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Acervo público
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O acervo · pesquisas eleitorais e dados públicos · Brasil 2026

Toda pesquisa deixa rastro

Esta é a biblioteca aberta da Arvor Intelligence. Pegamos o que os institutos divulgam — registro no TSE, relatório, questionário, nota de rodapé — e refazemos a conta contra a fonte oficial: TSE para o eleitorado, IBGE/PNAD para renda e escolaridade. Nenhum laudo aqui acusa fraude. Todos cobram o arquivo: o que foi perguntado, o que foi ponderado, o que foi coletado do eleitor e nunca devolvido ao público. Prova de opacidade, não de fraude.

PEÇA 01

Última auditoria · consolidada em 17/07/2026

PEÇA 02

Proposta da casa · minutas prontas

Auditar sem propor é reclamar

Das oito auditorias abaixo saiu sempre o mesmo diagnóstico: a pesquisa é registrada, mas o que permitiria conferi-la chega tarde demais — ou não chega. Então escrevemos o texto que corrige isso, em duas vias: uma Resolução, que cabe na competência regulamentar do TSE e valeria sem esperar o Congresso, e um Projeto de Lei, para o que exige lei.

O que está em jogoComo é hojeNa proposta
Relatório completo Liberado depois das eleições — a Resolução 23.600 diz isso com todas as letras no art. 2º, §7º-B. A prova só abre quando o efeito sobre o voto já aconteceu. Público até a primeira divulgação e, em qualquer hipótese, em no máximo 2 dias do fim da coleta. Vedada a reserva para depois do pleito.
Onde a pesquisa foi feita A relação de municípios pode chegar até o 7º dia após o registro. Nesta rodada: registro em 07/07, manchete em 13/07, prazo legal até 14/07 — o número podia virar notícia um dia antes de o país saber onde foi coletado. Sai junto com o número, com o total de entrevistas em cada unidade. Quem divulga o número divulga, no mesmo ato, onde ele foi colhido.
Divulgar sem o pacote Não há consequência: o registro é ato prévio à coleta e nunca conteve o relatório, que só nasce depois do campo. Sem o pacote público no ar, a pesquisa é “não registrada” — e aí incide a sanção que o art. 33, §3º da Lei 9.504 já prevê desde 1997, e que convive com a liberdade de imprensa há quase três décadas.

Via 1 · vale já

Minuta de Resolução do TSE

Institui o Pacote Público de Auditoria: questionário integral, bases bruta e ponderada, documentação dos pesos, deff, taxas de resposta e a relação territorial — tudo depositado como condição para a primeira divulgação. Fica dentro do que o Tribunal já pode regulamentar hoje, sem passar pelo Congresso.

altera a Res. TSE nº 23.600/2019

Via 2 · o que exige lei

Projeto de Lei da Pesquisa Auditável

Cobre o que a resolução, sozinha, pode esbarrar em reserva legal: microdados anonimizados sob a LGPD, declaração de conflito de interesse, acesso auditável e o dever de quem divulga. Encerra também a discussão sobre quando: vale desde o dia em que é publicada.

altera os arts. 33 e 34 da Lei nº 9.504/1997

Texto livre. Qualquer parlamentar, partido, entidade ou o próprio TSE pode copiar, alterar e apresentar como seu. Não pedimos crédito, não pedimos autoria, não pedimos licença. A minuta existe para ser usada — se virar norma sem o nosso nome em lugar nenhum, o objetivo foi cumprido.

PEÇA 03

O acervo · sete auditorias anteriores

Oito rodadas, quatro institutos, um mesmo pedido

De maio a julho de 2026, auditamos toda pesquisa presidencial de alcance nacional que entrou na conversa pública. Os desenhos variam — domicílio sorteado, ponto de fluxo, telefone por RDD, painel online. O pedido não varia: publiquem os pesos, o efeito de desenho e as perguntas que já foram feitas.

N.º 07

13 de julho de 2026

BTG/Nexus6ª rodada · CATI/RDD telefônico · n = 2.003

TSE BR-07981/2026Campo 10–12/07

Lula aparece com 47% e Flávio Bolsonaro com 44%. O próprio instituto chama de empate técnico. A margem da diferença é de ±4,18, não o ±2 do release, e a vantagem muda de +1,4 a +4,0 conforme a régua oficial usada para reponderar.

N.º 06

26 de junho de 2026

AtlasIntelBloomberg · painel RDR online · n = 4.999

TSE BR-04582/2026Campo 25–30/06

O registro diz 5.000 entrevistas e campo desde 25/06; o relatório diz 4.999 e 26/06. As cotas estouram a tolerância de 1 p.p. que o próprio registro admite. E o “não sei” quase desaparece: 0,3% não sabem quem os assusta mais. Flávio aparece com 43,5% entre mulheres e 29,1% entre homens — o oposto exato do padrão de todos os outros institutos.

N.º 05

24 de junho de 2026

DatafolhaFolha de S.Paulo · ponto de fluxo · n = 2.004

TSE BR-09956/2026Campo 17–18/06

A manchete “Lula 47 × 43” não sobrevive à estatística: a margem da diferença é de ~±4 pp, maior que os 4 pontos que separam os dois. É empate técnico. Reponderando a renda da amostra à PNAD por pessoas de 16+, o placar vira 45,6 × 45,9 — a vantagem nasce de uma amostra mais pobre que o país.

N.º 04

15 de junho de 2026

BTG/Nexus4ª rodada · CATI/RDD telefônico · n = 2.017

TSE BR-06645/2026Campo 12–14/06

O banco fez o que a Quaest não fez: perguntou o voto antes do roteiro pesado. Mas ±2 é vitrine — sem o efeito de desenho publicado, a margem nacional plausível sobe para ±2,7 a ±3,1, e recorte pequeno vira ±6 a ±8. Na pergunta do tarifaço, a saída neutra existe no questionário marcada como “NÃO LER”.

N.º 03

10 de junho de 2026

Quaest/GenialBanco Genial · domiciliar presencial · n = 2.004

TSE BR-07661/2026Campo 05–08/06

O melhor campo do trio — domiciliar, sorteio por setor censitário, cotas claras — e é isso que torna a edição mais grave, não menos. Divulga ±2 para um desenho que plausivelmente dá ±3 a ±3,5. E perguntou a 2.004 eleitores se Bolsonaro deveria trocar Flávio, e o que acham de Trump apoiá-lo: nada disso foi publicado.

N.º 02

18 de maio de 2026

AtlasIntelBloomberg · RDR online · n = 5.032

TSE BR-06939/2026Campo 13–18/05

O top-line de voto está mais protegido do que parecia: vem antes do bloco Banco Master e antes da peça de vídeo/áudio. Mas o relatório publica o que convém — mais de 20 itens aplicados saem sem top-line. E o ±1 p.p. anunciado não se sustenta: com n = 5.032, o pior caso já é ±1,38.

N.º 01

09 de maio de 2026

DatafolhaFolha de S.Paulo · 139 municípios · n = 2.004

TSE BR-00290/2026Divulgação 16/05

45 × 45 no segundo turno: nenhum dos dois tem vantagem estatística. A demografia clássica está colada à PNAD/TSE — sexo, escolaridade e região batem. A renda é o ponto fraco: até 2 SM dá 50,3% na amostra contra 38,7% na PNAD. E as datas de campo não fecham entre registro, reportagem e PDF.

PEÇA 04

Relatório de dados · a origem do projeto

Fonte primária · IBGE

O Brasil em Números
PNADC

Antes de auditar pesquisa eleitoral, este projeto era outra coisa: um retrato do país feito direto do microdado. Como os salários, os benefícios e as aposentadorias se distribuem entre vinte e sete estados, cinco macro-regiões e duzentos e doze milhões de brasileiros. Um ensaio em quinze painéis, bilíngue, com a metodologia e o repositório abertos ao lado de cada gráfico.

É também a régua. Quando reponderamos a renda de uma amostra de instituto “à PNAD”, é deste dado que estamos falando.

Nota: o ensaio interativo é pesado (~2,4 MB, gráficos Plotly). Em conexão lenta ou celular antigo, o mesmo ensaio em texto — “o brasil auditável: um retrato em quinze fotografias” — abre leve, em português ou inglês.
15painéis, do retrato de abertura à desigualdade por estado
PT / ENensaio inteiramente bilíngue, um clique entre os idiomas
Visita 5PNADC anual do IBGE — a base que separa renda de trabalho de renda de benefício
Abertomicrodado, comando de terminal, testes e metodologia à disposição
PEÇA 05

Como auditamos

O que se pede não é fé. É o arquivo.

Auditoria não é militância. Antes de apontar o que falta, rodamos os testes que poderiam flagrar fraude aritmética no dado bruto — e dizemos quando eles passam. É isso que separa uma crítica de método de uma teoria da conspiração.

Papel contra papel

Começamos pelo registro obrigatório no TSE e batemos contra o relatório divulgado, o questionário aplicado e a reportagem. Datas, n, custo, contratante, tolerância de cota. Divergência documental é o primeiro sinal.

Calibração com fonte oficial

O eleitorado vem do perfil do TSE — sexo, idade, UF, região. Renda e escolaridade vêm da PNAD Contínua do IBGE. Quando a amostra destoa da população, reponderamos e mostramos o placar que sai da régua oficial.

Conta reproduzível

Toda margem, todo efeito de desenho e toda reponderação sai de cálculo que o leitor pode refazer, com a fórmula e a fonte à vista. Se não conseguimos reproduzir, dizemos que não conseguimos — e cobramos o dado que falta.

A regra da casa

Uma pesquisa que a gente não consegue refazer não é ciência. É palavra de honra com gráfico. E opacidade não é fraude — é a impossibilidade de saber.

FatoObservação documental ou cálculo reproduzível.
InferênciaA explicação mais compatível com os fatos reunidos.
HipóteseLeitura possível que ainda exige evidência adicional.