Arvor Intelligence · Perícia eleitoral Publicado em 16 de agosto de 2026 · dossiê 13 · camada estratégica

Quaest / Globo · 14 de agosto de 2026

Faltam dez pontos.E eles não estão com Lula.

A imprensa leu esta pesquisa como empate técnico no segundo turno. É verdade e é pouco. Dentro do mesmo relatório está a conta do primeiro turno: Flávio Bolsonaro precisa de dez pontos de voto válido para passar de metade, e os doze pontos da terceira via estão concentrados exatamente nos recortes em que ele já lidera. O próprio instituto mede que esse voto é infiel. O obstáculo real não é rejeição nem mensagem: é que quase ninguém acha que ele ganha.

10,00pontos de voto válido para vencer no primeiro turno
83,3%da terceira via, se ele não tirar nenhum voto de Lula
22 pontosde distância no prêmio de inevitabilidade, Lula +18 e Flávio −4
Registro TSE
BR-06773/2026
Campo
10–13/08/2026
Amostra
2.004 entrevistas
Modo
Presencial domiciliar
Contratantes
Globo Comunicação e Editora Globo
Valor registrado
R$ 314.628,00
Geografia
120 municípios · 334 setores
Thread
20 posts com card e texto

01 · veredito

O segundo turno virou empate.
O primeiro virou alvo.

A rodada melhora o segundo turno, fortalece o voto útil e mostra uma base mais firme. A leitura que a imprensa não fez é outra: existe um caminho aritmético para decidir a eleição em turno único, ele é estreito, e ele não depende de convencer eleitor de Lula. Os números abaixo distinguem fato publicado, conta reproduzível e inferência estratégica.

Conta nossa10,00

Pontos que faltam

Os votos declarados a algum candidato somam 82 pontos. Flávio tem 31 deles, 37,80%. Para passar de metade dos votos válidos ele precisa de mais dez pontos. Página 16.

Fato77%

Voto de Zema pode mudar

Quem mediu foi o instituto. Caiado tem 45% de voto mutável, Renan Santos 43%, Flávio 30% e Lula 22%. Série de cinco ondas na página 28.

Conta nossa81,2%

Terceira via em campo amigo

Quatro em cada cinco pontos da terceira via estão nas faixas de renda em que Flávio lidera ou empata o primeiro turno. Por região, 59,9% estão no Sudeste e no Sul. Páginas 17 e 21.

Limite−4

Prêmio de inevitabilidade

A expectativa de vitória de Lula está 18 pontos acima do voto dele. A de Flávio está 4 pontos abaixo. Em todos os recortes publicados de região e renda o sinal se repete. Páginas 91, 92 e 96.

O placar publicado, nos dois turnos

Páginas 16 e 30. A vantagem de sete pontos do primeiro turno resiste à incerteza amostral; a de três pontos do segundo, não.

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem 31 dos 82 pontos de voto válido declarado, ou 37,80%. Faltam dez pontos para passar de metade. Foto da Agência Senado, CC BY 2.0.
A leitura mais favorável a Flávio é forte e estreita: ele lidera o primeiro turno no Sudeste e no Sul, tem potencial maior que o de Lula nas duas faixas de renda acima de dois salários mínimos, e o voto que precisa capturar já está do lado dele do tabuleiro. A leitura mais dura também é forte: pedir voto útil exige que o eleitor acredite que o pedido pode vencer, e hoje 52% dos independentes acham que quem vence é Lula, contra 18% que apontam Flávio.

02 · matemática

Sete pontos no primeiro turno.
Três no segundo.

A margem de ±2 divulgada vale para uma proporção isolada sob amostragem aleatória simples. A diferença entre dois candidatos tem outra variância. Sem pesos finais, identificação de conglomerado e efeito de desenho, a aproximação simples é o melhor cenário para a precisão.

38 × 31Lula e Flávio no primeiro turno, página 16
±3,62margem de 95% da diferença de 7 pontos, aproximação simples
43 × 40Lula e Flávio no segundo turno, página 30
±3,99margem de 95% da diferença de 3 pontos, aproximação simples
IC do segundo turno: 3,00 ± 3,99 = [−0,99; 6,99]. O empate estatístico aparece antes de qualquer inflação por conglomerados ou pesos.
Resiste

Primeiro turno

Para o intervalo da diferença de 7 incluir zero, o efeito de desenho teria de chegar a 3,73. Com seis entrevistas por setor, a correlação intraclasse equivalente seria 0,546. É alta.

Não resolve

Segundo turno

A diferença já inclui zero com deff igual a 1. O desenho real só pode ampliar a incerteza, salvo ganhos específicos de estratificação que o relatório não quantifica.

Não é tendência

Uma onda

Lula foi de 39 para 38 e Flávio de 30 para 31 no primeiro turno. A mudança de um ponto por candidato cabe no ruído amostral. A direção ajuda a hipótese, mas não a prova.

Controle da transcrição

O relatório é composto por imagens. Recompusemos o primeiro turno pelo cruzamento independente de posicionamento político, página 24: Lula chega a 37,4 e Flávio a 31,09, contra 38 e 31 publicados. O resíduo é compatível com arredondamento e com os 2% sem posição declarada.

03 · o mapa

Flávio lidera o Sudeste.
E o Sul por quinze.

Nenhuma das sete manchetes que levantamos disse isso. O primeiro turno aberto por região e por renda mostra um país partido em dois, e mostra que o lado onde Flávio já ganha é também onde sobra voto para capturar.

Onde cada campo ganha

Praça de cidade do interior de Minas Gerais
O Sudeste é 42% da amostra e o único recorte grande em que Flávio lidera o primeiro turno. Foto de praça em Conselheiro Pena, Minas Gerais.

Primeiro turno por recorte, com o estoque disponível

Páginas 17 e 21. Terceira via soma Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. Samara Martins fica fora por ser candidatura de esquerda. O número à direita é a margem de Flávio contra Lula no recorte.

Fato

Duas regiões ganhas

Sudeste, 35 a 32, e Sul, 40 a 25. Juntas, elas são 56% da amostra. A margem regional de erro é de 3 e 6 pontos, então o Sudeste é empate e o Sul é vantagem clara.

Fato

A faixa que decide

De dois a cinco salários mínimos, 42% da amostra, o primeiro turno está 34 a 33. É o maior bloco de renda e o mais equilibrado do relatório.

Não resolve

O Nordeste continua fechado

57 a 23, e a terceira via ali vale só 7 pontos. Não há voto útil a pedir onde não existe terceiro. A conversão no Nordeste depende de outra coisa, não de consolidação.

Leitura correta

A distribuição não faz de Flávio favorito. Lula lidera o país por 7 pontos e vence os dois recortes de maior peso popular. O que a abertura mostra é onde a disputa é elástica: nos recortes em que Flávio já lidera, o estoque de voto não decidido chega a 34 pontos no Sul e 32 no Sudeste.

04 · terceira via

Doze pontos.
E metade avisou que pode mudar.

A regra da casa manda procurar a medição antes de estimar. Ela existe. A Quaest pergunta em toda onda se a escolha é definitiva ou ainda pode mudar, e publica a série por candidato na página 28. O resultado desmonta a ideia de que a terceira via é um bloco.

Quanto do voto de cada candidato o eleitor diz que pode mudar

Página 28, ondas de maio, junho e julho de 2026, mais 5 e 14 de agosto. Margem de erro declarada pelo instituto: 3 pontos para Lula, 4 para Flávio, 12 para Caiado e Renan, 16 para Zema.

Medido6,07

pontos mutáveis

Aplicando a taxa medida aos pontos de cada candidato, a terceira via carrega cerca de 6 pontos que o próprio eleitor declarou disponíveis.

Cuidado±16

margem em Zema

Os candidatos pequenos têm margem enorme. O que sobrevive à incerteza é a direção, repetida em cinco ondas seguidas, não o nível exato.

Contraponto9,30

mutáveis do próprio Flávio

30% de 31 pontos. Ele tem mais voto solto do que toda a terceira via somada. Antes de atacar, precisa defender.

Fato22%

mutáveis de Lula

É a menor taxa da tabela e caiu de 29% em maio. A base do incumbente endureceu enquanto a oposição se organizava.

Romeu Zema
Romeu Zema. 77% de quem diz votar nele avisa que a escolha ainda pode mudar, a maior taxa da tabela em cinco ondas seguidas.
Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado. Tem 45% de voto mutável e 10 pontos no Norte com Centro-Oeste, a maior concentração regional da terceira via.
Por que isso importa

Terceira via não é um partido, é um estacionamento. Entre os independentes, mais da metade nem conhece esses nomes: 56% não conhecem Caiado, 59% não conhecem Zema e 79% não conhecem Renan Santos, página 79. Quem escolhe um nome que não conhece está adiando a decisão, não tomando uma.

05 · turno único

A conta cabe numa linha.
12t + d + 0,5g > 10

Vencer no primeiro turno exige mais da metade dos votos válidos, que são os votos dados a algum candidato, sem branco e sem nulo. Aqui eles somam 82 pontos. Flávio tem 31, ou 37,80%. Lula tem 38, ou 46,34%. A distância até a metade é exatamente dez pontos.

t é a fatia dos 12 pontos de terceira via que Flávio captura. d são pontos tirados diretamente de Lula. g são pontos recrutados entre os 18 de indecisão e branco que passam a ser voto válido. Cada ponto recrutado vale meio ponto na conta, porque cresce no numerador e no denominador ao mesmo tempo.

Quanto falta para Flávio passar de metade dos votos válidos

Barra azul: pontos capturados. Barra hachurada: pontos que ainda faltam. Aritmética condicional sobre a página 16, não previsão de resultado.

Rota A

Só terceira via

Sem tirar um voto de Lula, Flávio precisa de 10 dos 12 pontos, isto é, 83,3% do bloco. É o cenário mais exigente e o mais limpo de premissas.

Rota B

Terceira via mais recrutamento

Capturando os 6,07 pontos declarados mutáveis, sobram 3,93. Eles saem de 7,86 pontos recrutados no bloco de 18, ou 43,6% dele. É a rota realista.

Rota C

Tirar de Lula

Cada ponto tirado de Lula vale um ponto cheio, porque muda os dois lados da diferença. Também é o mais caro: 77% do voto de Lula é declarado definitivo.

O estoque disponível depende de quem está prestando atenção

Páginas 25 e 101. Contraponto obrigatório: a vantagem de Lula não encolhe quando o interesse sobe, ela cresce. O que cresce quando o interesse cai é o estoque de gente sem escolha, de 6 para 35 pontos.

O teste histórico, e ele não é gentil

EleiçãoTerceira viaDois líderesSe repetisse aquiBasta?
2018, 1º turno18,23%75,72%menos concentração que hojenão
2022, 1º turno7,20%91,63%espreme 6,14 pontosnão
Quaest 14/08/202614,63%84,15%faltam 10,00 pontossituação atual
Conclusão desconfortável

Em 2022 os dois líderes ficaram com 91,63% dos votos válidos, a maior concentração recente, com Tebet em 4,16% e Ciro em 3,04%. Repetir isso aqui espreme 6,14 pontos. Mesmo que todos os 6,14 fossem para Flávio, não bastam para os dez que faltam. A consolidação normal do voto útil brasileiro não entrega turno único. É preciso consolidação acima do padrão de 2022 e assimétrica a favor dele.

06 · inevitabilidade

Ele ganha no Sul.
E o Sul acha que ele perde.

Voto útil é um pedido para abandonar o preferido e votar em quem pode ganhar. Ele só funciona se o eleitor acreditar que quem pede pode ganhar. Esta é a medida disso: expectativa de vitória menos intenção de voto, dentro do mesmo recorte. Chamamos de prêmio de inevitabilidade.

Prêmio de inevitabilidade por recorte

Páginas 91, 92, 96, 17 e 21. Barra vermelha à esquerda: quanto a expectativa de Flávio fica abaixo do voto dele. Barra violeta à direita: quanto a de Lula fica acima.

−4

Flávio, nacional

Tem 31 no primeiro turno e 27% apontam que ele vence. A expectativa fica abaixo do próprio voto em todos os sete recortes publicados.

+18

Lula, nacional

Tem 38 no primeiro turno e 56% apontam que ele vence. Ganha 18 pontos de gente que não vota nele e mesmo assim o dá como vencedor.

2,89:1

entre independentes

52% esperam Lula, 18% esperam Flávio. É o bloco que decide o voto útil e é onde a distância é maior.

25%

não sabem quem ganha

Entre independentes, um quarto não arrisca palpite. É a única reserva de expectativa realmente disputável hoje. Página 99.

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula tem 38 pontos de intenção de voto no primeiro turno e 56% do eleitorado apontando que ele vence. A diferença de 18 pontos entre as duas coisas é o ativo que nenhuma manchete contabilizou.
O detalhe mais duro está no Sul. Ali Flávio ganha o primeiro turno por 15 pontos e o segundo por 27, e ainda assim 49% esperam que Lula vença, contra 36% que apontam ele. No Sudeste, onde ele lidera o primeiro turno, 54% esperam Lula. Enquanto isso não mudar, o pedido de voto útil trabalha contra quem pede: o eleitor da terceira via ouve que precisa se unir e conclui que a união não muda o final. O voto vai para abstenção, branco, ou para o líder.

07 · força e fraqueza

O Sul entrega 27 pontos.
O Nordeste tira 35.

A barra mostra a margem de Flávio contra Lula no segundo turno. Azul é vantagem de Flávio; vermelho, vantagem de Lula. Todos os valores vêm da página 31.

Margem de Flávio no segundo turno, por recorte

Página 31. Margem = Flávio menos Lula dentro do recorte. Valores arredondados publicados pelo instituto.

Flávio Bolsonaro em retrato oficial
O Sul entrega 27 pontos de margem a Flávio no segundo turno e o Nordeste tira 35. A mesma candidatura tem, no mesmo país, o melhor e o pior recorte da tabela.
Onde Flávio é mais forte

Sul, evangélicos, renda alta, ensino superior, ensino médio, Sudeste, brancos e homens. O padrão combina identidade política, escolaridade, renda e consumo intenso de redes sociais. A base definida de Flávio subiu para 70%, enquanto Caiado tem 55%, Renan 57% e Zema 23%.

Onde precisa trabalhar

Nordeste, baixa renda, população preta, ensino fundamental, católicos, idosos e mulheres. Não basta traduzir a mesma peça digital. Esses segmentos recebem mais política pela TV e dão avaliação melhor ao governo. O obstáculo mistura canal, interesse material e confiança.

Contraponto obrigatório

Lula não lidera esses grupos apenas porque Flávio ainda não falou com eles. A aprovação do governo chega a 64% no Nordeste, 59% até dois salários, 55% entre os 60+ e 53% entre católicos. Parte relevante é apoio positivo ao governo, não simples voto oposicionista desocupado.

08 · o centro

O alvo decisivo tem 32%.
E não confia em ninguém.

Os independentes são o maior bloco político da amostra. A rodada atual mostra 23% para Lula, 16% para Flávio, 23% para candidaturas menores e 38% entre indecisão e não escolha no primeiro turno.

O vão entre desaprovar Lula e votar em Flávio

Barra clara: desaprovação do governo. Barra azul: voto em Flávio. Número à direita: diferença. É teto endereçável, não previsão.

32%

independentes

É o maior bloco, acima da direita não bolsonarista, 21%, lulistas, 19%, esquerda não lulista, 14%, e bolsonaristas, 12%. Página 196.

16%

Flávio no primeiro

Caiu de 18% na rodada anterior. Lula está em 23%, candidaturas menores somam 22%, indecisão e branco somam 38%.

35%

Flávio no segundo

No confronto direto, Flávio recupera 19 pontos dentro do bloco. Lula vai a 29%. A utilidade eleitoral existe, mas ainda não virou preferência inicial.

13

pontos de vão

48% dos independentes desaprovam o governo, mas só 35% escolhem Flávio no segundo turno. É o maior vão político publicado.

Problema de viabilidade

Flávio tem 40% no segundo turno, mas só 27% esperam que ele vença. Mesmo nos grupos em que lidera o voto, Lula aparece como favorito: no Sul, 49% esperam Lula e 36% Flávio; entre evangélicos, 46% e 36%. A campanha precisa provar caminho de vitória, não apenas identidade.

Problema de rejeição

O potencial declarado de Flávio é 41% e sua rejeição, 54%. Como o segundo turno já o leva a 40%, quase todo o eleitorado que aceita votar nele já foi capturado. A próxima fronteira é reduzir veto, especialmente fora da direita.

Potencial de voto e rejeição, lado a lado

Páginas 72 e 76. Barra cheia é potencial de voto, barra clara é rejeição. Nos recortes de cima Flávio tem mais potencial e menos veto que Lula.

A rejeição de 54% desmontada por bloco

RecortePotencial LulaPotencial FlávioRejeição LulaRejeição Flávio
Independentes, 32% da amostra35346059
Mais de 5 SM, 27% da amostra36486149
2 a 5 SM, 42% da amostra40445751
Até 2 SM, 31% da amostra59303762
Sul32536242
Nordeste60303863
Conta nossa55,9%

rejeição desperdiçada

Mais da metade dos 54 pontos de rejeição a Flávio vem de lulistas e da esquerda não lulista, gente que nunca esteve disponível. A rejeição de Lula tem a mesma estrutura ao contrário, com 58,3% vindo da direita.

Controle53,9

a transcrição fecha

Recompondo a rejeição a partir do cruzamento por bloco político, chegamos a 53,9% para Flávio e 52,2% para Lula, contra 54 e 52 publicados nas páginas 71 e 79.

Onde dói62%

até dois salários

A rejeição nacional maior de Flávio é sustentada por um recorte só. Ali ele tem 62% de veto contra 37% de Lula. É onde 22% do eleitorado vive em domicílio com Bolsa Família, página 195.

A frase "Flávio tem a maior rejeição do país" é verdadeira e enganosa. Ela é verdadeira no total, por 2 pontos. Ela é enganosa porque a rejeição não é uma barreira única: é a soma de vetos, e boa parte dos dele vem de gente que jamais votaria na oposição. No bloco que decide, os dois estão empatados, 59 contra 60. Nas duas faixas de renda acima de dois salários mínimos, o potencial de Flávio é maior e a rejeição dele é menor que a de Lula.
A campanha tem um paradoxo: a ameaça emocional está convertida. 45% dizem temer mais a família Bolsonaro e 41% temer mais Lula; Flávio marca 40% no segundo turno. O medo de Lula não entrega outra reserva grande. O que falta é confiança para votar e expectativa de que o voto possa vencer.

09 · transferência

Flávio consolida 1,77 voto
para cada 1 de Lula.

Procuramos no relatório por cruzamento, migração e segundo turno por origem. A Quaest não publica a matriz. Por isso todas as fitas abaixo são estimadas por IPF/RAS, com prior ideológica explícita e zeros estruturais. A aritmética fecha exatamente as margens publicadas.

Primeiro turno para Lula × Flávio

Fita hachurada: elo estimado. Origens medidas: 0 de 9. Origens estimadas: 9 de 9. O corte candidato a candidato depende da prior; a consolidação agregada é imposta pelas margens.

+9,17

Flávio fora da base

Ganho estimado sobre os 31 pontos do primeiro turno para chegar aos 40 do segundo.

+5,19

Lula fora da base

Ganho estimado sobre os 38 pontos do primeiro turno para chegar aos 43 do segundo.

1,77:1

consolidação

Flávio ganha 1,77 ponto fora da base própria para cada ponto ganho por Lula.

Não medido0/9

linhas publicadas

A figura descreve a solução de mínima entropia, não trajetórias individuais observadas.

A substituição foi medida na mesma amostra

DesafianteLulaDesafianteNão escolhaMargem de Lula
Flávio Bolsonaro434017+3
Ronaldo Caiado443719+7
Renan Santos443620+8
Romeu Zema453421+11

Flávio contra o substituto testado, segmento por segmento

Páginas 31 e 41. Ponto azul: margem de Flávio contra Lula. Ponto cinza: margem de Caiado contra Lula. O contraponto que existia na rodada anterior fechou nesta.

Substituição medida

Lula varia só 2 pontos entre os quatro cenários. O desafiante perde 3, 4 ou 6 pontos quando Flávio sai, enquanto a não escolha cresce. É a evidência publicada mais forte de voto útil nesta rodada. Não transforma a matriz estimada em medição, mas restringe a direção do fluxo.

10 · plano de governo

O plano começa onde
a pesquisa mais dói.

Cruzamos os eixos do plano de governo registrado de Flávio Bolsonaro, Para o Brasil vencer o atraso, com os recortes em que a Quaest mede o déficit dele. Cada linha traz a página do plano e a página do relatório. O exercício não avalia se as propostas funcionam: mede se elas endereçam o público certo.

p. 13 a 16Brasil sem Medo

Violência é a maior preocupação nos cinco blocos políticos, inclusive entre lulistas, e é mais alta no Nordeste e na baixa renda, onde Flávio perde o segundo turno por 35 e por 31 pontos.

p. 17 a 22Brasil por Elas

Flávio perde entre mulheres por 9 pontos e elas se informam mais por TV do que por redes.

p. 29 a 33Brasil mais Barato

49% dizem que a economia piorou e 68% viram alimento subir. É a faixa de 2 a 5 salários que decide.

p. 60 a 61Desenvolvimento regional

O Nordeste é o pior recorte de Flávio e o de maior expectativa de vitória de Lula.

Encaixe forte

Segurança é a única ponte

Violência é a primeira preocupação em todos os blocos, com 37% entre lulistas, o valor mais alto de toda a tabela. O plano abre por ela e diz na primeira página que a jornada começa ali. Páginas 154 e 159 do relatório, 13 do plano.

Encaixe forte

Custo de vida na faixa que decide

Na faixa de 2 a 5 salários mínimos, 42% da amostra, a economia é a segunda preocupação com 17%, e o primeiro turno está 34 a 33. O eixo Brasil mais Barato fala de imposto na prateleira, conta de luz e preço de alimento.

Encaixe frágil

Reforma do Judiciário

Corrupção é a segunda preocupação da direita não bolsonarista, 18%, e dos bolsonaristas, 22%. Entre independentes cai para 13% e entre lulistas para 7%. É pauta de consolidação do próprio campo, não de expansão.

O que o cruzamento mostra

O plano não tem furo de público. Ele tem programa desenhado para cada recorte em que a pesquisa mostra déficit: mulheres, idosos, baixa renda, Nordeste. O problema não é falta de proposta. É que a proposta ainda não chegou, porque nesses mesmos recortes a TV vence as redes com folga, e a campanha ainda se distribui pelo canal em que já vence.

11 · canais

A mensagem chega onde Flávio já ganha.
O déficit está fora da rede.

Redes sociais são a principal fonte de informação política para 35%; TV, para 34%. O empate agregado esconde uma divisão limpa por idade, escolaridade, renda e sexo.

Redes sociais contra TV, por recorte

Páginas 161 a 167. O número à direita é redes menos TV. Azul: redes sociais. Vermelho: TV.

Distribuição

O digital já entrega a base

Redes dominam entre jovens, ensino superior, homens e direita não bolsonarista, grupos em que Flávio empata ou lidera.

Estratégia

TV e validadores locais

Mulheres, idosos, baixa renda e fundamental combinam maior TV com pior desempenho de Flávio. O gargalo é alcançar com confiança, não apenas aumentar frequência digital.

Separação

Financiador não é efeito

Globo financiar a pesquisa e TV ser um canal relevante são fatos distintos. O relatório não prova influência editorial, causalidade nem efeito da contratante sobre respostas.

A mesma pesquisa publica “chat com IA” como fonte de informação, 1%, mas não publica a pergunta 43, que mede aprovação do uso de IA em campanhas. O fato é verificável. A motivação para reter o resultado, não.

12 · agenda

Violência abre a porta.
Economia decide a confiança.

A principal preocupação do país é violência, 33%. Economia, saúde e corrupção formam o segundo bloco. Ao mesmo tempo, o retrospecto econômico piorou e a esperança futura caiu. A mensagem eficiente precisa ligar segurança, renda e competência.

33%apontam violência como o principal problema do país
49%dizem que a economia piorou no último ano, 6 pontos acima da rodada anterior
68%dizem que os preços dos alimentos subiram no último mês
42%esperam melhora da economia, 4 pontos abaixo da rodada anterior
53%dizem que o país está na direção errada

Violência é a primeira preocupação nos cinco blocos

Página 159. É a única pauta do relatório que aparece em primeiro lugar em todos os blocos, e o valor mais alto de todos está entre lulistas.

O retrospecto econômico piorou

Supermercado no Recife
68% dizem que o alimento subiu no último mês. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, onde o primeiro turno está 34 a 33, a economia é a segunda maior preocupação.
Entrada

Segurança

Violência tem mais que o dobro de qualquer outro tema. É uma porta natural para uma candidatura de oposição, mas precisa virar proposta concreta e execução crível.

Conversão

Custo de vida

A piora percebida e os alimentos pressionam o governo. O ataque mais promissor compara renda disponível, supermercado e capacidade de gestão, especialmente na faixa de dois a cinco salários.

Cuidado

Esperança ainda existe

42% esperam melhora. Uma mensagem só de colapso entra em choque com essa expectativa. Alternativa de governo exige futuro melhor, não apenas diagnóstico pior.

Sequência estratégica

1. Consolidar o voto útil já demonstrado. 2. Reduzir rejeição com competência, temperança e equipe. 3. Tornar a vitória plausível com coalizão e mapa. 4. Levar segurança e custo de vida para TV, igrejas, lideranças locais e formatos de confiança. 5. Medir a conversão entre independentes, mulheres, baixa renda e idosos, não só alcance digital.

13 · enquadramento

197 páginas.
Quatro resultados na imprensa.

Levantamos as manchetes publicadas sobre esta rodada em 15 e 16 de agosto. O objetivo não é acusar ninguém de má-fé: é medir quanto do relatório sobrevive à passagem pela manchete, e mostrar que a nossa leitura é diferente porque olha outra parte do mesmo documento.

  1. Poder360Lula tem 43% ante 40% de Flávio Bolsonaro no 2º turno, diz Quaestabre pelo 2º turno
  2. Estado de MinasQuaest: Lula tem 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro no 2º turnoabre pelo 2º turno
  3. MetrópolesQuaest: Lula tem 38% no 1º turno; Flávio, 31%abre pelo 1º turno
7manchetes levantadas, de veículos de campos opostos
5 de 7abrem pelo segundo turno, duas pelo primeiro
41perguntas publicadas no relatório de 197 páginas
10,2 : 1compressão entre o que foi publicado e o que virou notícia
Flávio Bolsonaro em entrevista à imprensa
Das sete manchetes levantadas, cinco abrem pelo segundo turno e nenhuma cita expectativa de vitória, firmeza do voto ou a geografia da terceira via. Foto da Agência Senado, CC BY 2.0.
Fato

O que a cobertura usou

Primeiro turno, segundo turno, aprovação e rejeição. Quatro resultados de quarenta e um. Nenhuma manchete cita expectativa de vitória, firmeza do voto por candidato ou o primeiro turno aberto por região.

Interpretação

Isso é método, não complô

Manchete precisa de um número e de um confronto. O segundo turno entrega os dois. A compressão é previsível e acontece com pesquisa favorável a qualquer lado. Quem quiser o resto precisa abrir o PDF.

Separação

Pagador não é prova

Globo Comunicação e Editora Globo pagaram a pesquisa, e isso está nas notas fiscais. Influência editorial sobre pergunta, campo ou resultado não está demonstrada e não afirmamos que exista.

A diferença entre o enquadramento da imprensa e o nosso não é de opinião, é de recorte. Eles leram a página 30. Nós lemos as páginas 17, 21, 25, 28, 72, 76, 79, 92, 96 e 99. As duas leituras vêm do mesmo relatório e nenhuma contradiz a outra. Só que uma cabe em um título e a outra explica a eleição.

14 · a hipótese Marçal

Esta é a última foto
antes de Pablo Marçal.

Um dia depois do fim deste campo, em 15 de agosto de 2026, o PRTB registrou a candidatura de Pablo Marçal à Presidência. Este capítulo inteiro é hipótese declarada. A pesquisa de 14 de agosto não mede Marçal, e nada aqui é medição.

Fato0%

Leonardo Avalanche

O antigo cabeça de chapa do PRTB aparece nesta pesquisa com 0% e passou a vice na chapa Brasil Próspero. A linha do partido foi medida no dia anterior à troca.

Fato2032

Inelegível até

Condenação no TRE-SP por uso indevido dos meios de comunicação na campanha municipal de 2024. Uma liminar da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba regularizou a filiação e permitiu o registro, com recurso possível ao TSE.

Fato16-A

O artigo que decide

Pelo art. 16-A da Lei 9.504/97, o candidato sub judice mantém o nome na urna e faz campanha normalmente. Se o indeferimento transitar em julgado, os votos dados a ele são computados como anulados.

Fato28,14%

São Paulo, 2024

Marçal ficou em terceiro no primeiro turno da prefeitura de São Paulo, fora do segundo turno por 56.854 votos. É o tamanho conhecido do seu eleitorado em disputa nacionalizada.

Pablo Marçal
Pablo Marçal teve 28,14% no primeiro turno da prefeitura de São Paulo em 2024 e ficou fora do segundo turno por 56.854 votos. Registrou-se à Presidência pelo PRTB em 15 de agosto de 2026, um dia depois do fim deste campo. Foto de TV Brasil Central, CC BY 3.0.
A hipótese

Marçal disputa o mesmo eleitor da terceira via: antissistema, digital e desengajado. Não a base de Flávio, que nesta rodada aparece fechada, com 90% dos bolsonaristas, 70% da direita não bolsonarista e 70% de voto declarado definitivo. Se ele derreter primeiro a terceira via e depois encolher ou sair, esse voto fica solto perto da eleição sem terceira via para onde ir. Nesse arranjo, a candidatura que parece dividir a direita pode terminar concentrando o antilulismo.

A contraprova, e ela é forte

Em setembro de 2024 a própria Quaest testou Lula 32, Marçal 18 e Tarcísio 15. Naquele cenário Marçal rachou a base bolsonarista de 2022, ficando com 33% dela contra 32% de Tarcísio. Ou seja: já houve medição em que ele tira de dentro do campo, não de fora. A diferença entre aquele momento e este é que a direita não tinha herdeiro definido, e agora tem. Essa diferença sustenta a hipótese e pode não bastar.

O que decidiria a questão

Uma rodada com Marçal no cenário estimulado, publicada com o cruzamento entre voto em Marçal e voto de 2022, e com o segundo turno por origem. Sem isso, qualquer número atribuído ao efeito Marçal é invenção. Registre também o risco na direção oposta: se ele crescer sobre a base de Flávio, cada ponto que migra vale um ponto cheio contra o dono da conta, exatamente como na rota C do capítulo cinco.

15 · roteiro

Seis passos,
nesta ordem.

Inferência estratégica nossa, derivada dos números anteriores. A ordem importa mais que a lista: cada passo destrava o seguinte, e executar o quarto antes do primeiro desperdiça o investimento.

  • Inverter a expectativa antes de pedir o voto útil. Com 52% dos independentes apontando Lula como vencedor contra 18% para Flávio, o pedido de união trabalha contra quem pede. Coalizão declarada, mapa de vitória e apoios que provem caminho vêm primeiro.
  • Pedir o voto útil onde ele existe. Sudeste, Sul e as duas faixas acima de dois salários mínimos concentram 59,9% e 81,2% da terceira via. No Nordeste ela vale 7 pontos, e ali não há terceiro a consolidar.
  • Defender os próprios 9,30 pontos mutáveis. Flávio tem mais voto solto do que a terceira via inteira. Perder três pontos em casa anula a captura de metade do bloco adversário.
  • Usar segurança como ponte, não como bandeira de campo. Violência é a primeira preocupação nos cinco blocos, com 37% entre lulistas. É a única pauta do relatório que não divide o eleitorado.
  • Levar custo de vida à faixa de dois a cinco salários. 42% da amostra, primeiro turno em 34 a 33, economia como segunda preocupação e 68% dizendo que o alimento subiu.
  • Trocar o canal antes de trocar a mensagem. Entre os 60 anos ou mais, a TV é fonte principal para 52% e as redes para 16%. Entre mulheres, 38% contra 31%. Nesses recortes o gargalo é distribuição com confiança, não frequência digital.
O que este roteiro não promete

Nada aqui prevê resultado. A conta do capítulo cinco é condicional e depende de premissas declaradas. E há evidência contra a leitura otimista: entre os muito interessados na eleição, Lula ganha por 10 pontos, mais do que os 7 do total, e 22% dos entrevistados vivem em domicílio com Bolsa Família. Parte relevante da vantagem de Lula é apoio positivo, não voto oposicionista à espera de dono.

16 · instrumento

Metade das perguntas.
Quase o dobro do relatório.

O novo instrumento é objetivamente menor. Isso tende a reduzir fadiga e efeitos de contexto. A publicação melhorou muito em cobertura, mas ainda reteve nove perguntas substantivas e, entre elas, duas validações eleitorais.

109 → 53

perguntas numeradas

Redução de 56 itens, ou 51,4%. O tempo prometido cai de 20 para 10 minutos e o questionário de 39 para 23 páginas.

114 → 197

páginas no relatório

Aumento de 83 páginas, ou 72,8%. A cobertura de resultados sobe de 58/109, 53,2%, para 41/53, 77,4%.

Melhora

Menos fadiga

O voto aparece cedo e o roteiro inteiro cabe em cerca de dez minutos declarados. É uma melhoria metodológica plausível, embora a duração individual não tenha sido publicada.

Retido

Validação eleitoral

Não saíram o voto recordado no segundo turno de 2022, pergunta 52, nem o comparecimento declarado em 2024, pergunta 53. São controles valiosos de composição política.

Retido

Interferência e IA

Ficaram fora as perguntas 41 a 43 sobre interferência estrangeira, lado ideológico beneficiado e aprovação de IA em campanha.

Q36–37Importância e emoções

Medem intensidade e disposição eleitoral, mas não aparecem no relatório.

Q40–43Partidos, exterior e IA

Quatro resultados substantivos retidos num bloco sensível de campanha.

Q47Principal sonho

Uma pergunta aberta de agenda aspiracional que poderia explicar o futuro desejado.

Q52–53Voto e comparecimento recordados

Controles eleitorais que permitiriam comparar a amostra com resultados oficiais.

17 · notas fiscais

Seis notas.
Um contrato de sete pesquisas.

As notas não são seis pagamentos desta rodada. Cada parcela foi dividida em duas metades iguais, uma faturada para Globo Comunicação e Participações S/A e outra para Editora Globo S/A.

R$ 2,458 mivalor total do contrato para sete pesquisas
3 × R$ 819 milparcelas com vencimento em julho, agosto e setembro
6 × R$ 314 milpreço individual das seis pesquisas regulares
1 × R$ 570 milsétima pesquisa, 81,2% mais cara que as regulares
NFS-e 455 / 4561ª parcela · 22/07

R$ 409.646,00 para Globo Comunicação e R$ 409.646,00 para Editora Globo.

NFS-e 479 / 4802ª parcela · 04/08

Mesma divisão de 50%, totalizando R$ 819.292,00.

NFS-e 481 / 4823ª parcela · 04/08

Mesma divisão de 50%, totalizando R$ 819.292,00.

R$ 314.628

rodada atual

O valor individual descrito nas notas coincide exatamente com o valor registrado no TSE.

R$ 433.255,92

Quaest/Genial anterior

A rodada de 5 de agosto custou R$ 118.627,92 a mais.

R$ 157

por entrevista

Contra R$ 216,20 na rodada anterior, mantendo n = 2.004.

O documento não explica

As notas fecham a aritmética, mas não descrevem por que a sétima pesquisa custa R$ 570.108,00. Prazo, escopo, questionário, entrega especial ou outra diferença não aparecem no texto fiscal. Qualquer explicação adicional seria hipótese.

18 · território

O esqueleto ficou.
Os pontos giraram.

As duas rodadas usam 120 municípios, 334 setores e seis entrevistas por setor. A alocação regional é idêntica e ambas têm 510 entrevistas em capitais. Por baixo dessa estabilidade, a rotação foi profunda.

26municípios em comum entre as duas ondas
0setores censitários de 15 dígitos repetidos
668/668geocódigos validados pelo serviço do Censo 2022 do IBGE
Métrica05/0814/08Comparação
Municípios12012026 comuns, Jaccard 12,15%
Setores3343340 comum, Jaccard 0%
Entrevistas por setor66idêntico
Sudeste / Nordeste / Sul141 / 92 / 48141 / 92 / 48idêntico
Norte / Centro-Oeste28 / 2528 / 25idêntico
Setores em capitais8585510 entrevistas em cada onda
Rotação

94 cidades saíram

E 94 entraram. Cinco pares de município e bairro se repetem, mas nenhum geocódigo exato.

Cobertura

24 UFs

A rodada atual não selecionou AC, AP e RR. A anterior não selecionou AC, AP e TO. Isso pode ocorrer num sorteio proporcional.

Não explica voto

Mapa não é resposta

O anexo não traz voto por setor nem peso final. Inferir preferência a partir do bairro seria falácia ecológica.

Leitura correta

A rotação reduz a hipótese de painel territorial fixo entre essas duas ondas. A distribuição agregada preservada aumenta a comparabilidade do desenho. Nenhuma das duas coisas transforma a oscilação de um ponto em efeito territorial demonstrado.

19 · limites e pedidos

O relatório melhorou.
A auditoria ainda para na porta.

A publicação é mais completa, o instrumento é menor e a rotação territorial é verificável. Faltam os arquivos que transformariam uma conferência aritmética em auditoria estatística integral.

  • Pesos finais anonimizados, distribuição, mínimo, máximo, percentis e número de iterações do rake ou MRP.
  • Identificador de PSU, estrato e setor em base pública anonimizada, suficiente para estimar variância pelo desenho.
  • Efeito de desenho por estimativa e tamanho efetivo da amostra, inclusive nos principais recortes.
  • Taxas de contato, cooperação, recusa e substituição por região e etapa de seleção.
  • Toplines das perguntas 36, 37, 40–43, 47, 52 e 53, aplicadas e não devolvidas no relatório.
  • Matriz de primeiro para segundo turno, com bases não ponderadas, para separar transferência medida de prior analítica.
  • Firmeza do voto para todos os candidatos, e não apenas para os cinco mais bem colocados, para fechar a conta do voto mutável da terceira via sem extrapolação.
  • Expectativa de vitória cruzada com intenção de voto no mesmo respondente, que transformaria o prêmio de inevitabilidade de indicador agregado em medida individual.
  • Escopo da sétima pesquisa contratada, que explica documentalmente o prêmio de 81,2%.
Nenhum teste deste dossiê prova fraude. A transcrição fecha, as notas fecham e os 668 setores existem na base do IBGE. O problema remanescente é o de sempre: sem microdados, pesos e variância pelo desenho, o público confere a apresentação, não a pesquisa inteira.
Segundo aviso, sobre a camada estratégica. A conta do turno único é aritmética condicional, não previsão. Ela mantém Lula parado em 38 por escolha metodológica, para isolar quanto vale a consolidação do campo adversário. Se Lula subir, o alvo sobe junto. Se a participação cair, a composição do voto válido muda. Todos os parâmetros estão no arquivo reproduzível e podem ser refeitos com outras premissas.

20 · fontes e reprodução

Papel, página e conta.
Tudo com endereço.

Os dez documentos originais foram arquivados juntos na pasta da rodada. O manifesto de hashes está na base analítica.

  • TSE PesqEle, registro BR-06773/2026Registro em 08/08, campo 10–13/08, n = 2.004, valor R$ 314.628,00.data/pesquisas/quaest/2026-08-14/registro-tse.pdf
  • Quaest, relatório de 14/08/2026197 páginas. Todos os cruzamentos transcritos citam a página no corpo do dossiê.data/pesquisas/quaest/2026-08-14/relatorio.pdf · SHA-256 6cf7e4b4eb1d…
  • Questionário registrado23 páginas, 53 perguntas numeradas e tempo declarado de aproximadamente dez minutos.data/pesquisas/quaest/2026-08-14/questionario.pdf · SHA-256 b224ac105ec0…
  • Anexo territorial120 municípios, 334 setores, seis entrevistas por setor. Geocódigos confrontados com o serviço do Censo 2022.data/pesquisas/quaest/2026-08-14/anexo-territorial.pdf · SHA-256 cd91e918c474…
  • Seis notas fiscaisNFS-e 455, 456, 479, 480, 481 e 482. Três parcelas, duas contratantes e sete pesquisas.data/pesquisas/quaest/2026-08-14/nota-fiscal-1.pdf a nota-fiscal-6.pdf
  • Base analítica reproduzívelTranscrições, controles, incerteza, IPF, custos, hashes e tabelas do dossiê.Gerada por scripts/quaest-globo-140826-audit.py
  • Auditoria territorialComparação de ondas, rotação por geocódigo e validação IBGE.CSV completo em data/pesquisas/quaest/2026-08-14/quaest_bairros_140826.csv
  • Camada estratégica reproduzívelTranscrições das páginas 17, 21, 25, 28, 41, 72, 76, 79, 92, 96, 99, 101, 155, 158, 159 e 195, mais a equação do turno único, o prêmio de inevitabilidade, a recomposição da rejeição e o cruzamento com o plano de governo.Gerada por scripts/quaest-globo-140826-estrategia.py · testes em tests/test_quaest_globo_140826_estrategia.py
  • Plano de governo registrado de Flávio BolsonaroPara o Brasil vencer o atraso, 76 páginas. As páginas citadas no capítulo 10 remetem à numeração do próprio documento.Documento público de campanha
  • Lei 9.504/1997, art. 16-ARegra do candidato sub judice: mantém o nome na urna e faz campanha; com indeferimento transitado em julgado, os votos são computados como anulados.Base legal do capítulo 14
  • ImagensFotografias do Wikimedia Commons, com licença livre. Flávio Bolsonaro em retrato, em entrevista e em coletiva pela Agência Senado, praça em Conselheiro Pena, Romeu Zema por Andressa Anholete/Agência Senado, Ronaldo Caiado por Bianca Kida, Lula, supermercado no Recife por Wilfredor e Pablo Marçal por TV Brasil Central. Os retratos de Zema, Caiado e Marçal foram recortados por nós para enquadrar o rosto, sem outra alteração. Autoria e licença completas nos arquivos de crédito.docs/img/quaest_082026/web/CREDITOS.json · docs/img/quaest_globo_140826/CREDITOS.json
  • Resultados oficiais do TSE em 2018 e 2022Usados como referência de consolidação: terceira via em 18,23% e 7,20% dos votos válidos; dois líderes em 75,72% e 91,63%.Comparação histórica do capítulo 5