Arvor Intelligence · Perícia eleitoral Publicado em 7 de agosto de 2026 · dossiê 09

Quaest nacional · agosto de 2026

A pesquisa da Faria Limavirou manual de campanha.

O Banco Genial pagou R$ 433 mil por uma pesquisa que mede o menor Flávio entre os institutos próximos. A leitura pública parou no placar. Nas páginas seguintes está a conta que interessa: sete pontos de voto anti-Lula que ainda não são dele, o teste que a própria Quaest fez quatro vezes mostrando que nenhuma terceira via chega perto, e a faixa de renda onde a eleição será decidida. Este dossiê é abertamente favorável a uma leitura: a de que a direita ganha mais lendo esta pesquisa do que xingando ela. O padrão de prova é o mesmo para todo mundo.

7,43pontos de desaprovação de Lula que não viram voto em Flávio
5 × 12distância de Lula contra Flávio e contra Zema, na mesma amostra
58/109perguntas numeradas com resultado no relatório
Registro TSE
BR-06591/2026
Campo
31/07 a 03/08
Amostra
2.004 entrevistas
Modo
Presencial domiciliar
Contratante
Banco Genial
Valor
R$ 433.255,92
Geografia
120 municípios · 334 setores

01 · veredito

A pesquisa não é amiga de Flávio. Ela é útil para ele.

Esta auditoria separa fato publicado, conta nossa e hipótese sem prova. As tabelas do relatório são imagens sem camada de texto: cada número abaixo foi lido página a página e cita a página de origem.

Fato+2

Flávio subiu

De 28% para 30% no primeiro turno e de 37% para 39% no segundo. A rejeição caiu de 57% para 54%. No voto espontâneo, saiu de 14% para 18%.

Conta nossa7,43

O vão endereçável

Pontos nacionais de desaprovação a Lula que não viram voto em Flávio no segundo turno. A distância a vencer é de 5.

Fato4

Cenários testados

Lula ganha de Flávio por 5, de Caiado por 8, de Renan por 10 e de Zema por 12. Mesma amostra, mesmo dia, mesmos pesos.

Limite51

Resultados retidos

O relatório traz 58 das 109 perguntas. Ficaram de fora confiança institucional, ideologia, vice, Senado e voto recordado em 2022.

A Quaest mede uma recuperação real de Flávio e continua dando Lula na frente. As duas coisas são verdade. A terceira, que quase ninguém contou, é que o mesmo relatório mostra onde estão os votos que faltam e quem os está segurando.

02 · o vão

55% dizem que Lula não merece. 39% votam em Flávio.

Essa diferença de 16 pontos é o objeto inteiro de uma campanha de oposição. Ela não está espalhada por igual: tem endereço, tamanho e um nome para cada recorte. É a conta central deste dossiê.

55

não merece mais 4 anos

Contra 41% que dizem que sim. Em julho eram 51% e 45%. Pergunta 27, página 39.

47

desaprovam o governo

Contra 48% que aprovam. A aprovação está parada desde junho. Página 43.

39

votam em Flávio no 2º turno

Contra 44% de Lula. Sobram 17 pontos de branco, nulo e indecisão. Página 20.

16

pontos de distância

Entre quem recusa mais quatro anos de Lula e quem escolhe o adversário no confronto direto.

O vão, recorte a recorte

Barra clara: desaprovação do governo Lula no recorte, páginas 43 a 51. Barra cheia: voto em Flávio no cenário 1 de segundo turno, página 21. O retângulo tracejado é a diferença entre as duas.

A conta nacional

As três faixas de renda somam 100% da amostra, então dá para ponderar sem inventar nada: 31% até dois salários com vão de 5, 42% entre dois e cinco com vão de 5, e 27% acima de cinco com vão de 14. Resultado: 7,43 pontos nacionais. A distância a vencer no segundo turno é de 5.

O que a conta não é

Desaprovar não é estar disponível. Existe eleitor que desaprova o governo e vota em Lula assim mesmo, e existe quem desaprove e não vote em ninguém. O número é teto endereçável dentro de cada recorte, medido com duas tabelas do próprio instituto, não previsão de resultado.

Onde o vão está parado

Nos três recortes de renda, o branco, o nulo e a indecisão do segundo turno somam 16, 16 e 20 pontos. Ou seja: o eleitor que desaprova e não vota em Flávio, em geral, também não está votando em Lula. Ele está fora da urna. Isso muda a natureza do problema: não é preciso convencer eleitor de Lula para fechar a conta, é preciso dar destino a quem já saiu.

A maioria que rejeita mais quatro anos de Lula já existe e já foi medida. Ela só não é de Flávio. Sete pontos dela estão em recortes onde o adversário não está nem em segundo lugar: está em branco.

03 · voto útil

A Quaest testou quatro adversários. Três perderam mais.

O instituto rodou quatro cenários de segundo turno na mesma amostra, com os mesmos entrevistados, os mesmos pesos e o mesmo dia de campo. É o experimento mais limpo do relatório e o que menos circulou.

Quatro cenários, uma só amostra

Páginas 20, 23, 26 e 29. Branco, nulo e indecisão vão de 17 com Flávio a 20 com Renan e Zema.

Restrição observada44 a 46

Lula quase não se mexe

Trocar o adversário move o adversário, não o presidente. A faixa de Lula nos quatro cenários é de dois pontos; a do desafiante, de cinco.

Para onde vai+3

O que sobra vira branco

A não escolha sobe de 17 para 20 quando Flávio sai da cédula. O voto que ele carrega não migra para outro nome da direita: sai da urna.

Leitura

Voto útil não é retórica

É a medição do próprio instituto contratado pelo banco. Qualquer substituição testada em agosto entrega a Lula uma vitória mais folgada.

O custo da troca, recorte a recorte

Páginas 21, 24, 27 e 30. Só entram os recortes em que o relatório imprime o valor dos quatro desafiantes.

Duas coalizões, não duas versões

Caiado não é um Flávio mais palatável: é outra coalizão. Ele ganha em cinco recortes, 4 pontos acima de cinco salários mínimos e 2 entre homens, e perde 10 no Sul, 6 entre mulheres e 6 entre brancos. O saldo dessa troca é negativo em 2 pontos no total nacional, e o buraco aparece exatamente onde a direita hoje é maioria.

O contraponto honesto

Existe um recorte em que a terceira via bate Flávio de forma consistente: renda alta e escolaridade superior, onde Caiado faz 48 e 46. É o mesmo lugar em que o vão do capítulo anterior é maior. Esse voto está disponível contra Lula, mas não é naturalmente de Flávio; ele terá de ser conquistado, não herdado.

O voto da terceira via é frouxo, e o eleitor não a conhece

79%

Zema

Dos que declaram voto em Zema, 79% dizem que ainda pode mudar. Só 20% chamam a escolha de definitiva. Página 34.

47%

Caiado

Pode mudar em 47% dos casos. Entre os eleitores de Flávio, o índice cai para 32%, e o voto definitivo subiu de 62% para 68%.

65%

não conhece Renan

Renan Santos é desconhecido para 65% do eleitorado, Zema para 49% e Caiado para 44%. Página 36.

5,3

pontos frouxos

Somando os três, 5,3 pontos nacionais de voto que o próprio eleitor classifica como mutável, contra 10 pontos que eles têm no total.

O que os dados permitem afirmar

Que a defesa da candidatura única da direita no primeiro turno é sustentada por três medições do instituto e não por preferência: a distância no confronto direto cresce com qualquer substituto, o voto da terceira via é declaradamente mutável por metade dos seus eleitores e dois terços do eleitorado não conhecem o nome que mais cresce nela. O que os dados não permitem é somar 13 pontos de terceira via a Flávio e anunciar 43: a pesquisa não acompanha eleitores entre perguntas, e teto aritmético não é previsão.

04 · o mapa

Um terço do eleitorado não é de ninguém.

A Quaest pergunta ao entrevistado em que grupo político ele se encaixa e depois cruza com o voto. O resultado é a planta baixa da eleição: onde cada ponto está guardado, e de quem.

Onde o voto de primeiro turno está guardado

Páginas 18 e 112. Largura da coluna e percentual abaixo do nome: tamanho do bloco no eleitorado. Altura: composição do voto dentro do bloco.

12,36

pontos na terceira via

Convertidos para o total nacional. Desses, 5,58 estão dentro dos dois blocos de direita e 6,08 entre independentes.

4,44

pontos de folga

82% da direita não bolsonarista diz que votaria em Flávio; 66% votam hoje. Entre bolsonaristas, 91% contra 82%.

17,59

pontos estacionados

Indecisos e branco/nulo somados. Só entre independentes são 12,16 pontos nacionais parados.

Controle0,7

ponto de resíduo

Recompondo o placar a partir dos blocos: Lula 38,3 contra 39 publicado e Flávio 29,6 contra 30. A diferença é o bloco de 2% que não declara posição.

O alvo mais barato

Dentro da direita não bolsonarista, 20 pontos percentuais votam em Renan, Caiado ou Zema e outros 8 estão em branco ou indecisos. É gente que já se declara de direita, já rejeita Lula por 4% de intenção de voto nele, e ainda assim não está com o candidato do campo. Nenhum outro alvo do mapa combina disposição e distância tão curtas.

O alvo mais caro

Os independentes são o maior bloco, 32%, e o mais hostil: 60% não votariam em Flávio e 62% não votariam em Lula. Ali a disputa não é por preferência, é por comparecimento. Os 12,16 pontos estacionados nesse bloco valem mais para quem conseguir tirá-los da abstenção do que para quem tentar convertê-los.

05 · economia

O desgaste econômico existe. Ele só não está virando voto.

O bloco econômico da Quaest tem nove perguntas e quase nenhuma virou manchete. Ele descreve um país que se sente mais pobre e um governo que continua com 48% de aprovação. Entender por que essas duas coisas convivem é entender onde o ataque econômico funciona.

68%dizem que o preço dos alimentos subiu no último mês; 9% dizem que caiu
69%compram menos hoje do que há um ano; 10% compram mais, a pior marca da série
55%dizem que o país vai na direção errada, contra 38% na direção certa
48%acham mais difícil conseguir emprego do que há um ano; 41% acham mais fácil
55%têm renda que não subiu ou subiu menos que o custo de vida; 10% subiram mais

E, ao mesmo tempo: aprovação do governo em 48%, melhor avaliação empatada com a pior em 36%, e 46% esperando que a economia melhore nos próximos doze meses, a melhor expectativa desde janeiro. O eleitor separa o passado que sentiu do futuro que espera, e o governo está sendo pago pelo segundo.

Os dois programas econômicos que o governo mais divulga

Páginas 68, 69, 74 e 75. Entre os alcançados pela isenção, 46% dizem não ter sentido diferença nenhuma.

A faixa que decide

2 a 5 salários mínimos

É 42% do eleitorado, a maior das três. Aprovação do governo em 46% contra 48% de desaprovação, e segundo turno em 41 contra 43. Nenhuma outra faixa está tão dividida.

O alvo do IRPF

Até R$ 5 mil por mês

É pouco mais de três salários mínimos de 2026: exatamente o miolo dessa faixa. E 68% do eleitorado inteiro diz que a isenção não beneficiou a sua família.

Onde não funciona

Até 2 salários

Aprovação de 59% e subindo; entre beneficiários do Bolsa Família, 66%, contra 59% em abril. É a faixa mais atingida pela inflação de alimentos e a mais leal ao governo.

O que os dados permitem afirmar

Que o ataque econômico tem endereço estreito e ele não é o mais pobre. Na faixa de até dois salários, a transferência direta compra aprovação mesmo com o supermercado subindo, e a Quaest mostra isso em série: aprovação sobe enquanto o poder de compra cai. Na faixa de dois a cinco salários, onde vive quase metade do eleitorado, não há transferência que sustente: há uma isenção de imposto que 68% dizem não ter sentido e um programa de dívida que chega a 10%. É ali que a distância entre a propaganda e o contracheque é verificável pelo próprio eleitor, e é ali que o segundo turno está em 41 contra 43.

Falar de inflação para quem recebe Bolsa Família não move nada: a Quaest mostra a aprovação subindo justamente ali. Falar de contracheque para quem ganha de dois a cinco salários mínimos toca 42% do eleitorado num ponto em que o governo prometeu entregar e a maioria diz que não recebeu.

06 · agenda e canal

A maior preocupação do país não está no debate.

Duas perguntas quase ignoradas do relatório dizem sobre o que o eleitor pensa e por onde ele fica sabendo. Juntas, explicam parte do bloqueio descrito nos capítulos anteriores.

29%

violência

É a maior preocupação com o Brasil desde o início da série, medida em setembro de 2025. Página 98.

15%

corrupção

Empatada com saúde. Somada à violência, dá 44% da agenda em temas historicamente favoráveis à direita.

13%

economia

Quinto lugar. O tema que domina a cobertura eleitoral não domina a preocupação declarada do eleitor.

O canal alcança melhor exatamente quem já vota certo

Páginas 100 a 102 para o canal e página 21 para a margem no segundo turno.

O empate histórico

Em agosto de 2026, redes sociais e TV empatam em 35% como principal fonte de informação política, pela primeira vez na série da Quaest. A migração é real, mas é desigual: entre 60 anos ou mais, a TV ainda é 57% contra 17%.

A assimetria que custa caro

Os dois piores recortes de Flávio, mais velhos e mais pobres, são os dois mais dependentes de televisão. O canal em que a direita tem vantagem estrutural é o que menos chega onde ela precisa crescer. Isso é uma restrição de mídia, não de mensagem, e não se resolve com mais conteúdo digital.

07 · quatro quadrantes

Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, cada uma com o número que a sustenta.

Nenhuma linha abaixo é opinião solta: cada uma cita a página da Quaest que a prova. Onde a leitura é desfavorável a Flávio, ela está aqui pelo mesmo motivo que as favoráveis.

Forças

O núcleo está intacto e mais firme

  • 95% dos bolsonaristas no segundo turno, contra 91% em julho. Página 22.
  • 68% dizem que o voto é definitivo, contra 62% em julho. Página 34.
  • 18% no voto espontâneo, máxima da série, sem lista de nomes. A distância espontânea caiu de 12 para 7. Página 8.
  • 48 contra 33 entre evangélicos e 56 contra 29 no Sul. Nenhum substituto chega perto nesses dois recortes.
Fraquezas

A rejeição ainda é maioria

  • 54% conhecem e não votariam em Flávio, contra 52% de Lula. Página 36.
  • Muro feminino: 35 contra 47 entre mulheres, e 44 contra 40 entre homens. Dezesseis pontos de diferença no mesmo cenário.
  • 60% dos independentes não votariam nele, no maior bloco do eleitorado. Página 37.
  • O pico foi em março: a série de primeiro turno marca 33% em março, 28% em julho e 30% em agosto. Página 10.
Oportunidades

O voto que já é de direita e ainda não é dele

  • 82% da direita não bolsonarista diz que votaria em Flávio; 66% votam hoje. Páginas 18 e 37.
  • Metade da terceira via é voto frouxo: 79% em Zema, 47% em Caiado, 45% em Renan dizem que pode mudar.
  • A faixa de 2 a 5 salários, 42% do eleitorado, empatada em 41 contra 43, é o alvo natural do argumento econômico.
  • 52% acham errada a proibição de visitas a Jair, e entre a direita não bolsonarista são 83%, contra 92% dos bolsonaristas. Página 87.
Ameaças

Lula recupera onde Flávio precisa crescer

  • Aprovação entre evangélicos: 28% para 38% em cinco meses. No Nordeste, 63% para 66%. No Bolsa Família, 59% para 66%.
  • 46% esperam melhora econômica nos próximos doze meses, melhor marca desde janeiro.
  • Renan Santos cresce dentro da direita: potencial de voto de 6% para 15%, e 10% da direita não bolsonarista.
  • Lula ainda lidera patriotismo, 46 contra 38, e 43% acham que ele respondeu mal ao tarifaço, contra 38% que acham que respondeu bem.
A pauta que une a direita inteira

De todos os estímulos testados no relatório, um só produz maioria em quatro dos cinco blocos e quase unanimidade nos dois de direita: a proibição de visitas a Jair Bolsonaro é considerada errada por 52% do eleitorado, 83% da direita não bolsonarista, 92% dos bolsonaristas e, decisivamente, por 50% dos independentes contra 39%. Nenhum tema econômico do relatório alcança essa combinação. Já a reunião com embaixadores tem o efeito oposto fora da base: diminui a chance de voto para 26% do eleitorado e para 57% da esquerda não lulista, e só aumenta entre bolsonaristas, 45%. Um tema une, o outro fecha.

08 · o placar

Lula lidera. Flávio encurtou as duas distâncias.

A comparação correta é dentro da mesma série, com o mesmo instituto e método. Junho, julho e agosto formam uma história menos dramática do que uma fotografia isolada, e a série longa é menos favorável do que a onda.

1º turno · agostovantagem 9
39Lula
30Flávio
2º turno · agostovantagem 5
44Lula
39Flávio

Três ondas, duas disputas

Percentuais sobre o total da amostra. Diferença de julho a agosto: Lula −1 e Flávio +2 nos dois cenários.

Espontâneo18%

sem lista de nomes

Antes de qualquer cédula, 18% citam Flávio e 25% citam Lula. Em julho eram 14% e 26%. A distância espontânea caiu de 12 para 7, mais do que a estimulada. Página 8.

Série longa33%

o teto foi em março

A série de primeiro turno da Quaest marca 32% em fevereiro, 33% em março, 29% em junho, 28% em julho e 30% em agosto. Agosto é recuperação, não recorde. Página 10.

Indecisão10%

dobrou desde março

Os indecisos do primeiro turno saíram de 5% em março para 10% em agosto, enquanto branco e nulo caíram de 16% para 8%. O eleitorado não saiu da dúvida: mudou de tipo de dúvida.

Gráfico oficial da Quaest para o primeiro turno
Relatório Quaest, p. 11. Primeiro turno: 39% a 30%.
Gráfico oficial da Quaest para o segundo turno
Relatório Quaest, p. 20. Segundo turno: 44% a 39%.

09 · o movimento

A melhora não depende de um número só.

Cinco indicadores apontam na mesma direção. Isso fortalece a interpretação de recuperação, mas uma única onda ainda não identifica qual evento a causou.

+7Flávio no segundo turno entre a direita não bolsonarista: 74% → 81%
+10ganho relativo contra Lula entre independentes: déficit de 13 → 3 pontos
−3rejeição a Flávio: 57% → 54%; o potencial de voto subiu 3
+6eleitores de Flávio que dizem ter voto definitivo: 62% → 68%
−4parcela que diz que Lula merece mais quatro anos: 45% → 41%

O diferencial emocional também fechou: medo da família Bolsonaro caiu de 46% para 44%, enquanto medo de Lula subiu de 38% para 41%. A vantagem de oito pontos virou três.

Coerência interna

Base consolidada

Entre bolsonaristas, Flávio foi de 91% para 95% no segundo turno. Não há sinal de erosão do núcleo duro.

Ponte ampliada

Direita não bolsonarista

O salto de 74% para 81% é o avanço mais relevante para a consolidação agregada do campo da direita.

Sem causalidade

Não há “evento mágico”

Aprovação do governo ficou 48% a 47%. Mudou o voto sem mudar essa avaliação. Campanha, notícias e amostragem podem coexistir.

Os estímulos de campanha que o relatório publicou

38→46parcela que diz que Michelle aumenta as chances de Flávio
59%avalia positivamente a reconciliação, entre os 41% que souberam dela
52%considera errada a proibição de visitas de Michelle a Jair
46×38associação a patriotismo: Lula contra Flávio
15/54/26fala sobre embaixador: aumenta / não altera / diminui a chance de voto

Descritivamente, Michelle melhora como sinal de unidade, sobretudo dentro do campo: 79% dos bolsonaristas e 70% da direita não bolsonarista dizem que a participação dela aumenta as chances, contra 37% dos independentes. A fala sobre embaixador é negativa no saldo geral, e Lula ainda lidera o atributo patriotismo. Perguntas hipotéticas de “aumenta ou diminui” não medem comportamento real nem isolam efeito causal.

Não foi só “mais dois”. Flávio ganhou firmeza, reduziu rejeição e recuperou eleitores fora do bolsonarismo. É uma melhora coerente. Ainda não é prova de tendência permanente.

10 · estatística

A margem de 2 pontos não responde à pergunta que a manchete faz.

Ela é uma aproximação para cada percentual sob amostragem aleatória simples. A pesquisa, porém, sorteia conglomerados, aplica pesos e usa MRP nos recortes. Para a diferença entre dois candidatos, a incerteza é outra.

MOE da diferença = 1,96 × √[deff × Var(Lula − Flávio)]
3,62margem da diferença no 1º turno com deff 1
3,98margem da diferença no 2º turno com deff 1
2,19pior margem individual sob amostragem simples
Intervalo de 95% para a vantagem de Lula
Cenárion efetivo1º turno, vantagem 92º turno, vantagem 5
deff 1,0 · aleatória simples2.0045,38 a 12,621,02 a 8,98
deff 1,51.3364,57 a 13,430,12 a 9,88
deff 2,01.0023,89 a 14,11−0,63 a 10,63
Primeiro turno: robusto

Seria necessário deff 6,18 para o intervalo alcançar zero. Com seis entrevistas por setor, o conglomerado sozinho não consegue produzir isso por uma correlação intraclasse válida.

Segundo turno: sensível

Deff 1,58 basta para incluir empate. Se viesse apenas dos grupos de seis, equivaleria a correlação intraclasse de 0,116, perfeitamente concebível em atitudes políticas.

A liderança no primeiro turno aguenta bastante ruído. A do segundo pode ser vantagem real ou empate técnico. Sem o deff observado, a Quaest não permite distinguir.

11 · geografia social

Onde Flávio está forte. Onde a distância ainda é brutal.

Os recortes abaixo são descritivos e agregados. Como bases e incerteza dos subgrupos não foram publicadas, diferenças pequenas não devem virar histórias precisas.

Sul
F +27
Evangélicos
F +15
5+ SM
F +8
Homens
F +4
Nordeste
L +39
Pretos
L +39
Bolsa Família
L +36
Até 2 SM
L +24
Segundo turno por grupo, Lula × Flávio
RecorteLulaFlávioLeitura técnica
Sul2956Maior vantagem regional de Flávio
Sudeste3840Vantagem curta no maior colégio
Centro-Oeste + Norte4044Vantagem curta de Flávio
Nordeste6425Principal déficit territorial
35-59 anos4242Empate descritivo
Mulheres4735Déficit de 12; entre homens, Flávio +4
Ensino superior3445Melhor recorte de escolaridade para Flávio
Sem Bolsa Família3942Leve vantagem de Flávio
Não é estratégia individual

Esses dados dizem onde a coalizão é socialmente larga ou estreita. Não identificam pessoas, bairros “persuadíveis” nem mensagens causais. O próprio relatório não fornece bases não ponderadas para testar os recortes.

12 · composição

No TSE, encaixe excelente. Na renda, uma amostra um pouco mais rica.

A auditoria usa o eleitorado residente do TSE para sexo, idade e região, e a PNAD Contínua anual 2025 para renda, filtrada para pessoas de 16 anos ou mais. Diferente de outras rodadas, aqui a reponderação não muda o vencedor em lugar nenhum: ela apenas amplia a vantagem de Lula.

0,18

ponto em sexo

Mulheres: 53% na meta Quaest e 52,819% entre 157,8 milhões de eleitores residentes.

1,02

ponto em região

É o maior desvio regional: Sudeste 41% na Quaest contra 42,024% no TSE.

−4,44

pontos nos mais pobres

Até dois salários mínimos: 31% na Quaest contra 35,44% na PNAD.

Universo comparável

Quaest × PNAD 2025 · pessoas de 16+

QuaestPNAD
Até 2 SM−4,44 pp na Quaest
Quaest
31,00%
PNAD
35,44%
IC 95% PNAD34,97–35,91
2 a 5 SM+2,77 pp na Quaest
Quaest
42,00%
PNAD
39,23%
IC 95% PNAD38,77–39,69
5+ SM+1,67 pp na Quaest
Quaest
27,00%
PNAD
25,33%
IC 95% PNAD24,79–25,86

Barras na mesma escala, de 0% a 50%. PNAD anual 2025, primeira visita, peso V1032 e 200 pesos replicados.

Teste de sensibilidade que prejudica Flávio

Reponderar apenas a margem de renda para a PNAD move a estimativa reconstruída de 39,72 × 30,02 para 40,44 × 29,57. A vantagem de Lula cresceria 1,17 ponto. Publicamos porque o padrão de prova é o mesmo nos dois sentidos.

O que o teste não faz

Ele não “corrige” a pesquisa. A Quaest pondera margens conjuntamente e usa MRP. Sem pesos finais e especificação do modelo, esta é apenas uma sensibilidade de uma margem.

O corte etário já estava correto no cálculo publicado: V2009__idade_na_data_de_referencia >= 16. Sem o filtro, a faixa mais pobre seria 37,05%; com ele, 35,44%; excluindo também quem tem exatamente 16 anos, 35,35%, o que seria incorreto porque a pesquisa inclui eleitores de 16 anos. Reprocessamento sobre 408.243 linhas válidas, das quais 323.023 no universo de 16 anos ou mais.

Mesmo entre pessoas de 16 anos ou mais, a Quaest tem 4,44 pontos menos gente até dois salários mínimos do que o país tem. Corrigir isso não muda quem está na frente em lugar nenhum: aumenta a vantagem de Lula em pouco mais de um ponto.

13 · território

O mapa mudou muito. Isso é uma qualidade, não uma explicação automática.

Comparamos os anexos de julho e agosto pelo código IBGE de 15 dígitos. Nome de bairro não é unidade amostral; um bairro contém muitos setores diferentes.

22municípios em comum entre os 120 de cada onda
9pares município + bairro repetidos, todos em setores diferentes
0setores censitários idênticos entre 334 + 334

Estrato macro estável

As duas ondas alocaram exatamente 141 setores no Sudeste, 92 no Nordeste, 48 no Sul, 28 no Norte e 25 no Centro-Oeste.

PSUs rotacionadas

O Jaccard municipal foi 10,09%. São Paulo manteve 22 setores e o Rio 12, mas nenhum setor exato foi repetido.

IBGE validado

Os 334 códigos de agosto foram consultados no Panorama. População setorial: mediana 568; mínimo 98; máximo 2.258.

Limite ecológico

O anexo informa onde houve entrevista, não o voto, o peso ou a probabilidade de inclusão de cada setor. Portanto, trocar bairros pode contribuir para variação, mas não permite atribuir os três pontos de redução da distância ao mapa.

Arquivos reprodutíveis: auditoria territorial JSON e base consolidada do dossiê.

14 · instrumento

109 itens, 39 páginas e uma promessa de 20 minutos.

O tamanho não invalida automaticamente uma entrevista presencial. Mas ele torna duração real, pulos, posição da pergunta e efeito de entrevistador parte central da prova de qualidade.

109

itens numerados

Inclui matrizes com 12 candidatos e 16 instituições.

10

cartões

Reduzem carga de memória, mas podem gerar efeitos visuais e de ordem.

28

resíduos de template

25 “TRAZER ITEM AQUI” e 3 “TRAZER OPÇÃO AQUI”.

11s

por número

É a média bruta se todos os 109 coubessem em 20 minutos.

Teste de estresse da duração

O PDF tem 6.447 palavras. Como filtros e instruções nem sempre são lidos, o teste simula três frações, a 130 palavras por minuto. Isto não mede a duração observada.

12,4 min25% do texto falado; sobram 4,2 segundos por item numerado para ouvir e registrar resposta
19,8 min40% do texto falado; sobra 0,1 segundo por item
29,8 min60% do texto falado; a leitura sozinha ultrapassa a promessa
O que o questionário acerta

Intenção espontânea vem antes da lista; há cartões e cédula circular; o voto é perguntado cedo; início e fim são gravados automaticamente; o campo incluiu sexta, sábado, domingo e segunda.

O que merece auditoria

Conhecimento e rejeição de 12 nomes aparecem antes do voto estimulado e podem ativar nomes e avaliações. Duração, tentativas, recusas, substituições, straightlining e efeitos por entrevistador não foram publicados.

O que a literatura permite afirmar, sem extrapolar
EvidênciaAchadoAplicação honesta à Quaest
Jeong et al.Em entrevistas presenciais de duas a três horas, uma hora adicional elevou omissões em 10% a 64%, conforme o módulo.Prova que fadiga causa dano; não autoriza importar essa magnitude para 20 minutos.
Galesic e BosnjakItens tardios receberam respostas mais rápidas, curtas e uniformes; duração prometida também afetou participação.A posição Q83–Q102 torna confiança e ideologia particularmente dependentes de paradata.
Experimento ESSQuestionários de 35 e 50 minutos tiveram qualidade em geral comparável.Contraponto essencial: comprimento é fator de risco, não sentença de invalidez.
29 mil ICCsEfeitos de entrevistador foram maiores em atitudes, itens tardios e perguntas com cartões.O bloco de confiança combina os três fatores e exigiria variância por entrevistador.
AAPOR e PewOrdem, contexto, primazia e recência alteram respostas; rotação ajuda.A cédula circular é boa prática. Q9–Q20 pode preparar Q21; blocos posteriores não causam o voto perguntado antes.
ESS, protocolo de contatoTentativas devem variar e incluir noite e fim de semana.Sábado e domingo ajudam, mas horário, tentativas e substituições continuam desconhecidos.
Dois dias de fim de semana reduzem a suspeita de “só pegar quem está em casa”. Não resolvem o problema: sem horário, tentativas e recusas por entrevista, ninguém sabe quem foi mais fácil ou difícil de alcançar.

15 · balanço semântico

O questionário pergunta o que Lula faz e o que acontece com os Bolsonaro.

Classificamos os 109 itens numerados por uma pergunta só: de quem a pergunta cobra. A classificação é nossa e está publicada bloco a bloco no JSON, exatamente para poder ser contestada. Os números incluem linhas de matriz, então a leitura honesta é por bloco temático.

23

itens cobram de Lula

Aprovação, avaliação, direção do país, economia, tarifaço, IRPF e Desenrola. Vinte foram publicados.

15

itens cobram de Flávio

Proibição de visitas, embaixadores, Michelle, vídeo por IA, apoio de Milei, apoio de Trump e patriotismo. Oito foram publicados.

14

são episódio, não agenda

Dos 15 itens sobre Flávio, 14 tratam de um acontecimento da família ou de um endosso estrangeiro.

Ausência total0

propostas de oposição

Nenhum item do questionário pergunta sobre programa, plano ou agenda de qualquer candidato que não seja o presidente.

Itens numerados por quem a pergunta coloca em julgamento

Classificação por bloco temático sobre o questionário registrado no TSE. Verde: item com resultado no relatório. Vermelho: item sem resultado divulgado.

A assimetria que importa

Não é que a Quaest pergunte mais de um lado: são 23 itens contra 15. É que ela pergunta coisas de natureza diferente. Do governo, ela cobra entrega: isenção do imposto, Desenrola, preço de alimentos, emprego, poder de compra, resposta ao tarifaço. Do adversário, ela cobra episódio: a briga com a madrasta, as pazes com a madrasta, a proibição de visitar o pai, a reunião com embaixadores, o vídeo feito por inteligência artificial, o apoio de Milei, o apoio de Trump. Um instrumento assim mede um presidente pelo que ele fez e um candidato pelo que aconteceu com ele. Não há nenhum item sobre o que a oposição propõe fazer, e essa ausência não é da Quaest sozinha: é do debate que ela retrata.

As perguntas que chamam atenção

Q92, Q97 e Q98

Pix, juiz de futebol e o cônjuge

A bateria de confiança institucional tem 16 linhas. Entre o STF, as urnas eletrônicas, as Forças Armadas e a imprensa, aparecem o Pix, os juízes de futebol e “sua esposa, marido, companheiro ou namorado”. A comparação rende manchete fácil e custa a seriedade da escala. O bloco inteiro ficou sem divulgação.

Q31 a Q33

A religião do candidato

Três itens perguntam se o eleitor acha importante que o candidato acredite em Deus, seja da mesma religião que ele e ouça líderes religiosos ao tomar decisões. É a medida mais direta de tolerância religiosa do instrumento, num ano em que o voto evangélico decide margem. Nenhum dos três foi divulgado.

Q72 e Q73

O vídeo feito por IA

Dois itens perguntam se o eleitor soube do vídeo de Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial e se há problema em a campanha usá-lo. É o único par de perguntas do questionário sobre IA em campanha, tema que vai dominar outubro. Ficou sem resultado publicado.

Um alerta contra a leitura preguiçosa: a bateria de imagem para vice inclui “o tenente-coronel Aroldo Medina”, um nome que quase ninguém reconhece. Não é nome-fantasma nem teste de reconhecimento falso: é o vice anunciado por Renan Santos em 1º de julho de 2026. A pergunta é legítima; o que não foi publicado é o resultado.

O que virou manchete

Peças recuperadas por bloco do questionário

Busca aberta em 7 de agosto de 2026 sobre a cobertura de 5 e 6 de agosto. Ausência aqui significa que não recuperamos a peça, não que ela não exista: portais com paywall ou que bloqueiam leitura automatizada não entraram no levantamento.

O placar leva tudo

Sete das quinze peças recuperadas são sobre o mesmo bloco: os quatro cenários de segundo turno. Poder360 publicou “Lula tem 44% ante 39% de Flávio no 2º turno”; a Metrópoles, “Lula lidera 1º e 2º turnos, mas Flávio cresce”; a Exame, o placar seco. Depois vêm aprovação, com três, e o episódio Michelle, com três, em CNN Brasil, InfoMoney e Diario de Pernambuco.

O bloco econômico não rendeu manchete

Seis indicadores, todos ruins para o governo: 68% dizem que os alimentos subiram, 69% compram menos, 55% veem o país na direção errada, 48% acham o emprego mais difícil, 43% dizem que a economia piorou, 55% tiveram renda perdendo do custo de vida. Não recuperamos nenhuma peça de 5 ou 6 de agosto com esse bloco no título, e testamos o zero contra quatro candidatas que acabaram sendo de outras ondas.

O que cada título escolheu nomear

Os quinze títulos recuperados se dividem em cinco enquadramentos e nenhum deles é econômico. Seis nomeiam o placar. Três nomeiam a aprovação estável do governo. Quatro nomeiam um episódio da família Bolsonaro. Um nomeia o placar somado ao crescimento de Flávio, na Metrópoles. E um só nomeia uma perda do presidente: a CNN Brasil, com a queda de sete pontos entre independentes. Dentro da mesma rodada, com os mesmos números disponíveis para todo mundo ao mesmo tempo, catorze de quinze títulos falam de disputa, de governo estável ou de novela familiar.

Os portais de mercado escolheram o placar e a novela

Dos veículos de mercado que conseguimos recuperar, a Exame publicou duas peças, ambas de placar, e a InfoMoney publicou uma, sobre a reconciliação de Michelle e Flávio. Nenhuma das três levou ao título o bloco de poder de compra, custo de vida e endividamento, que é exatamente o dado que o leitor de mercado usa para precificar consumo. A pesquisa foi paga por um banco e o número econômico ficou fora da manchete dos veículos que falam com investidores.

Trilha de auditoria do “nenhuma peça”: a varredura devolveu quatro reportagens que pareciam ser desta rodada e todas foram abertas e datadas antes de qualquer conclusão. São de outras ondas da mesma Quaest, em abril, maio e julho. Ficam registradas no JSON como prova de que o zero foi testado, e não entram no texto como argumento: comparar cobertura de ondas diferentes confunde o leitor e não sustenta conclusão sobre esta.

O que isso entrega à terceira via e ao antibolsonarismo

Um questionário que mede a família Bolsonaro por episódio produz, a cada rodada, uma pauta pronta sobre crise interna, tutela estrangeira ou judicialização. Nesta onda os dois episódios divulgados deram resultado favorável a Flávio, 59% aprovando a reconciliação e 52% considerando errada a proibição de visitas, e mesmo assim a moldura publicada foi “o que ajudou Flávio a crescer”, não “o que o eleitor pensa da decisão do STF”. O enquadramento sobrevive ao resultado.

E o que entrega ao campo do governo

Um bloco de seis perguntas sobre entrega de política pública, IRPF e Desenrola, garante ao governo pelo menos um número simpático por rodada, mesmo quando o alcance efetivo é de 6,3% e 2,6%. E a ausência de manchete no bloco econômico significa que a pior notícia da pesquisa para o governo circulou menos que a melhor.

As quinze peças recuperadas, com link

A pesquisa cobra do presidente o que ele entregou e cobra do adversário o que apareceu no noticiário sobre a família dele. Nenhuma das 109 perguntas quer saber o que a oposição pretende fazer. E, na mesma rodada, com todo mundo olhando os mesmos números no mesmo dia, o placar levou sete das quinze reportagens que conseguimos recuperar, a novela da família levou quatro, e os seis indicadores econômicos não levaram nenhuma.

16 · edição

O questionário pergunta 109 vezes. O relatório responde 58.

Cobertura de 53,2%. Em julho, o primeiro relatório trouxe 65 de 101 e o suplemento elevou o total a 73. A lacuna de agosto é maior, e o que ficou de fora é estrategicamente decisivo.

51

sem resultado

Não significa manipulação. Significa que seleção editorial é uma variável observável e precisa ser explicitada.

16

itens de confiança

O bloco inteiro sobre pessoas e instituições ficou fora da apresentação.

2

validações eleitorais

Voto recordado em 2022 e comparecimento declarado em 2024 poderiam diagnosticar viés.

Q1,5,7Operacionais

Elegibilidade, ocupação e consentimento de gravação.

Q29–30Resultado desejado e vencedor esperado

Quem o eleitor quer que vença e quem acredita que vencerá. É a medida direta do voto útil, e ficou de fora.

Q31–43Religião, vice, Senado e decisão

Treze itens eleitorais, inclusive cinco nomes para vice.

Q61–68*Estados Unidos e apoio de Trump

Q61, 62, 63, 65, 66 e 68: favorabilidade, alinhamento, endosso, dano e reação ao tarifaço.

Q70–73Milei e vídeo de Jair por IA

Conhecimento e efeito de endosso, além de vídeo artificial.

Q78,82Conflito e reconciliação

O relatório mostra as pazes entre Michelle e Flávio, mas omite conflito e efeito no voto.

Q83–98Confiança

Matriz completa com 16 instituições e pessoas.

Q100–102Ideologia e afetos

Autoposição esquerda-centro-direita, PT e Jair Bolsonaro.

Q108–109Validação

Voto recordado em 2022 e comparecimento declarado em 2024.

O teste mais importante ficou escondido

Voto recordado não prova representatividade, pois memória e vergonha social distorcem respostas. Mesmo assim, comparar a amostra ponderada com o resultado oficial de 2022 revelaria se ela reconstrói o passado de modo plausível. A pergunta existe; o resultado não.

Um padrão, não uma acusação

As perguntas retidas incluem justamente as que respondem à disputa interna da direita: quem o eleitor quer que vença, quem ele espera que vença, quem deveria ser vice e quanto pesa o endosso de Trump. Não há prova de que a seleção tenha sido feita depois de ver os números. Há um remédio simples que encerraria a dúvida: plano de análise datado antes do campo.

17 · dinheiro e edição

Quem pagou está provado. “Pagou pelo resultado” não está.

A nota fiscal evita insinuação preguiçosa. O risco auditável é outro: quem financia e publica escolhe quais respostas chegam primeiro ao debate.

DocumentoR$433 mil

Valor bruto

NFS-e 511, emitida em 29/07 às 17h15, parcela única da pesquisa nacional de agosto.

Documento

Banco Genial

Contratante CNPJ 45.246.410/0001-55; prestador Quaest CNPJ 22.445.600/0001-04.

Sem prova

Interferência

Nenhum documento visto demonstra compra de número, alteração de peso ou veto explícito a resultado.

A pergunta certa

Qual protocolo definiu antes do campo o relatório principal, os suplementos e a ordem de divulgação? Sem plano de análise datado, 51 resultados retidos deixam aberta a seleção pós-resultado, ainda que tudo tenha sido medido corretamente.

O patrocinador paga para pesquisar e publicar. Isso não prova fraude. Mas, quando metade das respostas some, o público merece saber se o cardápio foi escolhido antes ou depois de ver os números.

18 · outros institutos

Quatro métodos, quatro níveis de não escolha.

Quaest e Nexus foram a campo no mesmo fim de semana e discordam bastante sobre a distância. Datafolha e Atlas são anteriores. Percentuais brutos não são comparáveis sem olhar branco, nulo e indecisão.

Quaest31/07–03/08 · presencial
39 × 30
Nexus/BTG31/07–02/08 · telefone
41 × 37
Datafolha22–24/07 · fluxo
40 × 32
Atlas/Bloomberg22–27/07 · digital
44,9 × 35,8
Primeiro turno: Lula × Flávio, bruto e normalizado pelo total de escolhas válidas
InstitutoModoBrutoNão escolhaVálidos
QuaestPresencial domiciliar39 × 3018%47,56 × 36,59
Nexus/BTGTelefone, RDD41 × 377%44,09 × 39,78
DatafolhaPontos de fluxo40 × 3211%44,94 × 35,96
Atlas/BloombergRecrutamento digital44,9 × 35,81,6%45,63 × 36,38
Consenso

Lula lidera o primeiro turno em todas. Nos válidos, Datafolha e Atlas quase coincidem para os dois principais candidatos. A direção é mais estável que o nível bruto.

Dissenso

Nexus mede 41 × 37 no primeiro turno e 46 × 45 no segundo, quase simultânea à Quaest. Modo de entrevista, oferta de respostas, seleção e ponderação são candidatos plausíveis para a diferença.

A Quaest é a mais dura para Flávio entre as pesquisas próximas. Isso não a torna errada. O fato de o Nexus encontrar empate no mesmo fim de semana torna irresponsável tratar 44 × 39 como precisão absoluta.

19 · diagnóstico final

O que está certo, o que pode estar errado e o que resolveria.

A conclusão mais forte não é uma acusação. É uma lista curta de provas que o instituto possui e o público ainda não.

Pontos fortes

Desenho documentado

Registro tempestivo, questionário, nota fiscal, anexo territorial, controle declarado de áudio e geolocalização, rotação forte de setores e metas demográficas próximas ao TSE. E, ao contrário de quase todo mundo, quatro cenários de segundo turno na mesma amostra, o que permite medir a substituição em vez de especular sobre ela.

Pontos fracos

Transparência insuficiente

Pesos finais, n efetivo, deff, bases brutas, equação do MRP, paradata e 51 resultados não estão públicos. A margem divulgada pressupõe um desenho que não é o utilizado.

Cinco entregas que encerrariam quase toda a controvérsia

  1. Microdados anonimizados com carência, peso final e variáveis de estrato, conglomerado e entrevistador.
  2. Deff por estimativa, variância dos pesos, n efetivo e método de variância que incorpora clusters e MRP.
  3. Especificação do MRP: desfecho, níveis, interações, priors, pós-estratos e diagnóstico de convergência.
  4. Paradata: início, fim, duração por bloco, tentativas, recusas, substituições, horário e não resposta por posição.
  5. Plano de análise pré-campo e resultados de todas as 109 perguntas, incluindo voto recordado e confiança.
A leitura estratégica, em cinco linhas

Primeiro: a distância do primeiro turno é estatisticamente clara e desfavorável; a do segundo já não sustenta certeza sem conhecer o desenho. Segundo: existe uma maioria que recusa mais quatro anos de Lula e ela não é de Flávio, com 7,43 pontos nacionais parados fora da urna. Terceiro: a própria Quaest mostra que qualquer substituto testado perde por mais, e que metade do voto da terceira via é declaradamente mutável. Quarto: o argumento econômico tem endereço estreito, a faixa de dois a cinco salários mínimos, e é lá que a isenção do IRPF prometeu e 68% dizem não ter recebido. Quinto: a pauta que une os dois blocos de direita e ainda ganha entre independentes é a proibição de visitas a Jair, com 52% do eleitorado contra a decisão.

E o que enfraquece essa leitura

Lula recupera exatamente onde Flávio precisa crescer: evangélicos, Nordeste e Bolsa Família. A expectativa econômica virou para melhor. O teto de Flávio na série é de março, não de agosto. Rejeição de 54% continua sendo maioria e o muro feminino de 16 pontos não se moveu. Uma campanha que só leia o capítulo 03 deste dossiê vai perder por esses quatro motivos.

Flávio melhorou de verdade. Lula continua na frente. A Quaest tem uma amostra demográfica razoável e uma divulgação incompleta. E ela contém, de graça, o mapa do que falta para a oposição. As quatro frases cabem juntas.

20 · fontes e método

Documentos, código e literatura para reproduzir.

Fontes locais foram preservadas em data/pesquisas/quaest/2026-08/. Cálculos e transcrições consolidados estão no JSON público e no script de auditoria.

Como os números foram extraídos

O relatório de 114 páginas não tem camada de texto nos gráficos: cada tabela é uma imagem. Todas as séries, recortes e cenários citados aqui foram lidos página a página e gravados em scripts/quaest-august-audit.py, com a página de origem ao lado de cada bloco. O controle de qualidade da transcrição é a recomposição do placar a partir do cruzamento por posicionamento: 38,3 contra 39 publicado para Lula e 29,6 contra 30 para Flávio, com resíduo igual ao bloco de 2% que não declara posição.

Cálculos: Arvor Intelligence. Percentuais podem não somar 100 por arredondamento. Comparações de subgrupos são descritivas, pois a Quaest não publicou bases não ponderadas nem intervalos. O teste de renda é uma sensibilidade marginal, não reestimativa do modelo conjunto. A leitura estratégica deste dossiê é declaradamente favorável a uma interpretação; os números que a contrariam estão publicados nos mesmos capítulos, com a mesma régua.