Atlas estadual · setembro de 2026 · corte em 16/09

A direita ganha o estado.E perde o país no mesmo domicílio.

Quinze relatórios estaduais da Quaest, lidos página a página, cruzados com o resultado oficial do TSE de 2022 em 5.751 municípios. O vão entre a candidatura de direita ao governo e a candidatura presidencial chega a 33 pontos no Ceará e 28 na Bahia, medido na mesma entrevista. Dez estados ficaram fora do roteiro da pré-campanha, e três deles Bolsonaro venceu em 2022.

33pontos de vão no Ceará, o maior do país
26,6 mide eleitores nos dez estados sem visita
54municípios concentram metade do voto bolsonarista do Nordeste
693 milvotos de Bolsonaro em Manaus, o maior estoque das duas regiões
Instituto
Quaest / Globo
Relatórios
18 estaduais
Campo
23/08 a 07/09 de 2026
Base eleitoral
TSE 2022, 5.751 municípios
Eleitorado
TSE, perfil de 2026
Sem pesquisa estadual
Piauí e Sergipe

A tese

A direita ganha o estado e perde o país no mesmo domicílio

Em quinze estados a Quaest entrevistou as mesmas pessoas sobre governador e sobre presidente. Onde a direita disputa o governo do estado, ela chega a 49% no Ceará, 44% na Bahia e 45% em Pernambuco. Na mesma entrevista, Flávio Bolsonaro tem 16%, 16% e 20%. A diferença é de 33, 28 e 25 pontos, e não é explicada por amostra: é o mesmo questionário, o mesmo entrevistado, o mesmo peso.

Esse vão é o único ativo grande que a campanha ainda não usou no Nordeste. Ele não é voto garantido, e este dossiê insiste nisso do começo ao fim: ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes não são bolsonaristas, e quem vota neles não prometeu nada a ninguém para a Presidência. O vão é teto endereçável, não previsão.

O segundo achado é geográfico e desmente o mapa mental da campanha. O voto bolsonarista do Nordeste não está no sertão: está nas capitais. 54 municípios de 1.794, ou 3,0% das cidades, concentram metade dos 9.962.947 votos que Bolsonaro teve na região em 2022. E a maior reserva individual de voto de direita do Norte e do Nordeste não fica em nenhum dos dois: fica em Manaus, com 692.580 votos e 61,3% do 2º turno, capital de um dos dez estados em que a campanha não pôs o pé.

O que este dossiê é. Leitura descritiva de quinze relatórios estaduais publicados pela Quaest em agosto e setembro de 2026, cruzada com o resultado oficial do TSE de 2022 por município e com o eleitorado de 2026. O capítulo da rota é juízo editorial declarado, com o número ao lado de cada movimento. Não é previsão eleitoral.

O método

O vão estadual: mesma amostra, duas cédulas

A conta é simples e por isso resistente. Pega-se a melhor candidatura de direita ao governo do estado na pesquisa e subtrai-se o voto de Flávio no 1º turno presidencial, dentro do mesmo relatório. Não há ponderação nova, não há reponderação, não há modelo: os dois números saem da mesma tabela de campo e da mesma base.

O teto da direita no estado e o voto de Flávio, na mesma entrevistaMelhor candidatura de direita ao governo (círculo) contra Flávio no 1º turno presidencial (quadrado). Quaest, agosto e setembro de 2026.0%20%40%60%CE Ciro Gomes+33 ptsBA ACM Neto+28 ptsPE Raquel Lyra+25 ptsPB Lucas Ribeiro+25 ptsMA Eduardo Braide+24 ptsAP Dr. Furlan+22 ptsMG Cleitinho Azevedo+21 ptsRJ Eduardo Paes+17 ptsSP Tarcísio+17 ptsRN Allyson Bezerra+16 ptsDF Celina Leão+15 ptsTO Professora Dorinha+14 ptsAL JHC+12 ptsAM Omar Aziz+10 ptsPA Dr. Daniel+8 ptsRR Arthur Henrique+6 ptsAC Alan Rick-2 ptsRO Marcos Rogério-6 ptsVão positivo: a direita estadual vai mais longe que a candidatura presidencial. Vão negativo: Flávio puxa a chapa.
Círculo: melhor candidatura de direita ao governo estadual. Quadrado: Flávio no 1º turno presidencial. A barra entre os dois é o vão.

A leitura muda de sinal e é isso que torna a medida honesta. No Acre e em Rondônia o vão é negativo: Flávio tem 44% e 46%, acima dos 42% de Alan Rick e dos 40% de Marcos Rogério. Onde o bolsonarismo é hegemônico, o nome nacional é o mais forte da cédula e puxa a chapa. O déficit é um fenômeno do Nordeste, não uma característica do candidato.

UFMelhor nome da direita no estadoVoto no governoFlávio 1º turnoVão 1º turnoVão no 2º turno
CECiro Gomes PSDB49% 2º turno16%+33sem 2º turno
BAACM Neto União44% 2º turno16%+28sem 2º turno
PERaquel Lyra PSD45% 2º turno20%+25+19
PBLucas Ribeiro PP47% 2º turno22%+25sem 2º turno
MAEduardo Braide PSD44% 1º turno20%+24sem 2º turno
APDr. Furlan PSD54% 2º turno32%+22sem 2º turno
MGCleitinho Azevedo Republicanos49% 2º turno28%+21+9
RJEduardo Paes PSD52% 2º turno35%+17+9
SPTarcísio Republicanos48% 2º turno31%+17+7
RNAllyson Bezerra União35% 2º turno19%+16sem 2º turno
DFCelina Leão PP47% 2º turno32%+15+2
TOProfessora Dorinha União46% 2º turno32%+14sem 2º turno
ALJHC PSDB42% 2º turno30%+12sem 2º turno
AMOmar Aziz PSD45% 2º turno35%+10sem 2º turno
PADr. Daniel Podemos36% 2º turno28%+8sem 2º turno
RRArthur Henrique PL60% 2º turno54%+6sem 2º turno
ACAlan Rick Republicanos42% 2º turno44%-2sem 2º turno
ROMarcos Rogério PL40% 2º turno46%-6sem 2º turno

Em cinco estados a Quaest mediu também o 2º turno presidencial, o que permite a comparação mais limpa possível, turno contra turno na mesma entrevista. Pernambuco entrega o maior vão do país nessa régua: Raquel Lyra tem 45% no 2º turno estadual enquanto Flávio tem 26% no 2º turno presidencial, 19 pontos de distância. Em São Paulo a mesma conta dá 7 e no Distrito Federal, 2.

Quaest Pernambuco, campo até 07/09: p.19, p.54, p.72.

O roteiro

Dez estados fora da pré-campanha, 26,6 milhões de eleitores

Até a semana de 14 de setembro, a candidatura tinha percorrido 17 unidades da federação desde o lançamento e não tinha ido a dez: AC, AP, AM, RR, TO, AL, CE, PE, PI e SE. Todas no Norte e no Nordeste. A lista foi publicada pela Revista Fórum e pelo BPMoney, e é o ponto de partida deste capítulo.

Dez estados fora do roteiro: 26,6 milhões de eleitoresBarra clara: eleitorado de 2026. Barra cheia: votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022. Três desses estados ele venceu.PE7,23 mi1.799 mil (33,1%)CE7,00 mi1.634 mil (30,0%)AM2,80 mi962 mil (48,9%)PI2,70 mi467 mil (23,1%)AL2,41 mi688 mil (41,3%)SE1,71 mi421 mil (32,8%)TO1,18 mi412 mil (48,6%)AC0,61 mi288 mil (70,3%) venceuAP0,58 mi201 mil (51,4%) venceuRR0,40 mi214 mil (76,1%) venceuSomados: 7,08 milhões de votos de Bolsonaro em 2022, 16,9% do eleitorado nacional.Fonte: TSE, resultado de 2022 por município, e eleitorado de 2026. Roteiro: Revista Fórum e BPMoney.
Barra clara: eleitorado de 2026. Barra cheia: votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022. Verde marca os estados que ele venceu.

A leitura óbvia é que a campanha evitou o território hostil. Os números dizem outra coisa. Três dos dez estados Bolsonaro venceu em 2022: AC, AP, RR, com 76,1% a 70,3% dos votos válidos. Roraima é o estado em que ele teve o melhor resultado do Brasil inteiro. Outros dois, Amazonas e Tocantins, ficaram a pouco mais de um ponto de vencer, com 35% e 32% para Flávio hoje.

Somados, os dez guardam 7.084.497 votos que Bolsonaro recebeu em 2022, e PE, CE, AM, PI, AL passam de dois milhões de eleitores cada. O mapa dos estados não visitados não é um mapa de fraqueza. É, em parte, um mapa de força abandonada.

O que mudou nesta semana. Ceará em 15/09, com ato em Fortaleza e carreata em Juazeiro do Norte. Pernambuco em 16/09, com caminhada do Marco Zero ao Cais da Alfândega. Bahia em 17/09, primeiro ato de campanha no estado. Restam sete estados sem visita: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Piauí, Roraima e Sergipe, com 11,2 milhões de eleitores.

Onde está o voto

O eleitor de direita do Nordeste mora na cidade grande

A pergunta operacional da campanha é onde estão os votos que ela ainda não tem. A resposta do TSE é direta: nas capitais e nas regiões metropolitanas.

O voto bolsonarista do Norte e do Nordeste é urbanoVotos de Bolsonaro no 2º turno de 2022 nas capitais das duas regiões. Verde: capital que ele venceu. Azul: capital que Lula venceu.Manaus *693 mil 61,3%Fortaleza *633 mil 41,8%Salvador451 mil 29,3%Recife *433 mil 43,7%Belém427 mil 49,7%Maceió *274 mil 57,2%São Luís238 mil 39,6%João Pessoa228 mil 49,9%Natal219 mil 47,0%Porto Velho169 mil 64,6%Teresina *161 mil 33,6%Boa Vista *145 mil 79,5%Aracaju *142 mil 42,7%Rio Branco *142 mil 72,5%* estado que a campanha não visitou até 14/09. Manaus sozinha guarda mais voto de Bolsonaro que qualquer outra cidade das duas regiões.Fonte: TSE, 2º turno de 2022 por município.
Votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022 nas capitais do Norte e do Nordeste. Asterisco marca estado que a campanha não visitou até 14/09.

Manaus tem 692.580 votos de Bolsonaro, 61,3% do 2º turno e 1.472.357 eleitores em 2026. É mais do que Fortaleza (633.009) e uma vez e meia Salvador (451.131). Maceió é a capital nordestina em que ele foi mais longe: 57,2%, vitória com 273.549 votos, também em estado não visitado.

54 municípios de 1.794 concentram metade do voto bolsonarista do NordesteCurva acumulada dos votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022, dos municípios de maior volume para os de menor.0%25%50%75%100%54 municípios = 50% dos votos3,0% das cidades do Nordestemunicípios, do maior volume para o menorTotal: 9.962.947 votos de Bolsonaro no Nordeste em 2022. Fonte: TSE.
Curva acumulada dos votos de Bolsonaro no Nordeste em 2022, do município de maior volume para o de menor.

A concentração explica por que o calendário importa mais do que a simpatia do público. Metade de todo o voto bolsonarista do Nordeste cabe em 54 municípios. Um comício numa cidade média de 30 mil eleitores custa o mesmo dia de agenda que um ato numa capital com vinte vezes o estoque.

MunicípioVotos Bolsonaro 2022% do 2º turnoEleitores 2026Resultado
Manaus AM692.58061,3%1.472.357venceu
Fortaleza CE633.00941,8%1.790.488Lula venceu
Salvador BA451.13129,3%1.951.766Lula venceu
Recife PE433.31743,7%1.228.646Lula venceu
Belém PA427.05149,7%1.047.380Lula venceu
Maceió AL273.54957,2%644.063venceu
São Luís MA238.28539,6%756.289Lula venceu
João Pessoa PB228.32649,9%585.308Lula venceu
Natal RN219.30647,0%570.537Lula venceu
Porto Velho RO169.29964,6%368.740venceu
Jaboatão dos Guararapes PE161.95244,3%498.190Lula venceu
Teresina PI160.55833,6%592.211Lula venceu
Boa Vista RR144.79979,5%241.187venceu
Aracaju SE142.48942,7%421.507Lula venceu
Rio Branco AC142.09072,5%270.429venceu
Ananindeua PA138.97850,3%358.350venceu

As trocas

Duas decisões de agenda desta semana, medidas em voto

A campanha trocou Salvador por Vitória da Conquista na Bahia e retirou Santa Cruz do Capibaribe da agenda de Pernambuco. As duas decisões são públicas, noticiadas pela imprensa dos próprios estados, e podem ser medidas com o resultado de 2022.

As duas trocas de agenda da semana, medidas em votoVotos de Bolsonaro no 2º turno de 2022 em cada cidade. A escolha da Bahia troca o maior estoque do estado por um quinto dele.Bahia, 17/09Salvador, trocada451 mil (29,3%)Vitória da Conquista, escolhida84 mil (41,7%)Pernambuco, 16/09Recife, escolhida433 mil (43,7%)Santa Cruz do Capibaribe, retirada27 mil (52,1%)Santa Cruz do Capibaribe é o único município de Pernambuco que Bolsonaro venceu em 2022, e tem 26 mil votos dele. Sair de lá para o Recife foi acerto de volume.Salvador tem 5,4 vezes o voto de Vitória da Conquista. Trocar uma pela outra é escolher o palanque confortável em vez do estoque.Fonte: TSE 2022. Agenda: A Tarde, Diario de Pernambuco e O Povo, com link no capítulo de fontes.
Votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022 em cada cidade citada na agenda desta semana.

A Bahia. Salvador guarda 451.131 votos de Bolsonaro contra 84.019 de Vitória da Conquista: 5,4 vezes mais. Conquista tem a vantagem do conforto, com 41,7% contra 29,3% da capital, e é onde o palanque enche. Salvador é onde o voto está. A troca é defensável como estreia; repetida, vira método, e método que evita a capital não fecha o vão de 28 pontos que a Bahia mostra.

Pernambuco. Santa Cruz do Capibaribe é o único município do estado que Bolsonaro venceu em 2022, com 26.632 votos e 52,1% do 2º turno. Sair de lá para o Recife, que tem 433.317 votos de Bolsonaro, foi acerto de volume: dezesseis vezes mais estoque no mesmo dia. A cidade simbólica vale a foto; a capital vale a eleição.

Juízo editorial declarado. Este capítulo compara escolhas de agenda com estoque de voto de 2022. Não mede efeito de comício, que nenhuma pesquisa publicada no Brasil mede, e não afirma que um ato converta voto na proporção do estoque. Afirma apenas o custo de oportunidade do dia de calendário.

O contraditório

A rota do cerrado é simpática e é pequena

A rota do MATOPIBA é a mais citada quando se fala em agro e eleição no Nordeste, e este dossiê a testou esperando confirmá-la. O teste reprovou.

A rota do cerrado vale menos que uma tarde em ManausVotos de Bolsonaro no 2º turno de 2022. O MATOPIBA soma 38 municípios de Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.MATOPIBA, 38 cidades344 mil 43,4%Manaus, uma cidade693 mil 61,3%Fortaleza, uma cidade633 mil 41,8%O MATOPIBA tem 1.095 mil eleitores em 2026 e dá 43,4% a Bolsonaro. É território amigo, e é pequeno.A escolha entre os dois não é ideológica: é de calendário. Uma agenda no cerrado custa o mesmo dia que uma agenda na maior cidade bolsonarista das duas regiões.Fonte: TSE, 2º turno de 2022. Delimitação do MATOPIBA: Embrapa.
Votos de Bolsonaro no 2º turno de 2022. O MATOPIBA reúne 38 municípios de Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.

Os 38 municípios reunidos somam 344.366 votos de Bolsonaro, 43,4% do 2º turno local, e 1.095.358 eleitores em 2026. É metade do que Manaus entrega sozinha, espalhado por quatro estados e milhares de quilômetros de estrada. Luís Eduardo Magalhães, o símbolo do cerrado baiano, tem 31.918 votos: menos de um décimo de Salvador.

O cerrado continua valendo por três razões que não são de volume: produz doação e estrutura local, rende pauta nacional de custo de produção e logística, e é onde a candidatura fala sem precisar traduzir. Nada disso é desprezível. Só não é a rota que decide o Nordeste, e tratá-la como tal troca o eleitorado pela plateia.

Este é o achado que contraria a tese de partida deste trabalho. Publicamos com o mesmo destaque dos que a sustentam, como manda a regra da casa.

Os temas

O que falar em cada estado, segundo quem mora nele

A Quaest pergunta em todos os relatórios estaduais qual é o problema mais grave que o estado enfrenta. A resposta varia o bastante para desmontar qualquer discurso único.

O que cada estado chama de maior problemaQuaest, pergunta aberta com cartão: qual é o problema mais grave que o seu estado enfrenta hoje. Percentual de citações.RRAPALTORNROPAPEBAAMPBMAACCESaúde5043414138373533323231282615Violência1620131221381723111154Infraestrutura1021Desemprego10Corrupção13EducaçãoSaúde lidera em 11 dos 14 estados. Violência lidera no Ceará (54), na Bahia (38) e empata na Paraíba. Infraestrutura só aparece no topo no Maranhão (21).Fonte: relatórios estaduais Quaest, página declarada no dossiê.
Percentual de citações do tema como maior problema do estado. O tamanho do círculo é proporcional à citação.

Saúde lidera em onze dos catorze estados com a pergunta publicada, e chega a 50% em Roraima e 28% no Maranhão. Violência lidera em três: 54% no Ceará, o maior número de qualquer tema em qualquer estado desta série, 38% na Bahia e empatada na Paraíba. Infraestrutura só aparece no topo no Maranhão, com 21%, onde é o segundo tema e vale mais que violência.

UF1º tema2º tema3º tema
RRSaúde 50%Infraestrutura 7%Economia 6%
APSaúde 43%Desemprego 10%Infraestrutura 9%
ALSaúde 41%Violência 16%Desemprego 8%
TOSaúde 41%Violência 8%Infraestrutura 7%
RNSaúde 38%Violência 20%Corrupção 9%
ROSaúde 37%Violência 13%Infraestrutura 9%
PASaúde 35%Violência 12%Infraestrutura 10%
PESaúde 33%Violência 21%Corrupção 5%
BAViolência 38%Saúde 32%Desemprego 6%
AMSaúde 32%Violência 17%Infraestrutura 9%
PBSaúde 31%Violência 23%Desemprego 6%
MASaúde 28%Infraestrutura 21%Violência 11%
ACSaúde 26%Corrupção 13%Violência 11%
CEViolência 54%Saúde 15%Corrupção 4%

A consequência prática é chata e é a mais útil do dossiê: o discurso de segurança pública, que é o ativo mais forte do campo, tem retorno máximo no Ceará e na Bahia e retorno baixo em Roraima, no Tocantins e em Alagoas, onde saúde vale duas a cinco vezes mais. Falar de violência em Palmas é responder a uma pergunta que 8% do estado fez.

O palanque

Aliado de quem? A pergunta que mede o rabo da chapa

Em catorze estados a Quaest perguntou se o eleitor prefere um governador aliado de Lula, aliado de Flávio Bolsonaro ou independente. É a medida mais direta que existe de quanto o nome nacional ajuda ou atrapalha a chapa estadual, e a resposta separa o país em dois.

Aliado de quem? A pergunta que mede o rabo da chapaDe modo geral, você gostaria que a pessoa eleita governador fosse aliada do Lula, aliada de Flávio Bolsonaro ou independente?FlávioIndependenteLula493512RR433023RO413320AC332835TO303134AP293134PA283334AM223042AL202553PB172950PE173640RN163049BA162554MA153646CENo Acre, em Rondônia e em Roraima, o eleitor quer o governador aliado de Flávio. Na Bahia, no Ceará, na Paraíba e no Maranhão, a soma de independente com Lula passa de 75%.Fonte: relatórios estaduais Quaest, página declarada no dossiê.
Preferência declarada pelo campo do próximo governador, por estado.

No Acre, em Rondônia e em Roraima, o eleitor quer explicitamente um governador aliado de Flávio, com 49%, 43% e 41%. No Pará, no Amapá, no Amazonas e no Tocantins a disputa está aberta, com Flávio entre 28% e 33% e o campo independente acima de 28% em todos. Na Bahia, no Ceará, na Paraíba e no Maranhão, a preferência por aliado de Flávio fica entre 15% e 16%, e a soma de independente com Lula passa de 75%.

UFAliado de FlávioIndependenteAliado de LulaSaldo
RR49%35%12%+37
RO43%30%23%+20
AC41%33%20%+21
TO33%28%35%-2
AP30%31%34%-4
PA29%31%34%-5
AM28%33%34%-6
AL22%30%42%-20
PB20%25%53%-33
PE17%29%50%-33
RN17%36%40%-23
BA16%30%49%-33
MA16%25%54%-38
CE15%36%46%-31

A instrução que sai daqui é de ordem, não de conteúdo. Onde o saldo é positivo, o nome nacional abre o palanque e o candidato estadual fecha. Onde o saldo é negativo por vinte pontos ou mais, a ordem inverte: quem abre é a candidatura estadual, que tem teto próprio muito maior, e o nome nacional entra depois, sobre público já formado.

A rota

Sete movimentos, na ordem em que os números pedem

O capítulo é juízo editorial declarado, com o número e a página ao lado de cada movimento. Não tem datas: a ordem é de prioridade e vale enquanto os números de agosto e setembro valerem.

  1. Manaus antes de qualquer cidade média. 692.580 votos de Bolsonaro, 61,3% do 2º turno, 1.472.357 eleitores. O Amazonas está a três pontos no 1º turno, 38 a 35, tem candidatura do PL competitiva ao governo com 44%, e nunca recebeu visita. É a melhor relação entre estoque, competitividade e ausência do país.
  2. Belém e São Luís no mesmo circuito. 427.051 e 238.285 votos, Pará a 8 pontos de vão e a menor aprovação de Lula do Norte e do Nordeste fora dos estados bolsonaristas: 47 contra 46. O Pará é o único grande colégio da região em que a disputa presidencial já é competitiva.
  3. Salvador, e não só Conquista. O vão baiano é de 28 pontos e a capital tem 451.131 votos de 2022. O tema é violência, 38% do estado, o mais alto da Bahia e o segundo mais alto da série.
  4. Recife de novo, e a Região Metropolitana inteira. Recife, Jaboatão, Olinda e Paulista somam 774.621 votos de Bolsonaro, mais do que o estado inteiro do Piauí. O vão de 2º turno de Pernambuco, 19 pontos, é o maior do país na régua turno contra turno.
  5. Maceió e Aracaju, com Alagoas e Sergipe ainda inéditos. Maceió é a capital nordestina em que Bolsonaro mais foi longe, 57,2%, e Alagoas dá 30% a Flávio hoje, o melhor número do Nordeste depois do Pará. Saúde é 41% do estado: o discurso de segurança rende pouco ali.
  6. Fortaleza com a candidatura estadual na frente. O Ceará tem o maior vão do país, 33 pontos, e o maior índice de violência como problema, 54%. A ordem importa: quem abre é o palanque estadual, porque a preferência por governador aliado de Flávio é de 15% contra 46% de aliado de Lula.
  7. Roraima, Acre e Amapá por último, e mesmo assim. São os três estados não visitados em que Bolsonaro venceu. Não precisam de conversão, precisam de comparecimento e de voto útil no 1º turno. Rendem pouco em volume e muito em sinal, porque a ausência de três anos num território que deu 76,1% é a notícia que a imprensa local publica sozinha.
O que não fazer. Não abrir agenda no Nordeste pelo nome nacional onde o saldo de palanque é negativo. Não levar o discurso de violência a Roraima, Tocantins e Alagoas, onde saúde vale de duas a cinco vezes mais. Não tratar o cerrado como rota principal. E não confundir vão com voto: o eleitor de ACM Neto, de Raquel Lyra e de Ciro Gomes não prometeu nada a ninguém.

Limites

O que este dossiê não mede

O vão não é voto transferível. É a distância entre dois números na mesma amostra. Nada nos relatórios mede quanto do eleitorado de um governador de centro-direita aceitaria a candidatura presidencial do PL, e a experiência de 2022 em São Paulo mostra que a taxa nunca é de um para um.

Os institutos não publicam o cruzamento direto. Se a Quaest publicasse a tabela do voto para governador contra o voto para presidente dentro do mesmo estado, este dossiê teria metade do tamanho e o dobro de força. O pedido fica registrado.

O estoque de 2022 é memória, não promessa. Votos de quatro anos atrás medem onde o campo já esteve, não onde estará. Municípios mudam, eleitorado envelhece e a abstenção de 2026 não é a de 2022.

Dois estados não têm pesquisa estadual publicada no período: Piauí e Sergipe, com 2,7 e 1,7 milhão de eleitores. Onde aparecem neste dossiê, aparecem apenas com dado do TSE, nunca com intenção de voto.

Os relatórios são imagem. Os PDFs da Quaest não têm camada de texto nos gráficos. Cada tabela foi transcrita página a página, com o número da página declarado no script que gera esta página, e conferida por leitura de máquina independente. Divergência entre as duas quebra o teste automático do repositório.

Fontes

Tudo aberto, com página e link

RelatórioFim do campoPDFPresidente 1º turnoGovernador
Bahia BA2026-08-26relatóriop. 75p. 28
Pernambuco PE2026-09-07relatóriop. 54p. 19
Ceará CE2026-09-03relatóriop. 67p. 20
Maranhão MA2026-08-23relatóriop. 58p. 8
Pará PA2026-08-28relatóriop. 67p. 20
Amazonas AM2026-08-28relatóriop. 108p. 21
Alagoas AL2026-08-24relatóriop. 67p. 20
Tocantins TO2026-08-25relatóriop. 108p. 21
Paraíba PB2026-08-25relatóriop. 86p. 23
Rio Grande do Norte RN2026-08-24relatóriop. 84p. 21
Amapá AP2026-08-25relatóriop. 67p. 20
Acre AC2026-08-27relatóriop. 108p. 21
Roraima RR2026-08-27relatóriop. 64p. 20
Rondônia RO2026-08-25relatóriop. 108p. 21
Rio de Janeiro RJ2026-09-07relatóriop. 62p. 20
São Paulo SP2026-09-07relatóriop. 53p. 19
Minas Gerais MG2026-09-07relatóriop. 93p. 20
Distrito Federal DF2026-09-07relatóriop. 72p. 20

Agenda declarada

  • CE, 15/09: Fortaleza, Juazeiro do Norte, ato no Conjunto Ceará e carreata no Cariri. O Povo.
  • PE, 16/09: Recife, caminhada do Marco Zero ao Cais da Alfândega e comício. Diario de Pernambuco.
  • BA, 17/09: Vitória da Conquista, carreata e ato no Estádio Lomanto Júnior. A Tarde.

Roteiro da pré-campanha

  • Revista Fórum: Flávio Bolsonaro já foi mais aos EUA do que a 10 estados do Norte e Nordeste.
  • BPMoney: Flávio Bolsonaro faz sexta viagem aos EUA; dez estados brasileiros seguem fora da pré-campanha.

Base eleitoral

  • TSE, votação por candidato e município, eleições gerais de 2022, 1º e 2º turnos.
  • TSE, eleitorado por município, perfil vigente de 2026.
  • Delimitação do MATOPIBA: Embrapa, municípios de cerrado de Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.

Reprodução

python3 scripts/estaduais-092026-tse.py
python3 scripts/estaduais-092026-extract.py
python3 scripts/estaduais-092026-data.py
python3 scripts/estaduais-092026-build.py

A base pública está em estaduais_092026_data.json, e os derivados em estaduais-092026-vao.csv e estaduais-092026-alvos.csv.