidos ou não vale nada. E a reponderação de margem única é análise de sensibilidade, não correção oficial: a ponderação do instituto é conjunta e não foi publicada, de modo que o nosso número não substitui o dele.
Quem quiser usar esta thread para dizer que a Quaest fraudou a amostra terá de explicar por que a correção piora justamente para o lado supostamente prejudicado.
Post 18/22 · o instrumento · as perguntas que chamam atenção
1507 charsO questionário registrado no TSE tem 109 itens numerados em 39 páginas. A bateria de confiança institucional tem 16 linhas. Ao lado de "NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, O STF", "NAS URNAS ELETRÔNICAS", "NOS MILITARES / FORÇAS ARMADAS", "NA IMPRENSA" e "NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA", o mesmo bloco pergunta confiança "NO PIX", "NOS JUÍZES DE FUTEBOL" e "NA SUA ESPOSA/MARIDO/COMPANHEIRO(A)/NAMORADO(A)". Tudo transcrição literal do documento público. As 16 linhas ficaram sem divulgação.
Q31 a Q33 perguntam se o eleitor acha importante que o candidato acredite em Deus, seja da mesma religião que ele e ouça líderes religiosos ao tomar decisões. É a medida mais direta de tolerância religiosa do instrumento, num ano em que o voto evangélico decide margem. Nenhuma das três saiu.
Q72 e Q73 perguntam se o eleitor soube do vídeo de Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial e se há problema em a campanha usá-lo. É o único par sobre IA em campanha no instrumento inteiro. Sem resultado publicado.
Um alerta contra a leitura preguiçosa. A bateria de imagem para vice inclui "o tenente-coronel Aroldo Medina", nome que quase ninguém reconhece. Checamos: não é nome-fantasma nem teste de reconhecimento falso. É o vice anunciado por Renan Santos em 1º de julho de 2026. A pergunta é legítima. O que não saiu foi o resultado.
Medir confiança no cônjuge e no juiz de futebol na mesma escala do STF rende comparação divertida e barata, e custa a seriedade da medida. Não é fraude. É escolha de instrumento.
Post 19/22 · balanço semântico · de quem a pergunta cobra
Pergunta o que Lula faz. E o que acontece com os Bolsonaro.
Do governo, o instrumento cobra entrega: imposto, Desenrola, alimentos, emprego, tarifaço. Do adversário, cobra episódio: a briga, as pazes, a proibição, o vídeo por IA, o apoio estrangeiro.
23 itens cobram de Lula15 cobram de Flávio0 sobre proposta
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026classificação aberta em quaest_082026_data.json
1806 charsClassificamos os 109 itens por uma pergunta só: de quem a pergunta cobra. A classificação é nossa, é discutível, e está publicada bloco a bloco no JSON público justamente para poder ser contestada. Os 109 incluem linhas de matriz (12 candidatos, 16 instituições, 5 nomes para vice), então a leitura honesta é por bloco temático.
23 itens cobram de Lula, e 20 foram publicados: aprovação, avaliação do governo, direção do país, notícias sobre o governo, isenção do IRPF, endividamento e Desenrola 2.0, seis indicadores de percepção econômica e a resposta ao tarifaço.
15 itens cobram de Flávio, e 8 foram publicados: a proibição de visitar o pai, a reunião com embaixadores, o desentendimento e a reconciliação com Michelle, o vídeo por IA, o apoio de Milei, o efeito de um apoio de Trump e o atributo patriotismo.
Dos 15 itens sobre Flávio, 14 são episódio, não agenda: um acontecimento da família ou um endosso estrangeiro.
Zero itens perguntam sobre proposta, programa ou plano de qualquer candidato de oposição.
Confiança institucional: 17 itens, 16 retidos. Atributo, religião do candidato e imagem dos cinco nomes para vice: 8 itens, todos retidos. Ideologia e afeto por PT e por Jair Bolsonaro: 3 itens, todos retidos.
O instrumento mede um presidente pelo que ele entregou e um candidato pelo que aconteceu com ele. Isso não é acusação de má-fé contra o instituto. É característica verificável do questionário, e retrata também o debate público que a pesquisa está medindo. Culpar a Quaest pela ausência de pergunta sobre proposta de oposição seria exagero: nenhum instituto pergunta isso, e a própria oposição pouco apresentou. A consequência, ainda assim, é real. Todo mês a pesquisa produz matéria-prima abundante sobre a novela da família e nenhuma sobre o que a oposição faria no governo.
Mesmos números, mesmo dia, para todo mundo. Não é disputa de acesso: é escolha de manchete. E os dois portais de mercado escolheram o placar e a novela.
Limite: ausência aqui é peça não recuperada, não peça inexistente.
viés de formato, não de lado
arvor intelligence · genial/quaest 08/2026busca aberta em 07/08/2026 · lista completa no dossiê
1683 charsRecuperamos 15 peças em 12 veículos sobre a Quaest de agosto. Seis títulos nomeiam o placar, quatro um episódio da família Bolsonaro, três a aprovação estável do governo, um o placar somado ao crescimento de Flávio, um uma perda do presidente. Nenhum nomeia um número econômico.
O bloco econômico da pesquisa tem seis indicadores e não rendeu uma peça sequer. É o bloco em que 68% dizem que os alimentos subiram, 69% compram menos que há um ano, 55% veem o país na direção errada, 55% tiveram renda parada ou correndo atrás do custo de vida, 48% acham mais difícil conseguir emprego, 43% dizem que a economia piorou.
Todos tiveram os mesmos números, ao mesmo tempo, no mesmo dia. Não é disputa de acesso. É escolha de manchete.
Os veículos de mercado que recuperamos: Exame com duas peças, ambas de placar, e InfoMoney com uma, sobre a reconciliação de Michelle e Flávio. Nenhuma das três levou ao título poder de compra, custo de vida e endividamento, que é o dado com que o leitor de mercado precifica consumo. A pesquisa foi paga por um banco, e o número econômico ficou fora da manchete de quem fala com investidor.
Antes da leitura fácil de que a imprensa só publica o que prejudica a direita: os dois episódios da família que viraram manchete deram resultado favorável a Flávio, 59% aprovam a reconciliação e 52% consideram errada a proibição de visitas. Não é viés de lado. É viés de formato: sai o episódio, não sai o indicador.
Ausência nesta lista significa que não recuperamos a peça, não que ela não exista. Portais com paywall ou que bloqueiam leitura automatizada ficaram fora.
Quem perde é o eleitor que queria saber o que a pesquisa disse sobre o próprio bolso.
Post 21/22 · o que não foi publicado · 51 perguntas
1385 charsTrês observações técnicas, em ordem crescente de importância.
Território: entre julho e agosto, nenhum dos 334 setores censitários se repetiu, e só 22 dos 120 municípios coincidem. A alocação por macrorregião ficou idêntica: 141 setores no Sudeste, 92 no Nordeste, 48 no Sul, 28 no Norte, 25 no Centro-Oeste. Rotação forte é qualidade de desenho, não defeito. Também não serve de explicação automática para variação de resultado.
Questionário: 109 itens numerados em 39 páginas, com promessa de 20 minutos de entrevista. Dá 11 segundos por item. E sobraram 28 resíduos de template no PDF: "TRAZER ITEM AQUI" 25 vezes e "TRAZER OPÇÃO AQUI" 3 vezes.
Omissões, que é o ponto sério: o relatório publica 58 das 109 perguntas, 53,2%. Ficaram sem resultado divulgado, entre outras, a Q29 e a Q30, que perguntam quem o eleitor quer que vença e quem ele espera que vença, ou seja, a medida direta do voto útil que tivemos de reconstruir por dedução. Também as Q31 a Q43, de vice e Senado; as Q83 a Q98, a matriz inteira de confiança em 16 instituições; as Q100 a Q102, de ideologia; e as Q108 e Q109, voto recordado em 2022 e comparecimento em 2024, que são o teste de validação mais óbvio que existe.
Nada disso prova manipulação, e não há documento nenhum que a sustente. Reter perguntas é prática comum. O remédio que encerraria a dúvida é barato: plano de análise datado antes do campo.
1231 charsVeredito, em três frases que cabem juntas.
A Quaest fez um bom trabalho de campo, com encaixe demográfico excelente, e nada no material sustenta acusação de fraude. Ela é a mais dura com Flávio entre as pesquisas do mesmo fim de semana, e a não escolha explica boa parte disso: 18% na Quaest contra 7% na Nexus, 11% na Datafolha e 1,6% na Atlas, o que comprime mecanicamente todos os candidatos. E, com o efeito de desenho não publicado, tratar o 44 a 39 do segundo turno como precisão absoluta é irresponsável, enquanto tratá-lo como fraude é pior.
Cinco entregas encerrariam a controvérsia inteira: pesos finais e n efetivo; efeito de desenho observado; bases não ponderadas de cada recorte; a equação do MRP; e a paradata, com duração, tentativas, recusas e substituições. Nenhuma é segredo industrial.
O relatório tem 114 páginas e os gráficos são imagens sem camada de texto. Lemos página a página e gravamos cada número em script público, com a página de origem ao lado de cada bloco. Quem discordar, refute com o mesmo material.
Dossiê completo: brasil.arvor.co/quaest_082026.html
Script e base: github.com/ArvorCo/PNAD
A pesquisa foi paga pelo Banco Genial. O mapa que está dentro dela é de graça para quem souber ler.