ArvorArvor Intelligence · auditoria eleitoral

Atlas ajuda a campanhaonline do Flávio.

31 posts, cada um com card 16:9 pronto para screenshot e texto longo copiável. A thread segue o dossiê: o experimento natural que a Atlas publicou sem perceber: o pai marca 42,3 e o filho, 35,8 na mesma amostra (1–5) → o mapa do medo e a lacuna de conversão (6–8) → por que essa pesquisa é mapa e não placar: anúncio pago, margem impossível e uma cota de renda tirada de 2024 (9–13) → questionário ramificado, tesoura de gênero e o outlier do Missão (14–16) → o prêmio de intensidade: Atlas e Datafolha coincidem em 0,99 nos dois grandes e divergem 2,30× em Renan, o mecanismo do anúncio, o relato sem documento e a crítica de Raphael Nishimura (17–25) → o espelho invertido de escolaridade e renda (26) → as jogadas que decorrem disso (27–30) → veredito e cobrança (31). Sem hashtag: o X premia conteúdo, não tag.

Como publicar: screenshot em cada card (16:9 exato), “Copiar texto” para o corpo do post, publicar na ordem. Dossiê-mãe: brasil.arvor.co/atlas_072026.html
Fontes públicas: relatório, questionário, questionário respondido, DRE, declaração do estatístico e registro AtlasIntel/Bloomberg 07/2026 (TSE BR-08602/2026, campo 22–27/07, n=5.021). Cruzamentos transcritos das páginas 16, 20, 21, 30, 34, 38 e 39, publicadas como imagem. Benchmarks: TSE Eleitorado Atual e microdados PNADC anual 2024 (visita 5) e 2025 (visita 1). Comparação com Datafolha 07/2026 e Quaest 07/2026 nos dossiês próprios. Reprodução: scripts/atlas-072026-audit.py e scripts/atlas-072026-renda.py em github.com/ArvorCo/PNAD. Feito pelos agentes de IA da Arvor.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
1/31
atlasintel/bloomberg · julho 2026 · n = 5.021

Na mesma pesquisa, o pai marca 42,3. O filho, 35,8.

A Atlas perguntou às MESMAS 5.021 pessoas o voto de 2026 com Flávio e a repetição de 2022 com Jair. Publicou um experimento natural sem perceber.

E os 6,5 pontos que faltam não foram para Lula. Foram 0,5 para Lula. O resto está espalhado na própria direita.

base bolsonarista intacta: 97,4 de 99,9direita não bolsonarista: −20,3
Jair · cenário 202242,3
Flávio · 1º turno 202635,8

para onde foram os que saíram

Outra direita24,7
Lula0,5

O problema é de consolidação, não de conversão.

arvor intelligence · atlas 07/2026fonte: p.16 x p.20 · mesma onda, mesmos respondentes
~1780 charsA AtlasIntel/Bloomberg publicou um experimento natural sem perceber. E ele contém o diagnóstico mais duro já feito da candidatura de Flávio Bolsonaro. A pesquisa faz DUAS perguntas de voto às mesmas 5.021 pessoas: 1) em quem você votaria em 2026, com Flávio na lista; 2) e se fossem os mesmos candidatos de 2022, inclusive Bolsonaro? Jair: 42,3%. Flávio: 35,8%. Mesma amostra, mesma semana, mesmo questionário, mesma ponderação, mesmo viés de recrutamento. Tudo o que atrapalha comparação entre pesquisas se cancela. Sobra uma variável: o nome na cédula. 6,5 pontos é o preço do sobrenome. Agora as três coisas que ninguém contou sobre esses 6,5 pontos: 1. A BASE DURA ESTÁ INTACTA. Entre quem se declara direita bolsonarista, Flávio retém 97,4 dos 99,9 do pai. Não há vazamento no núcleo. Todo discurso feito para “segurar a base” resolve um problema que a pesquisa diz não existir. 2. A PERDA É NA FRONTEIRA. Direita não bolsonarista: −20,3. Eleitor sem posicionamento: −19,7. Evangélicos: −13,9. Jovens de 16 a 24: −13,0. Era voto emprestado, e o empréstimo não foi renovado. 3. ELE NÃO PERDEU PARA LULA. Dos que votaram em Jair em 2022, 0,5% foram para Lula. 0,5. Os outros 24,7 pontos foram para Renan, Zema, Caiado e Cury, todos dentro da direita. O que muda tudo: recuperar 24,7 pontos que já estão na direita é operação política, de semanas. Converter eleitor de Lula seria operação cultural, de anos. E a pesquisa já mostra que volta: de 35,8 no 1º turno para 42,9 no 2º. Abro tudo abaixo, inclusive por que essa pesquisa não serve como placar, e serve muito bem como mapa. Thread 🧵
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
2/31
metodologia, em dez segundos

Por que esses 6,5 pontos valem mais que qualquer comparação entre pesquisas

Toda vez que alguém compara Datafolha com Quaest, ou junho com julho, a diferença carrega método, período, amostra e ponderação diferentes.

Aqui, não. As duas medidas saem da mesma linha do mesmo banco de dados.

  • Mesma amostra: as mesmas 5.021 pessoas responderam às duas.
  • Mesma semana, mesmo questionário, mesma ordem.
  • Mesma ponderação e as mesmas cotas.
  • Mesmo viés de recrutamento, seja ele qual for, se anula na diferença.
  • =O que sobra é a troca de nome na cédula.
arvor intelligence · atlas 07/2026cenário 1 (p.20) x repetição de 2022 (p.16)
~1080 charsUma nota de método, porque ela é o que dá força a tudo que vem depois. Quando você compara Datafolha com Quaest, ou a rodada de junho com a de julho, a diferença entre os números carrega um monte de coisa junto: amostra diferente, período diferente, método de coleta diferente, ponderação diferente. Por isso quase toda comparação entre pesquisas é frágil. E por isso quase toda discussão sobre pesquisa vira briga. Aqui não é o caso. Os 42,3% de Jair e os 35,8% de Flávio saem da MESMA amostra, da MESMA semana, do MESMO questionário, com a MESMA ponderação e o MESMO viés de recrutamento, seja ele qual for. E se o viés é o mesmo nas duas perguntas, ele se cancela na diferença. Sobra uma variável só: o nome na cédula. É por isso que eu confio nesses 6,5 pontos muito mais do que confio no 44,9% de Lula na capa do relatório. O nível é discutível. A diferença, não. Agora, onde ela está.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
3/31
recorte a recorte

A base dura está intacta. O empréstimo é que não foi renovado.

Entre quem se declara direita bolsonarista, Flávio retém 97,4 dos 99,9 do pai. Não há vazamento no núcleo.

A perda inteira está nas bordas, em quem aceitava Jair sem ser dele.

RecorteJairFlávioΔ
Direita não bolsonarista73,953,6−20,3
Sem posicionamento35,916,2−19,7
Evangélicos65,451,5−13,9
16 a 24 anos22,79,7−13,0
Norte48,337,0−11,3
Ensino superior34,425,6−8,8
Direita bolsonarista99,997,4−2,5
60 anos ou mais34,032,2−1,8
arvor intelligence · atlas 07/202628 recortes completos em brasil.arvor.co/atlas_072026.html
~1290 charsRodei os 28 recortes. O resultado desmonta o senso comum dos dois lados. Onde Flávio MAIS perde em relação ao pai: Direita não bolsonarista: 73,9 → 53,6 (−20,3) Sem posicionamento declarado: 35,9 → 16,2 (−19,7) Evangélicos: 65,4 → 51,5 (−13,9) 16 a 24 anos: 22,7 → 9,7 (−13,0) Norte: 48,3 → 37,0 (−11,3) Centro-Oeste: 47,8 → 38,0 (−9,8) Ensino superior: 34,4 → 25,6 (−8,8) Onde ele quase NÃO perde: Direita bolsonarista: 99,9 → 97,4 (−2,5) 60 anos ou mais: 34,0 → 32,2 (−1,8) Nordeste: 23,5 → 21,3 (−2,2) Ensino fundamental: 47,3 → 43,9 (−3,4) Leia junto e a conclusão é inescapável: a base dura está INTACTA. Reter 97,4 de 99,9 é praticamente perfeito. Não existe vazamento no núcleo bolsonarista. Toda a perda está na fronteira. Nos que aceitavam Jair sem serem dele. Era voto emprestado, e o empréstimo não foi renovado no automático. Isso tem uma implicação que contraria quase tudo que a campanha está fazendo: qualquer discurso desenhado para “segurar a base” está resolvendo um problema que a pesquisa diz não existir. E cobra o preço exatamente onde o problema existe.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
4/31
quem votou em Jair em 2022

Ninguém atravessou a rua. Todo mundo ficou na mesma calçada.

Dos que declaram voto em Jair no 2º turno de 2022: 72,6% seguem com Flávio, 24,7% foram para Renan, Zema, Caiado ou Cury, e 0,5% foram para Lula.

A tese de que Flávio “perdeu eleitor para o PT” não sobrevive ao próprio relatório.

Continuam com Flávio72,6
Renan Santos10,2
Romeu Zema6,3
Ronaldo Caiado5,4
Augusto Cury2,7
Lula0,5

24,7 pontos migraram, todos dentro da direita.

arvor intelligence · atlas 07/2026cruzamento por voto presidente · 2º turno 2022
~1010 charsE para onde foi o voto que saiu? Este é o dado mais subestimado da pesquisa inteira. Entre quem declara ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, o cenário de 2026 se distribui assim: Flávio Bolsonaro: 72,6% Renan Santos: 10,2% Romeu Zema: 6,3% Ronaldo Caiado: 5,4% Augusto Cury: 2,7% Não sei: 1,8% LULA: 0,5% Meio ponto. Meio ponto foi para o outro lado. 24,7 pontos migraram, e todos ficaram dentro da direita. Isso muda a natureza do problema. A perda de primeiro turno de Flávio é de CONSOLIDAÇÃO, não de CONVERSÃO. Recuperar 24,7 pontos que já estão na direita é uma operação política: pacto, programa, coordenação. Semanas. Converter eleitor de Lula seria uma operação cultural. Anos. A Atlas diz que a tarefa é a primeira.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
5/31
o eleitor volta quando o cardápio afunila

De 35,8 para 42,9. Sobe exatamente o tamanho da diáspora.

No cenário de sete candidatos, Flávio tem 35,8%. No mata-mata contra Lula, 42,9%. +7,1, praticamente os 24,7 pontos dispersos voltando.

Consequência estratégica difícil de engolir: atacar Renan, Zema ou Caiado agora tem retorno negativo. O voto já volta sozinho. A aliança que decide o Senado, não.

Flávio · 1º turno35,8
Flávio · 2º turno42,9
Jair · 1º turno 202242,3
Lula · 2º turno49,2

Dez/25 o 2º turno era 53 × 41. Fev/26, 46,2 × 46,3, com Flávio à frente. Hoje, 49,2 × 42,9.

arvor intelligence · atlas 07/2026série do 2º turno · p.30 do relatório
~1250 charsA prova de que a diáspora volta já está na própria pesquisa. Cenário de primeiro turno, com sete candidatos: Flávio 35,8%. Segundo turno, mata-mata contra Lula: Flávio 42,9%. Sobe 7,1 pontos. Praticamente o tamanho exato dos 24,7 pontos dispersos na direita, ponderados pelo peso de cada candidato. O eleitor volta quando o cardápio afunila. Não precisa ser convencido: precisa ser somado. E daí sai a consequência estratégica mais difícil de engolir para quem está no jogo agora: atacar Renan Santos, Zema ou Caiado hoje tem retorno NEGATIVO. O voto deles já volta sozinho em outubro. O que não volta é a aliança legislativa que vai decidir o Senado, e a governabilidade em 2027. Você gasta capital político para comprar algo que a aritmética já te entrega, e destrói de graça algo que a aritmética não te entrega. Um dado de contexto que quase ninguém lembra: em fevereiro deste ano, na própria Atlas, o segundo turno estava 46,2 × 46,3. Com Flávio à frente. A distância de hoje, 6,3 pontos, é metade da de dezembro.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
6/31
a métrica mais acionável da pesquisa

A vantagem que Flávio já tem no medo. E quanto dela não vira voto.

Em cada recorte, quantos temem Lula menos quantos temem Flávio é a vantagem emocional dele. E quantos votam em Flávio menos quantos votam em Lula é a vantagem eleitoral.

A queda entre uma e outra é a lacuna de conversão. Onde a linha cruza o zero, o recorte teme mais Lula e vota em Lula assim mesmo.

VANTAGEM NO MEDOVANTAGEM NO VOTO Evangélicos +43,9 25 a 34 anos +24,3 Fundamental +8,8 Renda até R$ 2 mil +0,2 +29,4 +4,3 −2,9 −18,2

A tracejada é o zero, e a faixa vermelha é o terreno abaixo dele. Toda linha desce; duas atravessam.

arvor intelligence · atlas 07/2026p.38 (medo) cruzada com p.20 (voto)
~1290 charsAgora a camada mais útil de todas, e a que nenhuma cobertura tocou. A Atlas faz duas perguntas em blocos separados do questionário: · qual resultado te causa mais medo, a eleição de Flávio ou a reeleição de Lula? · e em quem você votaria? Cruzei as duas, recorte por recorte. E medi duas distâncias: VANTAGEM NO MEDO = quantos temem Lula, menos quantos temem Flávio. VANTAGEM NO VOTO = quantos votam em Flávio, menos quantos votam em Lula. A primeira é o quanto o eleitor já concorda que o adversário é o risco. A segunda é o quanto isso virou voto. A queda de uma para a outra eu chamei de LACUNA DE CONVERSÃO. E ela existe em todo recorte que olhei: Evangélicos: +43,9 no medo, +29,4 no voto. 25 a 34 anos: +24,3 no medo, +4,3 no voto. Ensino fundamental: +8,8 no medo, e −2,9 no voto. Renda até R$2 mil: +0,2 no medo, e −18,2 no voto. Repare nos dois últimos. A linha atravessa o zero. Significa que esses eleitores temem MAIS a reeleição de Lula do que a eleição de Flávio, e votam em Lula assim mesmo. Isso muda o tipo de trabalho que a campanha precisa fazer. Convencer aquele eleitor de que o adversário é um risco JÁ ESTÁ FEITO. Ele já concorda. O que falta é convencê-lo de que este é confiável. Não é déficit de opinião. É déficit de confiança, e as duas coisas se resolvem com ferramentas completamente diferentes. Os números completos vêm agora.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
7/31
os seis recortes decisivos

Ensino fundamental teme mais Lula e vota mais em Lula.

52,4% temem a reeleição de Lula contra 43,6% que temem a eleição de Flávio. E o voto vai 46,8 × 43,9 para Lula. Contradição pura.

Na renda até R$ 2 mil o medo empata (47,4 × 47,2) e o voto abre 18,2 para Lula. É o maior estoque de voto não convertido da pesquisa.

RecorteMedoVotoLacuna
25 a 34 anos+24,3+4,320,0
Renda até R$ 2 mil+0,2−18,218,4
Evangélicos+43,9+29,414,5
Norte+18,2+5,312,9
Ensino fundamental+8,8−2,911,7
Católicos−2,5−13,711,2

Vantagem de Flávio no medo do adversário, menos a vantagem dele no voto.

arvor intelligence · atlas 07/2026p.38 x p.20 · seis recortes com maior lacuna
~1240 charsOs casos, em ordem de gravidade. RENDA ATÉ R$2 MIL: o medo empata (47,4 x 47,2). O voto abre 18,2 para Lula. Lacuna de 18,4. Esse eleitor não prefere Lula. Ele não confia que a transição preserve o que ele já recebe. ENSINO FUNDAMENTAL: temem MAIS Lula (52,4 x 43,6) e votam MAIS em Lula (46,8 x 43,9). Lacuna de 11,7. Contradição pura. CATÓLICOS, o maior grupo religioso do país: medo quase empatado, voto 13,7 abaixo. Lacuna de 11,2. E é o grupo em que ninguém está trabalhando: toda a energia religiosa da campanha está alocada no bloco onde a vantagem já existe. 25 A 34 ANOS: a faixa que mais teme Lula no Brasil inteiro (55,4 x 31,1) entrega só 4,3 de vantagem no voto. Lacuna de 20,0. EVANGÉLICOS: 43,9 pontos de vantagem no medo viram 29,4 no voto. Sobram 14,5 na mesa, e Jair tinha 65,4 ali contra os 51,5 de hoje. Somando os três primeiros, é a maior reserva de voto disponível do país. E nenhum deles se resolve com tom mais alto. Resolve-se com compromisso escrito, custo publicado e prestação de contas. É outro tipo de campanha.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
8/31
o bloco que decide a eleição

8,7% temem os dois. E é a mesma gente dos dois maiores buracos.

No total nacional são 8,7%. Mas o número explode exatamente nos grupos que emprestavam voto a Jair sem pertencer ao projeto.

Reduzir esse medo é aritmeticamente idêntico a recuperar a herança perdida.

Voto branco/nulo 202247,3
Não votou em 202232,1
16 a 24 anos26,9
Direita não bolsonarista22,5
Total Brasil8,7

“Ambos me preocupam”, por recorte. No país inteiro, 46,6% temem Flávio e 44,6% temem Lula.

arvor intelligence · atlas 07/2026p.36 e p.38 · pergunta de medo eleitoral
~1230 charsTem um terceiro grupo nessa pergunta que ninguém olha: quem responde “ambos me preocupam”. No total nacional são 8,7%. Parece residual. Não é. Veja onde eles se concentram: 47,3% entre quem votou branco ou nulo em 2022 32,1% entre quem não votou 26,9% entre 16 e 24 anos 22,5% na direita não bolsonarista Agora compare com o post 3 desta thread, o dos recortes onde Flávio mais perdeu em relação ao pai: direita não bolsonarista (−20,3), sem posicionamento (−19,7), 16 a 24 anos (−13,0). É a MESMA POPULAÇÃO. E não é coincidência. Quem teme os dois lados é exatamente quem emprestava voto a Jair sem pertencer ao projeto. O medo simétrico é a assinatura do voto emprestado. O que significa que reduzir esse medo e recuperar a herança perdida não são duas tarefas. São a mesma tarefa, medida por dois instrumentos diferentes. E o país inteiro está a dois pontos disso: 46,6% temem a eleição de Flávio, 44,6% temem a reeleição de Lula. Mover quatro pontos da primeira coluna para “ambos” já empata a eleição.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
9/31
a regra de uso deste relatório

É justamente por errar o país que a Atlas acerta a internet do país.

Uma amostra online autosselecionada não descreve o eleitorado. Descreve, com precisão incomum, quem está alcançável por campanha digital e disposto a falar de política. São 5.021 pessoas que viram um anúncio, clicaram e responderam mais de cem perguntas sozinhas: o perfil exato de quem uma operação online consegue tocar.

Como placar, a Atlas é ruim e deve ser lida com faixa de ±4 a ±6 pontos, não com o ±1 da capa. Como mapa de terreno digital, é o melhor documento público que existe hoje no Brasil. É por isso que ela ajuda a campanha online do Flávio, e é por isso que ela não deve orientar um único centavo com base no número da manchete.

arvor intelligence · regra de usohipótese, não placar · validar contra Datafolha e Quaest
~1200 charsAqui o título da thread, que não é ironia. Uma pesquisa online autosselecionada é ruim para estimar o país. Isso está estabelecido pela AAPOR, pelo Pew, pela literatura inteira. Mas ela é excelente para outra coisa: descrever quem está ALCANÇÁVEL ONLINE. Pensa no que são esses 5.021 casos. São pessoas que estavam navegando, viram um anúncio sobre eleição, tiveram interesse político suficiente para clicar, e paciência para responder mais de cem perguntas sozinhas na tela. Esse é, com precisão quase perfeita, o perfil de quem uma campanha digital consegue tocar. Então a regra de uso é esta: como PLACAR, leia a Atlas com faixa de ±4 a ±6 pontos, não com o ±1 que ela publica. como MAPA DE TERRENO DIGITAL, é o melhor documento público que existe hoje no Brasil. Tudo o que mostrei até aqui, a conta da sucessão, a diáspora e a lacuna de conversão, é hipótese gerada por esse mapa. Precisa ser testada contra Datafolha e Quaest antes de virar alocação de recurso. Mas nenhuma dessas hipóteses apareceu em qualquer cobertura da pesquisa. Todas estavam nas páginas 16, 20 e 38. Agora, por que o placar não presta.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
10/31
o “R” de Random

“Recrutamento orgânico durante a navegação”, com identificador de anúncio pago no endereço

O endereço salvo do questionário traz gclid, gad_source e gad_campaignid. São parâmetros de clique de anúncio do Google.

  • 1A plataforma entrega o anúncio a quem tem mais chance de agir, não a uma amostra do Brasil.
  • 2Clica quem tem interesse político suficiente para clicar.
  • 3Conclui quem aguenta 100+ decisões sozinho na tela.
  • 4A ponderação corrige sexo, idade, renda, escolaridade, região e voto de 2022. Nada disso enxerga o funil.
arvor intelligence · atlas 07/2026fonte: página do questionário preservada
~1250 charsPor que o placar da Atlas não presta como estimativa nacional. Preservei a página do questionário. O endereço traz gclid, gad_source e gad_campaignid, parâmetros de rastreamento de CLIQUE DE ANÚNCIO do Google. Ou seja: pelo menos parte do recrutamento veio de campanha paga. “Recrutamento orgânico durante a navegação”, como a Atlas descreve, é uma formulação generosa para um funil que começa num leilão publicitário. E o leilão não entrega uma amostra do Brasil. Ele entrega quem a plataforma calcula que vai AGIR, porque é assim que a plataforma ganha dinheiro. Depois filtra quem se interessa por política a ponto de clicar. Depois filtra quem aguenta mais de cem decisões sozinho. Três funis em série, cada um selecionando por interesse político. A ponderação da Atlas corrige sexo, idade, renda, escolaridade, região e voto de 2022. Nenhuma dessas variáveis enxerga o funil. Duas pessoas com o mesmo sexo, idade, renda, escolaridade, região e voto passado podem ter probabilidades radicalmente diferentes de clicar num anúncio político. É essa diferença que sobra dentro da amostra, e é ela que a pós-estratificação não alcança. Isso não é acusação de fraude. É a descrição do mecanismo.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
11/31
a mística do ±1

A capa promete ±1 ponto. O piso matemático é ±1,38.

Com 5.021 casos, uma amostra aleatória simples, sem peso, sem seleção, com cobertura perfeita e no melhor caso possível do universo, teria margem máxima de 1,383 ponto.

Para chegar a ±1,00 seriam necessários 9.604 entrevistados. A Atlas publica precisão melhor do que o melhor caso possível. Isso não é discutível: é conta de primeiro semestre.

CenárioMargem
Publicado na capa±1,00
Piso aleatório simples (n=5.021)±1,38
Com efeito de desenho 1,5±1,69
Com efeito de desenho 2,5±2,19
Faixa operacional que adotamos±4 a ±6

A AAPOR considera enganoso reportar margem de amostragem em amostra autosselecionada.

arvor intelligence · atlas 07/2026MOE = 1,96 × √(0,25/5.021) = 1,383
~1330 charsO número da capa. MARGEM DE ERRO: ±1 ponto percentual. NÍVEL DE CONFIANÇA: 95%. Faça a conta com o próprio n deles: 1,96 × √(0,5 × 0,5 / 5.021) = 1,383 ponto percentual. Esse é o PISO. É o valor para uma amostra aleatória simples: sem ponderação, sem viés de seleção, cobertura perfeita, o melhor caso possível que existe no universo da estatística. Para chegar a ±1,00 no pior caso seria preciso 9.604 entrevistados. Quase o dobro. A Atlas publica uma precisão MELHOR do que o melhor caso matematicamente possível para o tamanho da amostra dela. E piora: a ponderação sempre aumenta a margem, nunca diminui. Com efeito de desenho entre 1,5 e 2,5, faixa comum, a margem real iria para ±1,69 a ±2,19. A Atlas não publica o efeito de desenho nem o tamanho efetivo da amostra. E a AAPOR, a maior associação de pesquisa de opinião do mundo, considera ENGANOSO reportar margem de amostragem para amostra autosselecionada, porque a fórmula pressupõe sorteio, e aqui não houve sorteio. Eu uso ±4 a ±6 pontos para ler essa pesquisa. Não é chute: é o que a divergência com Datafolha e Quaest sustenta.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
12/31
e ainda tem esta

Pesquisa de julho de 2026 calibrada com uma foto de 2024

O registro no TSE diz: “FONTE DOS DADOS: PNADC 2024 para escolaridade e nível econômico”. A PNADC anual de 2025 foi divulgada em maio de 2026, dois meses antes do campo.

E as faixas da cota são em reais nominais. Faixa nominal envelhece: dois salários mínimos valiam R$ 2.824 em 2024 e R$ 3.036 em 2025. O domicílio mais comum do Brasil atravessou o teto da faixa sem ganhar um centavo.

FaixaCota AtlasPNAD 24 a preços de 26PNAD 25 a preços de 26
até R$ 2.00022,419,216,4
R$ 2.000–3.00017,111,911,1
R$ 3.000–5.00023,127,627,0
R$ 5.000–10.00023,926,027,7
+ de R$ 10.00013,515,317,8

Pessoas de 16 anos ou mais, VD5007, peso calibrado do IBGE.

arvor intelligence · atlas 07/2026microdados PNADC anual 2024 v5 e 2025 v1 · IBGE
~1260 charsMais uma, e essa é a mais fácil de evitar de todas. O registro da Atlas no TSE diz, com todas as letras: “FONTE DOS DADOS: PNADC 2024 para escolaridade e nível econômico”. A PNADC anual de 2025 foi divulgada pelo IBGE em maio de 2026. O campo desta pesquisa foi em 22–27 de julho de 2026. Dois meses depois. E tem um detalhe que transforma isso de descuido em problema: as faixas da cota são em reais NOMINAIS. Até R$2.000, R$2.000–3.000, R$3.000–5.000, R$5.000–10.000, acima de R$10.000. Faixa nominal envelhece. Rodei os microdados, pessoas de 16 anos ou mais. Em 2024, DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS eram R$2.824, dentro da faixa R$2.000–3.000. Em 2025 viraram R$3.036. Em 2026, R$3.242. O domicílio mais comum do Brasil atravessou o teto da faixa sem ganhar um centavo de poder de compra. E não é pouca gente: em 2024, 7,2% de todos os adultos brasileiros viviam em domicílios entre R$2.700 e R$3.000. Uma tira de trezentos reais concentrando 42% de toda a faixa, empilhada contra o teto. Atualize só o preço, sem trocar de safra, e essa faixa desaba de 17,3% para 11,9%.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
13/31
reponderando pela safra certa

O gap cresce 0,91, quase a margem inteira que eles publicam.

Flávio perde 0,73 e Renan ganha 0,50. Faz sentido: Flávio é forte justamente nas faixas do meio (40,9 e 41,4) e fraco no topo (24,1). A cota velha estava, sem intenção, inflando o candidato do meio.

É pouco? É. Mas eles publicam ±1 ponto como intervalo de 95%, e uma decisão de vintage, tomada por eles, move quase isso sozinha.

Gap Lula−Flávio+0,91
Renan Santos+0,50
Romeu Zema+0,34
Lula+0,18
Flávio Bolsonaro−0,73

Comprimento = tamanho do deslocamento; o sinal está no número. Reponderação em uma única margem, voto dentro da faixa mantido fixo.

arvor intelligence · atlas 07/2026reprodução: scripts/atlas-072026-renda.py
~1290 charsO que muda no placar quando se corrige a régua? Peguei o cruzamento de voto por faixa de renda da própria Atlas e reponderei pela PNADC 2025 expressa a preços de 2026. Antes: Lula 45,02 × Flávio 35,78. Gap de 9,24. Depois: Lula 45,20 × Flávio 35,05. Gap de 10,15. Flávio perde 0,73. Lula ganha 0,18. E Renan Santos GANHA 0,50: vai de 7,73 para 8,23. Faz sentido: Flávio é forte exatamente nas duas faixas do meio (40,9% e 41,4%) e fraco no topo (24,1%). A cota velha estava, sem nenhuma intenção, inflando o candidato do meio. Testei também variando o corte de idade: todas as idades, 16+, 18+, 25+. O gap cresce em todos. 16+ é o mais conservador. Agora, o tamanho honesto do argumento, porque não vou exagerar: isso é pouco. A pesquisa não “vira” com décimos. Quem disser que vira está mentindo. Mas ponha os dois números lado a lado: a Atlas publica MARGEM DE ±1 PONTO, com 95% de confiança. E uma única decisão de vintage, evitável e com o dado novo já publicado, desloca o gap em 0,91. Ou o erro real é maior que o anunciado, ou o anúncio é retórica. Não existe terceira opção.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
14/31
registro × aplicação

O PDF do TSE enumera 54 perguntas em fila. O formulário aplicado tinha ramos.

O estado preservado do questionário contém 80 objetos de pergunta e grupos de sorteio. O respondente recebeu só uma das versões de certos blocos.

Split ballot não é irregular. Mas a versão registrada deveria documentar os ramos, os critérios, a aleatorização e o n de cada bloco. Não documenta.

  • Partido: registro diz “maiores problemas”; aplicado veio “direitos sociais”.
  • Inflação: registro pede 6 meses; aplicado pediu 12 meses e 5 anos.
  • Direitos: aplicado incluiu item de cotas que não está no documento registrado.
  • Cenário 1: a ordem dos nomes na tela não é a do registro.
arvor intelligence · atlas 07/2026Resolução TSE 23.600 exige o questionário completo aplicado
~1250 charsOutro papel que não bate com o outro papel. O questionário registrado no TSE enumera 54 perguntas como uma sequência única. É o que a Resolução 23.600 exige: o questionário completo, aplicado ou a aplicar. Mas o estado preservado do formulário que foi ao ar contém 80 objetos de pergunta, com grupos de sorteio e roteamento. O respondente recebeu apenas UMA das versões de certos blocos. E as versões não são cosméticas: PARTIDO: o registro traz “maiores problemas”; o aplicado veio “direitos sociais”. INFLAÇÃO: o registro pede expectativa de 6 meses; o aplicado pediu 12 meses e 5 anos. Horizonte diferente mede constructo diferente. DIREITOS: o aplicado incluiu um item de cotas que não consta do documento registrado. CENÁRIO 1: a ordem dos nomes na tela não é a ordem do registro. E ordem move resposta. Split ballot é técnica legítima e muitas vezes desejável. Não estou dizendo que é irregular. Estou dizendo que a versão registrada deveria documentar os ramos, os critérios de alocação, as probabilidades de aleatorização, a redação efetiva e o n de cada bloco. Sem isso, o cruzamento publicado não é reprodutível: nem pelo TSE, nem por mim, nem por ninguém.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
15/31
junho → julho

Um giro de 19,5 pontos em uma onda. Com margem de ±1.

Em junho a Atlas mediu Flávio +14,4 entre mulheres, o oposto de todo o resto do mercado. Em julho, +5,1 entre homens, de volta ao padrão.

A diferença mulheres−homens virou 19,5 pontos em quatro semanas. Sob amostragem simples, isso é cerca de dez erros-padrão. Mesmo com efeito de desenho 2, ainda seria extraordinário.

Flávio
JUNHOJULHO 43,5 mulheres 33,4 mulheres 29,1 homens 38,5 homens

A direção voltou ao normal. A instabilidade ficou.

arvor intelligence · atlas 06 e 07/2026cruzamento de gênero · cenário 1 das duas ondas
~1260 charsUm teste de estabilidade que a própria série da Atlas oferece de graça. Em junho, auditei a rodada anterior e apontei uma anomalia: a Atlas media Flávio com 43,5% entre MULHERES e 29,1% entre HOMENS. Vantagem de +14,4 pontos entre elas. Isso era o oposto de Datafolha, Nexus e Quaest, todas do mesmo mês. A tesoura de gênero estava invertida. Em julho, a anomalia sumiu: 33,4% entre mulheres e 38,5% entre homens. +5,1 entre eles. De volta ao padrão do mercado. Ótimo? Sim, é melhora. Mas olhe o tamanho do movimento. A diferença mulheres−homens saiu de +14,4 para −5,1. Um giro de 19,5 pontos em quatro semanas. Sob amostragem aleatória simples, isso é uma oscilação de cerca de DEZ erros-padrão. Mesmo admitindo efeito de desenho 2, ainda seriam sete. Ou aconteceu uma mudança real, brutal e perfeitamente localizada no eleitorado feminino brasileiro em quatro semanas, e não há nenhum evento que a explique, ou o que se moveu foi a composição da amostra. Nos dois casos: incompatível com “margem de erro de ±1 ponto”.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
16/31
competição à direita

Renan tem 7,8% na Atlas e 3% em Datafolha e Quaest

Diferença de 4,8 pontos, maior que quatro “margens Atlas”. E entre 16 e 24 anos ele saiu de 37,9% em junho para 25,7% em julho: queda de 12,2 numa onda.

Um teste simples mostra quão pouca seleção diferencial basta.

Se X% da amostra fosse sobrecaptura pró-RenanRenan real
observado, sem ajuste7,8
1% da amostra6,9
3% da amostra4,9
5% da amostra2,9

Não estima contaminação. Mostra a fragilidade: 5% de sobrecaptura recolocaria a Atlas exatamente no valor das concorrentes.

arvor intelligence · atlas 07/2026p = (p observado − f) / (1 − f)
~1290 charsO número da Atlas que não replica em lugar nenhum. Renan Santos, do Missão: 7,8% na Atlas de julho. Datafolha e Quaest, no mesmo mês, medem 3%. Diferença de 4,8 pontos, maior que quatro vezes a margem que a Atlas publica. E o comportamento interno dele é instável: entre 16 e 24 anos, saiu de 37,9% em junho para 25,7% em julho. Queda de 12,2 pontos em uma onda, e ainda assim muito acima do total nacional. Fiz um teste de sensibilidade. A fórmula é elementar: p verdadeiro = (p observado − f) / (1 − f) onde f é uma fração hipotética da amostra que seria sobrecaptura votando integralmente em Renan. Se f = 1%, o 7,8% vira 6,9%. Se f = 3%, vira 4,9%. Se f = 5%, vira 2,9%, exatamente o valor das concorrentes. Isso NÃO estima contaminação. Não estou dizendo que houve. Estou mostrando quão pouca seleção diferencial basta para produzir toda a distância entre a Atlas e o resto do mercado. Para a campanha, a leitura prática é: planeje com 3% a 5%. Trate 8% como cenário de estresse. E só reclassifique se duas pesquisas independentes sustentarem o patamar.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
17/31
a trava que ninguém checa

Comparar as duas pesquisas em bruto não vale

A Atlas registra 1,6% de branco, nulo e “não sei”. O Datafolha registra 11%.

São 9,4 pontos que existem numa pesquisa e não na outra, e que comprimem mecanicamente todas as porcentagens de uma delas. Toda comparação daqui em diante é sobre votos válidos.

Atlas · não escolha1,6
Datafolha · não escolha11,0
Atlas · válidos98,4
Datafolha · válidos87,0

Quase todo mundo compara os números de capa. Eles não são comparáveis.

arvor intelligence · atlas + datafolha 07/2026Atlas p.18 · Datafolha 1º turno, divulgação 24/07
~1170 charsAntes de comparar as duas pesquisas de julho, uma trava metodológica que praticamente ninguém checa, e sem a qual toda a comparação vira lixo. A Atlas registra 1,6% de branco, nulo e “não sei”. O Datafolha registra 11%. São 9,4 pontos que existem numa pesquisa e não existem na outra. Isso não é detalhe. Esses 9,4 pontos ocupam espaço no denominador: eles comprimem MECANICAMENTE todas as porcentagens de candidato no Datafolha. Lula “cai” de 45,98 para 40 sem perder um único eleitor, só porque a pesquisa dele tem mais gente indecisa dentro da conta. Então quando você vê alguém comparando “Lula 44,9 na Atlas contra Lula 40 no Datafolha” e concluindo que uma delas está inflando o presidente, essa pessoa está comparando duas réguas diferentes. O jeito certo é sobre VOTOS VÁLIDOS: tira branco, nulo e indeciso dos dois lados e normaliza. Atlas: 98,4 pontos de votos válidos. Datafolha: 87,0. Feito isso, o resultado é limpo. E é o próximo post.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
18/31
atlas ÷ datafolha, sobre votos válidos

Os dois grandes batem na mosca. Só os pequenos divergem.

A Atlas registra 1,6% de branco, nulo e “não sei”. O Datafolha, 11%. Comparar bruto não vale: 9,4 pontos existem numa pesquisa e não na outra. Sobre votos válidos:

Lula 0,99. Flávio 0,99. Dois métodos opostos, coincidência de um centésimo. A Atlas não está simplesmente errada, e é isso que torna o resto significativo.

Renan Santos2,30×
Samara Martins1,86×
Lula0,99×
Flávio Bolsonaro0,99×
Romeu Zema0,83×
Augusto Cury0,71×
Ronaldo Caiado0,69×

Quanto cada candidatura é ampliada pelo painel online em relação à coleta de rua.

arvor intelligence · atlas + datafolha 07/2026razão sobre votos válidos · scripts/atlas-072026-audit.py
~1330 charsFiz a comparação que ninguém fez, e o resultado é limpo demais para ignorar. Primeiro é preciso corrigir uma coisa: a Atlas registra 1,6% de branco, nulo e “não sei”. O Datafolha registra 11%. São 9,4 pontos que existem numa pesquisa e não na outra, e que comprimem mecanicamente todas as porcentagens do Datafolha. Então comparei sobre VOTOS VÁLIDOS. Razão Atlas ÷ Datafolha: Lula: 0,99 Flávio Bolsonaro: 0,99 Dois métodos opostos, um recrutando por anúncio na internet e o outro abordando gente na calçada, e uma coincidência de UM CENTÉSIMO nos dois maiores candidatos do país. Ou seja: a Atlas não está simplesmente errada. E é justamente isso que torna o resto significativo. Porque nos pequenos a coisa muda: Renan Santos: 2,30× Samara Martins: 1,86× Romeu Zema: 0,83× Augusto Cury: 0,71× Ronaldo Caiado: 0,69× O painel online mede os dois grandes igual e infla Renan em mais de duas vezes. Isso tem nome. Eu chamei de prêmio de intensidade. E o próximo post mostra por que ele não é viés partidário.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
19/31
a simetria que fecha o argumento

Quem infla junto com o Missão é a UP

Samara Martins, da Unidade Popular, da extrema esquerda, aparece 1,86× maior na Atlas. Renan Santos, 2,30×.

E quem encolhe são dois governadores e um candidato de público mais velho. O padrão atravessa o espectro: não é preferência do instituto, é propriedade do método.

  • Renan (Missão) 2,30×: movimento digital, base jovem e masculina.
  • Samara (UP) 1,86×: movimento digital, base jovem e militante.
  • Zema 0,83×: governador, estrutura estadual.
  • Cury 0,71×: público mais velho, menos digital.
  • Caiado 0,69×: governador, estrutura estadual.
arvor intelligence · atlas + datafolha 07/2026cenário 1 × 1º turno · votos válidos
~1200 charsAntes que alguém diga que estou implicando com a direita: olha quem infla junto com o Missão. Samara Martins, da Unidade Popular. Extrema esquerda. 1,86× maior na Atlas do que no Datafolha. E olha quem ENCOLHE no painel online: Romeu Zema, governador: 0,83× Augusto Cury, público mais velho: 0,71× Ronaldo Caiado, governador: 0,69× O padrão atravessa o espectro inteiro. Candidaturas de MOVIMENTO, digitais, jovens e com militância engajada, aparecem maiores. Candidaturas de ESTRUTURA, governadores, máquina estadual e eleitorado mais velho, aparecem menores. Isso não é viés partidário do instituto. Se fosse, a UP não estaria do mesmo lado que o Missão. É uma propriedade do método: um desenho em que o respondente se autosseleciona premia quem tem mais vontade de responder. E vontade de responder é exatamente o que uma militância organizada tem de sobra. O que nos leva ao mecanismo, que não precisa de nenhuma conspiração para funcionar.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
20/31
por que militância não vira urna

Responder custa um clique. Votar custa um domingo.

Numa enquete online o militante procura a urna: ele quer responder, e responder é barato. Na eleição a urna é a mesma para todos: um voto por pessoa, sem prêmio nenhum por entusiasmo.

Entusiasmo multiplica resposta. Não multiplica eleitor. É por isso que um movimento intenso e estreito parece maior online do que na urna, e por isso a razão entre um painel autosselecionado e uma coleta de rua mede prêmio de intensidade, não verdade.

A coleta em ponto de fluxo tem os próprios vieses: mede quem estava na rua às 14h. Mas ela não premia quem quer ser entrevistado: quem escolhe é o entrevistador.

arvor intelligence · leitura metodológicanenhuma das duas pesquisas é o país
~1490 charsO conceito que explica tudo o que mostrei nos dois posts anteriores, e que vale para qualquer pesquisa online do mundo. RESPONDER CUSTA UM CLIQUE. VOTAR CUSTA UM DOMINGO. Numa enquete online, o militante PROCURA a urna. Ele quer responder. Ele acha que responder ajuda a causa dele. E responder é barato: trinta segundos, do sofá. Na eleição, a urna é a mesma para todos. Um voto por pessoa. Não existe prêmio por entusiasmo. Quem acorda às seis da manhã convicto e quem vai contrariado às cinco da tarde valem exatamente a mesma coisa. Entusiasmo multiplica RESPOSTA. Não multiplica ELEITOR. Por isso um movimento intenso e estreito sempre parece maior num painel autosselecionado do que na urna. Não precisa de fraude, nem de coordenação, nem de má-fé. É aritmética de custo. E antes que alguém diga que a coleta de rua é a verdade: não é. Ponto de fluxo tem os próprios vieses: mede quem estava fora de casa às duas da tarde de uma quarta-feira. Sobra aposentado, trabalhador informal, estudante. Falta quem está em escritório, em turno fechado ou dentro do condomínio. Mas tem uma diferença decisiva: a coleta de rua NÃO PREMIA quem quer ser entrevistado. Quem escolhe é o entrevistador. Nenhuma das duas é o país. Só uma delas pode ser inflada por vontade própria.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
21/31
o mecanismo, sem conspiração

O anúncio procura quem age. E militante age.

Plataformas de anúncio otimizam entrega para quem tem maior probabilidade estimada de ação, e permitem construir públicos a partir de quem interagiu com a página do anunciante.

Consequência direta e documentada: quem segue, curte e comenta na página de um anunciante aumenta a própria chance de receber os anúncios dele. É como a ferramenta funciona, por desenho.

  • 1A plataforma entrega a quem tende a agir, não a uma amostra do país.
  • 2Interação com a página vira sinal de público para a entrega seguinte.
  • 3Clica quem tem interesse político suficiente para clicar.
  • 4Conclui quem aguenta 100+ decisões sozinho na tela.
  • A ponderação corrige demografia. Nada disso enxerga o funil.
arvor intelligence · atlas 07/2026Google Ads · GCLID | Meta · leilão e públicos de engajamento
~1230 charsComo um anúncio de pesquisa encontra justamente quem quer ser encontrado. Sem conspiração nenhuma, só lendo o manual das plataformas. Primeiro, o fato documental: o endereço salvo do questionário da Atlas traz gclid e gad_campaignid. Identificadores de clique de anúncio pago do Google. Segundo, como essas ferramentas funcionam, e isso está na documentação pública: · o leilão de anúncios otimiza entrega para quem tem MAIOR PROBABILIDADE ESTIMADA DE AÇÃO. A plataforma ganha quando você clica, então ela procura quem clica; · e anunciantes podem construir públicos a partir de quem INTERAGIU COM A PÁGINA: seguidores, quem curtiu, quem comentou. Junte os dois e você tem uma consequência que não depende de má-fé de ninguém: quem segue, curte e comenta na página de um anunciante AUMENTA a própria probabilidade de receber os anúncios dele. Isso é o desenho da ferramenta. É assim que ela foi feita para funcionar, para vender sapato e para recrutar respondente. Agora: e se um grupo organizado souber disso?
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
22/31
hipótese · sem documento

Há relato de que a estratégia foi deliberada. Não tenho como provar.

Fontes reservadas relatam que, em grupos ligados ao MBL, discutia-se seguir, curtir e comentar nas publicações da Atlas para passar a receber os anúncios de recrutamento da pesquisa.

Não tenho prints. Não tenho registro. Não tenho como verificar. Então isto entra aqui como o que é: relato, no degrau mais baixo da escada, e não como fato.

  • Documentado: o recrutamento por anúncio pago.
  • Documentado: engajamento com a página vira sinal de entrega.
  • ~Medido: Renan 2,30× maior no painel online.
  • ?Relatado, não provado: coordenação para receber o anúncio.
  • Não afirmado: que a Atlas soubesse, participasse ou tolerasse.
arvor intelligence · escada de evidênciarelato de fonte reservada · sem verificação documental
~1470 charsAqui eu preciso ser muito claro sobre o que sei e o que não sei. Fontes reservadas me relatam que, em grupos ligados ao MBL, discutia-se uma estratégia simples: seguir a página da Atlas no Instagram, curtir e comentar as publicações, para passar a receber os anúncios de recrutamento da pesquisa. NÃO TENHO PRINTS. Não tenho registro. Não tenho como verificar de forma independente. Então isso entra aqui exatamente no degrau em que deve entrar: RELATO. Não é fato, não é prova, e eu não vou tratar como se fosse. Se eu tivesse a captura, ela estaria publicada. O que eu tenho, e que independe do relato: COMPROVADO: o recrutamento passou por anúncio pago. COMPROVADO: plataformas usam engajamento com a página como sinal de entrega. MEDIDO: Renan aparece 2,30× maior no painel online, e Samara 1,86×. RELATADO, NÃO PROVADO: que tenha havido coordenação deliberada. NÃO AFIRMADO: que a Atlas soubesse, participasse ou tolerasse qualquer coisa. Nada nos documentos sugere isso. E existe uma coisa que encerraria a dúvida sem depender de nenhuma fonte reservada: o funil por origem, criativo, campanha e hora, com o voto em Renan dentro de cada um. A Atlas tem esse dado. Basta publicar.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
23/31
a crítica que sustenta tudo

Nishimura já tinha dito o essencial, e antes de todo mundo.

O estatístico e metodologista Raphael Nishimura colocou o problema no lugar certo: a responsabilidade é do instituto, que controla recrutamento, validação, peso e transparência, não da militância.

E foi cuidadoso onde muita gente não é: oportunidade militante não é o mesmo que coordenação. É a distinção que eu tento manter em todos os posts desta thread.

Publicação de Raphael Nishimura sobre viés de autosseleção em pesquisas de opinião

“Viés de auto-seleção é levado bastante a sério em pesquisas de opinião. O instituto deveria ao menos reconhecer isso.”

arvor intelligence · debate públicothread de 29/07/2026 · imagens arquivadas no dossiê
~1420 charsNada do que mostrei aqui seria possível sem uma crítica que veio antes, e o crédito é de quem fez. O estatístico e metodologista Raphael Nishimura foi quem colocou o problema no lugar certo: “Viés de auto-seleção é levado bastante a sério em pesquisas de opinião. O instituto deveria ao menos reconhecer isso.” Quatro pontos dele que eu adoto inteiros: 1. Uma metodologia com alto risco de seleção precisa RECONHECER, MEDIR e COMUNICAR esse risco. Não basta que o resultado pareça razoável. 2. A responsabilidade é do INSTITUTO. É ele que controla recrutamento, validação, ponderação e transparência. Não é da militância, que só faz o que militância faz em todo lugar do mundo. 3. “Acertou a eleição passada” é validação incompleta. Está sujeita a overfitting, a mudança de método entre ciclos, a cancelamento de erros e à escolha conveniente do ponto de comparação. Pesquisa mede opinião no campo; não é previsão de urna. 4. E o mais importante, o que quase todo mundo atropela: OPORTUNIDADE MILITANTE NÃO É O MESMO QUE COORDENAÇÃO. Que um sistema seja explorável não prova que foi explorado. É essa distinção que eu tento manter em cada post desta thread. Ela é a diferença entre auditoria e acusação.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
24/31
o teste que o próprio relatório oferece

7,8 no primeiro turno. 30,2 no segundo.

Num eventual segundo turno contra Lula, a própria Atlas mede Renan em 30,2% contra 47,6%, o pior desempenho entre todos os adversários testados.

Flávio, no mesmo confronto, faz 42,9%. Até Caiado e Zema, que têm menos da metade do primeiro turno de Renan na Atlas, fazem mais no mata-mata.

Intensidade alta, largura baixa. É a assinatura de um voto que não escala.

Jair × Lula43,9
Flávio × Lula42,9
Michelle × Lula42,5
Zema × Lula39,6
Caiado × Lula38,9
Renan × Lula30,2

Cenários de 2º turno da própria Atlas. Renan é o único que desaba.

arvor intelligence · atlas 07/2026cenários de 2º turno · p.29–30 do relatório
~1290 charsE existe um teste de largura que o próprio relatório da Atlas oferece de graça. Num eventual segundo turno contra Lula, a MESMA pesquisa que dá 7,8% a Renan Santos no primeiro turno mede o confronto assim: Renan 30,2% × Lula 47,6%. É o pior desempenho entre TODOS os adversários testados. Compare: Jair × Lula: 43,9 Flávio × Lula: 42,9 Michelle × Lula: 42,5 Zema × Lula: 39,6 Caiado × Lula: 38,9 Renan × Lula: 30,2 Repare no detalhe: Caiado tem 3,1% e Zema 2,8% no primeiro turno da Atlas, menos da metade do Renan. E os dois fazem quase dez pontos a mais que ele no mata-mata. Isso é a assinatura clássica de intensidade alta com largura baixa. Muita gente convicta, pouca gente disposta. Um candidato cujo voto é feito de identidade militante concentra bem e não expande. Quando a eleição vira escolha binária e o eleitorado inteiro precisa se posicionar, o teto aparece, e aparece cedo. A Atlas está dizendo isso sobre o próprio número dela. Basta ler as duas páginas juntas.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
25/31
o ponto que quase ninguém faz

O número inflado cobra caro de quem mais acredita nele.

Um número alto no painel online não é só um problema para os adversários. É, principalmente, um problema para a própria campanha que o celebra, e é por isso que auditá-lo não é atacar o Missão.

  • 1Diagnóstico errado. Planeja-se para 8% quando a base real é 3%: estado errado, mídia errada, meta errada.
  • 2Aliança errada. Quem se acha viável sozinho recusa em julho a coordenação de que precisaria.
  • 3Expectativa errada. A distância entre o número esperado e o resultado vira desmobilização na noite da apuração.
  • 4Aprendizado errado. Sem série limpa, o movimento nunca descobre o que de fato converte militância em voto.
arvor intelligence · leitura estratégicae o 2º turno da própria Atlas: Renan 30,2 × Lula 47,6
~1620 charsO ponto que quase ninguém faz, e é o mais importante desta thread inteira. Um número inflado no painel online não é só um problema para os adversários. É, principalmente, um problema para a PRÓPRIA CAMPANHA QUE O CELEBRA. Existe um prêmio de curto prazo, e é real: quando um partido não alcança o piso legal de convite obrigatório, entrar num debate vira decisão editorial da emissora, e o critério editorial usual é a pesquisa. O mesmo vale para entrevista, painel, manchete e narrativa de viabilidade. Um número que não replica em lugar nenhum pode comprar tempo de tela de verdade. Mas a conta chega. E chega para dentro: 1. DIAGNÓSTICO ERRADO. Você planeja para 8% quando sua base real é 3%. Estado errado, mídia errada, meta errada, orçamento errado. 2. ALIANÇA ERRADA. Quem se acha viável sozinho recusa em julho a coordenação de que vai precisar em setembro. 3. EXPECTATIVA ERRADA. A distância entre o número esperado e o resultado vira desmobilização na noite da apuração, e cobra na eleição seguinte. 4. APRENDIZADO ERRADO. Sem série limpa, o movimento nunca descobre o que realmente converte militância em voto. E a própria Atlas já dá o aviso: num segundo turno contra Lula, ela mede Renan em 30,2% contra 47,6%, o pior desempenho entre TODOS os adversários testados. Flávio faz 42,9 no mesmo confronto. Intensidade alta, largura baixa. Auditar esse número não é atacar o Missão. É a única forma de o Missão saber do que é feito.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
26/31
atlas × datafolha, mesmos dias de julho

Na Atlas, quanto mais diploma menos Flávio. No Datafolha, mais.

Os dois maiores institutos do país discordam sobre a forma de classe do eleitorado bolsonarista. Não em intensidade: em sinal.

Um recruta no anúncio, onde sobra jovem conectado e politicamente intenso. O outro aborda em ponto de fluxo, onde sobra quem estava na rua às 14h. Cardápio muda tamanho, mas não inverte sinal.

RecorteAtlas 1TDatafolha 2T
Ensino superior−28,6+9
Renda mais alta−28,7+6
Ensino fundamental−2,9−25
Sul+27,5+16
Nordeste−44,5−33

Vantagem de Flávio sobre Lula, em pontos. Auditoria do Datafolha: brasil.arvor.co/datafolha_072026.html

arvor intelligence · atlas + datafolha 07/2026comparação de direção, não de nível
~1380 charsUma checagem cruzada que fecha o argumento sobre por que a Atlas é mapa e não placar. Nos mesmos dias de julho, os dois maiores institutos do país discordam sobre a FORMA DE CLASSE do eleitorado bolsonarista. Não discordam de intensidade. Discordam de SINAL. Na Atlas, o voto em Flávio CAI conforme sobe a escolaridade: 43,9% no fundamental, 35,9% no médio, 25,6% no superior. E cai com a renda: 35,3% até R$2 mil, 24,1% acima de R$10 mil. No Datafolha, o inverso: Flávio ganha entre os de ensino superior (48 × 39) e entre os de renda mais alta (51 × 45), e perde feio no fundamental (34 × 59). Parte da distância é cardápio: a Atlas é 1º turno com sete candidatos, e Renan come justamente o eleitor de diploma e renda alta. O Datafolha é 2º turno com dois nomes. Mas cardápio muda TAMANHO. Não inverte SINAL. O que inverte sinal é o método. Um recruta em leilão de anúncio, onde sobra jovem conectado e politicamente intenso. O outro aborda em ponto de fluxo, onde sobra quem estava fora de casa às duas da tarde de uma quarta-feira. As duas fotos são reais. Nenhuma é o país. E as duas erram para lados opostos, o que, lidas juntas, as torna mais úteis do que qualquer uma isolada. Auditei o Datafolha também, com a mesma régua: brasil.arvor.co/datafolha_072026.html
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
27/31
as doze áreas de governo

A ponte mais curta é fiscal, não cultural

Lula lidera onze das doze áreas. Mas a distância não é uniforme, e onde ela cabe em um ou dois pontos existe disputa real.

Impostos: +1. Equilíbrio fiscal: +1. Corrupção: +2. Criminalidade: empate. Já pobreza e desigualdade: +10.

ÁreaLulaFlávioΔ
Criminalidade e drogas46460
Impostos4544−1
Equilíbrio fiscal4544−1
Combate à corrupção4543−2
Infraestrutura4744−3
Meio ambiente4941−8
Pobreza e desigualdade5141−10

Ordem de trabalho por distância, não por preferência ideológica.

arvor intelligence · atlas 07/2026p.39 · confiança para administrar cada área
~1330 charsA pergunta mais subaproveitada do relatório: em quem você confia mais para administrar cada área de governo. Lula lidera onze das doze. Parece derrota total. Não é, porque a distância não é uniforme, e é a distância que diz onde há disputa. As pontes mais curtas: Criminalidade e tráfico de drogas: 46 × 46. EMPATE. Impostos / carga tributária: 45 × 44. Um ponto. Equilíbrio fiscal e controle de gastos: 45 × 44. Um ponto. Combate à corrupção: 45 × 43. Dois pontos. Infraestrutura: 47 × 44. Três pontos. As distâncias intransponíveis no curto prazo: Pobreza e desigualdade social: 51 × 41. Dez pontos. Proteção do meio ambiente: 49 × 41. Oito pontos. Saúde e educação: 49 × 43. Seis cada. A leitura estratégica é desconfortável para quem gosta de guerra cultural: o terreno onde a eleição está mais perto de ser ganha é FISCAL e ADMINISTRATIVO. Baseline publicado, corte, compensação, impacto distributivo. Documento, não adjetivo. E segurança, que todo mundo trata como ativo herdado, aparece EMPATADA. Não é propriedade de ninguém: é uma disputa que ainda precisa ser vencida com plano.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
28/31
o que fazer com isso · 1 a 3

Consolidar antes de converter. E parar de resolver o problema errado.

  • 01Reunir a direita dispersa. 24,7 pontos já estão lá; 0,5 foi para Lula. Instrumento: pacto programático público de cinco compromissos verificáveis, assinado por campos e não por pessoas, publicado antes de qualquer conversa sobre cargo. Meta: retenção 72,6 → 85%.
  • 02Garantia de renda na faixa até R$ 2 mil. Onde o medo empata e o voto sangra 18,2. Instrumento: compromisso escrito, com memória de cálculo publicada, de que nenhum benefício existente é extinto, reduzido ou reprocessado no primeiro ano. Meta: fechar 6 dos 18,2 pontos.
  • 03Reter o evangélico em vez de presumi-lo. Jair tinha 65,4; Flávio tem 51,5. Instrumento: liberdade religiosa com casos documentados somada a plano social de base comunitária com orçamento e prestação de contas. Meta: 51,5 → 60%.
arvor intelligence · da auditoria para a decisãohipóteses geradas pela Atlas · validar contra Datafolha e Quaest
~1440 charsDa auditoria para a decisão. Três primeiras jogadas, todas públicas e verificáveis: nenhuma depende de microtargeting ou de anúncio invisível. 01. REUNIR A DIREITA DISPERSA ANTES DE TOCAR NO CENTRO. 24,7 pontos do eleitorado de Jair estão com Renan, Zema, Caiado e Cury. 0,5 foi para Lula. Esse voto não precisa ser conquistado, precisa ser reunido. Instrumento: pacto programático público (regra fiscal, segurança integrada, compras abertas, limites institucionais, produtividade), assinado por campos, não por pessoas, e publicado ANTES de qualquer conversa sobre cargo. Meta: retenção de Jair/2022 de 72,6% para 85%. Trava: zero ataque a aliado potencial. 02. GARANTIA DE RENDA NA FAIXA ATÉ R$2 MIL. É onde o medo empata (47,4 × 47,2) e o voto sangra 18,2 pontos. Esse eleitor não prefere Lula: ele não confia que a transição preserve o que já recebe. Instrumento: compromisso escrito, com memória de cálculo publicada, de que nenhum benefício existente é extinto, reduzido ou reprocessado no primeiro ano, com custo anual, fonte fiscal e página de acompanhamento. Meta: fechar 6 dos 18,2 pontos. 03. RETER O EVANGÉLICO EM VEZ DE PRESUMI-LO. Jair marcava 65,4 nesse grupo. Flávio marca 51,5. É a maior perda de bloco identitário do relatório. Instrumento: agenda de liberdade religiosa com casos documentados SOMADA a plano social de base comunitária (primeira infância, dependência química, capacitação) com orçamento e contrapartida. Meta: voltar a 60%.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
29/31
o que fazer com isso · 4 a 6

Os três eleitorados que a campanha não está disputando

  • 04Católicos. Maior grupo religioso do país, medo quase empatado (48,0 × 45,5) e voto 13,7 abaixo. Toda a energia religiosa está alocada no bloco onde a vantagem já existe. Instrumento: pauta social católica com linguagem própria (trabalho, família, cuidado, dignidade do idoso), não traduzida do repertório evangélico. Meta: 36,3 → 42%.
  • 0560 anos ou mais. Único bloco que ele segurou (−1,8) e o pior em nível: 32,2 contra 60,8, com 61,2% temendo sua eleição, no recorte de maior comparecimento do país. Instrumento: contrato de previdência e saúde com prazo máximo de fila e regra de reajuste, cada item com indicador oficial e data. Meta: medo 61,2 → 50%.
  • 06Jovens: disputar emprego, não estética. 16 a 24: Lula 36,9, Renan 25,7, Flávio 9,7, e 26,9% temem os dois. Copiar linguagem de adversário só aumenta o protagonismo dele. Instrumento: primeiro emprego, aprendizagem e técnico com colocação regional, meta e painel público. Meta: 9,7 → 18%.
arvor intelligence · da auditoria para a decisãodez jogadas completas em brasil.arvor.co/atlas_072026.html
~1470 charsTrês eleitorados que a campanha simplesmente não está disputando. 04. CATÓLICOS. Maior grupo religioso do país. Medo quase empatado: 48,0 temem Flávio, 45,5 temem Lula. Mas o voto está 13,7 abaixo. Lacuna de 11,2. Toda a energia religiosa da campanha está alocada no bloco onde a vantagem já existe. Instrumento: pauta social católica com linguagem própria (trabalho, família, cuidado, migração interna, dignidade do idoso), não traduzida do repertório evangélico. Meta: 36,3 → 42%. 05. SESSENTA MAIS. É o único bloco que ele segurou em relação ao pai (−1,8). E é o pior em nível: 32,2 contra 60,8 de Lula, com 61,2% declarando medo da eleição dele. No recorte de maior comparecimento do país. Instrumento: contrato de previdência e saúde: regra de reajuste real, prazo máximo de fila para consulta e cirurgia, política de medicamento, cada item com indicador oficial e data de aferição. Meta: reduzir o medo de 61,2 para 50%. Trava: nenhuma menção a idade de aposentadoria sem estudo publicado. 06. JOVENS: DISPUTAR EMPREGO, NÃO ESTÉTICA. Entre 16 e 24 anos: Lula 36,9, Renan 25,7, Flávio 9,7. E 26,9% dessa faixa teme os dois. Copiar linguagem digital de adversário só aumenta o protagonismo dele, e a queda de Renan de 37,9 para 25,7 numa onda mostra que esse eleitorado é volátil, não conquistado. Instrumento: primeiro emprego, aprendizagem profissional, técnico com colocação regional. Meta, custo por vaga e painel público mensal. Conteúdo, não formato. Meta: 9,7 → 18%.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
30/31
a jogada que vale por todas

Reduzir o medo é matematicamente igual a vencer o segundo turno.

46,6% temem a eleição de Flávio. 44,6% temem a reeleição de Lula. A desvantagem no 2º turno é de 6,3.

Mover quatro pontos da coluna “temo Flávio” para “temo os dois” já empata o país. Instrumento: protocolo institucional publicado: limites, rito de crise, correção pública de erro, equipe divulgada antes da eleição, plano de 100 dias com dependência legislativa explícita.

o que NÃO fazer, porque cada item piora o indicador que a pesquisa mostra como fatal

  • Chamar a Atlas de fraude. Não há prova, e queima a crítica que tem.
  • Responder rejeição elevando o tom. Reforça exatamente o atributo medido.
  • Prometer corte de imposto, aumento de benefício e equilíbrio fiscal na mesma frase.
  • Usar as diferenças por sexo, idade e renda para anúncio personalizado invisível.
  • Comemorar cruzamento conveniente de uma pesquisa que você diz não confiar.
arvor intelligence · da auditoria para a decisãop.36 e p.38 · medo eleitoral
~1400 charsA jogada que vale por todas as outras. 46,6% temem a eleição de Flávio. 44,6% temem a reeleição de Lula. 8,7% temem os dois. E a desvantagem dele no segundo turno é de 6,3 pontos. Faça a conta: mover quatro pontos da coluna “temo Flávio” para a coluna “temo os dois” já empata o país. Não é preciso convencer ninguém a gostar. É preciso deixar de assustar. Instrumento: protocolo institucional publicado. Limites constitucionais explícitos, rito de decisão em crise, política de correção pública de erro, equipe divulgada ANTES da eleição, plano de 100 dias com dependência legislativa declarada. Agressividade performática move esse número na direção errada. Sempre. E a lista do que NÃO fazer, porque cada item piora exatamente o indicador que a pesquisa mostra como fatal: · não chamar a Atlas de fraude: não há prova, e queima a crítica que existe; · não responder rejeição elevando o tom; · não prometer corte de imposto, aumento de benefício e equilíbrio fiscal na mesma frase; · não usar as diferenças por sexo, idade e renda para anúncio personalizado invisível; · e não comemorar o cruzamento conveniente de uma pesquisa que você mesmo diz não confiar. A régua tem que ser a mesma quando o número é bom.
Arvor
Arvor Intelligence@leonardodias · auditoria eleitoral
31/31
veredito

Não é prova de fraude. É prova de exposição.

Há evidência documental de um mecanismo vulnerável a autosseleção e a otimização algorítmica. Não há evidência de que a Atlas, o Missão ou militantes tenham coordenado respostas, e eu não vou afirmar o que não consigo provar.

O que peço é o que encerraria metade da discussão: funil por origem de anúncio, criativos e segmentação, questionário versionado com as probabilidades de cada ramo, pesos e efeito de desenho, base não ponderada por recorte, regras de validação e fraude, logs pós-campo, e trocar “margem de erro de ±1” por um intervalo com o nome correto e as premissas publicadas.

arvor intelligence · brasil.arvor.codossiê completo, dados e scripts abertos
~1490 charsFecho como comecei: sem afirmar nada que eu não consiga provar. NÃO encontrei fraude na AtlasIntel. Encontrei: · recrutamento por anúncio pago documentado no próprio endereço do questionário; · um formulário ramificado que o registro no TSE não descreve; · uma cota de renda tirada de uma PNAD de 2024, com faixas em reais nominais, quando a de 2025 já estava publicada; · um giro de 19,5 pontos na tesoura de gênero em quatro semanas; · um terceiro colocado que marca 7,8% onde as concorrentes medem 3%; · e uma margem de ±1 ponto menor que o piso matemático de ±1,38. Isso é opacidade, não crime. Mas opacidade em pesquisa eleitoral é problema público, porque essa tabela vira manchete, vira narrativa e vira decisão de voto. O pedido, ponto a ponto: funil por origem de anúncio; criativos e segmentação; questionário versionado com as probabilidades de cada ramo; pesos, efeito de desenho e n efetivo; base não ponderada por recorte; regras de validação e fraude; logs pós-campo; e um intervalo com o nome correto. E a mesma régua vale quando o número me agrada: auditei o Datafolha com ela também. No fim, o mais interessante da pesquisa não é o placar. É que ela contém, nas páginas 16, 20 e 38, o diagnóstico mais duro já publicado sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. E ninguém tinha lido. Dossiê completo, com dados e scripts abertos: brasil.arvor.co/atlas_072026.html