Logotipo ArvorArvor Intelligence · Perícia Eleitoral · dossiê 08
Genial/Quaest · BR-07181/2026 · julho arquivado como junho

O menor Flávio do Brasil mora na cédula da Quaest

O Flávio que falta não foi para Lula: parou fora da urna. A pesquisa não prova a “inviabilidade” de Flávio Bolsonaro: ele segue sendo o adversário de direita mais competitivo contra Lula. O que ela prova é mais incômodo para uma casa que vende confiança: o questionário de julho foi registrado com a capa de junho, assinado em 9 de julho, faturado em 3 de julho antes do campo, e chegou ao público com 31 resíduos de template, coleta declarada de CPF e Instagram e 36 dos 101 itens sem resultado. O suplemento de 16/07 acendeu 8 deles, e reescreveu o texto de duas perguntas em relação ao instrumento registrado. Restam 28 sem topline. A falha grave está na cadeia de transparência — não em inventar fraude onde os arquivos não a demonstram.

Campo: 10–13/07/2026n = 2.004Modo: presencial domiciliar Contratante: Banco Genial S.A.Valor: R$ 433.255,92Deck: 121 páginasInstrumento: 101 itens
CAP. 01
Veredito executivo

Um bom campo não absolve
uma publicação ruim.

A entrevista domiciliar em 120 municípios, o sorteio por conglomerados e o controle por áudio e geolocalização são ativos reais. Sexo e idade batem quase ao decimal com o TSE. Essa competência torna os defeitos de transparência menos desculpáveis, não mais.

Fato
45×37

Flávio não está inviável

Ele perde para Lula no 2º turno, mas supera Caiado, Zema e Renan entre os testados. A “inviabilidade” não cabe nos próprios números da Quaest.

Erro documental
JUL≠JUN

Cadeia de custódia falha

Arquivo “JUL26” no metadado; capa “JUNHO/2026” e projeto OP093/25; assinatura ICP-Brasil em 9 de julho. A versão oficial não se identifica.

Fato
72,3%

Transparência em dois tempos

O deck de 15/07 publica 65 de 101 itens. O suplemento de 16/07 acende 8 do bloco de tarifas, num segundo ciclo de manchete, e reescreve o texto de duas perguntas em relação ao instrumento registrado. Restam 28 sem topline; o bloco Michelle/Paulo Figueiredo segue inteiro fora.

Inferência
±2 ≠

Incerteza subdocumentada

A margem publicada é aproximação de amostra aleatória simples. Sem deff, pesos finais nem margem da diferença, o placar parece mais decidido do que a conta permite.

Conclusão em uma frase

Há evidência direta de falha de versão, instrumento registrado incompleto, publicação seletiva e incerteza subdocumentada. Não há, nos arquivos disponíveis, prova de fabricação de entrevistas, fraude de resultado ou manipulação encomendada pelo Banco Genial. Incentivo econômico é hipótese de risco; acusação exige ponte causal — e essa ponte não está publicada.

A crítica séria não precisa mentir para ser devastadora: o conflito de interesse deve ser declarado e auditado; culpa depende de prova individualizada.Regra epistemológica deste dossiê

Este laudo complementa, sem apagar, a auditoria da rodada de 10/06/2026. Ao longo do texto, Fato é observação documental ou cálculo reproduzível; Inferência é a explicação mais compatível com os fatos; Hipótese exige evidência adicional.

CAP. 02
Cadeia de custódia

O documento denuncia
a própria data.

Um questionário eleitoral é peça de prova: projeto, mês, versão, randomizações e assinatura precisam formar uma cadeia inequívoca. Aqui os carimbos de tempo brigam entre si. Isso não autoriza dizer que o aplicativo de campo estava errado; autoriza dizer que o público recebeu um artefato inadequado para auditar o que foi aplicado.

03 jul 17:16:48
Fato

A nota fiscal é emitida — antes do campo

A NFS-e da rodada de julho é emitida em 3 de julho, seis dias antes do registro no TSE e uma semana antes das entrevistas. Faturar no início da competência é prática comum de serviço; o fato apenas fixa a linha do tempo.

Quaest_NFe_072026.pdf · “mês de julho/26 · parcela (1/1)”
09 jul 13:41:57
Fato · carimbo duro

Assinatura digital ICP-Brasil — em julho

O questionário é assinado por certificado ICP-Brasil da estatística responsável às 13:41:57; a Declaração do Estatístico, às 14:05:58. Documento assinado em julho, ostentando capa “JUNHO/2026”. O carimbo de tempo é a evidência objetiva ao lado da capa errada.

Quaest_Questionario_072026.pdf · CPF da responsável redigido nesta peça
09 jul
Fato

Registro no PesqEle: BR-07181/2026

A rodada de julho recebe o número BR-07181/2026. A de junho carregava BR-07661/2026 — a pesquisa anterior tem o número maior. A numeração do PesqEle não é sequencial por data; a inversão é registrada aqui só para antecipar a pergunta óbvia, não como anomalia.

10–13 jul
Fato

O campo: 2.004 entrevistas domiciliares

A coleta presencial acontece de 10 a 13 de julho, em 334 setores censitários de 120 municípios, com exatamente seis entrevistas por setor.

15 jul
Fato

O deck é criado e divulgado

O relatório de 121 páginas é gerado no dia 15. A capa do deck diz “BRASIL · JULHO DE 2026”; a do questionário, “PESQUISA GENIAL NACIONAL · JUNHO/2026”. Duas capas, duas datas, um mesmo objeto de registro.

Não é um errinho cosmético

Quando a capa aponta para outro mês, desaparece a garantia documental de que relatório, PesqEle e instrumento são o mesmo objeto. O relatório afirma conformidade com o questionário registrado; a afirmação é formalmente frágil porque o próprio arquivo não controla sua versão.

“Questionário completo aplicado ou a ser aplicado.”

Lei nº 9.504/1997, art. 33, VI
Exibit A · capa Primeira página do questionário de julho com identificação OP093/25 e Pesquisa Genial Nacional junho de 2026
PDF registrado para julho: metadado JUL26; página 1 traz OP093/25 e “PESQUISA GENIAL NACIONAL · JUNHO/2026”.
Exibit B · template Página do questionário mostrando a Q57 com duas ocorrências de trazer opção aqui
A Q57 abre o bloco de tarifas com duas ocorrências de “TRAZER OPÇÃO AQUI” — texto de programação não resolvido no documento legal.

31 resíduos literais de template

Colapsando os espaços em branco introduzidos pela extração do PDF, o documento traz 28 ocorrências de “TRAZER ITEM AQUI” e 3 de “TRAZER OPÇÃO AQUI”, além de um “SM, JÁ SABIA” onde se lê o correto em outros seis pontos. Em software CAPI, substituições automáticas são normais; no registro legal, o público precisa ver a versão exata ou a tabela completa de substituição — não adivinhar o que a tela mostrou.

Correção metodológica desta rodada: a contagem contígua sobre o texto do pypdf devolvia 26 (24 + 2) porque o token “AQUI” quebrava de linha em cinco casos. A contagem semântica correta é 31 (28 + 3). O gerador foi corrigido para colapsar espaços antes de contar.

Promessa de anonimato, pedido de identificadores

A abertura promete que as respostas “não são associadas ao seu nome”. O encerramento de julho pede, oralmente, nome, telefone, e-mail, CPF e a arroba do Instagram — com CPF adicionado justamente em julho (junho pedia só os três primeiros). Pode haver separação técnica no sistema, mas o PDF não explica finalidade, base legal, retenção nem dissociação. É problema de consentimento e auditabilidade, não sentença automática de ilegalidade.

Custódia do texto · registrado × publicado

O slide não mostra a pergunta que está no registro

O suplemento de tarifas de 16/07 acendeu oito perguntas antes retidas (perícia no cap. 11). Mas o texto exibido nos slides não é o texto do instrumento em registro sob BR-07181/2026. Em dois itens a versão pública é direcionalmente mais dura que a registrada, e um questionário é peça de prova: o que se aplica e o que se publica têm de ser o mesmo enunciado. Fato · custódia

ItemNo instrumento registrado (TSE)No slide publicado (16/07)
Q60“o governo Lula afirma que Flávio apoiou o tarifaço”“Lula acusa Flávio de ter pedido o tarifaço”
Q65“fazem você ter mais vontade de votar em Lula, Flávio ou outro”título “o tarifaço aumenta vontade de votar em quem?”; rodapé “sua intenção de voto hoje se aproxima mais de”

“Afirma/apoiou” vira “acusa/pediu”: verbo mais forte, Lula posto como acusador ativo, Flávio como réu que nega. Em Q65, um empurrão auto-relatado é reescrito como intenção de voto sob manchete causal. A existência da divergência é Fato textual; a intenção por trás dela não é afirmada. Contas em quaest_0726_suplemento.json.

Quaest_Tarifas_072026.pdf · metadado “Capas_Tematicos_Genial_Novo_Julho/26” · criado 16/07 00:41Z · pág. 4: camada de texto carrega BR-07661/2026 sob o cabeçalho visível BR-07181/2026

Um resíduo de custódia dentro do suplemento

Na página 4, sob o cabeçalho visível BR-07181/2026 (julho), a camada de texto extraível carrega BR-07661/2026 — o registro de junho. É o mesmo tipo de resíduo da capa errada do deck principal: template reaproveitado entre rodadas, agora rastreável no arquivo. O título interno do PDF, “Capas_Tematicos” no plural e “Novo”, sugere um molde de série. A capa visível, ao contrário do deck principal, está corretamente datada “JULHO 2026”. Inferência · release fatiado por tema

CAP. 03
O que o voto diz

O mais forte da direita —
e ainda atrás.

As duas proposições são verdadeiras ao mesmo tempo. A narrativa de “inviabilidade” não cabe nos dados da Quaest; a de empate automático também não. Em julho, Flávio perde 45×37 para Lula, mas supera todos os demais adversários testados.

12 p.p.gap de 1º turno em julho; era 10 em junho
8 p.p.gap de 2º turno em julho; era 6 em junho
26×14voto espontâneo Lula × Flávio; 54% de indecisos
Fláviomelhor adversário de Lula entre os quatro testados
Relatório · 2º turno Série do segundo turno Lula e Flávio Bolsonaro de maio a julho
Oscilação junho→julho: Lula +1, Flávio −1. Isoladamente cada movimento cabe na incerteza; o gap cresce de 6 para 8.

Força dos adversários no 2º turno de julho

Lula fixo em 45
Flávio Bolsonaro37%
Ronaldo Caiado36%
Romeu Zema35%
Renan Santos33%

O dado correto é “opositor mais competitivo, hoje atrás”. A Quaest não consegue usar os próprios números para provar que Flávio é substituível por Caiado ou Zema.

Inferência

Explicação interna concorrente

Aprovação de Lula vai de 47/48 para 48/47; avaliação positiva sobe de 34 para 36 e negativa cai de 38 para 36. Parte do movimento se explica sem teoria conspiratória.

Fato

Imagem dos candidatos

Lula: potencial 45→47 e rejeição 53→50. Flávio: potencial 39→38 e rejeição 56→57. Direção coerente com o voto, mas mudanças pequenas.

Fato

Pergunta do medo

“Família Bolsonaro” passa de 44 para 46; “mais um mandato de Lula”, de 40 para 38. O frame assimétrico permanece e não nasceu em julho.

CAP. 04
Transferência de voto

Para onde o voto vai —
e a matriz que ninguém publica.

Entre o 1º e o 2º turno, cerca de 20 pontos são liberados: 13 dos candidatos de direita eliminados e 7 de indecisos que decidem. Os totais de cada barra e os saldos líquidos são Fato. Quem migra para quem — a matriz de transição — a Quaest não publica. Todo fluxo abaixo é inferência, e está hachurado como tal.

+9saldo líquido de Flávio no 2º turno (28→37)
+5saldo líquido de Lula (40→45)
+6Branco/Nulo (8→14): rejeição dupla real
−7indecisos que decidem (11→4)
!A Quaest não publica a matriz de transição 1º→2º turno. Nenhum elo do diagrama foi medido: a repartição é modelo (cruzamento-mínimo, retenção-máxima), não medição. Só os totais das barras e os saldos líquidos são números publicados (deck, págs. 25 e 37).

Transferência de voto 1º → 2º turno · Lula × Flávio

barras = Fato · fluxos = Inferência

1º turno: Lula 40 · Flávio 28 · Outros (Caiado/Zema/Renan) 13 · Indecisos 11 · Branco/Nulo 8. 2º turno: Lula 45 (+5) · Flávio 37 (+9) · Branco/Nulo 14 (+6) · Indecisos 4 (−7). A repartição de cada fluxo é inferência: a matriz de transição não foi publicada.

Lula Flávio Indefinidos / eliminados fluxos = inferência (nenhum medido)
Fluxo inferido (origem → destino)ModeloMín.Máx.
Outros (Caiado·Zema·Renan) → Flávio809
Outros → Branco/Nulo406
Outros → Lula105
Indecisos → Lula405
Indecisos → Branco/Nulo206
Indecisos → Flávio109

Mínimo e máximo são os extremos compatíveis com os toplines publicados (conservação de massa, retenção máxima nas demais células). Qualquer combinação dentro desses limites reproduz os mesmos números públicos — por isso nenhum elo pode ser afirmado como medido.

O que parece fraude e não é

Os indecisos caindo de 11% para 4% entre turnos não é dado sumindo: é comportamento esperado quando a cédula passa de nove nomes para uma escolha binária. A prova está ao lado — o Branco/Nulo sobe de 8 para 14, parte do eleitorado recusando os dois finalistas em vez de escolher. A estrutura repete junho (44×38 → 45×37): nenhum pico mês a mês suspeito, nada da patologia “Lula retém tudo e Flávio vaza”. Ao contrário, Flávio ganha mais na transferência (+9 vs +5), aritmeticamente esperado por ter mais afins eliminados na cédula.

Perícia da série

A direita não-bolsonarista que escorre de Flávio

No recorte por posicionamento ideológico (deck, pág. 38), o voto de Flávio no segmento direita não-bolsonarista cai na série: 84 → 90 → 88 → 82 → 74 (março a julho). A queda de julho isolada (82→74, 8 p.p.) fica em 1,9–2,7σ — zona cinzenta. A queda acumulada desde abril (90→74, 16 p.p.) chega a 3,8–5,3σ — dificilmente ruído amostral puro, mesmo com deff 2.

Mas há dois confundidores documentados. (1) Rotação territorial: 333 dos 334 setores mudam entre junho e julho — cada onda é amostra quase disjunta, o que infla a variância entre ondas. (2) Composição do segmento: o rótulo é autodeclarado a cada onda, não é painel; a crise Michelle×Flávio pode re-rotular bolsonaristas desiludidos como “direita não-bolsonarista”, diluindo o voto sem migração real. E o destino do voto que sai é sobretudo “não vai votar” (9→15), não Lula (6→8).

Base do subgrupo: não publicada. Sem o n não ponderado do recorte — exigência de transparência WAPOR/ABEP —, nem a Quaest nem o leitor separam migração real de artefato de composição. Isso é o achado de auditoria; o resto é incerteza honesta.

Voto em Flávio · direita não-bolsonarista

Mar→Jul 2026

Mar 84 · Abr 90 · Mai 88 · Jun 82 · Jul 74. Queda acumulada 90→74 = 3,8–5,3σ, mas com rotação de 99,7% dos setores e recomposição do segmento autodeclarado.

Veredito da transferência

Fato Os totais fecham na conservação de massa; a estrutura é estável frente a junho. Nenhum sinal de manipulação nos números.

Inferência A opacidade — matriz de transição e base de subgrupo não publicadas — favorece a narrativa de “consolidação” que os dados só sustentam em parte: a direita não-bolsonarista vaza para Lula e, mais ainda, para o branco/nulo.

Hipótese A queda acumulada da série é anomalia digna de registro, não prova de manipulação: carrega dois confundidores documentados e um mecanismo plausível (crise familiar, com o voto indo para a abstenção). Anomalia registrável, não fraude demonstrada.

CAP. 05
Matemática da manchete

±2 não é a margem
do 45×37.

A margem divulgada é individual e aproximada por amostra aleatória simples. Para dizer se A está à frente de B interessa a variância da diferença — com covariância, conglomerados e pesos. Sem os microdados, só cabem cenários, claramente rotulados.

±2margem individual publicada
±2,19pior caso AAS, n=2.004
±3,95margem da diferença, deff 1
±5,58margem da diferença, deff 2

Intervalo aproximado do gap Lula − Flávio

ponto = gap observado +8

deff 1: 4,05 a 11,95 · deff 1,5: 3,16 a 12,84 · deff 2: 2,42 a 13,58 p.p.

Resultado: nos três cenários, o intervalo aproximado não inclui zero — a vantagem de Lula é mais robusta em julho do que em junho. Ainda assim, publicar o deff real é obrigação científica básica, porque recortes e outras perguntas podem mudar de conclusão.

CAP. 06
Régua oficial

O TSE encaixa;
a renda continua mais rica.

Contra 157.846.602 eleitores residentes, sexo e idade são quase cópias. A maior diferença territorial é o Sudeste, −1,02 p.p. Já a régua de renda familiar sub-representa a base até 2 salários mínimos em 4,44 p.p. — o mesmo alvo de junho.

Sexo · Quaest × TSE
GrupoQuaestTSEΔ p.p.
Mulher53%52,82%+0,18
Homem47%47,18%−0,18
Idade · Quaest × TSE
GrupoQuaestTSEΔ p.p.
16-3432%31,57%+0,43
35-5945%45,16%−0,16
60+23%23,27%−0,27

Região — sobre e sub-representação vs. TSE

p.p.

Sudeste −1,02 · Nordeste −0,58 · Sul +0,52 · Norte +0,69 · Centro-Oeste +0,40 p.p.

Renda familiar em SM — Quaest vs. PNAD

PNAD ● · Quaest ●

Até 2 SM: 35,44% (PNAD) vs 31% (Quaest), −4,44 p.p. · 2–5 SM +2,77 · 5+ SM +1,67

Nota de ano-base

Mesmo vintage da Quaest, sem ressalva de ano-base: esta auditoria usa a PNAD Contínua anual, 1ª visita, 2025, com 200 pesos replicados. A ficha técnica da Quaest (relatório, p. 3) declara calibrar por “TSE 2026, PNAD 2026/1, PNAD 2025/1, CENSO 2022”. Estamos na mesma safra de 2025 que o próprio instituto lista, então o −4,44 p.p. é comparação direta, apples-to-apples, e deixa de carregar o caveat de edição. O que segue faltando é o microdado de calibração da Quaest: sem os pesos e as metas dela, não há como reponderar o voto.

CAP. 07
Rejeição sob perícia

A rejeição que o instrumento
fabrica — e a renda que não move.

Duas contas cirúrgicas sobre julho. A Quaest crava a maior rejeição de Flávio do mercado (57%) porque o instrumento não oferece opção neutra. E a amostra pende para a classe média — mas reponderar ao perfil de renda do país quase não mexe no placar.

Perícia 1 · ternário sem meio-termo

Todo mundo mede alto. A Quaest mede mais alto — e só para ele.

A Quaest não pergunta “não votaria de jeito nenhum”. Pergunta, nome a nome, um ternário sem meio-termo: conhece e votaria / não conhece / conhece e não votaria. Sem opção neutra, toda recusa mole de quem conhece o nome vira “rejeição”. Fato

Rejeição por instituto — Flávio × Lula

escala 0–60% · marca âmbar = linha de 50%
FlávioLula50%
Genial/Quaestjul 2026 · ternário
57
50
Genial/Quaestjun 2026 · ternário
56
53
BTG/Nexus (6ª)jul 2026 · não votaria
50
46
Futura/Apex2026 · de jeito nenhum
49,5
Lula n/d
Datafolhajun 2026 · de jeito nenhum
48
46
Datafolhamar 2026 · de jeito nenhum
45
Lula n/d

Quaest: “conhece e não votaria” (ternário, presencial domiciliar). Datafolha/Futura/Nexus: “não votaria de jeito nenhum”. AtlasIntel mede “medo” e fica fora da comparação. Fontes: deck Quaest p46; Gazeta do Povo; Tribuna de Minas; Tribuna de Jundiaí.

O excesso da Quaest sobre o Datafolha de junho é assimétrico: +9 p.p. em Flávio, só +4 p.p. em Lula. O ternário infla mais o nome com maior camada de não-voto reversível.Inferência · perícia estatística
Jun→Jul
+1 / −3

A tesoura abre porque Lula cai

Rejeição de Flávio 56→57 (dentro da margem); a de Lula, 53→50. Quem se moveu foi Lula, não Flávio. A distância que aparece em julho não nasce de Flávio piorar.

Teto
43 → 52

O instrumento comprime ~9 p.p.

Pela rejeição Quaest (57), o teto de Flávio é 43. Pela rejeição dura do Datafolha (48), seria 52. O formato ternário tira nove pontos do espaço dele.

Coerência
94 / 95

Colados ao próprio teto

Voto 2T + rejeição: Flávio 37+57=94, Lula 45+50=95. Compatível — ambos operam colados ao teto que o instrumento desenha.

HipóteseComo o não-voto de Flávio é mais reversível — o Datafolha registra que ele converte indecisos e transfere ~2:1 —, a Quaest superestima o teto de rejeição efetivo dele mais do que o de Lula. O “57%” subestima o espaço real de crescimento de Flávio.

Perícia 2 · reponderação por renda

A amostra pende para o meio. Corrigir para o país quase não mexe.

A Quaest sub-representa a base (≤2 SM) em −4,44 p.p. e infla as faixas do meio. Reponderando cada tabela publicada ao alvo PNAD (35,4 / 39,2 / 25,3), a margem Lula−Flávio anda menos de 1 ponto. Fato

CenárioPublicado*ReponderadoΔ
1º turno — margem Lula−Flávio+13,5+14,3+0,80
2º turno Lula×Flávio — proxy+9,8+10,7+0,96
Aprovação Lula — saldo+0,9+2,2+1,28
Sensibilidade · meta faixa baixaΔ margem 1TΔ saldo aprov.
Central (35,44%)+0,80+1,29
Baixa +1 p.p. (36,44%)+0,99+1,59
Baixa −1 p.p. (34,44%)+0,62+0,99

*Publicado reconstruído a partir das faixas de renda do deck (1º turno p30; aprovação p15), que reproduz o topline (aprovação 48/47; 1º turno Lula ~41). Δ positivo = pró-Lula. O 2º turno por renda não é publicado: cenário proxy multiplicativo, nível hipótese. Hipótese

Efeito da renda
< 1

Não explica o placar

Reponderar a amostra (31/42/27) ao país (35/39/25) move a disputa Lula×Flávio menos de um ponto em todo cenário de voto — dentro do orçamento de erro (arredondamento ±0,5 + resíduo ~0,9).

Único que mexe
+1,3

Saldo de aprovação

O gradiente de renda mais íngreme (58 na base → 41 no topo) faz do saldo de aprovação o único indicador com efeito perto de um ponto cheio.

Direção do viés
pró-Lula

Corrigir amplia Lula

Sub-representar o pobre subestima Lula; reponderar ao país amplia a vantagem dele — de leve. Quem quiser explicar o placar terá de procurar fora da renda.

Veredito — resultado que inocenta

A renda não explica o placar. Reponderar a amostra ao perfil do país move a disputa Lula×Flávio menos de 1 ponto em todo cenário — dentro do ruído do método, e no sentido pró-Lula. Publicamos assim porque o resultado valeria nos dois sentidos: aqui ele encolhe a hipótese da renda em vez de reforçá-la. Caveat honesto: uma dimensão só, sem microdados, sem interação com região ou idade.

Alvo PNAD: PNADC anual 1ª visita 2025, 16+ com renda domiciliar válida, deflacionada a abr/2026 (SM R$ 1.621). Contas reproduzíveis em quaest_0726_rejeicao_reponderacao.json.

CAP. 08
Perícia de campo

O campo é de fim de semana.
O instrumento é longo demais.

Duas hipóteses de seleção amostral sobre a entrevista presencial domiciliar. Uma cai no calendário; a outra fica de pé na literatura de fadiga. Nenhuma prova viés: as duas mostram que a Quaest retém exatamente os dados que permitiriam medi-lo. A tensão de renda do capítulo anterior é insumo direto da primeira.

Achado estrutural · o padrão sexta→segunda

A mesma janela de campo nas duas rodadas: sexta a segunda

Junho / 2026BR-07661/2026

05/06 → 08/06

Sex05
Sáb06
Dom07
Seg08

2 dias úteis · 2 de fim de semana Fato

Julho / 2026BR-07181/2026

10/07 → 13/07

Sex10
Sáb11
Dom12
Seg13

2 dias úteis · 2 de fim de semana Fato

Fim de semana: a PEA ocupada está em casa Dia útil: sexta e segunda, resíduo diurno em aberto
RodadaRegistro TSEPeríodo de campoDias da semanaÚteisFim de semana
Maio / 2026n/ddatas não localizadas no acervon/dn/dn/d
Junho / 2026BR-07661/202605/06 → 08/06sex, sáb, dom, seg22
Julho / 2026BR-07181/202610/07 → 13/07sex, sáb, dom, seg22

Maio/2026 fica registrada como ausência honesta: sem PDF nem registro no acervo local. Um terceiro caso elevaria o padrão a Fato robusto. Datas conferidas com calendário autoritativo (05/06 e 10/07 caem numa sexta). Fonte comparativa da rodada de junho: quaest_100626.html.

Mesma janela sexta→segunda em duas rodadas consecutivas não é acaso de uma edição: é campo majoritariamente de fim de semana, justo quando a população ocupada está em casa.Fato · calendário conferido
Duas hipóteses de seleção · veredito calibrado de cada

Uma cai no calendário. A outra fica de pé na literatura.

Hipótese 1

Dia da semana × PEA

Entrevista domiciliar em dia útil perderia a PEA ocupada e sobraria não-PEA (aposentados, donas de casa), suposta mais lulista.

  • FatoCampo sexta→segunda nas duas rodadas: o fim de semana é quando a PEA está em casa. A versão "dia útil de manhã perde a PEA" perde base.
  • Fato60+ na Quaest 23,0% contra 23,27% do TSE (Δ −0,27 p.p.). Sem excesso de idosos: a assinatura de não-PEA idosa não aparece.
  • FatoA amostra sub-representa a base ≤2 SM em 4,44 p.p. (mais rica). Não-PEA de baixa renda a tornaria mais pobre: o oposto do observado.
  • HipóteseResta sobre-seleção de "quem abre a porta" dentro da célula de cota, invisível sem ocupação, horário por entrevista e base não ponderada.
Veredito · fraca / parcialmente refutada

O calendário de fim de semana e a cota de idade derrubam a versão forte. Sobra um resíduo intra-célula não falsificável de fora. No máximo Hipótese.

Hipótese 2

Questionário longo → fadiga → quem termina

101 itens, presencial, entrevista longa. Quem aguenta até o fim é sistematicamente diferente: mais interessado em política, com mais tempo, mais ideológico.

  • FatoInstrumento de 101 itens, com blocos longos de imagem e rejeição nome a nome e ternário sem meio-termo.
  • InferênciaComprimento reduz conclusão; a fadiga gera satisficing (mais "não sei", straight-lining, primazia no fim). Cotas não corrigem engajamento político dentro da célula.
  • InferênciaO presencial reduz a desistência aberta, mas desloca a seleção para o consentimento na porta e o satisficing terminal. Não some, muda de lugar.
  • HipótesePonte para voto: quem tolera 101 perguntas de política tende a ser mais politizado. A direção pró-Lula não é afirmada sem os pesos que a Quaest não publica.
Veredito · braço forte, direção em nível de Hipótese

Ancorada na literatura de burden e satisficing. A ponte para voto e sua direção precisam dos dados retidos. É o vetor de seleção mais difícil de descartar.

As 28 perguntas ainda sem topline (cap. 11) concentram itens numerados altos, os mais sujeitos a satisficing e "não sei"; a fadiga poderia interagir com o efeito de casa nos itens terminais. Checagem da pirâmide etária cruzada com os benchmarks do TSE do capítulo 06.

Braço forte · por que a fadiga seleciona

A literatura da fadiga de instrumento

Inferência ancorada

Galesic & Bosnjak (2009)

Public Opinion Quarterly 73(2):349-360

Comprimento maior reduz quem inicia e conclui. As questões no fim recebem tempos menores, mais item-nonresponse, respostas abertas mais curtas e menos variabilidade em grades: satisficing por fadiga, medido. poq 73(2)

Inferência ancorada

Krosnick (1991)

Applied Cognitive Psychology 5(3):213-236

Teoria do satisficing: sob carga cognitiva o respondente adota atalhos, a primeira alternativa plausível, a concordância, o "não sei", a não diferenciação. A primazia é mais forte em quem tem menor habilidade cognitiva. acp 5(3)

Inferência ancorada

Peytchev (2009)

Public Opinion Quarterly 73(1):74-97

Quem interrompe difere sistematicamente de quem conclui, e a escolaridade associa-se ao break-off. Sabe-se pouco de quem abandona: o mesmo ponto cego que a não publicação de base e taxa de conclusão cria aqui. poq 73(1)

Caveat de modoBoa parte da literatura de break-off é de survey web. No presencial com entrevistador, a desistência aberta é menor por pressão social, mas a seleção não desaparece: desloca-se para o consentimento na porta e para o satisficing nas questões finais.

O ponto cego comum às duas hipóteses

O que a Quaest não publica, e que testaria isto

Disclosure retido

Nove itens que AAPOR, WAPOR e ABEP-BPC exigem, e que a Quaest não publica

  • Taxa de resposta e cooperação (padrão AAPOR RR).
  • Taxa de recusa e taxa de contato.
  • Duração média e distribuição da entrevista.
  • Distribuição de entrevistas por dia e por horário de coleta.
  • Base não ponderada por subgrupo.
  • Taxa de conclusão e item-nonresponse por posição no questionário.
  • Variável de ocupação e condição na força de trabalho (PEA) do respondente.
  • Número de entrevistadores e substituições de cota até fechar as seis por setor.
  • Efeito de desenho (deff) e pesos finais.
Leitura de fechamento

Inferência O achado robusto não é "provou-se viés". É que o desenho tem dois vetores plausíveis de seleção, o campo de fim de semana com filtro de porta e a fadiga de um instrumento de 101 itens, e a Quaest retém precisamente o que permitiria medi-los: taxa de resposta, recusa, duração, distribuição por dia e horário, base não ponderada por subgrupo e conclusão por posição. Opacidade, não fraude.

Datas conferidas com calendário autoritativo. Fonte comparativa da rodada de junho: quaest_100626.html. Contas e citações reproduzíveis em quaest_0726_campo.json.

CAP. 09
Segurança e território

A favela quase entra.
A violência não entra de jeito nenhum.

Duas invisibilidades do crime organizado, testadas em separado. A primeira, se o sorteio evita favela, cai na aritmética. A segunda, a ausência do tema segurança no instrumento, é fato de omissão num país em que segurança é o problema número um e a facção já é vizinha de dezenas de milhões.

47 / 56setores de favela observados contra os esperados pelo próprio sorteio (jun+jul); déficit de ~16%
P = 0,090probabilidade do déficit sob o desenho PPT da Quaest: leve e não significativo
0 de 101itens de segurança, violência, facção ou tráfico no questionário registrado
41,2%brasileiros de 16+ veem facção ou milícia no próprio bairro (Datafolha/FBSP, mai/26)
Perna 1 · cobertura territorial

Evitar favela no sorteio? A conta não sustenta.

Classifiquei os 667 setores distintos das duas rodadas pelo geocódigo de 15 dígitos, cruzando com o Censo 2022 (coluna CD_TIPO=1, Favela e Comunidade Urbana). Como a ficha declara sorteio por probabilidade proporcional à população, o esperado de setores de favela é a fatia da população municipal que vive em favela, não a fração simples de setores. Fato aritmético

CapitalObs.Esp.Leitura
São Paulo66,6praticamente no alvo (15,1% em favela)
Salvador43,4acima do esperado (42,7%)
Rio de Janeiro45,2pouco abaixo (21,7%)
Belém13,4o déficit mais visível (57,2%; P ≤ obs = 0,056)
Belo Horizonte01,3zero, mas esperado baixo
Brasília00,7zero, mas esperado baixo

Nacional (jun+jul agregados): 47 setores de favela observados contra 55,98 esperados. Sub-representação leve, não significativa (P(X ≤ 47) = 0,090). Não há zero absoluto nem exclusão sistemática. O déficit concentra-se em Belém, BH, Brasília e Rio; São Paulo no alvo e Salvador acima derrubam a versão forte da hipótese.

Ressalva decisivaIsto audita o sorteio publicado, não o campo. Substituições de domicílio por segurança, se ocorressem, não são observáveis sem microdados. E a ficha não declara uma linha sobre protocolo de segurança ou troca por área de risco.

Perna 2 · agenda temática

O tema que governa a vida de milhões não recebe uma pergunta.

Fato de omissão
0

Segurança no instrumento

Varredura dos 101 itens: zero ocorrências de segurança, violência, facção, tráfico, PCC, milícia, assalto, roubo ou homicídio. “Crime” aparece 1 vez (crimes financeiros de Vorcaro/Master); “Polícia Federal”, 2 vezes.

Contraste interno
22 · 17

Michelle e tarifa

No mesmo instrumento sem uma linha sobre segurança, Michelle é mencionada 22 vezes e tarifa 17. A crise palaciana e a disputa externa ocupam dezenas de itens; o problema nº 1 do eleitor, nenhum.

Espelho metodológico
41,2%

Dá para medir

Datafolha/FBSP (mai/26) mede 41,2% dos brasileiros de 16+ (≈68,7 mi) vendo facção ou milícia no próprio bairro, 55,9% nas capitais. Mesma domiciliar, mesmo universo 16+, mesmo n≈2.004. O tema é mensurável.

Segurança pública é o problema nº 1 do país em 2026 e superou a corrupção pela primeira vez na série BTG/Nexus, com preocupação igual entre eleitores de Lula e da direita. A omissão não é técnica.

Veredito calibrado

Inferência A hipótese forte, de evitar favela no sorteio, é refutada pela aritmética: a amostra inclui favelas a ~84% da taxa esperada, déficit leve e não conclusivo.

Fato O que sobrevive é a agenda por omissão: a ausência total de segurança no instrumento é fato documental. A razão fica em Hipótese (rodada focada em corrida e economia, ou recorte conveniente ao contratante); o efeito no placar não foi calculado.

Nada disto é exclusivo da Quaest: qualquer domiciliar enfrenta acesso restrito. O diferencial auditável seria declarar substituições e protocolo de segurança, e a ficha não o faz.

Fontes: IBGE Censo 2022 (Agregados por Setores; FCU: 12.348 favelas, 16,4 mi, 8,1% da população); Datafolha/FBSP mai/2026; FBSP Anuário 2025; ficha PesqEle BR-07181/2026. Reprodução: python3 scripts/quaest-favela-audit.pyquaest_0726_favelas.json.

CAP. 10
Autópsia territorial

O bairro é rótulo.
O setor é a amostra.

O anexo publicado em 16 de julho permite comparar as rodadas pelo identificador correto do IBGE, o geocódigo de 15 dígitos. Entre junho e julho a arquitetura regional fica congelada, mas 93 dos 120 municípios e 333 dos 334 setores giram. Isso pode produzir oscilação de composição local; não permite dizer em que bairro cada candidato ganhou voto, porque a Quaest não publicou resposta nem peso por setor.

27municípios repetidos entre 120
6pares município/bairro repetidos
1setor exato repetido entre 334
667/667geocódigos distintos validados no IBGE
Os seis bairros que reaparecem
Município · bairroSetor jun.Setor jul.Mesmo?
Araraquara · Jardim Arco Íris350320805000099350320805000099sim
Alocação bruta por região: idêntica
RegiãoJun.Jul.% jul.
Sudeste14114142,22%
Nordeste929227,54%
Sul484814,37%
Norte28288,38%
Centro-Oeste25257,49%

O que de fato se repete nas grandes capitais

São Paulo mantém 22 setores e 132 entrevistas; Rio, 12/72; Belo Horizonte e Brasília, 5/30 cada; Salvador, 4/24. A quantidade é estável, os pontos mudam. Das 17 capitais de cada rodada, 14 reaparecem: julho troca Campo Grande, Cuiabá e Teresina por Maceió, Goiânia e Vitória.

Mesmo São Paulo tem, sob amostra aleatória simples, margem máxima aproximada de ±8,5 p.p. para seu n=132; Rio, ±11,5; BH e Brasília, ±17,9; Salvador, ±20. Conglomerados e pesos podem ampliar isso. O anexo não transforma uma pesquisa nacional em pesquisa de bairro ou de capital.

CapitalSet. jun.Set. jul.n jul.MOE máx.
São Paulo2222132±8,5
Rio de Janeiro121272±11,5
Belo Horizonte5530±17,9
Brasília5530±17,9
Salvador4424±20,0
Fato

Os códigos são reais

Os 667 setores distintos das duas rodadas aparecem no serviço oficial do Panorama. Em julho, a população do setor vai de 119 a 2.662 pessoas, mediana 596. Nenhum código inexistente, duplicado dentro da rodada ou total que não feche em 2.004.

Hipótese

Seis em todos os conglomerados

O take fixo de seis torna o efeito intraclasse material: só o componente de cluster seria 1,25 com ρ=0,05; 1,50 com ρ=0,10; 2,00 com ρ=0,20. O deff real continua impossível sem PSU, pesos e respostas.

Fonte vencida

A Quaest ainda aponta a malha preliminar

O rodapé dos dois anexos remete ao diretório …/Agregados_por_Setores_Censitarios_preliminares/agregados_por_setores_xlsx/UF/. O IBGE afirma que a malha definitiva substitui a preliminar. Os geocódigos auditados sobreviveram no serviço atual, mas a referência técnica está desatualizada.

Explicação honesta para a oscilação

A rotação territorial é enorme dentro de uma mesma moldura regional e pode contribuir para a variação amostral. Mas não sabemos sua direção, pois inferir voto do perfil censitário seria falácia ecológica. A estabilidade regional elimina uma explicação simplista por troca de macrorregião; a troca de estados, municípios e setores permanece fonte plausível de ruído que só microdados e pesos destravariam.

CAP. 11
Auditoria do instrumento

Trinta e seis entram na casa.
Oito saem um dia depois.

O deck de 15/07 é extenso, mas extensão não é completude: publicou 65 de 101 itens, deixando 36 sem topline. No dia seguinte, o suplemento de tarifas acendeu 8 desses fantasmas. É a história em dois tempos que reconcilia a auditoria. Restam 28 sem topline (72,3% de cobertura), e o próprio suplemento traz achados novos de custódia e de método.

101itens numerados no instrumento
73publicados (deck 65 + suplemento 8)
28ainda sem topline pública
72,3%cobertura por item
Contagem honesta em dois tempos

O deck da corrida (15/07) publicou 65 de 101. O suplemento de tarifas (16/07) acendeu 8 itens antes fantasmas (Q57, Q58, Q59, Q60, Q61, Q63, Q64, Q65), levando a cobertura de 64,4% para 72,3%. Dos 28 restantes, 3 são operacionais ou de perfil para os quais nenhum instituto publica topline (Q1, Q5, Q7). O número honesto de perguntas substantivas ainda retidas é ~25. Isso não enfraquece, reforça, os dois achados que sobrevivem: o único item do bloco tarifário ainda no escuro é a Q62 (patriotismo), justo o que armaria um duelo direto Flávio × Lula sobre defender o Brasil; e o corte cirúrgico no bloco Michelle/Paulo Figueiredo (Q77, Q80 a Q83) segue inteiro fora, no deck e no suplemento.

Operacionais e perfil

Q1Q5Q7

Elegibilidade, ocupação e consentimento de gravação, itens de triagem que nenhum instituto leva a topline.

Bloco tarifário residual

Q62

Patriotismo: o único item do bloco EUA/tarifas que o suplemento ainda retém, o que armaria o duelo Flávio × Lula.

Michelle, mulheres e Paulo Figueiredo

Q77Q80–Q83

Voto, gênero e o bloco Paulo Figueiredo seguem inteiros fora, no deck e no suplemento.

Diagnóstico e engajamento

Q29–Q30Q33–Q39

Melhor resultado para o país, expectativa de vencedor e sete ações de participação.

País e MEI

Q42Q44–Q45

Direção do país e duas perguntas sobre política para MEIs.

Economia doméstica

Q87–Q88

Renda versus preços e situação econômica da família.

Ideologia e voto passado

Q92–Q94Q100–Q101

Esquerda/centro/direita, afetos partidários e recordação de voto; publicou-se só a escala Lulista/Bolsonarista (Q91).

O suplemento de 16/07

A cobertura melhora, e no mesmo gesto surgem três achados

Recontagem
+8

65 → 73 itens

O suplemento Quaest_Tarifas_072026.pdf (33 pág.) publica topline para 8 itens do bloco EUA/tarifas. As páginas 23 a 31 só reapresentam composição da amostra e a escala Q91, já públicas; não mexem na conta.

Texto reescrito
Q60·Q65

Slide ≠ registro

O texto exibido diverge do instrumento registrado sob BR-07181/2026 (perícia de custódia no cap. 02). “Afirma/apoiou” vira “acusa/pediu”; um empurrão auto-relatado vira “intenção de voto” sob manchete causal.

NS/NR some
binário

Conhecimento forçado

O “não sei / não respondeu” é removido dos gráficos das duas perguntas de conhecimento (Q58, pág. 7; Q63, pág. 15), forçando um Sim/Não (62/38 e 43/57). Onde importaria menos ao enquadramento (Q59, Q64, Q57), o NS/NR aparece; nas de conhecimento, some.

57% disseram não saber da viagem de Flávio aos EUA (Q63). A pergunta imediatamente seguinte pede juízo sobre a “força” dele para convencer Trump, sobre um episódio que a maioria acabara de dizer que desconhece.Fato · Quaest_Tarifas_072026.pdf, págs. 15–16
Modelo apresentado como medida

A ficha do suplemento declara, na página 4, “complementarmente, usamos modelo de MRP para estimativas de subgrupos”. Os recortes por posicionamento político (págs. 13 e 19) usam a mesma tipografia de linha dos toplines nacionais observados, sem nenhum marcador que distinga modelado de medido, e a página 5 atribui uma “margem de erro” única (3 a 6 p.p.) por recorte, emprestando o vocabulário do erro amostral a estimativas de modelo. O leitor não tem como saber, no gráfico, onde termina a observação e começa o modelo. A pergunta “o tarifaço aumenta vontade de votar em quem?” (Q65) devolve o basal da rodada (Lula 42 contra 40 no 1º turno, Flávio 27 contra 28): uma pergunta que reproduz a intenção já medida não prova o efeito causal que o título anuncia. quaest_0726_suplemento.json

Bloco fantasma · medo Slide da pergunta do medo, família Bolsonaro versus mais um mandato de Lula
A pergunta do medo é publicada no deck da corrida; o bloco de tarifas Q57–Q65, que mede quem ganhou ou perdeu com a disputa externa, foi separado num segundo ciclo.

O bloco tarifário escalonado

Q57 a Q65 medem imagem dos EUA, conhecimento das tarifas, dano familiar, versões de Lula e de Flávio, patriotismo, a viagem de Flávio e — na Q65 — o efeito direto no voto. Não foi suprimido: foi escalonado. Medido em 10–13/07 (antes de a tarifa ser confirmada em 15/07), ficou fora do relatório da corrida (15/07) e saiu em 16/07 como matéria própria (“51% culpam Flávio”). Uma janela de campo, dois ciclos de manchete. O suplemento publicou 8 dos 9 itens; só a Q62 (patriotismo) segue retida.

O corte cirúrgico no bloco Michelle

O relatório mostra conhecimento, avaliação das falas e com quem o eleitor concorda. Omite a Q80 (mudança na vontade de votar em Flávio), a Q81 (respeito às mulheres) e a Q82–83 (Paulo Figueiredo). Publica a novela; retém o efeito eleitoral e a aresta mais negativa.

Frame

“Família Bolsonaro” × “Lula”

Q28 compara uma dinastia difusa com um indivíduo; Q29 compara “Lula e PT” com “família Bolsonaro”. A unidade de análise muda. Randomizar a ordem das opções não cura o conteúdo assimétrico.

Proteção

Voto vem antes dos módulos

Intenção espontânea, potencial, 1º e 2º turnos precedem Master, tarifas e Michelle. O topline eleitoral principal não é contaminado por esses blocos posteriores.

Melhora parcial

Master agora atinge Lula

O bloco de junho focado em Flávio sai; julho inclui Jaques Wagner, apresenta a negação e publica os quatro resultados. Mais simétrico na forma, mas o bloco Wagner traz dois corredores que blindam o governo (Q69, Q71), e o item que exporia Flávio (Q80) foi retido. Perícia no cap. 16.

CAP. 12
Frente 3 · efeito de casa

O resíduo é anti-Flávio,
não pró-Lula.

Efeito de casa não é acusação de fraude; é a inclinação sistemática que toda casa de pesquisa tem. Comparamos a Quaest com o campo de julho no 2º turno Lula×Flávio. O achado decisivo: a folga de 8 pontos não nasce de um Lula inflado — nasce de um Flávio deprimido.

Níveis por instituto no 2º turno de julho

● Flávio · ● Lula · linhas = média do campo sem Quaest

Quaest 45×37 · Ideia 45×40 · Nexus/BTG 47×44 · Futura/Apex 46,3×46,1. Média do campo sem Quaest: Lula 46,1, Flávio 43,4.

O Lula da Quaest (45) fica 1,1 abaixo da média do campo — em linha. O Flávio da Quaest (37) fica 6,4 abaixo da média — o menor de todos os institutos de julho. Quem quiser rotular a Quaest de “pró-Lula” erra: o Lula dela é dos mais baixos do campo.

Vantagem de Lula (gap) — campo de julho

● Quaest · média do campo +2,7

Futura +0,2 · Nexus/BTG +3 · Ideia +5 · Quaest +8. Média do campo: +2,7.

Fato

Controle de modo

“Online infla, presencial deprime” não fecha: os pares presenciais da Quaest — Datafolha (43) e Nexus/BTG (44) — põem Flávio 6–7 pontos acima. Mesmo comparando presencial com presencial, o Flávio 37 destoa. Modo sozinho não explica.

Calibragem temporal

Em junho o resíduo de gap não existia

O +6 da Quaest em junho estava colado na mediana do campo (~+5,6). Ela lia ambos os candidatos mais baixo — assinatura de desenho presencial com mais indecisos, não inclinação direcional. A divergência de gap aparece só em julho.

Tendência

Enquanto o campo comprime, a Quaest alarga

O campo de julho é fino (4 pesquisas) e disperso: a Futura despenca de +5,2 para +0,2 e a Quaest sobe de +6 para +8 — 7,8 pontos de amplitude na mesma quinzena. Ninguém é claramente “certo” num campo tão espalhado.

Veredito calibrado — Frente 3

Fato A aritmética fecha. Em julho, o Flávio da Quaest (37) é o menor de todo o campo e ~6 pontos abaixo da média, com o Lula em linha; o gap +8 é o mais largo dos quatro e ~2× a média de julho. Verificável.

Inferência Que isso configure um efeito de casa anti-Flávio sistemático — enfraquecida pelo fato de o resíduo de gap ser de uma única onda; junho não o mostrava.

Hipótese Que o Flávio baixo seja causado pelo instrumento (preâmbulo “escândalo”, bloco Vorcaro/Master lido a todos, pergunta do medo) e não por ponderação ou universo. Não se prova sem microdados, PSU e pesos finais — exatamente o que a Quaest não publicou.

Cautela de campo, delimitadaO presencial subestimou o voto conservador em 2018 e 2022 (na véspera de 2022, projeções davam ~14 p.p. a Lula; a urna deu 5,23), e a ficha de julho não declara correção. Mas se o presencial deprime o conservador, isso é efeito de modo, não da Quaest: Datafolha (43) e Nexus (44), presenciais, põem Flávio 6 a 7 pontos acima do 37 da Quaest. O histórico não isola a Quaest, e o controle de modo acima já neutraliza a versão forte do "voto envergonhado". A síntese do cap. 13 mostra para onde o Flávio que falta de fato foi. (Alegação i de Candeloro, cap. 16.)

Neutralidade não se prova com diploma; prova-se com microdados. A formação explica a água; o formulário mostra o peixe.Leonardo Dias · 13 de junho de 2026
CAP. 13
Síntese-clímax

Para onde foi o Flávio
que falta.

Toda a auditoria converge nesta pergunta. A Quaest dá o mesmo Lula do campo (45, contra a média de 46,1) e um Flávio de outro planeta (37, o menor do mercado, 6 a 7 pontos abaixo dos pares presenciais). A conta mais burra possível resolve o enigma: a Quaest não tira voto de Flávio para dar a Lula. Ela estaciona o anti-Lula mole fora da cédula.

InstitutoModoCampoLulaFlávioSomaNão-escolha
Genial/Quaestdomiciliar10–13 jul45378218
Genial/Quaestdomiciliar5–8 jun44388218
Futura/Apexpresencial7–11 jul46,346,192,47,6
BTG/Nexus (6ª)domiciliarjul4744919
Datafolhafluxo17–19 jun47439010
AtlasInteldigital~1 jul48,842,391,18,9
Meio/Ideiatelefônica3–6 jul45408515

Todos publicam sobre o voto total (branco/nulo à parte), então a não-escolha é comparável. A Quaest deixa 18 pontos fora da cédula; o campo deixa 7,6 a 10. É a única no extremo, e em junho E julho, com 333 dos 334 setores rotacionados entre as ondas. Ruído amostral não repete o mesmo desvio em amostras quase disjuntas.

−6,4déficit de Flávio contra a média do campo (43,4)
−1,1déficit de Lula (46,1): praticamente no par
+7,5excesso de não-escolha ≡ 6,4 + 1,1 (fecha em 100)
85 / 15do excesso senta oposto a Flávio / a Lula
O achado não é a identidade. É o split.

A identidade contábil (excesso de não-escolha = soma dos déficits) é trivial. O substantivo é o split 85/15: Lula está no par do campo; Flávio carrega quase todo o déficit. A Quaest não transfere voto de Flávio para Lula, estaciona o anti-Lula mole no branco, nulo e não-vou-votar. Fato aritmético, e assinatura estável nas duas ondas.

O mecanismo documentado

A cédula de quatro saídas, lida em voz alta

O enunciado do 2º turno (Q23 a Q26, pág. 6 do questionário) é lido assim: “Num possível segundo turno, você votaria no [nome], no [nome], votaria em branco/nulo ou não iria votar?”, mais o código 88 (indeciso). Não é escolha forçada entre dois nomes com não-voto anotado só se espontâneo: é uma cédula de quatro saídas, três de não-escolha, ditas pelo entrevistador. A oferta é simétrica; o efeito é assimétrico porque Flávio tem mais não-voto persuadável (o ternário de rejeição sem neutro já mostrava excesso de +9 p.p. nele contra +4 em Lula). E a série confirma o destino: a direita não-bolsonarista que larga Flávio vai para “não vou votar” (9 para 15), não para Lula (6 para 8). Fato documental

Hipótese do resíduo anti-FlávioProb.
H-A Cédula: rampa de não-escolha lida em voz alta48%
H-B Desejabilidade social do presencial domiciliar18%
H-E Amostra/território (rotação, deff alto)11%
H-D Ponderação/rake/MRP8%
H-F Polegar da casa (viés deliberado)7%
H-C Fadiga/seleção dos 101 itens6%
H-G Universo/denominador2%

H-A + H-B = 66%, o mecanismo conjunto: o instrumento oferece a rampa (oferta), o face a face domiciliar cria a demanda pela saída confortável. H-A leva a maior fatia por ser o único com prova documental no questionário e o único que distingue a Quaest dos pares de mesmo modo. Renda (H-D) mexe menos de 1 p.p. e pró-Lula; fadiga (H-C) selecionaria pró-Lula, e Lula está no par, não acima; território (H-E) explica a oscilação do ponto, não o viés que se repete. Contas em quaest_0726_sintese.json.

Teste discriminante que fecharia a questão numa noite

Split-ballot no 2º turno. Braço A (atual): lê “votaria no X, no Y, em branco/nulo ou não iria votar?”. Braço B (forçado): lê só os dois nomes, não-voto anotado só se espontâneo. Predição da H-A: no braço B, Flávio sobe 5 a 6 p.p. rumo a 42–43, a não-escolha desaba de 18 para 9–10, e Lula quase não se move. Isola o instrumento de modo, amostra e ponderação. Zero microdado sensível. A Quaest retém exatamente esse dado. Veredito: prova de opacidade, não de fraude.

CAP. 14
O experimento natural

Troca-se o instrumento,
e o Flávio reaparece.

O braço B do split-ballot que a Quaest não roda apareceu sozinho no mercado. A PoderData/Aya divulgou em 16/07 uma rodada de campo quase simultâneo (12–15/07) com o instrumento quase oposto ao da Quaest. Não é teste limpo, mas é o experimento natural que a síntese previa.

45×43Lula × Flávio na PoderData: empate técnico (gap 2)
12não-escolha, contra 18 na Quaest do mesmo campo
17 × 101itens: telefônica IVR/URA sem entrevistador contra domiciliar longa
BR-00059registro TSE, n=2.400, campo 12–15/07

O contraste de cédula

A PoderData muda três eixos ao mesmo tempo contra a Quaest: sem entrevistador humano (retira a desejabilidade do face a face), 17 contra 101 itens (retira a fadiga do instrumento longo) e uma saída de não-escolha a menos (o teclado oferece branco/nulo e “não sabe”, mas não lê “não iria votar”, justo a saída para onde a série da Quaest mostrava a direita não-bolsonarista vazar). Trocado o instrumento, o Flávio de 37 vira 43, exatamente onde Datafolha e Nexus o põem. Seis pontos voltaram para a cédula.

Coerência do benchmark conferida: somas fecham (jun 46+43+8+3=100; jul 45+43+9+2=99, arredondamento IVR declarado), registro confere, questionário público e curto. Passa na própria checagem.

EixoGenial/QuaestPoderData/Aya
Modopresencial domiciliartelefônica IVR/URA
Entrevistadorsimnão
Itens~10117
Saídas de não-escolha lidas32
Não-escolha1812
Flávio (2º turno)3743
Gap+8+2
Confirma a predição da H-A? Sim, no resultado; com caveat de mecanismo.

Fato Trocado o instrumento, o Flávio que falta reaparece: não-escolha 12 contra 18, Flávio 43 contra 37, gap 2 contra 8, exatamente o consenso presencial de Datafolha (43) e Nexus (44). É a assinatura que a síntese previa.

Caveat honesto É braço natural, não controlado. A PoderData também oferece branco/nulo, logo a oferta nua não explica sozinha os 18 da Quaest (a PoderData oferece e fica em 12). O que distingue a Quaest é o pacote de amplificadores mais a terceira saída não lida. Nenhum desenho é “o certo”: telefônica tem viés de cobertura, presencial de seleção, online de autosseleção; a Meio/Ideia, telefônica com voz, tem 15. O ponto não é honestidade, é que desenhos diferentes produzem não-escolha diferente, e a Quaest está no extremo.

A peça de Cláudio Dantas acerta a aritmética (a Quaest é o ponto fora da curva). Declinamos a palavra “desmonta”: o outlier é integralmente explicável por desenho, sem supor má-fé. Concordamos com a conta, declinamos a inferência de fraude. Veredito mantido: prova de opacidade, não de fraude.

Fonte primária PoderData/Aya BR-00059/2026 (divulgação 16/07) e a rodada anterior BR-05722/2026 (campo 21–24 jun). Contas em quaest_0726_poderdata.json.

CAP. 16
Contraditório externo

A pesquisa como enredo,
testada contra os documentos.

O cientista político Marcos Paulo Candeloro publicou uma crítica ao deck de julho, “A pesquisa como enredo”. Passamos cada alegação pelos documentos primários, o questionário de 101 itens e o deck de 121 slides. Placar: seis confirmadas, uma confirmada e já coberta pelo dossiê, duas parciais, nenhuma refutada por inteiro. Ele acerta o essencial, e a auditoria ganha três achados que não tinha.

CréditoA lente de “enredo” é de Marcos Paulo Candeloro. Ela nomeia o mecanismo real: a reordenação do que foi perguntado a frio no campo para o desfecho dramático do deck. Ordem de relatório não é ordem de entrevista.Marcos Paulo Candeloro · “A pesquisa como enredo”
Alegação de CandeloroEvidência primáriaVeredito
“Governo Lula” × “família Bolsonaro voltar ao poder”slide 102, Q28/Q29: dinastia difusa contra indivíduoConfirmada
Nota remove NS/NR “para facilitar a legibilidade”literal no slide 103 (medo por posicionamento)Confirmada
Lula comparado ao PT (sigla); Flávio à “sua família”Q31/Q32, slide 100: muda a unidade de comparaçãoConfirmada
Doze slides (72 a 83) sobre Michelle12 telas exatas; deck omite Q77, Q80 a Q83Confirmada
“Já sabia ou ficou sabendo agora” informa e colhe opinião51% souberam dos vídeos na hora (slide 72); padrão em 10+ itensConfirmada
Wagner: exculpação e isolamento sem paralelo do lado de FlávioQ69/slide 90 (“não houve nada de errado”); Q71/slide 94 (pessoal × institucional)Confirmada
Margem AAS inválida sob cotas, sem deffficha slide 3; o dossiê já corrige (diferença ±3,95 a ±5,58)Confirmada · já coberta
Medo medido “no fim, após ~1h de estímulos”no campo é a Q28 de 101, a frio, antes dos blocos de estímuloParcial
Presencial subestimou o conservador em 2018/22 (voto envergonhado)erro empírico é Fato; causa é Hipótese; controle de modo neutraliza a versão forteParcial
As duas correções de fato

Parcial · a A pergunta do medo não vem depois de uma hora de estímulos. No campo ela é a Q28 de 101, logo após a intenção de voto e antes de MEI, tarifas, Master e Michelle. O eleitor responde a frio. O enredo existe, mas na edição do deck, que remonta o resultado do medo para o slide 102, o clímax. Ordem de deck não é ordem de campo.

Parcial · i O erro do presencial em 2018/22 é Fato; a causa “voto envergonhado” é Hipótese contestada. E se o presencial deprimisse o conservador, seria efeito de modo, não da Quaest: Datafolha e Nexus, presenciais, põem Flávio 6 a 7 pontos acima. O controle de modo do cap. 12 já neutraliza a versão forte.

O que o dossiê ganha

Três achados que a nossa auditoria não tinha

Novo defeito

O NS/NR que evapora do slide 103

Uma nota apaga “não sabe” e “não respondeu” do gráfico do medo por posicionamento “para facilitar a legibilidade”. É a tela de maior valência do deck, e é justo nela que os indecisos somem da vista. Entra no catálogo de vieses (cap. 17).

Assimetria de blindagem

O corredor que só o governo recebe

O bloco Wagner traz dois corredores que blindam Lula: “não houve nada de errado” (slide 90) e a separação entre “questão pessoal do senador” e “institucional do governo” (slide 94). O item que ligaria a briga ao custo eleitoral de Flávio (Q80) foi retido; o que isola Lula (Q71) foi publicado.

Quantifica o priming

51% souberam na hora

Nos vídeos de Michelle, 51% dos entrevistados ficaram sabendo do assunto durante a entrevista (slide 72). O instrumento informa a maioria e depois colhe “opinião” sobre uma novela que ele mesmo acabou de contar. É o padrão “já sabia ou ficou sabendo agora”, em mais de dez itens.

Existência de cada item é Fato; que o enquadramento assimétrico mova voto é Inferência não medida. Veredito inalterado: prova de opacidade, não de fraude. Cotejo em quaest_0726_candeloro.json.

CAP. 17
Catálogo de vieses

O instrumento tem
um lado só com “escândalo”.

Onze vieses documentáveis no questionário e na publicação. A existência de cada item é Fato; a leitura de que induz resposta é Inferência. Nenhum deles, sozinho, prova fraude — juntos, provam opacidade.

  1. Frame acusatório “escândalo” lido a todos os 2.004

    O preâmbulo de imagem usa a palavra-sentença “o escândalo do Banco Master” e recita a visita de Flávio a Vorcaro, prisão domiciliar e a investigação de R$ 61 mi. “Escândalo” pressupõe culpa; nenhum preâmbulo equivalente descreve investigação do lado do governo.

    Q54–Q55 e preâmbulo Q55–Q56. Em julho migra para Jaques Wagner/Master com negação (melhora parcial de simetria).

    Fato
  2. Assimetria de enquadramento governo × oposição

    O governo é apresentado com ~11 itens de entrega positiva; a oposição, com ~9 de acusação. A palavra “escândalo” aparece zero vez do lado de Lula. Razão ~3 para 1 de estímulo enquadrado a favor do governo.

    Bloco Q40–Q53 (entregas) vs. bloco Master Q54–Q62. A existência é Fato; o desequilíbrio é Inferência.

    Fato
  3. Pergunta do medo / futuro do indicativo

    “Você acredita que essas novas tarifas vão prejudicar sua vida ou de sua família?” trata como certo um dano não consumado — quando três itens depois o próprio instrumento pergunta se Trump “vai voltar atrás”.

    Q59 (tarifaço) contra Q64. Redação é Fato; efeito indutor é Inferência.

    Fato
  4. Publicação escalonada — bloco tarifas/EUA (Q57–Q65)

    Nove itens sobre EUA, tarifaço, Lula e Flávio e seu efeito no voto ficaram fora do relatório da corrida (15/07) e saíram como matéria própria em 16/07 (“51% culpam Flávio”). Não é supressão: é escalonamento — dois ciclos de manchete da mesma coleta, sem topline integral no registro, com números medidos antes de a tarifa ser confirmada.

    unpublished_ids do deck de 15/07 inclui 57–65; liberados em 16/07.

    Fato
  5. Publicação seletiva — bloco Michelle/Paulo Figueiredo

    O deck corta justamente voto, gênero e Paulo Figueiredo — o material mais sensível para a sucessão bolsonarista, no mês em que Felipe Nunes falou em “fragilidade estrutural” de Flávio.

    unpublished_ids inclui 77, 80, 81, 82, 83.

    Fato
  6. Cobertura de publicação incompleta (28 de 101, eram 36)

    Após o suplemento de 16/07, 73 itens têm resultado e 28 não. O deck de 15/07 trazia 65; o suplemento acendeu 8. O público recebe o recorte, não o retrato. Quando o item omitido é o que favoreceria ou desfavoreceria um lado, a omissão deixa de ser editorial.

    published=73, unpublished=28, published_pct=72,3.

    Fato
  7. Barras sem intervalo de confiança

    O placar é exibido em barras cheias, sem faixa de erro por candidato nem intervalo da diferença. A visualização comunica “vantagem cravada” onde a estatística comunicaria “faixas que podem se tocar”.

    Deck de 121 páginas; pedido nº 2 de junho ignorado.

    Fato
  8. Margem individual usada como margem da diferença

    O ±2 vale para cada estimativa isolada, não para a distância entre as duas. A margem da diferença é ~2×: ±3,95 (deff 1,0) a ±5,58 (deff 2,0). O deck não publica o intervalo, deixando “45×37” parecer mais decidido do que a conta permite.

    difference_moe 3,95/4,84/5,58; gap_low 4,05/3,16/2,42.

    Fato
  9. Efeito de desenho ausente sob rótulo de AAS

    O desenho real tem dois estágios de conglomeração (334 setores × exatamente 6), cotas e rake/MrP. Divulgar ±2 sob aproximação de amostra aleatória simples subestima a incerteza.

    334 clusters, 6 por cluster; cluster_deff 1,25 a 2,0. A ausência é Fato; a magnitude exata é Hipótese sem microdados.

    Fato
  10. Solicitação de CPF/Instagram versus anonimato prometido

    A abertura promete que “as respostas não são associadas ao seu nome”; o fechamento de julho coleta nome, telefone, e-mail, CPF e Instagram — com CPF adicionado em julho. Tensão entre promessa e coleta de identificadores fortes.

    privacy.july_closing_request; cpf_added_in_july=true. Nenhum CPF real é exposto neste dossiê.

    Fato
  11. Falha de controle documental (cabeçalho reaproveitado)

    Capa “OP093/25” e “JUNHO/2026”, metadado “JUL26”, corpo com os 101 itens de julho, 31 resíduos de template. É falha de versão e rastreabilidade — isoladamente não prova que o instrumento errado foi aplicado no campo.

    cover_project, cover_month, pdf_metadata_title, template_residue.total=31. A falha é Fato; a aplicação do instrumento errado é Hipótese descartada por falta de prova.

    Fato
  12. NS/NR removido do gráfico “para facilitar a legibilidade”

    No slide 103 (medo por posicionamento), uma nota apaga “não sabe” e “não respondeu” do gráfico de maior valência do deck. O indeciso some justo na tela em que sua presença mais relativizaria o dado. Achado creditado a Marcos Paulo Candeloro (cap. 16).

    slide 103; agregado (slide 102) ainda exibe NS/NR = 4. A remoção é Fato; o efeito sobre a leitura é Inferência.

    Fato
  13. Texto publicado diverge do instrumento registrado (Q60, Q65)

    No suplemento de 16/07, o slide reescreve o enunciado em registro sob BR-07181/2026: “afirma/apoiou” vira “acusa/pediu” (Q60), e um empurrão auto-relatado vira “intenção de voto” sob manchete causal (Q65). A versão mostrada ao público é mais dura que a registrada. Perícia de custódia no cap. 02.

    deviation_from_registered em Q60 e Q65. A divergência é Fato textual; a intenção não é afirmada.

    Fato
CAP. 18
Organização e dinheiro

O mapa de incentivos existe.
A conspiração não vem pronta.

Banco Genial paga R$ 433.255,92 pela rodada. Felipe Nunes é CEO, cofundador e intérprete público dos resultados. Credencial aumenta a expectativa de método; não certifica neutralidade, nem prova viés. O que se documenta é a cadeia — e alguns carimbos que a qualificam.

Banco Genialcontratante, pagante e agente exposto a mercado e regulação
Quaestdesenha, coleta, pondera, edita e vende análise
Felipe NunesCEO, cofundador e intérprete editorial dos achados
Imprensaseleciona títulos, recortes e velocidade de difusão
Eleitor e mercadorecebem o resultado; um deles pode precificar antes da urna

A fatura precede a coleta

A NFS-e da rodada foi emitida em 3 de julho às 17:16:48 — antes do campo (10–13/07) e seis dias antes do registro no TSE (09/07). Faturar no início da competência é prática comum, mas o carimbo documenta a ordem dos fatos. A descrição do serviço: “pesquisa de opinião nacional · mês de julho/26 · parcela (1/1)”. Tomador: Banco Genial S.A. Prestador: Quaest Pesquisas.

FatoO dossiê antes citava apenas o valor bruto. Aqui a cadeia financeira ganha a decomposição fiscal completa e a data de emissão.

Valor bruto do serviçoR$ 433.255,92
(−) IRRFR$ 6.498,84
(−) PIS/COFINS/CSLLR$ 20.146,40
Valor líquido da NFS-eR$ 406.610,68
ISSQN (municipal, à parte)R$ 10.831,40
Emissão03/07/2026 17:16:48
12 jul 2026

Um conflito direto a menos

Felipe Nunes anunciou que, por decisão do conselho, a Quaest não fará pesquisa nem monitoramento para candidatos e partidos na campanha de 2026. A medida reduz um risco concreto: a mesma empresa produzir inteligência privada para uma campanha e divulgar pesquisas que afetam a disputa.

Concentração

200+ pesquisas para Globo e afiliadas

O comunicado informa concentração em mais de 200 pesquisas encomendadas pela Globo e afiliadas, além de estudos reservados para empresas privadas. Sai o cliente-candidato; permanecem grandes clientes com interesses editoriais e econômicos.

House effect

Hipótese mais nítida, não provada

A decisão diminui a hipótese de viés comprado por partidos e aumenta a relevância de testar um efeito de casa ligado ao ecossistema Globo–Genial. Relação comercial não prova direção política.

Independência de partidos não equivale a independência de clientes. A mudança melhora uma dimensão de governança e concentra outra: pauta, cadência, exclusividade e primeiro acesso passam a merecer auditoria ainda mais explícita.Leitura institucional do anúncio de 12 de julho de 2026

Lucro líquido do Banco Genial S.A.

R$ milhões nominais · BCB IF.data · 45246410

2019 +0,19 · 2022 +7,84 · 2023 −11,21 · 2024 +15,65 · 2025 −1,05 · 1T26 −47,72

Nota de série2020 e 2021 estão ausentes porque o IF.data não disponibiliza a demonstração de resultado da instituição 45246410 para essas datas; a descontinuidade está marcada no gráfico. Conclusão que os números permitem: não houve enriquecimento linear do banco pagador no governo Lula. Que não permitem: inferir preferência eleitoral a partir do lucro. O perímetro é o Banco Genial S.A., não a marca inteira.

Flávio × Quaest

Reação pública valida a percepção, não a prova

Na divulgação, Flávio Bolsonaro atacou a Quaest apoiando-se na proposta de “selo de acurácia” do presidente do TSE, Nunes Marques. A controvérsia pública reforça a Frente 3 (percepção de efeito de casa), mas o ataque de um candidato prejudicado é indício fraco. A auditoria da casa sustenta “prova de opacidade, não de fraude”.

Teste interno

A tese de “matar Flávio” falha no próprio deck

Se a intenção fosse fabricar um substituto viável, julho é um produto ruim: Flávio segue um ponto acima de Caiado, dois acima de Zema e quatro acima de Renan no confronto com Lula. O deck pode enfatizar rejeição e queda; não apaga essa hierarquia.

O nome do conflito não é PT

“Petista” não se sustenta. O vínculo forte é a Globo.

A alegação de que Felipe Nunes seria “petista” é de terceiro, datada: o colunista Cláudio Dantas (campo de direita) afirmou, em 20/08/2025, que ele trabalhou em campanhas de Dilma e Pimentel e escreveu um livro com um ex-ministro de Dilma. Tratamos isso como hipótese a testar, não como premissa, e fomos aos documentos. Alegação · Cláudio Dantas

Evidência forte
10

Partidos-clientes na própria biografia

A bio oficial de Nunes (plataforma UM BRASIL; perfil CAMP) declara ter coordenado pesquisas para União Brasil, DEM, PSDB, PT, PSB, PV, PSD, PROS, Patriotas e Avante. O PT é um entre dez, ao lado de PSDB, DEM e Patriotas. Quem atende dez siglas do espectro é fornecedor, não militante de nenhuma.

Trajetória

Acadêmica, não militante

Graduação e mestrado em Ciência Política na UFMG; mestrado em Estatística e doutorado na UCLA; professor na UC San Diego, UFMG e FGV EESP. As campanhas de Dilma e Pimentel não aparecem em fonte primária independente; o livro com Traumann é análise de polarização, semifinalista do Jabuti, e o coautor é crítico do PT.

O vínculo que importa

Comercial e institucional: Globo

O laço forte, atual e documentável não é partidário: contratado eleitoral da Globo em 2024, 200+ pesquisas encomendadas em 2026, conselheiro da Fundação Roberto Marinho, comentarista da casa. Isso reforça a tese central do dossiê: o conflito relevante é Globo/Genial, não captura partidária.

A Quaest é atacada pelos dois lados ao longo do tempo: pela direita como “pró-Lula/petista”; pela esquerda como “mercado/Faria Lima” quando o número é ruim para Lula. Um instituto simetricamente atacado não foi capturado por um dos campos, o que é consistente com o achado do cap. 12: o resíduo é anti-Flávio, não pró-Lula.Calibragem · dossiê Nunes · quaest_0726_nunes.json
CAP. 19
O megafone

O instituto virou exclusivo
de quem o Estado concede e financia.

A Quaest deixou as campanhas para concentrar mais de 200 pesquisas na Globo e afiliadas. O comprador é o maior beneficiário da verba publicitária federal e titular de uma concessão renovada pelo mesmo poder cujas eleições as pesquisas medem. Nada disso é crime — é um circuito de incentivos que o próprio megafone deveria declarar a cada divulgação.

Quem audita o auditor

A Globo exige de si um padrão que a rodada de julho não passaria

Em 12 de julho de 2026 a Quaest anunciou que não atenderá candidatos nem partidos e concentrará esforços em mais de 200 pesquisas já encomendadas pela Globo e afiliadas. O mesmo grupo cujos Princípios Editoriais transformam correção e transparência em obrigação escrita passa a ser o maior cliente — e o selo reputacional na tela — de uma casa cujos artefatos públicos de julho reprovam num checklist básico. Não é acusação de fraude: é uma pergunta de governança.

O que a Globo escreve sobre si

Os Princípios Editoriais

“Os veículos do Grupo Globo devem ser transparentes em suas ações e em seus propósitos.”Princípios Editoriais, 2011 — Transparência
“Os erros devem ser corrigidos sem subterfúgios e com destaque.”Princípios Editoriais — A correção
Informações “devem ser confirmadas pelo maior número de fontes possível”; o rigor com minúcias “não é exagero, mas obrigação”.Princípios Editoriais — A apuração
O que a Quaest publicou em julho

Os artefatos BR-07181/2026

  • Capa “JUNHO/2026” e projeto OP093/25 num questionário registrado para julho.
  • 31 resíduos de template — “TRAZER ITEM/OPÇÃO AQUI” — no PDF que deveria ser o instrumento autoexplicativo.
  • 28 de 101 perguntas ainda sem topline após o suplemento (o deck de 15/07 trazia 36; 8 acesos em 16/07): 72,3% de cobertura.
  • Anonimato prometido, CPF e Instagram pedidos — sem finalidade, base legal ou retenção no documento.
  • Sem deff, pesos finais nem margem da diferença: a incerteza real fica subdocumentada.
  • Rodapé remete à malha preliminar do IBGE já substituída pela definitiva.
Quem exige “correção” e “transparência” de si tem, por coerência, de exigir o mesmo do fornecedor que exibe sob sua marca. A auditoria do instrumento não pode nascer de dentro do contrato — precisa vir de fora. Quem audita o auditor?Leitura de governança · 12 de julho de 2026
Seguir o dinheiro público

O comprador é o maior beneficiário da verba federal — e concessionário do Estado

R$ 267 mide publicidade federal à Globo no atual governo (jan/23–jun/26)
25,6%de toda a verba publicitária federal — a maior fatia isolada
28→56%fatia da Globo na verba federal de TV, de 2022 a 2023
2037ano até quando vai a concessão renovada em 2022

Fatia da Globo na verba federal de TV

% do bolo publicitário federal de TV
2022 · Bolsonaro28%
2023 · Lula56%

A verba de TV da Globo saltou de R$ 89 mi (2022) para R$ 142 mi (2023), +60%; na janela de 3 anos, +102%. Fonte: Poder360, painel Sicom/Secom.

O incentivo é bilateral, não “de esquerda”

No governo Bolsonaro, na verba direta da Secom (2019–2021), a Globo era só a 3ª colocada (R$ 47,2 mi), atrás de Record e SBT. Cada governo direcionou verba conforme sua relação com o veículo: quem paga muda de cor partidária; a dependência do anunciante-Estado, não.

E o principal monitoramento acadêmico, o Manchetômetro (LEMEP/IESP-UERJ), documenta há mais de uma década valência anti-PT/anti-Lula — não pró-Lula. Em abril de 2026, Lula e PT foram os atores de valência mais negativa (O Globo −1,20). A tese de “viés esquerdista” não tem respaldo empírico; sustentá-la seria militância, não auditoria.

CalibragemO que fecha não é rótulo ideológico — é incentivo estrutural: concessão renovável + maior fatia da verba federal + exclusividade de 200+ pesquisas. Conflito de papéis, não prova de encomenda.

Manchete × o que o dado dizia

A mesma margem chamada de “empate técnico” em maio virou “vantagem” em julho

Manchete (rodada Quaest / parceria Globo)DadoO que o dado dizia
“Lula amplia vantagem e vence Flávio nos dois turnos” · 15/0745×37A “ampliação” de 6 para 8 pts é Lula +1 e Flávio −1, ambos dentro de ±2 p.p. Estatisticamente é estabilidade.
“Lula 42%, Flávio 41%, em empate técnico” · 13/0542×41Reconhece “empate técnico”. É o contraponto que expõe o drift: em julho, diferenças igualmente dentro da margem viraram “vantagem”.
“Aprovação de Lula supera a desaprovação pela 1ª vez em 12 meses” · 15/0748×47Virada “histórica” sobre 1 ponto, dentro da margem: tecnicamente empate. O Povo publicou o mesmo dado com “na margem” no título — dava para ser honesto.
“Apoio a Flávio diminui; Lula vence todos os testados” · 15/0738→37Queda de −1 pt (dentro da margem) vira dupla ênfase. Omite que Flávio segue o adversário mais forte da direita.
“Rejeição a Flávio sobe pelo 4º mês e chega a 57%” · 15/0752→57Aqui a manchete acerta: a série de rejeição é monotônica (4 meses de alta) — tendência, não ruído.

Padrão dominante: títulos de julho amplificaram movimentos de 1 ponto dentro da margem de ±2 p.p.; o mesmo instituto e a mesma margem foram corretamente chamados de “empate técnico” em maio. O drift de enquadramento — não os números — é o achado. Nota de apuração: globo.com bloqueia o crawler usado; as manchetes são a mesma rodada divulgada em parceria com a Globo, colhidas em veículos terceiros verificáveis. Cotejo de enquadramento, não transcrição literal.

Linha do tempo · Tariflávio

Da cunhagem nas redes à manchete — três camadas

Onde “Tariflávio” aparece em manchete própria (CNN, Poder360, Correio), está entre aspas e atribuído ao PT — discurso reportado, defensável. A exceção de voz própria é o editorial do Estadão de 06/07. O rótulo é anterior ao PT: circula nas redes desde 03/06.

03 jun ou antes
Fato · cunhagem

“Tariflávio” explode nas redes

O apelido já circula em início de junho (O Cafezinho, 03/06; Poder360, “Flávio vira meme”) — mais de um mês antes da reunião do PT. Autoria difusa, descrita como “impulsionada por perfis ligados ao campo governista”.

desde jan/25
Inferência · amplificação

A máquina de Sidônio na Secom

O ministro instalou um playbook de apelidos, memes e ~R$ 2 mi a 55+ influenciadores; em 15/07 Lula lhe deu a coordenação da campanha. O padrão de difusão do “Tariflávio” é compatível — mas nenhuma reportagem atribui o termo a ele, e a Secom atacou Flávio em 07/07 sem o rótulo.

06 jul
Fato · voz própria

Estadão — editorial “O melhor cabo eleitoral de Lula”

Em voz institucional, o Estadão adota a tese de que Flávio ajuda a reeleger Lula — antes de o PT institucionalizar o rótulo. É o achado mais forte de adesão em voz própria.

07 jul
Fato · fala do alvo

Folha revela a manifestação de Flávio à USTR

O próprio Flávio argumenta que o tarifaço daria “vitória política” a Lula. A tese avança pela boca do alvo — aspas de terceiro, não voz do veículo.

14 jul
Inferência · institucionalização

O PT adota (não cunha) o rótulo

Fontes creditam a adoção a Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT — atribuição de autoria frágil, pois o termo é anterior.

15–16 jul
Fato · manchete + escalonamento

O rótulo entra em manchete — e o bloco tarifário sai no dia seguinte

Confirmado o tarifaço (15/07), o rótulo entra em títulos sempre entre aspas atribuídas ao PT. O deck da corrida sai sem o bloco tarifário; a Quaest libera Q57–Q65 em 16/07 (“51% culpam Flávio”). Uma janela de campo (10–13/07), dois ciclos de notícia.

Veredito da hipótese sidônica

Fato A máquina de apelidos/memes de Sidônio na Secom existe e é documentada; o rótulo “Tariflávio” é anterior a ela nas redes (03/06).

Inferência O padrão de difusão é compatível com esse método — sem que nenhuma reportagem faça a ponte direta.

Hipótese Que Sidônio tenha fabricado o termo: não comprovada. Não há fala oficial de Lula ou de ministro usando o rótulo; a atribuição direta é ao PT. Manchete própria de Folha e Estadão não “contamina” — cita entre aspas; a única voz própria é o editorial do Estadão.

Dados estruturados: quaest_0726_globo_invest.json · quaest_0726_imprensa.json. Fontes na seção 25.

CAP. 20
Economia política · a função de perda

Trocou de clientela.
E clientela é uma função de perda.

Em 12/07 a Quaest anunciou que não fará pesquisa para candidatos e partidos e concentrará 200+ pesquisas da Globo e clientes corporativos. A leitura fácil é “isenção”. A honesta é outra: o instituto trocou de clientela, de muitos compradores rivais para poucos compradores com direção econômica comum. E a preferência desse novo cliente é medida pela própria Genial/Quaest.

2016 origem
Fato

A origem foi campanha

A Quaest nasceu de consultoria para as prefeituras de Belo Horizonte, Contagem e Rio. Muitos compradores, rivais entre si.

2022 Minas
Fato

A corrida de Minas com o “fator Lula”

Mediu a disputa de Minas martelando o “fator Lula” sobre Alexandre Kalil (PSD).

2024 Globo
Fato

Contratada eleitoral da Globo

O eixo de clientela começa a migrar da campanha para a mídia concessionária.

12 jul 2026
Fato · guinada

Encerra candidatos e partidos

Concentra 200+ pesquisas já encomendadas pela Globo e clientes corporativos. Sai o mercado de campanha; fica um comprador com direção econômica comum: mídia concessionária e Faria Lima.

68% × 3%confiança do mercado em Tarcísio contra Lula, medida pela própria Genial/Quaest
93 × 5Tarcísio × Lula nos cenários dos gestores; Flávio, a opção fraca (80×12)
−4,31%queda do Ibovespa quando Flávio virou pré-candidato (05/12/25)
R$ 255 bilucro dos cinco maiores bancos em 2025, com a Selic a 15%
A função de perda assimétrica

Fato A troca de clientela é documentada, e a preferência do novo cliente é pública, medida pela própria casa: o mercado confia em Tarcísio e desconfia de Lula; nos cenários dos gestores, Tarcísio esmaga e Flávio é a opção fraca; a pré-candidatura de Flávio derrubou a bolsa.

Inferência O novo cliente tem função de perda assimétrica: a instabilidade bolsonarista custa mais que quatro anos a mais de Lula, que ele já apreçou e sob os quais lucra (Selic a 15%, lucro recorde dos bancos). O cenário-pesadelo é a instabilidade; o aceitável inclui o PT.

Hipótese Que esse alinhamento se traduza em escolhas de desenho e publicação, o “efeito de casa por clientela”, é correlação de incentivos com o padrão anti-Flávio observado, não prova de causa. Um instituto não precisa ser petista para produzir a leitura que esse cliente compra.

Não é um ator, é o sistema

O laço mídia-finanças é estrutural em todos os nós

Globo / Genial

Concessão e banco

Concessão pública renovável, maior fatia da verba federal (R$ 267 mi, 25,6%) e Quaest exclusiva; a série de mercado da Quaest é patrocinada por um banco de investimentos (Genial). Fato estrutural.

Folha / Datafolha

O dono do instituto é dono de um banco

A Folhapar (família Frias) controla 64,46% da UOL, controladora do PagBank (NYSE: PAGS desde 2018, ~US$ 2,5 bi; Luiz Frias é chairman). O Datafolha não é o contrafactual “sem laço com a Faria Lima”. Estrutura societária é Fato; influência editorial daí é Hipótese não afirmada.

Estadão · calibrada em parte

Credor no conselho

Captou R$ 142,5 mi de bancos (Itaú, Bradesco, Santander) e fundos em 2024; os credores ficaram com 3 das 6 cadeiras, poder de veto e um CEO de mercado. A versão “Faria Lima tomou tudo, Mesquita esvaziada” confirma-se em parte: a família manteve controle societário e a outra metade do conselho. Poder compartilhado com veto de banqueiro.

A independência que a Quaest declarou é de partidos, não de clientes. Trocar dez candidatos rivais por um comprador dominante não elimina o conflito: concentra o incentivo e o torna invisível, porque agora tem um nome só, o mercado. O pedido é que o megafone declare de quem é o cliente a cada divulgação.Leitura de economia política · quaest_0726_mercado.json
CAP. 21
Conta-gotas · agenda setting

Uma coleta,
N manchetes.

Institutos passaram a fatiar uma única janela de campo em relatórios temáticos publicados em dias diferentes. Cada fatia reinicia o ciclo de notícia e leva a marca do contratante na capa. É agenda setting como modelo de negócio, em três graus, da redação ao instituto. A cronologia é Fato; a intenção, Inferência fundamentada no desenho.

Grau 1 · Folha/Datafolha

Conta-gotas de verificabilidade

Campo 17 a 19/06; num só sábado (20/06), um leque de matérias da mesma coleta (voto, rejeição, avaliação, recortes, leitura Dark Horse), reverberando até 23/06. E o relatório integral auditável não acompanha: na checagem de 17/07, a mesa do instituto não estava indexada, e a auditoria só andou com os documentos do registro no TSE. Na rodada de maio, datas de campo inconsistentes entre produtos.

Grau 2 · Atlas/Bloomberg

Escalonamento com embargo impresso

Campo 26 a 30/06. Em 01/07 sai o topline; em 02/07, dois relatórios avulsos da mesma coleta (Michelle e Master/Wagner), um com “EMBARGO 02/07/2026, 07H00” impresso na capa. O bloco EUA/tarifas foi medido e retido.

Grau 3 · Quaest/Genial

A série formalizada

Campo 10 a 13/07. Em 15/07 o deck da corrida, sem o bloco tarifário no dia em que o tarifaço é confirmado; em 16/07 o suplemento com manchete causal pronta (“51% culpam Flávio”). PDF criado 16/07 00:41Z, título interno “Capas_Tematicos” no plural e resíduo do registro de junho no template: molde de série reutilizado.

Veredito da hipótese “iniciada na Atlas/Faria Lima”

Reformulada Parcialmente corroborada, como gradações do mesmo padrão. A Folha não é controle limpo: sequencia manchetes da mesma coleta e atrasa a mesa auditável. Atlas e Quaest formalizam o degrau seguinte, o suplemento temático com embargo e template de série. No corpus 2026, a variante mesmo-tema com embargo aparece primeiro na Atlas (02/07) e é formalizada pela Quaest (16/07); primazia absoluta não é demonstrável.

Hipótese A origem no ecossistema da Faria Lima permanece hipótese: os laços comerciais estão documentados (Genial patrocina a Quaest desde 2022; o Latam Pulse Atlas/Bloomberg é assinatura mensal), coordenação não está e não é afirmada.

A correção é uma só e mata as duas variantes: divulgada qualquer fatia da coleta, o topline íntegro de todos os blocos entra no pacote público no dia seguinte, com o bloco diferido rotulado “opinião medida antes do fato”. O conta-gotas morre quando a primeira fatia obriga a mesa inteira. Minuta no cap. 24.Agenda setting · McCombs & Shaw, 1972 · quaest_0726_dripfeed.json
CAP. 22
Operação Carbono Oculto

Fundo investigado não faz
do administrador um criminoso.

A operação investigou estruturas de combustíveis, fintechs e fundos ligadas a lavagem de dinheiro e ao PCC. A Folha informou que o Banco Genial administrava o fundo Radford, citado como destino de recursos sob investigação, e renunciou aos serviços após a operação. O banco afirmou que o fundo veio de outros prestadores em agosto de 2024, que realizou diligências e repudiou ilações.

Fato

Relação de serviço

Genial prestou administração ao Radford e renunciou. É relação documental com veículo citado na investigação.

Não demonstrado

Conhecimento ou participação

As fontes consultadas não provam que a Genial conhecia a origem ilícita, participou do esquema ou financiou organização criminosa.

Sem ponte

Pesquisa eleitoral

Não há evidência de que o episódio tenha alterado questionário, peso, resultado ou publicação da Quaest. Usá-lo como prova automática seria o mesmo vício de enquadramento que criticamos.

CAP. 23
EUA e Europa

“Padrões internacionais” são uma
lista de entregas, não um adjetivo.

AAPOR pede redação exata, contexto precedente, pesos, fontes dos parâmetros e informação sobre correção por efeito de desenho. WAPOR pede questionário integral, design effects, taxas de resposta e modelagem replicável. O British Polling Council exige tabelas completas e perfis ponderados e não ponderados rapidamente após a publicação.

Questionário exato e ordemAAPOR/WAPOR/Pew
Parcial
Topline de todas as perguntas e contexto precedenteAAPOR/BPC
Falha
Pesos, metas, perfis ponderado e não ponderadoAAPOR/BPC
Falha
Efeito de desenho e impacto dos pesosAAPOR/WAPOR/ESS
Falha
Taxas de resposta, contato, cooperação e recusaWAPOR Standard Definitions
Falha
Base não ponderada dos subgruposWAPOR/BPC
Falha
Patrocinador, custo, datas, modo e universoLei brasileira/BPC
Atende
Proteção contra reidentificaçãoWAPOR/LGPD
Não demonstrado

Krosnick e Presser

Redação simples, específica e neutra; contexto e ordem podem alterar respostas. O diploma de UCLA não afasta essa literatura — aumenta a obrigação de demonstrar conformidade item por item.

Pew Research Center

Testa wording e ordem experimentalmente e publica topline com redação e sequência exatas. Randomizar opções distribui efeito de ordem; não neutraliza um enunciado carregado.

European Social Survey

Exige arquivo de desenho com estrato, PSU e domínio para pesos e deff realistas. A Quaest declara três estágios, mas não publica o arquivo que permitiria estimar a variância.

CAP. 24
Solução aplicável

Lei para o piso.
Resolução para a máquina.

A regra atual manda registrar questionário completo e relatório, mas posterga a publicação integral para depois da eleição. A minuta fecha essa janela sem criar censura prévia: exige dados depois da coleta, preserva identidade e pune omissão documental sem chamar erro de fraude. A redação nasceu da 6ª rodada BTG/Nexus; a auditoria de julho e o debate com Felipe Nunes expuseram lacunas que a primeira versão não alcançava, e cada emenda abaixo tem um achado atrás dela.

Fontes oficiais

TSE para sexo, idade e território; PNAD Contínua para renda e escolaridade. Fonte alternativa só com justificativa e comparação.

Incerteza real

Deff, n efetivo, pesos, intervalo de cada estimativa e intervalo da diferença. Gráfico com barras e base não ponderada.

Nada de gaveta

Publicou uma pergunta, abre todas até o dia seguinte. Microdados anonimizados em 90 dias ou 30 dias após o turno, o que ocorrer primeiro.

Estímulo rotulado

Resultado posterior a notícia, áudio, vídeo ou vignette recebe o título “opinião após estímulo informacional”.

Conflito e mercado

Beneficiário final, acesso antecipado, exposição financeira relevante e política contra negociação com informação ainda privada.

Privacidade

Contato e CPF separados das respostas, facultativos, finalidade explícita, retenção limitada e nenhuma chave reidentificadora nos microdados.

As duas legal-boxes abaixo trazem os dispositivos novos, acrescentados para fechar as lacunas de julho. A numeração é preservada: nenhum § ou inciso já citado em outra página foi renumerado; todas as emendas são acréscimos, e os incisos novos usam dois-pontos, não travessão, por padrão da casa.

Resolução do TSE 23.600 — dispositivos novos (vigência imediata)

§ 7º-Q · Matriz de transição. Publicados dois cenários da mesma rodada (1º e 2º turno), sai o fluxo de preferência que os liga, com base bruta e ponderada.

§ 7º-J ampliado · Campo com relógio. Distribuição das entrevistas por dia da semana e faixa horária, duração média e mediana, global e por bloco.

§ 7º-R · Suplemento sem gaveta. Recorte da mesma coleta é a mesma pesquisa; topline íntegro; bloco diferido leva o rótulo “opinião medida antes de [fato]”.

§ 7º-S · Pergunta informativa. Rótulo “opinião após estímulo informacional” e o percentual de quem declarou desconhecer o fato até ali.

§ 7º-T · Simetria de enunciado. Acusação e resposta com carga equivalente e revisão de equilíbrio registrada.

§ 7º-U · Identificador forte. CPF, rede social ou geolocalização só com finalidade, base legal e dissociação comprovada; do contrário, vedado.

§ 7º-V · Instrumento íntegro. Versão final sem placeholder nem resíduo de template, hash próprio, capa, rodada e projeto conferidos.

§ 7º-O ampliado · Modelo rotulado. Estimativa de MRP ou rake é projeção de modelo, com premissas e código.

Art. 10, § 4º · NS/NR no gráfico. Não sabe, não respondeu e recusa nunca somem da peça; base não ponderada de cada recorte junto ao dado.

§ 7º-N ampliado · Acesso de pesquisador. Detalhamento de maior valor em ambiente seguro, sob termo de compromisso, sem negar o núcleo replicável.

Projeto de Lei 9.504/1997 — dispositivos novos (reserva legal)

Art. 33, incs. XVIII a XXII · Novos elementos do registro. Matriz de transição, campo por dia e hora com duração, conteúdo e “ficou sabendo agora” das perguntas informativas, registro de simetria e especificação de modelos.

§ 6º-F · Suplemento é a mesma pesquisa. Divulgado um resultado, saem todos os blocos; bloco diferido leva o rótulo com a data da medição.

§ 15 · Estímulo rotulado. Pergunta que informa fato não pode ser apresentada como opinião prévia e espontânea.

§ 16 · Instrumento íntegro. Versão final sem placeholder, hash próprio, coerência de capa, rodada e projeto.

§ 17 · Identificador forte. CPF, rede social ou geolocalização com finalidade, base legal e dissociação, ou vedado.

§ 11 ampliado · NS/NR e base no gráfico. Não sabe, não respondeu e recusa constam da peça, com a base não ponderada de cada recorte.

Art. 34 ampliado · Acesso de pesquisador. Auditor e cientista credenciados acessam o detalhamento de maior valor sob compromisso, sem escusa de valor comercial.

§ 14 · Sanção estendida. O rol de sanção passa a alcançar o § 6º-F e os §§ 15 a 17.

O que mudou, e por quê

Dez emendas, dez achados, um só princípio: o número sai com a prova

EmendaOndeAchado motivadorTipo
Matriz de transiçãoRes. § 7º-Q · PL inc. XVIII1º e 2º turno como dois retratos, sem a migração de preferência entre eles.Fato
Campo com relógioRes. § 7º-J · PL inc. XIXCampo sexta a segunda nas duas rodadas, sem horário nem duração declarados.Fato
Suplemento sem gavetaRes. § 7º-R · PL § 6º-FTemas separados em “recortes” divulgados depois; Nunes confirma a prática.Fato
Modelo rotuladoRes. § 7º-O · PL inc. XXIIFicha declara rake/MrP sem especificação nem código; subgrupo plotado como medida.Fato
Instrumento íntegroRes. § 7º-V · PL § 1631 resíduos de template e o cabeçalho da rodada anterior no questionário de julho.Fato
Pergunta informativaRes. § 7º-S · PL inc. XX, § 15Pergunta que informa fato molda a resposta; sem o percentual de quem soube na hora, o efeito fica invisível.Inferência
Simetria de enunciadoRes. § 7º-T · PL inc. XXIPreâmbulo acusatório sobre Flávio/Vorcaro sem simetria com o bloco Wagner/Master.Fato
Identificador forteRes. § 7º-U · PL § 17Formulário de julho passa a pedir CPF e Instagram.Fato
NS/NR no gráficoRes. art. 10 § 4º · PL § 11NS/NR e base não ponderada somem da peça gráfica; o que evapora do slide é o que segura a margem.Fato
Acesso de pesquisadorRes. § 7º-N · PL art. 34Nunes trata microdados como ativo comercial; carência mais ambiente seguro preservam o valor sem negar a reprodução.Inferência

Texto integral das duas minutas: proposta.html e propostas-regulatorias-2026.md. A auditoria não reescreveu o método da Quaest; escreveu a regra que faria o método aparecer.

CAP. 25
Fontes e reprodução

O rastro completo.

Documentos primários locais, bases oficiais e fontes externas distinguem fato, inferência e hipótese. Nenhuma ausência de arquivo foi preenchida por imaginação.

Nota de tratamento de dados

Nenhuma imagem publicada neste dossiê expõe CPF. Os PDFs-fonte commitados no repositório, porém, trazem o CPF da estatística responsável em texto claro e no CN do certificado ICP-Brasil. Mitigante: os dados de registro do estatístico no PesqEle são públicos por norma do TSE. Ainda assim, pela regra da casa de nunca expor CPF em provas, recomenda-se redigir o CPF nos PDFs commitados ou marcar explicitamente a exceção legal. Nesta página, o identificador é descrito, jamais reproduzido.

Integridade dos arquivos

Manifest SHA-256

Arquivo localBytesSHA-256 (20)
PREPARO
python3 -m pip install -e '.[audit]'

REPRODUÇÃO TERRITORIAL
python3 scripts/quaest-territory-audit.py --refresh-ibge

REPRODUÇÃO DE SEGURANÇA/FAVELA
python3 scripts/quaest-favela-audit.py

REPRODUÇÃO GERAL
python3 scripts/quaest-july-audit.py

SAÍDAS
docs/assets/quaest_0726_territory.json · docs/assets/quaest_0726_data.json · anexos: _sankey.json · _rejeicao_reponderacao.json · _globo_invest.json · _imprensa.json · _campo.json · _suplemento.json · _sintese.json · _poderdata.json · _candeloro.json · _nunes.json · _mercado.json · _dripfeed.json · _favelas.json · CSVs nos diretórios de junho/julho

BASES
IBGE Panorama/API · data/outputs/tse_eleitorado_perfil.sqlite · data/outputs/brasil.sqlite

LIMITAÇÃO
O anexo permite comparar geografia, não voto. Sem microdados, probabilidades de inclusão e pesos finais por setor, não foi feita reponderação do placar nem inferência eleitoral por bairro.