Quatro pesquisas, uma régua só. E o mapa que ninguém abriu.
A rodada de setembro em sete cards quadrados. Datafolha, CNT/MDA, BTG/Nexus e Quaest publicaram em cinco dias e discordam do placar; sob a régua de renda da PNAD, as quatro andam para o mesmo lado. Depois, a parte que não virou manchete: quinze pesquisas estaduais em que a direita ganha o governo e perde a Presidência na mesma entrevista, e o mapa municipal do voto que a campanha ainda não foi buscar.
Como usar. Cada card é a imagem do post, um quadrado que cabe no print de tela. O texto embaixo é o post, de cerca de 2.000 caracteres, e o botão copia tudo. Nenhum número foi digitado à mão: todos vêm dos arquivos do acervo, e cada card traz a fonte e a página no rodapé.
Post 1/7 · Abertura · tese
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
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Abertura
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Quatro pesquisas em cinco dias, uma régua só, e todas andam para o mesmo lado
Datafolha, CNT/MDA, BTG/Nexus e Quaest publicaram entre 10 e 15 de setembro. As quatro discordam do placar. Nenhuma discorda do efeito da renda.
Datafolha: +2 vira -5,47média do 2º turno: 44,95 × 43,37a Quaest anda contra
PNADC anual 2025, visita 1, pessoas de 16+, preços de abril de 2026.01/07
1990 charsQuatro institutos nacionais publicaram em cinco dias, e o placar deles não bate. No 2º turno, Datafolha dá Lula 46 a 44, CNT/MDA dá 47,3 a 40, BTG/Nexus dá 47 a 46 e Quaest dá Flávio 42 a 40. Isso é uma variação de quase dez pontos na mesma quinzena, sobre a mesma eleição.
Há uma coisa em que as quatro concordam sem querer. Todas cruzam o voto por faixa de renda, e todas trazem uma composição de renda própria. Quando se troca só esse peso pelo da PNAD contínua anual de 2025, mantendo tudo o mais como o instituto publicou, as quatro andam para o mesmo lado. O Datafolha sai de Lula +2 para Flávio 5,47. A MDA sai de +7,3 para +4,99. O BTG sai de +1 para +0,28. Quatro em quatro.
O tamanho do movimento tem explicação simples e verificável: ele acompanha o quanto cada amostra é mais pobre que o país. O Datafolha tem 16,59 pontos a mais na faixa até dois salários mínimos do que a PNAD, e é o que mais se move. A Quaest tem 4,19 pontos a menos, é a única amostra mais rica que o país, e é a única que anda na direção contrária: a régua tira de Flávio em vez de dar.
Na média do acervo, hoje com 57 pesquisas de 10 institutos, o 2º turno publicado está em Lula 44,26 contra 44,02. Sob a régua da PNAD, vira Flávio 44,95 contra 43,37.
Antes de qualquer manchete, dois testes. O primeiro é de amostragem: o intervalo de 95% da diferença no 2º turno é de 4,16 pontos no Datafolha e 4,22 no BTG. Nenhuma das quatro separa os dois candidatos com 95% de confiança. O segundo é de composição, e é este: o sinal sobrevive à troca da margem dominante pela régua oficial. Uma manchete que diz lidera precisa passar nos dois.
Isto é sensibilidade de uma margem sob régua comum, não é voto corrigido: a ponderação de cada instituto é conjunta e nenhum deles publica os pesos. Nos próximos seis posts, um dossiê por instituto, e depois a parte que ninguém está olhando, que são as pesquisas estaduais.
Acervo completo, com cada PDF e cada página: https://brasil.arvor.co/reponderacao_pnad.html
Post 2/7 · 1 de 5 · Datafolha · ponto
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
02 / 07
1 de 5 · Datafolha
60%
O teto do Nordeste não é falta de exposição: é rejeição declarada, e ela é o dobro da de Lula
No Datafolha de 14/09, 60% dos nordestinos dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum. Lula, no mesmo recorte, tem 32%.
Nordeste 2º turno: 62 × 30Sul: 37 × 53capital, RM e interior: 43, 43 e 45
Datafolha 14/09/2026, relatório completo, p. 38, 48, 49 e 57.02/07
2048 charsO Datafolha de 14 de setembro é a pesquisa com a amostra mais distante da régua oficial de renda entre as quatro: 16,59 pontos a mais na faixa até dois salários do que a PNAD mede para o país. Trocar só esse peso leva o 2º turno de Lula 46 contra 44 para Flávio 47,89 contra 42,41. É o maior giro da rodada.
Mas o achado que interessa a quem faz campanha está no anexo regional, não na manchete. No 2º turno, o Nordeste dá 62 a Lula e 30 a Flávio. O Sul dá 37 e 53, invertido. O Sudeste, 42 e 47. Centro-Oeste e Norte juntos, 40 e 51.
E a rejeição explica o teto melhor que o voto. 60% do Nordeste declara que não votaria em Flávio em hipótese alguma, contra 32% que dizem o mesmo de Lula. No Sul a conta inverte: 36% contra 54%. Rejeição de 60 pontos não é um problema de agenda nem de tempo de televisão. É um problema de nome próprio, e ele não se resolve com mais comício do mesmo tipo.
O terceiro número desmonta um lugar-comum: capital, região metropolitana e interior praticamente não se separam. Flávio faz 43 na região metropolitana e 45 no interior. A fratura do Brasil, nesta eleição, é regional, não urbana. Quem organiza calendário por tamanho de cidade está usando um mapa que a pesquisa não confirma.
No 1º turno o desenho se repete com outra escala: Nordeste 53 a 23, e Caiado marcando 11% no Centro-Oeste e Norte, onde ele é o único nome do campo com voto regional próprio. A aprovação do governo no mesmo anexo dá 63% no Nordeste contra 39% no Sul: 24 pontos de distância dentro do mesmo país.
A conclusão prática: no Nordeste, a candidatura presidencial não abre porta. Quem abre é o nome estadual, e o post 5 mostra por quanto.
Uma ressalva que a casa faz sempre e que vale aqui: o intervalo de 95% da diferença no 2º turno do Datafolha é de 4,16 pontos. A vantagem publicada de 2 pontos não separa os dois candidatos, e a versão correta da manchete é essa: Lula tem 46%, Flávio tem 44%, e a diferença não os separa com 95% de confiança.
Dossiê completo, com página e hash: https://brasil.arvor.co/datafolha_14092026.html
Post 3/7 · 2 de 5 · BTG/Nexus · ponto
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
03 / 07
2 de 5 · BTG/Nexus
44 × 35
A direita já ganha na classe média e perde no andar de baixo, e é isso que a régua da renda mede
No BTG/Nexus, Flávio faz 44 contra 35 de Lula entre dois e cinco salários, e perde por 53 a 24 na faixa até um salário.
2 a 5 S.M.: +9 para Flávioaté 1 S.M.: -29a amostra mais próxima da PNAD
BTG/Nexus 14/09/2026, p. 33 e 34 do relatório de 155 páginas.03/07
2220 charsO BTG/Nexus de 14 de setembro publica 155 páginas e é, das quatro, a amostra que mais se parece com o país na renda: 5,56 pontos de distância da PNAD na faixa até dois salários. Por isso a reponderação quase não a move: o 2º turno sai de Lula 47 contra 46 para 46,69 contra 46,40, uma diferença de 0,28 de ponto. É a leitura que serve de controle das outras três.
O gradiente que ela mostra é o mapa de classe da eleição. Até um salário mínimo, Lula 53 contra 24. De um a dois, 49 contra 33. De dois a cinco, a virada: Flávio 44 contra 35. Acima de cinco salários a vantagem se perde de novo: Lula 42 contra 39. Flávio ganha o miolo e perde as duas pontas, e nenhum discurso de classe explica isso sozinho.
A faixa de dois a cinco salários é onde a eleição está sendo decidida e é a maior do país: 39,3% dos brasileiros de 16 anos ou mais, pela PNAD. É o assalariado com carteira, o pequeno empresário, o motorista de aplicativo que passou a declarar renda. Não é o topo. A candidatura que tratar essa faixa como classe alta erra o tom e o programa.
A mesma tabela traz a região: Nordeste 57 a 27, Sul 25 a 61, Sudeste 42 a 33. E a religião: entre evangélicos, Flávio 52 contra 27 de Lula no 1º turno, o recorte em que ele vai mais longe em todo o relatório.
No 2º turno, a mesma tabela separa o município: capital 51 a 39, região metropolitana 51 a 44 e interior 45 a 49. É o único dos quatro institutos em que o interior vira para Flávio e a capital não, o que coloca uma pergunta de desenho amostral que nenhum deles responde publicamente.
Vale registrar o que o instituto é: a Nexus pertence à FSB Holding, que fatura publicidade do governo federal. Isso não invalida um número sequer, e os números dela são os mais próximos da régua oficial nesta rodada. Só precisa estar escrito.
A consequência de programa é direta. A faixa que decide não quer transferência de renda nem corte de imposto do topo: ela quer preço de energia, juros do crédito consignado, segurança no trajeto de casa ao trabalho e escola que funcione. Quem falar com ela na linguagem do andar de cima perde o miolo sem ganhar o topo, que nesta pesquisa já está com o adversário.
Dossiê completo: https://brasil.arvor.co/nexus_btg_140926.html
Post 4/7 · 3 de 5 · Quaest · contraprova
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
04 / 07
3 de 5 · Quaest
-0,74
A Quaest é a pesquisa que contraria a nossa tese, e por isso ela é a mais importante das quatro
É a única amostra mais rica que o país. A régua da renda tira 1,26 ponto de Flávio em vez de dar, e a vantagem publicada de 2 pontos vira 0,74.
Quaest/Globo 14/09/2026, BR-03607/2026, campo de 10 a 13 de setembro, 2.004 entrevistas.04/07
1969 charsSe um método só serve quando o resultado agrada, não é método. A Quaest de 14 de setembro é o teste, e nós publicamos o resultado com o mesmo destaque das outras três.
Ela é a única das quatro cuja amostra é mais rica que o país: 4,19 pontos a menos na faixa até dois salários mínimos do que a PNAD anual de 2025 mede. Aplicada a mesma régua, na mesma direção, com o mesmo código, o resultado anda contra a hipótese de partida. O 2º turno publicado, Flávio 42 contra Lula 40, vira 41,40 contra 40,66: a vantagem encolhe de 2 pontos para 0,74. No 1º turno, a diferença de Lula sobe de 5 para 6,09.
E há um segundo motivo para a Quaest merecer o post inteiro: ela é a única que declara a PNAD anual de 2025 como fonte da própria cota de renda, e a composição publicada na página 199 bate exatamente com as cotas registradas no TSE, 31, 42 e 27. Instituto que declara a régua e publica o perfil pode ser conferido. Os que não declaram, não.
O resto do relatório traz o que a campanha precisa: quatro origens de transferência medidas, e não estimadas, para o 2º turno; a convicção de voto de cada base, com 80% dos eleitores de Lula dizendo que a escolha é definitiva contra 80% dos de Flávio; e o cruzamento por identificação política que recompõe o placar publicado com resíduo abaixo de meio ponto.
Antes de qualquer conta derivada, a prova da leitura: recompomos o placar publicado usando as próprias bases de renda do instituto e chegamos a um resíduo de 0,36 ponto no 1º turno. Se a recomposição não fecha, a transcrição está errada e nada do que vem depois vale. Esse passo é obrigatório e aparece em todos os dossiês do acervo.
O que este post estabelece é o padrão de prova da casa: a mesma conta, aplicada a todas as pesquisas, com o resultado publicado seja qual for. Quem só mostra a reponderação que ajuda está fazendo militância com aparência de estatística.
Dossiê completo, com as 66 perguntas registradas: https://brasil.arvor.co/quaest_14092026.html
Post 5/7 · 4 de 5 · CNT/MDA e o acervo · ponto
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
05 / 07
4 de 5 · CNT/MDA e o acervo
57
A CNT/MDA entra no acervo e mostra por que uma pesquisa isolada não decide nada
A 170ª rodada da CNT/MDA dá Lula 47.3 contra 40.0 no 2º turno, a maior vantagem da quinzena. Sob a régua da PNAD, +4,99.
MDA publicado: +7,3com a PNAD: +4,9957 pesquisas, 10 institutos
CNT/MDA 170ª rodada, BR-06902/2026, campo de 9 a 13 de setembro.05/07
2076 charsA CNT/MDA divulgou em 15 de setembro a 170ª rodada, com 2002 entrevistas presenciais. É a pesquisa mais favorável a Lula da quinzena: 47.3 contra 40.0 no 2º turno e 40.5 contra 30.4 no 1º.
O relatório declara, na página 3, que não houve ponderação dos dados. Quer dizer que a composição publicada na página 40 não é uma cota que foi imposta: é a distribuição das entrevistas que o campo produziu. E ela tem 9,23 pontos a mais na faixa até dois salários mínimos do que a PNAD mede. Trocado esse peso, os 7,3 pontos viram 4,99.
Duas observações documentais, porque importam para quem for citar a pesquisa: a capa e a metodologia trazem o registro BR-06902/2026, e a contracapa repete o BR-06935/2026, que é o código da rodada anterior. E a faixa de renda publicada inclui 1,4% de quem não informou, o que precisa ser tratado antes de qualquer conta derivada.
É para isso que existe o acervo. São 57 pesquisas de 10 institutos desde maio, cada uma com o PDF, a página do cruzamento de renda e o hash do arquivo, mais 12 que não publicam renda cruzada e por isso entram listadas e sem número. A média com meia-vida de 14 dias sobre o fim do campo dá, no 2º turno, Lula 44,26 contra 44,02 no publicado e Flávio 44,95 contra 43,37 sob a régua da PNAD.
A comparação entre institutos mostra o tamanho do problema. No mesmo 2º turno e na mesma quinzena, a Quaest dá Flávio na frente por 2 e a MDA dá Lula na frente por 7,3: 9,3 pontos de distância entre dois institutos, contra uma margem de diferença de 4,08 pontos a 95% de confiança. O método de campo explica parte disso: a MDA faz presencial em domicílio e ponto de fluxo, com cotas e sem ponderação posterior; a Quaest sorteia municípios e setores censitários por probabilidade proporcional ao tamanho.
A leitura honesta desse conjunto é chata: a eleição está dentro da margem, e a diferença entre os institutos é maior que a diferença entre os candidatos. Quem cita uma pesquisa isolada como tendência está escolhendo a que gosta.
Acervo, com filtro por instituto e por onda: https://brasil.arvor.co/reponderacao_pnad.html
Post 6/7 · 5 de 5 · as estaduais · ponto
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
06 / 07
5 de 5 · as estaduais
33
Ninguém está olhando para as estaduais, e é lá que está o maior número da eleição
A Quaest publicou 15 pesquisas estaduais em agosto e setembro. No Ceará, a direita tem 49% para o governo e Flávio tem 16% para presidente, na mesma entrevista.
CE: +33 · BA: +28 · PE: +25AC e RO: o sinal invertePE no 2º turno contra 2º turno: +19
Quaest, relatórios estaduais de agosto e setembro de 2026, com página declarada no dossiê.06/07
2170 charsEnquanto o país discute a quarta pesquisa nacional da semana, a Quaest publicou quinze pesquisas estaduais em agosto e setembro, e quase ninguém as leu. Os PDFs são imagem, sem camada de texto: transcrevemos página a página, com o número da página declarado no script, e uma leitura de máquina independente confere cada tabela.
O maior número da eleição está lá. No Ceará, a melhor candidatura de direita ao governo tem 49% e Flávio tem 16% para presidente. Mesma entrevista, mesmo entrevistado, mesmo peso: 33 pontos de distância. Na Bahia, 44% de ACM Neto contra 16%: 28 pontos. Em Pernambuco, 45% de Raquel Lyra contra 20%. No Maranhão, 44% de Eduardo Braide contra 20%.
Em cinco estados a Quaest mediu também o 2º turno presidencial, o que permite a comparação turno contra turno, a mais limpa possível. Pernambuco entrega o maior vão do país nessa régua: 45% no 2º turno estadual contra 26% no presidencial, 19 pontos.
E aqui está o achado que impede a leitura preguiçosa: o sinal inverte. No Acre, Flávio tem 44% e o candidato da direita ao governo tem 42%. Em Rondônia, 46% contra 40%. Onde o bolsonarismo é hegemônico, o nome nacional é o mais forte da cédula e puxa a chapa. O déficit é um fenômeno do Nordeste, não uma característica do candidato.
Os mesmos relatórios trazem o que falar em cada lugar, e isso desmonta o discurso único. Perguntado qual é o maior problema do estado, o Ceará responde violência com 54%, o maior número de qualquer tema em qualquer estado da série. A Bahia responde violência com 38%. O Maranhão responde saúde e infraestrutura, com 28% e 21%. Roraima responde saúde com 50% e violência com 6%. Levar segurança pública a Boa Vista é responder a uma pergunta que 6% do estado fez.
O vão é teto endereçável, não previsão, e o dossiê repete isso em todos os capítulos. ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes não são bolsonaristas, e quem vota neles não prometeu nada a ninguém. Nenhum instituto publica o cruzamento direto do voto para governador com o voto para presidente. Se publicasse, este dossiê teria metade do tamanho.
Atlas estadual completo, 15 pesquisas e 5.751 municípios: https://brasil.arvor.co/estaduais_092026.html
Post 7/7 · Fecho · a rota · rota
Arvor Intelligencebrasil.arvor.co · rodada de setembro de 2026
07 / 07
Fecho · a rota
693 mil
O maior estoque de voto bolsonarista do Norte e do Nordeste fica numa capital que a campanha nunca visitou
Manaus tem 692.580 votos de Bolsonaro de 2022, 61,3% do 2º turno. O Amazonas é um dos dez estados fora do roteiro da pré-campanha.
26,6 mi de eleitores sem visitametade do voto do NE em 54 cidadeso cerrado vale menos que uma tarde em Manaus
TSE 2022 por município e eleitorado de 2026. Roteiro: Revista Fórum e BPMoney. Agenda: imprensa local, com link no dossiê.07/07
2200 charsAté 14 de setembro, a campanha tinha percorrido 17 unidades da federação e não tinha ido a dez, todas no Norte e no Nordeste, somando 26,6 milhões de eleitores. A leitura fácil é que ela evitou território hostil. Os números do TSE dizem outra coisa: três desses dez estados Bolsonaro venceu em 2022, e Roraima é o melhor resultado dele em todo o Brasil.
O voto que falta não está no sertão. Está nas capitais. 54 municípios de 1.794, ou 3,0% das cidades do Nordeste, concentram metade de todo o voto que Bolsonaro teve na região. Manaus sozinha guarda 692.580 votos, mais que Fortaleza (633.009) e uma vez e meia Salvador (451.131). Belém tem 427.051.
Duas decisões desta semana mostram o custo do mapa mental errado. Na Bahia, Salvador foi trocada por Vitória da Conquista: 451.131 votos contra 84.019, cinco vezes e meia menos, em troca de um palanque mais confortável. Em Pernambuco, Santa Cruz do Capibaribe saiu da agenda em favor do Recife, e essa foi acertada: a cidade simbólica tem 27 mil votos de Bolsonaro, a capital tem 433.317.
O achado que contraria a nossa própria tese: a rota do MATOPIBA, que todo mundo cita quando fala de agro e Nordeste, soma 38 municípios, 344.366 votos e 1.095.358 eleitores. É metade do que Manaus entrega sozinha, espalhado por quatro estados. O cerrado rende doação, estrutura e pauta. Não rende volume.
A ordem que sai dos números, sem datas e declarada como juízo editorial: Manaus antes de qualquer cidade média; Belém e São Luís no mesmo circuito; Salvador, e não só Conquista; a região metropolitana do Recife inteira; Maceió e Aracaju, onde a campanha nunca pisou; Fortaleza com o palanque estadual na frente, porque lá a rejeição é de 60%.
E o que não fazer, que é a parte que custa voto: não abrir agenda no Nordeste pelo nome nacional, porque lá o palanque estadual tem teto muito maior; não levar discurso de segurança a Roraima, Tocantins e Alagoas, onde saúde vale de duas a cinco vezes mais; e não confundir estoque de 2022 com promessa de 2026, porque voto de quatro anos atrás mede onde o campo já esteve, não onde ele estará.
Rota completa, com o tema de cada estado e o que não dizer: https://brasil.arvor.co/estaduais_092026.html#rota