Logotipo ArvorArvor Intelligence Auditoria eleitoral · peça n.º 15 · 25/08/2026

Datafolha · agosto de 2026 · perícia documental, estatística, territorial e semântica · 2ª edição, ampliada

Quatro ondas com Lula à frente.Nenhuma, sob a renda do IBGE.

Maio, junho, julho e agosto renderam quatro manchetes iguais: Lula lidera o segundo turno por quatro a cinco pontos. As quatro ondas do Datafolha declaram um perfil em que 50% do eleitorado ganha até dois salários mínimos. A PNAD Contínua anual mais recente do IBGE mede 35,4%. Trocar apenas essa margem, com a mesma régua nas quatro ondas, apaga a vantagem em todas: maio vira Flávio +2,81, junho e julho viram empate, agosto vira Flávio +1,78. Não é recontagem nem previsão. É o teste que mostra de qual régua a narrativa da eleição depende, e ele está aberto para qualquer um refazer.

50% × 35,4% perfil de renda até 2 SM 4 de 4 ondas sem vantagem de Lula −1,78 pp gap em agosto sob a PNADC 100% das simulações arredondadas invertem 69,2% do caminho já zera o saldo 30 pts de eleitorado em aberto 9,67% piso de ruído da rejeição 7 pts de vão anti-governo +3 dias entre a manchete e o relatório 7 × 0 perguntas de caso, maio contra agosto 8 perguntas coletadas e não publicadas
Registro
BR-04496/2026
Campo no relatório
18–19/08/2026
Campo no TSE
18–20/08/2026
Divulgação
21/08/2026
Amostra
2.058 eleitores
Método
Pontos de fluxo
Contratantes formais
Folha e TV Globo
Valor
R$ 307.641,60
Fato 47 × 43

Placar publicado do segundo turno. A margem de 95% da diferença é ±4,10 pontos sob amostragem aleatória simples.

Sensibilidade 44,2 × 46,0

Placar ao substituir somente a renda pela PNADC 2025. A margem inverte o sinal.

Série 4 de 4

Maio, junho, julho e agosto sob a mesma régua de renda. Em nenhuma das quatro ondas Lula fica à frente.

Em aberto 30 pontos

Vinte e seis por cento declaram que o voto pode mudar e quatro por cento estão indecisos. É cinco vezes a diferença noticiada.

Vão 7 pontos

Desaprovam o governo e não votam na oposição. Teto endereçável, estável entre 6,40 e 7,05 nas seis partições fechadas.

Prazo +3 dias

Entre a manchete e a criação do relatório que permite conferi-la. Quatro ondas, quatro vezes, sempre três dias.

Pauta 7 → 0

Perguntas sobre um caso concreto em maio e em agosto. Em quatro ondas, a bateria de custo eleitoral foi aplicada a um só político.

Não publicado 8 perguntas

Aplicadas a 2.058 eleitores e ausentes das 51 páginas, inclusive o voto de 2022 e a escala ideológica de sete pontos.

Validação 4 de 5

Sexo, idade, escolaridade e região preservam a liderança publicada. O desvio dominante é renda.

Transferência 1,27:1

Flávio consolida 9,8 pontos fora da base; Lula, 7,7. A razão era 1,48:1 em julho.

Limite Dependência ≠ verdade

A análise revela dependência do benchmark. Sem microdados e pesos, não identifica o resultado real.

Cap. 01

O segundo turno não tem liderança estatística a 95%

A margem de ±2 divulgada pelo instituto é a incerteza de uma proporção isolada no pior caso, sob amostragem aleatória simples. A comparação Lula menos Flávio tem outra variância e outra margem.

47Lula (PT)
VERSUS
43Flávio (PL)
Segundo turno

−0,10 a +8,10

Intervalo de 95% para a diferença Lula menos Flávio sob amostragem aleatória simples. Zero já está dentro por 0,10 ponto.

Primeiro turno

+2,34 a +9,66

O saldo 39 × 33 resiste sob a mesma hipótese. Mesmo com deff 2, o intervalo ainda vai de +0,83 a +11,17.

Desenho

deff não publicado

Pontos de fluxo, cotas, conglomerados e pesos podem ampliar a incerteza. O relatório não entrega o efeito de desenho da diferença.

Var(pL − pF) = [(pL + pF) − (pL − pF)²] / n
MOE95 = 1,96 × √[(0,47 + 0,43 − 0,04²) / 2.058] = 4,095 p.p.
Intervalo do saldo = 4,0 ± 4,095 = [−0,095; +8,095]

Leitura calibrada

Lula lidera numericamente por quatro pontos. A pesquisa não estabelece liderança a 95% nem sob a hipótese simplificada que sustenta a margem da capa. Isso não prova empate no eleitorado. Prova que a amostra não separa os dois com essa confiança.

Série de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro de junho de 2025 a agosto de 2026
Flávio marca 43% em maio, junho, julho e agosto de 2026. Lula oscila entre 47 e 48 nas quatro ondas. Uma variação de um ponto não sustenta narrativa de tendência.
Cap. 02

A pesquisa obedece à meta. A meta é que envelheceu.

O registro usa PNADC anual 2024 e fixa 49% até dois salários mínimos. O perfil ponderado chega a 50%. Não é falha de execução contra o plano registrado. O problema é a régua de 2024 diante da PNADC anual 2025, já disponível.

Comparação da distribuição de renda do Datafolha com a PNADC anual 2025
Entre rendas informadas, o Datafolha tem 52,1% até 2 SM; a PNADC, 35,4%. A faixa acima de 5 SM é 12,5% na pesquisa e 25,4% na fonte oficial.
Perfil ponderado

50 / 34 / 12 / 4

Até 2 SM, de 2 a 5 SM, mais de 5 SM e não sabe ou recusa. É o perfil publicado na página 5.

PNADC 2025

35,4 / 39,2 / 25,4

Rendimento domiciliar efetivo em salários mínimos, pessoas de 16 anos ou mais, visita 1.

Equivalente

cerca de 300 casos

O excesso ponderado na faixa até 2 SM equivale a 300 entrevistas sobre n=2.058. É escala, não contagem literal de pessoas erradas.

Resultados publicados e sensibilidades do segundo turno por margem demográfica
Barras sólidas reproduzem o placar publicado. Hachuras são inferências de pós-estratificação. A renda isolada leva Lula a 44,19 e Flávio a 45,97. O modelo aditivo com cinco margens leva a 44,87 × 45,49.
O resultado que manda no relatório

A inversão não depende do arredondamento das células impressas. Em 10 mil simulações, perturbando cada célula em ±0,5 ponto e renormalizando as linhas, Flávio fica à frente em 100% dos sorteios. O intervalo simulado do gap Lula menos Flávio vai de −1,96 a −1,61. Bastam 69,2% do caminho entre a renda Datafolha e a renda PNADC para zerar o saldo publicado.

Por que isto continua sendo sensibilidade, não correção

Renda declarada numa entrevista de rua não é idêntica ao rendimento domiciliar captado pelo IBGE. A ponderação real é conjunta e pode conter interações entre renda, escolaridade, idade, região, religião e comportamento eleitoral. As tabelas públicas são marginais e arredondadas. O exercício responde a uma pergunta rigorosa e limitada: quanto o topline muda se a única alteração for a distribuição de renda?

Série 2026

Quatro ondas, a mesma régua. A vantagem desaparece.

Maio, junho, julho e agosto publicam o segundo turno por renda. Aplicar a mesma PNADC 2025 a cada cruzamento separa movimento eleitoral de mudança na composição econômica medida em cada onda. O resultado é estável e incômodo: a série publicada dá Lula +4 a +5; a série padronizada produz empate ou Flávio numericamente à frente.

Série de maio a agosto de 2026 com o segundo turno publicado e reponderado pela mesma distribuição de renda da PNADC 2025
Linhas sólidas são os números publicados. Tracejadas são sensibilidades com o mesmo benchmark de renda. Cada onda fica ancorada ao topline divulgado e recebe somente o delta da troca de composição. Maio passa a Flávio +2,81; junho vira empate; julho vira empate; agosto passa a Flávio +1,78.
Segundo turno publicado e sob a régua comum da PNADC 2025
CampoPublicadoSaldo publicadoPNADCSaldo padronizado
20–21/mai47,00 × 43,00Lula +4,0043,60 × 46,41Flávio +2,81
17–18/jun47,00 × 43,00Lula +4,0045,21 × 45,37Empate, Flávio +0,16
22–23/jul48,00 × 43,00Lula +5,0045,48 × 45,48Empate, diferença <0,01
18–19/ago47,00 × 43,00Lula +4,0044,19 × 45,97Flávio +1,78
O nome correto do achado

Esta é a tendência sob uma régua oficial comum, não a “tendência real da eleição”. Ela mostra que a vantagem publicada depende da margem de renda nas quatro ondas. Maio e agosto invertem mesmo quando as células impressas variam em ±0,5 ponto. Junho fica no limite; julho é indeterminado pelo próprio arredondamento. Sem microdados, pesos individuais e deff, a série não identifica quem está à frente no eleitorado.

Cap. 03

Quatro margens passam. Uma domina o erro.

Sexo, idade e região foram comparados ao eleitorado atual do TSE. Escolaridade e renda foram comparadas à PNADC, porque escolaridade cadastral do TSE pode estar desatualizada e o TSE não mede renda.

Desvios do perfil Datafolha contra TSE e PNADC em sexo, idade, escolaridade, renda e região
Desvio em pontos percentuais. A idade do Datafolha acompanha melhor o eleitorado do TSE que a população 16+ da PNADC, como se espera numa pesquisa eleitoral.
Benchmark, maior desvio absoluto e efeito no segundo turno
MargemFonte adequadaMaior desvioLulaFlávioLeitura
SexoTSE, jun./20260,8247,0442,95Imaterial
IdadeTSE, jun./20260,7346,9743,02Imaterial
EscolaridadePNADC 2026-T13,4247,6442,55Amplia Lula
RegiãoTSE, jun./20260,5247,0043,01Imaterial
RendaPNADC anual 202514,5744,1945,97Inverte
Universos diferentes, escolha deliberada

A PNADC 16+ tem 16,0% entre 16 e 24 anos; o TSE tem 12,5%, porque o alistamento de 16 e 17 anos é facultativo. O Datafolha marca 13%. Compará-lo apenas à PNADC produziria um falso alerta de idade. Para pesquisa eleitoral, a régua correta aqui é o eleitorado.

Cap. 04

Trinta pontos do eleitorado ainda não escolheram

O Datafolha pergunta a cada eleitor que citou um voto se aquele voto pode mudar. A resposta ocupa a página 12 inteira do relatório e não entrou em nenhuma manchete. Ela mede o tamanho real da disputa, e o tamanho real da disputa é cinco vezes a diferença que virou notícia.

26%do eleitorado diz que o voto ainda pode mudar
4%estão indecisos e nem citaram nome
30 ptsde eleitorado em aberto, somando os dois
6 ptsé a diferença publicada no 1º turno
o mercado aberto sobre a manchete
Barra do eleitorado dividida entre voto cristalizado, voto que pode mudar e indecisos, comparada com a diferença de seis pontos do primeiro turno
Setenta por cento do eleitorado está fechado. Vinte e seis por cento declaram que podem mudar. Quatro por cento não citaram nome nenhum. A barra preta é a diferença que a imprensa noticiou.
Página 12 do relatório Datafolha de agosto de 2026, com a decisão do voto por candidato
Fonte primária · Datafolha, projeto PO4276, página 12A página existe, está no arquivo entregue ao TSE e mede exatamente o que decide uma eleição: quem ainda pode mudar de ideia. Zema tem 69% do próprio eleitorado em aberto, Renan Santos 46%, Caiado 42%. Nenhum veículo publicou este gráfico.
Quem ainda pode mudar de ideia, por candidato, relatório completo, página 12. A coluna da direita multiplica a intenção de voto pela taxa de mudança do mesmo grupo.
CandidatoVoto no 1º turnoDiz que pode mudarPontos do eleitorado
Lula (PT)39%18%7,0
Flávio Bolsonaro (PL)33%21%6,9
Ronaldo Caiado (PSD)5%42%2,1
Zema (NOVO)3%69%2,1
Renan Santos (MISSÃO)4%46%1,8
49% × 17%

O eleitorado móvel tem endereço. Entre quem não se declara nem bolsonarista nem petista, 49% dizem que o voto pode mudar. Entre quem tem 60 anos ou mais, 17%. Entre quem não tem partido, 40%. Entre quem prefere o PL, 11%. A disputa por convencimento acontece num pedaço específico do país, e esse pedaço é jovem, urbano, feminino e sem filiação.

Declara que o voto ainda pode mudar, por recorte, sobre a base de quem citou um voto, anexo de tabelas cruzadas, página 26 de 29
RecortePode mudarRecortePode mudar
Não alinhados49%Nordeste20%
Sem partido40%Fundamental20%
16 a 24 anos39%Petistas19%
25 a 34 anos33%60 anos ou mais17%
Mulheres32%PT16%
Região metropolitana31%PL11%
Leitura calibrada

Poder mudar não é ir para o outro lado. A pergunta mede disponibilidade declarada, não probabilidade de migração. Boa parte desses trinta pontos vai terminar em branco, nulo ou abstenção, e não na urna do adversário. O achado correto é outro e é mais duro: a eleição publicada como uma diferença de seis pontos é, pelo próprio instrumento do instituto, uma disputa por trinta. Uma nota de leitura: o relatório mede 27% sobre a base de quem citou algum voto, que exclui os indecisos. Sobre o eleitorado inteiro, isso equivale a 26%, e é assim que os números aparecem aqui sempre que a comparação for com o placar nacional.

Cap. 05

Seis nomes que quase ninguém sabe citar têm 9,7% de rejeição

A pergunta de rejeição é estimulada, múltipla, com cartão e com insistência: o entrevistador pergunta e qual mais? até o entrevistado parar. Somadas, as recusas dão 223% da amostra, ou 2,23 nomes rejeitados por eleitor. Antes de ler qualquer ranking de rejeição, é preciso saber quanto o instrumento fabrica sozinho.

Rejeição publicada e rejeição acima do piso de ruído, por candidato e por recorte
Piso de ruído: rejeição média das seis candidaturas com 1% ou menos de intenção de voto. Nacionalmente ele é 9,7%. Entre eleitores de ensino fundamental, 13,7%. Entre eleitores de 16 a 24 anos, 5,7%.
O piso

9,67%

Média de rejeição de Samara, Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa, Wilson Grassi, Clariana Barão e Hertz Dias. Juntos, esses seis nomes somam 4% de intenção de voto.

Abaixo do piso

Augusto Cury

Tem 8% de rejeição, menos do que a média dos desconhecidos. O relatório o coloca em décimo terceiro num ranking de treze. O número não distingue o escritor de um nome que ninguém ouviu falar.

A soma

223%

Total das rejeições sobre uma base de 100%. Cada eleitor recusa 2,2 nomes em média. É medida de quanto o entrevistado responde, não apenas de quanto ele rejeita.

Página 14 do relatório Datafolha com o ranking de rejeição de treze candidatos
Fonte primária · Datafolha, projeto PO4276, página 14Treze nomes ordenados como se a distância entre 13% e 8% significasse a mesma coisa que a distância entre 46% e 22%. Nove dos treze ficam a menos de cinco pontos do piso do próprio instrumento.
Rejeição publicada e rejeição acima do piso de ruído nacional
CandidatoPublicadaAcima do pisoVoto no 1º turno
Flávio Bolsonaro (PL)46%36,333%
Lula (PT)45%35,339%
Pablo Marçal (PRTB)22%12,32%
Zema (NOVO)16%6,33%
Renan Santos (MISSÃO)14%4,34%
Ronaldo Caiado (PSD)14%4,35%
Augusto Cury (AVANTE)8%−1,72%
A inversão que o piso revela

Na tabela publicada, a rejeição a Flávio cresce com a idade: 46% entre 16 e 24 anos, 50% entre os de 60 ou mais. Só que o piso de ruído também cresce com a idade, de 5,7% para 13,5%. Descontado o piso, a rejeição a ele é 40,3 entre os jovens e 36,5 entre os idosos. A ordem se inverte. O mesmo vale para escolaridade: publicada, a rejeição a Lula é 33% no ensino fundamental; acima do piso, 19,3%, a menor de toda a pesquisa. Comparar rejeição entre recortes sem descontar o piso mistura opinião com estilo de resposta.

O que o piso não faz

Descontar o piso não corrige a pesquisa nem produz um número melhor. É um teste de robustez: mostra quanto de cada rejeição publicada sobrevive quando se retira o que o instrumento produziria contra qualquer nome. Os dois primeiros colocados sobrevivem inteiros e continuam separados por um ponto. Do terceiro em diante, o ranking perde sentido.

Cap. 06

Flávio é o voto útil. Quem mede é o próprio Datafolha.

O relatório não publica a matriz candidato por candidato do primeiro para o segundo turno. Publica, porém, quatro segundos turnos na mesma amostra. Eles fixam o limite agregado: Lula quase não se move; a oposição perde quando troca Flávio por qualquer alternativa.

Quatro cenários de segundo turno entre Lula e candidatos da oposição
Flávio faz 43 contra Lula. Caiado faz 40; Zema, 38; Renan, 37. Lula fica entre 47 e 48. A substituição custa à oposição e alimenta branco, nulo e indecisão.
Bloco de Lula, bloco de oposição e votos ainda em jogo no primeiro turno
Classificação analítica explícita. Lula e candidaturas de esquerda somam 42. Flávio e candidaturas de direita ou centro somam 48. Branco, nulo e indecisão somam 10.
Restrição observada

47–48 Lula

O incumbente fica parado nos quatro confrontos. Trocar o adversário não lhe entrega votos diretamente na escala agregada.

Consolidação IPF

9,8 × 7,7

Pontos captados fora das bases de primeiro turno por Flávio e Lula. Razão de 1,27:1, contra 1,48:1 em julho.

Voto útil

fragmentar ajuda Lula

Com Lula estável, cada ponto perdido por Flávio em alternativa adversária termina principalmente na não escolha.

Matriz estimada de transferência do primeiro para o segundo turno
Barras são margens publicadas; fitas são estimativas. A matriz usa prior ideológica explícita e IPF/RAS para fechar exatamente 47 Lula, 43 Flávio, 9 branco ou nulo e 2 indecisos. É leitura agregada, não percurso de indivíduos.
Conclusão estratégica

O caminho natural da oposição é concentrar cedo em Flávio. O caminho natural de Lula é preservar a fragmentação e a dúvida sobre viabilidade. A evidência forte não é cada fita estimada. É a experiência que o instituto já fez: substituir Flávio derruba o adversário entre 3 e 6 pontos sem deslocar Lula.

Cap. 07

Sete pontos de voto anti-governo que a oposição não recolheu

Cinquenta por cento desaprovam o trabalho do presidente. Quarenta e três por cento votam no adversário no segundo turno. A diferença é o vão: eleitores que já rejeitam o governo e ainda não escolheram quem o substitui. As duas metades da conta vêm do mesmo relatório, do mesmo campo e do mesmo recorte.

25 pts

O maior vão da pesquisa está entre os não alinhados. Sessenta e três por cento desaprovam o governo. Trinta e oito votam no adversário. Trinta por cento não escolhem ninguém no segundo turno. É um quarto do eleitorado, e quase um terço dele não escolhe ninguém.

Vão entre desaprovação do governo e voto na oposição no segundo turno, por recorte
Ponto preto: desaprova o governo. Ponto azul: vota na oposição no segundo turno. A barra entre eles é o vão. À direita, a parcela do recorte que não escolhe ninguém.
Mapa de alvos com tamanho do bloco, vão em pontos e reservatório de não escolha
Cada círculo é um recorte. À direita, blocos grandes. Acima, vão largo. O diâmetro é a parcela que não escolhe ninguém. Ensino superior e não alinhados ocupam a região cara e a região barata do mesmo problema.
O vão por recorte: desaprovação do governo menos voto na oposição no 2º turno
RecorteBaseDesaprovaOposiçãoVãoNão escolhe
Não alinhados49663382530%
Ensino superior51458421614%
Sem partido96458471118%
25 a 34 anos38254441012%
2 a 5 salários70461511012%
Mais de 5 salários2496454107%
Ocupados (PEA)1.4665445912%
Ensino fundamental617353506%
Fora da PEA592383807%
Bolsonaristas6978890−24%
O vão é teto endereçável, não previsão

Desaprovar um governo não é o mesmo que estar disponível para o adversário. Muita gente desaprova e vota no incumbente assim mesmo, e muita gente desaprova e não vota em ninguém. O número mede o limite superior de conversão dentro de cada recorte, com as duas metades saindo da mesma amostra. Nas seis partições fechadas do relatório, gênero, idade, escolaridade, ocupação, região e natureza do município, o vão nacional fica entre 6,40 e 7,05 pontos. É estável porque não depende de qual corte se usa.

Voto de cada candidato dividido pelo tamanho do próprio polo, por recorte
Cem por cento significa levar exatamente o tamanho do próprio polo. Lula converte 100% de quem aprova o governo. A oposição converte 86% de quem desaprova. Entre eleitores de ensino superior, Lula converte 112 e a oposição, 72.
Onde o vão é zero

Entre eleitores de ensino fundamental e entre quem está fora da população economicamente ativa, o vão é exatamente zero: a oposição já leva tudo o que a desaprovação oferece nesses grupos. Entre bolsonaristas declarados e entre quem prefere o PL, o vão é negativo, ou seja, há gente que aprova o governo e vota contra ele mesmo assim. Todo voto anti-governo ainda não recolhido está no eleitorado escolarizado, ocupado, de renda média e sem alinhamento declarado. Não é o eleitorado que a oposição vem tentando convencer.

Cap. 08

A eleição mora nos 47% sem partido

As bases partidárias estão fechadas. O PT entrega 98% a Lula; o PL, 99% a Flávio. O maior grupo da amostra não prefere partido algum e dá a Flávio sua vantagem mais útil.

47 × 35

Segundo turno entre eleitores sem partido: Flávio 47, Lula 35, branco ou nulo 15, indecisos 3. No primeiro turno, Flávio tem 34 e Lula 24. Quarenta por cento dizem que o voto ainda pode mudar; 39% dizem votar para impedir outro candidato.

38 × 33

Segundo turno entre os sem alinhamento ideológico: Flávio 38, Lula 33, branco ou nulo 26, indecisos 4. Quase metade, 49%, admite mudar o voto. É o maior reservatório de persuasão e abstenção decisória do relatório.

Segundo turno por preferência partidária, relatório completo, página 22
PreferênciaPeso no perfilLulaFlávioDiagnóstico
PT24%982Base fechada
PL12%199Base fechada
Outro partido5%3754Vantagem Flávio
Nenhum47%3547Maior terreno aberto
Outro corte ignorado

Renan Santos tem 4% no total e 11% entre 16 e 24 anos. É quase o triplo. Isso não o transforma em finalista; mostra uma candidatura geracional que o topline nacional esconde.

Cap. 09

O município repete. O setor gira.

Agosto mantém a espinha municipal da onda anterior e troca a maior parte dos setores censitários. Isso é compatível com uma amostra mestra de municípios e rotação local, mas o protocolo e as probabilidades de inclusão continuam ausentes.

102 de 129códigos municipais de agosto também aparecem em julho
82,0%das entrevistas de agosto estão nesses municípios repetidos
43 de 288setores de agosto repetem julho, apenas 14,9%
120 de 287rótulos município e bairro se repetem
93municípios aparecem nas quatro ondas, maio a agosto
Natureza do município

49 × 41 nas metrópoles

Capital e região metropolitana são 40% da amostra e geram 72,7% do saldo nacional. No interior, 60% da amostra, Lula faz 46 e Flávio 44.

Conglomerados

282 × 7; 6 × 14

O anexo tem 282 setores com sete entrevistas e seis com catorze, média 7,15. A margem da capa não informa a correlação interna desses blocos.

Divergência documental

O relatório e o registro declaram 128 municípios. O anexo territorial soma 129 códigos municipais distintos. As 2.058 entrevistas fecham e não há setor duplicado. A providência correta é reconciliar a lista com o número declarado, não inferir fraude.

Cap. 10

O voto vem antes do roteiro. A motivação vem torta.

A ordem do questionário protege os toplines de boa parte do efeito de contexto. A pergunta que tenta explicar o voto, porém, oferece uma alternativa virtuosa e dupla contra uma alternativa negativa e simples.

Bom

Voto antes de rejeição, governo e ideologia

Espontâneo, estimulado e segundo turno aparecem antes de rejeição, avaliação do governo, partido, posição ideológica, escolaridade e renda.

baixo risco
Bom

Rodízio declarado

Cartões, cenários de segundo turno e nomes dentro dos cenários têm rotação. O instrumento reduz efeito de posição, embora não publique o log executado.

controle
Problema

“Melhores propostas e mais preparado”

A resposta reúne duas virtudes e convida à autoimagem positiva. Compete com “para evitar que outro candidato seja eleito”, formulada como motivação negativa. O placar 61 × 30 não isola proposta, preparo ou voto estratégico.

semântico
Limite

“Se a eleição fosse hoje”

A formulação é condicional. Manchete que transforma o número em previsão elimina uma hipótese central da pergunta.

editorial
Sem efeito

Interferência estrangeira vem depois

A pergunta aparece após voto, rejeição e avaliação do governo. Ela não pode ter induzido os toplines que a antecedem.

ordem
O encaixe linguístico

O questionário produz uma cifra com embalagem moral pronta: 61% escolhem a alternativa de “propostas” e “preparo”. Uma manchete pode então repetir “eleitor vota por propostas” sem contar que preparo estava no mesmo pacote e que a alternativa concorrente era votar “contra”. A narrativa nasce na arquitetura da resposta, antes da redação jornalística.

Cap. 11

Em maio, sete perguntas sobre um caso. Em agosto, nenhuma sobre fato algum.

Os quatro questionários de maio a agosto estão registrados no TSE e são públicos. Comparados lado a lado, eles mostram uma coisa que nenhum deles mostra sozinho: a pauta temática do Datafolha existia, era extensa, nomeava pessoas e media o custo eleitoral de fatos concretos. Na primeira onda depois do registro de candidaturas, ela desapareceu inteira.

16 · 25 · 23 · 3perguntas temáticas em maio, junho, julho e agosto
7 · 3 · 9 · 0perguntas que medem o efeito de um fato concreto
5 · 2 · 5 · 0pessoas nomeadas dentro dos enunciados
1.764palavras no questionário de agosto, contra 3.461 em junho
Perguntas temáticas por onda, separadas entre caso concreto, tema político geral e consumo
Perguntas temáticas são as que não medem intenção de voto, avaliação de governo nem perfil. Vermelho: medem o efeito eleitoral de um fato concreto, com pessoas nomeadas.
Maio

A bateria completa: informar, julgar, medir o custo, sugerir a desistência

Sete perguntas seguidas, na onda de 20 e 21 de maio, sobre um único caso. O desenho é o clássico de medição de dano: primeiro o instituto conta o fato ao entrevistado, depois pede um juízo moral, depois mede o efeito sobre o voto, e por fim pergunta o que o político deveria fazer.

P.3

Informa o fato

“Na semana passada foram divulgadas conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude financeira. Nessas conversas, Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida do seu pai. Você tomou conhecimento desse fato?”

priming
P.4

Pede o juízo moral

“Na sua opinião, Flávio Bolsonaro agiu bem ou agiu mal ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida de seu pai?”

juízo
P.5

Cita uma frase do diálogo

“Em uma das conversas divulgadas, Flávio Bolsonaro diz para Daniel Vorcaro: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente’. Na sua opinião, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro têm ou não uma relação próxima?”

evidência citada
P.6 e P.7

Mede o efeito sobre o voto

Antes da divulgação você pensava em votar nele? E depois, a confiança aumentou, diminuiu ou não mudou? É a medição direta do custo eleitoral do fato.

custo eleitoral
P.8

Pergunta se ele deveria desistir

“Após a divulgação dessas conversas, Flávio Bolsonaro deveria manter sua candidatura a presidente ou deveria abrir mão e apoiar outro candidato?”

cenário
P.9

E pede o substituto, com cartão

“E qual destes candidatos o senador Flávio Bolsonaro deveria apoiar na eleição de 2026, caso não seja candidato?” O cartão traz Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

sucessão
Duas ressalvas que o método exige

Primeira: a bateria vem depois do voto. As perguntas de intenção de voto estão nas páginas anteriores, então o priming da P.3 não contamina o topline daquela onda. Isso é bom desenho e precisa ser dito. Segunda: julho não é unilateral. A bateria das tarifas nomeia Lula e permite responsabilizá-lo: a P.10 pergunta se o governo fez menos do que deveria e a P.12 oferece o próprio presidente como principal culpado, ao lado de Trump, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Quem quiser acusar o instituto de nunca expor o governo a juízo terá de explicar essa página.

Julho

Nove perguntas sobre prisão, censura e culpa

Na onda de 22 e 23 de julho o instituto perguntou se Jair Bolsonaro deveria cumprir pena em casa ou voltar à prisão, se ele deveria poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar, e se o ministro Alexandre de Moraes agiu bem ou agiu mal ao proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai por noventa dias. Mais seis sobre as tarifas americanas e a atribuição de culpa.

Julho, P.5

Casa ou prisão

“Na sua opinião, Jair Bolsonaro deve cumprir a pena em casa ou voltar para a prisão?” A pergunta apresenta a prisão domiciliar como determinada “por razões humanitárias, devido às suas condições de saúde”.

Julho, P.6

Redes sociais

“Na sua opinião, o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria ou não poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar?” O enunciado descreve a proibição de usar redes por si ou por interposta pessoa.

Julho, P.7

Visita proibida

“Na sua opinião, o ministro do STF Alexandre de Moraes agiu bem ou agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai?” O instituto tinha instrumento para medir a percepção pública de uma decisão judicial. Em agosto, nenhum.

9 e 9

Não faltou espaço no questionário. Em maio o instituto dedicou nove perguntas a apostas esportivas online, cassinos online e endividamento. Em julho, nove perguntas à Copa do Mundo, ao desempenho da seleção, ao técnico Carlo Ancelotti e a apostas durante a Copa. Em agosto, quando o questionário caiu para 1.764 palavras, não coube uma única pergunta sobre um fato político.

O que agosto perguntou

Três perguntas temáticas, e só três: se há chance de outros países agirem na eleição brasileira, se o eleitor votaria caso o voto não fosse obrigatório, e qual o seu grau de interesse por política. Nenhuma delas foi publicada. Nenhuma nomeia qualquer agente político. Em quatro meses de série, é a única onda em que o instituto não mede o efeito eleitoral de nada que tenha acontecido no país.

O que este capítulo afirma e o que ele não afirma

Afirma, e os documentos provam: a bateria de informar o fato, pedir juízo, medir o custo eleitoral e perguntar sobre desistência da candidatura foi aplicada uma vez em quatro ondas, a um único político, em maio de 2026. Nenhuma onda aplicou esse mesmo desenho a um fato que atingisse o governo. E a onda de agosto, a primeira depois do registro de candidaturas, não aplicou pauta temática alguma.

Não afirma: que houve instrução editorial, coordenação ou intenção. Não temos documento que sustente isso e não vamos publicar o que não podemos provar. Institutos escolhem pauta o tempo todo, e escolher é legítimo.

O que resolveria em uma página: o instituto publicar o critério pelo qual um fato entra ou não entra no questionário, e divulgar os resultados das três perguntas que aplicou em agosto e guardou. Enquanto o critério não for público, a alternância entre uma pauta de sete perguntas e uma pauta de zero fica sem explicação verificável, e a única coisa que o leitor pode fazer é comparar os quatro arquivos, como fizemos aqui.

O contraste

Os dois contratantes noticiaram o caso até a véspera do campo

Esta pesquisa foi paga pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. Entre 31 de julho e 17 de agosto, os dois publicaram, com data e hora, a abertura de três inquéritos contra o filho do presidente, a fala do próprio presidente sobre o caso e a informação de que o adversário faria dele eixo de campanha. O questionário aplicado nos dias 18 e 19 não tem uma linha sobre isso.

“PF abre inquérito contra Lulinha: entenda o que está sendo investigado”

Dezoito dias antes do campo. É a mesma distância que separou, em maio, a divulgação das conversas do candidato de oposição e as sete perguntas do questionário sobre elas.

“Dino autoriza abertura do terceiro inquérito envolvendo Lulinha”

O terceiro inquérito em menos de um mês, noticiado no portal e no telejornal matinal da emissora contratante.

“A CPMI do INSS será usada para reforçar o assunto Lulinha na campanha”

E, no dia seguinte: “O dos descontos ilegais do INSS já alcançou o entorno de Lula, com investigações envolvendo Lulinha e integrantes do governo e da campanha.”

“Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula”

Cinco dias antes do campo, o jornal contratante informa que o caso é ponto central da estratégia de campanha do adversário. É exatamente o tipo de hipótese que uma pesquisa mede em uma pergunta.

“Lula diz confiar em Lulinha, mas afirma que não pedirá encerramento de investigação contra filho”

O presidente da República fala publicamente sobre o caso, e os dois contratantes publicam no mesmo dia, com quatro dias de antecedência do campo.

Flávio Bolsonaro abre a campanha citando o caso

“Ao atacar o governo Lula, disse que Lulinha teria transformado a Presidência em um balcão de negócios ao citar o caso do INSS.”

“Amiga de Lulinha comprou joias para ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF”

Véspera do campo. A busca do próprio jornal devolve 45 resultados para “INSS Lulinha” entre 1º e 17 de agosto.

Campo do BR-04496/2026: nenhuma pergunta sobre o caso

Nem sobre esse, nem sobre qualquer outro. As três perguntas temáticas aplicadas foram interferência estrangeira, comparecimento e interesse por política, e nenhuma delas foi publicada.

“Casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha atravessam campanhas e põem holofotes sobre PF e tribunais”

Dois dias depois de publicar a pesquisa, o jornal contratante escreve: “Corrupção se tornou tema central da eleição.” A pesquisa que ele encomendou, aplicada cinco dias antes, não perguntou nada sobre corrupção.

A defesa do instituto, dita por nós

As mensagens da Polícia Federal que citam nominalmente o filho do presidente vieram a público em 20 de agosto, depois de o campo fechar. Uma bateria como a de maio, que cita frases do diálogo apreendido, precisaria de um documento que ainda não existia no dia 18. Esse é o melhor argumento de defesa disponível e ele fica registrado aqui, não numa resposta futura.

O que ele não explica: o caso não nasceu em 20 de agosto. O primeiro inquérito virou notícia no G1 em 31 de julho, o terceiro foi autorizado em 4 de agosto, e no dia 14 o próprio presidente falou sobre o assunto nos dois veículos que pagaram a pesquisa. Em maio, o instituto pegou um fato da semana anterior e o transformou em sete perguntas, incluindo uma sobre desistência de candidatura. A velocidade existe. Ela foi usada uma vez.

O que não estamos dizendo

Não estamos dizendo que a Folha ou a Globo esconderam o caso. O oposto: a busca da própria Folha devolve 377 resultados para “Dark Horse”, o caso que atinge a oposição, e 79 para “Lulinha”, o que atinge o governo. Os dois lados aparecem, e com volume. O desequilíbrio que este capítulo documenta não está na cobertura jornalística. Está no questionário que essa cobertura contratou, e a diferença entre as duas coisas é o ponto inteiro.

Neutralidade que só aparece quando o vento vira não é neutralidade. É pauta com outro nome.

Um instituto que mede o custo eleitoral dos fatos presta um serviço público real: transforma acusação em número e devolve ao eleitor a chance de julgar com dado na mão. Um instituto que só mede quando o fato atinge um lado converte o mesmo instrumento no seu contrário, porque o silêncio também é uma medição, com o valor zero atribuído por decisão de quem redige o questionário.

O reparo é barato e não exige que ninguém confesse nada: publicar o critério. Se a regra for “fato com repercussão nacional entra”, ela vale para os dois lados e a série se explica sozinha. Se for outra, o eleitor tem direito de saber qual é antes de ler o próximo placar.

Juízo editorial da Arvor · a comparação dos quatro questionários é documental e está aberta
Cap. 12

Oito perguntas foram aplicadas. Nenhuma foi publicada.

O questionário registrado no TSE tem oito páginas. O relatório tem cinquenta e uma. Entre uma lista e outra sobra um conjunto de perguntas feitas a 2.058 eleitores que não aparecem em nenhuma tabela, em nenhum gráfico e em nenhuma manchete. Uma delas é a única variável da pesquisa que pode ser conferida contra um resultado real.

Trecho da página 3 do questionário Datafolha com as perguntas sobre interferência estrangeira, voto obrigatório e interesse por política
Fonte primária · Questionário PO 814276, página 3Interferência de outros países na eleição brasileira. Comparecimento se o voto não fosse obrigatório. Grau de interesse por política. Três perguntas aplicadas em campo, zero linhas no relatório.
Trecho da página 3 do questionário com o voto de 2022, a escala bolsonarista-petista e a escala esquerda-direita
Fonte primária · Questionário PO 814276, página 3Em cima, o voto no segundo turno de 2022. No meio, a escala de 1 a 5 entre bolsonarista e petista, a única que o relatório publica. Embaixo, a escala de esquerda a direita de 1 a 7, aplicada na mesma entrevista e ausente das cinquenta e uma páginas.
Ausência crítica

Em quem você votou no 2º turno de 2022?

É a única variável da pesquisa que pode ser conferida contra um resultado real e conhecido. Se a amostra lembra 2022 fora da proporção oficial, o desvio fica visível antes de qualquer ponderação. O Datafolha coletou e não publicou nem a distribuição nem o cruzamento.

validação
Ausência crítica

Escala de esquerda a direita, de 1 a 7

O relatório publica a escala de 1 a 5 cujas pontas são dois nomes próprios, bolsonarista e petista, e agrupa tudo o que sobra em não alinhados. A escala ideológica de sete pontos, que separa posição política de identificação pessoal, foi perguntada logo em seguida e não aparece.

enquadramento
Ausência crítica

Se o voto não fosse obrigatório, você iria votar?

Mede intenção de comparecimento. Sem ela, todo percentual do relatório supõe que o eleitorado que responde é idêntico ao eleitorado que vota. Numa eleição decidida por seis pontos, essa suposição vale mais que muitos cruzamentos publicados.

comparecimento
Ausência

Interferência de outros países na eleição

Pergunta de soberania eleitoral, com três alternativas que separam quem vê risco de quem vê risco e não se importa. Aplicada a 2.058 eleitores, ausente do relatório.

soberania
Ausência

Grau de interesse por política

Separa opinião formada de resposta de cortesia. É o filtro clássico para ler indeciso, branco e nulo, e para saber quanto do piso de ruído da rejeição vem de quem não acompanha a disputa.

qualidade
Compressão

Qual o nome da igreja que você frequenta?

O questionário lista dezenas de denominações, de Assembleia de Deus a Igreja Universal, com códigos próprios. O relatório publica uma coluna: evangélica. O bloco que mais se moveu na política brasileira nos últimos dez anos aparece como um bloco só.

granularidade
Compressão

Até que ano da escola você estudou?

Oito níveis coletados, de analfabeto a pós-graduação. Três publicados. Pós-graduação e analfabetismo desaparecem dentro de superior e fundamental.

granularidade
Não declarado

Autoriza guardar seu nome e telefone para pesquisas futuras?

Constrói painel de recontato. A taxa de aceite nunca é publicada e afeta a comparabilidade entre ondas, porque quem aceita ser recontatado não é um recorte aleatório do eleitorado.

painel
Cobertura

Um em cada quatro entrevistados não tem coluna de religião

O anexo cruza cada pergunta por onze recortes. Só seis deles cobrem a amostra inteira. Nos outros, uma parte dos entrevistados simplesmente não aparece em coluna nenhuma, e o relatório não avisa quantos são.

Cobertura de cada dimensão de recorte sobre a amostra total
Verde: partição fechada, todo entrevistado tem coluna. Vermelho: parte da amostra fica fora de qualquer coluna. Religião cobre 76,1%. Cor cobre 96,5%. Renda cobre 96,4%.
Sem coluna de religião

491 eleitores

Quem não tem religião pesa 11% do perfil, espírita 2%, umbanda 2%, outras respostas 5%. O relatório publica coluna para o Sul, que pesa 15%, e nenhuma para quem não tem religião, que pesa 11%.

Sem coluna de cor

72 eleitores

Amarela e indígena aparecem no perfil da amostra com 2% cada e somem de todos os cruzamentos. A margem de erro por segmento, na página 3, também só lista branca, parda e preta.

Sem coluna de renda

74 eleitores

Quem recusou ou não soube dizer a renda entra no perfil e sai das tabelas. É o mesmo grupo que a ponderação de renda precisa tratar de alguma forma que o relatório não descreve.

Cartão de renda familiar do questionário Datafolha, com oito faixas em reais
Fonte primária · Questionário PO 814276, página 5O cartão mostrado ao entrevistado usa reais de 2026: a segunda faixa vai de R$ 1.622 a R$ 3.242, exatamente um a dois salários mínimos de R$ 1.621. A distribuição usada como alvo de ponderação, declarada no registro, vem da PNADC anual de 2024, quando dois salários mínimos eram R$ 2.824. A régua da pergunta e a régua da cota estão em anos diferentes. Repare também no código 96, não tem renda, que existe no cartão e não aparece em nenhuma linha do perfil publicado.
Cap. 13

A mesma pesquisa, em português

Nada aqui exige estatística. Exige só que as palavras signifiquem o que significam. Esta é a tradução de cada termo usado neste dossiê, com o exemplo do dia a dia que o torna óbvio e a frase que ele desmonta.

Margem de erro

você lê: “margem de dois pontos”

Você prova a sopa com uma colher. A colher diz muito sobre a panela, mas não diz tudo. A margem é o quanto a colher pode enganar.

O que ela não é: uma faixa dentro da qual todo empate vira empate. Ela vale para cada número sozinho, não para a distância entre dois.

Margem da diferença

quase ninguém escreve isso

Se cada colher pode errar, a subtração de duas colheres pode errar mais. Comparar dois candidatos tem incerteza maior do que medir um deles.

No caso: a margem da capa é 2 pontos. A margem da diferença de 47 × 43 é 4,095. Por isso o intervalo do saldo já inclui o zero.

Ponderação

você lê: “resultado ponderado”

O campo trouxe gente demais de um tipo e de menos de outro. O instituto multiplica cada entrevista por um número para que o retrato final tenha a mesma cara do país.

Legítimo e padrão. O problema aparece quando a conta muda o resultado e o leitor não sabe que houve conta.

Base ponderada

você lê: “base: 1.836”

Entrevista é gente. Base ponderada é gente depois de multiplicada pelo peso. São duas contagens diferentes do mesmo grupo.

No caso: a mesma pergunta aparece com 1.836 na página 13 e 1.850 na página 27 do anexo. Uma conta pessoas, a outra conta pesos.

Efeito de desenho

você nunca lê, e deveria

Entrevistar sete pessoas no mesmo quarteirão não é o mesmo que entrevistar sete pessoas em sete cidades. Vizinhos se parecem, então sete vizinhos valem menos que sete estranhos.

No caso: são 288 setores censitários com cerca de sete entrevistas cada. O relatório não informa quanto isso encolhe a amostra efetiva.

Piso de ruído

método desta casa

Se você perguntar a alguém se ele rejeita o candidato Fulano de Tal, que ele nunca ouviu falar, uma parte responde que sim. Esse “sim” não é opinião, é reflexo.

No caso: seis nomes com 1% de voto recebem 9,7% de rejeição média. Qualquer rejeição abaixo disso é ruído.

Votos válidos

você lê: “nos válidos, 43 × 37”

É o placar depois de tirar branco, nulo e indeciso da conta. Muda o tamanho do bolo, não o tamanho das fatias entre si.

Cuidado: comparar duas pesquisas em percentual bruto quando uma tem 11% de brancos e a outra tem 2% compara réguas diferentes.

Substituição medida

método desta casa

O instituto perguntou quatro segundos turnos diferentes para as mesmas pessoas, no mesmo dia. Trocar o adversário e ver o que acontece é um experimento, não um chute.

Resultado: Lula fica entre 47 e 48 nos quatro. Quem muda é o adversário, de 43 para 37, e a não escolha, de 11 para 16.

O vão

método desta casa

Quanta gente já reclama do restaurante e ainda assim não pediu a conta. Desaprovar o governo e não votar no adversário é ficar sentado.

Rótulo obrigatório: é teto endereçável, não previsão. Mede até onde daria para ir, não até onde se vai.

Como conferir tudo isto sozinho

Todo número deste dossiê tem página. O relatório completo, o questionário aplicado, o registro no TSE e o anexo de bairros estão no PesqEle, o sistema público do Tribunal Superior Eleitoral, e qualquer pessoa baixa sem cadastro. Os scripts que extraem as tabelas e refazem as contas estão no repositório aberto desta casa. Se algum número aqui estiver errado, ele é falsificável em vinte minutos, e é assim que tem de ser.

Cap. 14

A manchete saiu na sexta. O documento que permite conferi-la nasceu na segunda.

O relatório completo do Datafolha, com as 51 páginas, as tabelas cruzadas, o perfil da amostra e as margens por recorte, é o único documento que permite checar o número que virou notícia. O arquivo carrega no próprio metadado a data em que foi produzido: 24 de agosto às 16h27. A pesquisa foi divulgada em 21 de agosto. Por três dias o país inteiro discutiu dois números, e o documento que os sustenta ainda não existia.

Quando cada documento da pesquisa foi produzido, em relação ao dia da divulgação, nas quatro ondas
Data de produção lida no metadado de cada PDF. O questionário fica pronto antes do campo, o anexo territorial no dia da divulgação ou no seguinte, e o relatório completo três dias depois.
4 de 4ondas em que o relatório completo nasce depois da manchete
+3 diasexatamente, em maio, junho, julho e agosto
25/05 · 22/0627/07 e 24/08: as quatro datas de produção
6 a 7 diasde antecedência do questionário em relação ao campo
O que o metadado prova e o que não prova

Prova: um arquivo produzido em 24 de agosto não podia estar disponível em 21. O campo creationDate do PDF registra o instante antes do qual aquele arquivo não existia, e ele está dentro do arquivo do próprio instituto. Não prova: a data exata em que o relatório foi publicado no site do Datafolha ou anexado ao registro, que pode ser posterior ainda. E não prova irregularidade: a Resolução TSE 23.600 fixa prazos para o depósito das peças, e verificar se este caso os cumpre exige a leitura do dispositivo, não do metadado.

O que fica estabelecido é mais simples e não depende de norma nenhuma: a ordem é sempre a mesma. Primeiro o número, depois a discussão nacional, depois o documento. Quatro ondas, quatro vezes, sempre com três dias de distância.

Por que isso importa mais do que parece

Nesses três dias acontece tudo o que decide como um número é lembrado: a manchete, a análise dos colunistas, o debate nas redes, a reação das campanhas e a segunda onda de matérias sobre a primeira. Quando o relatório finalmente aparece, o ciclo já fechou. Uma auditoria como esta, publicada agora, chega quatro dias depois de a conversa terminar. Não é censura nem ocultação: é uma janela de exclusividade interpretativa, em que quem tem o número fala sozinho porque ninguém mais pode conferir.

A palavra

“Lidera” é uma palavra que precisa passar em dois testes

Nenhuma manchete recuperada de G1, Folha ou UOL diz literalmente “Lula lidera o segundo turno”: os títulos são numéricos. A formulação de vantagem aparece no título do próprio relatório Datafolha, e “o petista lidera” aparece no corpo da Folha. Quando um jornal escreve isso, está afirmando uma liderança identificada. E essa afirmação tem de passar em dois testes independentes, um de amostragem e um de composição. No segundo turno de agosto ela não passa em nenhum dos dois.

Saldo do segundo turno publicado e o mesmo saldo com a distribuição de renda do IBGE, nas quatro ondas
Barra de cima: o saldo publicado, que virou manchete. Barra de baixo: o mesmo relatório e as mesmas respostas, trocando apenas a distribuição de renda pela do IBGE. Em nenhuma das quatro ondas a vantagem publicada sobrevive.
Teste 1, amostragem

O intervalo já inclui o zero

A diferença de quatro pontos tem margem de ±4,095 a 95%, sob a hipótese mais generosa possível, que é amostragem aleatória simples. O intervalo vai de −0,10 a +8,10. Ele contém o empate. Isso sozinho já retira o direito de escrever “lidera” sem qualificação.

Teste 2, composição

O sinal inverte com a régua oficial

Trocando apenas a distribuição de renda pela da PNAD Contínua do IBGE, o saldo vira Flávio +1,78. E não é uma onda isolada: acontece nas quatro, com a mesma fórmula e o mesmo benchmark. Em 10 mil simulações que perturbam cada célula impressa, o sinal se mantém invertido em 100% dos sorteios.

O julgamento, e ele é duro

Escrever “lidera” sobre um resultado que não sobrevive a nenhum dos dois testes não é erro técnico de rodapé. É transformar em fato consumado aquilo que a própria pesquisa apresenta como indeterminado, e fazê-lo justamente nos três dias em que o documento que permitiria contestar ainda não existe. O leitor não recebe um número com incerteza: recebe um vencedor.

E a correção é barata. “Lula tem 47%, Flávio tem 43%, e a diferença não separa os dois com 95% de confiança.” São nove palavras a mais e a frase fica verdadeira. Ninguém precisa esconder o placar, publicar a reponderação nem concordar com esta auditoria para escrevê-la.

A crítica precisa é melhor que a genérica

No primeiro turno, “lidera” está correto. O saldo de seis pontos tem intervalo de +2,34 a +9,66 e resiste até efeito de desenho 2. Ali existe liderança medida e a palavra é apropriada. O problema é que o mesmo texto usa a mesma palavra para as duas situações, que são estatisticamente diferentes: uma é liderança identificada, a outra é vantagem numérica dentro da margem. A cobertura não distingue as duas, e a pesquisa distingue. Está tudo no relatório, na página 3, na tabela de margens por segmento, que nasceu três dias depois da manchete.

Datafolha, título do relatório, p. 2

“Lula lidera no 1º turno e tem vantagem de quatro pontos sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno”

A primeira metade é sustentada: o saldo de seis pontos no primeiro turno tem intervalo de 95% acima de zero. A segunda descreve uma vantagem numérica de quatro pontos, mas não uma liderança estatisticamente identificada: o intervalo do saldo no segundo turno vai de −0,10 a +8,10. Esta é a formulação original que o relatório entrega à cobertura.

Regra objetiva

Título numérico sem intervalo é verdadeiro, mas materialmente incompleto. No material examinado, “vantagem de quatro pontos” é título do relatório; “o petista lidera por 47% a 43%” é frase do corpo da Folha, não manchete. Ambas precisam da mesma qualificação: vantagem numérica não equivale a liderança identificada a 95%. Para “38 vai a 41”, o erro da mudança entre duas amostras é ainda maior que o erro de cada número isolado.

Band, primeiro turno

“Lula lidera disputa com 39% das intenções; Flávio registra 33%”

Aqui “lidera” é defensável. A manchete se refere ao primeiro turno, cuja diferença continua positiva até deff 2. No corpo, porém, a Band escreve que “Lula mantém a liderança sobre Flávio Bolsonaro por 47% a 43%”. Essa segunda formulação não é sustentada a 95%.

UOL, Reuters

“Lula tem 47% e Flávio soma 43% no 2º turno”

O texto acerta onde outros erram: chama o cenário de “limite do empate técnico”. Ainda cita ±2, que é a margem individual, mas evita transformar quatro pontos em liderança comprovada.

Quem pagou e quem publicou

As notas fiscais e o registro atribuem metade do custo à Folha de S.Paulo e metade à TV Globo: R$ 153.820,80 para cada. O UOL integra o Grupo Folha. Portanto, Folha e UOL pertencem ao mesmo ecossistema jornalístico nesta análise, embora o UOL não apareça como contratante jurídico separado nem como pagador em nota fiscal. O portal também republica material de agências; por isso, a manchete da Reuters hospedada no UOL está identificada como UOL, Reuters. A distinção correta é entre vínculo empresarial, contratação formal e autoria editorial, não entre veículos supostamente sem relação.

Cap. 15

As manchetes que os dados pediam

Nenhuma exige adivinhar intenção do instituto ou do veículo. Todas saem de tabelas publicadas, cálculos reproduzíveis e rótulos de evidência explícitos.

Prazo

O relatório que sustenta a manchete de sexta foi criado na segunda

Metadado do próprio PDF: 24/08 às 16h27, três dias depois da divulgação. Igual em maio, junho e julho.

Sensibilidade

Nenhuma das quatro vantagens publicadas sobrevive à renda do IBGE

Publicado: Lula +4, +4, +5, +4. Com a régua oficial: Flávio +2,81, empate, empate, Flávio +1,78.

Contratantes

Folha e Globo noticiaram o caso até a véspera; a pesquisa que pagaram não perguntou

Dez matérias entre 31 de julho e 17 de agosto nos dois contratantes. Zero perguntas no campo de 18 e 19.

Pauta

Datafolha fez 7 perguntas sobre um caso em maio e nenhuma em agosto

A bateria que mediu o custo eleitoral de um fato, e perguntou se o candidato deveria desistir, não teve equivalente em quatro meses.

Mercado aberto

Datafolha mede 30 pontos do eleitorado ainda em aberto

Vinte e seis por cento dizem que o voto pode mudar e quatro por cento estão indecisos. A diferença noticiada foi de seis.

Rejeição

Seis candidaturas têm rejeição igual ao ruído do instrumento

Nomes com 1% de voto recebem 9,7% de recusa média. Cury, com 8%, fica abaixo do próprio piso.

Vão

Sete pontos desaprovam o governo e não votam na oposição

São dezesseis pontos no ensino superior e vinte e cinco entre não alinhados. Zero no ensino fundamental.

Terceira via

O eleitor de Caiado, Renan e Zema vota por proposta, não por medo

63,6% do bloco declara voto propositivo e 50,1% admite mudar. É a maior reserva conversível da pesquisa.

Série

O desafiante marca 43 no 2º turno há quatro ondas seguidas

E no 1º turno está em 33, o mesmo de março. A convergência de dez para seis pontos é queda do presidente.

Questionário

Datafolha perguntou o voto de 2022 e não publicou

É a única variável conferível contra um resultado real. Também ficou de fora a escala ideológica de sete pontos.

Cobertura

491 entrevistados não aparecem em nenhuma coluna de religião

Sem religião pesa 11% do perfil e não tem coluna. O Sul, que pesa 15%, tem.

Sensibilidade

Renda oficial troca o sinal do segundo turno

47 × 43 vira 44,2 × 46,0 quando só a distribuição de renda é alinhada à PNADC 2025.

Histórico

Com a mesma renda, vantagem de Lula some em quatro ondas

Maio e agosto invertem. Junho e julho viram empate sob a mesma PNADC 2025.

Incerteza

Segundo turno não tem líder a 95%; primeiro turno tem

O intervalo do saldo 2T cruza zero sob AAS. O saldo de seis pontos no 1T resiste até deff 2.

Voto útil

Trocar Flávio custa de 3 a 6 pontos à oposição

Lula fica entre 47 e 48 em quatro cenários; o adversário cai de 43 para 40, 38 ou 37.

Partido

Sem partido, Flávio marca 47 e Lula 35

É o maior grupo da pesquisa, 47% do perfil, e 40% dele admite mudar o voto.

Território

Relatório declara 128 municípios; anexo lista 129 códigos

A divergência é documental e verificável. Precisa de reconciliação, não de especulação.

Juventude

Renan Santos quase triplica entre eleitores de 16 a 24

São 11% no recorte jovem contra 4% no total, um sinal geracional escondido pelo topline.

Rejeição e intenção de voto em segundo turno de Flávio, Caiado, Zema e Renan
Rejeição baixa não garante conversão. Caiado, Zema e Renan têm cerca de um terço da rejeição de Flávio e rendem menos contra Lula. O polo anti-Lula já está identificado.
Cap. 16

Além do voto útil. O que estes números mandam a oposição fazer agora

O voto útil já foi cobrado e já foi pago. O segundo turno marca 43 há quatro ondas seguidas, três meses sem se mover um ponto, enquanto o primeiro turno convergiu de dez para seis. A convergência não comprou nada: era voto que o segundo turno já contava. Daqui para a frente todo ponto está em três lugares, e a pesquisa nomeia os três.

Séries do primeiro e do segundo turno de março a agosto de 2026
Em cima, o primeiro turno: o desafiante marcava 33 em março e marca 33 agora, com pico de 35 em abril e maio. A diferença caiu porque o presidente caiu de 41 para 39. Embaixo, o segundo turno: 43 em maio, junho, julho e agosto.
Voto na base bolsonarista e entre não alinhados para os quatro adversários testados
Flávio Bolsonaro converte 90% da base bolsonarista e 38% dos não alinhados: um abismo de 52 pontos. Caiado converte 71 e 46, abismo de 25. Flávio é o adversário mais forte no agregado, por 3,4 pontos sobre Caiado, e é o que menos alcança quem não se declara de lado nenhum.
01

Parar de comprar o que já está pago

Noventa por cento do bloco bolsonarista já vota no candidato do PL no segundo turno. Onze por cento de quem prefere o PL diz que o voto pode mudar, o menor índice da pesquisa inteira. Não existe ponto a extrair ali. Cada real e cada minuto de palanque gastos falando com a base compram convicção que já está comprada.

Anexo p. 22 e 26 de 29 · bolsonaristas 90% no 2º turno, PL 11% de voto móvel
02

A terceira via não se converte com medo. Converte-se com proposta.

Caiado, Renan Santos e Zema somam doze pontos do eleitorado. Desses doze, 63,6% dizem votar pelas propostas e pelo preparo, contra 56% no eleitorado do próprio Flávio, o menor índice da pesquisa. E 50,1% desse bloco declara que o voto ainda pode mudar, contra 21% no eleitorado do próprio Flávio.

São seis pontos do eleitorado nacional simultaneamente móveis e propositivos. É a maior reserva conversível do país. Só que ela é imune ao argumento que a campanha vem usando: quem vota por proposta não se move por “não deixe o outro ganhar”. Move-se por proposta melhor.

Relatório p. 12 e 13 · páginas nunca citadas em manchete
03

O eleitor petista não cristalizado existe, e tem endereço

Dezoito por cento do eleitorado de Lula declara que o voto pode mudar: sete pontos do eleitorado nacional. Mais importante que o número é o mapa. Vinte e cinco por cento do país avalia o governo como regular, e dentro desse bloco o segundo turno é 53 a 35, com doze por cento não escolhendo ninguém. Entre eleitores de 16 a 24 anos, 41% avaliam o governo como regular e 39% dizem que o voto pode mudar. É o recorte mais móvel da pesquisa.

Esse eleitor não odeia o governo e não o defende. Ele está cansado. Não se ganha alguém assim chamando-o de comunista; ganha-se mostrando o que melhora na vida dele na semana seguinte à posse.

Relatório p. 7 e anexo p. 26 e 28 de 29
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Falar com quem tem diploma e emprego

O maior vão da pesquisa entre recortes de partição fechada está no ensino superior: 58% desaprovam o governo e 42% votam na oposição, dezesseis pontos de distância. Entre ocupados, nove. Entre quem ganha de dois a cinco salários, dez. Entre quem ganha mais de cinco, dez.

Nos dois recortes onde o vão é zero, ensino fundamental e fora da população economicamente ativa, a oposição já leva tudo o que a desaprovação oferece. O voto anti-governo que falta está inteiro no Brasil que estudou, trabalha e mora na cidade. Não é o eleitorado com quem a campanha vem falando.

Anexo p. 22 e 29 de 29 · desaprovação menos voto no 2º turno
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Ir buscar o branco e o nulo dos não alinhados

Entre quem não se declara nem bolsonarista nem petista, trinta por cento não escolhem ninguém no segundo turno. Esse bloco vale 7,23 pontos do eleitorado nacional parados em branco, nulo e indecisão. É quase o dobro da diferença publicada de quatro pontos. Nenhum voto precisa ser tirado do adversário para que essa conta vire.

Anexo p. 22 de 29 · não alinhados são 24,1% da amostra ponderada
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Tratar a fragmentação como custo, e não como paisagem

Treze por cento do bloco bolsonarista vota em Caiado, Renan Santos, Zema ou Cury no primeiro turno: 4,4 pontos do eleitorado nacional dentro do próprio campo. E entre março e agosto o branco e o nulo caíram de 12% para 6% sem que o desafiante ganhasse um ponto sequer. Os seis pontos que saíram do branco foram absorvidos pelas sete candidaturas menores que entraram no cartão em maio.

A leitura correta não é reclamar dos concorrentes. É reconhecer que o eleitor que hoje está com eles é exatamente o eleitor propositivo do item 02, e que ele saiu do branco porque alguém lhe deu um nome para dizer.

Relatório p. 9 e 10 · anexo p. 16 de 29
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Oferecer uma posição, não uma identidade

O próprio questionário do Datafolha revela o problema: ele pede que o eleitor se localize numa escala de 1 a 5 cujas pontas são dois nomes próprios, bolsonarista e petista, e depois joga em não alinhados todo mundo que ficou no meio ou recusou a régua. Um quarto do eleitorado é definido por aquilo que ele não é.

O instituto perguntou também a escala de esquerda a direita de 1 a 7 e não publicou. A candidatura que quiser esses vinte e quatro por cento precisa fazer o que o instrumento não fez: dar-lhes uma posição própria em que caibam sem ter de adotar a biografia de ninguém.

Questionário PO 814276, p. 3 · escala ESCALA_BP publicada, escala POSIÇÃO POLÍTICA não publicada

O enquadramento que não move os 30 pontos

“Vote em mim para o outro não ganhar.”

Fala com quem já decidiu. Bate no eleitorado que tem 90% de conversão e 11% de mobilidade. Contra a terceira via, cuja base é 63,6% propositiva, o argumento devolve o eleitor para o branco em vez de trazê-lo para a urna.

O enquadramento que os números autorizam

“Vote em mim pelo que eu vou fazer na segunda-feira.”

Fala com o eleitor propositivo, com quem avalia o governo como regular e com quem tem diploma e emprego. São os três lugares onde a pesquisa mede voto anti-governo ainda não recolhido, e os três respondem a proposta verificável, não a alarme.

Polarização é o som que a liberdade faz enquanto ainda está viva.

Um país onde metade discorda em voz alta da outra metade é um país onde ainda se pode discordar. O silêncio é que é o sintoma grave. Quando a divergência some do noticiário, ela não foi resolvida: foi retirada. Por isso este dossiê não trata a polarização como doença a ser curada por consenso administrado, e trata como o ruído normal de uma democracia que funciona. O que precisa de vigilância não é o volume da discordância, é quem tem poder para baixá-lo.

Há uma consequência prática disso para quem lê pesquisa. Um instrumento que comprime o espaço político inteiro numa régua de cinco pontos entre dois nomes próprios não está medindo polarização: está fabricando a moldura em que ela é a única forma disponível de existir. A escala de sete pontos entre esquerda e direita foi perguntada na mesma entrevista e não foi publicada. Um quarto do eleitorado ficou sem posição própria por decisão de edição, não por falta de dado.

Juízo editorial da Arvor, construído sobre os números acima e identificado como tal
Trocar liberdade por segurança é coisa de povo que não merece nenhuma das duas.

A troca é falsa e é vendida como se fosse inevitável. Estado que não sabe prender o criminoso passa a vigiar o cidadão, porque vigiar o cidadão é barato e prender criminoso é caro. Segurança de verdade custa investigação, perícia, dado limpo, carreira de Estado e cadeia que funcione. Vigilância de inocente custa um decreto. Quem oferece o decreto no lugar da investigação não está entregando segurança: está economizando trabalho às suas custas.

A posição desta casa é que segurança, liberdade e um Estado eficiente são a mesma agenda, não três agendas em disputa. Um Estado que mede o que faz, publica o que mede e responde pelo que publica protege mais e censura menos, porque não precisa esconder o próprio desempenho. É a razão de este dossiê existir na forma em que existe: número com página, conta com script, erro com endereço.

Juízo editorial da Arvor · posição declarada, não achado da pesquisa
O compromisso que torna isto utilizável

Este dossiê tem lado e usa o mesmo padrão de prova nos dois sentidos. A auditoria encontrou uma margem que inverte o segundo turno em favor da oposição, e publicou. Encontrou também que a ponderação do instituto corta pela metade a vantagem do presidente no primeiro turno, um achado que desmonta a acusação mais repetida contra o Datafolha, e publicou com o mesmo destaque. Encontrou que o adversário preferido do campo perde para os próprios substitutos entre os não alinhados, e publicou. Análise que só encontra o que convém ao autor não serve nem ao autor: ela o faz perder a eleição com boa disposição de espírito.

Cap. 17

Sete PDFs, 51 páginas, conta aberta

O relatório completo, o questionário, o registro, a declaração, o anexo territorial e as duas notas fiscais foram preservados com SHA-256. As catorze tabelas do anexo foram extraídas do texto nativo do PDF, sem digitação manual, e a leitura foi provada recompondo o placar publicado a partir de cruzamentos independentes.

Reprodução

Dados, auditoria e gráficos

scripts/datafolha-082026-audit.py extrai território, consulta PNADC e TSE, repondera e calcula incerteza.
scripts/datafolha-082026-graficos.py fecha a matriz IPF e gera os gráficos estratégicos.
scripts/datafolha-082026-figuras.py gera as comparações de perfil e sensibilidade.
scripts/datafolha-082026-historico-renda.py padroniza quatro ondas pela mesma PNADC.

Segunda camada.
scripts/datafolha-082026-cruzamentos.py lê as 14 tabelas do anexo direto do texto do PDF, sem digitação manual, e valida a leitura recompondo o placar publicado a partir de cruzamentos independentes.
scripts/datafolha-082026-aprofundamento.py calcula mercado aberto, campo contra peso, piso de ruído, vão, substituição, conversão e cobertura dos recortes.
scripts/datafolha-082026-figuras-fundo.py desenha as onze figuras novas.
scripts/datafolha-082026-prints.py recorta as páginas originais citadas.
scripts/datafolha-082026-pauta.py extrai os blocos de pergunta dos quatro questionários de maio a agosto e classifica a pauta temática de cada onda.
scripts/datafolha-082026-cobertura.py registra a linha do tempo do que os dois contratantes publicaram antes do campo, com as consultas de busca declaradas.
scripts/datafolha-082026-documentos.py lê o metadado de produção de cada PDF nas quatro ondas e compara com as datas de campo e divulgação.

Saídas públicas: base analítica, matriz de transferência, série histórica de renda e segunda camada , comparação de pauta , linha do tempo da cobertura e datas de produção dos documentos.

Regra de evidência

Fato, inferência, ausência

Fato é tabela, documento ou cálculo determinístico. Inferência é reponderação, margem da diferença, IPF ou leitura semântica. Não demonstrado inclui fraude, coordenação editorial ou o resultado verdadeiro do eleitorado.

Versão para leigos

A mesma auditoria em dezoito cards, para quem está começando. A thread ensina o que é amostra, margem, estratificação e ponderação, refaz a conta da renda passo a passo com os números na tela, e traz um checklist de seis perguntas para ler qualquer pesquisa. Cada card sai pronto para publicar, com o texto copiável abaixo.

Fontes primárias e cobertura examinada

  1. Datafolha, relatório BR-04496/2026, 51 páginas, campo 18–19/08/2026; tabelas completas nas páginas 23–51. O metadado do arquivo registra produção em 24/08/2026 às 16h27, três dias depois da divulgação.
  2. Datafolha, cruzamentos Lula × Flávio por renda: 20–21/05, página 23; 17–18/06, página 25; 22–23/07, página 18; 18–19/08, tabela 7.1, página 22.
  3. Datafolha, anexo de tabelas cruzadas, 29 páginas, 14 tabelas por 11 recortes; páginas 24 a 51 do PDF. A leitura foi validada recompondo Lula 47 e Flávio 43 a partir do cruzamento por identificação política (46,98 e 43,29) e por região (47,08 e 42,64).
  4. Datafolha, relatório de divulgação, página 12, grau de definição do voto por candidato, e página 13, motivação do voto por candidato.
  5. Datafolha, questionário PO 814276, 8 páginas; ordem, rodízio, cartões 1A e 1B e formulação integral das perguntas, inclusive as oito não publicadas.
  6. Folha de S.Paulo e G1, buscas nos próprios veículos com filtro de período, entre 25/07 e 23/08/2026: search.folha.uol.com.br/?q=INSS+Lulinha devolve 45 resultados entre 1º e 17 de agosto, e g1.globo.com/busca/?q=Lulinha lista as matérias de 31/07, 04/08 e 14/08 citadas no Cap. 11. Cada consulta é reproduzível por qualquer leitor.
  7. Datafolha, questionários das ondas de maio, junho e julho de 2026, registrados no PesqEle e usados na comparação de pauta do Cap. 11: 2.762, 3.461 e 2.958 palavras contra 1.764 em agosto.
  8. PesqEle/TSE, registro BR-04496/2026; campo 18–20/08, plano amostral, PNADC-A 2024 e valor declarado.
  9. Datafolha, declaração, anexo de bairros, municípios e setores, NF Folha e NF TV Globo.
  10. IBGE, PNAD Contínua: trimestre 2026-T1 para sexo, idade e escolaridade; anual 2025, visita 1, para renda.
  11. TSE, perfil atual do eleitorado: competência jun./2026, exterior excluído.
  12. Arvor, auditoria Datafolha julho/2026: referência de série, painel municipal e razão de consolidação.
  13. G1, “50% desaprovam governo Lula, e 47% aprovam”.
  14. UOL, “Pesquisa Datafolha para presidente”.
  15. UOL, segundo turno 47 × 43.
Limitações desta auditoria

Sobre a segunda camada. O piso de ruído é um teste de robustez proposto por esta casa, não uma correção da pesquisa, e depende do critério de quais candidaturas contam como sem tração. O vão é teto endereçável e não previsão. O capítulo estratégico é juízo editorial identificado como tal, construído sobre números que estão todos referenciados por página.

Não há microdados, pesos individuais, estratos, PSU, taxa de abordagem, recusa nem efeito de desenho público. As bases das tabelas são ponderadas e as células são arredondadas. Repetição de município não significa repetição de entrevistado. O IPF estima fluxos agregados a partir de margens, não rastreia pessoas. A PNADC mede renda por instrumento mais extenso que uma pergunta de pesquisa eleitoral. A série histórica padroniza somente renda e não corrige interações com outras margens. Nenhum exercício aqui substitui a apuração oficial ou permite acusar fabricação de dados.

Imagem de capa reutilizada do dossiê Datafolha 07/2026: rua 25 de Março, São Paulo, Otávio Nogueira, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Nenhum instituto, veículo, partido ou campanha financiou ou revisou este laudo.