Thread da auditoria da Quaest/Globo de 14 de agosto de 2026, registro TSE BR-06773/2026, 2.004 entrevistas presenciais em domicílio entre 10 e 13 de agosto. Vinte posts com card pronto e texto copiável. A imprensa leu empate técnico no segundo turno. O mesmo relatório de 197 páginas guarda a conta do primeiro turno, e ela cabe numa linha.
Como usar. Cada bloco traz o card 16:9 para anexar e, logo abaixo, o texto exato do post com a contagem de caracteres. O botão copia o texto sem formatação. Fato publicado vem com a página do relatório. Conta nossa vem com a fórmula aberta. Hipótese vem com etiqueta de hipótese.
A imprensa leu a Quaest de 14 de agosto assim: Lula lidera, empate técnico no segundo turno. É verdade. E é pouco. O mesmo relatório, 197 páginas, guarda outra história: o mapa de como Flávio Bolsonaro pode vencer ainda no primeiro turno, e a conta exata de quanto falta.
faltam 10,00Flávio 37,80% dos válidosLula 46,34%
arvor intelligence · quaest/globo 14/08/2026TSE BR-06773/2026 · p. 16
1247 charsA imprensa leu a Quaest de 14 de agosto assim: Lula lidera, empate técnico no segundo turno. É verdade. E é pouco. O mesmo relatório, 197 páginas, guarda outra história: o mapa de como Flávio Bolsonaro pode vencer ainda no primeiro turno, e a conta exata de quanto falta.
Faltam 10 pontos. Não é figura de linguagem, é aritmética. No placar publicado (p. 16), Lula tem 38 e Flávio 31. Os votos declarados a algum candidato somam 82. Para ganhar em turno único é preciso passar da metade dos votos válidos, que são os votos sem branco e sem nulo. Flávio tem 31 de 82, ou 37,8%. Precisa de metade mais um. A distância é de 10 pontos.
Esses 10 pontos têm endereço. Estão nos 12 pontos da terceira via, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema, e num bloco de 18 pontos de indecisos e brancos. Nenhum deles é eleitor de Lula.
Só que existe uma trava, e ela não é rejeição nem falta de mensagem. É expectativa. Perguntados quem vai ganhar, 56% dizem Lula e 27% dizem Flávio (p. 91). Enquanto isso não virar, pedir voto útil é pedir ao eleitor que abandone o preferido em nome de alguém que ele acha que perde.
Vinte posts. Fato publicado com a página do relatório, conta nossa com a fórmula aberta, hipótese com etiqueta de hipótese.
A ficha, primeiro. Registro TSE BR-06773/2026. Campo de 10 a 13 de agosto de 2026. 2.004 entrevistas presenciais, feitas na casa do eleitor, em 120 municípios e 334 setores censitários, seis entrevistas por setor. Contrataram a Globo Comunicação e Participações e a Editora Globo, por R$ 314.628,00. Tudo isso é público e confere.
2º turno inclui zero1º turno resistemargem da diferença
aproximação de amostra aleatória simplespp. 16 e 30
1055 charsA ficha, primeiro. Registro TSE BR-06773/2026. Campo de 10 a 13 de agosto de 2026. 2.004 entrevistas presenciais, feitas na casa do eleitor, em 120 municípios e 334 setores censitários, seis entrevistas por setor. Contrataram a Globo Comunicação e Participações e a Editora Globo, por R$ 314.628,00. Tudo isso é público e confere.
Agora a parte que quase nenhuma manchete traduz. A margem de erro divulgada, de dois pontos para mais ou para menos, vale para um número sozinho. A diferença entre dois candidatos é outra conta, porque quando um sobe o outro tende a cair, e as duas incertezas se somam.
Conta nossa, reproduzível: a diferença de 3 pontos do segundo turno, Lula 43 e Flávio 40 (p. 30), tem intervalo que vai de −0,99 a +6,99. O intervalo passa por zero. O segundo turno já é empate, e não por gentileza, por estatística.
A diferença de 7 pontos do primeiro turno, 38 a 31, não passa por zero. Essa resiste. Guarde as duas frases juntas, porque a segunda é a que sustenta tudo o que vem depois: hoje Lula lidera o primeiro turno de verdade.
Fato publicado, página 17. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro lidera o Sudeste por 35 a 32 e lidera o Sul por 40 a 25. Perde o Nordeste por 57 a 23 e perde o Centro-Oeste somado ao Norte por 36 a 26.
Sul 40 a 25Sudeste 35 a 32Nordeste 57 a 23
margem regional de 3 a 6 pontosp. 17
938 charsFato publicado, página 17. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro lidera o Sudeste por 35 a 32 e lidera o Sul por 40 a 25. Perde o Nordeste por 57 a 23 e perde o Centro-Oeste somado ao Norte por 36 a 26.
Fato publicado, página 21, por renda familiar. Até 2 salários mínimos, Lula ganha por 52 a 23. De 2 a 5 salários, empate técnico, 34 a 33. Acima de 5 salários, Flávio lidera por 36 a 31.
Nenhuma das manchetes que levantamos citou uma linha disso.
O que esses números dizem é simples: não existe uma eleição nacional. Existem quatro eleições encaixadas, e o resultado é a soma. Flávio já ganha na parte mais rica e mais urbana do país. Lula ganha, com sobra, na parte mais pobre e no Nordeste. É o retrato do Brasil desde 2018, com uma diferença que importa: as duas regiões onde Flávio vence hoje concentram a maior parte do eleitorado que ainda não escolheu lado.
É esse detalhe que muda o tamanho da conta. Ele vem no próximo post.
A terceira via desta pesquisa soma 12 pontos: Renan Santos 4, Ronaldo Caiado 4, Augusto Cury 2 e Romeu Zema 2 (p. 16). Vista de longe, parece um bloco solto, disponível para qualquer um.
59,9% no Sudeste e no Sulcontrole: recompõe 12
Renan, Caiado, Cury e Zemapp. 17 e 21
953 charsA terceira via desta pesquisa soma 12 pontos: Renan Santos 4, Ronaldo Caiado 4, Augusto Cury 2 e Romeu Zema 2 (p. 16). Vista de longe, parece um bloco solto, disponível para qualquer um.
Não é. Conta nossa sobre as páginas 17 e 21, e a conta é simples: pegamos quanto cada candidato menor tem em cada região e em cada faixa de renda, e somamos com o peso de cada recorte.
Resultado: 59,9% de toda a terceira via está no Sudeste e no Sul. Exatamente as duas regiões onde Flávio já lidera o primeiro turno. No Nordeste, onde ele perde por 34 pontos, a terceira via inteira vale 7 pontos. Não há quase nada para consolidar lá.
Controle de transcrição, porque sem controle a conta não vale: a soma ponderada de cada partição devolve os mesmos 12 pontos publicados. Se a nossa leitura da tabela estivesse errada, esse fechamento não aconteceria.
A leitura honesta é esta: o voto que falta a Flávio não está espalhado pelo país. Está morando na casa dele.
Pela renda, o desenho fica ainda mais nítido. Conta nossa sobre a página 21: 81,2% da terceira via está nas duas faixas em que Flávio lidera ou empata, de 2 a 5 salários mínimos e acima de 5. Na faixa acima de 5 salários, os candidatos menores somam 16 pontos, mais do que a média nacional de 12.
81,2% acima de 2 SM16 pts acima de 5 SM
arvor intelligencep. 21
983 charsPela renda, o desenho fica ainda mais nítido. Conta nossa sobre a página 21: 81,2% da terceira via está nas duas faixas em que Flávio lidera ou empata, de 2 a 5 salários mínimos e acima de 5. Na faixa acima de 5 salários, os candidatos menores somam 16 pontos, mais do que a média nacional de 12.
Isso tem uma consequência prática que muda a estratégia inteira.
Consolidar a terceira via não exige tirar um único eleitor de Lula. Não exige convencer petista, não exige entrar no Nordeste, não exige mudar o discurso para agradar a base do governo. É uma disputa interna do campo antilulista, entre gente que já decidiu não votar em Lula e ainda não decidiu em quem votar.
Em campanha, isso é a diferença entre subir um morro e atravessar a rua. Não significa que seja fácil. Significa que o adversário dessa etapa não é Lula, são Caiado, Zema, Renan e Cury.
E aqui vem a informação mais subestimada do relatório: esse voto é frouxo, e quem mediu a frouxidão foi a própria Quaest.
Fato publicado, página 28. A Quaest pergunta ao eleitor de cada candidato se a escolha é definitiva ou ainda pode mudar. E repete a pergunta desde maio, em cinco rodadas.
Zema 77%Caiado 45%Flávio 30%Lula 22%
quem mediu foi o institutop. 28
959 charsFato publicado, página 28. A Quaest pergunta ao eleitor de cada candidato se a escolha é definitiva ou ainda pode mudar. E repete a pergunta desde maio, em cinco rodadas.
Na rodada de 14 de agosto, a resposta "pode mudar" ficou assim: Zema 77%, Caiado 45%, Renan Santos 43%. Contra Flávio 30% e Lula 22%.
Traduzindo: o eleitor da terceira via está de mala na mão. O eleitor dos dois líderes, não.
O aviso obrigatório, e ele é grande. A margem de erro de candidatos pequenos é enorme, porque a base de entrevistados é pequena. Para Caiado e Renan, o intervalo chega a 12 pontos para cada lado. Para Zema, a 16. Ou seja, o número exato não é confiável.
O que é confiável é a direção, e a direção se repete há cinco rodadas seguidas. Zema fica entre 65% e 79% de voto mutável em todas elas. A distância para os líderes aparece em todas elas. Um número frouxo pode ser sorte. Cinco medições na mesma direção, não.
Esse é o combustível da conta que vem agora.
Conta nossa, e qualquer um pode refazer com uma calculadora.
12t + d + 0,5g > 1083,3% da terceira via
não é previsão de resultadop. 16
933 charsConta nossa, e qualquer um pode refazer com uma calculadora.
Para vencer no primeiro turno é preciso mais da metade dos votos válidos. Voto válido é o total de votos sem branco e sem nulo. É por isso que candidato nenhum precisa de 50% do eleitorado, precisa de 50% de quem escolheu alguém.
Nesta pesquisa, os votos declarados a algum candidato somam 82 pontos: Lula 38, Flávio 31, Renan 4, Caiado 4, Cury 2, Zema 2, Samara Martins 1. Fora disso, 10 pontos de indecisos e 8 de branco, nulo ou não vai votar (p. 16).
Dentro dos 82, Lula tem 46,3% e Flávio tem 37,8%.
Para Flávio passar da metade, ele precisa chegar a 41 pontos dentro desses mesmos 82. Ou seja, precisa de mais 10 pontos.
Se ele não tirar nenhum voto de Lula, esses 10 pontos têm que sair dos 12 da terceira via. É 83,3% dela. Toda inteira, quase sem sobra.
Dito assim parece impossível. Mas a conta completa tem mais uma porta, e ela vale meio ponto por ponto.
Conta nossa, com a fórmula aberta para quem quiser conferir:
6,07 mutáveisfaltam 3,9343,6% do bloco de 18
arvor intelligencepp. 16 e 28
936 charsConta nossa, com a fórmula aberta para quem quiser conferir:
12t + d + 0,5g > 10
t é a fatia da terceira via que Flávio captura. d são pontos tirados diretamente de Lula. g são pontos recrutados entre os 18 de indecisos, brancos e nulos que passam a votar nele.
O 0,5 não é truque. Quando alguém que estava fora vira voto válido, cresce o número de votos dele e cresce o total de votos válidos ao mesmo tempo. Por isso cada ponto novo vale metade na conta.
Aplicando o que a própria pesquisa mede: se ele capturar todo o voto da terceira via declarado como mutável, são 6,07 pontos. Ainda faltam 3,93.
Esses 3,93 saem de 7,86 pontos recrutados no bloco dos 18, porque cada ponto vale meio. Isso é 43,6% de todos os indecisos e brancos do país.
Difícil, e possível. É a única rota que não depende de convencer eleitor de Lula. E é uma rota condicional, não uma previsão: descreve o que teria que acontecer, não o que vai acontecer.
A objeção óbvia é boa: no fim, o brasileiro sempre concentra o voto nos dois primeiros. A terceira via derrete sozinha. Então basta esperar.
espreme 6,14faltam 10,00não basta
Tebet 4,16 e Ciro 3,04 em 2022TSE
1093 charsA objeção óbvia é boa: no fim, o brasileiro sempre concentra o voto nos dois primeiros. A terceira via derrete sozinha. Então basta esperar.
Testamos isso com resultado oficial do TSE, não com opinião.
Em 2022, no primeiro turno, os dois líderes ficaram juntos com 91,63% dos votos válidos. Foi a maior concentração recente. Simone Tebet terminou com 4,16% e Ciro Gomes com 3,04%, ambos depois de meses aparecendo mais alto nas pesquisas.
Se essa mesma concentração se repetir agora, a terceira via desta pesquisa encolhe dos 12 pontos atuais para pouco menos de 6, e libera 6,14 pontos para os dois líderes dividirem.
Aqui está o problema, e ele é aritmético: mesmo que todos os 6,14 pontos fossem para Flávio, sem exceção, sem um voto sequer para Lula, ainda não chegariam nos 10 que faltam.
Ou seja, a consolidação normal do voto útil brasileiro, aquela que já aconteceu na eleição mais polarizada da história recente, não é suficiente. Esperar não resolve. E o histórico ensina outra coisa: quem derreteu em 2022 aparecia bem mais alto nas pesquisas de agosto do que terminou na urna.
Para não escolher só o ano que ajuda o argumento, testamos o anterior.
2018: 18,23%2022: 7,20%hoje: 14,63%
Ciro, Alckmin e Marina em 2018TSE
994 charsPara não escolher só o ano que ajuda o argumento, testamos o anterior.
Em 2018, os dois líderes do primeiro turno ficaram com 75,72% dos votos válidos, e a terceira via somou 18,23%: Ciro Gomes 12,47%, Geraldo Alckmin 4,76% e Marina Silva 1,00%. Foi bem menos concentração do que em 2022, e mais terceira via sobrando na urna do que os 12 pontos de hoje.
Os dois cenários históricos levam à mesma conclusão, e ela é desconfortável para quem torce por Flávio:
O padrão brasileiro de voto útil, sozinho, não entrega o primeiro turno. Para chegar lá, seriam necessárias duas coisas ao mesmo tempo. Primeira, uma consolidação mais forte do que a de 2022, que já foi a mais forte. Segunda, que essa consolidação seja assimétrica, quase toda para um lado, e não repartida entre os dois líderes como costuma acontecer.
Isso não é impossível. É raro. E raro, em política, só acontece quando alguém provoca.
O que impede a provocação de funcionar hoje está medido no relatório, nas páginas 91 a 99.
Fato publicado, página 91. A Quaest pergunta uma coisa diferente de voto: quem você acha que vai ganhar a eleição, independentemente do seu voto.
Lula +18Flávio −422 pontos de distância
prêmio de inevitabilidadepp. 16 e 91
921 charsFato publicado, página 91. A Quaest pergunta uma coisa diferente de voto: quem você acha que vai ganhar a eleição, independentemente do seu voto.
Nacionalmente, 56% respondem Lula. 27% respondem Flávio.
Chamamos essa diferença de prêmio de inevitabilidade: a expectativa de vitória menos o voto declarado, dentro do mesmo grupo de gente.
Lula tem voto 38 e expectativa 56. Prêmio de mais 18.
Flávio tem voto 31 e expectativa 27. Prêmio de menos 4.
A distância entre os dois prêmios é de 22 pontos.
Traduzindo em português de calçada: hoje existe um monte de eleitor que não vota em Lula e acha que Lula ganha. E existe eleitor que vota em Flávio e não acredita que ele ganha.
Esse número raramente aparece em manchete porque não é placar. Mas ele é o que decide se voto útil funciona ou não, e é a coisa mais importante desta pesquisa inteira. O próximo post mostra que não se trata de uma média nacional enganosa.
Post 12/20 · o Sul acha que ele perde · Sul: 36 contra 49
O prêmio de inevitabilidade poderia ser só um efeito do Nordeste, onde Lula ganha de lavada e naturalmente parece imbatível. Não é.
ganha por 1549% esperam Lula36% esperam ele
a região mais favorável a Fláviopp. 17 e 92
901 charsO prêmio de inevitabilidade poderia ser só um efeito do Nordeste, onde Lula ganha de lavada e naturalmente parece imbatível. Não é.
Fato publicado, páginas 91, 92 e 96. Em todos os recortes divulgados de região e de renda, sem exceção, a expectativa de vitória de Flávio fica abaixo do voto dele, e a de Lula fica acima do voto dela.
O caso mais impressionante é o Sul. Lá Flávio ganha o primeiro turno por 15 pontos e o segundo turno por 27. É a região mais favorável a ele em todo o país. E mesmo lá, só 36% acham que ele vence, contra 49% que apostam em Lula.
No Sudeste, onde ele lidera o primeiro turno por 3 pontos, 54% esperam Lula e 29% esperam ele.
Ou seja, existe hoje um eleitor que vota em Flávio, vive numa região onde Flávio ganha, e mesmo assim acredita que Lula será reeleito.
Chame como quiser. Nós chamamos de derrota antecipada instalada na cabeça de quem já está do lado dele.
Fato publicado, página 99. O maior bloco desta pesquisa não é lulista nem bolsonarista. São os independentes, 32% da amostra. Entre eles, 52% esperam vitória de Lula e 18% esperam vitória de Flávio. Quase três para um. Outros 25% não sabem dizer.
52% esperam Lula18% esperam Flávio25% não sabem
independentes são 32% da amostrap. 99
999 charsFato publicado, página 99. O maior bloco desta pesquisa não é lulista nem bolsonarista. São os independentes, 32% da amostra. Entre eles, 52% esperam vitória de Lula e 18% esperam vitória de Flávio. Quase três para um. Outros 25% não sabem dizer.
Agora junte as duas metades desta thread e o problema aparece inteiro.
Pedir voto útil é dizer ao eleitor: seu candidato não ganha, vote no meu, que ganha. O pedido só funciona se o eleitor acreditar na segunda parte.
Quando o eleitor acha que quem ganha é o outro, o mesmo argumento se vira contra quem o usa. O eleitor de Zema ou de Caiado ouve "não desperdice seu voto" e conclui que qualquer voto naquele campo é desperdício. Aí ele não migra: fica em casa, vota em branco, ou, em alguns casos, adere ao lado que ele acha que vai ganhar mesmo.
Inferência nossa, e está rotulada: enquanto a expectativa não virar, a terceira via não migra para Flávio, ela evapora. Inverter a expectativa não é marketing. É pré-requisito da aritmética do post 8.
"Flávio não ganha porque a rejeição dele é alta." Fato publicado, página 71: a rejeição nacional de Flávio é 54% e a de Lula é 52%. Dois pontos de diferença, dentro da margem.
55,9% desperdiçadacontrole: 53,9 contra 54
quem diz que poderia votarpp. 76 e 79
1038 chars"Flávio não ganha porque a rejeição dele é alta." Fato publicado, página 71: a rejeição nacional de Flávio é 54% e a de Lula é 52%. Dois pontos de diferença, dentro da margem.
Mas rejeição nacional é um número quase inútil sozinho, porque mistura quem nunca votaria com quem talvez votasse. Abrindo por bloco político (p. 79), a conta muda de sentido: 55,9% de toda a rejeição a Flávio vem de lulistas e da esquerda não lulista, gente que nunca esteve disponível para ele. A rejeição a Lula tem a mesma estrutura ao contrário, com 58,3% vindo da direita.
No bloco que decide, o independente, os dois empatam. Rejeição a Lula 60%, a Flávio 59%. Potencial de voto: Lula 35%, Flávio 34%.
E por renda (p. 76), a surpresa: de 2 a 5 salários mínimos, o potencial de Flávio é 44% contra 40% de Lula, e a rejeição dele é 51%, menor que os 57% de Lula. Acima de 5 salários, potencial de 48% contra 36%.
Controle de transcrição: recompondo a rejeição a partir do cruzamento por bloco, chegamos a 53,9% e 52,2%, contra 54 e 52 publicados. Fecha.
Fato publicado, páginas 154 e 155. A maior preocupação do brasileiro nesta pesquisa é a violência, com 33%. Mais que o dobro da segunda colocada.
1ª em cinco blocos37% entre lulistas
o plano de governo abre por elap. 159
1016 charsFato publicado, páginas 154 e 155. A maior preocupação do brasileiro nesta pesquisa é a violência, com 33%. Mais que o dobro da segunda colocada.
E vem o dado que quase ninguém olha, páginas 158 e 159: violência é a primeira preocupação nos cinco blocos políticos medidos. Inclusive entre lulistas, onde chega a 37%, o valor mais alto de todos.
Não existe outro tema assim no relatório inteiro. Economia divide, governo divide, corrupção divide. Violência atravessa.
Mais: o medo é maior justamente onde Flávio perde. No Nordeste, 39%. Na faixa até 2 salários mínimos, 39%. São os dois lugares em que ele apanha por 34 e por 29 pontos.
O plano de governo registrado pela campanha dele abre pelo capítulo Brasil sem Medo, e diz na primeira página que a jornada do plano começa ali.
Inferência nossa, rotulada: segurança é a única pauta desta pesquisa capaz de fazer um eleitor ouvir o adversário do seu campo sem se sentir traindo o próprio lado. Não vira voto sozinha. Mas é a porta, e por ora é a única aberta.
A régua aqui é a mesma para todo lado. Então vão os dados que enfraquecem tudo o que escrevemos até agora.
Lula +10 entre engajadosBolsa Família 22%Flávio: 9,3 soltos
engajamento não favorece Fláviopp. 25 e 195
1118 charsA régua aqui é a mesma para todo lado. Então vão os dados que enfraquecem tudo o que escrevemos até agora.
Um. Página 25: entre os eleitores muito interessados na eleição, Lula ganha por 10 pontos, 47 a 37, mais do que os 7 do total. Eleitorado mais engajado não favorece Flávio automaticamente. O que cresce quando o interesse cai é o estoque de gente sem escolha: 6 pontos de indecisão entre os muito interessados, 35 pontos entre os nada interessados.
Dois. Página 195: 22% dos entrevistados vivem em domicílio com Bolsa Família. Boa parte da vantagem de Lula na baixa renda é apoio positivo com endereço, não voto oposicionista solto esperando quem o busque.
Três. A aprovação do governo é 64% no Nordeste e 59% na faixa até 2 salários mínimos.
Quatro, e é o mais duro: o próprio Flávio tem 9,3 pontos de voto mutável, mais do que os 6,07 mutáveis de toda a terceira via somada. Antes de atacar, ele precisa defender o que já tem.
Cinco, e este ajuda: o substituto testado, Caiado, não vence Flávio em nenhum segmento social publicado nesta rodada, e só empata no ensino superior. Isso é medição, não opinião.
Post 17/20 · o enquadramento · compressão de 10 para 1
Levantamento nosso, feito em 16 de agosto. Coletamos sete manchetes sobre esta pesquisa: Poder360, Estado de Minas, Imirante, Revista Oeste, O Cafezinho, Metrópoles e Gazeta do Povo. Cinco abrem pelo segundo turno. Duas abrem pelo primeiro.
1044 charsLevantamento nosso, feito em 16 de agosto. Coletamos sete manchetes sobre esta pesquisa: Poder360, Estado de Minas, Imirante, Revista Oeste, O Cafezinho, Metrópoles e Gazeta do Povo. Cinco abrem pelo segundo turno. Duas abrem pelo primeiro.
Nenhuma das sete cita a expectativa de vitória. Nenhuma cita a firmeza do voto por candidato. Nenhuma cita a geografia da terceira via.
O relatório publica 41 perguntas em 197 páginas. A cobertura usou 4 resultados. Compressão de dez para um.
E aqui é preciso ser justo, porque a acusação fácil estragaria o argumento. Isso descreve o método do jornalismo de pesquisa, que precisa de manchete e trabalha em minutos. Não estamos afirmando conspiração, nem que alguém mandou enquadrar assim. A Globo pagou a pesquisa, e isso é fato registrado no TSE. Influência editorial sobre o conteúdo do relatório não está provada, e nós não vamos afirmar o que não podemos provar.
O que dá para afirmar é mais simples e mais útil: as 193 páginas que não viraram notícia estão públicas, e qualquer um pode lê-las.
Fatos primeiro. Em 15 de agosto de 2026, um dia depois deste campo, o PRTB registrou a candidatura de Pablo Marçal à Presidência, com Leonardo Avalanche passando a vice na chapa Brasil Próspero. Marçal está inelegível até 2032 por condenação no TRE-SP por uso indevido dos meios de comunicação na campanha municipal de 2024. Uma liminar da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba regularizou a filiação e permitiu o registro, com recurso possível ao TSE. Pelo artigo 16-A da Lei 9.504/97, candidato sub judice mantém o nome na urna e faz campanha; se o indeferimento transitar em julgado, os votos viram nulos.
registrado em 15/08inelegível até 2032art. 16-A
TRE-SP, uso indevido dos meios de comunicaçãoLei 9.504/97, art. 16-A
1442 charsFatos primeiro. Em 15 de agosto de 2026, um dia depois deste campo, o PRTB registrou a candidatura de Pablo Marçal à Presidência, com Leonardo Avalanche passando a vice na chapa Brasil Próspero. Marçal está inelegível até 2032 por condenação no TRE-SP por uso indevido dos meios de comunicação na campanha municipal de 2024. Uma liminar da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba regularizou a filiação e permitiu o registro, com recurso possível ao TSE. Pelo artigo 16-A da Lei 9.504/97, candidato sub judice mantém o nome na urna e faz campanha; se o indeferimento transitar em julgado, os votos viram nulos.
Detalhe cruel: Leonardo Avalanche aparece nesta pesquisa com 0%. Esta é a última fotografia do eleitorado antes de Marçal.
A hipótese, e é hipótese declarada, não medição: Marçal disputa o mesmo eleitor da terceira via, antissistema, digital e desengajado, e não a base de Flávio, que já está fechada, com 90% dos bolsonaristas e 70% de voto definitivo.
A contraprova, com o mesmo destaque: em setembro de 2024 a própria Quaest testou Lula 32, Marçal 18 e Tarcísio 15, e ali Marçal rachou a base bolsonarista de 2022, ficando com 33% dela contra 32% de Tarcísio. Naquele momento a direita não tinha herdeiro definido. Hoje tem. É essa diferença que sustenta a hipótese, e ela pode estar errada. Em 2024 Marçal fez 28,14% em São Paulo e ficou fora do segundo turno por 56.854 votos. A pesquisa de 14 de agosto não mede Marçal.
Inferência nossa, rotulada como inferência. Se a leitura acima estiver certa, a ordem das tarefas é esta, e a ordem importa mais que a lista.
expectativa primeirodepois o voto útil
derivado dos números anterioresnão é previsão
1113 charsInferência nossa, rotulada como inferência. Se a leitura acima estiver certa, a ordem das tarefas é esta, e a ordem importa mais que a lista.
Primeiro, inverter a expectativa. Sem isso, o pedido de voto útil trabalha contra quem pede. Coalizão, mapa de vitória, apoios que provem caminho, e não apenas pesquisa favorável repetida em alto volume.
Segundo, pedir voto útil onde ele existe: Sudeste, Sul e faixas acima de 2 salários mínimos. No Nordeste a terceira via tem 7 pontos. Não há o que consolidar.
Terceiro, defender os próprios 9,3 pontos mutáveis antes de atacar os alheios. Ataque com a retaguarda aberta custa mais do que rende.
Quarto, segurança como ponte, porque é a única pauta que é primeira em todos os blocos, inclusive entre lulistas.
Quinto, custo de vida na faixa de 2 a 5 salários mínimos, onde o primeiro turno está 34 a 33 e a economia é a segunda preocupação.
Sexto, televisão, igreja e liderança local para mulheres, idosos e baixa renda. Entre os eleitores de 60 anos ou mais, a TV informa 52% e as redes sociais informam 16%. Campanha feita só de celular não chega nesse eleitor.
Nada aqui prova fraude, e não é isso que estamos dizendo. Ao contrário: a transcrição fecha, os valores contratados fecham e os 334 setores censitários existem na base do IBGE.
334 setores conferemtranscrição fechafaltam pesos e desenho
1081 charsNada aqui prova fraude, e não é isso que estamos dizendo. Ao contrário: a transcrição fecha, os valores contratados fecham e os 334 setores censitários existem na base do IBGE.
O que falta para uma auditoria completa é o que nenhum instituto brasileiro publica hoje: os pesos finais, o identificador de setor e de estrato, o efeito de desenho e as taxas de recusa. Sem isso, o público confere a apresentação da pesquisa, não a pesquisa inteira. Essa cobrança vale para todos os institutos, na mesma régua, o tempo todo.
E toda conta de cenário desta thread é condicional. Diz o que teria que acontecer para um resultado existir. Não diz que vai acontecer. Quem transformar isso em previsão estará forçando o texto.
O dossiê completo, com as tabelas, as fórmulas e as páginas de origem de cada número, está em brasil.arvor.co/quaest_globo_140826.html
A Arvor Intelligence não recebe de instituto, veículo, banco, partido ou campanha. Publicamos o que ajuda e o que atrapalha o candidato analisado, na mesma página e com o mesmo tamanho de letra. É só isso que temos para vender.