Arvor Intelligence
Arvor Intelligence Auditoria eleitoral · peça n.º 11 · 04/08/2026

BTG/Nexus · 8ª rodada · perícia estatística e documental

A margem que troca o sinal

Lula 41, Flávio Bolsonaro 37. No segundo turno, 46 a 45. A diferença do segundo turno não sobrevive à margem de erro, e a do primeiro sobrevive por 0,1 ponto, o que um efeito de desenho de 1,07 já apagaria. Mas o achado desta rodada não é o placar: é por que ele se move. Das seis margens que compõem a amostra, quatro estão travadas por cota e não podem mudar o resultado, por mais politicamente inclinadas que sejam. Duas não têm cota, erram feio contra a fonte oficial e puxam para lados opostos. Trocar apenas a renda pela PNAD Contínua 2025 leva o segundo turno a Flávio 46,4 × 44,7. Trocar apenas a ocupação leva a Lula 46,4 × 44,6. O que decide não é a régua: é qual margem ninguém está segurando.

−1,7 gap com a renda da PNAD 8,7% erro de calibração da renda 1,2% erro médio das margens com cota 5 pts a religião mudou em 7 dias 45,9% do pool que Flávio capta, medido 05/05 a nota fiscal do campo de agosto
Registro
BR-02874/2026
Data do registro
28/07/2026
Campo
31/07–02/08/2026
Divulgação
03/08/2026
Amostra
2.002 eleitores
Método
CATI com RDD
Municípios
748
Contratante
BTG Pactual
Valor
R$ 164.888,89
Margem divulgada
±2 pontos

O veredito, em cinco cartas

Fato +0,1

É onde termina o intervalo da vantagem de 4 pontos no primeiro turno: ela sobrevive por um décimo. Um efeito de desenho de 1,07 a apaga, e só a calibração geográfica já vale 1,033.

Sensibilidade −1,7

A vantagem de Lula no segundo turno quando a composição de renda passa a ser a da PNAD 2025. O sinal inverte. Uma margem trocada, nenhuma resposta alterada.

Fato

As margens sem cota erram sete vezes mais contra a fonte oficial do que as travadas por cota: 8,1% contra 1,2% de erro médio. São exatamente elas que movem o placar.

Fato 45,9%

Do eleitorado dos seis candidatos menores fica com Flávio no segundo turno, pelo cruzamento que a própria Nexus publica. Para cruzar 50% dos válidos já no primeiro turno ele precisaria de cerca de 63% desse mesmo eleitorado.

Veredito Opacidade

Nada aqui prova fraude. Tudo aqui mostra que os pesos, o efeito de desenho, as bases brutas e os pontos de corte que permitiriam descartá-la seguem fechados.

Cap. 01

Uma disputa aberta e outra por um décimo

Flávio subiu 4 pontos no primeiro turno e 2 no segundo em uma semana, o maior salto da série. No segundo turno a diferença de 1 ponto não sobrevive à margem. No primeiro, a de 4 pontos sobrevive, mas por 0,1 ponto: é a distância entre uma liderança e um empate.

Oito rodadas, dois turnos

Fato · percentuais publicados
1º TURNO, VOTO ESTIMULADOúltima rodada33%36%39%42%30/0327/0425/0515/0629/0613/0727/0703/083841Lula 41Flávio 37942º TURNO, LULA × FLÁVIOúltima rodada42%45%48%51%30/0327/0425/0515/0629/0613/0727/0703/084646Lula 46Flávio 4541O número dentro do pino é a diferença entre as duas linhas naquela rodada, em pontos. Em uma semana ela caiu de 9 para 4 no 1º turno e de 4 para 1 no 2º.Os dois painéis usam o mesmo tamanho de ponto no eixo vertical, então a inclinação de um é comparável à do outro.
Como ler: cada linha é a intenção de voto estimulada divulgada pela Nexus em cada rodada, de 30 de março a 3 de agosto de 2026. A diferença do primeiro turno caiu de 9 pontos em 27/07 para 4 em 03/08; a do segundo, de 4 para 1. Fonte: relatórios das oito ondas.

Uma diferença sobrevive. A outra, não.

Fato · margem da diferença
−4−20+2+4+6+8pontosEMPATEmargem da diferença sob amostra aleatória simplescom o efeito de desenho da calibração por UF (1,033)1º turnoLula 41 × Flávio 37+4diferença publicada+0,1+7,9a ponta de baixo encosta no empate: sobra 0,1 ponto2º turnoLula 46 × Flávio 45+1−3,2+5,2o intervalo contém o empate e contém Flávio na frenteA calibração por UF alarga a margem em 0,06 ponto. O que sustenta a incerteza não é o desenho, são as 2.002 entrevistas.
Como ler: a barra grossa é o intervalo de 95% da diferença entre os dois candidatos sob amostragem aleatória simples; a barra fina e hachurada acrescenta o efeito de desenho que medimos na calibração geográfica (1,033). O intervalo do segundo turno contém o zero e portanto contém também o cenário em que Flávio está à frente. O do primeiro turno não contém, mas termina em +0,1: a liderança existe e cabe num décimo de ponto.
O que sustenta a palavra reação

O movimento aparece no espontâneo (Flávio de 27 para 28, Lula estável em 36), no voto declarado como definitivo (de 73% para 75%) e nos recortes, sempre na mesma direção. Ruído puro não escolhe endereço. O que os dados não sustentam é a palavra virada: em cinco meses de série, Flávio oscila entre 33 e 38, e os 37 de agosto ficam abaixo dos 38 de março: é o segundo maior valor da série, não um mundo novo. E a liderança de 4 pontos no primeiro turno é frágil no sentido técnico: ela depende de o efeito de desenho ficar abaixo de 1,07, número que o instituto não publica e que a calibração geográfica sozinha já quase alcança.

Cap. 02

O movimento tem endereço, e não é o que se diz

A leitura corrente atribui o salto de Flávio ao Nordeste. O recorte com o maior deslocamento é outro: a faixa de 1 a 2 salários mínimos, onde a vantagem de Lula de 17 pontos virou desvantagem de 7, uma troca de 24. E há um recorte andando na direção contrária a todo o resto: entre 16 e 24 anos, Lula ganhou 15 pontos.

+14,1Flávio na faixa de 1 a 2 SM, o maior ganho da rodada
+15,3Lula entre 16 e 24 anos, o único recorte que anda ao contrário
+9,8Flávio no Nordeste, o segundo maior ganho
+0,7Flávio entre mulheres: o muro não se moveu

Quem se moveu, e para que lado

Fato · crosstabs das duas ondas
variação em pontos no 1º turno, de 27/07 para 03/08, dentro de cada recorteFlávio perdeFlávio ganha1 a 2 SMF +14,1 L −10,1NordesteF +9,8 L −9,6FundamentalF +9,3 L −10,041 a 59F +7,4 L −0,6CatólicosF +6,7 L −3,5HomensF +6,4 L −2,625 a 40F +6,1 L −5,1SuperiorF +5,1 L 0,0PEA informalF +5,1 L −2,0Fora da forçaF +4,0 L −7,1SulF +4,0 L −4,0SudesteF +3,3 L +1,4PEA formalF +2,6 L +3,72 a 5 SMF +1,8 L +2,760 ou maisF +1,7 L −4,5Até 1 SMF +1,5 L −5,1MulheresF +0,7 L +0,5Mais de 5 SMF +0,6 L +4,7DesocupadosF −0,3 L +0,6EvangélicosF −0,5 L −0,3MédioF −2,0 L +5,0Outras religiõesF −2,0 L +11,1Sem religiãoF −2,5 L +3,0Norte/Centro-OesteF −5,4 L +6,716 a 24F −9,7 L +15,3O maior deslocamento não é o Nordeste: é a faixa de 1 a 2 salários mínimos, que virou 24 pontos.E o eleitor de 16 a 24 anos foi na direção oposta à de todo o resto: Lula +15,3 ali.FlávioLulaPercentuais normalizados para 100 dentro de cada linha, o que muda o dígito ante o publicado.
Como ler: cada linha é um recorte publicado nas duas ondas. A barra azul é a variação de Flávio entre 27/07 e 03/08; a vermelha, a de Lula. Barras para o mesmo lado significam que os dois ganharam ou perderam juntos, à custa dos demais candidatos ou do branco e nulo. Percentuais normalizados para 100 dentro de cada linha, o que muda o dígito em relação ao publicado. Recortes têm margem bem maior que o total nacional: nenhuma linha isolada sustenta conclusão sozinha.
Cap. 03

A margem fantasma

Entre as duas ondas, todas as margens travadas por cota ficaram congeladas dígito por dígito. A que mais se moveu foi a religião do entrevistado, que não é cota nem alvo de peso. O relatório cruza religião em nove páginas, mas em nenhuma assinala que a composição religiosa da amostra mudou de uma onda para a outra.

O que ficou parado e o que se moveu

Fato · perfis publicados nas duas ondas
012345VARIAÇÃO MÁXIMA DE UMA CATEGORIA, EM PONTOS27/0703/08as margens de cota repetem os mesmos dígitos nas duas ondas0,0Sexocota53 · 4753 · 470,0Idadecota12 · 30 · 34 · 2412 · 30 · 34 · 240,0Escolaridadecota36 · 41 · 2336 · 41 · 230,0Regiãocota só no TSE16 · 28 · 42 · 1416 · 28 · 42 · 141,0Rendaponderação23 · 17 · 40 · 2022 · 18 · 40 · 215,0Religiãolivre53 · 25 · 9 · 1248 · 30 · 9 · 12Cota é a margem que o instituto obriga a bater. Ponderação é declarada na ficha do TSE sem virar cota. Livre não aparece em nenhum dos dois documentos.
Como ler: variação da composição da amostra entre 27/07 e 03/08, margem a margem. Sexo, idade, escolaridade e região são cotas declaradas no registro TSE e não variam um dígito sequer. Religião, que não é cota, troca 5 pontos de católico por evangélico em sete dias.

Composição religiosa e o contrafactual

Fato e inferência · p. 117 e p. 113
COMPOSIÇÃO RELIGIOSA DA AMOSTRA2º TURNO, LULA × FLÁVIO27/07532591203/084830912CatólicosEvangélicosOutras religiõesSem religião−5+500PUBLICADO EM 03/08vantagem +1,0escala ampliadaLula46,0Flávio45,0REPRODUZIDO PELO MODELOvantagem +0,8Lula45,8Flávio45,0MESMAS RESPOSTAS DE 03/08,PERFIL RELIGIOSO DE 27/07vantagem +2,8inferênciaLula46,8Flávio44,0Só a troca do perfil religioso devolve +1,8 ponto de vantagem a Lula.Perfis publicados na p. 117 de julho e na p. 113 de agosto.
Como ler: à esquerda, a composição religiosa da amostra nas duas ondas. À direita, o segundo turno publicado e o contrafactual: as respostas de agosto pesadas pela composição religiosa de julho. Com o perfil da semana anterior, o mesmo campo imprimiria 46,8 × 44,0, vantagem de 2,8 pontos, não de 1. A barra hachurada é conta desta auditoria.

Quanto é composição e quanto é opinião

Inferência · decomposição descritiva
1º TURNO2º TURNO0Lula−1,43totalcomposição −1,05comportamento −0,55interação +0,17Flávio+3,78totalcomposição +1,19comportamento +2,95interação −0,360Lula−1,83totalcomposição −1,26comportamento −0,82interação +0,25Flávio+2,22totalcomposição +1,31comportamento +1,31interação −0,40trama = decomposição descritiva sobre percentuais publicados, nenhum elo medidoNo 2º turno a composição responde por 69% do recuo de Lula e por 59% do avanço de Flávio.No 1º turno o avanço de Flávio é sobretudo comportamento, 2,95 contra 1,19.
Como ler: a variação de cada candidato entre as ondas, separada em duas parcelas: a que vem de a amostra ter mudado de composição religiosa e a que vem de eleitores do mesmo grupo terem mudado de opinião. No segundo turno, a composição responde por 69% do recuo de Lula, 59% do avanço de Flávio e 63% do estreitamento total. No primeiro turno o voto evangélico não se moveu: Lula 28 e Flávio 50 nas duas ondas. No segundo ele se moveu pouco e contra a manchete: Flávio caiu de 62 para 59 dentro do segmento, enquanto o segmento crescia 5 pontos na amostra.
O que não afirmamos

Nada nos documentos sustenta que a mudança tenha sido proposital, e religião não é margem controlável em discagem aleatória: flutuação de composição é o comportamento esperado do método. O achado é estrutural e mais incômodo que má-fé. O número que vira manchete se move por uma margem que ninguém controla, ninguém pondera e cuja mudança ninguém assinala. Sob amostragem aleatória simples a mudança evangélica tem p = 0,0004; seria preciso um efeito de desenho de 3,3 para transformá-la em ruído, e o instituto não publica efeito de desenho nenhum.

Cap. 04

A margem que troca o sinal

Trocar a distribuição de renda da amostra pela da PNAD Contínua 2025, sem alterar uma única resposta, leva o segundo turno de Lula +1 para Flávio +1,7. Este capítulo abre a conta inteira: a fórmula, o teorema que explica por que é a renda e não outra margem, a decomposição faixa a faixa e o teste de robustez.

A pergunta que precede a conta. Se o instituto declara ponderar por sexo, idade, escolaridade, região, renda e força de trabalho, por que uma auditoria externa refaz justamente a renda? A resposta corrente é que renda determina o voto mais que as outras divisões. Testamos essa hipótese com os próprios números da Nexus, e ela não se sustenta.

A inclinação política de uma margem pode ser medida: é a distância entre a categoria em que Lula vai melhor e aquela em que vai pior. Nessa régua, região é a margem mais inclinada de todas, com 38,4 pontos de amplitude, seguida de idade, com 37,0. A renda vem só em terceiro lugar, com 32,9, e por uma unha: sexo tem 32,8. Se o critério fosse inclinação, deveríamos estar reponderando região.

O que separa a renda das outras não é a inclinação. É que ela é uma das duas únicas margens que a pesquisa não trava. Sexo, idade e escolaridade entram como cota nos dois documentos, e região entra como cota no registro do TSE, embora o relatório liste DDD no lugar dela (a divergência está no capítulo 09). Cota significa que o entrevistador para de aceitar respondentes quando o estrato enche, e a distribuição final bate com o alvo por construção. Renda e ocupação são declaradas apenas como variáveis de ponderação, sem cota, e é nelas que a amostra se afasta da fonte oficial: 8,7% e 7,6% de erro de calibração, contra 0,2% a 2,8% nas margens travadas.

Daí sai o teorema, e ele é exato, não uma metáfora: o deslocamento que uma margem produz é o produto interno entre o erro de calibração e o gradiente de voto. Como o erro soma zero, a desigualdade de Hölder impõe um teto: o quanto uma margem pode mover o placar nunca passa do produto entre o erro dela e a inclinação dela. Margem travada tem erro perto de zero, e portanto teto perto de zero: ela é inerte por construção, por mais politicamente decisiva que seja. É por isso que região, a margem mais inclinada da pesquisa, move quase dezesseis vezes menos que a renda.

Por que só as margens sem cota movem o placar

Inferência · teorema com os dados da própria pesquisa
cada margem: o quanto ela inclina o voto × o quanto a amostra erra nela0%2%4%6%8%010203040amplitude do gradiente de voto, em pontoserro de calibração da amostralimite 1limite 2Rendamove −2,70Ocupaçãomove +0,81Regiãomove −0,17Escolaridademove −0,10Sexomove −0,06Idademove −0,04Bolha âmbar: margem sem cota. Bolha azul: margem travada por cota.O tamanho da bolha é o deslocamento que a margem produz.Deslocamento produzidoem pontos de vantagempara Fláviopara LulaRendasem cota−2,70Ocupaçãosem cota+0,81Regiãocota−0,17Escolaridadecota−0,10Sexocota−0,06Idadecota−0,04As duas margens sem cota erram muitoe puxam para lados opostos. Somadas,ainda invertem o sinal: −0,89.
Como ler: no eixo horizontal, a inclinação política da margem, medida pela amplitude do gradiente de voto entre suas categorias. No vertical, o erro de calibração da amostra contra a fonte oficial. As curvas tracejadas são o teto de Hölder: nenhuma margem pode deslocar o placar mais que o produto das suas duas coordenadas. As bolhas âmbar são as duas margens sem cota; as azuis, as travadas. Toda a ação está no alto, e no alto só há margem sem cota.

A conta, aberta

Δ=Σc (tc wc) ×vc
|Δ| erro de calibração×amplitude do gradiente
Δo deslocamento da vantagem de Lula sobre Flávio, em pontos, ao trocar uma margem
tca fatia da categoria c na fonte oficial, aqui a PNAD Contínua anual 2025 para pessoas de 16 anos ou mais
wca fatia da mesma categoria no perfil publicado da amostra
vca vantagem de Lula dentro da categoria c, tal como a Nexus publicou no cruzamento

O resultado final é ancorado no topline divulgado: vantagem reponderada = vantagem publicada + Δ. Antes de mexer em qualquer coisa, a mesma máquina reproduz o placar oficial a partir do perfil e do cruzamento publicados, com erro de 0,2 ponto na vantagem e até 0,6 ponto no percentual de cada candidato, resíduo do arredondamento das tabelas. Só depois disso a troca de margem faz sentido.

Onde está o erro e quem cada faixa elege

Fato · perfil publicado contra PNAD 2025
Quanto pesa cada faixa% do eleitorado de 16 anos ou maisamostra NexusPNAD Contínua 20250%10%20%30%40%21,8%13,5%Até 1 SMerro −8,28 pp17,8%21,9%1 a 2 SMerro +4,12 pp39,6%39,2%2 a 5 SMerro −0,37 pp20,8%25,3%Mais de 5 SMerro +4,54 ppQuem cada faixa elegevantagem no 2º turno: vermelho, Lula; azul, Flávio+26−6−5−7A amostra tem 8,3 pontos a mais exatamente na única faixa em que Lula vence, e por 26.Nas outras três, a vantagem é de Flávio e praticamente idêntica: a escala é um degrau, não uma rampa.
Como ler: em cima, quanto cada faixa de renda pesa na amostra da Nexus e no Brasil medido pela PNAD, com o intervalo de confiança da PNAD calculado por 200 pesos replicados. Embaixo, a vantagem de Lula dentro de cada faixa, publicada no cruzamento da p. 53. O excesso de 8,3 pontos da amostra está exatamente na única faixa em que Lula vence, e vence por 26. Nas outras três a vantagem é de Flávio e varia menos de 2 pontos entre elas.

Como +1,0 vira −1,7

Inferência · decomposição faixa a faixa
vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno, em pontos+10−1−2empate+1,0publicado46 × 45Até 1 SMerro −8,3 pp× voto +26= −2,1541 a 2 SMerro +4,1 pp× voto −6= −0,2472 a 5 SMerro −0,4 pp× voto −5= +0,0185+ SMerro +4,5 pp× voto −7= −0,314−1,7reponderado44,7 × 46,4A faixa até 1 salário mínimo responde por 80% do deslocamento. As outras três somam meio ponto.Barra sólida: número publicado pela Nexus. Barra hachurada: conta desta auditoria.
Como ler: cada degrau é o erro de calibração da faixa multiplicado pela vantagem de Lula naquela faixa. A soma dos quatro degraus é o Δ da fórmula. A faixa até 1 salário mínimo responde sozinha por 80% do deslocamento: o excesso de 8,3 pontos ali equivale a cerca de 166 entrevistas fora do lugar em 2.002.

Quanto de correção basta, e o que a onda anterior mostra

Inferência · sensibilidade
vantagem de Lula no 2º turno conforme a renda caminha do perfil da amostra ao da PNAD+4+3+2+10−1−2Lula na frenteFlávio na frente0%25%50%75%100%perfil da amostraperfil da PNAD+1,0−1,703/08+4,0+0,927/0737,1% do caminho bastaO ponto de virada37,1%da correção já zera a vantagemA faixa até 1 SM teria de valer 18,7%em vez dos 21,8% da amostra.O viés não cresceu−3,13em 27/07−2,70em 03/08Em julho o desvio era maior e Lulaseguia na frente. O que encolheufoi a vantagem, não o viés.
Como ler: o eixo horizontal caminha da composição de renda da amostra, à esquerda, até a da PNAD, à direita. Não é preciso aceitar a correção inteira: 37,1% do caminho já zera a vantagem, o que equivale à faixa até 1 salário mínimo valer 18,7% em vez de 21,8%. A linha cinza é a rodada de 27/07 sob a mesma régua, e é ela que blinda o achado: em julho o desvio de composição era maior (−3,13 contra −2,70) e ainda assim Lula seguia na frente. O viés não cresceu; o que encolheu foi a vantagem publicada.
Segundo turno sob cada régua, uma margem por vez
Régua trocadaFonte do alvoLulaFlávioVantagemErro de calibração
Nenhuma, topline publicadoNexus46,045,0Lula +1,0n/a
Renda, sem cotaPNAD 202544,746,4Flávio +1,78,66%
Ocupação, sem cotaPNAD 202546,444,6Lula +1,87,63%
SexoTSE jun/202646,045,0Lula +0,90,18%
IdadeTSE jun/202646,045,0Lula +1,01,23%
EscolaridadePNAD 202545,945,0Lula +0,92,77%
RegiãoTSE jun/202645,945,1Lula +0,80,51%
As duas sem cota, somadasPNAD 2025n/an/aFlávio +0,98,14% médio

A soma das duas correções de margem única é aproximada: as margens se correlacionam e a calibração oficial é conjunta. Serve como ordem de grandeza, não como reponderação multivariada.

A prova de que a régua não foi escolhida a dedo

As duas margens sem cota erram quase igual contra a fonte oficial, e puxam para lados opostos. A renda desloca a vantagem em 2,7 pontos para Flávio e a leva a Flávio +1,7; a ocupação desloca 0,8 no sentido oposto e a leva a Lula +1,8. O motor aqui é o excesso de formais, não a falta de informais: a amostra tem 43% de PEA formal contra 36,8% na PNAD, e o formal é o segmento mais anti-Lula da tabela, com 11 pontos de desvantagem. Esse excesso responde por 86% do deslocamento; o déficit de informais, 17% contra 24,2%, empurra na mesma direção e responde pelo resto. Publicamos as duas. Uma auditoria que só mostrasse a correção conveniente não teria sobrevivido a esta tabela.

O que este capítulo não prova

Não prova que Flávio esteja à frente. Prova que o Lula +1 não sobrevive à troca de uma única margem por uma fonte oficial mais recente, e que a margem em questão é uma das duas que o instituto não trava. E registre-se o que a mesma conta não faz: no primeiro turno ela reduz Lula de 41 x 37 para 39,7 x 38,3, encolhe a vantagem de 4 para 1,5 ponto e não inverte o sinal. A régua não foi calibrada para virar placar: ela vira um e não vira o outro. Não é uma pesquisa corrigida: a ponderação oficial é conjunta e os pesos não são publicados. É análise de sensibilidade, uma margem por vez, sem interações e sem microdados individuais. E o intervalo da diferença no segundo turno, de ±4,2, continua maior que o deslocamento de 2,7 que a renda produz. Amostra por telefone superamostrar quem atende e aceita responder não é escândalo, é física do método. O problema auditável é outro: a Nexus declara calibrar renda pela PNAD, usa a edição de 2024 quando a de 2025 já estava publicada, e não divulga nem os pesos nem a distribuição-alvo. Quando a régua oficial mais recente produz outro vencedor, o mínimo exigível é o arquivo aberto.

Cap. 05

A transferência que o instituto mediu

Ao contrário do que se repete, a Nexus publica a matriz de transferência: a página 51 abre o cruzamento entre o voto de primeiro e de segundo turno para o eleitorado de cada candidato menor. Seis das dez origens são medição. Só quatro precisam ser estimadas.

Para onde vai o pool dos candidatos menores

Fato · cruzamento publicado na p. 51
Para onde vai o eleitorado dos seis candidatos menores15,2 pontos do 1º turno, repartidos pelo cruzamento publicado na p. 5145,9%6,95 pontosFlávio31,5%4,78 pontosBranco ou nulo19,5%2,96 pontosLulaNão sabeFlávio capta 45,9% deste pool no 2º turno. Para vencer no 1º precisaria de cerca de 63% dele.Quase um terço desse eleitorado escolhe branco ou nulo em vez dos dois finalistas.Razão medida entre os finalistas: 2,35 a 1 para Flávio. Medição do instituto, não estimativa nossa.
Como ler: o eleitorado somado de Caiado, Renan, Zema, Cury, Daciolo e Samara vale 15,2 pontos do primeiro turno. A barra mostra como esse eleitorado se reparte no segundo turno, pelo próprio levantamento da Nexus. A razão entre os dois finalistas, 2,35 a 1 para Flávio, é medida, não inferida. Atenção ao que a barra mede: destino em uma cédula de dois nomes no segundo turno, que não é a mesma coisa que abandono de candidatura no primeiro.

O diagrama completo: o que foi medido e o que foi estimado

Fato e inferência, separados na tinta
1º TURNO2º TURNOLula 41,4Flávio 37,4Caiado 5,0Renan 4,0Zema 3,0Cury 1,0Daciolo 1,0Samara 1,0B/N 4,0NS 3,0Lula 46Flávio 45B/N 8NS 2fita e rótulo em âmbar: cruzamento publicado pela Nexus na p. 51, medição do institutofita hachurada: estimativa por IPF nas quatro origens que a Nexus não publica
Como ler: as fitas sólidas, com rótulo em âmbar na origem, vêm do cruzamento publicado. As fitas hachuradas são estimadas por ajuste proporcional iterativo contra uma prior ideológica explícita, e existem porque a Nexus não publica quatro linhas: a fidelidade da base de Lula, a da base de Flávio, e o destino de quem votou branco, nulo ou estava indeciso. Essas quatro valem 85 dos 100 pontos, e incluem o número que decide um segundo turno.
45,9%do pool fica com Flávio, medido
≈63%do mesmo pool seria necessário para vencer no primeiro turno
31,5%desse eleitorado escolhe branco ou nulo
1,66:1razão de consolidação agregada, era 2:1 em julho
Página 51 do relatório Nexus com o cruzamento entre voto de primeiro e segundo turno
Relatório BTG/Nexus de 03/08/2026, p. 51. Seis origens medidas; as quatro maiores ficam de fora. Bases ponderadas pequenas e bases brutas não publicadas.
O que sobrevive e o que não sobrevive

A razão de consolidação agregada, de 1,66 a 1 para Flávio, é imposta pelas margens publicadas e sobrevive à troca da prior. Já qualquer afirmação sobre fidelidade de base, o número que de fato decide um segundo turno, depende inteiramente das quatro linhas que a Nexus não divulga. A leitura é agregada em qualquer caso: o diagrama não descreve o percurso de eleitores individuais.

Cap. 06

O muro que não se moveu

A semana que mexeu no Nordeste, nos homens e no eleitor sem campo não mexeu no maior bloco de todos. Lula vence entre mulheres por 48 a 29 no primeiro turno, o mesmo gap de julho, e marca exatamente 54% nos quatro cenários testados de segundo turno.

Troque o adversário: Lula fica em 54

Fato · quatro cenários, mesma amostra
2º turno entre mulheres · BTG/Nexus 03/08/2026Lulaadversáriobranco e nulonão sabeLula contra% de intenção de voto no 2º turno54nos quatro cenáriosFlávio Bolsonarop. 5254Flávio 3773homens 37Romeu Zemap. 5454Zema 31114homens 37Ronaldo Caiadop. 5654Caiado 32113homens 37Renan Santosp. 5854Renan 29133homens 38A linha fina é Lula entre homens. Ele não se mexe ao trocar de adversário: o que cresce é o branco e nulo, de 7 para 13. Margem por sexo: ±3, p. 114.
Como ler: cada barra é um cenário de segundo turno entre as mulheres, medido nas mesmas 2.002 entrevistas. Lula não se move: 54, 54, 54, 54. O que o adversário perde ao trocar de nome não vai para Lula, vai para branco e nulo, que sobe de 7 para 13. O muro não é elasticidade de Lula: é o campo adversário que não retém voto feminino quando troca de candidato.

A tesoura: potencial de voto contra rejeição

Fato · pp. 69 e 70
POTENCIAL DE VOTO% · p. 69REJEIÇÃO% · p. 70MULHERESLula5940Flávio3956HOMENSLula3959Flávio564237 = o que ele já recebe no 2º turnoFlávio já recebe 37% entre mulheres no 2º turno e declara 39% de potencial: sobram 2 pontos de folga.A rejeição a ele entre mulheres é 56%, contra 40% de rejeição a Lula. Entre homens a ordem se inverte.
Como ler: à esquerda o potencial declarado de voto, à direita a rejeição. O teto de Flávio entre mulheres, 39%, fica apenas 2 pontos acima do que ele já obtém no segundo turno contra Lula. Dentro desta amostra não há folga feminina a converter, e a eleição é um referendo de sexo nas duas direções: 56% das mulheres não votariam em Flávio, 59% dos homens não votariam em Lula.

A pesquisa mostra o muro; a PNAD mostra o chão sobre o qual ele foi construído. O que vem a seguir é descritivo e não mede voto: a PNAD Contínua não pergunta intenção de voto, religião nem persuasibilidade. Descreve o universo social em que a pesquisa foi a campo.

O país material das mulheres de 16 anos ou mais

Fato · PNAD Contínua 2025 e 2026
PNAD Contínua · trimestral 1ºT/2026 (renda, trabalho, escolaridade) e anual 2025 1ª visita (Bolsa Família, chefia)mulhereshomensponta translúcida = intervalo de 95% por réplicasRenda média do trabalhoR$ por mês, abr/2026mulheresR$ 3.631,70homensR$ 4.512,72abaixo deles0,80×mulher / homemParticipação na força de trabalho% das pessoas de 16+mulheres54,2%homens74,5%abaixo deles0,73×mulher / homemEnsino superior% das pessoas de 16+mulheres27,7%homens22,5%acima deles1,23×mulher / homemBolsa Família em nome próprio% das pessoas de 16+mulheres13,7%homens1,8%quase só ela7,65×mulher / homemChefia do domicílio% dos domicíliosmulheres52,4%homens47,6%acima deles1,10×mulher / homemTrabalho doméstico% dos ocupadosmulheres11,3%homens0,8%quase só ela14,41×mulher / homemEla é mais escolarizada e chefia mais domicílios. Ainda assim, sua renda média do trabalho é 19,5% menor que a deles.
Como ler: cada par compara mulheres e homens no mesmo indicador, com a razão entre os dois destacada. Duas inversões organizam o retrato: ela é mais escolarizada e chefia mais domicílios, e ainda assim ganha menos. E o Estado chega a ela em nome próprio: em 13,7% dos casos são as mulheres adultas que declaram receber o Bolsa Família, contra 1,8% dos homens, o que reflete a titularidade preferencial feminina do programa. A PNAD registra a declaração do morador, não o cadastro.

O paradoxo da renda

Fato · PNAD trimestral 1T/2026
razão entre a renda média do trabalho: mulher / homem0,600,650,700,750,800,85Agregado: todas as ocupadas com rendimento0,805dentro de cada nível de escolaridade:Só entre quem tem fundamentalR$ 1.665 × R$ 2.5020,666Só entre quem tem médioR$ 2.322 × R$ 3.3240,699Só entre quem tem superiorR$ 5.824 × R$ 8.6370,674O agregado sobe por composição, não por paridade.composição por escolaridade das ocupadas (%)mulheres16,942,540,6homens28,045,326,7fundamentalmédiosuperior40,6% delas têm superior, contra 26,7% deles.É essa composição, e não paridade salarial,que empurra a razão agregada para cima.
Como ler: a razão agregada entre a renda do trabalho das mulheres e a dos homens é 0,805. Dentro de cada nível de escolaridade, porém, ela cai para algo entre 0,67 e 0,70. O agregado sobe por composição, não por paridade: a mulher ocupada é mais escolarizada que o homem ocupado, e é essa diferença de composição que disfarça o tamanho real da distância.

A geografia da assimetria

Fato · PNAD anual 2025
Mulheres de 16 anos ou mais · PNAD Contínua anual 2025, 1ª visita · renda a preços de abr/2026 · ponta translúcida = intervalo de 95%O degrau não é gradual: do Sul ao Nordeste a renda cai à metade e a dependência de transferência quase quintuplica.renda per capita médiado domicílio (R$)vive em domicílio deaté 1 salário mínimo (%)vive em domicílio comBolsa Família (%)peso no total de mulheresadultas do país (%)Sul3.0098,57,514,8Centro-Oeste2.9709,512,77,8Sudeste2.91310,511,342,6Norte1.73018,035,58,0Nordeste1.62125,235,026,8o degrauNorte e Nordeste concentram a pobreza feminina do país46,0% das mulheres que vivem em domicílio de até um salário mínimo estão no Nordeste, que abriga 26,8% das mulheres adultas do país.
Como ler: renda domiciliar per capita média das mulheres de 16 anos ou mais em cada região, contra a fatia delas que vive com até um salário mínimo per capita. A nordestina vive com 54% da renda média da sulista, e o Nordeste concentra 26,8% das mulheres adultas do país e 46% de todas as que vivem na faixa mais pobre.
A ponte que não existe

Os recortes em que Lula vence na Nexus são também aqueles em que a presença material do Estado é maior e a renda própria é menor. Isso é contexto descritivo, não nexo causal. A PNAD não mede voto e a Nexus não mede renda pessoal; ligar as duas coisas exigiria microdados que nenhuma das fontes oferece. E o relatório publica sexo e religião em páginas separadas sem nunca cruzá-los: como 30% da amostra é evangélica e a maioria dos evangélicos brasileiros é mulher, o muro feminino e o muro evangélico se cancelam em algum ponto que nenhum número público permite localizar.

Cap. 07

O Nordeste fechou 19 pontos em uma semana

É o maior deslocamento regional da série e também o que mais pede cautela: o estrato tem margem bem maior que a nacional, o relatório não abre unidade da federação, e 55% do território mudou entre as duas ondas.

Vantagem de Lula por região, nas duas ondas

Fato · pp. 29 e 53
vantagem de Lula sobre Flávio, em pontos · recorte regional27/0703/08−25−20−100+10+20+30Flávio à frenteLula à frentemaior deslocamento da rodadaNordeste1º turno−19+33+142º turno−19+32+13Sudeste1º turno+72º turno+5Norte/Centro-Oeste1º turno+62º turno−4Sul1º turno−242º turno−25Nesta base, a abertura regional de 27/07 está transcrita apenas para o Nordeste; as demais regiões entram só com a marca de 03/08.Margem nacional publicada: ±2 pontos. O estrato do Nordeste, 28% da amostra, tem margem perto de ±4 por estimativa, e maior ainda na diferença entre ondas.
Como ler: cada haltere liga a vantagem de Lula sobre Flávio em 27/07 à de 03/08, nos dois turnos. No Nordeste a vantagem cai de 33 para 14 pontos no primeiro turno e de 32 para 13 no segundo. Parte disso pode ser recomposição amostral e não movimento de eleitor: sem os pesos e o efeito de desenho, as duas hipóteses são indistinguíveis.
O que não dá para dizer

O relatório publica apenas a região agregada. Atribuir o movimento à Bahia, a Pernambuco ou ao Maranhão é inventar uma abertura que a Nexus não forneceu. O mesmo vale para capitais específicas.

Cap. 08

O instrumento mede aversão e chama de identidade

A Nexus reporta 21% de voto em Lula dentro do cluster que chama de bolsonarista convicto. O rótulo não vem de nenhuma pergunta de identidade: vem de notas de sentimento cortadas em pontos que o relatório não publica.

21%de voto em Lula no cluster bolsonarista, contra 20% na onda anterior
5%não responde à escala que gera os clusters e aparece como NS/NR; os pontos de corte dos outros seis não são publicados
0menções a cor ou raça em 236 páginas, embora a pergunta encerre toda entrevista
101%soma a cota de idade em cinco faixas do registro TSE: três arredondadas para cima, duas para baixo, com efeito ínfimo e contra Lula

O relatório declara a margem e narra sem ela

Fato · p. 114 contra pp. 12, 23 e 32
Quanto menor o recorte, maior a margem, e o relatório narra recortes minúsculosCurva da margem máxima de uma amostra aleatória simples, 1,96 × 0,5 ÷ √n, a 95% de confiança.±0±5±10±15±20±2520501002005001.0002.000Tamanho da base do recorte, em entrevistas, escala logarítmicaabaixo de 96 entrevistasa margem passa de ±10Voto declarado em Cabo Daciolo (1%)e em Augusto Cury (1%): n ≈ 20, margem ±21,9Desocupados, 5% da amostra,e o cluster Lula como alternativa: n ≈ 100, ±9,8Nordeste, 28%: n ≈ 561, ±4,1Total nacional: n = 2.002, margem ±2,19n ≈ 20Cada entrevista vale 5 pontospercentuais. Uma leitura de 17%descreve cerca de 3 pessoas.Margem publicadaA p. 114 publica margem paraas oito dimensões do perfil,de ±3 a ±10. As páginasseguintes narram sem ela.
Como ler: a curva é a margem de erro aproximada em função do tamanho da base do recorte. Os pontos são recortes que o relatório publica e comenta. O instituto é honesto na página 114, onde publica a margem das oito dimensões do perfil, de ±3 a ±10 pontos. O problema está nas páginas que vêm depois: a 12 imprime um contraste de 18 pontos entre desocupados, grupo cuja margem a própria página 114 declara em ±10. Cabo Daciolo, com cerca de 20 entrevistados, recebe um gráfico de certeza de voto: os 17% que aparecem nele equivalem a cerca de três pessoas.
Cap. 09

Probabilístico no registro, cotas no relatório

Os dois documentos do mesmo instituto, sobre a mesma pesquisa, no mesmo dia, descrevem desenhos amostrais incompatíveis. E a margem de ±2 da capa é menor que o piso aritmético da própria amostra.

As camadas da margem de erro

Fato e inferência · registro, campo e séries
Margem de erro nacional, em pontos percentuais, a 95% de confiançasólido = publicado · trama = calculado por nósPublicada na capa do relatório±2,00o número que o relatório imprimePiso aritmético: n = 2.002 sob amostra aleatória simples±2,190,19 acima da capaCom a calibração geográfica medida por nós, efeito de desenho 1,033±2,230,23 acima da capaCom as demais camadas declaradas (sexo, idade, escolaridade, telefonia, DDD, dentro e fora da força de trabalho e renda)maior, e não publicadaAs 8 ondas não oscilam como uma amostra de 2.002Cada ponto é uma série da rodada, com o efeito de desenho implícito na própria oscilação ao longo das ondas.1,0 é o que a margem publicada supõe0,375,55Bolsonarista convicto vota Flávio: a mais lisaComparecimento declarado: a mais ruidosa
Como ler: com 2.002 entrevistas, a margem mínima sob amostragem aleatória simples já é ±2,19, acima do ±2 divulgado. A calibração geográfica que medimos nos anexos leva a ±2,23, e cada margem adicional de ponderação só aumenta. À direita, o efeito de desenho implícito na dispersão das oito ondas, que vai de 0,37 a 5,55 dentro da mesma pesquisa: um único ±2 não descreve as duas pontas.

Onde a pesquisa foi a campo, contra o eleitorado real

Fato · anexos de municípios e TSE jun/2026
Entrevistas por UF divididas pelo peso da UF no eleitorado do TSE1,0 é a paridade. Contagem bruta do campo, antes da ponderação do instituto.acima do eleitoradoabaixo do eleitoradorazão da onda de julhoχ² = 51,9 contra o eleitorado do TSE26 g.l. · crítico a 5% = 38,9 · p = 0,0018Em julho o mesmo teste dava 214,0: caiu, ainda não bate.entrev.razão0,50,71,01,52,0entrev.razão0,50,71,01,52,0DF491,72com paridade seriam 29AC111,41TO211,40PI421,22GO711,10RN371,10SC791,09RS1171,08RJ1761,08MG2211,06PR1161,06ES391,03BA1441,00AL311,00SE221,00RR50,98SP4210,97PB400,97MT320,96AP70,95PA750,94MS240,93RO150,93PE780,85CE750,84AM210,59MA330,50com paridade seriam 66Os losangos marcam julho: a alocação muda de uma onda para a outra.No Acre a razão caiu de 2,44 para 1,41; no Maranhão subiu de 0,35 para 0,50 e ainda é a menor do país.
Como ler: para cada unidade da federação, a razão entre a fatia de entrevistas realizadas e a fatia do eleitorado. Acima de 1,0, a UF recebeu mais campo do que seu peso; abaixo, menos. O qui-quadrado contra o eleitorado é 51,9 com 26 graus de liberdade, quando o valor crítico a 5% é 38,9. O Maranhão aparece com metade do campo que seu eleitorado pediria em agosto, e com pouco mais de um terço em julho.

A rotação do território entre as ondas

Fato · municipios.pdf das duas rodadas
Metade da lista de municípios trocou de uma onda para a outraJulho, 819 municípiosAgosto, 748 municípios482 saíram58,9% da lista de julho337 em comum41,1% da lista de julho337 em comum45,0% da lista de agosto411 entraram54,9% da lista de agostoSó 337 municípios repetem. A interseção sobre a união é 27,4%.475 dos 748 municípios de agosto receberam uma única entrevista475 municípios com 1 entrevista, 63,5%273 municípios com 2 ou maisEssas entrevistas isoladas são 23,7% da amostra. Em julho eram 543 municípios, 66,3% da lista.
Como ler: das 748 cidades de agosto, apenas 337 estavam também em julho. Em discagem aleatória o município é consequência do número sorteado, não uma unidade escolhida, e rotação alta é o comportamento esperado. O efeito sobre a leitura é o que importa: quando mais da metade do chão muda, parte da variação regional pode ser recomposição da amostra.
A contradição documental

O plano amostral registrado no TSE afirma que cada número telefônico elegível possui probabilidade conhecida de ser selecionado. O relatório, na página 4, afirma que a amostra foi definida por cotas de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD. Não é possível ser os dois: a cota interrompe a seleção quando o estrato enche, e a probabilidade de inclusão deixa de ser conhecida. As duas listas de controle também divergem entre si, e nenhuma menciona renda, que o próprio registro declara ponderar. A margem de ±2 só tem definição formal sob amostragem probabilística; sob cota, é convenção.

O que fecha, e merece registro

As entrevistas dos anexos somam exatamente 2.004 e 2.002, batendo com a capa dos relatórios. As 27 unidades da federação aparecem nas duas ondas. Nenhuma linha de cruzamento transcrita soma fora da tolerância de 99 a 101 que o próprio relatório declara. Não há erro de aritmética a denunciar.

Cap. 10

A pesquisa de agosto foi faturada em maio

A nota fiscal depositada no TSE foi emitida em 5 de maio de 2026, com vencimento em 5 de junho, para a pesquisa eleitoral de 1º de agosto. O campo aconteceu de 31 de julho a 2 de agosto.

A linha do tempo dos documentos

Fato · anexos do registro
maiojunhojulhoagosto05/05/2026Nota fiscal emitida ao BTG PactualR$ 164.888,89, vencimento em 05/06descrição do serviço na nota: 1 de agosto de 202605/06 vencimento87 diasentre a nota fiscal e o primeiro dia de campoa última semana, ampliada27/0729/0731/0702/0804/0828/07Declaração do estatístico assinada, 15h30Registro no TSE BR-02874/2026campo, 31/07 a 02/0803/08Divulgação da 8ª rodadaanexo de municípios gerado às 07h29
Como ler: os marcos vêm das datas impressas nos próprios documentos e dos metadados dos PDFs. O vão entre o faturamento e o campo é de quase três meses. A declaração do estatístico responsável é assinada com certificado ICP-Brasil três dias antes de o campo começar, o que é consequência da regra de registro prévio do TSE e não desvio do instituto.
05/05emissão da NFS-e nº 310, R$ 164.888,89, tomador BTG Pactual
−3 diasa declaração do estatístico é assinada antes de o campo começar, nas duas ondas
0documentos posteriores confirmando que o campo declarado foi o realizado
FSBo e-mail do prestador na nota é juridico@fsb.com.br
Nota fiscal da pesquisa de agosto, emitida em 5 de maio, com dados bancários tarjados
NFS-e nº 310, Distrito Federal, emitida em 05/05/2026 para a rodada divulgada em 03/08. Dados bancários tarjados por esta auditoria.
Nada disso é ilegal

A leitura correta é outra: o calendário de rodadas de 2026 estava contratado e precificado três meses antes, com data nominal que não coincide nem com o campo nem com a divulgação. A pesquisa é um produto de assinatura com data marcada, não uma reação ao noticiário, e cada rodada deveria ser lida assim. O que o sistema não pede em momento algum é o ato inverso: um documento posterior em que o responsável técnico confirme que o campo declarado foi o campo realizado. Pede-se o compromisso antes e nunca a confirmação depois.

O vínculo vira documento

O e-mail do prestador na nota fiscal é juridico@fsb.com.br e o questionário registrado traz o timbre FSB holding ao lado da marca Nexus. O pertencimento do instituto à holding FSB, grupo cuja receita inclui contratos de publicidade com o governo federal, deixa de ser contexto e passa a constar em documento primário depositado no tribunal. Isso não invalida um número sequer desta pesquisa. Torna a abertura do arquivo mais necessária, não menos: quem tem conflito potencial se audita abrindo dados.

Cap. 11

Cinco blindagens

A conta foi construída para separar o que a Nexus mediu do que esta auditoria estima, e para sobreviver a leitura hostil.

Topline é fato

As séries, os cruzamentos e os perfis vêm dos relatórios de 27/07 e 03/08, transcritos e conferidos contra a página renderizada.

Reprodução antes da troca

A máquina reproduz o placar publicado a partir do perfil e do cruzamento oficiais, com erro de 0,2 ponto na vantagem, antes de qualquer reponderação.

Uma margem por vez

Cada linha da tabela troca uma única distribuição e ancora no topline. Sem interações, sem microdados, sem calibração multivariada.

Medido e estimado na tinta

Preenchimento sólido é número publicado. Trama hachurada é conta desta auditoria. Vale para a cascata, para o contrafactual e para o diagrama de transferência.

Incerteza dos dois lados

O arredondamento das tabelas deixa o gap entre −1,78 e −1,61. A incerteza da própria PNAD, por 200 pesos replicados, deixa o deslocamento entre −2,79 e −2,63.

Correções que esta auditoria fez em si mesma

Três blocos de cruzamento de renda estavam mal transcritos na primeira versão e foram conferidos de novo contra a página renderizada. As faixas etárias da Nexus são 16 a 24, 25 a 40, 41 a 59 e 60 ou mais, e não as que usamos inicialmente: nas faixas corretas a cota de idade reproduz o eleitorado do TSE com desvio máximo de 0,73 ponto, ou seja, idade não é um problema desta pesquisa e a versão anterior sugeria que era. E a afirmação de que nenhum instituto publica matriz de transferência era falsa para esta rodada: a Nexus publica seis das dez linhas na página 51.

Cap. 12

Documentos e código

Relatórios, questionários, registros, municípios, nota fiscal e declaração do estatístico foram arquivados por onda. A base analítica publicada traz o hash SHA-256 de cada documento.

  1. [01]Nexus, pesquisa divulgada em 03/08/2026Relatório, questionário, municípios, registro e nota fiscal
  2. [02]Nexus, pesquisa divulgada em 27/07/2026Rodada comparável anterior
  3. [03]TSE, Perfil do Eleitorado AtualCompetência jun. 2026; exterior excluído
  4. [04]IBGE, PNAD Contínua anual 2025 e trimestral 1T/2026Pessoas de 16 anos ou mais; pesos oficiais e 200 réplicas
  5. [05]Base analítica desta auditoriaJSON com toda a conta, o teorema das margens e os hashes
  6. [06]Base analítica das mulheres na PNADJSON com renda, trabalho, chefia e recorte regional
  7. [07]Scripts de reproduçãonexus-btg-082026-audit.py, -mulheres.py e os geradores de figuras
  8. [08]Thread pública desta auditoria26 posts com cards prontos para publicação

Publicação independente. A Arvor Intelligence não foi contratada por BTG Pactual, Nexus, partido ou candidatura. Resultados de subgrupos são arredondados e têm incerteza maior que o total nacional. Retratos e fotografias de contexto: Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Atualizado em 4 de agosto de 2026.