Placar publicado do segundo turno. A margem de 95% da diferença é ±4,10 pontos sob amostragem aleatória simples.
Placar ao substituir somente a renda pela PNADC 2025. A margem inverte o sinal.
Maio, junho, julho e agosto sob a mesma régua de renda. Em nenhuma das quatro ondas Lula fica à frente.
Vinte e seis por cento declaram que o voto pode mudar e quatro por cento estão indecisos. É cinco vezes a diferença noticiada.
Desaprovam o governo e não votam na oposição. Teto endereçável, estável entre 6,40 e 7,05 nas seis partições fechadas.
Entre a manchete e a criação do relatório que permite conferi-la. Quatro ondas, quatro vezes, sempre três dias.
Perguntas sobre um caso concreto em maio e em agosto. Em quatro ondas, a bateria de custo eleitoral foi aplicada a um só político.
Aplicadas a 2.058 eleitores e ausentes das 51 páginas, inclusive o voto de 2022 e a escala ideológica de sete pontos.
Sexo, idade, escolaridade e região preservam a liderança publicada. O desvio dominante é renda.
Flávio consolida 9,8 pontos fora da base; Lula, 7,7. A razão era 1,48:1 em julho.
A análise revela dependência do benchmark. Sem microdados e pesos, não identifica o resultado real.
O segundo turno não tem liderança estatística a 95%
A margem de ±2 divulgada pelo instituto é a incerteza de uma proporção isolada no pior caso, sob amostragem aleatória simples. A comparação Lula menos Flávio tem outra variância e outra margem.
−0,10 a +8,10
Intervalo de 95% para a diferença Lula menos Flávio sob amostragem aleatória simples. Zero já está dentro por 0,10 ponto.
+2,34 a +9,66
O saldo 39 × 33 resiste sob a mesma hipótese. Mesmo com deff 2, o intervalo ainda vai de +0,83 a +11,17.
deff não publicado
Pontos de fluxo, cotas, conglomerados e pesos podem ampliar a incerteza. O relatório não entrega o efeito de desenho da diferença.
Var(pL − pF) = [(pL + pF) − (pL − pF)²] / n
MOE95 = 1,96 × √[(0,47 + 0,43 − 0,04²) / 2.058] = 4,095 p.p.
Intervalo do saldo = 4,0 ± 4,095 = [−0,095; +8,095]
Lula lidera numericamente por quatro pontos. A pesquisa não estabelece liderança a 95% nem sob a hipótese simplificada que sustenta a margem da capa. Isso não prova empate no eleitorado. Prova que a amostra não separa os dois com essa confiança.
A pesquisa obedece à meta. A meta é que envelheceu.
O registro usa PNADC anual 2024 e fixa 49% até dois salários mínimos. O perfil ponderado chega a 50%. Não é falha de execução contra o plano registrado. O problema é a régua de 2024 diante da PNADC anual 2025, já disponível.
50 / 34 / 12 / 4
Até 2 SM, de 2 a 5 SM, mais de 5 SM e não sabe ou recusa. É o perfil publicado na página 5.
35,4 / 39,2 / 25,4
Rendimento domiciliar efetivo em salários mínimos, pessoas de 16 anos ou mais, visita 1.
cerca de 300 casos
O excesso ponderado na faixa até 2 SM equivale a 300 entrevistas sobre n=2.058. É escala, não contagem literal de pessoas erradas.
A inversão não depende do arredondamento das células impressas. Em 10 mil simulações, perturbando cada célula em ±0,5 ponto e renormalizando as linhas, Flávio fica à frente em 100% dos sorteios. O intervalo simulado do gap Lula menos Flávio vai de −1,96 a −1,61. Bastam 69,2% do caminho entre a renda Datafolha e a renda PNADC para zerar o saldo publicado.
Por que isto continua sendo sensibilidade, não correção
Renda declarada numa entrevista de rua não é idêntica ao rendimento domiciliar captado pelo IBGE. A ponderação real é conjunta e pode conter interações entre renda, escolaridade, idade, região, religião e comportamento eleitoral. As tabelas públicas são marginais e arredondadas. O exercício responde a uma pergunta rigorosa e limitada: quanto o topline muda se a única alteração for a distribuição de renda?
Quatro ondas, a mesma régua. A vantagem desaparece.
Maio, junho, julho e agosto publicam o segundo turno por renda. Aplicar a mesma PNADC 2025 a cada cruzamento separa movimento eleitoral de mudança na composição econômica medida em cada onda. O resultado é estável e incômodo: a série publicada dá Lula +4 a +5; a série padronizada produz empate ou Flávio numericamente à frente.
| Campo | Publicado | Saldo publicado | PNADC | Saldo padronizado |
|---|---|---|---|---|
| 20–21/mai | 47,00 × 43,00 | Lula +4,00 | 43,60 × 46,41 | Flávio +2,81 |
| 17–18/jun | 47,00 × 43,00 | Lula +4,00 | 45,21 × 45,37 | Empate, Flávio +0,16 |
| 22–23/jul | 48,00 × 43,00 | Lula +5,00 | 45,48 × 45,48 | Empate, diferença <0,01 |
| 18–19/ago | 47,00 × 43,00 | Lula +4,00 | 44,19 × 45,97 | Flávio +1,78 |
Esta é a tendência sob uma régua oficial comum, não a “tendência real da eleição”. Ela mostra que a vantagem publicada depende da margem de renda nas quatro ondas. Maio e agosto invertem mesmo quando as células impressas variam em ±0,5 ponto. Junho fica no limite; julho é indeterminado pelo próprio arredondamento. Sem microdados, pesos individuais e deff, a série não identifica quem está à frente no eleitorado.
Quatro margens passam. Uma domina o erro.
Sexo, idade e região foram comparados ao eleitorado atual do TSE. Escolaridade e renda foram comparadas à PNADC, porque escolaridade cadastral do TSE pode estar desatualizada e o TSE não mede renda.
| Margem | Fonte adequada | Maior desvio | Lula | Flávio | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|
| Sexo | TSE, jun./2026 | 0,82 | 47,04 | 42,95 | Imaterial |
| Idade | TSE, jun./2026 | 0,73 | 46,97 | 43,02 | Imaterial |
| Escolaridade | PNADC 2026-T1 | 3,42 | 47,64 | 42,55 | Amplia Lula |
| Região | TSE, jun./2026 | 0,52 | 47,00 | 43,01 | Imaterial |
| Renda | PNADC anual 2025 | 14,57 | 44,19 | 45,97 | Inverte |
A PNADC 16+ tem 16,0% entre 16 e 24 anos; o TSE tem 12,5%, porque o alistamento de 16 e 17 anos é facultativo. O Datafolha marca 13%. Compará-lo apenas à PNADC produziria um falso alerta de idade. Para pesquisa eleitoral, a régua correta aqui é o eleitorado.
Trinta pontos do eleitorado ainda não escolheram
O Datafolha pergunta a cada eleitor que citou um voto se aquele voto pode mudar. A resposta ocupa a página 12 inteira do relatório e não entrou em nenhuma manchete. Ela mede o tamanho real da disputa, e o tamanho real da disputa é cinco vezes a diferença que virou notícia.
| Candidato | Voto no 1º turno | Diz que pode mudar | Pontos do eleitorado |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 39% | 18% | 7,0 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 33% | 21% | 6,9 |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 5% | 42% | 2,1 |
| Zema (NOVO) | 3% | 69% | 2,1 |
| Renan Santos (MISSÃO) | 4% | 46% | 1,8 |
O eleitorado móvel tem endereço. Entre quem não se declara nem bolsonarista nem petista, 49% dizem que o voto pode mudar. Entre quem tem 60 anos ou mais, 17%. Entre quem não tem partido, 40%. Entre quem prefere o PL, 11%. A disputa por convencimento acontece num pedaço específico do país, e esse pedaço é jovem, urbano, feminino e sem filiação.
| Recorte | Pode mudar | Recorte | Pode mudar |
|---|---|---|---|
| Não alinhados | 49% | Nordeste | 20% |
| Sem partido | 40% | Fundamental | 20% |
| 16 a 24 anos | 39% | Petistas | 19% |
| 25 a 34 anos | 33% | 60 anos ou mais | 17% |
| Mulheres | 32% | PT | 16% |
| Região metropolitana | 31% | PL | 11% |
Poder mudar não é ir para o outro lado. A pergunta mede disponibilidade declarada, não probabilidade de migração. Boa parte desses trinta pontos vai terminar em branco, nulo ou abstenção, e não na urna do adversário. O achado correto é outro e é mais duro: a eleição publicada como uma diferença de seis pontos é, pelo próprio instrumento do instituto, uma disputa por trinta. Uma nota de leitura: o relatório mede 27% sobre a base de quem citou algum voto, que exclui os indecisos. Sobre o eleitorado inteiro, isso equivale a 26%, e é assim que os números aparecem aqui sempre que a comparação for com o placar nacional.
Seis nomes que quase ninguém sabe citar têm 9,7% de rejeição
A pergunta de rejeição é estimulada, múltipla, com cartão e com insistência: o entrevistador pergunta e qual mais? até o entrevistado parar. Somadas, as recusas dão 223% da amostra, ou 2,23 nomes rejeitados por eleitor. Antes de ler qualquer ranking de rejeição, é preciso saber quanto o instrumento fabrica sozinho.
9,67%
Média de rejeição de Samara, Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa, Wilson Grassi, Clariana Barão e Hertz Dias. Juntos, esses seis nomes somam 4% de intenção de voto.
Augusto Cury
Tem 8% de rejeição, menos do que a média dos desconhecidos. O relatório o coloca em décimo terceiro num ranking de treze. O número não distingue o escritor de um nome que ninguém ouviu falar.
223%
Total das rejeições sobre uma base de 100%. Cada eleitor recusa 2,2 nomes em média. É medida de quanto o entrevistado responde, não apenas de quanto ele rejeita.
| Candidato | Publicada | Acima do piso | Voto no 1º turno |
|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 46% | 36,3 | 33% |
| Lula (PT) | 45% | 35,3 | 39% |
| Pablo Marçal (PRTB) | 22% | 12,3 | 2% |
| Zema (NOVO) | 16% | 6,3 | 3% |
| Renan Santos (MISSÃO) | 14% | 4,3 | 4% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 14% | 4,3 | 5% |
| Augusto Cury (AVANTE) | 8% | −1,7 | 2% |
Na tabela publicada, a rejeição a Flávio cresce com a idade: 46% entre 16 e 24 anos, 50% entre os de 60 ou mais. Só que o piso de ruído também cresce com a idade, de 5,7% para 13,5%. Descontado o piso, a rejeição a ele é 40,3 entre os jovens e 36,5 entre os idosos. A ordem se inverte. O mesmo vale para escolaridade: publicada, a rejeição a Lula é 33% no ensino fundamental; acima do piso, 19,3%, a menor de toda a pesquisa. Comparar rejeição entre recortes sem descontar o piso mistura opinião com estilo de resposta.
Descontar o piso não corrige a pesquisa nem produz um número melhor. É um teste de robustez: mostra quanto de cada rejeição publicada sobrevive quando se retira o que o instrumento produziria contra qualquer nome. Os dois primeiros colocados sobrevivem inteiros e continuam separados por um ponto. Do terceiro em diante, o ranking perde sentido.
Flávio é o voto útil. Quem mede é o próprio Datafolha.
O relatório não publica a matriz candidato por candidato do primeiro para o segundo turno. Publica, porém, quatro segundos turnos na mesma amostra. Eles fixam o limite agregado: Lula quase não se move; a oposição perde quando troca Flávio por qualquer alternativa.
47–48 Lula
O incumbente fica parado nos quatro confrontos. Trocar o adversário não lhe entrega votos diretamente na escala agregada.
9,8 × 7,7
Pontos captados fora das bases de primeiro turno por Flávio e Lula. Razão de 1,27:1, contra 1,48:1 em julho.
fragmentar ajuda Lula
Com Lula estável, cada ponto perdido por Flávio em alternativa adversária termina principalmente na não escolha.
O caminho natural da oposição é concentrar cedo em Flávio. O caminho natural de Lula é preservar a fragmentação e a dúvida sobre viabilidade. A evidência forte não é cada fita estimada. É a experiência que o instituto já fez: substituir Flávio derruba o adversário entre 3 e 6 pontos sem deslocar Lula.
Sete pontos de voto anti-governo que a oposição não recolheu
Cinquenta por cento desaprovam o trabalho do presidente. Quarenta e três por cento votam no adversário no segundo turno. A diferença é o vão: eleitores que já rejeitam o governo e ainda não escolheram quem o substitui. As duas metades da conta vêm do mesmo relatório, do mesmo campo e do mesmo recorte.
O maior vão da pesquisa está entre os não alinhados. Sessenta e três por cento desaprovam o governo. Trinta e oito votam no adversário. Trinta por cento não escolhem ninguém no segundo turno. É um quarto do eleitorado, e quase um terço dele não escolhe ninguém.
| Recorte | Base | Desaprova | Oposição | Vão | Não escolhe |
|---|---|---|---|---|---|
| Não alinhados | 496 | 63 | 38 | 25 | 30% |
| Ensino superior | 514 | 58 | 42 | 16 | 14% |
| Sem partido | 964 | 58 | 47 | 11 | 18% |
| 25 a 34 anos | 382 | 54 | 44 | 10 | 12% |
| 2 a 5 salários | 704 | 61 | 51 | 10 | 12% |
| Mais de 5 salários | 249 | 64 | 54 | 10 | 7% |
| Ocupados (PEA) | 1.466 | 54 | 45 | 9 | 12% |
| Ensino fundamental | 617 | 35 | 35 | 0 | 6% |
| Fora da PEA | 592 | 38 | 38 | 0 | 7% |
| Bolsonaristas | 697 | 88 | 90 | −2 | 4% |
Desaprovar um governo não é o mesmo que estar disponível para o adversário. Muita gente desaprova e vota no incumbente assim mesmo, e muita gente desaprova e não vota em ninguém. O número mede o limite superior de conversão dentro de cada recorte, com as duas metades saindo da mesma amostra. Nas seis partições fechadas do relatório, gênero, idade, escolaridade, ocupação, região e natureza do município, o vão nacional fica entre 6,40 e 7,05 pontos. É estável porque não depende de qual corte se usa.
Entre eleitores de ensino fundamental e entre quem está fora da população economicamente ativa, o vão é exatamente zero: a oposição já leva tudo o que a desaprovação oferece nesses grupos. Entre bolsonaristas declarados e entre quem prefere o PL, o vão é negativo, ou seja, há gente que aprova o governo e vota contra ele mesmo assim. Todo voto anti-governo ainda não recolhido está no eleitorado escolarizado, ocupado, de renda média e sem alinhamento declarado. Não é o eleitorado que a oposição vem tentando convencer.
A eleição mora nos 47% sem partido
As bases partidárias estão fechadas. O PT entrega 98% a Lula; o PL, 99% a Flávio. O maior grupo da amostra não prefere partido algum e dá a Flávio sua vantagem mais útil.
Segundo turno entre eleitores sem partido: Flávio 47, Lula 35, branco ou nulo 15, indecisos 3. No primeiro turno, Flávio tem 34 e Lula 24. Quarenta por cento dizem que o voto ainda pode mudar; 39% dizem votar para impedir outro candidato.
Segundo turno entre os sem alinhamento ideológico: Flávio 38, Lula 33, branco ou nulo 26, indecisos 4. Quase metade, 49%, admite mudar o voto. É o maior reservatório de persuasão e abstenção decisória do relatório.
| Preferência | Peso no perfil | Lula | Flávio | Diagnóstico |
|---|---|---|---|---|
| PT | 24% | 98 | 2 | Base fechada |
| PL | 12% | 1 | 99 | Base fechada |
| Outro partido | 5% | 37 | 54 | Vantagem Flávio |
| Nenhum | 47% | 35 | 47 | Maior terreno aberto |
Renan Santos tem 4% no total e 11% entre 16 e 24 anos. É quase o triplo. Isso não o transforma em finalista; mostra uma candidatura geracional que o topline nacional esconde.
O município repete. O setor gira.
Agosto mantém a espinha municipal da onda anterior e troca a maior parte dos setores censitários. Isso é compatível com uma amostra mestra de municípios e rotação local, mas o protocolo e as probabilidades de inclusão continuam ausentes.
49 × 41 nas metrópoles
Capital e região metropolitana são 40% da amostra e geram 72,7% do saldo nacional. No interior, 60% da amostra, Lula faz 46 e Flávio 44.
282 × 7; 6 × 14
O anexo tem 282 setores com sete entrevistas e seis com catorze, média 7,15. A margem da capa não informa a correlação interna desses blocos.
O relatório e o registro declaram 128 municípios. O anexo territorial soma 129 códigos municipais distintos. As 2.058 entrevistas fecham e não há setor duplicado. A providência correta é reconciliar a lista com o número declarado, não inferir fraude.
O voto vem antes do roteiro. A motivação vem torta.
A ordem do questionário protege os toplines de boa parte do efeito de contexto. A pergunta que tenta explicar o voto, porém, oferece uma alternativa virtuosa e dupla contra uma alternativa negativa e simples.
Voto antes de rejeição, governo e ideologia
Espontâneo, estimulado e segundo turno aparecem antes de rejeição, avaliação do governo, partido, posição ideológica, escolaridade e renda.
Rodízio declarado
Cartões, cenários de segundo turno e nomes dentro dos cenários têm rotação. O instrumento reduz efeito de posição, embora não publique o log executado.
“Melhores propostas e mais preparado”
A resposta reúne duas virtudes e convida à autoimagem positiva. Compete com “para evitar que outro candidato seja eleito”, formulada como motivação negativa. O placar 61 × 30 não isola proposta, preparo ou voto estratégico.
“Se a eleição fosse hoje”
A formulação é condicional. Manchete que transforma o número em previsão elimina uma hipótese central da pergunta.
Interferência estrangeira vem depois
A pergunta aparece após voto, rejeição e avaliação do governo. Ela não pode ter induzido os toplines que a antecedem.
O questionário produz uma cifra com embalagem moral pronta: 61% escolhem a alternativa de “propostas” e “preparo”. Uma manchete pode então repetir “eleitor vota por propostas” sem contar que preparo estava no mesmo pacote e que a alternativa concorrente era votar “contra”. A narrativa nasce na arquitetura da resposta, antes da redação jornalística.
Em maio, sete perguntas sobre um caso. Em agosto, nenhuma sobre fato algum.
Os quatro questionários de maio a agosto estão registrados no TSE e são públicos. Comparados lado a lado, eles mostram uma coisa que nenhum deles mostra sozinho: a pauta temática do Datafolha existia, era extensa, nomeava pessoas e media o custo eleitoral de fatos concretos. Na primeira onda depois do registro de candidaturas, ela desapareceu inteira.
A bateria completa: informar, julgar, medir o custo, sugerir a desistência
Sete perguntas seguidas, na onda de 20 e 21 de maio, sobre um único caso. O desenho é o clássico de medição de dano: primeiro o instituto conta o fato ao entrevistado, depois pede um juízo moral, depois mede o efeito sobre o voto, e por fim pergunta o que o político deveria fazer.
Informa o fato
“Na semana passada foram divulgadas conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude financeira. Nessas conversas, Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida do seu pai. Você tomou conhecimento desse fato?”
Pede o juízo moral
“Na sua opinião, Flávio Bolsonaro agiu bem ou agiu mal ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida de seu pai?”
Cita uma frase do diálogo
“Em uma das conversas divulgadas, Flávio Bolsonaro diz para Daniel Vorcaro: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente’. Na sua opinião, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro têm ou não uma relação próxima?”
Mede o efeito sobre o voto
Antes da divulgação você pensava em votar nele? E depois, a confiança aumentou, diminuiu ou não mudou? É a medição direta do custo eleitoral do fato.
Pergunta se ele deveria desistir
“Após a divulgação dessas conversas, Flávio Bolsonaro deveria manter sua candidatura a presidente ou deveria abrir mão e apoiar outro candidato?”
E pede o substituto, com cartão
“E qual destes candidatos o senador Flávio Bolsonaro deveria apoiar na eleição de 2026, caso não seja candidato?” O cartão traz Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Primeira: a bateria vem depois do voto. As perguntas de intenção de voto estão nas páginas anteriores, então o priming da P.3 não contamina o topline daquela onda. Isso é bom desenho e precisa ser dito. Segunda: julho não é unilateral. A bateria das tarifas nomeia Lula e permite responsabilizá-lo: a P.10 pergunta se o governo fez menos do que deveria e a P.12 oferece o próprio presidente como principal culpado, ao lado de Trump, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Quem quiser acusar o instituto de nunca expor o governo a juízo terá de explicar essa página.
Nove perguntas sobre prisão, censura e culpa
Na onda de 22 e 23 de julho o instituto perguntou se Jair Bolsonaro deveria cumprir pena em casa ou voltar à prisão, se ele deveria poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar, e se o ministro Alexandre de Moraes agiu bem ou agiu mal ao proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai por noventa dias. Mais seis sobre as tarifas americanas e a atribuição de culpa.
Casa ou prisão
“Na sua opinião, Jair Bolsonaro deve cumprir a pena em casa ou voltar para a prisão?” A pergunta apresenta a prisão domiciliar como determinada “por razões humanitárias, devido às suas condições de saúde”.
Redes sociais
“Na sua opinião, o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria ou não poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar?” O enunciado descreve a proibição de usar redes por si ou por interposta pessoa.
Visita proibida
“Na sua opinião, o ministro do STF Alexandre de Moraes agiu bem ou agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai?” O instituto tinha instrumento para medir a percepção pública de uma decisão judicial. Em agosto, nenhum.
Não faltou espaço no questionário. Em maio o instituto dedicou nove perguntas a apostas esportivas online, cassinos online e endividamento. Em julho, nove perguntas à Copa do Mundo, ao desempenho da seleção, ao técnico Carlo Ancelotti e a apostas durante a Copa. Em agosto, quando o questionário caiu para 1.764 palavras, não coube uma única pergunta sobre um fato político.
Três perguntas temáticas, e só três: se há chance de outros países agirem na eleição brasileira, se o eleitor votaria caso o voto não fosse obrigatório, e qual o seu grau de interesse por política. Nenhuma delas foi publicada. Nenhuma nomeia qualquer agente político. Em quatro meses de série, é a única onda em que o instituto não mede o efeito eleitoral de nada que tenha acontecido no país.
O que este capítulo afirma e o que ele não afirma
Afirma, e os documentos provam: a bateria de informar o fato, pedir juízo, medir o custo eleitoral e perguntar sobre desistência da candidatura foi aplicada uma vez em quatro ondas, a um único político, em maio de 2026. Nenhuma onda aplicou esse mesmo desenho a um fato que atingisse o governo. E a onda de agosto, a primeira depois do registro de candidaturas, não aplicou pauta temática alguma.
Não afirma: que houve instrução editorial, coordenação ou intenção. Não temos documento que sustente isso e não vamos publicar o que não podemos provar. Institutos escolhem pauta o tempo todo, e escolher é legítimo.
O que resolveria em uma página: o instituto publicar o critério pelo qual um fato entra ou não entra no questionário, e divulgar os resultados das três perguntas que aplicou em agosto e guardou. Enquanto o critério não for público, a alternância entre uma pauta de sete perguntas e uma pauta de zero fica sem explicação verificável, e a única coisa que o leitor pode fazer é comparar os quatro arquivos, como fizemos aqui.
Os dois contratantes noticiaram o caso até a véspera do campo
Esta pesquisa foi paga pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. Entre 31 de julho e 17 de agosto, os dois publicaram, com data e hora, a abertura de três inquéritos contra o filho do presidente, a fala do próprio presidente sobre o caso e a informação de que o adversário faria dele eixo de campanha. O questionário aplicado nos dias 18 e 19 não tem uma linha sobre isso.
“PF abre inquérito contra Lulinha: entenda o que está sendo investigado”
Dezoito dias antes do campo. É a mesma distância que separou, em maio, a divulgação das conversas do candidato de oposição e as sete perguntas do questionário sobre elas.
“Dino autoriza abertura do terceiro inquérito envolvendo Lulinha”
O terceiro inquérito em menos de um mês, noticiado no portal e no telejornal matinal da emissora contratante.
“A CPMI do INSS será usada para reforçar o assunto Lulinha na campanha”
E, no dia seguinte: “O dos descontos ilegais do INSS já alcançou o entorno de Lula, com investigações envolvendo Lulinha e integrantes do governo e da campanha.”
“Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula”
Cinco dias antes do campo, o jornal contratante informa que o caso é ponto central da estratégia de campanha do adversário. É exatamente o tipo de hipótese que uma pesquisa mede em uma pergunta.
“Lula diz confiar em Lulinha, mas afirma que não pedirá encerramento de investigação contra filho”
O presidente da República fala publicamente sobre o caso, e os dois contratantes publicam no mesmo dia, com quatro dias de antecedência do campo.
Flávio Bolsonaro abre a campanha citando o caso
“Ao atacar o governo Lula, disse que Lulinha teria transformado a Presidência em um balcão de negócios ao citar o caso do INSS.”
“Amiga de Lulinha comprou joias para ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF”
Véspera do campo. A busca do próprio jornal devolve 45 resultados para “INSS Lulinha” entre 1º e 17 de agosto.
Campo do BR-04496/2026: nenhuma pergunta sobre o caso
Nem sobre esse, nem sobre qualquer outro. As três perguntas temáticas aplicadas foram interferência estrangeira, comparecimento e interesse por política, e nenhuma delas foi publicada.
“Casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha atravessam campanhas e põem holofotes sobre PF e tribunais”
Dois dias depois de publicar a pesquisa, o jornal contratante escreve: “Corrupção se tornou tema central da eleição.” A pesquisa que ele encomendou, aplicada cinco dias antes, não perguntou nada sobre corrupção.
As mensagens da Polícia Federal que citam nominalmente o filho do presidente vieram a público em 20 de agosto, depois de o campo fechar. Uma bateria como a de maio, que cita frases do diálogo apreendido, precisaria de um documento que ainda não existia no dia 18. Esse é o melhor argumento de defesa disponível e ele fica registrado aqui, não numa resposta futura.
O que ele não explica: o caso não nasceu em 20 de agosto. O primeiro inquérito virou notícia no G1 em 31 de julho, o terceiro foi autorizado em 4 de agosto, e no dia 14 o próprio presidente falou sobre o assunto nos dois veículos que pagaram a pesquisa. Em maio, o instituto pegou um fato da semana anterior e o transformou em sete perguntas, incluindo uma sobre desistência de candidatura. A velocidade existe. Ela foi usada uma vez.
Não estamos dizendo que a Folha ou a Globo esconderam o caso. O oposto: a busca da própria Folha devolve 377 resultados para “Dark Horse”, o caso que atinge a oposição, e 79 para “Lulinha”, o que atinge o governo. Os dois lados aparecem, e com volume. O desequilíbrio que este capítulo documenta não está na cobertura jornalística. Está no questionário que essa cobertura contratou, e a diferença entre as duas coisas é o ponto inteiro.
Neutralidade que só aparece quando o vento vira não é neutralidade. É pauta com outro nome.
Um instituto que mede o custo eleitoral dos fatos presta um serviço público real: transforma acusação em número e devolve ao eleitor a chance de julgar com dado na mão. Um instituto que só mede quando o fato atinge um lado converte o mesmo instrumento no seu contrário, porque o silêncio também é uma medição, com o valor zero atribuído por decisão de quem redige o questionário.
O reparo é barato e não exige que ninguém confesse nada: publicar o critério. Se a regra for “fato com repercussão nacional entra”, ela vale para os dois lados e a série se explica sozinha. Se for outra, o eleitor tem direito de saber qual é antes de ler o próximo placar.
Juízo editorial da Arvor · a comparação dos quatro questionários é documental e está abertaOito perguntas foram aplicadas. Nenhuma foi publicada.
O questionário registrado no TSE tem oito páginas. O relatório tem cinquenta e uma. Entre uma lista e outra sobra um conjunto de perguntas feitas a 2.058 eleitores que não aparecem em nenhuma tabela, em nenhum gráfico e em nenhuma manchete. Uma delas é a única variável da pesquisa que pode ser conferida contra um resultado real.
Em quem você votou no 2º turno de 2022?
É a única variável da pesquisa que pode ser conferida contra um resultado real e conhecido. Se a amostra lembra 2022 fora da proporção oficial, o desvio fica visível antes de qualquer ponderação. O Datafolha coletou e não publicou nem a distribuição nem o cruzamento.
Escala de esquerda a direita, de 1 a 7
O relatório publica a escala de 1 a 5 cujas pontas são dois nomes próprios, bolsonarista e petista, e agrupa tudo o que sobra em não alinhados. A escala ideológica de sete pontos, que separa posição política de identificação pessoal, foi perguntada logo em seguida e não aparece.
Se o voto não fosse obrigatório, você iria votar?
Mede intenção de comparecimento. Sem ela, todo percentual do relatório supõe que o eleitorado que responde é idêntico ao eleitorado que vota. Numa eleição decidida por seis pontos, essa suposição vale mais que muitos cruzamentos publicados.
Interferência de outros países na eleição
Pergunta de soberania eleitoral, com três alternativas que separam quem vê risco de quem vê risco e não se importa. Aplicada a 2.058 eleitores, ausente do relatório.
Grau de interesse por política
Separa opinião formada de resposta de cortesia. É o filtro clássico para ler indeciso, branco e nulo, e para saber quanto do piso de ruído da rejeição vem de quem não acompanha a disputa.
Qual o nome da igreja que você frequenta?
O questionário lista dezenas de denominações, de Assembleia de Deus a Igreja Universal, com códigos próprios. O relatório publica uma coluna: evangélica. O bloco que mais se moveu na política brasileira nos últimos dez anos aparece como um bloco só.
Até que ano da escola você estudou?
Oito níveis coletados, de analfabeto a pós-graduação. Três publicados. Pós-graduação e analfabetismo desaparecem dentro de superior e fundamental.
Autoriza guardar seu nome e telefone para pesquisas futuras?
Constrói painel de recontato. A taxa de aceite nunca é publicada e afeta a comparabilidade entre ondas, porque quem aceita ser recontatado não é um recorte aleatório do eleitorado.
Um em cada quatro entrevistados não tem coluna de religião
O anexo cruza cada pergunta por onze recortes. Só seis deles cobrem a amostra inteira. Nos outros, uma parte dos entrevistados simplesmente não aparece em coluna nenhuma, e o relatório não avisa quantos são.
491 eleitores
Quem não tem religião pesa 11% do perfil, espírita 2%, umbanda 2%, outras respostas 5%. O relatório publica coluna para o Sul, que pesa 15%, e nenhuma para quem não tem religião, que pesa 11%.
72 eleitores
Amarela e indígena aparecem no perfil da amostra com 2% cada e somem de todos os cruzamentos. A margem de erro por segmento, na página 3, também só lista branca, parda e preta.
74 eleitores
Quem recusou ou não soube dizer a renda entra no perfil e sai das tabelas. É o mesmo grupo que a ponderação de renda precisa tratar de alguma forma que o relatório não descreve.
A mesma pesquisa, em português
Nada aqui exige estatística. Exige só que as palavras signifiquem o que significam. Esta é a tradução de cada termo usado neste dossiê, com o exemplo do dia a dia que o torna óbvio e a frase que ele desmonta.
Margem de erro
você lê: “margem de dois pontos”Você prova a sopa com uma colher. A colher diz muito sobre a panela, mas não diz tudo. A margem é o quanto a colher pode enganar.
O que ela não é: uma faixa dentro da qual todo empate vira empate. Ela vale para cada número sozinho, não para a distância entre dois.
Margem da diferença
quase ninguém escreve issoSe cada colher pode errar, a subtração de duas colheres pode errar mais. Comparar dois candidatos tem incerteza maior do que medir um deles.
No caso: a margem da capa é 2 pontos. A margem da diferença de 47 × 43 é 4,095. Por isso o intervalo do saldo já inclui o zero.
Ponderação
você lê: “resultado ponderado”O campo trouxe gente demais de um tipo e de menos de outro. O instituto multiplica cada entrevista por um número para que o retrato final tenha a mesma cara do país.
Legítimo e padrão. O problema aparece quando a conta muda o resultado e o leitor não sabe que houve conta.
Base ponderada
você lê: “base: 1.836”Entrevista é gente. Base ponderada é gente depois de multiplicada pelo peso. São duas contagens diferentes do mesmo grupo.
No caso: a mesma pergunta aparece com 1.836 na página 13 e 1.850 na página 27 do anexo. Uma conta pessoas, a outra conta pesos.
Efeito de desenho
você nunca lê, e deveriaEntrevistar sete pessoas no mesmo quarteirão não é o mesmo que entrevistar sete pessoas em sete cidades. Vizinhos se parecem, então sete vizinhos valem menos que sete estranhos.
No caso: são 288 setores censitários com cerca de sete entrevistas cada. O relatório não informa quanto isso encolhe a amostra efetiva.
Piso de ruído
método desta casaSe você perguntar a alguém se ele rejeita o candidato Fulano de Tal, que ele nunca ouviu falar, uma parte responde que sim. Esse “sim” não é opinião, é reflexo.
No caso: seis nomes com 1% de voto recebem 9,7% de rejeição média. Qualquer rejeição abaixo disso é ruído.
Votos válidos
você lê: “nos válidos, 43 × 37”É o placar depois de tirar branco, nulo e indeciso da conta. Muda o tamanho do bolo, não o tamanho das fatias entre si.
Cuidado: comparar duas pesquisas em percentual bruto quando uma tem 11% de brancos e a outra tem 2% compara réguas diferentes.
Substituição medida
método desta casaO instituto perguntou quatro segundos turnos diferentes para as mesmas pessoas, no mesmo dia. Trocar o adversário e ver o que acontece é um experimento, não um chute.
Resultado: Lula fica entre 47 e 48 nos quatro. Quem muda é o adversário, de 43 para 37, e a não escolha, de 11 para 16.
O vão
método desta casaQuanta gente já reclama do restaurante e ainda assim não pediu a conta. Desaprovar o governo e não votar no adversário é ficar sentado.
Rótulo obrigatório: é teto endereçável, não previsão. Mede até onde daria para ir, não até onde se vai.
Todo número deste dossiê tem página. O relatório completo, o questionário aplicado, o registro no TSE e o anexo de bairros estão no PesqEle, o sistema público do Tribunal Superior Eleitoral, e qualquer pessoa baixa sem cadastro. Os scripts que extraem as tabelas e refazem as contas estão no repositório aberto desta casa. Se algum número aqui estiver errado, ele é falsificável em vinte minutos, e é assim que tem de ser.
A manchete saiu na sexta. O documento que permite conferi-la nasceu na segunda.
O relatório completo do Datafolha, com as 51 páginas, as tabelas cruzadas, o perfil da amostra e as margens por recorte, é o único documento que permite checar o número que virou notícia. O arquivo carrega no próprio metadado a data em que foi produzido: 24 de agosto às 16h27. A pesquisa foi divulgada em 21 de agosto. Por três dias o país inteiro discutiu dois números, e o documento que os sustenta ainda não existia.
Prova: um arquivo produzido em 24 de agosto não podia estar disponível em 21. O campo creationDate do PDF registra o instante antes do qual aquele arquivo não existia, e ele está dentro do arquivo do próprio instituto. Não prova: a data exata em que o relatório foi publicado no site do Datafolha ou anexado ao registro, que pode ser posterior ainda. E não prova irregularidade: a Resolução TSE 23.600 fixa prazos para o depósito das peças, e verificar se este caso os cumpre exige a leitura do dispositivo, não do metadado.
O que fica estabelecido é mais simples e não depende de norma nenhuma: a ordem é sempre a mesma. Primeiro o número, depois a discussão nacional, depois o documento. Quatro ondas, quatro vezes, sempre com três dias de distância.
Nesses três dias acontece tudo o que decide como um número é lembrado: a manchete, a análise dos colunistas, o debate nas redes, a reação das campanhas e a segunda onda de matérias sobre a primeira. Quando o relatório finalmente aparece, o ciclo já fechou. Uma auditoria como esta, publicada agora, chega quatro dias depois de a conversa terminar. Não é censura nem ocultação: é uma janela de exclusividade interpretativa, em que quem tem o número fala sozinho porque ninguém mais pode conferir.
“Lidera” é uma palavra que precisa passar em dois testes
Nenhuma manchete recuperada de G1, Folha ou UOL diz literalmente “Lula lidera o segundo turno”: os títulos são numéricos. A formulação de vantagem aparece no título do próprio relatório Datafolha, e “o petista lidera” aparece no corpo da Folha. Quando um jornal escreve isso, está afirmando uma liderança identificada. E essa afirmação tem de passar em dois testes independentes, um de amostragem e um de composição. No segundo turno de agosto ela não passa em nenhum dos dois.
O intervalo já inclui o zero
A diferença de quatro pontos tem margem de ±4,095 a 95%, sob a hipótese mais generosa possível, que é amostragem aleatória simples. O intervalo vai de −0,10 a +8,10. Ele contém o empate. Isso sozinho já retira o direito de escrever “lidera” sem qualificação.
O sinal inverte com a régua oficial
Trocando apenas a distribuição de renda pela da PNAD Contínua do IBGE, o saldo vira Flávio +1,78. E não é uma onda isolada: acontece nas quatro, com a mesma fórmula e o mesmo benchmark. Em 10 mil simulações que perturbam cada célula impressa, o sinal se mantém invertido em 100% dos sorteios.
Escrever “lidera” sobre um resultado que não sobrevive a nenhum dos dois testes não é erro técnico de rodapé. É transformar em fato consumado aquilo que a própria pesquisa apresenta como indeterminado, e fazê-lo justamente nos três dias em que o documento que permitiria contestar ainda não existe. O leitor não recebe um número com incerteza: recebe um vencedor.
E a correção é barata. “Lula tem 47%, Flávio tem 43%, e a diferença não separa os dois com 95% de confiança.” São nove palavras a mais e a frase fica verdadeira. Ninguém precisa esconder o placar, publicar a reponderação nem concordar com esta auditoria para escrevê-la.
No primeiro turno, “lidera” está correto. O saldo de seis pontos tem intervalo de +2,34 a +9,66 e resiste até efeito de desenho 2. Ali existe liderança medida e a palavra é apropriada. O problema é que o mesmo texto usa a mesma palavra para as duas situações, que são estatisticamente diferentes: uma é liderança identificada, a outra é vantagem numérica dentro da margem. A cobertura não distingue as duas, e a pesquisa distingue. Está tudo no relatório, na página 3, na tabela de margens por segmento, que nasceu três dias depois da manchete.
“Lula lidera no 1º turno e tem vantagem de quatro pontos sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno”
A primeira metade é sustentada: o saldo de seis pontos no primeiro turno tem intervalo de 95% acima de zero. A segunda descreve uma vantagem numérica de quatro pontos, mas não uma liderança estatisticamente identificada: o intervalo do saldo no segundo turno vai de −0,10 a +8,10. Esta é a formulação original que o relatório entrega à cobertura.
Título numérico sem intervalo é verdadeiro, mas materialmente incompleto. No material examinado, “vantagem de quatro pontos” é título do relatório; “o petista lidera por 47% a 43%” é frase do corpo da Folha, não manchete. Ambas precisam da mesma qualificação: vantagem numérica não equivale a liderança identificada a 95%. Para “38 vai a 41”, o erro da mudança entre duas amostras é ainda maior que o erro de cada número isolado.
“Datafolha, 2º turno: Lula, 47%; Flávio Bolsonaro, 43%”
Placar fiel. Falta a hipótese “se fosse hoje” e falta informar que o intervalo da diferença inclui zero.
“Datafolha, 1º turno: Lula, 39%; Flávio, 33%; Caiado, 5%”
Placar fiel e sem verbo causal. O saldo de seis pontos é mais robusto que o de segundo turno.
“Lula marca 39% no 1º turno, e Flávio Bolsonaro tem 33%”
Título numérico correto. A formulação problemática aparece na primeira frase do corpo, destacada ao lado.
“Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.”
A frase transforma uma vantagem numérica em liderança identificada. O intervalo de 95% da diferença vai de −0,10 a +8,10 e não permite cravar essa liderança.
“Lula lidera disputa com 39% das intenções; Flávio registra 33%”
Aqui “lidera” é defensável. A manchete se refere ao primeiro turno, cuja diferença continua positiva até deff 2. No corpo, porém, a Band escreve que “Lula mantém a liderança sobre Flávio Bolsonaro por 47% a 43%”. Essa segunda formulação não é sustentada a 95%.
“Lula mantém liderança e oscilações de um ponto não indicam mudança na disputa”
O título usa “liderança” para o primeiro turno, 39 × 33, e acerta ao recusar significado às oscilações de um ponto. Não serve como prova de liderança estatística no segundo turno.
“Lula lidera entre mulheres e pobres; Flávio, entre evangélicos”
O verbo descreve segmentos, não o placar nacional. As diferenças são grandes nos cortes citados, mas cada recorte tem margem própria e maior que a nacional.
“Avaliação negativa de Lula vai de 38% para 41%”
O verbo “vai” crava direção. O próprio subtítulo admite oscilação dentro da margem. Comparação entre ondas exige incerteza maior que a de uma proporção.
“Popularidade de Lula derrapa e mantém disputa com Flávio equilibrada”
“Equilibrada” cabe nos dados. “Derrapa” é interpretação de uma oscilação de rodada, não fato estatístico identificado.
“Lula e Flávio têm dificuldades em crescer”
A análise faz a ressalva correta: não há novidade estatística, e oscilações de um ponto não merecem narrativa.
“Lula tem 47% e Flávio soma 43% no 2º turno”
O texto acerta onde outros erram: chama o cenário de “limite do empate técnico”. Ainda cita ±2, que é a margem individual, mas evita transformar quatro pontos em liderança comprovada.
As notas fiscais e o registro atribuem metade do custo à Folha de S.Paulo e metade à TV Globo: R$ 153.820,80 para cada. O UOL integra o Grupo Folha. Portanto, Folha e UOL pertencem ao mesmo ecossistema jornalístico nesta análise, embora o UOL não apareça como contratante jurídico separado nem como pagador em nota fiscal. O portal também republica material de agências; por isso, a manchete da Reuters hospedada no UOL está identificada como UOL, Reuters. A distinção correta é entre vínculo empresarial, contratação formal e autoria editorial, não entre veículos supostamente sem relação.
As manchetes que os dados pediam
Nenhuma exige adivinhar intenção do instituto ou do veículo. Todas saem de tabelas publicadas, cálculos reproduzíveis e rótulos de evidência explícitos.
O relatório que sustenta a manchete de sexta foi criado na segunda
Metadado do próprio PDF: 24/08 às 16h27, três dias depois da divulgação. Igual em maio, junho e julho.
Nenhuma das quatro vantagens publicadas sobrevive à renda do IBGE
Publicado: Lula +4, +4, +5, +4. Com a régua oficial: Flávio +2,81, empate, empate, Flávio +1,78.
Folha e Globo noticiaram o caso até a véspera; a pesquisa que pagaram não perguntou
Dez matérias entre 31 de julho e 17 de agosto nos dois contratantes. Zero perguntas no campo de 18 e 19.
Datafolha fez 7 perguntas sobre um caso em maio e nenhuma em agosto
A bateria que mediu o custo eleitoral de um fato, e perguntou se o candidato deveria desistir, não teve equivalente em quatro meses.
Datafolha mede 30 pontos do eleitorado ainda em aberto
Vinte e seis por cento dizem que o voto pode mudar e quatro por cento estão indecisos. A diferença noticiada foi de seis.
Seis candidaturas têm rejeição igual ao ruído do instrumento
Nomes com 1% de voto recebem 9,7% de recusa média. Cury, com 8%, fica abaixo do próprio piso.
Sete pontos desaprovam o governo e não votam na oposição
São dezesseis pontos no ensino superior e vinte e cinco entre não alinhados. Zero no ensino fundamental.
O eleitor de Caiado, Renan e Zema vota por proposta, não por medo
63,6% do bloco declara voto propositivo e 50,1% admite mudar. É a maior reserva conversível da pesquisa.
O desafiante marca 43 no 2º turno há quatro ondas seguidas
E no 1º turno está em 33, o mesmo de março. A convergência de dez para seis pontos é queda do presidente.
Datafolha perguntou o voto de 2022 e não publicou
É a única variável conferível contra um resultado real. Também ficou de fora a escala ideológica de sete pontos.
491 entrevistados não aparecem em nenhuma coluna de religião
Sem religião pesa 11% do perfil e não tem coluna. O Sul, que pesa 15%, tem.
Renda oficial troca o sinal do segundo turno
47 × 43 vira 44,2 × 46,0 quando só a distribuição de renda é alinhada à PNADC 2025.
Com a mesma renda, vantagem de Lula some em quatro ondas
Maio e agosto invertem. Junho e julho viram empate sob a mesma PNADC 2025.
Segundo turno não tem líder a 95%; primeiro turno tem
O intervalo do saldo 2T cruza zero sob AAS. O saldo de seis pontos no 1T resiste até deff 2.
Trocar Flávio custa de 3 a 6 pontos à oposição
Lula fica entre 47 e 48 em quatro cenários; o adversário cai de 43 para 40, 38 ou 37.
Sem partido, Flávio marca 47 e Lula 35
É o maior grupo da pesquisa, 47% do perfil, e 40% dele admite mudar o voto.
Relatório declara 128 municípios; anexo lista 129 códigos
A divergência é documental e verificável. Precisa de reconciliação, não de especulação.
Renan Santos quase triplica entre eleitores de 16 a 24
São 11% no recorte jovem contra 4% no total, um sinal geracional escondido pelo topline.
Além do voto útil. O que estes números mandam a oposição fazer agora
O voto útil já foi cobrado e já foi pago. O segundo turno marca 43 há quatro ondas seguidas, três meses sem se mover um ponto, enquanto o primeiro turno convergiu de dez para seis. A convergência não comprou nada: era voto que o segundo turno já contava. Daqui para a frente todo ponto está em três lugares, e a pesquisa nomeia os três.
Parar de comprar o que já está pago
Noventa por cento do bloco bolsonarista já vota no candidato do PL no segundo turno. Onze por cento de quem prefere o PL diz que o voto pode mudar, o menor índice da pesquisa inteira. Não existe ponto a extrair ali. Cada real e cada minuto de palanque gastos falando com a base compram convicção que já está comprada.
Anexo p. 22 e 26 de 29 · bolsonaristas 90% no 2º turno, PL 11% de voto móvelA terceira via não se converte com medo. Converte-se com proposta.
Caiado, Renan Santos e Zema somam doze pontos do eleitorado. Desses doze, 63,6% dizem votar pelas propostas e pelo preparo, contra 56% no eleitorado do próprio Flávio, o menor índice da pesquisa. E 50,1% desse bloco declara que o voto ainda pode mudar, contra 21% no eleitorado do próprio Flávio.
São seis pontos do eleitorado nacional simultaneamente móveis e propositivos. É a maior reserva conversível do país. Só que ela é imune ao argumento que a campanha vem usando: quem vota por proposta não se move por “não deixe o outro ganhar”. Move-se por proposta melhor.
Relatório p. 12 e 13 · páginas nunca citadas em mancheteO eleitor petista não cristalizado existe, e tem endereço
Dezoito por cento do eleitorado de Lula declara que o voto pode mudar: sete pontos do eleitorado nacional. Mais importante que o número é o mapa. Vinte e cinco por cento do país avalia o governo como regular, e dentro desse bloco o segundo turno é 53 a 35, com doze por cento não escolhendo ninguém. Entre eleitores de 16 a 24 anos, 41% avaliam o governo como regular e 39% dizem que o voto pode mudar. É o recorte mais móvel da pesquisa.
Esse eleitor não odeia o governo e não o defende. Ele está cansado. Não se ganha alguém assim chamando-o de comunista; ganha-se mostrando o que melhora na vida dele na semana seguinte à posse.
Relatório p. 7 e anexo p. 26 e 28 de 29Falar com quem tem diploma e emprego
O maior vão da pesquisa entre recortes de partição fechada está no ensino superior: 58% desaprovam o governo e 42% votam na oposição, dezesseis pontos de distância. Entre ocupados, nove. Entre quem ganha de dois a cinco salários, dez. Entre quem ganha mais de cinco, dez.
Nos dois recortes onde o vão é zero, ensino fundamental e fora da população economicamente ativa, a oposição já leva tudo o que a desaprovação oferece. O voto anti-governo que falta está inteiro no Brasil que estudou, trabalha e mora na cidade. Não é o eleitorado com quem a campanha vem falando.
Anexo p. 22 e 29 de 29 · desaprovação menos voto no 2º turnoIr buscar o branco e o nulo dos não alinhados
Entre quem não se declara nem bolsonarista nem petista, trinta por cento não escolhem ninguém no segundo turno. Esse bloco vale 7,23 pontos do eleitorado nacional parados em branco, nulo e indecisão. É quase o dobro da diferença publicada de quatro pontos. Nenhum voto precisa ser tirado do adversário para que essa conta vire.
Anexo p. 22 de 29 · não alinhados são 24,1% da amostra ponderadaTratar a fragmentação como custo, e não como paisagem
Treze por cento do bloco bolsonarista vota em Caiado, Renan Santos, Zema ou Cury no primeiro turno: 4,4 pontos do eleitorado nacional dentro do próprio campo. E entre março e agosto o branco e o nulo caíram de 12% para 6% sem que o desafiante ganhasse um ponto sequer. Os seis pontos que saíram do branco foram absorvidos pelas sete candidaturas menores que entraram no cartão em maio.
A leitura correta não é reclamar dos concorrentes. É reconhecer que o eleitor que hoje está com eles é exatamente o eleitor propositivo do item 02, e que ele saiu do branco porque alguém lhe deu um nome para dizer.
Relatório p. 9 e 10 · anexo p. 16 de 29Oferecer uma posição, não uma identidade
O próprio questionário do Datafolha revela o problema: ele pede que o eleitor se localize numa escala de 1 a 5 cujas pontas são dois nomes próprios, bolsonarista e petista, e depois joga em não alinhados todo mundo que ficou no meio ou recusou a régua. Um quarto do eleitorado é definido por aquilo que ele não é.
O instituto perguntou também a escala de esquerda a direita de 1 a 7 e não publicou. A candidatura que quiser esses vinte e quatro por cento precisa fazer o que o instrumento não fez: dar-lhes uma posição própria em que caibam sem ter de adotar a biografia de ninguém.
Questionário PO 814276, p. 3 · escala ESCALA_BP publicada, escala POSIÇÃO POLÍTICA não publicadaO enquadramento que não move os 30 pontos
“Vote em mim para o outro não ganhar.”Fala com quem já decidiu. Bate no eleitorado que tem 90% de conversão e 11% de mobilidade. Contra a terceira via, cuja base é 63,6% propositiva, o argumento devolve o eleitor para o branco em vez de trazê-lo para a urna.
O enquadramento que os números autorizam
“Vote em mim pelo que eu vou fazer na segunda-feira.”Fala com o eleitor propositivo, com quem avalia o governo como regular e com quem tem diploma e emprego. São os três lugares onde a pesquisa mede voto anti-governo ainda não recolhido, e os três respondem a proposta verificável, não a alarme.
Polarização é o som que a liberdade faz enquanto ainda está viva.
Um país onde metade discorda em voz alta da outra metade é um país onde ainda se pode discordar. O silêncio é que é o sintoma grave. Quando a divergência some do noticiário, ela não foi resolvida: foi retirada. Por isso este dossiê não trata a polarização como doença a ser curada por consenso administrado, e trata como o ruído normal de uma democracia que funciona. O que precisa de vigilância não é o volume da discordância, é quem tem poder para baixá-lo.
Há uma consequência prática disso para quem lê pesquisa. Um instrumento que comprime o espaço político inteiro numa régua de cinco pontos entre dois nomes próprios não está medindo polarização: está fabricando a moldura em que ela é a única forma disponível de existir. A escala de sete pontos entre esquerda e direita foi perguntada na mesma entrevista e não foi publicada. Um quarto do eleitorado ficou sem posição própria por decisão de edição, não por falta de dado.
Juízo editorial da Arvor, construído sobre os números acima e identificado como talTrocar liberdade por segurança é coisa de povo que não merece nenhuma das duas.
A troca é falsa e é vendida como se fosse inevitável. Estado que não sabe prender o criminoso passa a vigiar o cidadão, porque vigiar o cidadão é barato e prender criminoso é caro. Segurança de verdade custa investigação, perícia, dado limpo, carreira de Estado e cadeia que funcione. Vigilância de inocente custa um decreto. Quem oferece o decreto no lugar da investigação não está entregando segurança: está economizando trabalho às suas custas.
A posição desta casa é que segurança, liberdade e um Estado eficiente são a mesma agenda, não três agendas em disputa. Um Estado que mede o que faz, publica o que mede e responde pelo que publica protege mais e censura menos, porque não precisa esconder o próprio desempenho. É a razão de este dossiê existir na forma em que existe: número com página, conta com script, erro com endereço.
Juízo editorial da Arvor · posição declarada, não achado da pesquisaEste dossiê tem lado e usa o mesmo padrão de prova nos dois sentidos. A auditoria encontrou uma margem que inverte o segundo turno em favor da oposição, e publicou. Encontrou também que a ponderação do instituto corta pela metade a vantagem do presidente no primeiro turno, um achado que desmonta a acusação mais repetida contra o Datafolha, e publicou com o mesmo destaque. Encontrou que o adversário preferido do campo perde para os próprios substitutos entre os não alinhados, e publicou. Análise que só encontra o que convém ao autor não serve nem ao autor: ela o faz perder a eleição com boa disposição de espírito.
Sete PDFs, 51 páginas, conta aberta
O relatório completo, o questionário, o registro, a declaração, o anexo territorial e as duas notas fiscais foram preservados com SHA-256. As catorze tabelas do anexo foram extraídas do texto nativo do PDF, sem digitação manual, e a leitura foi provada recompondo o placar publicado a partir de cruzamentos independentes.
Dados, auditoria e gráficos
scripts/datafolha-082026-audit.py extrai território, consulta PNADC e TSE, repondera e calcula incerteza.
scripts/datafolha-082026-graficos.py fecha a matriz IPF e gera os gráficos estratégicos.
scripts/datafolha-082026-figuras.py gera as comparações de perfil e sensibilidade.
scripts/datafolha-082026-historico-renda.py padroniza quatro ondas pela mesma PNADC.
Segunda camada.
scripts/datafolha-082026-cruzamentos.py lê as 14 tabelas do anexo direto do texto do PDF, sem digitação manual, e valida a leitura recompondo o placar publicado a partir de cruzamentos independentes.
scripts/datafolha-082026-aprofundamento.py calcula mercado aberto, campo contra peso, piso de ruído, vão, substituição, conversão e cobertura dos recortes.
scripts/datafolha-082026-figuras-fundo.py desenha as onze figuras novas.
scripts/datafolha-082026-prints.py recorta as páginas originais citadas.
scripts/datafolha-082026-pauta.py extrai os blocos de pergunta dos quatro questionários de maio a agosto e classifica a pauta temática de cada onda.
scripts/datafolha-082026-cobertura.py registra a linha do tempo do que os dois contratantes publicaram antes do campo, com as consultas de busca declaradas.
scripts/datafolha-082026-documentos.py lê o metadado de produção de cada PDF nas quatro ondas e compara com as datas de campo e divulgação.
Saídas públicas: base analítica, matriz de transferência, série histórica de renda e segunda camada , comparação de pauta , linha do tempo da cobertura e datas de produção dos documentos.
Fato, inferência, ausência
Fato é tabela, documento ou cálculo determinístico. Inferência é reponderação, margem da diferença, IPF ou leitura semântica. Não demonstrado inclui fraude, coordenação editorial ou o resultado verdadeiro do eleitorado.
A mesma auditoria em dezoito cards, para quem está começando. A thread ensina o que é amostra, margem, estratificação e ponderação, refaz a conta da renda passo a passo com os números na tela, e traz um checklist de seis perguntas para ler qualquer pesquisa. Cada card sai pronto para publicar, com o texto copiável abaixo.
Fontes primárias e cobertura examinada
- Datafolha, relatório BR-04496/2026, 51 páginas, campo 18–19/08/2026; tabelas completas nas páginas 23–51. O metadado do arquivo registra produção em 24/08/2026 às 16h27, três dias depois da divulgação.
- Datafolha, cruzamentos Lula × Flávio por renda: 20–21/05, página 23; 17–18/06, página 25; 22–23/07, página 18; 18–19/08, tabela 7.1, página 22.
- Datafolha, anexo de tabelas cruzadas, 29 páginas, 14 tabelas por 11 recortes; páginas 24 a 51 do PDF. A leitura foi validada recompondo Lula 47 e Flávio 43 a partir do cruzamento por identificação política (46,98 e 43,29) e por região (47,08 e 42,64).
- Datafolha, relatório de divulgação, página 12, grau de definição do voto por candidato, e página 13, motivação do voto por candidato.
- Datafolha, questionário PO 814276, 8 páginas; ordem, rodízio, cartões 1A e 1B e formulação integral das perguntas, inclusive as oito não publicadas.
- Folha de S.Paulo e G1, buscas nos próprios veículos com filtro de período, entre 25/07 e 23/08/2026: search.folha.uol.com.br/?q=INSS+Lulinha devolve 45 resultados entre 1º e 17 de agosto, e g1.globo.com/busca/?q=Lulinha lista as matérias de 31/07, 04/08 e 14/08 citadas no Cap. 11. Cada consulta é reproduzível por qualquer leitor.
- Datafolha, questionários das ondas de maio, junho e julho de 2026, registrados no PesqEle e usados na comparação de pauta do Cap. 11: 2.762, 3.461 e 2.958 palavras contra 1.764 em agosto.
- PesqEle/TSE, registro BR-04496/2026; campo 18–20/08, plano amostral, PNADC-A 2024 e valor declarado.
- Datafolha, declaração, anexo de bairros, municípios e setores, NF Folha e NF TV Globo.
- IBGE, PNAD Contínua: trimestre 2026-T1 para sexo, idade e escolaridade; anual 2025, visita 1, para renda.
- TSE, perfil atual do eleitorado: competência jun./2026, exterior excluído.
- Arvor, auditoria Datafolha julho/2026: referência de série, painel municipal e razão de consolidação.
- G1, “50% desaprovam governo Lula, e 47% aprovam”.
- UOL, “Pesquisa Datafolha para presidente”.
- UOL, segundo turno 47 × 43.
Limitações desta auditoria
Sobre a segunda camada. O piso de ruído é um teste de robustez proposto por esta casa, não uma correção da pesquisa, e depende do critério de quais candidaturas contam como sem tração. O vão é teto endereçável e não previsão. O capítulo estratégico é juízo editorial identificado como tal, construído sobre números que estão todos referenciados por página.
Não há microdados, pesos individuais, estratos, PSU, taxa de abordagem, recusa nem efeito de desenho público. As bases das tabelas são ponderadas e as células são arredondadas. Repetição de município não significa repetição de entrevistado. O IPF estima fluxos agregados a partir de margens, não rastreia pessoas. A PNADC mede renda por instrumento mais extenso que uma pergunta de pesquisa eleitoral. A série histórica padroniza somente renda e não corrige interações com outras margens. Nenhum exercício aqui substitui a apuração oficial ou permite acusar fabricação de dados.
Imagem de capa reutilizada do dossiê Datafolha 07/2026: rua 25 de Março, São Paulo, Otávio Nogueira, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Nenhum instituto, veículo, partido ou campanha financiou ou revisou este laudo.
Arvor Intelligence