É onde termina o intervalo da vantagem de 4 pontos no primeiro turno: ela sobrevive por um décimo. Um efeito de desenho de 1,07 a apaga, e só a calibração geográfica já vale 1,033.
O veredito, em cinco cartas
A vantagem de Lula no segundo turno quando a composição de renda passa a ser a da PNAD 2025. O sinal inverte. Uma margem trocada, nenhuma resposta alterada.
As margens sem cota erram sete vezes mais contra a fonte oficial do que as travadas por cota: 8,1% contra 1,2% de erro médio. São exatamente elas que movem o placar.
Do eleitorado dos seis candidatos menores fica com Flávio no segundo turno, pelo cruzamento que a própria Nexus publica. Para cruzar 50% dos válidos já no primeiro turno ele precisaria de cerca de 63% desse mesmo eleitorado.
Nada aqui prova fraude. Tudo aqui mostra que os pesos, o efeito de desenho, as bases brutas e os pontos de corte que permitiriam descartá-la seguem fechados.
Uma disputa aberta e outra por um décimo
Flávio subiu 4 pontos no primeiro turno e 2 no segundo em uma semana, o maior salto da série. No segundo turno a diferença de 1 ponto não sobrevive à margem. No primeiro, a de 4 pontos sobrevive, mas por 0,1 ponto: é a distância entre uma liderança e um empate.
Oito rodadas, dois turnos
Fato · percentuais publicadosUma diferença sobrevive. A outra, não.
Fato · margem da diferençaO movimento aparece no espontâneo (Flávio de 27 para 28, Lula estável em 36), no voto declarado como definitivo (de 73% para 75%) e nos recortes, sempre na mesma direção. Ruído puro não escolhe endereço. O que os dados não sustentam é a palavra virada: em cinco meses de série, Flávio oscila entre 33 e 38, e os 37 de agosto ficam abaixo dos 38 de março: é o segundo maior valor da série, não um mundo novo. E a liderança de 4 pontos no primeiro turno é frágil no sentido técnico: ela depende de o efeito de desenho ficar abaixo de 1,07, número que o instituto não publica e que a calibração geográfica sozinha já quase alcança.
O movimento tem endereço, e não é o que se diz
A leitura corrente atribui o salto de Flávio ao Nordeste. O recorte com o maior deslocamento é outro: a faixa de 1 a 2 salários mínimos, onde a vantagem de Lula de 17 pontos virou desvantagem de 7, uma troca de 24. E há um recorte andando na direção contrária a todo o resto: entre 16 e 24 anos, Lula ganhou 15 pontos.
Quem se moveu, e para que lado
Fato · crosstabs das duas ondasA margem fantasma
Entre as duas ondas, todas as margens travadas por cota ficaram congeladas dígito por dígito. A que mais se moveu foi a religião do entrevistado, que não é cota nem alvo de peso. O relatório cruza religião em nove páginas, mas em nenhuma assinala que a composição religiosa da amostra mudou de uma onda para a outra.
O que ficou parado e o que se moveu
Fato · perfis publicados nas duas ondasComposição religiosa e o contrafactual
Fato e inferência · p. 117 e p. 113Quanto é composição e quanto é opinião
Inferência · decomposição descritivaNada nos documentos sustenta que a mudança tenha sido proposital, e religião não é margem controlável em discagem aleatória: flutuação de composição é o comportamento esperado do método. O achado é estrutural e mais incômodo que má-fé. O número que vira manchete se move por uma margem que ninguém controla, ninguém pondera e cuja mudança ninguém assinala. Sob amostragem aleatória simples a mudança evangélica tem p = 0,0004; seria preciso um efeito de desenho de 3,3 para transformá-la em ruído, e o instituto não publica efeito de desenho nenhum.
A margem que troca o sinal
Trocar a distribuição de renda da amostra pela da PNAD Contínua 2025, sem alterar uma única resposta, leva o segundo turno de Lula +1 para Flávio +1,7. Este capítulo abre a conta inteira: a fórmula, o teorema que explica por que é a renda e não outra margem, a decomposição faixa a faixa e o teste de robustez.
A pergunta que precede a conta. Se o instituto declara ponderar por sexo, idade, escolaridade, região, renda e força de trabalho, por que uma auditoria externa refaz justamente a renda? A resposta corrente é que renda determina o voto mais que as outras divisões. Testamos essa hipótese com os próprios números da Nexus, e ela não se sustenta.
A inclinação política de uma margem pode ser medida: é a distância entre a categoria em que Lula vai melhor e aquela em que vai pior. Nessa régua, região é a margem mais inclinada de todas, com 38,4 pontos de amplitude, seguida de idade, com 37,0. A renda vem só em terceiro lugar, com 32,9, e por uma unha: sexo tem 32,8. Se o critério fosse inclinação, deveríamos estar reponderando região.
O que separa a renda das outras não é a inclinação. É que ela é uma das duas únicas margens que a pesquisa não trava. Sexo, idade e escolaridade entram como cota nos dois documentos, e região entra como cota no registro do TSE, embora o relatório liste DDD no lugar dela (a divergência está no capítulo 09). Cota significa que o entrevistador para de aceitar respondentes quando o estrato enche, e a distribuição final bate com o alvo por construção. Renda e ocupação são declaradas apenas como variáveis de ponderação, sem cota, e é nelas que a amostra se afasta da fonte oficial: 8,7% e 7,6% de erro de calibração, contra 0,2% a 2,8% nas margens travadas.
Daí sai o teorema, e ele é exato, não uma metáfora: o deslocamento que uma margem produz é o produto interno entre o erro de calibração e o gradiente de voto. Como o erro soma zero, a desigualdade de Hölder impõe um teto: o quanto uma margem pode mover o placar nunca passa do produto entre o erro dela e a inclinação dela. Margem travada tem erro perto de zero, e portanto teto perto de zero: ela é inerte por construção, por mais politicamente decisiva que seja. É por isso que região, a margem mais inclinada da pesquisa, move quase dezesseis vezes menos que a renda.
Por que só as margens sem cota movem o placar
Inferência · teorema com os dados da própria pesquisaA conta, aberta
O resultado final é ancorado no topline divulgado: vantagem reponderada = vantagem publicada + Δ. Antes de mexer em qualquer coisa, a mesma máquina reproduz o placar oficial a partir do perfil e do cruzamento publicados, com erro de 0,2 ponto na vantagem e até 0,6 ponto no percentual de cada candidato, resíduo do arredondamento das tabelas. Só depois disso a troca de margem faz sentido.
Onde está o erro e quem cada faixa elege
Fato · perfil publicado contra PNAD 2025Como +1,0 vira −1,7
Inferência · decomposição faixa a faixaQuanto de correção basta, e o que a onda anterior mostra
Inferência · sensibilidade| Régua trocada | Fonte do alvo | Lula | Flávio | Vantagem | Erro de calibração |
|---|---|---|---|---|---|
| Nenhuma, topline publicado | Nexus | 46,0 | 45,0 | Lula +1,0 | n/a |
| Renda, sem cota | PNAD 2025 | 44,7 | 46,4 | Flávio +1,7 | 8,66% |
| Ocupação, sem cota | PNAD 2025 | 46,4 | 44,6 | Lula +1,8 | 7,63% |
| Sexo | TSE jun/2026 | 46,0 | 45,0 | Lula +0,9 | 0,18% |
| Idade | TSE jun/2026 | 46,0 | 45,0 | Lula +1,0 | 1,23% |
| Escolaridade | PNAD 2025 | 45,9 | 45,0 | Lula +0,9 | 2,77% |
| Região | TSE jun/2026 | 45,9 | 45,1 | Lula +0,8 | 0,51% |
| As duas sem cota, somadas | PNAD 2025 | n/a | n/a | Flávio +0,9 | 8,14% médio |
A soma das duas correções de margem única é aproximada: as margens se correlacionam e a calibração oficial é conjunta. Serve como ordem de grandeza, não como reponderação multivariada.
As duas margens sem cota erram quase igual contra a fonte oficial, e puxam para lados opostos. A renda desloca a vantagem em 2,7 pontos para Flávio e a leva a Flávio +1,7; a ocupação desloca 0,8 no sentido oposto e a leva a Lula +1,8. O motor aqui é o excesso de formais, não a falta de informais: a amostra tem 43% de PEA formal contra 36,8% na PNAD, e o formal é o segmento mais anti-Lula da tabela, com 11 pontos de desvantagem. Esse excesso responde por 86% do deslocamento; o déficit de informais, 17% contra 24,2%, empurra na mesma direção e responde pelo resto. Publicamos as duas. Uma auditoria que só mostrasse a correção conveniente não teria sobrevivido a esta tabela.
Não prova que Flávio esteja à frente. Prova que o Lula +1 não sobrevive à troca de uma única margem por uma fonte oficial mais recente, e que a margem em questão é uma das duas que o instituto não trava. E registre-se o que a mesma conta não faz: no primeiro turno ela reduz Lula de 41 x 37 para 39,7 x 38,3, encolhe a vantagem de 4 para 1,5 ponto e não inverte o sinal. A régua não foi calibrada para virar placar: ela vira um e não vira o outro. Não é uma pesquisa corrigida: a ponderação oficial é conjunta e os pesos não são publicados. É análise de sensibilidade, uma margem por vez, sem interações e sem microdados individuais. E o intervalo da diferença no segundo turno, de ±4,2, continua maior que o deslocamento de 2,7 que a renda produz. Amostra por telefone superamostrar quem atende e aceita responder não é escândalo, é física do método. O problema auditável é outro: a Nexus declara calibrar renda pela PNAD, usa a edição de 2024 quando a de 2025 já estava publicada, e não divulga nem os pesos nem a distribuição-alvo. Quando a régua oficial mais recente produz outro vencedor, o mínimo exigível é o arquivo aberto.
A transferência que o instituto mediu
Ao contrário do que se repete, a Nexus publica a matriz de transferência: a página 51 abre o cruzamento entre o voto de primeiro e de segundo turno para o eleitorado de cada candidato menor. Seis das dez origens são medição. Só quatro precisam ser estimadas.
Para onde vai o pool dos candidatos menores
Fato · cruzamento publicado na p. 51O diagrama completo: o que foi medido e o que foi estimado
Fato e inferência, separados na tinta
A razão de consolidação agregada, de 1,66 a 1 para Flávio, é imposta pelas margens publicadas e sobrevive à troca da prior. Já qualquer afirmação sobre fidelidade de base, o número que de fato decide um segundo turno, depende inteiramente das quatro linhas que a Nexus não divulga. A leitura é agregada em qualquer caso: o diagrama não descreve o percurso de eleitores individuais.
O muro que não se moveu
A semana que mexeu no Nordeste, nos homens e no eleitor sem campo não mexeu no maior bloco de todos. Lula vence entre mulheres por 48 a 29 no primeiro turno, o mesmo gap de julho, e marca exatamente 54% nos quatro cenários testados de segundo turno.
Troque o adversário: Lula fica em 54
Fato · quatro cenários, mesma amostraA tesoura: potencial de voto contra rejeição
Fato · pp. 69 e 70A pesquisa mostra o muro; a PNAD mostra o chão sobre o qual ele foi construído. O que vem a seguir é descritivo e não mede voto: a PNAD Contínua não pergunta intenção de voto, religião nem persuasibilidade. Descreve o universo social em que a pesquisa foi a campo.
O país material das mulheres de 16 anos ou mais
Fato · PNAD Contínua 2025 e 2026O paradoxo da renda
Fato · PNAD trimestral 1T/2026A geografia da assimetria
Fato · PNAD anual 2025Os recortes em que Lula vence na Nexus são também aqueles em que a presença material do Estado é maior e a renda própria é menor. Isso é contexto descritivo, não nexo causal. A PNAD não mede voto e a Nexus não mede renda pessoal; ligar as duas coisas exigiria microdados que nenhuma das fontes oferece. E o relatório publica sexo e religião em páginas separadas sem nunca cruzá-los: como 30% da amostra é evangélica e a maioria dos evangélicos brasileiros é mulher, o muro feminino e o muro evangélico se cancelam em algum ponto que nenhum número público permite localizar.
O Nordeste fechou 19 pontos em uma semana
É o maior deslocamento regional da série e também o que mais pede cautela: o estrato tem margem bem maior que a nacional, o relatório não abre unidade da federação, e 55% do território mudou entre as duas ondas.
Vantagem de Lula por região, nas duas ondas
Fato · pp. 29 e 53O relatório publica apenas a região agregada. Atribuir o movimento à Bahia, a Pernambuco ou ao Maranhão é inventar uma abertura que a Nexus não forneceu. O mesmo vale para capitais específicas.
O instrumento mede aversão e chama de identidade
A Nexus reporta 21% de voto em Lula dentro do cluster que chama de bolsonarista convicto. O rótulo não vem de nenhuma pergunta de identidade: vem de notas de sentimento cortadas em pontos que o relatório não publica.
O relatório declara a margem e narra sem ela
Fato · p. 114 contra pp. 12, 23 e 32Probabilístico no registro, cotas no relatório
Os dois documentos do mesmo instituto, sobre a mesma pesquisa, no mesmo dia, descrevem desenhos amostrais incompatíveis. E a margem de ±2 da capa é menor que o piso aritmético da própria amostra.
As camadas da margem de erro
Fato e inferência · registro, campo e sériesOnde a pesquisa foi a campo, contra o eleitorado real
Fato · anexos de municípios e TSE jun/2026A rotação do território entre as ondas
Fato · municipios.pdf das duas rodadasO plano amostral registrado no TSE afirma que cada número telefônico elegível possui probabilidade conhecida de ser selecionado. O relatório, na página 4, afirma que a amostra foi definida por cotas de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD. Não é possível ser os dois: a cota interrompe a seleção quando o estrato enche, e a probabilidade de inclusão deixa de ser conhecida. As duas listas de controle também divergem entre si, e nenhuma menciona renda, que o próprio registro declara ponderar. A margem de ±2 só tem definição formal sob amostragem probabilística; sob cota, é convenção.
As entrevistas dos anexos somam exatamente 2.004 e 2.002, batendo com a capa dos relatórios. As 27 unidades da federação aparecem nas duas ondas. Nenhuma linha de cruzamento transcrita soma fora da tolerância de 99 a 101 que o próprio relatório declara. Não há erro de aritmética a denunciar.
A pesquisa de agosto foi faturada em maio
A nota fiscal depositada no TSE foi emitida em 5 de maio de 2026, com vencimento em 5 de junho, para a pesquisa eleitoral de 1º de agosto. O campo aconteceu de 31 de julho a 2 de agosto.
A linha do tempo dos documentos
Fato · anexos do registro
A leitura correta é outra: o calendário de rodadas de 2026 estava contratado e precificado três meses antes, com data nominal que não coincide nem com o campo nem com a divulgação. A pesquisa é um produto de assinatura com data marcada, não uma reação ao noticiário, e cada rodada deveria ser lida assim. O que o sistema não pede em momento algum é o ato inverso: um documento posterior em que o responsável técnico confirme que o campo declarado foi o campo realizado. Pede-se o compromisso antes e nunca a confirmação depois.
O e-mail do prestador na nota fiscal é juridico@fsb.com.br e o questionário registrado traz o timbre FSB holding ao lado da marca Nexus. O pertencimento do instituto à holding FSB, grupo cuja receita inclui contratos de publicidade com o governo federal, deixa de ser contexto e passa a constar em documento primário depositado no tribunal. Isso não invalida um número sequer desta pesquisa. Torna a abertura do arquivo mais necessária, não menos: quem tem conflito potencial se audita abrindo dados.
Cinco blindagens
A conta foi construída para separar o que a Nexus mediu do que esta auditoria estima, e para sobreviver a leitura hostil.
As séries, os cruzamentos e os perfis vêm dos relatórios de 27/07 e 03/08, transcritos e conferidos contra a página renderizada.
A máquina reproduz o placar publicado a partir do perfil e do cruzamento oficiais, com erro de 0,2 ponto na vantagem, antes de qualquer reponderação.
Cada linha da tabela troca uma única distribuição e ancora no topline. Sem interações, sem microdados, sem calibração multivariada.
Preenchimento sólido é número publicado. Trama hachurada é conta desta auditoria. Vale para a cascata, para o contrafactual e para o diagrama de transferência.
O arredondamento das tabelas deixa o gap entre −1,78 e −1,61. A incerteza da própria PNAD, por 200 pesos replicados, deixa o deslocamento entre −2,79 e −2,63.
Três blocos de cruzamento de renda estavam mal transcritos na primeira versão e foram conferidos de novo contra a página renderizada. As faixas etárias da Nexus são 16 a 24, 25 a 40, 41 a 59 e 60 ou mais, e não as que usamos inicialmente: nas faixas corretas a cota de idade reproduz o eleitorado do TSE com desvio máximo de 0,73 ponto, ou seja, idade não é um problema desta pesquisa e a versão anterior sugeria que era. E a afirmação de que nenhum instituto publica matriz de transferência era falsa para esta rodada: a Nexus publica seis das dez linhas na página 51.
Documentos e código
Relatórios, questionários, registros, municípios, nota fiscal e declaração do estatístico foram arquivados por onda. A base analítica publicada traz o hash SHA-256 de cada documento.
- [01]Nexus, pesquisa divulgada em 03/08/2026Relatório, questionário, municípios, registro e nota fiscal
- [02]Nexus, pesquisa divulgada em 27/07/2026Rodada comparável anterior
- [03]TSE, Perfil do Eleitorado AtualCompetência jun. 2026; exterior excluído
- [04]IBGE, PNAD Contínua anual 2025 e trimestral 1T/2026Pessoas de 16 anos ou mais; pesos oficiais e 200 réplicas
- [05]Base analítica desta auditoriaJSON com toda a conta, o teorema das margens e os hashes
- [06]Base analítica das mulheres na PNADJSON com renda, trabalho, chefia e recorte regional
- [07]Scripts de reproduçãonexus-btg-082026-audit.py, -mulheres.py e os geradores de figuras
- [08]Thread pública desta auditoria26 posts com cards prontos para publicação
Publicação independente. A Arvor Intelligence não foi contratada por BTG Pactual, Nexus, partido ou candidatura. Resultados de subgrupos são arredondados e têm incerteza maior que o total nacional. Retratos e fotografias de contexto: Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Atualizado em 4 de agosto de 2026.
