Arvor Intelligence · auditoria eleitoral · 01/08/2026

A amostra que o algoritmo escolhee a conta que o sobrenome não paga.

A Atlas chama seu método de Random Digital Recruitment. O material auditável mostra outra coisa: voluntários alcançados durante a navegação, um clique de anúncio rastreável e um questionário ramificado que o registro não documenta. Nada disso torna a pesquisa inútil. Torna-a um mapa do eleitorado conectado, não do país. E, lido assim, o relatório de julho contém o diagnóstico mais duro e mais acionável já publicado sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro: na mesma amostra, o pai marca 42,3% e o filho, 35,8%.

BR-08602/2026 22–27/07/2026 5.021 respostas publicadas Atlas/Bloomberg RDR online não probabilístico
§ 01 · CONCLUSÃO EXECUTIVA
O que está provado e o que não está

Não é prova de fraude. É prova de exposição.

Há evidência documental de um mecanismo vulnerável a autosseleção e a otimização algorítmica. Não há evidência de que a Atlas, o Missão ou militantes tenham coordenado respostas. A distinção importa: a fragilidade é real mesmo sem conspiração, e a utilidade também.

±1,38

p.p. é o piso matemático

Com n=5.021 e p=50%, uma amostra aleatória simples teria margem máxima de ±1,38, não ±1.

−6,5

p.p. custam a sucessão

Jair marca 42,3% no cenário de 2022 repetido; Flávio, 35,8% no cenário real. Mesma onda, mesmos respondentes.

7,8 × 3

Renan: Atlas × duas concorrentes

Atlas mede 7,8%; Datafolha e Quaest, em julho, medem 3%. Diferença maior que quatro “margens Atlas”.

19,5

p.p. de giro na tesoura de gênero

Flávio passou de +14,4 entre mulheres em junho para +5,1 entre homens em julho. A instabilidade ficou.

Leitura recomendada: para o placar nacional, trate esta onda como uma medição com incerteza operacional de aproximadamente ±4 a ±6 pontos, não como um intervalo formal de 95%. Em cruzamentos jovens, ideológicos ou de baixa base, a prudência sobe para ±8 a ±12 pontos. A conta completa está na seção 13.
ComprovadoO acesso preservado ao questionário contém identificadores de clique do Google Ads; o formulário aplicado tem ramificações e itens que o PDF registrado no TSE não documenta integralmente.
ComprovadoA margem publicada de ±1 p.p. é menor que a margem máxima de uma amostra aleatória simples do mesmo tamanho.
Indício forteAs concentrações de Renan Santos e a virada abrupta dos cruzamentos são compatíveis com seleção digital residual não resolvida pela ponderação.
ComprovadoSobre votos válidos, Lula e Flávio coincidem entre Atlas e Datafolha (razão 0,99 nos dois), enquanto Renan Santos aparece 2,30× maior e Samara Martins, 1,86×. A divergência está só nas candidaturas de movimento.
HipóteseMilitantes podem ter explorado o funil ou respondido estrategicamente. É tecnicamente possível, o mecanismo de entrega de anúncio o permite e o padrão medido é compatível, mas os documentos disponíveis não identificam coordenação.
Relato sem documentoFontes reservadas afirmam que grupos ligados ao MBL teriam discutido seguir, curtir e comentar na página da Atlas para passar a receber os anúncios de recrutamento. Não há prints nem qualquer verificação: consta como relato, não como fato. Detalhamento na seção 12.
Não provadoVínculo entre perfis de comentários e Atlas/Missão; adulteração deliberada do banco; inclusão da resposta capturada após o fim do campo.
Uma pesquisa que erra o país pode acertar em cheio a internet do país. É exatamente por ser um painel digital autosselecionado que a Atlas descreve bem o terreno onde uma campanha online opera. E é exatamente por isso que ela não deve ser usada como placar. Regra de uso adotada neste dossiê
§ 02 · O ACHADO CENTRAL
Jair × Flávio, mesma amostra, mesma semana

O experimento natural que a Atlas publicou sem perceber.

A pesquisa faz duas perguntas de voto às mesmas 5.021 pessoas. Uma pede a eleição de 2026 com Flávio. A outra pede a repetição de 2022, com Jair. Isso elimina de uma vez amostra, ponderação, período, questionário e viés de recrutamento: o que sobra na diferença é o preço da transferência do sobrenome. Em nível nacional, o preço é 6,5 pontos. Recorte a recorte, ele não está distribuído: está concentrado.

Direita não bolsonarista73,9 → 53,6−20,3
Sem posicionamento35,9 → 16,2−19,7
Evangélicos65,4 → 51,5−13,9
16 a 24 anos22,7 → 9,7−13,0
Norte48,3 → 37,0−11,3
Centro-Oeste47,8 → 38,0−9,8
Acima de R$ 10 mil33,1 → 24,1−9,0
Ensino superior34,4 → 25,6−8,8
Renda R$ 3–5 mil49,7 → 41,4−8,3
Renda R$ 5–10 mil41,3 → 33,4−7,9
Sudeste45,1 → 37,2−7,9
25 a 34 anos48,8 → 41,1−7,7
Ensino médio43,3 → 35,9−7,4
35 a 44 anos50,2 → 43,1−7,1
Homens45,2 → 38,5−6,7
TOTAL BRASIL42,3 → 35,8−6,5
Mulheres39,6 → 33,4−6,2
Sul62,0 → 55,9−6,1
45 a 59 anos47,9 → 42,2−5,7
Renda até R$ 2 mil40,1 → 35,3−4,8
Católicos40,9 → 36,3−4,6
Crentes sem religião34,6 → 30,1−4,5
Ensino fundamental47,3 → 43,9−3,4
Independentes34,9 → 31,6−3,3
Agnósticos e ateus8,3 → 5,6−2,7
Direita bolsonarista99,9 → 97,4−2,5
Renda R$ 2–3 mil43,2 → 40,9−2,3
Nordeste23,5 → 21,3−2,2
60 anos ou mais34,0 → 32,2−1,8
Leitura 1

A base dura não é o problema

Entre quem se declara direita bolsonarista, Flávio retém 97,4 dos 99,9 do pai. Não há vazamento no núcleo. Todo discurso desenhado para “segurar a base” está resolvendo um problema que a pesquisa diz não existir, e custa exatamente onde o problema existe.

Leitura 2

A perda é de fronteira, não de centro ideológico

Os dois maiores buracos, direita não bolsonarista (−20,3) e eleitor sem posicionamento declarado (−19,7), são justamente os grupos que aceitavam Jair sem serem dele. Eram voto emprestado. O empréstimo não foi renovado automaticamente.

Leitura 3

Quanto mais rico e escolarizado, maior a perda

−9,0 acima de R$ 10 mil, −8,8 no ensino superior, −8,3 na faixa de R$ 3–5 mil. Ao mesmo tempo, o eleitor de fundamental (−3,4) e o de até R$ 2 mil (−4,8) quase não se mexeram. O custo da sucessão é maior na classe média informada.

Cruzamentos demográficos do cenário hipotético de repetição de 2022 na pesquisa Atlas de julho de 2026
Página 16 · cenário de 2022 repetido, com Jair Bolsonaro. É a régua.
Cruzamentos demográficos do cenário 1 de primeiro turno de 2026 na pesquisa Atlas de julho de 2026
Página 20 · cenário 1 de 2026, com Flávio. É a medida.

A Atlas não publica bases não ponderadas por recorte. A diferença acima é, portanto, descritiva: descreve o que a mesma amostra respondeu a duas perguntas distintas. Não recebe intervalo de confiança e não deve ser transportada para o país sem replicação em pesquisa presencial. Reprodução aritmética completa em atlas_072026_audit.json, chave succession_ledger.

§ 03 · PARA ONDE FOI O VOTO
O cruzamento por voto de 2022

Ninguém atravessou a rua. Todo mundo ficou na mesma calçada.

Entre quem declara ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, o cenário 1 de 2026 se distribui assim. É o dado mais subestimado da pesquisa, e o mais favorável a Flávio, se for lido com frieza.

72,6%

continuam com Flávio

Retenção alta para um herdeiro em primeiro turno com cardápio aberto de sete candidatos.

24,7%

foram para outra direita

Renan 10,2 · Zema 6,3 · Caiado 5,4 · Cury 2,7. Todos ainda dentro do mesmo campo.

0,5%

foram para Lula

Meio ponto. A tese de que Flávio “perdeu eleitor para o PT” não sobrevive ao próprio relatório.

2,0%

não sabem ou anulam

1,8 “não sei” e 0,1 branco/nulo. Praticamente não há desistência declarada.

A perda de primeiro turno de Flávio é um problema de consolidação, não de conversão. Recuperar 24,7 pontos que já estão na direita é uma operação política. Converter eleitor de Lula seria uma operação cultural. A Atlas diz que a tarefa é a primeira.

A prova aritmética disso já está na pesquisa

No cenário 1, Flávio tem 35,8%. No segundo turno contra Lula, tem 42,9%: sobe 7,1 pontos, praticamente o tamanho da diáspora. Ou seja: o eleitor volta quando o cardápio afunila. Jair, no cenário de 2022, tinha 42,3%. O teto de segundo turno de Flávio hoje é, com precisão desconfortável, o piso de primeiro turno do pai.

O que falta não é a base bolsonarista. É o que existe além dela.

E a armadilha simétrica

Se a consolidação é quase automática, atacar Renan, Zema ou Caiado tem retorno negativo: o voto já volta sozinho no segundo turno, e o ataque destrói a aliança legislativa que decidirá o Senado e a governabilidade. O custo de brigar hoje é cobrado em 2027, não em outubro.

Ver jogada 01: pacto programático publicado, não acordo de cargos.

46,6% temem a eleição dele. 44,6% temem a reeleição do outro.

Dois pontos separam os dois medos do Brasil. Entre eles, 8,7% que temem os dois, e que decidem a eleição. Esse bloco não é convencido por adjetivo: é convencido por protocolo, prazo e prestação de contas.

Foto: Agência Senado · CC BY 2.0
§ 04 · O MAPA DO MEDO
Página 38 cruzada com a página 20

Há eleitorados que temem mais Lula e votam nele assim mesmo.

A Atlas pergunta qual resultado causa mais medo e, em outro bloco, em quem a pessoa votaria. Cruzando as duas respostas por recorte aparece a métrica mais útil de toda a pesquisa: a lacuna de conversão: quanto de vantagem emocional Flávio já tem e não transformou em voto. Onde a lacuna é grande, o déficit não é de opinião. É de confiança. E confiança se constrói com compromisso verificável, não com tom.

Renda até R$ 2 mil

lacuna de conversão · 18,4 p.p.
MEDOVOTO 47,4 47,2 53,5 35,3

O medo empata. O voto abre 18,2 para Lula. É o maior estoque de voto não convertido da pesquisa.

25 a 34 anos

lacuna de conversão · 20,0 p.p.
MEDOVOTO 55,4 31,1 36,8 41,1

A faixa que mais teme Lula (55,4 × 31,1) entrega apenas 4,3 pontos de vantagem no voto.

Evangélicos

lacuna de conversão · 14,5 p.p.
MEDOVOTO 66,5 22,6 22,1 51,5

43,9 pontos de vantagem no medo viram 29,4 no voto. Ainda sobra 14,5 sobre a mesa, e Jair tinha 65,4.

Ensino fundamental

lacuna de conversão · 11,7 p.p.
MEDOVOTO 52,4 43,6 46,8 43,9

O eleitor de menor escolaridade teme mais Lula (+8,8) e ainda vota nele (−2,9). Contradição pura.

Norte

lacuna de conversão · 12,9 p.p.
MEDOVOTO 52,6 34,4 31,7 37,0

A região onde Jair mais caiu (−11,3) é também a que mais teme Lula. Território abandonado, não perdido.

Católicos

lacuna de conversão · 11,2 p.p.
MEDOVOTO 45,5 48,0 50,0 36,3

Maior grupo religioso do país, medo quase empatado (−2,5) e voto 13,7 abaixo. O católico é o eleitor decisivo esquecido.

Como ler a lacuna: lacuna = (medo de Lula − medo de Flávio) − (voto em Flávio − voto em Lula). Positiva significa que o recorte já teme mais o adversário do que o candidato e mesmo assim não o acompanha nas urnas. É a medida direta do que falta: não é convencer que o outro é ruim; isso já está feito. É convencer que este é confiável.
Cruzamentos demográficos da pergunta sobre medo eleitoral na pesquisa Atlas de julho de 2026
Página 38 · “qual dos resultados possíveis te causa mais medo”, por recorte. A fonte da lacuna.
O bloco que decide

Quem teme os dois

No total, 8,7% temem os dois resultados. O número explode em recortes específicos: 47,3% entre quem votou branco/nulo em 2022, 32,1% entre quem não votou, 26,9% entre 16 e 24 anos e 22,5% na direita não bolsonarista.

É a mesma população dos dois maiores buracos da conta da sucessão. Não é coincidência: quem teme os dois lados é exatamente quem emprestava voto a Jair sem pertencer ao projeto. Reduzir esse medo é aritmeticamente idêntico a recuperar a herança.

§ 05 · DA AUDITORIA PARA A DECISÃO
Nove jogadas com dono, métrica e trava

O que fazer com uma pesquisa que não serve como placar.

Tudo o que segue é hipótese gerada pela Atlas e precisa ser validada contra Datafolha, Quaest, TSE e PNAD antes de virar alocação de recurso. Nenhuma jogada abaixo depende de microtargeting, de mensagem diferente por perfil ou de anúncio opaco: todas são públicas, verificáveis e sobrevivem a citação hostil. Essa é a trava editorial da casa e também a melhor defesa jurídica.

JOGADA 01

Consolidar a direita dispersa antes de tocar no centro

24,7 dos 100 pontos do eleitorado de Jair/2022 estão hoje com Renan, Zema, Caiado e Cury; 0,5 foi para Lula. O voto não precisa ser conquistado: precisa ser reunido.

Instrumento: um pacto programático público de cinco compromissos verificáveis (regra fiscal, segurança integrada, compras abertas, limites institucionais, agenda de produtividade), assinado por campos, não por pessoas, e publicado antes de qualquer conversa sobre cargo.

dono: coordenação políticamétrica: retenção Jair/2022 72,6 → 85%trava: zero ataque a aliado potencial
JOGADA 02

A garantia de renda que destrava a base de R$ 0–2 mil

Nesse recorte o medo empata (47,4 × 47,2) e o voto sangra 18,2 pontos. O eleitor não prefere Lula: ele não confia que a transição preserve o que já recebe.

Instrumento: compromisso escrito, com memória de cálculo publicada, de que nenhum benefício existente é extinto, reduzido ou reprocessado no primeiro ano, com regra de correção explícita, custo anual, fonte fiscal e página de acompanhamento mensal.

dono: programa de governométrica: fechar 6 dos 18,2 p.p.trava: nada vai ao ar sem a conta
JOGADA 03

Reter o evangélico em vez de presumi-lo

Jair marcava 65,4 entre evangélicos; Flávio, 51,5. É a maior perda de bloco identitário do relatório, 13,9 pontos, e é onde a lacuna de conversão ainda vale 14,5.

Instrumento: agenda de liberdade religiosa com casos documentados (não abstrações) somada a um plano social de base comunitária (primeira infância, dependência química, capacitação) com orçamento, contrapartida e prestação de contas. Presença sistemática, não visita de calendário.

dono: núcleo de mobilizaçãométrica: 51,5 → 60%trava: nenhuma promessa de cargo eclesiástico
JOGADA 04

O católico é o eleitor decisivo que ninguém está disputando

Maior grupo religioso do país: medo quase empatado (48,0 × 45,5) e voto 13,7 pontos abaixo. Lacuna de 11,2. Toda a energia religiosa da campanha está alocada no bloco onde a vantagem já existe.

Instrumento: pauta social católica (trabalho, família, cuidado, migração interna, dignidade do idoso) com linguagem própria, não traduzida do repertório evangélico.

dono: programa + mobilizaçãométrica: 36,3 → 42%trava: não transformar fé em segmentação de anúncio
JOGADA 05

60+: o único bloco que ele segurou é o pior em nível

Retenção de 94,7% em relação a Jair, e ainda assim 32,2 contra 60,8 de Lula, com 61,2% declarando medo da eleição de Flávio. É o recorte de maior comparecimento do país.

Instrumento: contrato de previdência e saúde: regra de reajuste real do benefício, prazo máximo de fila para consulta e cirurgia, política de medicamento, cada item com indicador oficial e data de aferição.

dono: programa de governométrica: medo 61,2 → 50%trava: nenhuma menção a idade de aposentadoria sem estudo publicado
JOGADA 06

Parar de disputar estética com o Missão e disputar emprego

Entre 16 e 24 anos: Lula 36,9, Renan 25,7, Flávio 9,7. E 26,9% dessa faixa teme os dois. Copiar linguagem digital de adversário só aumenta o protagonismo dele, e a queda de 37,9 para 25,7 de Renan em uma onda mostra que esse eleitorado é volátil, não conquistado.

Instrumento: primeiro emprego, aprendizagem profissional, ensino técnico com colocação regional, com meta, custo por vaga e painel público mensal. Conteúdo, não formato.

dono: programa + comunicaçãométrica: 9,7 → 18%trava: zero ataque pessoal a Renan Santos
JOGADA 07

A ponte mais curta é fiscal, não cultural

Nas doze áreas de governo, as menores distâncias são impostos (+1), equilíbrio fiscal (+1), corrupção (+2) e infraestrutura (+3), e criminalidade está empatada em 46 × 46. As maiores são pobreza (+10) e meio ambiente (+8).

Instrumento: publicar baseline, corte ou realocação, compensação e impacto distributivo de cada proposta econômica antes do horário eleitoral, para que o debate ocorra sobre documento e não sobre adjetivo.

dono: núcleo econômicométrica: liderar impostos e fiscaltrava: nunca prometer corte, benefício e equilíbrio juntos
JOGADA 08

Reduzir o medo é matematicamente igual a vencer o segundo turno

46,6% temem a eleição de Flávio, 44,6% a reeleição de Lula, 8,7% temem os dois. A desvantagem no segundo turno é de 6,3. Mover quatro pontos da coluna “temo Flávio” para “temo os dois” já empata o país.

Instrumento: protocolo institucional publicado: limites constitucionais, rito de decisão em crise, política de correção pública de erro, equipe divulgada antes da eleição, plano D+100 com dependência legislativa explícita. Agressividade performática move o número na direção errada.

dono: candidatométrica: medo 46,6 → 42%trava: nenhuma resposta emitida em menos de 60 minutos
JOGADA 09

Senado: a eleição que a pesquisa presidencial esconde

Nenhum dos números acima governa sozinho. As jogadas 01 e 07 valem duas vezes se o pacto programático incluir a coordenação de candidaturas ao Senado, e valem zero se a campanha presidencial consumir capital político atacando os campos que elegerão esses senadores.

Instrumento: mapa por unidade da federação cruzando desempenho presidencial Atlas/Datafolha, cadeiras em disputa e viabilidade de aliança, revisado a cada onda de pesquisa. Decisão de recurso vinculada a esse mapa, não à manchete da semana.

dono: coordenação políticamétrica: maioria simples viável em 2027trava: nenhum recurso movido por pesquisa única
JOGADA 10

Usar a Atlas como mapa de terreno digital, e só isso

A Atlas recruta na navegação, com anúncio pago e questionário longo. Isso a torna péssima como estimador nacional e excelente como retrato de quem está alcançável online e disposto a responder sobre política. É precisamente o público que uma campanha digital consegue tocar.

Instrumento: tratar cada cruzamento Atlas como hipótese; testá-la contra Datafolha e Quaest; só transformar em peça o que sobreviver aos três. E jamais citar “±1 ponto” como precisão em material próprio: a régua da casa vale contra pesquisa favorável também.

dono: núcleo de evidênciasmétrica: 0 peças com número não trianguladotrava: mesma régua para pesquisa boa e ruim
O que não fazer, em uma linha: chamar a Atlas de fraude; comemorar cruzamento conveniente; responder rejeição elevando o tom; prometer corte de imposto, aumento de benefício e equilíbrio fiscal na mesma frase; ou usar as diferenças por sexo, idade e renda para anúncios personalizados invisíveis. Cada um desses movimentos piora exatamente o indicador que a pesquisa mostra como fatal.
§ 06 · A PONTE CURTA
Página 39 · confiança por área de governo

O placar temático vira fila de produto.

Lula lidera onze das doze áreas e empata em criminalidade. Mas a distância não é uniforme: onde ela cabe em um a três pontos, existe disputa real; onde chega a dez, existe um déficit estrutural que slogan não resolve. A fila abaixo ordena o trabalho por distância, não por preferência ideológica.

Área · Lula × FlávioDistânciaResposta programática públicaIndicador mínimo
Impostos / carga tributária · 45 × 44−1Publicar baseline, corte ou realocação, compensação e impacto distributivo antes do horário eleitoral.carga efetiva, renúncia fiscal, alíquota por decil.
Equilíbrio fiscal e gastos · 45 × 44−1Regra fiscal executável com cenário adverso e teste de choque publicado.resultado primário, gasto obrigatório, dívida/PIB.
Combate à corrupção · 45 × 43−2Compras abertas, beneficiário final, proteção ao denunciante, integridade de fornecedor da própria campanha.contratos abertos, conflito declarado, tempo de apuração.
Infraestrutura · 47 × 44−3Carteira de concessões com projeto executivo, licença, financiamento, cronograma e matriz de riscos.capex contratado, obra entregue, atraso, aditivo.
Economia e inflação · 48 × 44−4Âncora de preços, produtividade e abertura comercial com sequência temporal explícita.IPCA, investimento, produtividade do trabalho.
Política externa · 48 × 44−4Previsibilidade diplomática, defesa comercial técnica e critério publicado para alinhamento.exportações, tempo de abertura de mercado, litígios.
Geração de empregos · 48 × 43−5Produtividade, pequenas empresas, aprendizagem e requalificação para 40+, mulheres e jovens.emprego formal, renda real, custo por vaga.
Saúde · 49 × 43−6Fila única interoperável com prazo máximo por procedimento.tempo de espera, cirurgia eletiva, cobertura.
Educação · 49 × 43−6Alfabetização na idade certa e ensino técnico vinculado ao emprego regional.aprendizagem, evasão, colocação profissional.
Promoção da democracia · 48 × 42−6Compromissos explícitos com Constituição, alternância, imprensa e rito institucional de crise.agenda pública, respostas à LAI, decisões publicadas.
Proteção do meio ambiente · 49 × 41−8Crime ambiental, segurança jurídica no licenciamento e bioeconomia com meta territorial.desmatamento, prazo de licença, investimento privado.
Pobreza e desigualdade · 51 × 41−10Renda do trabalho, primeira infância, qualificação e transição do benefício para o emprego, com custo por família.renda domiciliar real, pobreza, formalização.
Criminalidade e drogas · 46 × 460Único empate. Metas integradas de homicídio, roubo, fronteira, inteligência financeira e sistema prisional.taxa por 100 mil, elucidação, apreensão patrimonial.
Sinal de alerta metodológico: quando quase todas as dimensões se alinham ao voto declarado, pode haver opinião cristalizada, ou forte efeito de identidade partidária sobre respostas em matriz longa. O relatório não separa as duas coisas, e nenhum plano de campanha deveria assumir a primeira hipótese sem teste.
Desempenho por área de governo entre Lula e Flávio Bolsonaro na pesquisa Atlas de julho de 2026
Página 39 · a fonte da fila. Criminalidade empata; impostos e fiscal ficam a um ponto.
§ 07 · LEITURA SUBSTANTIVA
Junho → julho, e o retrato da onda

O macro é plausível. O micro grita.

O retrato geral, com Lula à frente, Flávio competitivo e segundo turno apertado, conversa com as demais pesquisas. O que singulariza a Atlas está na intensidade, na quase ausência de indecisão e no terceiro colocado digital.

IndicadorAtlas junhoAtlas julhoMudançaLeitura
Lula · cenário principal46,3%44,9%−1,4Oscilação pequena diante da incerteza real.
Flávio · cenário principal36,6%35,8%−0,8Essencialmente estável.
Renan Santos7,8%7,8%0,0Persistência exata apesar da recomposição interna.
Renan · 16–24 anos37,9%25,7%−12,2Ainda oito vezes o nível de Datafolha/Quaest no total.
Flávio · diferença por gênero+14,4 mulheres+5,1 homensgiro 19,5A direção voltou ao padrão usual; o salto é incompatível com “±1”.
Lula × Flávio · 2º turno48,8 × 42,349,2 × 42,9gap −0,2O confronto central ficou estável.

O giro de 19,5 pontos é a mudança na diferença mulheres–homens entre as duas ondas: em junho, 43,5% das mulheres e 29,1% dos homens marcavam Flávio; em julho, 33,4% das mulheres e 38,5% dos homens. Sob independência e amostragem simples, é uma oscilação de cerca de dez erros-padrão; mesmo com efeito de desenho 2, ainda seria extraordinária.

Governo

Aprovação e avaliação divergem

Lula tem 51,2% de aprovação e 47,6% de desaprovação. A avaliação é 49,3% positiva, 37,9% negativa e 12,7% regular. O formulário mede conceitos diferentes; não é contradição automática.

2022 repetido

Polarização quase total

Lula 43,2%, Jair Bolsonaro 42,3%, Tebet 5,0%, Ciro 4,4%, outro 0,9%, branco/nulo 3,8% e não sabe 0,4%. O nível de certeza é incomum tão longe da urna.

1º turno

Lula 44,9 × Flávio 35,8

Renan 7,8%, Caiado 3,1%, Zema 2,8%, Samara 2,1% e Augusto Cury 1,6%. Com cardápio reduzido, Lula sobe a 47,4% e Flávio a 37,0%; Renan permanece 7,8%.

Sem Lula

Haddad não herda tudo

Haddad 40,3%, Flávio 36,9%, Renan 8,5%, Caiado 4,2%, Zema 3,0%, branco/nulo 4,6% e não sabe 2,5%. A indecisão reaparece quando a âncora Lula some.

2º turno

Lula lidera todos

49,2 × 42,9 contra Flávio; 48,8 × 42,5 contra Michelle; 49,2 × 43,9 contra Jair; 48,2 × 38,9 contra Caiado; 48,6 × 39,6 contra Zema; 47,6 × 30,2 contra Renan.

Rejeição e medo

Flávio concentra o teto

Rejeição: Flávio 52,9%, Lula 49,4%, Jair 42,6%, Michelle 39,2%, Renan 38,0%, Zema 37,7%, Caiado 33,3%, Haddad 32,6%. Apenas 0,2% marcaram “nenhum destes”.

Sobre a rejeição de 52,9%: a soma das rejeições da pesquisa passa de 325% e só 0,2% dizem não rejeitar ninguém: é uma pergunta de múltipla marcação com quase nenhuma saída neutra. Isso infla todos os candidatos simultaneamente e torna a comparação com o número do Datafolha (48%, outra redação e outro formato) inválida sem ajuste. O ranking interno continua informativo; o nível absoluto, não.
Série temporal do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas Atlas
Página 30 · dez/25: 53 × 41. Fev/26: 46,2 × 46,3, com Flávio à frente. Jul/26: 49,2 × 42,9. A distância caiu de 12 para 6,3 em sete meses.
Ranking de rejeição dos líderes políticos na pesquisa Atlas de julho de 2026
Página 34 · o ranking de rejeição, com “nenhum destes” em 0,2%.
§ 08 · ATLAS × TSE × PNAD
O que a ponderação prova e o que não prova

Cota certa não salva origem errada.

A amostra publicada é muito próxima das metas em sexo, idade, escolaridade e renda. Isso prova que a ponderação consegue reproduzir marginais conhecidas. Não prova que pessoas politicamente equivalentes tenham a mesma probabilidade de clicar num anúncio.

DimensãoMeta Atlas/TSEPublicadoReferência independenteAuditoria
Sexo47,2 H · 52,8 M47,7 H · 52,3 MTSE: 47,18 · 52,82Fecha.
Idade 60+23,2%22,0%TSE: 23,27%−1,2 p.p.; excede em 0,2 a tolerância declarada.
Sudestenão exposta no registro44,4%TSE: 42,02%+2,38 p.p.
Nordestenão exposta no registro26,5%TSE: 27,58%−1,08 p.p.
Escolaridade33,8 · 40,7 · 25,533,3 · 40,7 · 26,0PNAD 16+: 33,23 · 41,58 · 25,19Próxima ao alvo.
Renda familiar22,4 · 17,1 · 23,1 · 23,9 · 13,522,1 · 17,9 · 23,2 · 23,4 · 13,3PNAD 2024 declarada pela AtlasFecha com o alvo, mas o alvo é de 2024. Ver seção 9.

TSE nacional residente, exterior excluído: 157.846.602 eleitores, competência junho/2026. A própria Atlas declara PNADC 2024 para escolaridade e renda. Os percentuais registrados reproduzem a distribuição PNAD bruta arquivada no repositório; valores atualizados e deflacionados mudam a composição econômica.

A diferença que importa é invisível

Duas pessoas podem ter o mesmo sexo, idade, renda, escolaridade, região e voto passado, e ainda assim probabilidades radicalmente diferentes de ver um anúncio político, clicar, tolerar um questionário longo e concluí-lo. Pós-estratificar seis marginais não corrige interesse político, intensidade militante, uso de Instagram e Google, confiança institucional ou disponibilidade de tempo.

“População adulta” não é o alvo descrito

O relatório fala em população adulta brasileira, mas o formulário aceita 16 e 17 anos e o registro descreve características do eleitorado. A diferença textual é pequena e metodologicamente relevante: o universo precisa ser único e verificável.

§ 09 · A RÉGUA DE RENDA
A safra que a Atlas escolheu não usar

Faixa em reais nominais envelhece. Esta aqui envelheceu duas vezes.

O registro no TSE diz, com todas as letras: “FONTE DOS DADOS: PNADC 2024 para escolaridade e nível econômico”. E as cinco faixas da cota são em reais nominais: até R$ 2.000, R$ 2.000–3.000, R$ 3.000–5.000, R$ 5.000–10.000, acima de R$ 10.000. Duas coisas decorrem disso, e o relatório não trata nenhuma: um limiar nominal fixo aplicado à renda de dois anos atrás não descreve o mesmo domicílio; e a PNADC anual de 2025 foi divulgada em maio de 2026, dois meses antes deste campo. Usar a de 2024 é escolha, não limitação.

Toda conta desta seção usa o universo que a pesquisa diz medir: pessoas de 16 anos ou mais, que é o piso da idade eleitoral e o mesmo corte que o formulário da Atlas aceita, com a renda domiciliar de todas as fontes (VD5007) e o peso calibrado do IBGE (V1032). São 168,3 milhões de pessoas na PNADC 2025.

R$ 2.824

dois salários mínimos em 2024

Em 2025 são R$ 3.036 e em 2026, R$ 3.242. O domicílio mais comum do Brasil atravessa o teto de R$ 3.000 sem ganhar um centavo de poder de compra, e muda de faixa na cota.

7,2%

dos adultos na fatia de R$ 300

Em 2024, essa fração da população de 16+ vivia em domicílios entre R$ 2.700 e R$ 3.000, ou 42% de toda a faixa 2, empilhados contra o teto. Em 2025 restam 2,6%: eles atravessaram.

−5,4

p.p. só por atualizar o preço

Expressando a mesma PNAD 2024 a preços de abril/2026, a faixa R$ 2.000–3.000 cai de 17,3% para 11,9%. Sem trocar de safra. Só corrigindo a régua.

+0,91

p.p. de gap ao reponderar

Reponderando pela PNADC 2025 a preços de 2026, a distância Lula–Flávio vai de 9,24 para 10,15. É quase uma “margem Atlas” inteira produzida por uma decisão de vintage.

A mesma pergunta, quatro réguas

Distribuição da renda familiar entre pessoas de 16 anos ou mais, variável VD5007 (rendimento domiciliar habitual de todas as fontes), peso V1032. “A preços de abril/2026” = último mês da série IPCA arquivada no repositório; o campo foi em julho, então a correção real é ainda maior.

0102030% 22,419,216,4 17,111,911,1 23,127,627,0 23,926,027,7 13,515,317,8 até R$ 2.000 R$ 2.000–3.000 R$ 3.000–5.000 R$ 5.000–10.000 acima de R$ 10.000 cota Atlas (PNADC 2024 nominal) PNADC 2024 a preços de abr/2026 PNADC 2025 a preços de abr/2026
As duas faixas mais baixas encolhem 12 pontos combinados; as duas mais altas crescem 6,1. O buraco de R$ 2.000–3.000 é o domicílio de dois salários mínimos mudando de casa.
Réguaaté 2 mil2–3 mil3–5 mil5–10 mil+10 milO que ela é
Cota registrada no TSE22,417,123,123,913,5O alvo que a Atlas se impôs, declarado como PNADC 2024.
Amostra publicada22,117,923,223,413,3Fecha com o alvo. A ponderação funciona; o alvo é que é velho.
PNADC 2024 · nominal20,317,324,024,613,8Nossa reprodução da safra declarada, em pessoas de 16+.
PNADC 2024 · a preços de abr/202619,211,927,626,015,3A mesma pesquisa, só com a régua corrigida. Isola o efeito da faixa nominal.
PNADC 2025 · nominal16,711,427,427,317,3A safra disponível desde maio de 2026.
PNADC 2025 · a preços de abr/202616,411,127,027,717,8A régua que uma pesquisa de campo em julho de 2026 deveria usar.
Por que a correção sozinha já basta: a linha em negrito do meio não troca de safra nem de visita do painel. É a própria PNADC 2024 que a Atlas declara, com a renda de cada domicílio expressa em reais de abril de 2026. Só isso derruba a faixa de R$ 2.000–3.000 de 17,3% para 11,9% e empurra 3,6 pontos para a faixa seguinte. Nenhuma discussão sobre qual safra é melhor precisa acontecer para que esse número exista.

E o que isso faz com o placar

Reponderação em uma única margem, mantendo fixo o voto dentro de cada faixa (cruzamento de renda das páginas 20 e 21). É análise de sensibilidade, não estimativa corrigida: a ponderação da Atlas é conjunta e não é pública. A distribuição publicada reproduz o topline com precisão de 0,1 ponto, o que valida o exercício.

Régua usada para reponderarLulaFlávioRenanZemaGap Lula−Flávio
Amostra publicada (referência)45,0235,787,732,809,24
PNADC 2024 · a preços de abr/202645,0735,448,073,029,63
PNADC 2025 · nominal45,1135,158,213,129,96
PNADC 2025 · a preços de abr/202645,2035,058,233,1410,15
Variação máxima+0,18−0,73+0,50+0,34+0,91
A quem custa

Flávio perde 0,73. Renan ganha 0,50.

Flávio é forte exatamente nas duas faixas do meio (40,9 e 41,4) e fraco no topo (24,1). Corrigir a régua tira peso do meio e devolve ao topo, onde Lula tem 52,8 e Renan tem 9,3. A cota velha estava, sem intenção, inflando o candidato do meio.

O tamanho certo do argumento

É pequeno. E é maior que a margem que eles publicam.

Ninguém deve dizer que a pesquisa “vira” com isso. O deslocamento é de décimos. Mas a Atlas publica ±1 p.p. como intervalo de 95%, e uma única decisão de vintage, feita por eles, move o gap em 0,91. Ou o erro deles é maior que o anunciado, ou o anúncio é retórico.

Limitações declaradas

O que este cálculo não é

Não é a reponderação completa da Atlas: é uma margem só. A comparação 2024×2025 usa visitas diferentes do painel anual (visita 5 e visita 1), o que pode adicionar diferença de composição; por isso a linha decisiva é a PNADC 2024 a preços de 2026, imune a essa objeção. E a deflação usa abril/2026 porque é o último mês do IPCA arquivado: com julho, a distância aumenta.

A conclusão depende do corte de idade?

Objeção justa: 16+ é uma escolha. Então repetimos a conta variando só o universo, sobre a PNADC 2025 a preços de abril/2026. Não depende, e o corte que adotamos é o mais conservador entre os elegíveis a voto.

UniversoPopulaçãoaté 2 mil2–3 mil3–5 mil5–10 mil+10 milGap Lula−Flávio
Todas as idades212,6 mi17,412,126,726,917,09,96
16 anos ou mais (adotado)168,3 mi16,411,127,027,717,810,15
18 anos ou mais162,4 mi16,211,027,127,817,910,15
25 anos ou mais140,9 mi16,210,727,127,618,410,28
Referência: amostra publicada da Atlas9,24

O gap cresce em todos os cortes, de +0,72 (todas as idades) a +1,04 (25+). Usar 16+ não força o resultado: é a leitura mais contida possível dentro do universo eleitoral, e ainda assim o deslocamento supera a margem de ±1 que a pesquisa publica.

O pedido, em uma frase: publicar a data-base da cota econômica junto com a cota, e atualizar a safra quando o IBGE atualiza. A PNADC anual de 2025 estava disponível desde maio de 2026. Não há razão técnica para calibrar uma pesquisa de julho de 2026 por uma fotografia de 2024 com faixas em reais que já não existem. Reprodução completa: python3 scripts/atlas-072026-renda.py · atlas_072026_renda.json.
§ 10 · O “R” DE RANDOM
Do leilão do anúncio até o voto

“Orgânico durante a navegação” não descreve a seleção.

O endereço salvo do questionário contém gclid, gad_source e gad_campaignid. O Google explica oficialmente que o GCLID acompanha cliques de anúncios para atribuição. Nesta resposta, o recrutamento pago é fato documental.

Plataforma entregaO sistema busca ações e cliques sob orçamento, segmentação e qualidade do anúncio.
Usuário vêCobertura depende de navegação, inventário, leilão, dispositivo e perfil comportamental.
Usuário clicaCuriosidade e identidade política passam a fazer parte da probabilidade de inclusão.
Usuário concluiMais de cem decisões favorecem persistência, atenção e engajamento acima da média.
Atlas ponderaSexo, idade, renda, educação, região e voto anterior não observam todo o funil.
Meta / Google

O algoritmo otimiza ação, não representatividade

A Meta informa que o leilão usa, entre outros fatores, a taxa estimada de ação. O Google identifica e atribui o clique. Nenhuma plataforma promete entregar amostra equiprobabilística do eleitorado.

Academia

O criativo muda quem responde

Estudo na Public Opinion Quarterly, com 23 anúncios e mais de 30 mil respondentes, mostrou que o conteúdo do anúncio altera custo e composição; anúncios políticos atraíram perfis diferentes.

Pós-estratificação

Demografia não é ideologia

O Pew encontrou que variáveis políticas de ajuste importam mais que demografia isolada. Outro teste encontrou erro absoluto médio de 6,4 pontos em amostras opt-in, contra 2,3 em amostras aleatórias.

Correção importante: o debate público comenta Instagram e Meta, mas o artefato desta resposta prova Google Ads. A crítica estrutural vale para qualquer plataforma otimizada por ação; não se troca uma prova específica por uma acusação mais conveniente.

A literatura não diz que recrutar em rede é sempre inútil. Pesquisas recentes mostram velocidade, baixo custo e utilidade para exploração e experimentos; mostram também sobrerrepresentação de escolarizados e conectados, falhas de segmentação e resíduos políticos que pesos demográficos não eliminam. O problema da Atlas é vender robustez sem publicar o diagnóstico que a sustentaria.

§ 11 · REGISTRO × APLICAÇÃO
O PDF do TSE contra o formulário preservado

O documento linear esconde um experimento ramificado.

O questionário registrado enumera 54 perguntas como sequência única. O HTML preservado expõe grupos de sorteio e roteamento; o respondente recebeu apenas uma das versões de certos blocos. Isso pode ser um split ballot legítimo. Sem probabilidades de alocação e bases por ramo, não é reprodutível.

54

itens numerados no TSE

O PDF registrado aparenta sequência única.

80

objetos no cliente

Incluem variantes nacionais e condicionais estaduais.

52

telas no caminho salvo

O número de telas não representa a carga real.

106+

decisões exigidas

Matrizes multiplicam o esforço cognitivo.

BlocoPDF registradoCaminho respondidoProblema auditável
Partido“maiores problemas”“direitos sociais”O cliente contém as duas variantes no grupo partido.
CCIconfiança econômica e comprasdecisões do governo LulaRamos mutuamente alternativos sem taxa de alocação.
Inflaçãoexpectativa de 6 meses12 meses e 5 anosHorizonte diferente muda o constructo medido.
Direitosnão traz cota transadiciona “cotas para pessoas trans”Item aplicado ausente no documento registrado.
Decisões Lulainclui cota para ex-presidiáriositem não apareceuO ramo aplicado não espelha a lista registrada.
Governadoresblocos estaduais achatadoscondicional à UFBase analítica é estadual, não os 5.021.
Cenário 1ordem começa por Lulaordem começa por Hertz DiasOrdem e rótulos partidários não são idênticos.
Página do questionário Atlas registrado no TSE
Questionário registrado: decisões do governo e direitos em versão tabular linear.
Privacidade

O caminho aplicado foi auditado, não publicado

O PDF respondido contém escolhas políticas e dados demográficos do participante. Em vez de expor esse material sensível, a comparação acima foi refeita contra o texto extraído e o estado estruturado do formulário salvo.

Identificadores individuais, token de sessão, bairro, idade, horário detalhado e respostas pessoais não aparecem neste dossiê. A prova metodológica independe de divulgá-los.

O formulário ainda abriu em 29/07

A impressão foi gerada em 29/07 às 02:16, após o fim de campo declarado em 27/07, e ainda mostrava “Enviar”. Isso prova que o endpoint permaneceu funcional; não prova que a resposta tardia entrou nos 5.021 casos.

5.000 registrados, 5.021 publicados

O registro no TSE prevê 5.000 entrevistados; o relatório publica 5.021. A diferença é pequena e pode ser rotina de campo, mas o desvio para cima em amostra não probabilística deveria vir com a trilha que reconcilia previsto e realizado: quantos casos entraram, quantos foram descartados e por qual critério.

A Resolução TSE 23.600 exige o questionário completo aplicado ou a aplicar. A existência de split ballot não é, por si, irregular; a versão registrada deveria documentar os ramos, os critérios, a aleatorização, a redação efetiva e o n de cada bloco.
§ 12 · COMPETIÇÃO À DIREITA
Renan Santos e o número que não replica

Planejar com 3%. Monitorar o risco de 8%.

Renan está consolidado como candidato há tempo suficiente para dispensar apresentação. A questão útil não é se ele existe: é qual tamanho deve orientar recursos, alianças e agenda. Atlas diz 7,8%; Datafolha e Quaest dizem 3%. A campanha não deve escolher o número conveniente: deve trabalhar com cenários e gatilhos.

SinalAtlas julhoReferênciaUtilidade para a decisão
Intenção nacional7,8%Datafolha 3% · Quaest 3%Usar 3%–5% como faixa-base de planejamento; tratar 8% como cenário de estresse até replicação independente.
Persistência Atlas7,8% em junho e julhocomposição interna mudou muitoO agregado está imóvel enquanto gênero e idade giram. Parece mais estabilidade produzida pelo ajuste do que eleitorado congelado.
Homens × mulheres13,2% × 2,8%gap de 10,4 p.p.Concentração masculina compatível com base digital específica; não projetar o mesmo crescimento sobre o eleitorado inteiro.
16–24 anos25,7%37,9% em junhoQueda de 12,2 pontos em uma onda, ainda muito acima do total. Recorte altamente volátil, não domínio consolidado.
Direita não bolsonarista28,6%sem benchmark externo equivalenteTerreno real de competição programática, e o mesmo bloco onde Flávio perdeu 20,3 pontos do pai.
Eleitores de Jair/202210,2%sem base não ponderada publicadaExiste vazamento dentro do próprio campo. Acompanhar em série multimétodo, não combater com ataque pessoal.
Rejeição · 2º turno38,0% · 30,2%Lula 47,6% nesse confrontoO primeiro turno não se converte em capacidade majoritária. O adversário estruturalmente perigoso é outro.
Teste de sensibilidade: se apenas 1% da amostra ponderada fosse uma sobrecaptura que vota integralmente em Renan, seu 7,8% observado cairia para 6,9% ao removê-la. Com 3%, cairia para 4,9%; com 5%, para 2,9%. Isso não estima contaminação: mostra quão pouca seleção diferencial basta para produzir a distância Atlas × Datafolha/Quaest. Fórmula: p verdadeiro = (p observado − f) / (1 − f).

O prêmio de intensidade

Comparar as duas pesquisas em bruto não vale: a Atlas registra 1,6% de branco, nulo e “não sei” contra 11% do Datafolha, e esses 9,4 pontos comprimem mecanicamente todas as porcentagens de uma delas. Sobre votos válidos, a comparação fica limpa, e o resultado é o achado mais nítido desta auditoria.

CandidaturaAtlas brutoDatafolha brutoAtlas válidosDatafolha válidosRazão
Renan Santos (Missão)7,83,07,933,452,30×
Samara Martins (UP)2,11,02,131,151,86×
Lula44,940,045,6345,980,99×
Flávio Bolsonaro35,832,036,3836,780,99×
Romeu Zema2,83,02,853,450,83×
Augusto Cury1,62,01,632,300,71×
Ronaldo Caiado3,14,03,154,600,69×
O que a coincidência prova

A Atlas não está simplesmente errada

Dois desenhos opostos, recrutamento por anúncio e abordagem em ponto de fluxo, chegam ao mesmo lugar nos dois maiores candidatos, com diferença de um centésimo. Isso derruba a leitura preguiçosa de que o painel online “erra tudo”, e é justamente o que torna a divergência restante significativa.

A simetria

Não é viés partidário. É viés de método.

Quem infla junto com o Missão é a UP, de extrema esquerda (1,86×). Quem encolhe são dois governadores e um candidato de público mais velho. Candidaturas de movimento aparecem maiores; candidaturas de estrutura, menores. O padrão atravessa o espectro, logo não descreve preferência do instituto.

A leitura

Prêmio de intensidade, não crescimento

Um desenho em que o respondente se autosseleciona premia quem quer responder. Militância tem isso de sobra. Responder custa um clique; votar custa um domingo e um voto por pessoa, sem prêmio por entusiasmo. A razão mede a distância entre os dois desenhos, não a verdade.

O mecanismo, sem conspiração: plataformas de anúncio otimizam a entrega para quem tem maior probabilidade estimada de ação e permitem construir públicos a partir de quem interagiu com a página do anunciante. Segue-se daí, por desenho da ferramenta, que seguir, curtir e comentar na página de um anunciante aumenta a própria chance de receber os anúncios dele. Há relato de fontes reservadas de que essa estratégia teria sido discutida em grupos ligados ao MBL para receber os anúncios de recrutamento da Atlas. Não há prints, registro ou qualquer verificação documental: isso entra no degrau de hipótese, não de fato, e nada nos documentos examinados sugere conhecimento, participação ou tolerância do instituto. O que encerraria a dúvida sem depender de relato é o funil por origem, criativo, campanha e hora, com o voto em Renan dentro de cada um.
E por que isso cobra do próprio Missão: um número que não replica compra tempo de tela real, porque quando o partido não alcança o piso legal de convite obrigatório, entrar em debate vira decisão editorial da emissora, e o critério editorial usual é a pesquisa. Mas a conta chega para dentro: planeja-se para 8% com base real de 3%, recusa-se em julho a coordenação necessária em setembro, e a distância entre expectativa e resultado vira desmobilização na apuração. A própria Atlas dá o aviso: num segundo turno contra Lula, Renan marca 30,2% contra 47,6%, o pior desempenho entre todos os adversários testados. Intensidade alta, largura baixa. Auditar esse número não é atacar o Missão: é a única forma de o Missão saber do que é feito.
§ 13 · A MÍSTICA DO ±1
Uma margem honesta, em quatro camadas

A única conta exata possível já refuta o número de capa.

“Margem de erro” mistura incertezas diferentes. Com os dados publicados, a aritmética elementar basta. O restante precisa ser apresentado como sensibilidade e erro total, não como precisão clássica.

MOESRS,95% = 1,96 × √[0,5 × 0,5 / 5.021]
= 1,383 ponto percentual
n necessário para ±1,00 p.p. no pior caso ≈ 9.604
MOE com pesos = 1,383 × √DEFF
1,38

Piso SRS

Acaso simples, sem peso, cobertura perfeita e nenhuma seleção. A Atlas publica valor menor.

1,69–2,19

Com ponderação

Faixa ilustrativa se o efeito de desenho estiver entre 1,5 e 2,5. A Atlas não publica DEFF nem tamanho efetivo.

4–6

Faixa operacional nacional

Nossa melhor estimativa de leitura, ancorada na divergência concorrente e em estudos opt-in. Não é IC formal.

8–12

Cruzamentos frágeis

Jovens, nichos ideológicos e ramos do formulário têm bases efetivas não divulgadas e seleção mais concentrada.

Raphael Nishimura acerta o alvo metodológico

A thread de 29/07 distingue oportunidade militante de coordenação. A crítica central é estatística: uma metodologia com alto risco de seleção precisa reconhecer, medir e comunicar esse risco. “Acertou eleição passada” é validação incompleta, sujeita a overfitting, mudanças de método, cancelamento de erros e escolha do ponto de comparação.

O que os comentários provam: que a vulnerabilidade é conhecida, que existe incentivo para exploração estratégica e que defensores reagem com argumento de autoridade. O que não provam: que os perfis sejam militantes coordenados, funcionários ou agentes de Atlas e Missão; que alguma campanha tenha alterado os 5.021 casos; ou que o instituto tenha agido com dolo.

Publicação de Raphael Nishimura sobre viés de autosseleção nas pesquisas Atlas
“Viés de auto-seleção é levado bastante a sério em pesquisas de opinião.”
Comentários sobre voto estratégico e otimização de anúncios
Comentários registram a hipótese de voto estratégico e o problema do anúncio otimizado.
Relato sobre colegas da Meta e recrutamento de amostra por anúncio
O relato sobre colegas da Meta é testemunho, não política publicada pela empresa.
Publicação sobre fragilidade da metodologia diante do risco de viés de seleção
Acerto histórico de urna não identifica o viés de uma onda corrente.
Síntese: publicar “±1 p.p., 95%” sem modelo, pesos, efeito de desenho, probabilidades de inclusão ou validação externa é falsa precisão. Para decisão política, usaríamos ±4 p.p. como centro da faixa nacional, ampliaríamos para ±6 em candidatos dependentes de nichos digitais e não trataríamos nenhum cruzamento Atlas como preciso abaixo de ±8 sem base não ponderada e DEFF. A AAPOR considera enganoso reportar margem de amostragem para amostras autosselecionadas. Reprodução numérica em JSON.

Uma pesquisa recruta no anúncio. A outra, na calçada.

Nenhuma das duas sorteia o Brasil. E é justamente porque erram em direções opostas que, lidas juntas, dizem mais do que qualquer uma delas sozinha.

Foto: Wagner Tamanaha · CC BY-SA 2.0
§ 14 · O ESPELHO INVERTIDO
Atlas × Datafolha, julho de 2026

Duas máquinas de erro que apontam para lados contrários.

A própria Atlas escreve, na página de metodologia, que o RDR evita “o eventual impacto psicológico da interação humana” presente em pesquisas “presenciais domiciliares ou em pontos de fluxo”. É uma descrição correta do método concorrente, e uma confissão involuntária de que os dois desenhos selecionam populações diferentes. Os cruzamentos confirmam: nos mesmos dias de julho, os dois institutos discordam sobre a forma de classe do eleitorado bolsonarista.

RecorteAtlas · 1º turno (Flávio − Lula)Datafolha · 2º turno (Flávio − Lula)O que não fecha
Ensino superior−28,6+9Numa pesquisa o diplomado é o pior eleitorado de Flávio; na outra, o melhor.
Renda mais alta−28,7 (>R$10 mil)+6 (>10 SM)O gradiente de renda tem sinal oposto nos dois desenhos.
Ensino fundamental−2,9−25Atlas quase empata onde o Datafolha mostra abismo.
35 a 44 anos+6,3+15Mesma direção, intensidade muito diferente.
60 anos ou mais−28,6−18Mesma direção; o online amplia.
Sul+27,5+16Mesma direção; o online amplia.
Nordeste−44,5−33Mesma direção; o online amplia.

A comparação de nível só é válida sobre votos válidos, e feita assim mostra coincidência quase perfeita nos dois grandes; ver o prêmio de intensidade na seção 12. Aqui a comparação é de direção, não de nível: a coluna Atlas é primeiro turno com sete candidatos (Renan absorve 5,9 entre superiores e 9,3 na faixa acima de R$ 10 mil) e a coluna Datafolha é segundo turno com dois nomes. Parte da distância é cardápio. Mas cardápio não inverte sinal, e em escolaridade e renda o sinal está invertido.

Viés A

Quem clica no anúncio

Recrutamento por leilão publicitário favorece quem navega muito, tem opinião política forte o suficiente para clicar num convite sobre eleição e paciência para mais de cem decisões. Sobra jovem homem conectado e politicamente intenso; falta quem só usa o celular para WhatsApp e vídeo.

Viés B

Quem passa na calçada

Ponto de fluxo entrega quem está fora de casa no horário da abordagem: aposentado, trabalhador informal, estudante, quem faz compra no centro. Falta quem está em escritório, em turno fechado, em condomínio ou trabalhando de casa. Nenhum dos dois é o eleitorado.

O que ninguém publica

O diagnóstico que fecharia a discussão

A Atlas não publica funil por origem, DEFF nem base não ponderada. O Datafolha não publica probabilidade de seleção do município, estrato, nem efeito de desenho, embora entregue exatamente seis entrevistas por setor censitário, que é a definição de conglomerado. Falta o mesmo item nos dois: o número que permitiria calcular a incerteza de verdade.

A conta que decorre disso: pela fórmula de Kish, deff = 1 + (m − 1) · ρ. Com m = 6 entrevistas por setor, basta uma correlação intraconglomerado de ρ = 0,088, isto é, vizinhos da mesma rua parecendo-se 8,8% entre si, para que a vantagem de 5 pontos do Datafolha no segundo turno deixe de excluir o zero. Para derrubar a vantagem de 8 pontos do primeiro turno seria preciso ρ = 0,736, o que é implausível. Conclusão simétrica e honesta: o primeiro turno do Datafolha sobrevive; o segundo turno, não. Detalhamento territorial na auditoria do BR-01166/2026 e em datafolha_072026_territorio.json.
§ 15 · O CAMINHO PARA SAIR DA SUSPEITA
A crítica é falsificável

Dez arquivos encerrariam metade da discussão.

Se o recrutamento e os pesos são tão robustos quanto a Atlas afirma, os diagnósticos abaixo sobrevivem à luz. Se não sobrevivem, o problema nunca foi a auditoria.

1. Funil por origem

Impressões, cliques, inícios, conclusões e descartes separados por Google, Meta, orgânico, domínio, campanha, criativo, dia e hora.

2. Criativos e segmentação

Imagem, texto, objetivo de otimização, público, exclusões, orçamento, lance e relatório de entrega de cada anúncio.

3. Questionário versionado

JSON integral com hash, lógica de ramo, probabilidades de randomização, ordem e base não ponderada de cada pergunta.

4. Pesos e tamanho efetivo

Distribuição dos pesos, truncamento, variáveis e interações, DEFF, n efetivo e resultados antes e depois do ajuste.

5. Validação e fraude

Regras de IP e dispositivo, duplicidade, velocidade, respostas em linha reta, bots, VPN, geolocalização e checagem manual.

6. Teste Missão

Renan por origem de tráfego, criativo, hora, velocidade de resposta e comportamento eleitoral; publicar estabilidade ao remover cada campanha.

7. Logs pós-campo

Submissões após 27/07, status de aceitação e trilha que reconcilie 5.000 previstos com 5.021 publicados.

8. Microdados protegidos

Arquivo anonimizado ou acesso seguro para replicação independente, preservando privacidade e removendo identificadores de campanha individual.

9. Calibração prospectiva

Pré-registrar o modelo antes do campo e medir erro contra benchmarks não usados no peso, em vez de escolher validação depois do resultado.

10. Intervalo modelado

Trocar “margem de erro” por medida com nome correto, premissas explícitas, simulação de sensibilidade e cobertura histórica.

A mesma régua vale para o Datafolha: probabilidade de seleção de cada município, estratos, critério de rotação da amostra-mestra, tamanho de conglomerado, efeito de desenho e taxa de recusa por ponto de fluxo. Nenhuma auditoria desta casa aplica exigência a um instituto e dispensa o outro.
§ 16 · SISTEMA OPERACIONAL
Da análise para a rotina

Dez núcleos, entregáveis e travas.

As jogadas da seção 5 só existem se houver máquina para sustentá-las. O desenho abaixo é digital porque versiona, calcula e publica, não porque persegue pessoas com mensagens diferentes.

01 · Núcleo de evidências

Uma afirmação, uma ficha de prova

ID único por alegação, fonte primária, cálculo reproduzível, revisor, grau de certeza e histórico de correção. Toda manchete entra numa fila: confirmada, incompleta, enganosa ou não verificável.

SLA: cheque preliminar em 30 min; nota documentada em 4 h.

02 · Programa de governo

Proposta com dinheiro e dono

Cada proposta contém problema PNAD/TSE, público elegível, desenho, custo anual, fonte fiscal, implantação federativa, responsável e três metas.

Trava: nada vai ao ar sem baseline, memória de cálculo e cenário adverso.

03 · Prontidão governamental

Primeiros 100 dias antes da eleição

Decretos possíveis, projetos dependentes do Congresso, nomeações críticas, riscos fiscais e contratos prioritários, com matriz RACI e caminho crítico.

Entrega: plano D+1, D+30 e D+100.

04 · Governança de pesquisas

Protocolo único, qualquer instituto

Comparar automaticamente registro TSE, questionário, campo, setores, cotas, pesos, contrato, nota e manchetes. A mesma régua usada contra Atlas vale para pesquisa favorável.

Entrega: scorecard de transparência em até 24 h.

05 · Atuação jurídica

Escada de intervenção, não espetáculo

Nível 1: pedido técnico ao instituto. Nível 2: solicitação de documento. Nível 3: nota pública. Nível 4: representação ao TSE somente com requisito normativo, fato, prova, nexo e pedido proporcional.

Trava: “fraude” só aparece com evidência de dolo.

06 · Integridade comunicacional

Fato, inferência e hipótese na tela

Rotular cada peça; dupla revisão para número; proibir recorte sem base e comparação sem mesma pergunta ou período. Página de correções com erro, impacto e horário.

Métrica: correções por 100 peças e tempo para corrigir.

07 · Segurança

Campanha é infraestrutura crítica

SSO com chave física, privilégio mínimo, MDM, criptografia, sala de dados, inventário de fornecedor, logs imutáveis, backup testado e canal seguro para denúncia.

Rotina: simulação mensal de phishing e comprometimento de fornecedor.

08 · Gestão de crise

Verificar antes de narrar

15 min: preservar evidência. 30: classificar fato, dano e incerteza. 60: decisão técnica e jurídica. 120: nota factual ou justificativa pública para aguardar.

Trava: nunca preencher lacuna com versão conveniente.

09 · Transparência radical

Uma URL por compromisso

Custo, premissa, fonte, indicador, responsável, conflito de interesse, versão e execução simulada. Anúncios apenas apontam para a mesma página pública.

Diferencial: competir por capacidade de governo, não por microtargeting invisível.

10 · Registro de riscos

Risco com proprietário e gatilho

Rejeição, medo, inconsistência programática, promessa sem financiamento, exposição jurídica, fornecedor e contradição pública, cada um com probabilidade, impacto, dono e limiar de escalada.

Top 3 Atlas: rejeição 52,9; medo 46,6; déficit de 10 pontos em pobreza.

0–7 dias

Fundação

Evidence desk, taxonomia de certeza, sala de dados, política de correção e inventário de acessos.

8–21 dias

Produto

Quatro propostas custeadas (garantia de renda, emprego jovem, previdência e desigualdade regional), mais plano D+100.

22–30 dias

Prova pública

Portal de transparência, scorecard de pesquisas, simulação de crise e primeira prestação de contas aberta.

§ 17 · DOCUMENTAÇÃO
Tudo que sustenta cada número acima

Fontes auditáveis.

Documentos locais examinados: Atlas_0726.pdf, Atlas_TSE_0726.pdf, Atlas_Questionario_0726.pdf, Atlas_QuestionarioRespondido_0726.pdf, Atlas_Bairros_0726.pdf, página HTML preservada, declaração e DRE. Nenhum token de sessão ou dado pessoal foi publicado. Os cruzamentos das seções 2, 3, 4, 6 e 9 foram transcritos das páginas 16, 20, 21, 38 e 39 do relatório, publicadas como imagem.

  1. AAPOR · Disclosure Standards: recrutamento, redação, pesos, bases e limitações exigidos para avaliação independente.
  2. AAPOR · Task Force on Non-Probability Sampling: margem de amostragem em opt-in é enganosa sem modelo específico.
  3. AAPOR · intervalo de credibilidade versus margem de amostragem.
  4. Pew · Comparing Two Types of Online Survey Samples: opt-in teve cerca de metade da acurácia dos painéis probabilísticos.
  5. Pew · For Weighting Online Opt-In Samples, What Matters Most?: ajuste político supera demografia isolada.
  6. Public Opinion Quarterly · Advertising Online Surveys on Social Media: o criativo altera composição e custo da amostra.
  7. Political Science Research and Methods · Facebook ads no Sul Global: rapidez e custo com resíduos de escolaridade e seleção.
  8. Sances · Missing the Target?: sucesso de segmentação variou de 23% a 99%.
  9. JRSS-A · social-media sampling em seis países africanos: otimização de cliques favorece perfis fáceis de alcançar.
  10. Sociological Methods & Research · Promises and Limits: pós-estratificação demográfica não elimina vieses políticos e sociais.
  11. Kish, L. Survey Sampling (1965): efeito de desenho para conglomerados de tamanho igual, deff = 1 + (m − 1)ρ, base da conta da seção 14.
  12. Google Ads · GCLID: parâmetro de identificação e atribuição de cliques de anúncio.
  13. Meta · como o leilão de anúncios funciona: valor total inclui taxa estimada de ação e qualidade.
  14. TSE · Resolução 23.600 consolidada: registro e questionário completo.
  15. TSE · Eleitorado Atual: 157.846.602 eleitores residentes, competência junho/2026.
  16. CNN/Quaest, 15/07/2026: Renan 3%, Lula 40%, Flávio 28%.
  17. Folha/Datafolha, 24/07/2026 e auditoria Arvor do BR-01166/2026.
  18. Bloomberg Línea · “Lula mantém vantagem de 7 pontos”: moldura dominante da onda anterior.
  19. A Tarde · “temor por vitória de Flávio”: transformação do item experimental em narrativa de risco.
  20. Raphael Nishimura · thread de 29/07/2026, imagens arquivadas neste dossiê. É dele a formulação que organiza a seção 13: risco de seleção precisa ser reconhecido, medido e comunicado pelo instituto, e oportunidade militante não é o mesmo que coordenação.
  21. Arvor · auditoria AtlasIntel de junho/2026: base para a comparação de ondas.
  22. Retratos oficiais: Agência Senado (Flávio Bolsonaro, licença de atribuição) e Ricardo Stuckert/PR (Lula, CC BY 2.0), via Wikimedia Commons. Fotografias de contexto: Agência Senado (CC BY 2.0) e Wagner Tamanaha (CC BY-SA 2.0).